quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Pensamento Sistêmico: o novo paradigma da ciência.


Esteves de Vasconcellos 1995 a cita "o pensamento sistêmico como o novo paradigma da ciência."
Pensar sistematicamente é pensar dentro dos seguintes princípios:
  • COMPLEXIDADE
  • INSTABILIDADE
  • INSTERSUBJETIVIDADE
Wilden (1972) trás a ideia de que: "o conceito de sistema se refere aos modos em que acontecem as relações ou conexões entre os elementos e as relações entre as relações" (p.204).

O autor considera que um profissional para ser sistêmico vive-ver o mundo e atua nele - assume para si esses pressupostos.

Cecchim (1991) afirma que: " o que vemos como sistema é simplesmente o encaixe de seus membros uns com os outros" (p.13).  Esse terapeuta sistêmico enfatizou a necessidade de exercitarmos sempre a maneira sistêmica de pensar e sugeriu o seguinte exercício:
  • observar as interações entre os membros da família,
  • observar as interações dos terapeutas com o cliente.
  • O verbo "ser" é proibido. Deve ser substituído sempre pelo verbo "estar". Não falar no verbo ser, e usar somente o verbo estar, implica dizer que tudo pode ser circunstancial e não definitivo.
  • As situações observadas devem ser ditas e descritas como se vê a situação, sem contradizer o que já disseram.
  • O foco da observação deve ser ampliado até que o terapeuta, faça ele mesmo parte do cenário de observação.
  • Observar se há relação de causalidade entre os membros da família, isto é, observar responsabilidades.
MENTE SISTÊMICA
  • AMPLIA O FOCO DA OBSERVAÇÃO - COMPLEXIDADE
         Permite que o observador perceba em que circunstâncias o fenômeno acontece. as relações intrassistêmicas e intersistêmicas, uma teia de sistemas.
  • DESCREVE O VERBO ESTAR - INSTABILIDADE
         Distingue o dinamismo das relações presentes, algo em constante mudança e evolução, assumindo a instabilidade, a imprevisibilidade e incontrolabilidade do sistema.
  • ACATA OUTRAS DESCRIÇÕES - INTERSUBJETIVIDADE
         Reconhecer sua própria participação na formação da realidade com que está trabalhando, ´passa a atuar no espaço de intersubjetividade, atuando na co-construção das soluções.

PENSAMENTO RELACIONAL
  • Admitir a complexidade e a incerteza das coisas, faz o terapeuta sistêmico utilizar o pensamento relacional, sobre o qual, se este não é verdadeiro em si, deve estar relacionado com o que ou com quem?
  • construção intrassubjetiva do conhecimento também introduz instabilidade, deixando de ter a expectativa da previsibilidade e controlabilidade.
  • As três dimensões - complexidade, subjetividade e intersubjetividade - exercem  relações recursivas e articuladoras entre as três dimensões, já que distinguir as conexões e articulações é uma característica da forma sistêmica de pensar.
NOVOS PARADIGMAS DA CIÊNCIA SISTÊMICA
  • COMPLEXIDADE - sistemas amplos, redes, ecossistemas, causalidade circular, recursividade, contradições, pensamento complexo.
  • INSTABILIDADE - desordem, evolução, imprevisibilidade. saltos qualitativos, auto-organização, incontrolabilidade.
  • INTERSUBJETIVIDADE - inclusão do observador, autorreferência, significação da experiência na conversação, co-construção.
Nem tudo que é apresentado hoje, como pensamento sistêmico, é novo-paradigmático. Isso ocorre porque algumas propostas apresentadas como sistêmica, não contemplam a inclusão do observador. Não se admite na constituição da "realidade", já que esta inclusão, requer a disposição para enfrentar as dificuldades naturais de mudar paradigmas. Acreditam que tem um conhecimento especial desse mundo, quando se abstrai de mudar paradigmas. É preciso rever nossas crenças sobre como conhecemos o mundo.

