quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Psicologia Social - Interação Humana

Conceituando

Psicologia social é uma ciência situada na fronteira entre a psicologia e a sociologia e estuda cientificamente, como as pessoas pensam, influenciam e se relacionam umas com as outras. É o estudo científico da influência recíproca entre as pessoas (interação social) e do processo cognitivo gerado por esta interação (pensamento social).

Os seres humanos vivem em constante processo de dependência e interdependência, seja pelo aperto de mão, por uma reprimenda, elogio, sorriso, um simples olhar, etc., coisas que suscitam uma resposta social. Essas ações mútuas afetam pensamentos, emoções e comportamentos entre os envolvidos. Assim, a resposta emitida servirá de estímulo social, por onde se estabelece a interação social.

Psicologia social é uma ciência situada na fronteira entre a psicologia e a sociologia. É o estudo científico de como as pessoas pensam, influenciam e se relacionam umas com as outras. Estuda fenômenos sociais comportamentais e cognitivos decorrentes da interação entre pessoas, e que o faz através da utilização do método cientifico. 

O Objeto material da Psicologia Social é a Interação Humana e  suas consequências cognitivas e comportamentais, aquilo que a Psicologia Social estuda, por meio de um método científico.

A cognição social é um campo da psicologia social que investiga a forma como as pessoas compreendem as outras pessoas e elas mesmas (Fiske e Taylor, 2008). Surgiu do interesse de psicólogos sociais pela psicologia cognitiva, que começaram a utilizar os modelos cognitivos para entender os processos básicos subjacentes às interações sociais. Essa área de pesquisa tem como aspectos básicos:
  • o mentalismo, que confere importância aos processos e representações mentais;
  • a formação, operação e mudança dos processos cognitivos dentro dos contextos sociais;
  • a utilização de métodos, teorias e modelos desenvolvidos em outras áreas pela psicologia social, como a psicologia cognitiva e a neurociência social cognitiva;
  • a aplicação ao mundo real (aplicação à temas como comportamento de ajuda, preconceito, esteriótipos, relacionamentos íntimos e outros).

Como as pessoas percebem a dinâmica dos grupos?

 A Percepção social ou simplesmente a Impressão que fazemos dos outros pode ser influenciada por vários motivos:
  • a) condicionamentos e experiências anteriores envolvendo alguém ou um grupo.
  • b) estados de humor da pessoa e afetividade ( depressão, raiva, felicidade, amor)
  • c) seletividade da percepção ou escolha de figuras específicas
  • d) atalhos perceptivos (heurística) que dizem respeito a forma como o sistema cognitivo se organizou para:

  1. representar e fazer comparações,
  2. a memorização e acesso de informação
  3. julgar probabilidades
  4. julgar a partir da auto-referência
e) por último o falso consenso ou ideia de partilha irrestrita de caracteres.
Por que é importante entender esse processo?
Porque somos seres sócio-culturais que agem no mundo e deflagram atitudes importantes. Seus comportamentos influenciam os outros ou você mesmo é influenciado pelo outro a nível de cognição e desejo. Frequentemente ouvimos:
“Não gosto de fulano. Ele é x, pertence aos xxxx, defende xx ideia e age de forma xxxxx”(outro como ameaça). “Ciclano é y, sempre será y, odeio y.”(outro como fraqueza e imobilidade). “Beltranos não mudam, se é x certamente faz y.”( outro como previsível)
Essas falas podem descrever situações que realmente acontecem mas são antes formadas por processos sociocognitivos. Isso é tão real e vívido para o indivíduo que constitui o seu mundo de relações, positiva ou negativamente.Um vai se afastar começando a criar esteriótipos ou se aproximar criando esteriótipos. Descriminar ou violentar alguém por acreditar e pertencer a um grupo e ser moralmente melhor ou mais adaptado. Ambos sofrem em todas essas condições, porque o ser humano é fundamentalmente relacional e dependente de uma coerência interna. É evidência de realidade, mas também exigência de justiça, amor, beleza, verdade,etc. 
O comportamento influencia a atitude e o a atitude influencia o comportamento. Mas além das determinações comportamentais há de ser lembrado a existência de regras sociais, hábitos e consequências.
O autor trás os seguintes questionamentos para reflexão:
"1 Alguém é preconceituoso porque quer? Sim e não. Liberdade implica escolha e o individuo opta por continuar uma impressão mesmo depois de esclarecida. Apesar disso nossos comportamentos são multiplamente influenciados, sendo quase impossível controlar todas as variáveis. Antes de ser preconceituoso com o preconceituoso, vale a pena refletir: qual o ambiente que se insere, qual sua história, qual sua situação cultural. Isso tudo não na intenção de desculpá-lo, mas compreender porque age dessa forma e propor mudanças. Se elas não ocorrerem volta a questão da liberdade."
"2 Ser preconceituoso é mal caratismo ou falta de inteligência? Sim e não. Pode ser que o individuo tenha uma cognição desadaptativa, dificuldades de aprendizagem e relacionamento, motivados por causas orgânicas comprovadas ou distúrbios de personalidade. No entanto, vale a mesma intenção do primeiro enunciado. É preciso colocar o preconceito em análise, senão a atitude se resumirá ao próprio problema que a originou, ou seja, combater o preconceito sendo preconceituoso."
"3 O preconceituoso que sofre procura terapia como a vítima do preconceito? Será que vítima é um termo adequado? Sim e não. Entendemos que as pessoas são multi determinadas e ainda apresentam liberdade de escolha. Um perverso confesso não sofre com sua investida, um antissocial pode investir sem sofrer a despeito da sua consciência não totalmente esclarecida. Vítima é termo adequado se a pessoa não tem condição psíquica ou moral de se defender. Talvez seria melhor dizer injustiçado ou falsamente atribuído pela atividade cognitiva."
"4 Nos livramos dos preconceitos? Não. Eles estão relacionados a nossa confrontação da realidade, o modo como compreendemos e sobrevivemos no mundo. Porém, todavia,contudo somos capazes de refletir sobre os esteriótipos e combater a descriminação, subprodutos da nossa percepção social."
Diferenças entre ESTERIÓTIPO, PRECONCEITO e DISCRIMINAÇÃO
ESTERIÓTIPO é atribuição de aspectos típicos por diferentes tipos de mecanismos (ex: semelhança, pregnância, conformidade, disparidade).
PRECONCEITO é atitude negativa diante de um estereótipo.
DISCRIMINAÇÃO é preconceito transformado em ato (Ex: racismo, agressão a homossexuais, violência contra a mulher.)
Formar estereótipos por termos de organização mental e categórica, tende a esquecer a singularidade, agrupamos por familiaridade de estímulos, mesmo que inconscientemente.
6 Como atenuar o preconceito, elaborar os estereótipos e expurgar as discriminações?
  1. Pela socialização, confrontação com a diferença, contato.
  2. Pela atividade terapêutica.
  3. Pela dessensibilização das camadas de caráter que se forma desde a infância.
  4. Pela observância e controle dos estados emocionais entre outras.
  5. Pela humildade e empatia, as pessoas sofrem por motivos que desconhecemos de ambos os lados.
REFERÊNCIAS:
  • Psicologia Social de Aroldo Rodrigues,  Evelin Assma e Bernardo jablonski - 27ª edição revista e ampliada.
  • https://psicologiadoimaginario.wordpress.com/2016/04/01/percepcao-social-atitudes-e-esteriotipos/

domingo, 18 de agosto de 2019

A transformação do Hospital em Instituição Médica.

A ORIGEM DO HOSPITAL

Muito se fala sobre medicina, saúde e doença, entretanto, pouco se fala sobre os hospitais, onde se exerce as atividades médicas, e de onde se extrai o saber da medicina moderna.

Final do Império Romano e boa parte do período medieval:

  • Hospitais são Instituições Religiosas e filantrópicas.
  • Igreja Católica constrói hospitais como meio de praticar a caridade cristã. Séc. IV surge o primeiro hospital na Capadócia, para a prática da caridade. Outras surgiram posteriormente.
  • A finalidade desses hospitais era assistencialista, e não destinada à cura de paciente. Pretendia-se dar assistência aos pobres e desamparados.
  • Tinha como missão praticar a caridade, prover um teto, roupas, alimento, acolher quem nada tinha, mas sobretudo, pregar a palavra de Deus.
  • Os hóspedes do hospital religioso eram devassos, prostitutas, delinquentes, venéreos, pobres, desabrigados, doentes, loucos. Funcionava como depósito de minorias e desfavorecidos seguindo a lógica da exclusão. A maioria destes, ia ao hospital para esperar a morte num ambiente de acolhimento cristão, e não para cuidar da saúde.
1656 - Criou-se o Hospital Geral de Paris, França, fins do século XVIII:
  • Deixa de ser filantrópico e religioso e passa a ser Instituição Médica de caráter público e Estatal.
  • Dá início à medicina do espaço urbano por toda Europa, especialmente na Alemanha, França e Inglaterra.
  • Passou a ser responsável pela internação de todos os pobres, tanto os válidos(que podiam trabalhar) como os inválidos (não podiam trabalhar).
  • Unidade de internação destinada exclusivamente a mulheres, homens, crianças e adultos válidos e inválidos. Uma Instituição de Internação Geral. A única coisa que teriam em comum as pessoas encarnadas era a condição de pobreza e desamparo.
  • Internação podia ser voluntária ou involuntária, porém, era determinada pelas autoridades públicas.
  • O Diretor tinha todos os poderes de autoridade: direção, administração, correção e punição, não só sobre os internos para sobre os pobres. Internava quando achasse que devia, quem quer que fosse, sob o regime Absolutista de poder.
  • OS doentes quando eram internados não era exatamente para cuidar da saúde, mas para serem separados da sociedade a qual poderiam contagiar,  ou morrer num ambiente protegido, com uma assistência religiosa e médica.
  • Michel Foucault chamou essas intervenções de Grande Intervenção ou Grande Enclausuramento, por sua natureza semijurídica de controle e segregação. Além disse considerava o Hospital a Terceira Ordem de Repressão, já que sua estrutura de poder se situava entre Polícia e a justiça.
  • Com a Revolução Industrial, houve muitas migrações do campo para as cidades, urbanização, e com o crescimento da pobreza, surgem muitas doenças. havia a necessidade de  uma Medicina Urbana, com instituições sobre as quais o Estado pudesse intervir. Assim, os Hospitais Gerais auxiliavam a ordem pública, excluindo do meio urbano os inimigos do rei e do Estado, e eram destinados àqueles cujos crimes não os levavam à prisão, aos calabouços, aos suplícios públicos.
FINAL DO SÉCULO XVIII- Hospital passa a ser visto como instrumento terapêutico:
  • Surgem as primeiras observações sobre o hospital como Instituição de cura e tratamento de doenças.
  • Tenon, por solicitação da academia de ciências,  visita a medicina social com o objetivo de reestruturar o Hospital Geral de Paris.
  • Observou os tipos de doentes existentes nos hospitais, como eram distribuídos e tratados. Sua preocupação era descobrir como poderiam ser melhor tratados, melhor distribuídos, como poderiam contaminas uns aos outros ou aos trabalhadores dos hospitais, ou a população. Seu objetivo era organizar os hospitais.
  • Nos presídios também haviam médicos, embora não fosse uma Instituição Médica. da mesma forma, haviam médicos nas escolas, fábricas, etc.
  • O hospital passou a ser medicalizado, isto é, tornou-se uma instituição médica especializada, devido ao seu estado insalubre e de desordem, devendo ser um espaço higienizado pela medicina social.
  • O hospital torna-se instituição médica e a medicina, um saber e uma prática hospitalar.
  • As doenças passam a ser agrupadas, com base no modelo epistemológico das ciências naturais. Os médicos isolavam o objeto de estudo para não prejudicar a observação. Afastava e agrupava os objetos de acordo com características semelhantes e diferentes, conseguindo classificar em famílias, gêneros e espécies. Com isso o Hospital passa a ser um lugar de exame, laboratório fundamentado em método científico, mas sobretudo, lugar de propósito de cura e não mais de morte.
  • A ideia inicial da cura surgia em decorrência de anular os efeitos negativos e nocivos do hospital no espaço urbano, e não de reduzir o sofrimento humano.
  • Medicalização do hospital surge a partir de uma nova tecnologia política chamada por Michel Foucault (1977) de DISCIPLINA.
TECNOLOGIA POLÍTICA SEGUNDO MICHEL FOUCAULT:
  • Arte de distribuição espacial dos indivíduos.
  • Exercício de um controle sobre desenvolvimento de uma ação
  • Vigilância constante e permanente dos indivíduos.
  • Registro de tudo que ocorria na instituição.
MODIFICAM OS PAPÉIS DO CLERO, ESTADO, POVO E CIÊNCIA - PRINCÍPIOS INTEGRADOS AOS HOSPITAIS
  • Clero e Estado - deia de ter o privilégio da lei.
  • Povo - podia escolher, decidir, construir a nova sociedade
  • Ciência - assumia a palavra da verdade da objetividade, da ordem e da moral. Única possibilidade de se chegar à verdade das coisas e dos fatos.
PRINCIPIO DO ISOLAMENTO
  • Isolar para observar
  • Observar para conhecer
  • Conhecer para administrar

