O PSICODIAGNÓSTICO...
- É um tipo de avaliação psicológica desenvolvida no âmbito clínico.
- Inicia-se a partir de uma demanda do cliente.
- Tem foco específico, ou seja, o motivo da avaliação, que irá guiar todo o processo: escolha de técnicas e instrumentos a serem utilizados.
AS ENTREVISTAS INICIAIS...
- É indispensável uma entrevista inicial, tanto com o profissional que solicitou o psicodiagnóstico, como com o cliente a ser avaliado. Além desses, pais, responsáveis, e outros profissionais se necessário.
- Permite aprofundar as queixas ou motivos trazidos em um momento inicial.
- têm como objetivos conhecer o paciente que chega para a avaliação e compreender o motivo do psicodiagnóstico.
- Possibilita aos psicólogos avaliadores se abastecer do maior número e das mais variadas fontes de informação.
CONTATO COM O PROFISSIONAL ENCAMINHADOR
Diversos profissionais, como psicoterapeutas, professores, médicos de diversas especialidades, fonoaudiólogos, nutricionistas, entre outros, podem encaminhar um paciente para esse tipo de avaliação.O encaminhamento pode ser realizado tanto por meio de um contato pessoal entre os profissionais quanto por meio de uma solicitação por escrito.o ideal é realizar um contato direto com a fonte do encaminhamento a fim de esclarecer dúvidas e certificar-se acerca do pedido.questionar sobre o motivo pelo qual o profissional solicitou a avaliação e a percepção que ele tem do paciente e das queixas trazidas, assim como, o impacto delas na vida do paciente.possibilita uma melhor compreensão dos objetivos do psicodiagnóstico do caso em questão, auxilia os avaliadores a dar início a um levantamento de hipóteses e a construir o plano de avaliação.
A PRIMEIRA ENTREVISTA...
- pode ocorrer antes ou após o contato com outros familiares
- crianças ou dependentes se realiza a entrevista com os pais.
- permite conhecer as expectativas em relação à avaliação, obter informações acerca do motivo do encaminhamento e fazer esclarecimentos sobre o processo.
- Inicia-se um vínculo e uma relação de confiança entre o profissional e os responsáveis pelo paciente que será avaliado.
- o profissional deve se mostrar aberto para responder aos mais diversos questionamentos que podem ser trazidos por eles e estabelecer uma relação de confiança.
- o ambiente deve ser acolhedor que possibilite ao paciente e a seus familiares sentirem-se seguros e confortáveis.
- Possibilita a confirmação ou não daquelas primeiras impressões surgidas no momento do encaminhamento.
- Questionar se eles sabem a razão da avaliação e como percebem as queixas relativas a seu(sua) filho(a).
- Se conhecem o trabalho do psicólogo e se têm alguma ideia de como funciona um psicodiagnóstico.
- "Deve-se explicar, que o psicodiagnóstico ocorre dentro de um tempo limitado, que, durante esses encontros, tenta-se compreender a queixa trazida conversando com a criança, utilizando algumas técnicas que vão desde brincadeiras até a aplicação de instrumentos, e que, ao fim do processo, será dada uma devolução tanto para os pais como para o paciente e para o profissional que solicitou a avaliação." (ADRIANA)
- Começa a se formar uma imagem sobre o paciente, embora nem sempre as informações trazidas pelos pais ou responsáveis são a realidade.
- coletar de informações relacionadas ao paciente que serão significativas para o delineamento de um plano de avaliação.
O QUE DEVE SER QUESTIONADO OU EXPLICADO AO CLIENTE
COM CRIANÇAS...
- Se ele(a) sabe porque veio ao psicólogo.
- Comunicar sobre os encontros que terão.
- Informar sobre possíveis atividades.
- falar sobre o objetivo dos encontros: conhecer melhor e entender as dificuldades do cliente.
COM ADOLESCENTES...
- É importante que o paciente sinta-se - responsável por seu processo de avaliação desde o início.
- A primeira entrevista pode ocorrer com o adolescentes apenas, se os pais estiverem de acordo, autorizando-o, já que é menor de idade.
- Pode-se conversar com o paciente adolescente incialmente, e em um segundo momento, com os pais ou responsáveis.
- Ao longo do processo, os responsáveis deverão ser chamados para outras entrevistas, par coleta de dados de anamnese do paciente.
COM ADULTOS...
- O mesmo procedimento, exceto pela necessidade da presença dos pais.
QUESTÕES RELEVENTES NA PRIMEIRA ENTREVISTA...
- Desde quando os sintomas se manifestam?
- Existe algum fator desencadeante?
- Qual a intensidade?
- Em que ambientes eles ocorrem?
- Como o paciente percebe esses sintomas?
- Qual a influência dos sintomas na vida diária?
- Quais os prejuízos que eles vêm trazendo para a vida do paciente?
- Em que áreas da vida (social, familiar, educacional/laboral) os sintomas/problemas trazem prejuízos?
- Como a família, os amigos e outras pessoas que convivem com o paciente observam o problema?
- Que tipo de suporte (social, familiar, financeiro) ele tem para lidar com o problema?
- Com quem vive e quem o auxilia em suas dificuldades?
- Ele já passou por algum tipo de atendimento profissional antes?
- Quais profissionais o acompanham?
Questões importantes em relato de ideação suicida:
- Escuta ativa, atenta, empática.
