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domingo, 12 de julho de 2020

Mito: Eco e Narciso - Parte I - Aula 4 - Mitologia Grega e Psicologia Analítica

ECO E NARCISO

Narciso era um belo jovem, em que todas as mulheres, as ninfas o admiravam, suspiravam pela sua beleza. Porém para os gregos, Métron e Hybrys, havia o princípio de que tudo aquilo que excedia, cai no princípio de Hybris, que era o orgulho desmedido e a insolência; descomedimento; não conhece fronteiras nem limites,uma desmedida, ultrapassava o Métron que era a medida humana, limites impostos pelos deuses aos seres mortais, a medida justa de suas aspirações e esforços.

A beleza de NArciso ultrapassava o métron e caía numa desmedida. A mãe dele, preocupada com a belzea excessiva do filho,  foi consultar com o sábio Tirésias, o vidente para saber se aquela beleza exagerada poderia causar algum tipo de problema para seu filho. O vidente disse: caso ele enxergasse a sua própria face poderia ter problema para ele.

Entretanto, ele era muito cortejado, desejado pelas mulheres, pelas ninfas. Até que um dia se deparou com própria imagem na água do rio, sem comer, sem dormir, ficando ali apaixonado pela pró´ria imagem refletida, não se relacionada por ninguém.

Eco era uma excelente contadora de histórias, os deus dos deuses sabendo disso, disse a Eco para entreter  Era, a esposa de Zeus, por que Zeus era uma deus fecundador, se envolvia com outras mulheres, ninfas, tinha comportamento promíscuo, mantinah relacionamentos extraconjugais.

Em determinado momento, Era , esposa de Zeus, percebeu que Eco estava ali entretendo ela para distrair sua atenção para favorecer os desvios de Zeus. Era então, jogou uma maldição em Eco: disse que ela nunca mais teria voz própria e que só poderia repetir o final daquilo que as outras pessoas disserem. Essa história deu origem ao que vem a ser o "eco" como o conhecemos. Assim, Eco perdeu a sua própria voz. Só ficou com a capacidade de repetir a ultima palavra que as outras pessoas falavam.

Eco acaba olhando para Narciso e acaba se apaixonando por ele, mas Narciso não tem olho para mais ninguém. Mas Eco não tendo mais voz própria e  conseguia repetir a ultima palavra que Narciso falava para ele mesmo, ela repetia a ultima palavra que ele falava com a intenção de dizer para ele, só tinha olhos para Narciso, e ele só olhava para si mesmo.

Um dia Narciso tentou abraçar a própria imagem, caiu no rio e morreu afogado.  Narciso morre afogado e Eco morre petrificada, virou uma pedra, levando-a à morte, morreu seca. 

A relação traz a capacidade da troca, de olhar para os opostos, coisa que nem NArciso nem Eco tiveram a capacidade de fazer.

narcisismo é importante na formação de nossa identidade. Os pais têm olhar narcisista sobre seus filhos na infância, valorizando que o recebe, despertando a autoestima, de buscar seus valores. Entretanto, pode ter um viés prejudicial na vida da pessoa, quando a pessoa fica muito ensimesmado, com olhos somente para si mesmo, cai no erro de Narciso. E a vida fica muito restrita a pessoas que  pensem como você, não sabendo lidar com os opostos.

REDES SOCIAIS E INDIVIDUALIDADE

Isso acontece muito nas redes sociais, onde as pessoas se agrupam por afinidades. Quanto mais buscar o espelhamento do meu narcisismo mais prejuízo terei no meu dia a dia, quanto mais eu queira que a pessoa reproduza minha maneira de pensar e de ser mais a vida vai ficando empobrecida, podendo ocorrer simbolicamente um afogamento da personalidade do sujeito.

Narciso vem de Narquê, narcótico, entorpecimento, dependente, viciante causando uma dependência.



Com as redes sociais cada indivíduo passa a ser o seu porta voz, através das redes sociais, propagando a voz do indivíduo, e o narcisismo passa a ser propagado de uma forma muito maior e mais ampla, onde a individualidade ganha o seu espaço, a sua importância. 

O desequilíbrio acontece a partir do narcisismo exagerado, elevado, vai gerar uma série de confusões entre pessoas que discordarem. Quando há uma imaturidade, uma dificuldade em aceitar o oposto dentro de si, vai ter dificuldade de aceitar o oposto que esta do lado de fora, com outra pessoa, dificultando o relacionamento com outras pessoas.

O narcisismo pode atingir o nível de diagnóstico de psicopatologia, conforme DSM-5 que afirma ser o narcisismo um transtorno de personalidade, como um padrão de grandiosidade, necessidade de admiração, e falta de empatia. Esse nível de narcisismo muito elevado começa a criar uma dependência desse jeito, precisando cada vez mais ser admirado, que as pessoas concordem com o que pensa, e faz. Nesse ponto, é preciso que a pessoa pare para fazer algo em favor de sua saúde mental, mas nem sempre a pessoa percebe o nível elevado de narcisismo. A falta de empatia impede que essa pessoa se coloque no lugar do outro, queria ouvir o que outro tem a dizer, importando apenas a sua opinião, o que se pensa. Daí a necessidade de investir no autoconhecimento.

