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domingo, 13 de dezembro de 2020

Neurose e Psicose

 

Em O Ego e Id (1923), Freud propôs uma diferenciação do aparelho psíquico, com base na qual determinado número de relacionamentos pode ser representado de maneira simples.

"A Neurose é o resultado de um conflito entre o Ego e o Id, ao passo que a Psicose é o desfecho análogo de um distúrbio semelhante nas relações entre o Ego e o mundo externo". (FREUD, 1923, p.189)

Descobertas e achados que apoiam a Tese da Neurose

1- Das Neuroses Transferenciais

  • Tem origem na recusa do ego em aceitar i impulso instintual.
  • ou na ajuda a encontrar um escoadouro motor
  • ou o ego proibir àquele impulso o objeto a que visa.
  • Resultado
    • O ego descobre sua unidade ameaçada e prejudicada por esse intruso, e continua a lutar contra o sintoma.
    • Produzido o quadro de uma Neurose
    • Na repressão o ego segue as ordens do superego, originadas da influência do mundo.
  • Freud concluiu que o ego entrou em conflito com o ID, a serviço do superego e da realidade e esse é o estado de coisas em toda neurose de transferência.
2. Os Mecanismos da Psicose
  • Distúrbio entre o ego e o mundo externo
  • Na confusão alucinatória aguda (amência) o mundo exterior não é percebido de modo algum ou a percepção dele não possui qualquer feito.
  • O mundo interno, que, como cópia do mundo externo, perde sua significação.
  • O ego cria autocraticamente, um novo mundo externo e interno.
  • Esse novo mundo é criado a partir de dois fatos.
  • De acordo com os impulsos desejosos do ID.
  • O motivo da dissociação do mundo externo é alguma frustração muito séria de um desejo, por parte da realidade - frustração que parece intolerável.
Nas outras formas de Psicose
  • Nas esquizofrenias - hebetude afetiva, ou seja, entorpecimento ou torpor afetivo.
  • Delirantes - os delírios são um remendo no lugar da fenda que aparece entre o ego com o mundo externo.
  • Nas Psicoses - as manifestações do processo patogênico são recobertas por manifestações de uma tentativa de cura ou uma reconstrução.
A etiologia das Neuroses
  • Frustração ou não realização dos desejos da infância.
  • Frustração externa ou procedentes de agente interno (no superego) que assumiu a representação das exigências da realidade.
  • O efeito patogênico depende do Ego - silencia o Id ou é derrotado pelo Id.
Pergunta-se: Qual o mecanismo análogo à repressão (recalque), por cujo intermédio o Ego se desliga do mundo externo?
  • Tal mecanismo deve ser, tal como repressão, abranger uma retirada da catexia enviada pelo Ego. Posteriormente, chamada de "Verleugnung" rejeição.
Referências:
FREUD, Sigmund. Neurose e Psicose. Obras Completas de Sigmund Freud, ed. Rio de janeiro, Imago, 1996, v. XIX

Terapia Psicanalítica - Sigmund Freud (1913)

 Sobre o início do Tratamento:

  • Recordar, Repetir e Elaborar 
  • Como no Jogo de Xadrez uma análise está sujeita a regras semelhantes
  • Sistematização
  • Do início ao fim
  • O desenvolvimento só a partir do estudo de cada caso.
Recomendações para o início do tratamento

  • Exame preliminar ou tratamento experimental de duas semanas
  • Deve seguir as regras de análise
    • Deixar o paciente falar
    • Estabelecer o diagnóstico diferencial
    • Desenvolvimento da Transferência
    • Resistência
    • Sintoma
Tempo de Tratamento
  • Duração indeterminada - é sempre de longos períodos de tempo em função da atemporalidade dos processos Ics.
    • Segundo Freud o sistema Ics consiste em impulsos carregados de desejos procurando descarregar sua catexia. No inconsciente não há censuras, logo nada é negado, podendo dois desejos incompatíveis coexistir dentro dele. O inconsciente é também intemporal.
  • O êxito do tratamento se deve à transferência e não à sugestão
    • A transferência, segundo Freud, pode emergir como um exigência intensa de amor, de atenção, de reconhecimento, ou sob formas mais moderadas: desejo se ser recebido como filho(a) predileto(a), de ser alvo de uma estreita amizade (necessidade libidinal sublimada) etc.
    • Em psicanálise, a transferência é “um processo constitutivo do tratamento psicanalítico mediante o qual os desejos inconscientes do analisando concernentes a objetos externos passam a se repetir, no âmbito da relação analítica, na pessoa do analista, colocado na posição desses diversos objetos” (ROUDINESCO & PLON, 1998, p. 766-767)