- O paciente tem planos de suicídio?
- Já pensou de que forma e com que meios colocaria esses planos em prática?
- Existe alguma data prevista para isso?
- Já realizou tentativas anteriores?
"Estudos demonstram que a presença de transtornos mentais, como os do humor e a esquizofrenia, e as tentativas prévias de suicídio estão entre os principais fatores de risco para o suicídio" (Brasil, 2006; Werlang, Borges, & Fensterseifer, 2005) apud Adriana.
Na evidência de risco de suicídio...
- não se pode liberar um paciente para que saia sozinho do atendimento.
- É importante criar um espaço de escuta empática e atenta para as questões trazidas, a fim de que ele também consiga aliviar sua angústia.
- deve-se informar o paciente sobre a necessidade de entrar em contato com os familiares ou amigos mais próximos, que deverão ser orientados a não deixá-lo só em nenhum momento, em função do risco existente, e a impedir o acesso a meios que possibilitem o suicídio (medicamentos, armas, cordas, etc.).
- paciente em acompanhamento psiquiátrico, deve-se contatar o profissional, também com a autorização do paciente e dos familiares, para que sejam adotadas as medidas necessárias.
- paciente não está em acompanhamento psiquiátrico, dependendo da gravidade do risco, pode-se orientar a família para a busca de internação psiquiátrica do familiar.
ETAPAS DA ENTREVISTA INICIAL
1ª Etapa - paciente encaminhado para avaliação
- Contato com a fonte de encaminhamento para levantamento de informações.
- Se aplica a crianças, adolescentes e adultos.
2ª Etapa - Entrevista com paciente e responsáveis.
- Paciente Adulto - a primeira entrevista geralmente é realizada com o próprio paciente.
- Paciente Adolescente - A primeira entrevista pode ser realizada com o próprio adolescente, seguida por entrevista com os pais ou responsáveis.
- Paciente criança - A primeira entrevista é realizada com os responsáveis. Posteriormente, marca-se com a criança.
3ª Etapa - Entrevistas com outras fontes de informação
- Sempre com a autorização do paciente e, se for o caso, de seus responsáveis, pode-se coletar informações de outras fontes, como familiares, professores, outros profissionais que acompanham o paciente.
O PLANO DE AVALIAÇÃO...
- Que técnicas e testes podem ser utilizados com esse paciente?
- Qual o seu nível de compreensão?
- Qual sua capacidade de comunicação?
- O paciente faz uso de lentes ou de aparelho auditivo?
- Tem algum problema de visão ou alguma dificuldade motora?
- É destro ou canhoto?
- Qual sua escolaridade?
- É alfabetizado?
Essas perguntas são importantes para definir o tipo de teste a ser aplicado de acordo com a dificuldade do paciente:
- um paciente com dificuldade para identificar cores, por exemplo, não se pode utilizar um teste como o Rorschach.
- avaliação da área cognitiva não poderia contemplar exercícios verbais, se a criança tem dificuldade de comunicação verbal.
- pacientes que utilizam lentes ou aparelho auditivo é importante lembrar que o uso do aparelho ou dos óculos será imprescindível para a realização dos testes.
MODELOS DE ENTREVISTA INICIAL
Livre
- é mais aberta, podendo partir de uma pergunta mais generalista e seguir sendo construída ao longo do seu desenvolvimento.
- De acordo com Tavares (2003), em um contexto de avaliação, mesmo a entrevista livre deve ter algum tipo de direcionamento por parte do avaliador.
- É importante ter em mente os temas que pretende abordar, mesmo não tendo nada elaborado, mantendo o foco de investigação.
- investiga-se questões específicas aos sintomas apresentados e questões mais generalistas, como aquelas relativas aos marcos de desenvolvimento
Semiestruturada
- Para Ocampo e Arzeno (2009), a entrevista inicial se caracterizaria como uma entrevista semidirigida. o paciente é quem constrói a forma como as informações serão trazidas.
- É ele quem irá definir quais dados relativos ao seu problema serão abordados primeiramente e que outros dados serão incluídos.
- O avaliador poderá auxiliar na estruturação desse campo de informações questionando aquilo que pode ter se mostrado como contraditório, impreciso, ambíguo ou incompleto e assinalando algumas questões quando o paciente não souber como iniciar ou dar continuidade ao seu relato durante a entrevista.
- Possuem perguntas pré-formuladas.
- O avaliador segue um roteiro de perguntas.
- Podem surgir novas perguntas.
- São bem aplicadas para realização de anamnese.
- Cada fase do desenvolvimento demanda perguntas específicas.
Estruturada
- são mais raras no contexto clínico.
- a limita o avaliador tanto no que se refere às perguntas que podem ser feitas quanto no tipo de resposta que pode ser obtida
- seguem um roteiro bastante rígido, contendo perguntas e alternativas de respostas determinadas (Laville & Dionne, 1999)
- Não existe liberdade para que se acrescentem novas questões nem a possibilidade de o paciente trazer respostas diferentes daquelas preestabelecidas.
- servem para algum tipo de protocolo de avaliação ou em situações de pesquisa
REFERÊNCIAS.
HUTZ, C.S.; BANDEIRA, D. R.; TRENTINI, C.M.; KRUG, J.S. Psicodiagnóstico. Coleção avaliação psicológica. Artmed. São Paulo, 2016. Cap.5 - A entrevista psicológica no Psicodiagnóstico.