O Princípio Narcísico diz que tem que ser do meu jeito, como acho que deve ser, no padrão que me serve. Se não atender a esses padrões, não serve, rejeita.

Somente a empatia possibilita que a pessoa se coloque no lugar outro para perceber o mundo a partir do olhar dele.  Empatia seria...
... capacidade de reconhecer e identificar o que outra pessoa esta pensando ou sentindo e reagir com estado emocional condizente.
....Estrutura da nossa vida social, interação com o outro.
... Alívio das emoções negativas do outro.

A empatia possibilita acolher o outro genuinamente, compreender o que ele realmente esta sentindo.

REFERÊNCIAS
Curso extracurricular de Mitologia e Psicologia Analítica
Instituto Freedom
Aula 4 - Mito: Eco e Narciso
Prof. Rangel Fabrete 

terça-feira, 5 de maio de 2020

TERAPIA CENTRADA NO CLIENTE - CARL ROGERS



Terapia Centrada no cliente, segundo Carl Rogers, propõe que uma pessoa que se sente vulnerável ou ansiosa deve procurar um profissional que tenha:
  • ·       Congruência
  • ·       Aceitação Incondicional
  • ·       Empatia

Condições necessárias para que o cliente possa crescer psicologicamente.

CONGRUÊNCIA – primeira condição que deve ter o terapêuta
·       Ocorre quando terapeuta é:
o    Autêntico
o   Está em contato como o seu “eu real”
o   Se dispõe a  expressar abertamente
o   Não usa máscaras diante do cliente.

“Eu penso que o primeiríssimo elemento da terapia..., é que eu percebo que sou mais útil, todas as vezes em que sou genuíno, em que sou real. Uma palavra que gosto de usar: Quando sou “transparente”. Quando não há nada me ocultando da pessoa que estou atendendo. O que quero dizer com isso é...o que eu estiver experienciado está realmente claro e aberto para mim. Sei o que sinto. E gostaria que qualquer sentimento meu que seja relevante para essa relação, torne-se transparente e seja percebido pela outra pessoa. Quais são os sentimentos mais prováveis de sentir?Bem, como trabalho com indivíduos, gradualmente passo a me importar com eles. Realmente passo a me importar com as pessoas. E quero que isso seja percebido. Outro sentimento que com frequência é real em mim é a compaixão. Por que às vezes, os indivíduos têm vidas terrivelmente solitárias e realmente atormentadas. E eu sinto compaixão por elas. E gosto que isso seja percebido. Outra coisa que é quase certo de haver em mim é interesse. As pessoas são fascinantes. E me interesso por elas enquanto indivíduos. E gosto que isso seja percebido. E então, eu sinto o desejo de realmente, entende-las. Entende-las de maneira que eu capte seus pontos de vista. E gosto que isso seja percebido. Mas suponhamos que eu tenha outros sentimentos. Suponhamos que esse indivíduo me deixe entediado. Bem, não tenho orgulho disso, mas gostaria que percebesse. Ou... suponha que sinto ressentimento. Não sinto isso com frequência, mas se estou sentindo, quando sentir quero que isso seja evidente para a pessoa. A questão e que eu não acredito que um terapeuta possa ser útil, a não ser que ele possa ser ele mesmo. E isso significa deixar qualquer de seus sentimentos estar presente nesse relacionamento. Isso não quer dizer que eu vá falar muito desses sentimentos. Para falar a verdade, sou muito quieto numa entrevista. Não falo muita coisa. Mas eu gostaria que meus sentimentos fossem visíveis e evidentes para esse outro indivíduo. Quero ser real e aberto comigo mesmo, para que eu comunique apenas uma mensagem. Pode soar um pouco estranho, mas as vezes, comunicamos mais de uma mensagem e confundimos. Suponha que estou ressentido pelo fato de um cliente usar mito tempo, bem, então ele ouve uma mensagem mas em verdade ele recebe outra, pois ele pode sentir meu ressentimento. Penso que sentimos um monte de coisas que não entendemos fácil. Ou suponha que eu realmente me importe com essa pessoa, mas encubro adorando uma atitude fria e profissional. E não deixo que perceba. Bem,  cliente está recebendo duas mensagens. De um lado há essa frieza, por outro lado talvez ele sinta que há calor. Eu gostaria que houvesse apenas uma mensagem.” (CARL ROGERS)(EM VÍDEO).

ACEITAÇÃO INCONDICIONAL – segunda condição do terapeuta
·       
  •     Precisa desenvolver a capacidade de prezar e aceitar incondicionalmente o cliente, sem julgamentos, permitindo que ele se mostre como é, a sua visão de mundo. Além disso, livre de restrições e avaliações externas.

