sábado, 17 de agosto de 2019

O Behaviorismo Metodológico e suas relações com o mentalismo e o Behaviorismo Radical 1 - Maria Amélia Matos

INÍCIO E OBJETO DE ESTUDO DO BEHAVIORISMO:
  • Século XX - Surge o behaviorismo na Psicologia.
  • Proposta do Behaviorismo para a Psicologia; Tornar o COMPORTAMENTO seu objetivo de estudo, em contraposição, às ideias de que a Psicologia deveria estudar a mente ou consciência dos homens.
MENTALISMO 
  • É o cessar as ideias ou imagens mentais, por meio da introspecção, sendo revelada através de uma ação, gesto, ou palavra.
  • Idade Média: segundo a Igreja,  o comportamento do homem se dava pela posse de uma alma., e eram essas ideias ou impressões mentais nas mentes dos homens que controlariam seus comportamentos. O homem é concebido por duas naturezas: uma divina(mental) e uma material (física), e em determinadas épocas, é a mental que determina a material. Entretanto, só era possível evidenciar o comportamento em si, e não o que se passa na mente do indivíduo.
  • Modelo causal e mecanicista do comportamento humano, ou seja, a mente causando o comportamento.
Maria Amélia trás importantes considerações sobre o Behaviorismo, da Palestra apresentada no II Encontro Brasileiro de Psicoterapia e Medicina Comportamental, Campinas,out/93:


  • que “linguagem” é produto de comportamento verbal; que “solução de problemas” é produto de contingências alternativas, e que “lembrar” é produto de manipulações de estímulos discriminativos (Skinner, 1953 e 1974).  
  • O comportamento verbal (linguagem) do outro é decodificado e reorganizado por mim, que sou ouvinte, modificando minha maneira de ver um fenômeno ou avaliar uma pessoa. Esses estados disposicionais modificados, acabam modificando meu comportamento em relação a esses eventos. E o outro, através de meu relato verbal pode ter acesso as decodificações e reestruturações, ou seja, minhas cognições.
  • Fatos, sugestões, crenças, lembranças e disposições são vistos como importantes formas de se comportar.
  • O behaviorismo rejeita a consciência como self, como agente decisor, causados ou mediador do comportamento; rejeita mente e consciente como expectadoras e representações do mundo.

O BEHAVIORISMO CLÁSSICO (WATSON E GUTHRIE) EM OPOSIÇÃO AO MENTALISMO E AO INTROSPECCIONISMO

  • Final do Século XXI - ciência enfatiza nos dados objetivos, medidas, definições claras, demonstração e experimentação, o que levou Watson a propor o Behaviorismo., fazendo daquilo que se pode observar, o corpo de estudo da Psicologia (comportamento).
  • O Manifesto Behaviorista corresponde a várias publicações com destaque ao artigo de 1913 e o livro de 1924;

BEHAVIORISMO METODOLÓGICO PROPOSTO POR WATSON INCLUÍA: 


  • dar o comportamento por si mesmo;
  •  opor-se ao Mentalismo, e ignorar fenômenos como consciência, sentimentos e estados mentais; 
  •   aderir ao evolucionismo biológico e estudar tanto o comportamento humano quanto o animal, considerando este último mais fundamental;
  •   adotar o determinismo materialístico;
  •   usar procedimentos objetivos na coleta de dados, rejeitando a introspecção;
  •  realizar experimentação controlada;
  •  realizar testes de hipótese de preferência com grupo controle; - observar consensualmente.
  •  evitar a tentação de recorrer ao sistema nervoso para explicar o comportamento, mas estudar atentamente a ação dos órgãos periféricos, dos órgãos sensoriais, dos músculos e das glândulas. 
  • Via o COMPORTAMENTO DE INTERESSE como COMPORTAMENTO APRENDIDO, portanto, as causas desse comportamento, devem ser buscada em seus ANTECEDENTES IMEDIATOS.
  • Modelo do Arco Reflexo de Lashley e Pavlov - a partir desse modelo que tentava explicar a relação observada entre estímulo-resposta, que Watson propôs uma Psicologia Estímulo - resposta, mediada pelo SNC (Sistema Nervoso Central).
  • O behaviorismo Metodológico, Clássico ou Mediacionista, ao tomar estados ou processos e/ou neurais, hipotéticos ou inferidos, como supostas causas do comportamento, ironicamente, se posicionava como um legítimo defensor do Mentalismo, o que Skinner vai desfazer mais tarde usando a expressão Behaviorista Radical, para o qual, toda consequência necessita de uma causa ou agente causal.
  • Rejeita a Introspecção pelo obscurecimento que produz na distinção entre objeto e método da Psicologia.
Tendências que mais influenciaram o pensamento de Watson:


 1. O Positivismo Social de Auguste Comte
Considerando que a ciência é uma atividade do homem, e o homem um ser social, postula a natureza social do conhecimento científico, rejeita a introspecção e estabelece como critério de verdade o observável consensual, isto é, o observável partilhado e sancionado pelo outro.

2.     O Positivismo Lógico do Círculo de Viena


Considerando que eu só tenho acesso à informação que meus sentidos me trazem, não posso ter informações sobre minha consciência, cuja natureza difere da de meu corpo. É verdade que não posso negá-la, mas também não posso estudá-la. (É interessante que esta influência também levou ao idealismo e ao subjetivismo: já que não tenho acesso a nada senão minhas sensações, o mundo não existe, somente minhas impressões dele, só minhas ideias são reais).

3. O Operacionismo
É um resultado direto da influência do Positivismo Lógico sobre a Física. Afirma que, se somente tenho acesso às informações que meus sentidos trazem, então a linguagem pela qual expresso e estruturo essas informações é o mais importante em ciência. 


  A OBSERVAÇÃO
  • torna-se fundamental para o Behaviorismo
  • define a categoria comportamento como objeto de estudo, já que, o comportamento observável, aquele que afeta os sentidos do outro, que se pode ver, ouvir, tocar, etc.
  • há a necessidade de treitar rigorosamente os registros e análises, já que torna-se importante a concordância entre observadores.

O COMPORTAMENTO  
  • As causas do comportamento deveriam ser algo externo ao organismo,, a saber, o ambiente.
  • Watson via o corpo como produto da investigação do "estímulo", palavra criada por Pavlov, que se referia à ação de uma fonte de energia sobre o organismo.
  • O estímulo causava no organismo uma mudança observável que o behaviorista chamava de comportamento.
  • Outros behavioristas clássicos consideravam que o ambiente desencadeia uma ação ou causa no comportamento (alguns behavioristas clássicos rejeitaram essa ideia, pois os estímulos e respostas nem sempre ocorriam de maneira tão mecânica e preditiva). Com isso, Toman formalizou o uso de variáveis intervenientes usando expressões como "mapa cognitivo"; construíram fatores de oscilações interações neurais, aferentes, ansiedades, predição, etc.
SKINNER