Capra 1996, p.50, em sua Teoria dos sistemas vivos, assume duas grandes dimensões do pensamento sistêmico:
  1. O pensamento sistêmico é CONTEXTUAL
  2. O pensamento sistêmico é PROCESSUAL
Além disso, apresenta a Teoria da Cognição de Santiago, de Maturama e Varela:
  • Faz afirmações sobre suas contribuições que preservam a existência da realidade objetiva, admitindo a possibilidade de um universo. 
  • Trás a ideia de "conhecimento aproximado da realidade"
A PALAVRA ARTICULAÇÃO
  • Associada a uma forma de articular, que é a própria ciência tradicional, a dialética.
  • Permite o resgate e a integração da ciência tradicional pelo cientista novo-paradigmático.
  • Corresponde a ultrapassagem da Ciência tradicional (teorias e técnicas) para o cientista novo-paradigmático ( complexidade, instabilidade e intersubjetividade)
O MUNDO QUE CRIAMOS DEPENDE DE NOSSA ESTRUTURA PESSOAL (DETERMINISMO ESTRUTURAL).
  • O mundo que ele cria depende de seus valores, epistemologia e crenças(subjetividade);
  • É no cientista que se produz a quebra de paradigmas.
  • O cientista que aceita a pergunta sobre a observação de um fenômeno natural, e se permite refletir é que aparecem os caminhos da objetividade.
  • É fundamental para mudarmos uma visão de mundo, nos permitir a reflexão.
  • Ao mudar sua visão de mundo o cientista já não é mais o mesmo.
  • cientista novo-paradigmático, sente-se livre para usar recursos e conhecimentos desenvolvidos quando convier. Pensamento complexo.
  • Muita coisa muda com a mudança de paradigma.
  • O cientista admite que tanto a  complexidade quanto a auto-organização são aspectos dele próprio.
Falar de pensamento sistêmico novo-paradigmático, é falar em uma epistemologia que distingue o observador nas três dimensões: complexidade, instabilidade e intersubjetividade.

CONSTRUTIVISMO E CONSTRUCIONISMO SOCIAL

Marilene Grandesso (2000) estuda diferentes tipos de construtivismo (construção do indivíduo) e o construcionismo social (construção coletiva), sob a ótica das CONVERGÊNCIAS e das DIVERGÊNCIAS entre eles. Essas duas correntes, construtivista e construcionista social, representa uma transição que possa favorecer a convivência e o diálogo entre as diferenças. Qualquer teoria psicológica construtivista ou construcionista - sobre como as pessoas constroem seu conhecimento do mundo tem relação com a intersubjetividade ou a objetividade entre parênteses; ambas caminham para a objetividade ao contrário da teoria sistêmica novo-paradigmática. Logo, observa-se uma transição entre uma epistemologia filosófica e uma epistemologia científica:

CIÊNCIA TRADICIONAL          -           CIENTISTA NOVO-PARADIGMÁTICO
Epistemologia filosófica                              Epistemologia científica.
(Filosofia da Ciência)                                 (Ciência da ciência)
Epistemologia para a ciência                       Epistemologia par ao viver
(para conhecer e atuar cientificamente)      (para estar e agir no mundo, inclusive para fazer ciência)

Na perspectiva do novo paradigma, a postura ética do cientista é uma implicação necessária e inevitável dos seus novos pressupostos epistemológico, especialmente o pressuposto da co-construção da realidade, que trás o sujeito do conhecimento para o âmbito da ciência. Vasconcellos elucida que seremos sempre éticos se efetivamente aceitarmos o outro " como legítimo outro na convivência"(Vasconcellos apud Maturana 1990, p.25).

