- Os cards têm por objetivo, apresentar ao cliente a abordagem que o terapeuta vai trabalhar.
- Importante atentar para a fase do desenvolvimento humano que o cliente está vivendo, para ao explicar a os aspectos da integralidade do ser, correlacionar com aspectos relevantes de cada fase, adolescente, adulto ou idoso, de modo que faça sentido para o cliente.
ARTIGOS CIENTÍFICOS ALESSANDRA UZEDA E PARCERIAS
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quarta-feira, 23 de março de 2022
Recurso de apresentação da Gestalt-terapia
quarta-feira, 17 de outubro de 2018
Psicologia Humanista - Seminário.
1.
SURGIMENTO
DA PSCOLOGIA HUMANISTA
A Psicologia
Humanista surgiu na década de 50 e ganhou força nos anos
60 e 70, como uma reação às ideias de análise apenas do comportamento, como
psicologia mecanicista defendida pelo Behaviorismo e do enfoque no inconsciente e seu determinismo,
defendido pela Psicanálise, através da negatividade
freudiana.
Os
psicólogos humanistas se unem por um objetivo comum: humanizar a psicologia. Isto é, fazer da Psicologia o estudo daquilo
“que significa estar vivo como ser humano”. Estes, voltaram sua atenção para o modo como
as pessoas, supostamente “saudáveis” se esforçam para obter autodeterminação e
autorrealização.
A grande divergência com o Behaviorismo é que
o Humanismo não aceita a ideia do ser humano como máquina ou animal, sujeitos
aos processos de condicionamento. Já em relação à Psicanálise, a reação foi à
ênfase dada no inconsciente, nas questões biológicas e eventos passados, nas
neuroses, psicoses e na divisão do seu humano em compartimentos. A
perspectiva humanista encara a personalidade com um foco no potencial para o
crescimento pessoal saudável.
De forte influência existencial
e fenomenológica, a Psicologia Humanista busca conhecer o ser humano,
estudando as pessoas por meio de suas experiências e sentimentos por elas
mesmo, relatados, tentando humanizar seu aparelho psíquico, contrariando
assim, a visão do homem como um ser condicionado pelo mundo externo. No
existencialismo, o ser humano é visto como ponto de partida dos processos de
reflexão e na fenomenologia, esse ser humano tem consciência do mundo que o
cerca, dos fenômenos e da sua experiência consciente.
A maior contribuição dessa nova
linha psicológica é a da experiência consciente, a crença na integralidade
entre a natureza e a conduta do ser humano, no livre arbítrio, espontaneidade e
poder criativo do indivíduo.
A realidade, para a Psicologia
Humanista, deve ser exposta à temporalidade, deve ser fluída e não estática,
permitindo que ao indivíduo a perspectiva de sua totalidade, desmistificando a
ideia de uma realidade pura, confrontando-a com outras realidades. A integração
entre o indivíduo e o mundo, permite que ele sinta a realidade presente,
libertando-se das exigências do passado e do futuro.
As raízes da psicologia humanista
estão na corrente filosófica do existencialismo europeu, com autores tais como:
Jean Paul-Sartre: “O homem nasce
livre, responsável e sem desculpas”.
Jean Jacques Rousseau: “O homem é
bom por natureza, é a sociedade que o corrompe”.
Erich Fromm: “Se eu sou o que
tenho e perco que tenho, quem sou eu, então?”
Viktor Frankl: “O homem se realiza
na mesma medida em que se compromete com o significado da sua medida”.
2. TEÓRICOS HUMANISTAS
Os
dois grandes teóricos da Psicologia Humanista foram Abraham Maslow e Carl
Rogers, e ambos propuseram uma perspectiva de uma terceira força com ênfase no
potencial humano.
2.1. ABRAHAM MASLOW
Um dos principais teóricos da
Psicologia Humanista foi Abraham
Maslow (1908-1970), americano, considerado o pai espiritual do
movimento humanista, acreditava na tendência individual da pessoa para se
tornar auto realizadora, sendo este o nível mais alto da existência humana.
Maslow criou uma escala de necessidades a serem satisfeitas e, a cada
conquista, nova necessidade se apresentava. Isso faria com que o indivíduo
fosse buscando sua autorrealização, pelas sucessivas necessidades satisfeitas,
conforme gráfico abaixo:
Dentro dessa perspectiva,
Maslow mostra que, se nossas necessidades fisiológicas são atendidas, ficamos
preocupados com segurança pessoal; se atingimos um senso de segurança, buscamos
amar, ser amado e amarmos a nós mesmos; quando amamos, buscamos a autoestima;
com autoestima buscamos a autorrealização,
que seria o processo de realizar nosso potencial; e, por fim, buscamos a
autotranscedência, que significa propósito e comunhão para além do eu.
Maslow desenvolveu suas ideias
a partir do estudo de pessoas saudáveis e criativas, ao invés de estudas casos
clínicos complicados. Para definir a autorrealização estudou pessoas
aparentemente com uma vida de sucesso, por terem uma vida rica e produtiva.
Observou que essas pessoas tinham características em comum, tais como:
aceitavam-se tal como eram; tinham consciência de si; eram francas e
espontâneas, afetuosas e solícitas e não se deixavam afetar pela opinião
alheia. Seguras por saberem quem eram, seus interesses eram centrados nos
problemas, e não em si mesmas. Direcionavam suas energias em determinadas
tarefas, tidas como missão de vida. A maioria tinha poucos relacionamentos
íntimos ao invés de muitos relacionamentos superficiais. Maslow retrata que
muitas foram movidas por grandes experiências pessoais ou espirituais que vão
além da consciência comum.
Para Maslow essas
características eram consideradas qualidades adultas maduras, qualidades de
pessoas que aprenderam o suficiente sobre a vida, para serem compassivas, terem
superado sentimentos confusos em relação aos seus pais, descobriram sua
vocação, por terem coragem de serem impopulares, e não se envergonharam de
serem abertamente virtuosas.