  • Seu modelo de seleção pelas consequência sempre deve ter uma causa ou agente causal, podendo a seleção natural se dar de três formas:
           A NÍVEL FILOGENÉTICO - responde pelos reflexos e padrões típicos de espécies, bem 
                                                            como pela sensibilidade e contingências.
           A NÍVEL ONTOGENÉTICO - a seleção natural.
          A NÍVEL DE PRÁTICAS SOCIAIS - cultura respondendo por operantes e respondentes 
                                                                        modificados.
  • Substitui a cadeia causal unidirecional e mecanicista pelas relações de caráter interacionista e histórica.
  • O corpo passa a ser considerado como um agente onde suas funções ocorrem, portanto, funções motoras ou sensoriais, o eu é o agente.
  • Há comportamentos meus que não pode ser observável por outras pessoas que não estejam diante dos acontecimentos. Ex: Eu sinto dor de dente e quem está do outro lado não pode me ver sentindo dor de dente, nem por isso, as sensações se tornam menos reais para mim que sinto a dor de dente.  Para Skinner o EU e não o outro, é quem constrói o conhecimento, ao contrário do que se pensava os behavioristas metodológicos.
  • Sofreu influência pelo Positivismo Lógico, onde o que existe para o indivíduo, existe. Porém, para não cair no subjetivismo ou idealismo, é preciso analisar a experiência do indivíduo, que para Skinner é um evento comportamental privado. Para Skinner o estudos de eventos encobertos inclui legitimamente dentro do campo de estudos da Psicologia como uma ciência do comportamento (Skinner, 1945 e 1963). Assim, Skinner se torna RADICAL em dois sentidos:    
  1. por negar radicalmente (absolutamente) a existência de algo que escapa ao mundo físico, que não possa ser identificado no espaço e tempo, como mente, consciência e cognição.
  2. por aceitar radicalmente (integralmente) todos os fenômenos comportamentais.
  • Mesmo reconhecendo a dificuldade de se ter acesso ao mundo interno, admite estudar os fenômenos internos e não separa mundo interno do mundo externo, pois considera o comportamento como interações Organismo-Ambiente, e não como movimentos do corpo.
  • Conceito de Ambiente - tudo aquilo que é externo ao Comportamento, não importando se é um piscar de luz, um desequilíbrio hídrico, um derrame de adrenalina, ou um objeto ausente associado a um evento presente; não importando se sua relação com o comportamento é de contiguidade espaço/temporal (o que, não obstante, é exigido pelo mecanicismo do behaviorismo metodológico para explicar a troca de energias), ou não.
  • Para Skinner não podemos entender o comportamento, mas as circunstâncias em que este ocorre. Da mesma forma, não faz sentido, falar das circunstâncias sem a especificação do comportamento envolvido no processo.
  • Skinner aceita a introspecção como objeto de estudo, mas rejeita a consciência. 
  • A introspecção  seria um comportamento verbal emitido sob controle de eventos internos, porem instalado pela comunidade verbal sob controle de eventos externos. 
  • Para o behaviorista radical a evidência de que vejo vocês é meu comportamento diante da circunstância “vocês”. Do mesmo modo, a evidência de que vocês existem também é meu comportamento. E nem é preciso que vocês estejam presentes para que eu reaja ou “veja” vocês, na verdade nem é preciso que vocês existam (Skinner, 1945)

  • Dizer que estou observando eventos internos não equivale a dizer que estou observando minha mente ou minha consciência. Equivale a dizer que estou observando meu próprio corpo e seu funcionamento. Ao observar meus comportamentos encobertos utilizo os mesmos recursos que utilizo ao observar meus comportamentos manifestos, ou os comportamentos manifestos de outrem, ou a tela de vídeo do meu computador 
  • Dizer que tem ou sente algo NÃO É EVIDÊNCIA da existência daquilo que se diz ter ou sentir. É um COMPORTAMENTO VERBAL que precisa ser analisado e interpretado nas circunstâncias em que ocorre, para identificar as evidências.
  • Considera essencial estudar EVENTOS PRIVADOS para entender o COMPORTAMENTO HUMANO.
  • Foca na interpretação de dados obtidos através da investigação sistemática do comportamento (o corpo desta investigação propriamente dita é a Análise Experimental do Comportamento).
  • Verifica as relações funcionais entre Comportamento e Ambiente.
  • Não busca relações realistas de causa e efeito, mas sim, relações funcionais que expressam sequência de eventos regulares.
  • Comportamento é visto como uma função biológica inerente ao organismo vivo, não necessitando de justificativas ulteriores.
  • Propõe dois tipos de transações ou contingências entre o COMPORTAMENTO  e o AMBIENTE, que constituem as duas classes conceituais fundamentais para o trabalho de descrição e análise do comportamento para Behaviorista Radical:
     a)   consequências seletivas, que ocorrem após um comportamento e que modificam a probabilidade futura de ocorrerem comportamentos equivalentes, isto é, da mesma classe; 
    b) 
contextos que estabelecem a ocasião para o comportamento ser afetado por essas conseqüências (e que, portanto ocorreriam antes do comportamento) e que igualmente afetariam a probabilidade futura de ocorrência de comportamentos equivalentes.