Referências: Saúde Mental - Políticas e Instituições - Módulo 2

sábado, 17 de agosto de 2019

O Behaviorismo Metodológico e suas relações com o mentalismo e o Behaviorismo Radical 1 - Maria Amélia Matos

INÍCIO E OBJETO DE ESTUDO DO BEHAVIORISMO:
  • Século XX - Surge o behaviorismo na Psicologia.
  • Proposta do Behaviorismo para a Psicologia; Tornar o COMPORTAMENTO seu objetivo de estudo, em contraposição, às ideias de que a Psicologia deveria estudar a mente ou consciência dos homens.
MENTALISMO 
  • É o cessar as ideias ou imagens mentais, por meio da introspecção, sendo revelada através de uma ação, gesto, ou palavra.
  • Idade Média: segundo a Igreja,  o comportamento do homem se dava pela posse de uma alma., e eram essas ideias ou impressões mentais nas mentes dos homens que controlariam seus comportamentos. O homem é concebido por duas naturezas: uma divina(mental) e uma material (física), e em determinadas épocas, é a mental que determina a material. Entretanto, só era possível evidenciar o comportamento em si, e não o que se passa na mente do indivíduo.
  • Modelo causal e mecanicista do comportamento humano, ou seja, a mente causando o comportamento.
Maria Amélia trás importantes considerações sobre o Behaviorismo, da Palestra apresentada no II Encontro Brasileiro de Psicoterapia e Medicina Comportamental, Campinas,out/93:


  • que “linguagem” é produto de comportamento verbal; que “solução de problemas” é produto de contingências alternativas, e que “lembrar” é produto de manipulações de estímulos discriminativos (Skinner, 1953 e 1974).  
  • O comportamento verbal (linguagem) do outro é decodificado e reorganizado por mim, que sou ouvinte, modificando minha maneira de ver um fenômeno ou avaliar uma pessoa. Esses estados disposicionais modificados, acabam modificando meu comportamento em relação a esses eventos. E o outro, através de meu relato verbal pode ter acesso as decodificações e reestruturações, ou seja, minhas cognições.
  • Fatos, sugestões, crenças, lembranças e disposições são vistos como importantes formas de se comportar.
  • O behaviorismo rejeita a consciência como self, como agente decisor, causados ou mediador do comportamento; rejeita mente e consciente como expectadoras e representações do mundo.

O BEHAVIORISMO CLÁSSICO (WATSON E GUTHRIE) EM OPOSIÇÃO AO MENTALISMO E AO INTROSPECCIONISMO

  • Final do Século XXI - ciência enfatiza nos dados objetivos, medidas, definições claras, demonstração e experimentação, o que levou Watson a propor o Behaviorismo., fazendo daquilo que se pode observar, o corpo de estudo da Psicologia (comportamento).
  • O Manifesto Behaviorista corresponde a várias publicações com destaque ao artigo de 1913 e o livro de 1924;

BEHAVIORISMO METODOLÓGICO PROPOSTO POR WATSON INCLUÍA: 


  • dar o comportamento por si mesmo;
  •  opor-se ao Mentalismo, e ignorar fenômenos como consciência, sentimentos e estados mentais; 
  •   aderir ao evolucionismo biológico e estudar tanto o comportamento humano quanto o animal, considerando este último mais fundamental;
  •   adotar o determinismo materialístico;
  •   usar procedimentos objetivos na coleta de dados, rejeitando a introspecção;
  •  realizar experimentação controlada;
  •  realizar testes de hipótese de preferência com grupo controle; - observar consensualmente.
  •  evitar a tentação de recorrer ao sistema nervoso para explicar o comportamento, mas estudar atentamente a ação dos órgãos periféricos, dos órgãos sensoriais, dos músculos e das glândulas. 
  • Via o COMPORTAMENTO DE INTERESSE como COMPORTAMENTO APRENDIDO, portanto, as causas desse comportamento, devem ser buscada em seus ANTECEDENTES IMEDIATOS.
  • Modelo do Arco Reflexo de Lashley e Pavlov - a partir desse modelo que tentava explicar a relação observada entre estímulo-resposta, que Watson propôs uma Psicologia Estímulo - resposta, mediada pelo SNC (Sistema Nervoso Central).
  • O behaviorismo Metodológico, Clássico ou Mediacionista, ao tomar estados ou processos e/ou neurais, hipotéticos ou inferidos, como supostas causas do comportamento, ironicamente, se posicionava como um legítimo defensor do Mentalismo, o que Skinner vai desfazer mais tarde usando a expressão Behaviorista Radical, para o qual, toda consequência necessita de uma causa ou agente causal.
  • Rejeita a Introspecção pelo obscurecimento que produz na distinção entre objeto e método da Psicologia.
Tendências que mais influenciaram o pensamento de Watson:


 1. O Positivismo Social de Auguste Comte
Considerando que a ciência é uma atividade do homem, e o homem um ser social, postula a natureza social do conhecimento científico, rejeita a introspecção e estabelece como critério de verdade o observável consensual, isto é, o observável partilhado e sancionado pelo outro.

2.     O Positivismo Lógico do Círculo de Viena


Considerando que eu só tenho acesso à informação que meus sentidos me trazem, não posso ter informações sobre minha consciência, cuja natureza difere da de meu corpo. É verdade que não posso negá-la, mas também não posso estudá-la. (É interessante que esta influência também levou ao idealismo e ao subjetivismo: já que não tenho acesso a nada senão minhas sensações, o mundo não existe, somente minhas impressões dele, só minhas ideias são reais).

3. O Operacionismo
É um resultado direto da influência do Positivismo Lógico sobre a Física. Afirma que, se somente tenho acesso às informações que meus sentidos trazem, então a linguagem pela qual expresso e estruturo essas informações é o mais importante em ciência. 


  A OBSERVAÇÃO
  • torna-se fundamental para o Behaviorismo
  • define a categoria comportamento como objeto de estudo, já que, o comportamento observável, aquele que afeta os sentidos do outro, que se pode ver, ouvir, tocar, etc.
  • há a necessidade de treitar rigorosamente os registros e análises, já que torna-se importante a concordância entre observadores.

O COMPORTAMENTO  
  • As causas do comportamento deveriam ser algo externo ao organismo,, a saber, o ambiente.
  • Watson via o corpo como produto da investigação do "estímulo", palavra criada por Pavlov, que se referia à ação de uma fonte de energia sobre o organismo.
  • O estímulo causava no organismo uma mudança observável que o behaviorista chamava de comportamento.
  • Outros behavioristas clássicos consideravam que o ambiente desencadeia uma ação ou causa no comportamento (alguns behavioristas clássicos rejeitaram essa ideia, pois os estímulos e respostas nem sempre ocorriam de maneira tão mecânica e preditiva). Com isso, Toman formalizou o uso de variáveis intervenientes usando expressões como "mapa cognitivo"; construíram fatores de oscilações interações neurais, aferentes, ansiedades, predição, etc.
SKINNER