“ A segunda coisa que eu penso que ajuda muito a trabalhar com meus clientes é se eu prezar o indivíduo, se eu sinto que realmente gosto e aceito a pessoa. Digamos que uma esposa esteja cheia de amargura em relação ao marido. Fazendo todo tipo de reclamações, algumas bem extremas. Sou realmente capaz de aceita-las? Sou capaz de aceita-la como é? Com toda sua amargura e ódio? Imagine um homem que é obviamente brilhante e mesmo assim, ele me diz que é completamente inadequado, que não realiza nada, que se sente impotente  de viver a vida de forma razoável. Sou capaz de aceitar uma pessoa dessas? De aceita-lo como é? Digamos que um homem esteja...saindo com outra mulher que não é a sua esposa, afrontando a moral da comunidade. Sou capaz de aceitar essa pessoa como ela é? É esse tipo de pergunta que vem a mente continuamente. Eu aceito a pessoa da forma como ela realmente se apresenta ou faço um julgamento sobre ela? Penso que a aceitação significa a disposição de uma pessoa para a diferença. É muito, muito difícil para maioria de nós, deixar outro indivíduo ser diferente. Queremos que ele seja “assim como eu”. Nós queremos... nós tentamos continuamente, vê-lo elos nossos olhos, em vez de deixa-lo ser um indivíduo separado, com sentimentos, atitudes e comportamentos próprios. Se há uma coisa que aprendi em minha experiência é que quero valorizar a pessoa como ela é, com as potencialidades que certamente ela tem, mas quero valorizar, prezar e aceita-la como é. Aceitar a pessoa com direito ais seus próprios sentimentos e comportamentos, e seu modo de ver as coisas.” (CARL ROGERS) (EM VÍDEO).

EMPATIA – terceira condição do terapeuta humanista
  • ·       Escutar empaticamente promove um clima psicológica necessário ao crescimento do cliente.
  • ·       Empatia significa se colocar no lugar do outro, viver temporariamente a vida do outro, movimentando-se em seu mundo sem julgamentos, permitindo-se ver as coisas do ponto de vista do cliente, fazendo com que ele se sinta seguro, e não, ameaçado.

“ Consigo entender essa pessoa sensivelmente, adequadamente? Posso entende-la com empatia? Quer dizer, entrar em seu mundo, e ver seu mundo, pelo seu ponto de vista? Posso sentir o sabor dos seus sentimentos e das atitudes das quais fala? Pense naquela mulher casada, muito atraente que me conta que acha a vida tão sem esperança que, frequentemente considera o suicídio. Sou capaz de entender como, apesar de todas as suas boas qualidades, ainda assim a vida lhe aprece dessa forma? È isso o que quero dizer sobre...entender a partir de dentro. Consigo ver quão diferente, sozinha e sem esperanças ela se sente a despeito de tudo de bom que possamos pensar sobre sua vida? É incrivelmente difícil para muitos de nós, simplesmente entender sem julgamentos. Ver o ponto de vista da outra pessoa sem fazer julgamentos a respeito. Não temos absolutamente nenhuma experiência desse tipo., em nossas conversas sociais, na vida cotidiana. Quando ouvimos os nossos amigos falarem, imediatamente começamos a formar julgamentos a respeito. Não se escuta para tentar entender o ponto de vista do outro, tentamos fazer julgamentos. Por isso, penso que terapeutas em formação têm  muita dificuldade em desenvolver a disposição de entender a partir de dentro, e permanecer nessa perspectiva. Penso que as pessoas que ouvem e entendem, sem julgar, são profundamente apreciadas em qualquer comunidade em que vivam, pois são conhecidas por ajudar. Pessoas me perguntam. “Por que isso ajuda?” “ Se você apenas compreende a pessoa, ela não fica conformada na situação?” “ ela não se acomoda nos problemas?” Não. Isso não ocorre. Se eu entendo uma mãe que rejeita seu filho, ou um marido infiel, ou mais alguém assim, e consigo entende-lo adequadamente, e o aceito completamente, então eu crio na pessoa a base mais positiva que conheço para a mudança. Esse é o tipo de clima que permite a pessoa mudar e torna mais provável a mudança. Enquanto que, sem nenhuma compreensão, sem nenhuma aceitação, as pessoas frequentemente congelam em padrões de comportamento, que desejariam deixar para trás. Então, eu desejo ser um instrumento bastante sensível em entender e sentir pelo menos um pouco do significado que essa pessoa está querendo me comunicar. E deixa-la perceber que eu a entendo e que eu sinto como ela se sente.” (CARL ROGERS)(EM VIDEO).

PROCESSO TERAPÊUTICO
  • Se o terapeuta age com congruência, aceitação incondicional e empatia, o processo terapêutico se desenvolve e o cliente atravessa os sete estágios que indicam provavelmente, que o desenvolvimento de sua personalidade está acontecendo. O cliente vai adquirindo maior confiança em si mesmo, reconhecer sentimentos e emoções e avaliar-se independentemente das expectativas e desejos das outras pessoas, reconectando-se com o “eu real” e redescobrindo suas demandas internas e seus desejos de buscar o próprio crescimento.