  • Relações funcionais - são estabelecidas quando identificamos mudanças na probabilidade de ocorrer um determinado comportamento. O objetivo dessas relações é compreender quais relações funcionais ocorreram alterando um comportamento esperado. Skinner não lida com explicações causais e sim funcionais.
  • O objeto de estudo é o sujeito consigo mesmo e sua história passada é sua linha de base, portanto, este só pode ser comparado com ele mesmo, embora se possa em certas variáveis ou contextos, descrever funções semelhantes, por exemplo de uma mesma comunidade.
  • A mente, as emoções, e o sistema nervoso não seriam os organizadores ou iniciadores do comportar-se, havendo a preocupação em explicar como esse organismo existe em seu ambiente.



sábado, 29 de junho de 2019

Organização estrutural e funcional do Sistema Nervoso

O Sistema Nervoso se divide em Sistema Nervoso Central e Sistema Nervoso Periférico, conforme pode ser visto a seguir:

SISTEMA NERVOSO CENTRAL (SNC)

  • São partes do Sistema Nervoso envolvidas por ossos: ENCÉFALO e MEDULA ESPINHAL.

O ENCÉFALO:
  •  Se localiza inteiramente no crânio 
  • Possui três partes: o CÉREBRO, o CEREBELO e o TRONCO ENCEFÁLICO.
    • CÉREBRO:  porção mais larga do encéfalo; possui dois hemisférios cerebrais: hemisfério cerebral direito, responsável pelas sensações e controle dos movimentos do lado esquerdo; hemisfério cerebral esquerdo, responsável pelas sensações e movimentos do lado direito do corpo.

  • CEREBELO: porção menor do encéfalo, localizada atrás do cérebro; considerado um centro de controle do movimento e possui extensivas conexões com o cérebro e a medula espinhal; o lado esquerdo do cerebelo é envolvido pelos movimentos do lado esquerdo do corpo; o lado direito do cerebelo é envolvido com os movimentos do lado direito do corpo.
  • TRONCO ENCEFÁLICO: talo por onde os hemisférios cerebrais e o cerebelo se originam. Conjunto complexo de fibras e células, que envia informações do cérebro à medula espinhal e do cerebelo ao cérebro. Regula as funções vitais, como respiração, consciência e controle de temperatura. Danos causados nessa regi~]ao significa morte rápida.

 MEDULA ESPINHAL:
  •  Na coluna vertebral óssea e é colada no tronco encefálico;
  •  Maior condutor de informações da pele, das articulações e dos músculos ao encéfalo e do encéfalo para a pele, articulações e músculos;
  • Uma transsecção(corte) da medula espinhal resulta em anestesia, falta de sensibilidade na pele e paralisia muscular nos membros inferiores.
  • Se comunica com o corpo por meio dos nervos espinhais (emergem da medula espinhal dos espaços entre cada vértebra da coluna vertebral) , que forma parte do sistema nervoso periférico.
  • Cada nervo espinhal está associado à medula espinhal por meio da raiz dorsal (que contém axônios que trazem informações até a medula espinhal, como a sinalizar a entrada acidental de algo um prego em seu pé)  e da raiz ventral ( que transportam informações que saem fora da medula espinhal, como o músculo que retira seu pé em resposta à dor causada por um percevejo)

SISTEMA NERVOSO PERIFÉRICO (SNP)
  •  a todas as partes do Sistema Nervoso, exceto o encéfalo e a medula espinhal.
  • Se divide em duas partes:
    • SISTEMA NERVOSO PERIFÉRICO SOMÁTICO
  • Constitui-se de todos os nervos espinhais que inervam a pele, as articulações e os músculos que estão sob controle voluntário.
  • Axônios motores somáticos comandam a contração muscular e têm origem nos neurônios motores da medula espinhal ventral.
  • Os somas celulares dos neurônios  motores situam-se dentro do SNC, porém seus axônios estão predominantemente no SNP.
  • Axônios sensoriais somáticos que inervam e coletam informação da pele, dos músculos e das articulações, entram na medula espinhal pelas raízes dorsais.
  •  Os corpos desses neurônios localizam-se fora da medula espinhal em agrupamentos chamados gânglios da raiz dorsal. Existe um gânglio da raiz dorsal para cada nervo espinhal 
    • SISTEMA NERVOSO PERIFÉRICO VISCERAL
  • chamado de involuntário, autônomo* ou sistema nervoso vegetativo (SNV), é formado por neurônios que inervam órgãos internos, vasos sanguíneos e glândulas.
  •  Os axônios sensoriais viscerais carreiam informação sobre funções viscerais ao SNC, como, pressão e conteúdo de oxigênio do sangue arterial.
  • As fibras viscerais motoras comandam a contração e o relaxamento dos músculos lisos que formam as paredes dos intestinos e dos vasos sanguíneos, a freqüência da contração do músculo cardíaco e a função secretora de várias glândulas.   Por exemplo, o SNP vegetativo controla a pressão sanguínea pela regulação da freqüência cardíaca e do diâmetro dos vasos sanguíneos. 