 Já Forest (1973) afirma que para ser ético, o especialista precisa estar sempre se interrogando

- Com essas minhas ações estou abrindo alternativas para que sistema ?-família, grupo de trabalho, comunidade,etc. 
- Posso escolher autonomia para um caminho melhor para si mesmo?
- Minha ação está condizente com minhas crenças em que o sistema é auto-organizador?
- estou levando em consideração as conexões inter sistêmicas e as possíveis repercussões de minha ação em outros pontos da rede ou do sistema de sistemas?

Obs.: Essas respostas só virão a partir da constante interação com o sistema.

O olhar do profissional deve ser atento às motivações, sabendo que o que cada um diz fala mais de si do que da coisa observada. Isso fará com o profissional amais tente impor ao sistema as soluções que ele mesmo considera as melhores. O profissional não será portanto um especialista em solução, mas sim, um especialista na criação de contextos de autonomia. 

Vasconcellos pensa que uma forma de trabalhar pelo desenvolvimento dessa postura ética e a realização de exercícios e vivências várias que permitam experimentar as características sistêmicas de nossa inserção no universo, em todas as suas dimensões.(p.178)

Nas questões da interdisciplinaridade, que é a relação das disciplinas que têm uma correlação entre si, Vasconcellos, entende que sendo o pensamento complexo uma condição básica para essa prática, a partir do pensamento novo paradigmático, não se pode pensar em complexidade sem incluir o sujeito, assumindo a objetividade entre parênteses, já que o sujeito é a subjetividade em si. Admitir a construção da intersubjetividade do conhecimento da natureza, é se colocar na posição privilegiada do cientista, de estar em diálogo com outros cientistas.

pensamento sistêmico novo-paradigmático, sendo admitido como novo paradigma da ciência,  se contradiz à ideia de "certo" ou "certeza". A partir desse paradigma não se admite mais a ideia de certeza. Todo o trabalho é desenvolvido num espaço consensual.


Referências: 

VASCONCELLOS, Maria Jospe Esteves de. Pensamento Sistêmico: o novo paradigma da ciência. Campinas, SP. papirus.2002;`

Psicologia Social - Interação Humana

Conceituando

Psicologia social é uma ciência situada na fronteira entre a psicologia e a sociologia e estuda cientificamente, como as pessoas pensam, influenciam e se relacionam umas com as outras. É o estudo científico da influência recíproca entre as pessoas (interação social) e do processo cognitivo gerado por esta interação (pensamento social).

Os seres humanos vivem em constante processo de dependência e interdependência, seja pelo aperto de mão, por uma reprimenda, elogio, sorriso, um simples olhar, etc., coisas que suscitam uma resposta social. Essas ações mútuas afetam pensamentos, emoções e comportamentos entre os envolvidos. Assim, a resposta emitida servirá de estímulo social, por onde se estabelece a interação social.

Psicologia social é uma ciência situada na fronteira entre a psicologia e a sociologia. É o estudo científico de como as pessoas pensam, influenciam e se relacionam umas com as outras. Estuda fenômenos sociais comportamentais e cognitivos decorrentes da interação entre pessoas, e que o faz através da utilização do método cientifico. 

O Objeto material da Psicologia Social é a Interação Humana e  suas consequências cognitivas e comportamentais, aquilo que a Psicologia Social estuda, por meio de um método científico.

A cognição social é um campo da psicologia social que investiga a forma como as pessoas compreendem as outras pessoas e elas mesmas (Fiske e Taylor, 2008). Surgiu do interesse de psicólogos sociais pela psicologia cognitiva, que começaram a utilizar os modelos cognitivos para entender os processos básicos subjacentes às interações sociais. Essa área de pesquisa tem como aspectos básicos:
  • o mentalismo, que confere importância aos processos e representações mentais;
  • a formação, operação e mudança dos processos cognitivos dentro dos contextos sociais;
  • a utilização de métodos, teorias e modelos desenvolvidos em outras áreas pela psicologia social, como a psicologia cognitiva e a neurociência social cognitiva;
  • a aplicação ao mundo real (aplicação à temas como comportamento de ajuda, preconceito, esteriótipos, relacionamentos íntimos e outros).