“tanto através de minha experiência clínica, como de minhas investigações, nós achamos que, se atitudes do tipo que descrevi estão presentes, um bom número de coisas acontecerão: ela irá explorar alguns de seus sentimentos e atitudes mais profundamente; será capaz de descobrir alguns aspectos ocultos, que não estavam conscientes. Sentindo-se prezada por mim, é bem possível que ela venha a se prezar mais, sentindo que alguns de seus significados são entendidos por mim, talvez ela possa mais prontamente escutar a ela mesma. Escutar o que acontece com sua própria experiencia. Escutar seus próprios valores que não pode captar antes, e talvez, se ela sentir sinceridade em mim, será capaz de ser um pouco mais sincera consigo mesma. Suponho que haverá uma mudança no modo de se expressar. Ao menos esta tem sido minha experiência em outras instâncias. Por estar referindo-se a suas próprias experiências, com que ocorre dentro de si mesma, é possível que se mova em direção a seu sentimento imediato. Será capaz de sentir e expressar o que está acontecendo com ela no momento exato. De desaprovar a si mesma, e possivelmente que ela se dirija a um grau mais elevado de aceitação dela mesma. De um relacionamento temeroso, ela poderá mover-se a um nível mais direto de contato comigo. Ao invés de construir a vida em padrões pretos e brancos, ela poderá mover-se em direção a alguns modos mais eficientes, de construir suas experiencias e encontrar significado nelas., De um locus de avaliação fora dela, é possível que ela passe a reconhecer uma capacidade maior dentro dela para fazer julgamentos e conclusões. Então estas são algumas das mudança que intencionarei encontrar. Mudanças características do processo de terapia e movimento terapêutico." (CARLS ROGERS) (EM VÍDEO).

RESULTADOS DO PROCESSO TERAPÊUTICO

O indivíduo se sente mais congruente, mais ele mesmo. Tem pouca ou nenhuma necessidade de distorcer ou negar experiências, estando mais aberto a elas. Passa a ter uma imagem mais clara de si mesmo e uma visão de mundo mais realista, tornando-se mais capaz de resolver os próprios problemas e apresenta um elevado nível de autoconsideração positiva. Autoamor e aceitação de si.


Fonte:
Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=mw0kmBjywfo

Grupos de reflexão na Escola - esumo de Artigo

Abordagem centrada na pessoa de Carl Rogers (1961/1997)
·               utilizada por psicólogos escolares, na mediação de conflitos interpessoais em ambientes educativos.
·               Contribui para a valorização/legitimação do grupo enquanto instrumento de mudança das relações,  experimentando novas formas de compreender e atuar no cotidiano escolar.
GRUPOS ENVOLVIDOS NAS RELAÇÕES ESCOLARES:
·                 Alunos
·                 Professores
·                 Funcionários
·                 Pais de alunos

Cada grupo compreender suas relações e orientam suas ações no ambiente escolar de forma diferente. Daí a ideia da realização de GRUPOS DE REFLEXÃO com todos os grupos envolvidos.

Objetivo dos Grupos de Reflexão:
·                 A partir de espaços de discussão, reflexão e negociação, construir com e a partir dos participantes, práticas relacionais que favoreçam o empreendimento escolar.
·                 Pensara atuação dos psicólogos escolares como facilitador das relações interpessoais entre os grupos acima, abrindo espaço de escuta para todos os envolvidos, a fim de solucionar conflitos no âmbito da escola.
·                 Busca descontruir visões cristalizadas sobre as relações estabelecidas, dando voz àqueles que nunca imaginavam ter audiência.
·                 Objetiva que toda fala tenha se valor reconhecido pelo orador e pelos ouvintes do grupo, visando a compreensão e aceitação das singularidades de cada experiência relatada.
·                 Contudo, conquistar a confiança de mais e mais envolvidos nesse sistema, enquanto protagonistas, reflexivos que conduzem seu próprio ensino-aprendizagem,

ABORDAGEM CENTRADA NA PESSOA (ACP): BASE PARA OS GRUPOS DE REFLEXÃO

·       Embasamento filosófico nos postulados humanistas e existencialistas,
·       Situa-se no paradigma de entendimento do homem em suas relações com o homem.
·       Paradigma fenomenológico que valoriza a experiencia subjetiva e consciente como meio de lidar com o aspecto existencial do processo terapêutico.
·       BOAINAIN (1998):
o   A Psicologia Humanista está ficada na liberdade, responsabilidade e intencionalidade, características intrínsecas do ser humano.
o   Privilegia-se a consciência e a vivência do momento presente
o   Valorização da experiencia subjetiva e consciente
·       Objetivo da Terapia centrada na pessoa: facilitar o crescimento em favor da mesma, criando condições necessárias e suficientes para esse crescimento em terapia (Rogers, 1994, através de atitudes  facilitadoras do terapeuta tais como:
o    autenticidade,
o   aceitação positiva incondicional
o    compreensão empática.
Contribuições da Abordagem centrada na pessoa para a escola:
·       Modelo de ensino centrado no aluno:
o    onde o professor passa a ser o facilitador da aprendizagem significativa, tendo como essência a significação.
o   A Aprendizagem seria algo experiencial, a partir daquilo que vivencia o aprendiz.
·       confiar no grupo, na capacidade deste e de seus membros de desenvolverem suas potencialidades, é um pré-requisito à criação do ambiente de confiança;
·       aceitar a vontade do grupo, mesmo que a princípio pareça que a discussão permanecerá apenas num nível superficial cognitivo: “descobri que é compensador viver com o grupo exatamente onde ele está” (p.57);
·       dar espaço para que os indivíduos do grupo se posicionem como se sentirem mais à vontade, ou seja, com maior ou menor comprometimento psicológico com o grupo.
·       Segundo Rogers, poder recusar-se à participação pessoal e não sentir-se coagido a isso, é uma condição facilitadora para o estabelecimento da confiança (dos membros com o grupo e com o facilitador). Os membros percebem seu potencial autônomo a partir disso;
·       Atacar as defesas da pessoa, como uma forma de confrontá-la com suas
·       incongruências, não parece a Rogers uma maneira facilitadora, pelo contrário, é condenável.
·       Isto pode bloquear a pessoa e criar resistência ao processo; e evitar comentários interpretativos. Rogers (2002, p.68) explica: “Tenho tendência para não sondar ou comentar o que pode estar por detrás do comportamento de uma pessoa. Interpretar a causa do comportamento individual só pode ser altamente hipotético”