NERVOS CRANIANOS
  • Existem 12 pares de nervos cranianos que se originam no tronco encefálico e inervam principalmente a cabeça. 
  • Alguns dos nervos cranianos formam parte do SNC, outros formam parte do SNP somático, e ainda outros formam parte do SNP visceral. 
  • Muitos dos nervos cranianos contêm uma mistura complexa de axônios que realizam várias funções. 
  • Os nervos cranianos e suas funções estão resumidas no apêndice do capítulo.
  • Os primeiros dois “nervos” são, na verdade, parte do SNC e estão envolvidos com o olfato e a visão. Os demais são semelhantes aos nervos espinhais, uma vez que contêm axônios do SNP. Como mostra a ilustração, no entanto, um único nervo possui, às vezes, fibras com diferentes funções. 
  • O conhecimento dos nervos e suas diversas funções são de grande valor para ajudar no diagnóstico de diferentes distúrbios neurológicos. 
  • É importante salientar que os nervos cranianos estão associados aos núcleos de nervos cranianos no mesencéfalo, na ponte e no bulbo. Exemplos disso são os núcleos coclear e vestibular, que recebem informação do nervo VIII. 
Os núcleos de nervos cranianos têm nome, axônios e funções correspondentes a cada axônio, como podem ser visto a seguir:

I. Nervo Olfatório      
  • Tipo de Axônio: Sensorial especial 
  • Função mais importante: Olfato
II. Óptico   
  • Tipo de Axônio: Sensorial especial    
  • Função mais importante: Visão
III. Oculomotor 
  • Tipo de Axônio: Somático motor           
  • Funções mais importantes: Movimentos dos olhos e das pálpebras      
  • Tipo de Axônio: Visceral motor   
  • Função mais importante: Controle parassimpático do tamanho da pupila
IV. Troclear    
  • Tipo de Axônio:  Somático motor             
  • Função mais importante: Movimentos do olho
V. Trigêmeo   
  • Tipo de Axônio: Somático sensorial      
  • Função mais importante: Sensação do tato na face  
  • Tipo de Axônio: Somático motor 
  • Função mais importante: Movimentos dos músculos da mastigação
VI. Abducente    
  • Tipo de Axônio: Somático motor             
  • Função mais importante: Movimentos do olho
VII. Facial   
  • Tipo de Axônio:   Somático sensorial   
  • Função mais importante: Movimentos dos músculos da expressão facial        
  • Tipo de Axônio:  Sensorial especial  
  • Função mais importante: Sensação da gustação nos 2/3 anteriores da língua
VIII. Vestíbulo-Coclear    
  • Tipo de Axônio: Sensorial especial     
  • Função mais importante:  Audição e equilíbrio
IX. Glossofaríngeo 
  • Tipo de Axônio: Somático motor     
  • Função mais importante: Movimento dos músculos da garganta (orofaringe)           
  • Tipo de Axônio: Visceral motor     
  • Função mais importante: Controle parassimpático das glândulas salivares      
  • Tipo de Axônio: Sensorial especial   
  • Função mais importante: Sensação da gustação no 1/3 posterior da língua         
  • Tipo de Axônio: Sensorial visceral 
  • Função mais importante:   Detecção de alterações na pressão sanguínea na aorta
X. Vago
  • Tipo de Axônio: visceral motor    
  • Função mais importante: Controle parassimpático do coração, dos pulmões e dos órgãos abdominais     
  • Tipo de Axônio:  Sensorial visceral             
  • Função mais importante:  Nocicepção associada às vísceras Somático motor Movimento dos músculos da garganta (orofaringe)
XI. Acessório 
  • Tipo de Axônio: Somático motor
  • Função mais importante: Movimento dos músculos da garganta e do pescoço
XII. Hipoglosso 
  • Tipo de Axônio: Somático motor
  • Função mais importante: Movimentos da língua


REFERÊNCIAS:
BEAR, Mark F.; CONNORS, Barry W.; PARADISO, Michael A. Neurociências desvendando o Sistema Nervoso. 3ª Edição. Editora Artmed. Rio Grande do Sul, 2008.

quinta-feira, 27 de junho de 2019

Neurociências: passado, presente e futuro.