A partir de experiências com
estudantes universitários, Maslow concluiu que aqueles propensos a se tornarem
adultos autorrealizados eram simpáticos, solícitos, “particularmente afetuosos
com os mais idosos, que merecem seu afeto”, e “preocupados com a crueldade, a
malvadeza e o espírito de gangue encontrados com tanta frequência entre as
pessoas jovens”.
2.2. CARL ROGERS
Outro grande teórico da Psicologia
Humanista foi Carl
Rogers (1902-1987), americano, que baseou seu trabalho no
indivíduo. Ele estava de acordo com muitos dos pensamentos de Maslow.
Acreditava que as pessoas são basicamente boas e dotadas de tendências para a
autorrealização. A não ser que esta, esteja em um ambiente, que iniba o seu
crescimento. Rogers dizia que cada um de nós é como um broto pequenino, pronto
para o crescimento e para a realização.
Rogers acreditava que um clima
favorável ao crescimento exigia três condições:
Autenticidade: as pessoas nutrem o crescimento com autenticidade,
sendo francas em seus sentimentos, retirando as máscaras, e sendo transparentes
e reveladoras.
Aceitação: ele chamou de aceitação positiva incondicional,
atitude de benevolência, de autovalorização, mesmo reconhecendo em si,
defeitos. Funciona como um alívio profundo deixar os disfarces caírem,
confessar nossos piores sentimentos e descobrir que ainda somos aceitos, o que
nos possibilita viver em uma relação matrimonial, em família unida e amizade
íntima, sem a necessidade de se explicar a todo instante. É ser livre para ser
espontâneo sem correr o risco de perder a estima pelo outro.
Empatia: ao compartilhar e espelhar nossos sentimentos e
refletir nossos significados. ”Raramente ouvimos com compreensão sincera e
verdadeira empatia”, segundo Rogers. Porém, ele considera ouvir, nessa condição
especial, uma das forças mais potentes para a mudança.
Para Rogers, autenticidade,
aceitação e empatia são os efetivos meios que possibilitam as pessoas crescerem
como vigorosos carvalhos, pois “na medida em que são aceitas e valorizadas, as
pessoas tendem a desenvolver uma atitude mais favorável em relação a si mesmas”
(Rogers, 1980, p.116)
Ele trabalhou com um conceito
semelhante ao de Maslow, que é a tendência inata de cada pessoa tem de
atualizar suas capacidades e potenciais.
Defendeu, também, a ideia de
autoconceito como característica principal da personalidade, bem como, um
padrão organizado e consciente das características de cada um, desde a infância
que, à medida que novas experiências surgem, esses conceitos podem ser
substituídos ou reforçados. Para ele, a capacidade do indivíduo de modificar
consciente e racionalmente seus pensamentos e comportamentos, fornece a base
para a formação de sua personalidade
O autoconceito diz respeito à
resposta que a pessoa tem de si para a seguinte pergunta: “Quem sou eu? Para
Carl Rogers, se o autoconceito for positivo, a pessoa tende a agir e a ver o
mundo positivamente. Em contrapartida, se o autoconceito for negativo, a pessoa
se sente infeliz e insatisfeita. Para Rogers, o objetivo mais valioso para
terapeutas, professores, pais e amigos, é ajudar os outros a se conhecer, a se
aceitar, e a ser verdadeiro consigo mesmo.
Para Rogers, os indivíduos
bem ajustados psicologicamente têm autoconceitos realistas e a angústia
psicológica é advinda da desarmonia entre o autoconceito real (o que se é de
fato – self real) e o ideal para si
(o que se deseja ser – self ideal).
Dentro dessa perspectiva de self real e self ideal, para Rogers, quando ambos
são muito parecidos, o outoconceito é positivo.
Ele acreditava que o
sujeito deveria dar a direção e o conteúdo do tratamento psicológico, por ter
ele suficientes recursos de autoentendimento para mudar seus conceitos. A
terapia centrada na pessoa e não em teorias, nasceu dessa ideia.
3.
PRESSUPOSTOS
TEÓRICOS
Do ponto de vista da
psicologia humanista, pode-se falar de dois grandes pressupostos teóricos que
embasam as diversas abordagens: o pressuposto determinista e o pressuposto da
autonomia.
3.1.
PRESSUPOSTO
DETERMINISTA
No pressuposto determinista, o ser humano é pensado como algum tipo de
mecanismo. Tudo que ele faz, assim como tudo que lhe acontece, tem uma causa
determinante. A arte do atendimento consiste em descobrir essa causa e intervir
no sentido de modificá-la ou substituí-la por outra.
As causas determinantes das condutas humanas podem ser internas (além de
uma energia interna, compreendem-se as cognições, representações sociais,
motivações inconscientes, resíduos da história passada, por exemplo, que dão a
essa energia sua direção); ou externas (estímulos do ambiente físico ou social,
isoladamente ou em configurações complexas, que acionam e dão direção a uma
fonte de movimento) (Baum, 1999).
Dentro deste pressuposto do determinismo psicológico, o atendimento,
para que seja eficaz, exige um olhar analítico da situação. Este olhar
configura-se como um diagnóstico. A partir dele, uma estratégia de intervenção
é montada para dirigir a ação terapêutica para os fins visados: uma troca de
causas determinantes.
3.2.
PESSUPOSTO
DA AUTONOMIA
O pressuposto humanista da autonomia é diferente. Nele o ser humano não
é visto como simples resultado de múltiplas influências, mas como o iniciador
de coisas novas.
A pessoa não é vista principalmente como efeito de causas anteriores
modificáveis, mas como um ser desafiado pela vida e chamado a responder
criativamente (Merleau-Ponty, 1996; Frankl, 1989). Isso quer dizer que se supõe
que o ser humano tenha algum poder sobre as determinações que o afetam.
O trabalho psicológico consiste fundamentalmente em oferecer um contexto
dialógico no qual a liberação desse poder seja promovida. Aposta-se na
autonomia crescente da pessoa e na fecundidade de uma relação humana honesta
para promover essa autonomia. A autonomia é entendida como a capacidade que o
ser humano tem de orientar sua própria vida de forma positiva para si mesmo e
para a coletividade. Nessa perspectiva, o atendimento não se baseia em um
diagnóstico, mas na afirmação de uma tendência inata e criativa ao crescimento,
e não é concebido como uma intervenção direcionada a efeitos específicos, mas
sim como uma relação libertadora dessa tendência na pessoa.