RELATOS DE EXPERIÊNCIAS CIM GRUPOS DE REFLEXÃO

·       GRUPO - “um conjunto de pessoas presentes e orientadas para um fim comum” (BLANCHET; TROGNON, 1996, p.10).
·       Ser estudante de uma mesma escola, trata-se de um grupo focal de técnica qualitativa introduzida por Merton (1970) como instrumento para explicitar conteúdos sobre assuntos que interessam ao grupo, em que discutem assuntos de seu interesse.
·       GRUPOS DE REFLEXÃO são semelhantes a grupos de discussão ou grupos focais. Seu objetivo é criar espaços de discussão, reflexão, negociação onde novas práticas possam ser construídas pelos participantes, de modo a todos legitimarem tal espaço como confiável e livre.
Os 7 passos para o desenvolvimento do trabalho de grupo, segundo (CAMBUY; AMATUZZI, 2008:
1.     sentar – momento de parar a correria do dia a dia, sentar num espaço disposto em círculos para que todos possam se olhar;
2.     contar – os participantes começam a relatar situações vividas durante semana, a partir da pergunta disparadora;
3.     escolher – o grupo escolhe um dos relatos para que este seja mais detalhado. Normalmente acontece em consenso;
4.     sintonizar – os participantes são convocados a contar experiências semelhantes àquela exposta no relato escolhido;
5.     analisar – é o momento de expressar ressonâncias afetivas e reflexões sobre o tema escolhido, após um aprofundamento daquilo  que foi sintonizado;
6.     agir – os participantes expõe que contribuições o encontro trouxe para eles, evidenciando aquilo que mais fez sentido;
7.     despedir-se: são feitas as combinações para o encontro posterior e se necessário, o psicólogo facilitador conversa com algum membro que precise de atenção particular.
“A experiência aqui relatada mostrou que este tipo de espaço reflexivo grupal foi importante para os profissionais, já que se sentiram acolhidos e escutados em suas demandas e puderam adotar estratégias mais criativas para prevenir possíveis desgastes. Acreditamos que a abertura para a reflexão sobre as experiências permite aos trabalhadores de saúde examinarem sua prática, buscando significados ao seu fazer profissional. Isto possibilita um posicionamento mais atuante no ambiente de trabalho e o desenvolvimento de ações mais criativas e transformadoras da realidade”. (CAMBUY, AMATUZZI, 2008, p. 617).

PAPEL DO PSICÓLOGO ESCOLAR
·       Discutir sobre grupos de reflexão com todos os grupos envolvidos.
·       Contribuir com as necessárias mudanças no âmbito da escola.
DEMANDAS RELATADAS PELOS GRUPOS DE REFLEXÃO
1.     GRUPOS COM ALUNOS
a.     Dificuldades na relação professor-aluno
b.     valorização do modelo tradicional de autoridade do professor, no qual o professor precisa ter moral para controlar uma turma.
c.     faltam atividades extra curriculares na escola
d.     relação direção/coordenação-alunos em que observam que estem mentem para controlar suas respectivas disciplinas.
e.     relação pais-filhos e namoro
f.       reconhecimento das dificuldades dos professores
g.     proposta do grupo misto (alunos e professores)

2.     GRUPOS COM PROFESSORES
a.     frustração devido à falta de alunos interessados
b.     culpabilização da família, falta de educação doméstica por parte dos alunos.
c.     valorização do modelo tradicional de autoridade do professor
d.     baixos salários
e.     conflito de gerações, entre professores mais novos e mais velhos.
f.       desrespeito dos alunos
g.     conflito na relação professores-direção
h.     amor pela docência
Esses grupos de reflexão implicam numa mudança de paradigma das relações interpessoais na escola, cujo psicólogo escolar exerce o papel de facilitador, criando e propiciando abertura para mediação nos grupos respeitando a autonomia.

REFERÊNCIAS:
ARTIGO GRUPOS DE REFLEXÃO NA ESCOLA: CONTRIBUIÇÕES DA ABORDAGEM CENTRADA NA PESSOA PARA A PSICOLOGIA ESCOLAR. FOCAL GROUPS AT SCHOOL: PERSON CENTERED APPROACH CONTRIBUTIONS TO SCHOOL PSYCHOLOGY. Fernanda Fochi Nogueira Insfrán

segunda-feira, 6 de abril de 2020

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ADOLESCÊNCIA


Quer saber de algumas DICAS sobre como melhorar essa relação entre pais e filhos adolescentes?
Só pra adiantar... essa é uma relação de mão dupla! Fique atento!