Tratamento e Dinheiro
  • Deve ser tratamento com franqueza natural como se deseja tratar as questões da vida sexual do paciente.
  • Incoerência, pudor e hipocrisia devem ser evitados.
  • Intervalo de Tempo curto para pagamento.
O tratamento no Divã
  • Remanescente da hipnose
  • Questão pessoal de Freud
  • Para que os pensamentos Ics e expressões do analista não influenciem os pcs
    • Pré-consciente (Pcs) Essa instância, considerada por Freud uma “barreira de contato”, serve como uma espécie de filtro para que determinados conteúdos possam (ou não) emergirem a nível consciente. Entende-se que os conteúdos presentes no Pcs estão disponíveis ao Consciente.
  • Isolar a Transferência Imaginária e facilitar a transferência simbólica.
Dinâmica da Cura
  • Sofrimento
  • Desejo de ser curado
  • Resistência
  • Transferência
  • Interpretação
Essência da Análise
  • Recordar
  • Repetir
  • elaborar
Disposição inata e influências
  • Precondição para enamorar-se
  • Nas pulsões que satisfaz
  • Nos objetivos que determina a si no decurso desta.
  • Freud examina:
    • A intensidade da transferência nos indivíduos neuróticos em análise - atribui à própria neurose.
    • O surgimento da transferência como resistência ao tratamento.
Contratransferência
  • Surge como resultado da influência do paciente sobre os sentimentos inconscientes do analista e estamos quase inclinados a insistir que ele reconhecerá a contratransferência, em si mesmo, e a sobrepujará (FREUD apud NASIO, 1999)
O manejo da contratransferência

  • dependerá da formação do analista, da maturidade do seu trabalho e da maturidade na profissão.

quarta-feira, 4 de novembro de 2020

Entrevista inicial e ansiedade

 