A qualidade dessa relação adquire importância capital, pois é a partir
dela que a capacidade de ver claramente e de orientar a própria conduta por parte
da pessoa que se relaciona com o psicólogo vai se estabelecendo.
A palavra “diagnóstico” ainda pode ser útil, mas agora com uma
compreensão abrangente, que se constrói juntamente com o cliente e a serviço
dele, ao longo do atendimento, e que inclui uma visão de seu modo de ser, da
natureza da situação e também dos rumos que poderiam dar um sentido positivo à
dinâmica da vida.
4. CARACTERÍSTICAS DA
PSICOLOGIA HUMANISTA
- Fornece
uma ampla perspectiva holística, ou seja, caracteriza-se por ver a pessoa como
um todo, numa base global. Cada um dos aspectos possui a mesma relevância. Os
pensamentos, o corpo, as emoções e o lado espiritual. Estes aspectos estão
inter-relacionados e se confluem mutuamente. Eles são a principal via pela qual
o indivíduo encontra a si mesmo.
- A
existência humana ocorre em um contexto interpessoal, portanto, é muito
importante e necessário o relacionamento com os outros, levando em conta o
contexto que é produzido, para o desenvolvimento individual do ser humano.
- As
pessoas possuem a capacidade de fazer as suas próprias escolhas, de
responsabilizar-se e de proceder para um desenvolvimento e implantação do seu
próprio potencial.
-
Promove e facilita o desenvolvimento pessoal. O psicólogo serve como uma
ferramenta para que a pessoa, através de recursos próprios, possa vir a
compreender-se e desenvolver-se.
- As
pessoas têm uma tendência inata de autorrealização. O ser humano pode
confiar na sabedoria dessa parte do seu interior, já toda a cura está em suas
próprias respostas. Isto precisa ser entendido, pois não é necessário controlar
o ambiente ou controlar as próprias emoções suprimindo-as.
5. CRÍTICAS
ENFRENTADAS PELA PERSPECTIVA HUMANISTA
A perspectiva humanista
desencadeou uma série de críticas, nos seguintes aspectos:
Conceitos supostamente
vagos e subjetivos, quando Maslow define pessoas autorrealizadas como francas,
espontâneas, afetuosas, com autoaceitação e produtivas. Os críticos mostraram
que, se o perfil do grupo de pessoas analisadas mudasse, provavelmente se obteriam
outras características para a autorrealização.
Se opuseram a ideia de
Rogers de que a punica pergunta que importa é “Estou vivendo de um modo que é
profundamente gratificante para mim e que realmente me expressa? ” (Citado por
Wallach & Wallach). Para os críticos, o individualismo incentivado pela
psicologia humanista – confiar e agir de acordo com seus próprios sentimentos,
ser verdadeiro consigo mesmo, satisfazer a si mesmo – pode levar à satisfação
excessiva dos próprios desejos, ao egoísmo, e à erosão de restrições morais.
Para compreender melhor a dimensão do individualismo incentivado, imagine você
trabalhando num grupo de pessoas que se recusam a realizar qualquer tarefa que
não seja satisfatória, ou que não expresse verdadeiramente a sua identidade.
Na contrapartida, os
humanistas argumentaram que o primeiro passo para amar os outros, é na verdade,
uma autoaceitação segura e não defensiva. De fato, pessoas que se sentem amadas
e aceitas, pelo que são e não apenas pelas suas realizações, têm atitudes menos
defensivas (Schimel et al., 2001).
Outra acusação feita a
Psicologia humanista é que ela não leva em conta a realidade da nossa
capacidade humana para o mal, na qual as pessoas são basicamente boas, tudo
será resolvido. A psicologia humanista ,
dizem os críticos, incentiva a esperança necessária, mas não o realismo
igualmente necessário acerca do mal.
REFERÊNCIAS:
MYERS, D.G.; DEWALL,
C.N. Psicologia. Rio de Janeiro:
Editora “Gen” Grupo
Editorial Nacional,
2017. Pg. 470, 471 e 472 .
MACHADO, Geraldo Magela. Psicologia Humanista. Disponível em: < https://www.infoescola.com/psicologia/psicologia-humanista/
> Acesso: 6 de outubro de 2018.
MARTINS, M.A. Estudos de Psicologia. vol. 26,
núm. 1, enero-marzo, 2009, pp. 93-100. Disponível em http://www.redalyc.org/pdf/3953/395335850010.pdf.
Acessado em 15 de outubro de 2018.
BLOG A MENTE É MARAVILHOSA. O que é a Psicologia Humanista? Disponível
em < https://amenteemaravilhosa.com.br/psicologia-humanista/
> Acesso em: 13 de outubro de 2018.
quarta-feira, 3 de outubro de 2018
A Psicologia entre os Gregos- primórdios.
CAPÍTULO
2 – A EVOLUÇÃO DA CIÊNCIA PSICOLOGIA
PSICOLOGIA
E HISTÓRIA
· Compreender,
em profundidade, algo que compõe o nosso mundo significa recuperar sua
história.
· Para
compreender o presente, quem somos, é preciso recorrer ao passado, que conta
nossa história, e ao futuro como perspectiva de realização. Logo, para
compreender a diversidade com que a Psicologia apresenta hoje, é preciso
recorrer à sua história.
· A
história da psicologia está ligada às exigências de conhecimento da humanidade
e sua interação com o meio e as circunstancias de cada época.
A
PSCIOLOGIA ENTRE GREGOS: OS PRIMÓRDIOS.
· Termo
Psicologia vem do grego Pysiqué(alma)
e logos(razão)
o
Etimologicamente Psicologia significa estudo da alma.