"O homem deve saber que de nenhum outro lugar, mas apenas do encéfalo, vem a alegria, o prazer, o riso e a diversão, o pesar, o luto, o desalento e a lamentação. E por isso, de uma maneira especial, nós adquirimos sabedoria e conhecimento e enxergamos e ouvimos e sabemos o que é justo e injusto, o que é bom e o que é ruim, o que é doce e o que é insípido... E pelo mesmo órgão nos tornamos loucos e delirantes, e medos e terrores nos assombram... Todas essas coisas nós temos de suportar do encéfalo quando não está sadio... Nesse sentido, opino que é o encéfalo quem exerce o maior poder sobre o homem. — Hipócrates, Sobre a Doença Sagrada (Séc. IV a.C.)"


 Embora a palavra Neurociência seja jovem, fundada em 1970 pela Sociedade de Neurociências norte-americana, o estudo do encéfalo é bem antigo. Os neurocientistas se debruçaram sobre diferentes disciplinas para compreender o sistema nervoso: medicina, biologia, psicologia, física, química e matemática.

 O que têm pensado os cientistas acerca do sistema nervoso ao longo dos anos?

AS ORIGENS DAS NEUROCIÊNCIAS

O Sistema Nervoso é composto pelo ENCÉFALO, MEDULA ESPINHAL e os NERVOS DO CORPO, e é responsável por SENTIR, MOVER-SE e PENSAR do ser humano.

EGÍPCIOS (5000 anos atrás): já tinham ciência sobre muitos sintomas de lesões cerebrais. Até a época de Hipócrates permaneceu a ideia de que o coração era a sede da consciência e do pensamento ao invés do encéfalo. Contudo os egípcios, já sabiam que  o coração, e não o encéfalo, era a sede do espírito e o repositório de memórias. De fato, enquanto o resto do corpo era cuidadosamente preservado para a vida após a morte, o encéfalo do morto era removido pelas narinas e jogado fora! 

GRÉCIA ANTIGA: Sua visão sobre o encéfalo, parte da ideia de que diferentes partes do corpo são diferentes porque servem a diferentes propósitos, ou seja, têm diferentes funções, supondo haver uma correlação entre ESTRUTURA E FUNÇÃO.

Sendo a cabeça especializada em perceber o ambiente através dos órgãos dos sentidos como: olhos, orelhas, nariz e língua, constatou-se que o encéfalo é o órgão das sensações conforme afirmou Hipócrates (460-379 a.C), pai da medicina ocidental. Aristóteles (384.322 a;C) se contrapõe a essa afirmativa, afirmando ser o coração o centro do intelecto e que a função do encéfalo é que resfriava o superaquecimento do coração.

IMPÉRIO ROMANO: O médico grego Galeno (130-200 d.C.) concordava com Hipócrates sobre o encéfalo. Fazia muitas dissecações em animais, onde através do cérebro dissecado de uma ovelha, pode identificar duas partes do encéfalo, sobre as quais tentou deduzir suas respectivas funções.
  • o cérebro, na frente;
  • o cerebelo, atrás.

Galeno percebeu que o cerebelo tinha uma estrutura mais firme que 
o cérebro. O cérebro tendo uma estrutura mais maleável, estaria comprometido com as sensações e percepções e é ainda, um repositório de memória, e o cerebelo, primariamente comprometido com o controle motor. Descobriu os ventrículos existentes no encéfalo, que funcionava de acordo com quatro fluidos vitais nele existente. Sua teoria permaneceu por quase 1500 anos.

RENASCENÇA AO SÉC. XIX:  Andreas Vesalius (1514-1564) anatomista da Renascença e inventores franceses do séc. XVII, reforçaram a ideia do encéfalo como uma máquinas que exerce uma série de funções, ou seja, um fluido forçado para fora dos ventrículos através dos nervos, poderiam bombear e movimentar os membros. 