Como as pessoas percebem a dinâmica dos grupos?

 A Percepção social ou simplesmente a Impressão que fazemos dos outros pode ser influenciada por vários motivos:
  • a) condicionamentos e experiências anteriores envolvendo alguém ou um grupo.
  • b) estados de humor da pessoa e afetividade ( depressão, raiva, felicidade, amor)
  • c) seletividade da percepção ou escolha de figuras específicas
  • d) atalhos perceptivos (heurística) que dizem respeito a forma como o sistema cognitivo se organizou para:

  1. representar e fazer comparações,
  2. a memorização e acesso de informação
  3. julgar probabilidades
  4. julgar a partir da auto-referência
e) por último o falso consenso ou ideia de partilha irrestrita de caracteres.
Por que é importante entender esse processo?
Porque somos seres sócio-culturais que agem no mundo e deflagram atitudes importantes. Seus comportamentos influenciam os outros ou você mesmo é influenciado pelo outro a nível de cognição e desejo. Frequentemente ouvimos:
“Não gosto de fulano. Ele é x, pertence aos xxxx, defende xx ideia e age de forma xxxxx”(outro como ameaça). “Ciclano é y, sempre será y, odeio y.”(outro como fraqueza e imobilidade). “Beltranos não mudam, se é x certamente faz y.”( outro como previsível)
Essas falas podem descrever situações que realmente acontecem mas são antes formadas por processos sociocognitivos. Isso é tão real e vívido para o indivíduo que constitui o seu mundo de relações, positiva ou negativamente.Um vai se afastar começando a criar esteriótipos ou se aproximar criando esteriótipos. Descriminar ou violentar alguém por acreditar e pertencer a um grupo e ser moralmente melhor ou mais adaptado. Ambos sofrem em todas essas condições, porque o ser humano é fundamentalmente relacional e dependente de uma coerência interna. É evidência de realidade, mas também exigência de justiça, amor, beleza, verdade,etc. 
O comportamento influencia a atitude e o a atitude influencia o comportamento. Mas além das determinações comportamentais há de ser lembrado a existência de regras sociais, hábitos e consequências.
O autor trás os seguintes questionamentos para reflexão:
"1 Alguém é preconceituoso porque quer? Sim e não. Liberdade implica escolha e o individuo opta por continuar uma impressão mesmo depois de esclarecida. Apesar disso nossos comportamentos são multiplamente influenciados, sendo quase impossível controlar todas as variáveis. Antes de ser preconceituoso com o preconceituoso, vale a pena refletir: qual o ambiente que se insere, qual sua história, qual sua situação cultural. Isso tudo não na intenção de desculpá-lo, mas compreender porque age dessa forma e propor mudanças. Se elas não ocorrerem volta a questão da liberdade."
"2 Ser preconceituoso é mal caratismo ou falta de inteligência? Sim e não. Pode ser que o individuo tenha uma cognição desadaptativa, dificuldades de aprendizagem e relacionamento, motivados por causas orgânicas comprovadas ou distúrbios de personalidade. No entanto, vale a mesma intenção do primeiro enunciado. É preciso colocar o preconceito em análise, senão a atitude se resumirá ao próprio problema que a originou, ou seja, combater o preconceito sendo preconceituoso."
"3 O preconceituoso que sofre procura terapia como a vítima do preconceito? Será que vítima é um termo adequado? Sim e não. Entendemos que as pessoas são multi determinadas e ainda apresentam liberdade de escolha. Um perverso confesso não sofre com sua investida, um antissocial pode investir sem sofrer a despeito da sua consciência não totalmente esclarecida. Vítima é termo adequado se a pessoa não tem condição psíquica ou moral de se defender. Talvez seria melhor dizer injustiçado ou falsamente atribuído pela atividade cognitiva."
"4 Nos livramos dos preconceitos? Não. Eles estão relacionados a nossa confrontação da realidade, o modo como compreendemos e sobrevivemos no mundo. Porém, todavia,contudo somos capazes de refletir sobre os esteriótipos e combater a descriminação, subprodutos da nossa percepção social."
Diferenças entre ESTERIÓTIPO, PRECONCEITO e DISCRIMINAÇÃO
ESTERIÓTIPO é atribuição de aspectos típicos por diferentes tipos de mecanismos (ex: semelhança, pregnância, conformidade, disparidade).
PRECONCEITO é atitude negativa diante de um estereótipo.
DISCRIMINAÇÃO é preconceito transformado em ato (Ex: racismo, agressão a homossexuais, violência contra a mulher.)
Formar estereótipos por termos de organização mental e categórica, tende a esquecer a singularidade, agrupamos por familiaridade de estímulos, mesmo que inconscientemente.
6 Como atenuar o preconceito, elaborar os estereótipos e expurgar as discriminações?
  1. Pela socialização, confrontação com a diferença, contato.
  2. Pela atividade terapêutica.
  3. Pela dessensibilização das camadas de caráter que se forma desde a infância.
  4. Pela observância e controle dos estados emocionais entre outras.
  5. Pela humildade e empatia, as pessoas sofrem por motivos que desconhecemos de ambos os lados.
REFERÊNCIAS:
  • Psicologia Social de Aroldo Rodrigues,  Evelin Assma e Bernardo jablonski - 27ª edição revista e ampliada.
  • https://psicologiadoimaginario.wordpress.com/2016/04/01/percepcao-social-atitudes-e-esteriotipos/