· 700
a.C. – Antiguidade
· PRÉ-SOCRÁTICOS:
o
Sua preocupação: definir o homem através de sua sensação e percepção.
o
Objeto de discussão: o mundo existe porque o homem o vê ou o homem vê o mundo que já existe?
o
Oposição entre Idealistas X Materialistas
sobre o que forma o mundo:
§ Idealistas –
a ideia forma o mundo.
§ Materialista –
a matéria forma o mundo.
· SÓCRATES ( 469-399 a.C)
o
Sua preocupação: saber o limite que separa o homem do animal.
o
Alma
ou Espírito era concebida como a parte imaterial do
ser humano (pensamentos, sentimentos,
amor e ódio, a irracionalidade, o desejo, a sensação e a percepção).
o
Princípio da Irracionalidade – Instintos.
o
Principal característica humana era a razão, pois a razão permitia o homem sobrepor-se aos instintos, que
seria a base da irracionalidade.
· PLATÃO (427-347 a.C.) –
discípulo de Sócrates.
o
Preocupação:
queria
definir um “lugar” para a razão, no
próprio corpo, que segundo ele seria a “cabeça”,
onde se encontra a alma do homem. A medula
seria um elemento de ligação entre alma e corpo, pois ele concebia a alma separada do corpo.
o
Ao morrer, a matéria (corpo) desaparecia, mas a alma ficava livre para ocupar outro corpo.
o
Teoria
Platônica – Postulou a Imortalidade da alma e a concebia separada do corpo.
· ARISTÓTELES (384-322 a. C.) –
discípulo de Platão.
o
Postulou que alma e corpo não podem ser dissociados.
o
Psyqué (alma) é tida como princípio ativo
da vida. Tudo que cresce, se reproduz e se alimente tem psyqué
ou alma, logo, vegetais, animais e o
homem teriam alma.
§ Vegetais –
tinham alma
vegetativa com função de alimentação e reprodução.
§ Animais –
tinham alma
vegetativa e sensitiva (instinto) com
função de percepção e movimento.
§ Homem –
tinham alma
vegetativa, sensitiva e racional com função pensante.
o
Teoria
Aristotélica – Postulou a mortalidade da alma e sua relação
de pertencimento ao corpo.
REFERÊNCIAS
BOCK, A.M.B.; FURTADO, O.;TEIXEIRA, M.L.T. R. Psicologias, uma introdução ao estudo da psicologia: 13. ed. São Paulo: Editora Saraiva, 1999. Capítulo 2-A evolução da ciência psicologia
domingo, 26 de agosto de 2018
IDEIAS PRINCIPAIS DE COMTE
Auguste Comte nasceu em Montpellier, França, a 19 de janeiro
de 1798, filho de um fiscal de impostos. Suas relações com a
família foram sempre tempestuosas e contêm elementos
explicativos do desenvolvimento de sua vida e talvez até mesmo de
certas orientações dadas às suas obras, sobretudo em seus
últimos anos. Frequentemente, Comte acusava os familiares (à
exceção de um irmão) de avareza, culpando-os por sua precária
situação econômica. O pai e a irmã, ambos de saúde muito frágil,
viviam reclamando maior participação de Auguste em seus
problemas. A mãe apegou-se a ele de forma extremada, solicitando
sua atenção “da mesma maneira que um mendigo implora um
pedaço de pão” para sobreviver, como diz ela em carta ao filho já
adulto. Tão complexos laços familiares foram afinal rompidos por
Comte, mas deixaram-lhe marcas profundas.
Com a idade de dezesseis anos, em 1814, Comte ingressou
na Escola Politécnica de Paris, fato que teria significativa
influência na orientação posterior de seu pensamento. Em carta
de 1842 a John Stuart Mill (1806-1873), Comte fala da Politécnica
como a primeira comunidade verdadeiramente científica, que
deveria servir como modelo de toda educação superior. A Escola
Politécnica tinha sido fundada em 1794, como fruto da Revolução
Francesa e do desenvolvimento da ciência e da técnica, resultante
da Revolução Industrial. Embora permanecesse por apenas dois
anos nessa escola, Comte ali recebeu a influência do trabalho
intelectual de cientistas como o físico Sadi Carnot (1796-1832), o
A
matemático Lagrange (1736-1813) e o astrônomo Pierre Simon de
Laplace (1749-1827). Especialmente importante foi a influência
exercida pela Mecânica Analítica de Lagrange: nela Comte teria se
inspirado para vir a abordar os princípios de cada ciência segundo
uma perspectiva histórica. Em 1816, a onda reacionária que se apoderou de toda a
Europa, depois da derrota de Napoleão e da Santa Aliança,
repercutiu na Escola Politécnica. Os adeptos da restauração da
Casa Real dos Bourbon conseguiram o fechamento temporário da
Escola, acusando-a de jacobinismo.
Comte deixou a Politécnica e,
apesar dos apelos insistentes da família, resolveu continuar em
Paris. Nesse período sofreu as influências dos chamados
“ideólogos”: Destutt de Tracy (1754-1836), Cabanis (1757-1808) e
Volney (1757-1820). Leu também os teóricos da economia política,
como Adam Smith (1723-1790) e Jean-Baptiste Say (1767-1832),
filósofos e historiadores como David Hume (1711-1776) e William
Robertson (1721-1793).
O fator mais decisivo para sua formação
foi, porém, o estudo do Esboço de um Quadro Histórico dos
Progressos do Espírito Humano, de Condorcet (1743-1794), ao qual
se referiria, mais tarde, como “meu imediato predecessor”. A obra
de Condorcet traça um quadro do desenvolvimento da
humanidade, no qual os descobrimentos e invenções da ciência e
da tecnologia desempenham papel preponderante, fazendo o
homem caminhar para uma era em que a organização social e
política seria produto das luzes da razão. Essa ideia tornar-se-ia
um dos pontos fundamentais da filosofia de Comte.
O núcleo da filosofia de Comte radica na ideia de que:
A sociedade só pode ser convenientemente reorganizada através de uma completa reforma intelectual do homem.
Comte achava que antes de uma reforma das instituições, seria necessário fornecer aos homens novos hábitos de pensar de acordo com o estado das ciências de seu tempo.