Teoria de Fluido Mecânico, defendida por RENÉ DESCARTES (1596-1650), porém, a considerava incapaz de explicar o amplo espectro dos comportamentos humanos, pois já sabia que, as pessoas diferentemente dos animais, possuíam intelecto e uma alma dada por Deus. Comportamentos humanos semelhantes aos dos animais, poderíamos ser controlados por mecanismos cerebrais, ou seja no encéfalo. Porém, capacidades mentais exclusivamente humanas existiriam fora do encéfalo,na "mente" vista como uma entidade espiritual que recebia sensações e comandava movimentos através da glândula pineal.

SÉC XVII E XVIII cientistas passam a dar importância à substância cerebral. O tecido cerebral está dividido em duas partes:

  • a substância cinzenta 
  • a substância branca

 A substância branca, que tinha continuidade com os nervos do corpo, foi corretamente indicada como contendo as fibras que levam e trazem a informação para a substância cinzenta

Séc. XVIII o sistema nervoso já tinha sua anatomia descrita em detalhes:


  •  Reconheceu-se que o sistema nervoso tinha uma divisão central, consistindo no encéfalo e na medula espinhal, e uma divisão periférica, que consistia na rede de nervos que percorrem o corpo.
  • Um importante passo na neuroanatomia foi a observação de que o mesmo tipo de padrão de saliências (os giros) e sulcos (ou fissuras) podia ser identificado na superfície cerebral de cada indivíduo 
  • Esse padrão, que permite a divisão do cérebro em lobos, foi a base da especulação de que diferentes funções estariam localizadas em diferentes saliências do cérebro. 


A VISÃO DO SISTEMA NERVOSO NO SÉCULO XIX

O estágio de compreensão do sistema nervoso no fim do século XVIII: 
  • Lesão no encéfalo pode causar desorganização das sensações, movimentos e  
  • pensamentos, podendo levar à morte. O encéfalo se comunica com o corpo por meio dos nervos. 
  • O encéfalo apresenta partes diferentes identificáveis e que provavelmente 
  • executam diferentes funções. O encéfalo opera como uma máquina e segue as leis da natureza. 
  • Durante os cem anos que se seguiram, aprendemos mais sobre as funções do encéfalo do que foi aprendido em todos os períodos anteriores da história.

Foram feitas quatro descobertas-chave realizadas durante o século XIX:

NERVOS COMO FIOS: 
  •  o cientista italiano Luigi Galvani e o biólogo alemão Emil du Bois-Reymond haviam mostrado que os músculos podiam ser movimentados quando os nervos eram estimulados eletricamente e que o próprio encéfalo podia gerar eletricidade. Essas descobertas finalmente derrubaram a noção de que os nervos se comunicam com o encéfalo pelo movimento de fluidos. 
  • O novo conceito era de que os nervos eram como “fi os” que conduzem sinais elétricos do e para o encéfalo.
  • Em  1810, por um médico escocês, Charles Bell, e um fisiologista francês, François Magendie,  Observou as duas raízes dorsal( parte de trás da medula espinhal) e ventral ( pela frente). Ao cortar as raízes ventrais observou que havia paralisia muscular. As raízes dorsais levavam informações sensoriais para a medula espinhal.
  • Bell e Magendie usou o Método de ablação experimental, em que corta partes dos sistema nervoso para averiguar a sua função. Em 1823, o considerado fisiologista francês Marie-Jean-Pierre Flourens usou esse método em diferentes animais (especialmente em pássaros) para mostrar que o cerebelo realmente tem um papel na coordenação dos movimentos. 
GALL (1809) propõe haver diferentes tipos de personalidades, desde as mais talentosas às psicopatas. Surge e frenologia ciência que correlaciona a estrutura da cabeça com traços de personalidade.

Nervos como Fios. Benjamin Franklin (1751) publicou um panfleto intitulado Experimentos e Observações em Eletricidade, que levou a uma nova compreensão dos fenômenos elétricos.  O novo conceito era de que os nervos eram como “fios” que conduzem sinais elétricos do e para o encéfalo. O problema não-resolvido era se os sinais responsáveis pelo movimento nos músculos utilizavam os mesmos “fi os” que registravam a sensação na pele.