domingo, 18 de agosto de 2019

A transformação do Hospital em Instituição Médica.

A ORIGEM DO HOSPITAL

Muito se fala sobre medicina, saúde e doença, entretanto, pouco se fala sobre os hospitais, onde se exerce as atividades médicas, e de onde se extrai o saber da medicina moderna.

Final do Império Romano e boa parte do período medieval:

  • Hospitais são Instituições Religiosas e filantrópicas.
  • Igreja Católica constrói hospitais como meio de praticar a caridade cristã. Séc. IV surge o primeiro hospital na Capadócia, para a prática da caridade. Outras surgiram posteriormente.
  • A finalidade desses hospitais era assistencialista, e não destinada à cura de paciente. Pretendia-se dar assistência aos pobres e desamparados.
  • Tinha como missão praticar a caridade, prover um teto, roupas, alimento, acolher quem nada tinha, mas sobretudo, pregar a palavra de Deus.
  • Os hóspedes do hospital religioso eram devassos, prostitutas, delinquentes, venéreos, pobres, desabrigados, doentes, loucos. Funcionava como depósito de minorias e desfavorecidos seguindo a lógica da exclusão. A maioria destes, ia ao hospital para esperar a morte num ambiente de acolhimento cristão, e não para cuidar da saúde.
1656 - Criou-se o Hospital Geral de Paris, França, fins do século XVIII:
  • Deixa de ser filantrópico e religioso e passa a ser Instituição Médica de caráter público e Estatal.
  • Dá início à medicina do espaço urbano por toda Europa, especialmente na Alemanha, França e Inglaterra.
  • Passou a ser responsável pela internação de todos os pobres, tanto os válidos(que podiam trabalhar) como os inválidos (não podiam trabalhar).
  • Unidade de internação destinada exclusivamente a mulheres, homens, crianças e adultos válidos e inválidos. Uma Instituição de Internação Geral. A única coisa que teriam em comum as pessoas encarnadas era a condição de pobreza e desamparo.
  • Internação podia ser voluntária ou involuntária, porém, era determinada pelas autoridades públicas.
  • O Diretor tinha todos os poderes de autoridade: direção, administração, correção e punição, não só sobre os internos para sobre os pobres. Internava quando achasse que devia, quem quer que fosse, sob o regime Absolutista de poder.
  • OS doentes quando eram internados não era exatamente para cuidar da saúde, mas para serem separados da sociedade a qual poderiam contagiar,  ou morrer num ambiente protegido, com uma assistência religiosa e médica.
  • Michel Foucault chamou essas intervenções de Grande Intervenção ou Grande Enclausuramento, por sua natureza semijurídica de controle e segregação. Além disse considerava o Hospital a Terceira Ordem de Repressão, já que sua estrutura de poder se situava entre Polícia e a justiça.