Por essa razão, o sistema comteano estruturou-se em torno de três temas básicos.
POLITEÍSMO (O politeísmo esvazia os seres naturais de suas vidas anímicas — tal como concebidos no estágio anterior — e atribui a animação desses seres não a si mesmos, mas a outros seres, invisíveis e habitantes de um mundo superior.)
MONOTEÍSMO (a distância entre os seres e seus princípios explicativos aumenta ainda mais; o homem, nesse estágio, reúne todas as divindades em uma só.
Os três temas básicos
O núcleo da filosofia de Comte radica na ideia de que:
A sociedade só pode ser convenientemente reorganizada através de uma completa reforma intelectual do homem.
Comte achava que antes de uma reforma das instituições, seria necessário fornecer aos homens novos hábitos de pensar de acordo com o estado das ciências de seu tempo.
Por essa razão, o sistema comteano estruturou-se em torno de três temas básicos.
- Em primeiro lugar, uma filosofia da história com o objetivo de mostrar as razões pelas quais uma certa maneira de pensar (chamada por ele filosofia positiva ou pensamento positivo) deve imperar entre os homens.
- Em segundo lugar, uma fundamentação e classificação das ciências baseadas na filosofia positiva.
- Finalmente, uma sociologia que, determinando a estrutura e os processos de modificação da sociedade, permitisse a reforma prática das instituições. A esse sistema deve-se acrescentar a forma religiosa assumida pelo plano de renovação social, proposto por Comte nos seus últimos anos de vida.
O progresso do espírito
Para Comte a filosofia da história pode ser sintetizada na sua célebre lei dos três estados.
Todas
as CIÊNCIAS e o ESPÍRITO HUMANO como um todo desenvolvem-se
através de três fases distintas: a teológica, a metafísica e a
positiva.
COMTE E O ESTADO TEOLÓGICO
- Poucas observações dos fenômenos e, por isso, a imaginação desempenha papel de primeiro plano.
- Diante da DIVERSIDADE DA NATUREZA, o homem só consegue explicá-la mediante a crença na intervenção de seres pessoais e sobrenaturais.
- O mundo torna-se compreensível somente através das ideias de deuses e espíritos.
- A MENTALIDADE TEOLÓGICA visa a um tipo de compreensão absoluta; o homem, nesse estágio de desenvolvimento, acredita ter posse absoluta do conhecimento e desempenha relevante papel de COESÃO SOCIAL, fundamentando a VIDA MORAL.
- Confiavam em PODERES IMUTÁVEIS, fundados na AUTORIDADE
- Divide o estado teológico em três períodos sucessivos: o
POLITEÍSMO (O politeísmo esvazia os seres naturais de suas vidas anímicas — tal como concebidos no estágio anterior — e atribui a animação desses seres não a si mesmos, mas a outros seres, invisíveis e habitantes de um mundo superior.)
MONOTEÍSMO (a distância entre os seres e seus princípios explicativos aumenta ainda mais; o homem, nesse estágio, reúne todas as divindades em uma só.
- A fase teológica monoteísta representaria, no desenvolvimento do espírito humano, uma etapa de transição para o estado metafísico.
- O espírito humano, inicialmente, concebe “forças” para explicar os diferentes grupos de fenômenos, em substituição às divindades da fase teológica. Fala-se então de uma “força física”, uma “força química”, uma “força vital”.
COMTE E O ESTADO METAFÍSICO
Segundo Comte, os pontos de contato entre teológicos e metafísicos são:
- Ambos tendem à procura de soluções absolutas para os problemas do homem: a metafísica, tanto quanto a teologia, procura explicar: a “natureza íntima” das coisas, sua origem e destino últimos, bem como a maneira pela qual são produzidas.
DIFERENÇA ENTRE O ESTADO TEOLÓGICO E METAFÍSICO
- reside no fato de a METAFÍSICA colocar o ABSTRATO no lugar do CONCRETO e a ARGUMENTAÇÃO no lugar da IMAGINAÇÃO.
- o estado metafísico se caracterizaria fundamentalmente pela dissolução do teológico. A argumentação, penetrando nos domínios das ideias teológicas, traria à luz suas contradições inerentes e substituiria a vontade divina por “ideias” ou “forças”.
- A metafísica destruiria a ideia teológica de subordinação da natureza e do homem ao sobrenatural.
- Na esfera política, o espírito metafísico corresponderia a uma substituição dos reis pelos juristas; supondo-se a sociedade como originária de um contrato, tende-se a basear o Estado na soberania do povo.
O pensamento positivo
O estado positivo caracteriza-se pela
subordinação da imaginação e da argumentação à observação.
Comte não defende um empirismo puro, ou seja, a redução
de todo conhecimento à apreensão exclusiva de fatos isolados.
- A visão positiva dos fatos abandona a consideração das causas dos fenômenos (procedimento teológico ou metafísico) e torna-se pesquisa de suas leis, entendidos como relações constantes entre fenômenos observáveis.
- Quando procura conhecer fenômenos psicológicos, o espírito positivo deve visar às relações imutáveis presentes neles — c
- A filosofia positiva, ao contrário dos estados teológico e metafísico, considera impossível a redução dos fenômenos naturais a um só princípio (Deus, natureza ou outro equivalente).
- A experiência nunca mostra mais do que uma limitada interconexão entre determinados fenômenos.