  • Seu modelo de seleção pelas consequência sempre deve ter uma causa ou agente causal, podendo a seleção natural se dar de três formas:
           A NÍVEL FILOGENÉTICO - responde pelos reflexos e padrões típicos de espécies, bem 
                                                            como pela sensibilidade e contingências.
           A NÍVEL ONTOGENÉTICO - a seleção natural.
          A NÍVEL DE PRÁTICAS SOCIAIS - cultura respondendo por operantes e respondentes 
                                                                        modificados.
  • Substitui a cadeia causal unidirecional e mecanicista pelas relações de caráter interacionista e histórica.
  • O corpo passa a ser considerado como um agente onde suas funções ocorrem, portanto, funções motoras ou sensoriais, o eu é o agente.
  • Há comportamentos meus que não pode ser observável por outras pessoas que não estejam diante dos acontecimentos. Ex: Eu sinto dor de dente e quem está do outro lado não pode me ver sentindo dor de dente, nem por isso, as sensações se tornam menos reais para mim que sinto a dor de dente.  Para Skinner o EU e não o outro, é quem constrói o conhecimento, ao contrário do que se pensava os behavioristas metodológicos.
  • Sofreu influência pelo Positivismo Lógico, onde o que existe para o indivíduo, existe. Porém, para não cair no subjetivismo ou idealismo, é preciso analisar a experiência do indivíduo, que para Skinner é um evento comportamental privado. Para Skinner o estudos de eventos encobertos inclui legitimamente dentro do campo de estudos da Psicologia como uma ciência do comportamento (Skinner, 1945 e 1963). Assim, Skinner se torna RADICAL em dois sentidos:    
  1. por negar radicalmente (absolutamente) a existência de algo que escapa ao mundo físico, que não possa ser identificado no espaço e tempo, como mente, consciência e cognição.
  2. por aceitar radicalmente (integralmente) todos os fenômenos comportamentais.
  • Mesmo reconhecendo a dificuldade de se ter acesso ao mundo interno, admite estudar os fenômenos internos e não separa mundo interno do mundo externo, pois considera o comportamento como interações Organismo-Ambiente, e não como movimentos do corpo.
  • Conceito de Ambiente - tudo aquilo que é externo ao Comportamento, não importando se é um piscar de luz, um desequilíbrio hídrico, um derrame de adrenalina, ou um objeto ausente associado a um evento presente; não importando se sua relação com o comportamento é de contiguidade espaço/temporal (o que, não obstante, é exigido pelo mecanicismo do behaviorismo metodológico para explicar a troca de energias), ou não.
  • Para Skinner não podemos entender o comportamento, mas as circunstâncias em que este ocorre. Da mesma forma, não faz sentido, falar das circunstâncias sem a especificação do comportamento envolvido no processo.
  • Skinner aceita a introspecção como objeto de estudo, mas rejeita a consciência. 
  • A introspecção  seria um comportamento verbal emitido sob controle de eventos internos, porem instalado pela comunidade verbal sob controle de eventos externos. 
  • Para o behaviorista radical a evidência de que vejo vocês é meu comportamento diante da circunstância “vocês”. Do mesmo modo, a evidência de que vocês existem também é meu comportamento. E nem é preciso que vocês estejam presentes para que eu reaja ou “veja” vocês, na verdade nem é preciso que vocês existam (Skinner, 1945)

  • Dizer que estou observando eventos internos não equivale a dizer que estou observando minha mente ou minha consciência. Equivale a dizer que estou observando meu próprio corpo e seu funcionamento. Ao observar meus comportamentos encobertos utilizo os mesmos recursos que utilizo ao observar meus comportamentos manifestos, ou os comportamentos manifestos de outrem, ou a tela de vídeo do meu computador 
  • Dizer que tem ou sente algo NÃO É EVIDÊNCIA da existência daquilo que se diz ter ou sentir. É um COMPORTAMENTO VERBAL que precisa ser analisado e interpretado nas circunstâncias em que ocorre, para identificar as evidências.
  • Considera essencial estudar EVENTOS PRIVADOS para entender o COMPORTAMENTO HUMANO.
  • Foca na interpretação de dados obtidos através da investigação sistemática do comportamento (o corpo desta investigação propriamente dita é a Análise Experimental do Comportamento).
  • Verifica as relações funcionais entre Comportamento e Ambiente.
  • Não busca relações realistas de causa e efeito, mas sim, relações funcionais que expressam sequência de eventos regulares.
  • Comportamento é visto como uma função biológica inerente ao organismo vivo, não necessitando de justificativas ulteriores.
  • Propõe dois tipos de transações ou contingências entre o COMPORTAMENTO  e o AMBIENTE, que constituem as duas classes conceituais fundamentais para o trabalho de descrição e análise do comportamento para Behaviorista Radical:
     a)   consequências seletivas, que ocorrem após um comportamento e que modificam a probabilidade futura de ocorrerem comportamentos equivalentes, isto é, da mesma classe; 
    b) 
contextos que estabelecem a ocasião para o comportamento ser afetado por essas conseqüências (e que, portanto ocorreriam antes do comportamento) e que igualmente afetariam a probabilidade futura de ocorrência de comportamentos equivalentes.

  • Relações funcionais - são estabelecidas quando identificamos mudanças na probabilidade de ocorrer um determinado comportamento. O objetivo dessas relações é compreender quais relações funcionais ocorreram alterando um comportamento esperado. Skinner não lida com explicações causais e sim funcionais.
  • O objeto de estudo é o sujeito consigo mesmo e sua história passada é sua linha de base, portanto, este só pode ser comparado com ele mesmo, embora se possa em certas variáveis ou contextos, descrever funções semelhantes, por exemplo de uma mesma comunidade.
  • A mente, as emoções, e o sistema nervoso não seriam os organizadores ou iniciadores do comportar-se, havendo a preocupação em explicar como esse organismo existe em seu ambiente.