- Sabe aquele momento em que você está de mal-humor e não quer falar com ninguém, a não ser com seus pensamentos? O mal-humor é normal na adolescência devido às alterações hormonais, à instabilidade, e por isso mesmo, não precisa ser motivo de conflitos. 

Dica no.1: Os pais devem respeitar o momento de introspecção do adolescente, sem pressioná-lo para que tenha um tempo de processar suas emoções. Por outro lado, os jovens precisam saber, que os pais não têm bola de crista, e desejam apenas saber se estão bem. Não custa pedir aos pais um tempinho pra você, e as coisas logo ficarão bem. Diálogo - empatia - compreensão e entendimento mútuo.
- Quando o seu filho for introspectivo, comece falando de você, como foi seu dia,  o que aconteceu de curioso que possa conquistar a atenção e confiança dele para se estabelecer o diálogo.

Dica no.2:  Os jovens introspectivos precisam se sentir a vontade para entrar no diálogo, e sentir-se seguro para falar de si em família. Iniciar o diálogo falando de si, de como se sente, de seu dia a dia pode ser um caminho para fortalecer os vínculos entre ambos.Diálogo - empatia - compreensão e entendimento mútuo.
- Respeitar a intimidade dos filhos é condição elementar para formação e fortalecimento de vínculos relacionados diretamente à confiança.

Dica no.2:  Os adolescentes devem entender que é dever dos pais, com sua permissão,  ver suas redes, por uma questão de cuidado e zelo. Para isso, é preciso que ambos dialoguem sobre as concessões, buscando um entendimento mútuo. Por outro lado, os pais precisam respeitar a intimidade e a privacidade de seus filhos. Diálogo - empatia - compreensão e entendimento mútuo.

- Os adolescentes geralmente, têm uma ampla rede de relacionamentos, e portanto, muitos amigos. seus pais devem ter um olhar acolhedor para seus amigos, a fim de conhecê-los melhor. 

Dica no. 3: Os pais devem ter uma boa relação com os amigos de seus filhos, longe de críticas e ao mesmo tempo, tendo o cuidado de não trata-los como seus amigos. por outro lado, os adolescentes devem buscar uma relação dialógica com seus pais, quando estão com seus amigos, com os quais se identificam. Diálogo - empatia - compreensão e entendimento mútuo.

- É natural que os adolescentes tenham comportamentos intensos e instintivos, e se expressem por imagens, até que consigam encontrar a sua própria identidade

Dica no. 4:  Nessa relação, os adolescentes devem procurar ter um pouco mais de bom-senso e moderação para que não se comportem muitas vezes de forma rebelde e agressiva, e posteriormente, se sintam culpados. Por outro lado, os pais devem ter uma maior compreensão com essa inabilidade de moderação, que se dá em função de diversas questões biológicas que ainda estão em formação. 
Diálogo - empatia - compreensão e entendimento mútuo.

- Com a correria do dia-a-dia, e frente aos desafios de viver num mundo globalizado, é importante que ambos, pais e filhos, disponham de tempo um para o outro.

Dica no. 5: Planejem momentos especiais, de descontração, em que possam conversar despretensiosamente, sem nenhum motivo específico para que o diálogo se estabeleça. Não espere que os pais ou os filhos criem esse momento. Tome a inciativa!
Diálogo - empatia - compreensão e entendimento mútuo.


Referências;
Google Imagens.

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Psicologia Humanista - Seminário.


1.    SURGIMENTO DA PSCOLOGIA HUMANISTA

             Psicologia Humanista surgiu na década de 50 e ganhou força nos anos 60 e 70, como uma reação às ideias de análise apenas do comportamento, como psicologia mecanicista defendida pelo Behaviorismo e do enfoque no inconsciente e seu determinismo, defendido pela Psicanálise, através da negatividade freudiana.
               Os psicólogos humanistas se unem por um objetivo comum: humanizar a psicologia.  Isto é, fazer da Psicologia o estudo daquilo “que significa estar vivo como ser humano”. Estes, voltaram sua atenção para o modo como as pessoas, supostamente “saudáveis” se esforçam para obter autodeterminação e autorrealização.
               A grande divergência com o Behaviorismo é que o Humanismo não aceita a ideia do ser humano como máquina ou animal, sujeitos aos processos de condicionamento. Já em relação à Psicanálise, a reação foi à ênfase dada no inconsciente, nas questões biológicas e eventos passados, nas neuroses, psicoses e na divisão do seu humano em compartimentos. A perspectiva humanista encara a personalidade com um foco no potencial para o crescimento pessoal saudável.
               De forte influência existencial e fenomenológica, a Psicologia Humanista busca conhecer o ser humano, estudando as pessoas por meio de suas experiências e sentimentos por elas mesmo, relatados, tentando humanizar seu aparelho psíquico, contrariando assim, a visão do homem como um ser condicionado pelo mundo externo. No existencialismo, o ser humano é visto como ponto de partida dos processos de reflexão e na fenomenologia, esse ser humano tem consciência do mundo que o cerca, dos fenômenos e da sua experiência consciente.
              A maior contribuição dessa nova linha psicológica é a da experiência consciente, a crença na integralidade entre a natureza e a conduta do ser humano, no livre arbítrio, espontaneidade e poder criativo do indivíduo.
              A realidade, para a Psicologia Humanista, deve ser exposta à temporalidade, deve ser fluída e não estática, permitindo que ao indivíduo a perspectiva de sua totalidade, desmistificando a ideia de uma realidade pura, confrontando-a com outras realidades. A integração entre o indivíduo e o mundo, permite que ele sinta a realidade presente, libertando-se das exigências do passado e do futuro.
              As raízes da psicologia humanista estão na corrente filosófica do existencialismo europeu, com autores tais como:
              Jean Paul-Sartre: “O homem nasce livre, responsável e sem desculpas”.
              Jean Jacques Rousseau: “O homem é bom por natureza, é a sociedade que o corrompe”.
               Erich Fromm: “Se eu sou o que tenho e perco que tenho, quem sou eu, então?”
               Viktor Frankl: “O homem se realiza na mesma medida em que se compromete com o significado da sua medida”.
                