- Cada ciência ocupa-se apenas com certo grupo de fenômenos, irredutíveis uns aos outros. A unidade que o conhecimento pode alcançar seria, assim, inteiramente subjetiva, radicando no fato de empregar-se um mesmo método, seja qual for o campo em questão: uma idêntica metodologia produz convergência e homogeneidade de teorias. Essa unidade do conhecimento não é apenas individual, mas também coletiva; isso faz da filosofia positiva o fundamento intelectual da fraternidade entre os homens, possibilitando a vida prática em comum. A união entre a teoria e a prática seria muito mais íntima no estado positivo do que nos anteriores, pois o conhecimento das relações constantes entre os fenômenos torna possível determinar seu futuro desenvolvimento. O conhecimento positivo caracteriza-se pela previsibilidade: “ver para prever” é o lema da ciência positiva. A previsibilidade científica permite o desenvolvimento da técnica e, assim, o estado positivo corresponde à indústria, no sentido de exploração da natureza pelo homem. Em suma, o espírito positivo, segundo Comte, instaura as ciências como investigação do real, do certo e indubitável, do precisamente determinado e do útil. Nos domínios do social e do político, o estágio positivo do espírito humano marcaria a passagem do poder espiritual para as mãos dos sábios e cientistas e do poder material para o controle dos industriais. Do simples ao complexo A classificação das ciências — segundo tema básico da filosofia comteana — vincula-se à filosofia da história. Ao traçar o mapa do desenvolvimento histórico do espírito, em sua caminhada para a apreensão da realidade, Comte mostra que a evolução de cada ciência obedece à periodização dos três estados, mas que essa periodização não se faz ao mesmo tempo em todos os domínios.
quinta-feira, 23 de agosto de 2018
A ALMA COLETIVA - do Livro Psicologia das Massas e análise do eu - Sigmond Freud
Le Bom mostra
que a Psicologia não cumpriu cabalmente a sua tarefa e nem conseguiu esclarecer
todos os nexos, e ainda que tivesse atingido esses objetivos, surgiria sempre
um PROBLEMA NOVO, NÃO RESOLVIDO, já
que a PSICOLOGIA procura nas AÇÕES e nas RELAÇÕES COM OS MAIS PRÓXIMOS os seguintes
aspectos: As DISPOSIÇÕES, os IMPULSOS INSTINTUAIS, os MOTIVOS e as INTENÇÕES do
Indivíduo.
Esse FATO
NOVO, SURPREENDENDE que surge a partir do alinhamento do indivíduo com a
multidão, leva o mesmo a adquiri a
característica de MASSA PSICOLÓGICA, condição em que o indivíduo PENSA, SENTE E AGE DE MODO COMPLETAMENTE distinto
do esperado.
Ele faz então três perguntas a serem
refletidas:
1.
O que
é então uma “massa”?
2.
De que
maneira adquire ela a capacidade de influir tão decisivamente na vida psíquica
do indivíduo?
3.
Em que
consiste a modificação psíquica que ela impõe ao indivíduo?
A psicologia
teórica das massas, oriunda da OBSERVAÇÃO
DA REAÇÃO ALTERADA DO INDIVÍDUO, oferece material para respondê-las à
partir da terceira pergunta.
1º OBSERVAR A REAÇÃO ALTERADA DO INDIVÍDUO
2º DESCREVER AS REAÇÕES A SEREM EXPLCIADAS
3º EXPLICAR AS REAÇÕES
Le Bon diz : “O fato mais singular, numa
massa psicológica, é o seguinte:
Quaisquer que sejam os indivíduos que a compõem, sejam semelhantes ou dessemelhantes o seu tipo de vida, suas ocupações,
seu caráter ou sua inteligência,
o simples fato de se terem transformado
em massa, os torna possuidores de
uma espécie de alma coletiva.
Esta
alma os faz sentir, pensar e agir de uma forma bem diferente da que cada um sentiria, pensaria e
agiria isoladamente.
Certas ideias, certos sentimentos aparecem ou se
transformam em atos apenas nos indivíduos em massa.
A MASSA PSICOLÓGICA
é um ser provisório, composto de elementos
heterogêneos que por um instante se soldaram.
Observações feitas por FREUD sobre a exposição de Le Bom:
Se os INDIVÍDUOS DA MASSA estão ligados numa
unidade, tem de haver algo que os une
entre si, e este meio de ligação poderia ser justamente o que é
característico da massa. Le Bon lida
apenas com a modificação do indivíduo na
massa e a descreve em termos que harmonizam bastante com os pressupostos
básicos de nossa psicologia profunda.
“Constata-se
facilmente o quanto o indivíduo na massa difere do indivíduo isolado;
mas as
causas de tal diferença. Para
descobri-las é preciso recorrer à PSICOLOGIA MODERNA que diz:
Que
não é apenas na vida orgânica, mas também no funcionamento da inteligência que
os fenômenos inconscientes têm papel preponderante.
A VIDA CONSCIENTE DO ESPÍRITO não
representa senão uma pequenina parte,
comparada à
sua vida inconsciente e que apenas um número pequeno dos móveis inconscientes
que conduz o indivíduo é descoberto.
Nossos
atos conscientes derivam de um substrato
inconsciente com resíduos ancestrais que constituem a alma da raça.
Por
trás das CAUSAS CONFESSAS DE NOSSOS ATOS,
há sem dúvida CAUSAS SECRETAS QUE NÃO
CONFESSAMOS, mas por trás dessas causas secretas HÁ OUTRAS, BEM MAIS SECRETAS ainda, pois NÓS MESMOS A IGNORAMOS.
A maioria de nossos atos cotidianos é resultado de móveis
ocultos que nos escapam.
Na
massa, acredita Le Bom:
1. as
aquisições próprias dos indivíduos se desvanecem, e com isso desaparece sua
particularidade.
2. O
inconsciente próprio da raça ressalta, o heterogêneo submerge no homogêneo.
3. A SUPER
ESTRUTURA PSÍQUICA, que se desenvolveu de modo tão diverso nos indivíduos, é
desmontada, debilitada, e o fundamento inconsciente comum a todos é posto a nu
(torna-se operante).
Dessa
maneira se produziria um caráter mediano
dos indivíduos da massa.