  • Foi trabalhado a temática sobre como um psicólogo muito ansioso pode prejudicar a primeira entrevista de sua experiência profissional. Esse encontro trouxe aspectos importantes de aprendizado que precisam ser considerados ao realizar as entrevistas iniciais de seus clientes, a fim de que, a primeira entrevista seja mais eficaz no que diz respeito à qualidade da relação estabelecida entre psicólogo e o cliente.
  • Quando o entrevistador é muito ansioso, deve buscar os meios de lidar com essa ansiedade para que, ao estar em processo terapêutico possa se manter em equilíbrio, focado nos objetivos da entrevista para a qual, se dispôs a realizar. Segundo Freud (1926) apud Franco; Wondracek (2007), “O psicanalista deve constantemente analisar a si mesmo. Analisando a nós mesmos, ficamos mais capacitados a analisar os outros”. 
  •  O psicólogo deve se preparar emocionalmente para a entrevista. A ansiedade pode ser benéfica na medida em que ela possa te ajudar a realizar o trabalho.  Quando a ansiedade é descontrolada, deve-se buscar ajuda terapêutica para resolver as suas questões pessoais, e poder lidar com as questões do outro.
  • É de extrema importância que o psicólogo tenha domínio da técnica aplicada na entrevista inicial, bem como, do aparato teórico que sustenta a abordagem que escolheu trabalhar. Uma entrevista inicial, geralmente, se dá com a utilização de uma ficha de entrevista, previamente planejada, chamada anamnese. Entretanto, percebe-se que é de extrema importância que o entrevistador não fique rigorosamente preso, aos critérios da ficha de anamnese. É muito importante, especialmente no primeiro encontro, que mantenha o olhar atento para a pessoa, buscando compreender as razões que a levaram a buscar um psicólogo, demonstrando interesse em entender as suas motivações para estar ali.
  • A anamnese não deve ser vista como referencial único que tem que ser seguido a risca. Serve de orientação, para trazer ao diálogo, temas relevantes que podem não ter sido falado durante a conversa. Jamais dever ser a prioridade no sentido do seguimento rígido e mecânico da condução de uma entrevista estruturada. Sendo assim, nem sempre se consegue preencher totalmente e anamnese, o que não invalida a entrevista. O importante, sobretudo, na primeira entrevista é a relação que se estabelece entre o psicólogo e o cliente, de maneira que o cliente se sinta acolhido integralmente e compreendido pelo psicólogo.
  • O terapeuta deve ter sempre o cuidado para não enquadrar o outro no seu sistema de valores, entrando no mérito do julgamento. Se despir de seus valores faz com que o entrevistador entenda melhor o sistema psíquico do cliente, o que acontece com o outro, as relações interpessoais, suas atitudes e comportamentos numa relação empática que deve se estabelecer no setting terapêutico. É preciso estar inteiro com o outro, mantendo a escuta ativa com atenção plena nas verbalizações e ações do sujeito.
  • Quando o psicólogo vai a uma entrevista imaginando o que pode ouvir, acaba transmitindo a sua ansiedade para o cliente. Dessa forma, vai estar ouvindo o outro e ao mesmo tempo, pensando a partir de seus valores, como poderia ou deveria ser, comprometendo a eficácia do atendimento. É preciso empatia para compreender o outro, suportar ouvir as queixas, as repetições, sem pensar nos seus valores. É preciso gostar de ouvir o outro, e adquirir a capacidade de se interessar pelo que ele traz, sem pensar nas suas questões pessoais. 
  • Na primeira entrevista se supõe que ainda não há uma transferência. Ao oferecer um serviço como o de Psicologia, é preciso conquistar habilidades para estar na condição de psicólogo de forma inteira. Para isso, o psicólogo precisa desejar estar no lugar e na função que está desempenhando, para que, ocorra aí o processo de transferência. 

Constratransferência - Psicanálise

 

  • Pode ocorrer resistência do lado do profissional em relação ao paciente, o que também afeta o vínculo terapêutico e que Freud deu o nome de Contratransferência.
  • Trabalhamos um video do Prof. Hélio Miranda Júnior sobre a contratransferência.
  • Reação do analista do sujeito que se coloca no lugar do analista àquilo que vem do analisando ou paciente. Como uma reação ligada a alguma coisa que dificulta a análise. Isso acontece em diversos momentos, diversas formas o que reforça a ideia de Freud de que todo analista precisa ser analisado, devendo aí procurar seu analista pra fazer análise daquilo que o afeta e que vem do analisando.
  • Jung afirmou que deveria sobrepujar a essas diferenças porque a contratransferência acontece porque vem daquilo que afeta o próprio analista,
  • Destaca a posição do analista que não é pura, pois, não há nenhum analista que termine sua análise estando totalmente analisado.
  • O analista deve tomar o material que vem do paciente como material de trabalho, algo que diz respeito aquela relação específica, e que diz respeito ao paciente e não a ele. Tomar aquilo para além da análise é responder ao material gerando a contratransferência.
  • Os pós-freudianos afirmam que o material que surge da contratransferência também pode ser um material que  deve servir para a condução da própria análise.
  • Identificada a contratransferência ou o analista vai buscar a supervisão com seu próprio analista para levar adiante a análise do paciente, ou vai encaminhar o analisando a outro analista para seguir com a análise.
  • A ética da psicanálise (ética do bem-dizer-se do analisando que vai conduzir ao bem-estar) está além da ética da psicologia (ética do bem-estar) devendo aí sempre estar presente.
  • O analista não deve expor ao analisando a contratransferência para que não cause o mal estar. Lidar com a ideia de que algo nele é impactante ou afeta o próprio analista pode gerar esse desconforto.
  • É importante identificar que tipo de contratransferência aparece na análise e porque ela apareceu.
  • Processo terapêutico não tem como objetivo a análise do inconsciente. Visa mais o bem-estar. Resolveu o conflito que traz o mal-estar, resolveu o problema.
  • A análise é o bem dizer, leva o sujeito ate o final da análise, analisar o inconsciente que esta por traz do problema