2. TEÓRICOS HUMANISTAS



Os dois grandes teóricos da Psicologia Humanista foram Abraham Maslow e Carl Rogers, e ambos propuseram uma perspectiva de uma terceira força com ênfase no potencial humano.

2.1. ABRAHAM MASLOW

               Um dos principais teóricos da Psicologia Humanista foi Abraham Maslow (1908-1970), americano, considerado o pai espiritual do movimento humanista, acreditava na tendência individual da pessoa para se tornar auto realizadora, sendo este o nível mais alto da existência humana. Maslow criou uma escala de necessidades a serem satisfeitas e, a cada conquista, nova necessidade se apresentava. Isso faria com que o indivíduo fosse buscando sua autorrealização, pelas sucessivas necessidades satisfeitas, conforme gráfico abaixo:


                  Dentro dessa perspectiva, Maslow mostra que, se nossas necessidades fisiológicas são atendidas, ficamos preocupados com segurança pessoal; se atingimos um senso de segurança, buscamos amar, ser amado e amarmos a nós mesmos; quando amamos, buscamos a autoestima; com autoestima buscamos a autorrealização, que seria o processo de realizar nosso potencial; e, por fim, buscamos a autotranscedência, que significa propósito e comunhão para além do eu.
                  Maslow desenvolveu suas ideias a partir do estudo de pessoas saudáveis e criativas, ao invés de estudas casos clínicos complicados. Para definir a autorrealização estudou pessoas aparentemente com uma vida de sucesso, por terem uma vida rica e produtiva. Observou que essas pessoas tinham características em comum, tais como: aceitavam-se tal como eram; tinham consciência de si; eram francas e espontâneas, afetuosas e solícitas e não se deixavam afetar pela opinião alheia. Seguras por saberem quem eram, seus interesses eram centrados nos problemas, e não em si mesmas. Direcionavam suas energias em determinadas tarefas, tidas como missão de vida. A maioria tinha poucos relacionamentos íntimos ao invés de muitos relacionamentos superficiais. Maslow retrata que muitas foram movidas por grandes experiências pessoais ou espirituais que vão além da consciência comum.
                   Para Maslow essas características eram consideradas qualidades adultas maduras, qualidades de pessoas que aprenderam o suficiente sobre a vida, para serem compassivas, terem superado sentimentos confusos em relação aos seus pais, descobriram sua vocação, por terem coragem de serem impopulares, e não se envergonharam de serem abertamente virtuosas.
               A partir de experiências com estudantes universitários, Maslow concluiu que aqueles propensos a se tornarem adultos autorrealizados eram simpáticos, solícitos, “particularmente afetuosos com os mais idosos, que merecem seu afeto”, e “preocupados com a crueldade, a malvadeza e o espírito de gangue encontrados com tanta frequência entre as pessoas jovens”.
          
2.2. CARL ROGERS

            Outro grande teórico da Psicologia Humanista foi Carl Rogers (1902-1987), americano, que baseou seu trabalho no indivíduo. Ele estava de acordo com muitos dos pensamentos de Maslow. Acreditava que as pessoas são basicamente boas e dotadas de tendências para a autorrealização. A não ser que esta, esteja em um ambiente, que iniba o seu crescimento. Rogers dizia que cada um de nós é como um broto pequenino, pronto para o crescimento e para a realização.