Mas
conforme Le Bon BUSCA AS RAZÕES para o SURGIMENTO DE CARACTERÍSTICAS NOVAS em três fatores:
1. “O
primeiro é que o indivíduo na massa
adquire, pelo simples fato do número,
um sentimento de poder invencível que
lhe permite ceder a instintos que, estando só, ele manteria sob controle. E
cederá com tanto mais facilidade a eles, porque, sendo a massa anônima, e por conseguinte irresponsável, desaparece por completo o sentimento de responsabilidade
que sempre retém os indivíduos.” Não precisamos, em nosso ponto de
vista, atribuir muito valor à emergência de novas características. Basta-nos
dizer que na massa o indivíduo está
sujeito a condições que lhe permitem se livrar das repressões dos seus impulsos
instintivos inconscientes. As CARACTERÍSTICAS
APARENTEMENTE NOVAS, que ele então apresenta, são justamente AS MANIFESTAÇÕES DESSE INCONSCIENTE, no
qual se acha contido, em predisposição, tudo de mau da alma humana. Não é difícil compreendermos
o esvaecer da consciência ou do sentimento de responsabilidade nestas
circunstâncias. Há
muito afirmamos que o cerne da chamada CONSCIÊNCIA MORAL consiste no “MEDO
SOCIAL”.
2. Uma
segunda causa, o CONTÁGIO MENTAL,
intervém igualmente para determinar a manifestação
de características especiais nas massas e a sua orientação. Para explicar o
contágio é preciso relacionar aos fenômenos de ordem hipnótica que adiante
estudaremos.
Numa massa, todo sentimento,
todo ato é contagioso, e isso a ponto de o indivíduo
sacrificar facilmente o seu interesse pessoal ao interesse coletivo.
Eis uma aptidão contrária à sua natureza, de que o homem só se torna capaz enquanto parte de uma massa” . Sobre esta
última frase vamos fundamentar, mais adiante, uma importante conjectura.
3. “Uma terceira causa, de longe a mais importante, determina nos indivíduos da massa
características especiais, às vezes bastante contrárias às do indivíduo isolado.
Refiro-me à SUGESTIONABILIDADE, de
que o contágio mencionado acima é apenas um efeito.
“Para compreender esse fenômeno, é
preciso ter em mente algumas descobertas recentes da fisiologia. Sabemos hoje que um
indivíduo pode ser posto, num estado tal que, tendo perdido sua personalidade consciente, ele obedece a todas as sugestões do
operador que a fez perdê-la, e comete os atos mais contrários a seu caráter e a
seu costume.
Ora, observações atentas parecem provar que o
indivíduo, mergulhado há algum tempo no seio de uma massa ativa, logo cai — em
consequência de eflúvios que dela emanam, ou por outra causa ainda ignorada — num estado
particular, aproximando-se muito do estado de fascinação do hipnotizado nas
mãos do hipnotizador […].
A personalidade consciente se foi, a vontade e o discernimento sumiram. Sentimentos e pensamentos são então
orientados no sentido determinado pelo hipnotizador. “Tal é, aproximadamente, o estado de um indivíduo que participa de
uma massa. Ele não é mais consciente de seus atos. Nele, como no
hipnotizado, enquanto certas faculdades
são destruídas, outras podem ser
levadas a um estado de exaltação extrema.
A influência de uma sugestão o
levará, com irresistível impetuosidade, à realização de certos atos. Impetuosidade
ainda mais irresistível nas massas que no sujeito hipnotizado, pois a sugestão,
sendo a mesma para todos os indivíduos, exacerba-se pela reciprocidade” Portanto
as principais características do INDIVÍDUO DE MASSA são:
a. Esvanecimento da personalidade consciente.
b. Predominância da personalidade
inconsciente
c. Orientação
por via de sugestão e de contágio dos sentimentos e das ideias num mesmo
sentido.
d. Tendência
a transformar imediatamente em atos as ideias sugeridas.
Ele não é mais ele mesmo, mas um autômato cuja vontade se tornou
impotente para guiá-lo.
Le Bon
realmente designa o estado do indivíduo na massa como hipnótico, não se limita
apenas a compará-lo com este. Freud não pretende contradizê-lo, mas somente
destacar que as duas últimas causas da
modificação do indivíduo na massa, o contágio e a maior sugestionabilidade,
evidentemente não são do mesmo tipo, pois o contágio deve ser também uma
manifestação da sugestionabilidade.
De qualquer modo ele distingue esta INFLUÊNCIA
FASCINADORA, deixada na penumbra, e o EFEITO CONTAGIOSO DOS INDIVÍDUOS ENTRE SI,
que vem a fortalecer a sugestão original.
Eis
ainda uma consideração importante para julgar o indivíduo da massa: “Portanto,
pelo simples fato de pertencer a uma massa, o homem desce vários degraus na
escala na civilização.
Isolado, ele era
talvez um indivíduo cultivado, na massa é um
instintivo, e em consequência um bárbaro. Tem a espontaneidade, a violência,
a ferocidade, e também os entusiasmos e os heroísmos dos seres primitivos”
Ele então se detém especialmente na diminuição da capacidade intelectual,
experimentada pelo indivíduo que se dissolve na massa.
Deixemos
agora o indivíduo e nos voltemos para a DESCRIÇÃO
DA ALMA DE MASSA,tal como Le Bon a delineia.
Nela não
há traço algum que um psicanalista não consiga derivar e situar. O próprio
Le Bon nos mostra o caminho, ao apontar
a coincidência com a vida anímica dos povos primitivos e das crianças.
A
massa é impulsiva, volúvel e
excitável. É guiada quase
exclusivamente pelo inconsciente.
Os impulsos a que
obedece podem ser, conforme as
circunstâncias, nobres ou cruéis,
heroicos ou covardes, mas, de todo modo, são tão imperiosos que
nenhum interesse pessoal, nem mesmo o da autopreservação, se faz valer
Nada
nela é premeditado. Embora deseje as
coisas apaixonadamente, nunca o faz por muito tempo, é incapaz de uma vontade persistente. Não tolera qualquer demora entre o seu desejo
e a realização dele. Tem o sentimento
da onipotência; a noção do impossível desaparece para o indivíduo na massa.
A
massa é extraordinariamente
influenciável e crédula, é acrítica, o improvável não
existe para ela. Pensa em imagens que evocam umas às outras
associativamente, como no indivíduo em estado de livre devaneio, e que não têm
sua coincidência com a realidade medida por uma instância razoável. Os sentimentos da massa são sempre muito
simples e muito exaltados. Ela não conhece dúvida nem
incerteza.