Em 1809,  Gall e seus seguidores coletaram e mediram cuidadosamente o crânio de centenas de pessoas, representando uma grande variedade de tipos de personalidades, desde os muito talentosos até psicopatas criminosos. Essa nova “ciência”, que correlacionava a estrutura da cabeça com traços da personalidade, foi chamada de frenologia. 

Bell e Magendie (1810) concluíram que, em cada nervo, existia uma mistura de muitos “fios”, alguns deles carregando informação para o encéfalo e para a medula espinhal, e outros levando informação para os músculos. Antes dos nervos se conectarem à medula espinhal, as fibras se dividem em dois ramos, ou raízes: a raiz dorsal entra pela parte de trás da medula espinhal e a raiz ventral, pela frente. Em cada fibra motora ou sensorial, a transmissão se dava exclusivamente em um único sentido. Os dois tipos de fibras aparecem unidos na maior parte da extensão do feixe, mas estão anatomicamente segregados quando entram ou saem da medula espinhal.


O fisiologista francês Marie-Jean-Pierre Flourens (1823) através de diferentes animais (especialmente em pássaros) mostrou que o cerebelo realmente tem um papel na coordenação dos movimentos. Ele também concluiu que o cérebro estava envolvido na percepção sensorial, como Bell e Galen já haviam sugerido.

BROCA (1861) após a morte de um paciente, ao examinar o cérebro humano, encontrou em seu encéfalo, uma lesão no lobo frontal esquerdo concluindo que essa é a parte responsável pela fala.

Essa estratégia de que, determinadas partes do sistema nervoso são sistematicamente destruídas para averiguar sua função, é chamada de método de ablação experimental. 





Gustav Fritsch e Eduard Hitzig mostraram, em 1870, que a aplicação de uma pequena corrente elétrica em uma região circunscrita da superfície cerebral exposta de um cachorro podia promover movimentos discretos.

David Ferrier repetiu esse experimento com macacos e em 1881, ele mostrou que a remoção dessa mesma região do cérebro causava paralisia muscular.

A EVOLUÇÃO DO SISTEMA NERVOSO E A NEUROCIÊNCIAS HOJE.
  • Em 1859, o biólogo inglês Charles Darwin (Figura 1.13) publicou A origem das espécies.  Ele articulou a Teoria da Evolução Natural: as espécies de organismos evoluíram de um ancestral comum.  Diferenças entre as espécies aparecem por um processo que Darwin chamou de seleção natural.
  • o neurônio: a unidade funcional básica do encéfalo.
  • o maior desafio da neurociências é compreender como funciona o encéfalo, a nível molecular, celular, de sistemas, comportamental e cognitivo.
  • NEUROCIÊNCIAS MOLECULARES: a matéria encefálica consiste em uma fantástica variedade de moléculas, muitas exclusivas do sistema nervoso, cada uma delas com diferentes papéis, responsáveis pela comunicação entre neurônios, controla entrada e saíde de materiais nos neurônios, etc.
  • NEUROCIÊNCIAS CELULARES: estuda como todas aquelas moléculas interagem para dar ao neurônio suas propriedades particulares, para identificar os diferentes tipos de neurônios, como eles se interconectam e como fazem suas computações.
  • NEUROCIÊNCIAS DE SISTEMAS: Constelações de neurônios formam circuitos complexos para realizar uma determinada função como a visão, tem-se o sistema visual, tem-se o sistema motor e assim por diante. Esses sistemas permitem os estudos e análises das sensações, percepções movimentos, etc.
  • NEUROCIÊNCIAS COMPORTAMENTAIS: sistemas neurais trabalham juntos para produzirem comportamentos integrados, como diferentes memórias são executadas de diferentes sistemas neurais.
  • NEUROCIÊNCIAS COGNITIVA: busca compreender os mecanismos neurais responsáveis pelas atividades mentais superiores do homem, como a consciência, a imaginação e a linguagem, ou seja, como a atividade do encéfalo cria a mente
REFERÊNCIAS:
BEAR, Mark F.; CONNORS, Barry W.; PARADISO, Michael A. Neurociências desvendando o Sistema Nervoso. 3ª Edição. Editora Artmed. Rio Grande do Sul, 2008.