  • Com a Revolução Industrial, houve muitas migrações do campo para as cidades, urbanização, e com o crescimento da pobreza, surgem muitas doenças. havia a necessidade de  uma Medicina Urbana, com instituições sobre as quais o Estado pudesse intervir. Assim, os Hospitais Gerais auxiliavam a ordem pública, excluindo do meio urbano os inimigos do rei e do Estado, e eram destinados àqueles cujos crimes não os levavam à prisão, aos calabouços, aos suplícios públicos.
FINAL DO SÉCULO XVIII- Hospital passa a ser visto como instrumento terapêutico:
  • Surgem as primeiras observações sobre o hospital como Instituição de cura e tratamento de doenças.
  • Tenon, por solicitação da academia de ciências,  visita a medicina social com o objetivo de reestruturar o Hospital Geral de Paris.
  • Observou os tipos de doentes existentes nos hospitais, como eram distribuídos e tratados. Sua preocupação era descobrir como poderiam ser melhor tratados, melhor distribuídos, como poderiam contaminas uns aos outros ou aos trabalhadores dos hospitais, ou a população. Seu objetivo era organizar os hospitais.
  • Nos presídios também haviam médicos, embora não fosse uma Instituição Médica. da mesma forma, haviam médicos nas escolas, fábricas, etc.
  • O hospital passou a ser medicalizado, isto é, tornou-se uma instituição médica especializada, devido ao seu estado insalubre e de desordem, devendo ser um espaço higienizado pela medicina social.
  • O hospital torna-se instituição médica e a medicina, um saber e uma prática hospitalar.
  • As doenças passam a ser agrupadas, com base no modelo epistemológico das ciências naturais. Os médicos isolavam o objeto de estudo para não prejudicar a observação. Afastava e agrupava os objetos de acordo com características semelhantes e diferentes, conseguindo classificar em famílias, gêneros e espécies. Com isso o Hospital passa a ser um lugar de exame, laboratório fundamentado em método científico, mas sobretudo, lugar de propósito de cura e não mais de morte.
  • A ideia inicial da cura surgia em decorrência de anular os efeitos negativos e nocivos do hospital no espaço urbano, e não de reduzir o sofrimento humano.
  • Medicalização do hospital surge a partir de uma nova tecnologia política chamada por Michel Foucault (1977) de DISCIPLINA.
TECNOLOGIA POLÍTICA SEGUNDO MICHEL FOUCAULT:
  • Arte de distribuição espacial dos indivíduos.
  • Exercício de um controle sobre desenvolvimento de uma ação
  • Vigilância constante e permanente dos indivíduos.
  • Registro de tudo que ocorria na instituição.
MODIFICAM OS PAPÉIS DO CLERO, ESTADO, POVO E CIÊNCIA - PRINCÍPIOS INTEGRADOS AOS HOSPITAIS
  • Clero e Estado - deia de ter o privilégio da lei.
  • Povo - podia escolher, decidir, construir a nova sociedade
  • Ciência - assumia a palavra da verdade da objetividade, da ordem e da moral. Única possibilidade de se chegar à verdade das coisas e dos fatos.
PRINCIPIO DO ISOLAMENTO
  • Isolar para observar
  • Observar para conhecer
  • Conhecer para administrar

Referências: Saúde Mental - Políticas e Instituições - Módulo 2