Ela
vai prontamente a extremos; a suspeita
exteriorizada se transforma de imediato em certeza indiscutível, um germe
de antipatia se torna um ódio selvagem.
Inclinada
a todos os extremos, a massa também é
excitada apenas por estímulos desmedidos. Quem quiser influir sobre ela, não necessita medir logicamente os
argumentos; deve pintar com as imagens mais fortes, exagerar e sempre repetir a mesma coisa.
Como a
massa não tem dúvidas quanto ao que é
verdadeiro ou falso, e tem consciência da sua enorme força, ela é, ao mesmo
tempo, intolerante e crente na
autoridade.
Ela RESPEITA A FORÇA, e deixa-se influenciar
apenas moderadamente pela BONDADE, que para ela é uma
espécie de fraqueza. O que
ela exige de seus heróis é fortaleza,
até mesmo violência. Quer ser dominada e oprimida, quer temer os seus
senhores.
No
fundo inteiramente conservadora, tem profunda aversão
a todos os progressos e inovações, e ilimitada reverência pela tradição.
Para
julgar corretamente a moralidade das
massas, deve-se levar em consideração que, ao se reunirem os indivíduos numa massa, todas as inibições individuais caem por terra e todos os instintos*
cruéis, brutais, destrutivos, que dormitam no ser humano, como vestígios dos
primórdios do tempo, são despertados para a livre satisfação instintiva.
Mas as massas são também capazes, sob influência da sugestão, de elevadas provas de renúncia, desinteresse, devoção a um ideal. Enquanto a vantagem pessoal, no indivíduo isolado,
é quase que o único móvel de ação, nas
massas ela raramente predomina. Pode-se falar de uma moralização do indivíduo pela massa.
Enquanto
a capacidade intelectual da massa está bem abaixo daquela do
indivíduo, sua conduta ética
tanto pode ultrapassar esse nível como
descer bem abaixo dele.
Alguns
outros traços, na caracterização de Le Bon, lançam uma clara luz sobre a validez de identificar a alma da massa
com a dos povos primitivos.
Nas
massas as IDEIAS OPOSTAS podem coexistir
e suportar umas às outras, sem que resulte um conflito de sua contradição
lógica.
O
mesmo sucede, porém, na vida anímica
inconsciente dos indivíduos, das crianças e dos neuróticos, como há
muito demonstrou a psicanálise.
Além disso, a massa está sujeita ao poder verdadeiramente mágico das palavras,
que podem provocar as mais terríveis tormentas
na sua alma e também
apaziguá-las “
A RAZÃO e os ARGUMENTOS não sabem lutar contra certas palavras e certas
fórmulas. Proferidas com solenidade diante da massa, imediatamente os rostos se tornam respeitosos e as cabeças se inclinam.
Muitos as consideram forças da natureza, poderes sobrenaturais” Quanto a
isso, basta lembrar o tabu dos nomes entre os primitivos, as forças mágicas que
para eles estão ligadas a nomes e palavras.
E por
fim, as massas nunca tiveram a SEDE DA
VERDADE. Requerem ilusões, às quais
não podem renunciar.
Nelas o irreal tem primazia sobre o real, o que não é verdadeiro as influencia quase
tão fortemente quanto o verdadeiro. Elas têm a visível tendência de não
fazer distinção entre os dois.Já mostramos que essa predominância da vida da
fantasia, e da ilusão sustentada pelo desejo não realizado, é algo determinante
na psicologia das neuroses.
Descobrimos
que o que vale para os neuróticos não é
a realidade objetiva comum, mas a realidade psíquica. Um sintoma histérico se baseia na fantasia, em vez de na repetição da vivência real, a consciência de culpa da neurose
obsessiva, no fato de uma má intenção que jamais se realizou.
Como no sonho e na hipnose, na atividade anímica da massa a prova da
realidade recua, ante a força dos desejos investidos de afeto.
Le Bon acredita que, quando seres vivos se reúnem em determinado número, seja um rebanho
de animais ou um grupamento de homens, instintivamente se
colocam sob a autoridade de um chefe.
A massa é um rebanho dócil, que não pode jamais viver sem um senhor.
Ela tem tamanha sede de obediência,
que instintivamente se submete a
qualquer um que se apresente como seu senhor. Assim, as necessidades da
massa a tornam receptiva ao líder, mas este precisa corresponder a ela com suas
características pessoais.
Ele
próprio tem de estar fascinado por uma forte crença (numa
ideia), para despertar crença na massa;
ele tem de possuir uma vontade forte,
imponente, que a massa sem vontade vai aceitar.
Le Bon
discute então os diferentes tipos de
líder, e os meios pelos quais atuam sobre a massa.
No
conjunto, entende que os líderes
adquirem importância pelas ideias de que eles mesmos são fanáticos. A estas ideias,
assim como aos líderes, atribui igualmente
um poder misterioso, irresistível, que ele chama de “prestígio”.
O prestígio é uma espécie de domínio que
uma pessoa, uma obra ou uma ideia exerce sobre nós QUE:
1.
Paralisa toda a nossa capacidade crítica
2.
Nos enche de espanto e respeito.
3.
Provocaria um sentimento semelhante ao do
fascínio na hipnose.
4.
Distingue o prestígio adquirido ou artificial e
o pessoal.
a.
Prestígio
adquirido ou artificial - é dado às
pessoas pelo nome, a riqueza, a reputação, e conferido às concepções, obras de
arte etc. pela tradição. Como em todos os casos ele remonta ao passado, pouco
ajudará na compreensão dessa misteriosa influência.
b.
O
prestígio pessoal existe em poucas pessoas que através dele se tornam líderes,
e faz com que todos a elas obedeçam,
como sob o efeito de um encanto magnético. Mas todo prestígio depende
também do sucesso, e é perdido com o fracasso.
Nota: “As considerações de Le
Bon sobre o papel do líder e a importância do prestígio não nos parecem se
harmonizar com a sua brilhante descrição da alma coletiva.”
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