               Rogers acreditava que um clima favorável ao crescimento exigia três condições:
              Autenticidade: as pessoas nutrem o crescimento com autenticidade, sendo francas em seus sentimentos, retirando as máscaras, e sendo transparentes e reveladoras.
             Aceitação: ele chamou de aceitação positiva incondicional, atitude de benevolência, de autovalorização, mesmo reconhecendo em si, defeitos. Funciona como um alívio profundo deixar os disfarces caírem, confessar nossos piores sentimentos e descobrir que ainda somos aceitos, o que nos possibilita viver em uma relação matrimonial, em família unida e amizade íntima, sem a necessidade de se explicar a todo instante. É ser livre para ser espontâneo sem correr o risco de perder a estima pelo outro.
             Empatia: ao compartilhar e espelhar nossos sentimentos e refletir nossos significados. ”Raramente ouvimos com compreensão sincera e verdadeira empatia”, segundo Rogers. Porém, ele considera ouvir, nessa condição especial, uma das forças mais potentes para a mudança.
              Para Rogers, autenticidade, aceitação e empatia são os efetivos meios que possibilitam as pessoas crescerem como vigorosos carvalhos, pois “na medida em que são aceitas e valorizadas, as pessoas tendem a desenvolver uma atitude mais favorável em relação a si mesmas” (Rogers, 1980, p.116)
             Ele trabalhou com um conceito semelhante ao de Maslow, que é a tendência inata de cada pessoa tem de atualizar suas capacidades e potenciais.
             Defendeu, também, a ideia de autoconceito como característica principal da personalidade, bem como, um padrão organizado e consciente das características de cada um, desde a infância que, à medida que novas experiências surgem, esses conceitos podem ser substituídos ou reforçados. Para ele, a capacidade do indivíduo de modificar consciente e racionalmente seus pensamentos e comportamentos, fornece a base para a formação de sua personalidade
           O autoconceito diz respeito à resposta que a pessoa tem de si para a seguinte pergunta: “Quem sou eu? Para Carl Rogers, se o autoconceito for positivo, a pessoa tende a agir e a ver o mundo positivamente. Em contrapartida, se o autoconceito for negativo, a pessoa se sente infeliz e insatisfeita. Para Rogers, o objetivo mais valioso para terapeutas, professores, pais e amigos, é ajudar os outros a se conhecer, a se aceitar, e a ser verdadeiro consigo mesmo.

Para Rogers, os indivíduos bem ajustados psicologicamente têm autoconceitos realistas e a angústia psicológica é advinda da desarmonia entre o autoconceito real (o que se é de fato – self real) e o ideal para si (o que se deseja ser – self ideal). Dentro dessa perspectiva de self real e self ideal, para Rogers, quando ambos são muito parecidos, o outoconceito é positivo.

Ele acreditava que o sujeito deveria dar a direção e o conteúdo do tratamento psicológico, por ter ele suficientes recursos de autoentendimento para mudar seus conceitos. A terapia centrada na pessoa e não em teorias, nasceu dessa ideia.

3.    PRESSUPOSTOS TEÓRICOS

Do ponto de vista da psicologia humanista, pode-se falar de dois grandes pressupostos teóricos que embasam as diversas abordagens: o pressuposto determinista e o pressuposto da autonomia.

3.1.        PRESSUPOSTO DETERMINISTA

No pressuposto determinista, o ser humano é pensado como algum tipo de mecanismo. Tudo que ele faz, assim como tudo que lhe acontece, tem uma causa determinante. A arte do atendimento consiste em descobrir essa causa e intervir no sentido de modificá-la ou substituí-la por outra.

As causas determinantes das condutas humanas podem ser internas (além de uma energia interna, compreendem-se as cognições, representações sociais, motivações inconscientes, resíduos da história passada, por exemplo, que dão a essa energia sua direção); ou externas (estímulos do ambiente físico ou social, isoladamente ou em configurações complexas, que acionam e dão direção a uma fonte de movimento) (Baum, 1999).

Dentro deste pressuposto do determinismo psicológico, o atendimento, para que seja eficaz, exige um olhar analítico da situação. Este olhar configura-se como um diagnóstico. A partir dele, uma estratégia de intervenção é montada para dirigir a ação terapêutica para os fins visados: uma troca de causas determinantes.

3.2.        PESSUPOSTO DA AUTONOMIA

O pressuposto humanista da autonomia é diferente. Nele o ser humano não é visto como simples resultado de múltiplas influências, mas como o iniciador de coisas novas.

A pessoa não é vista principalmente como efeito de causas anteriores modificáveis, mas como um ser desafiado pela vida e chamado a responder criativamente (Merleau-Ponty, 1996; Frankl, 1989). Isso quer dizer que se supõe que o ser humano tenha algum poder sobre as determinações que o afetam.

O trabalho psicológico consiste fundamentalmente em oferecer um contexto dialógico no qual a liberação desse poder seja promovida. Aposta-se na autonomia crescente da pessoa e na fecundidade de uma relação humana honesta para promover essa autonomia. A autonomia é entendida como a capacidade que o ser humano tem de orientar sua própria vida de forma positiva para si mesmo e para a coletividade. Nessa perspectiva, o atendimento não se baseia em um diagnóstico, mas na afirmação de uma tendência inata e criativa ao crescimento, e não é concebido como uma intervenção direcionada a efeitos específicos, mas sim como uma relação libertadora dessa tendência na pessoa.

A qualidade dessa relação adquire importância capital, pois é a partir dela que a capacidade de ver claramente e de orientar a própria conduta por parte da pessoa que se relaciona com o psicólogo vai se estabelecendo.

A palavra “diagnóstico” ainda pode ser útil, mas agora com uma compreensão abrangente, que se constrói juntamente com o cliente e a serviço dele, ao longo do atendimento, e que inclui uma visão de seu modo de ser, da natureza da situação e também dos rumos que poderiam dar um sentido positivo à dinâmica da vida.


4. CARACTERÍSTICAS DA PSICOLOGIA HUMANISTA


- Fornece uma ampla perspectiva holística, ou seja, caracteriza-se por ver a pessoa como um todo, numa base global. Cada um dos aspectos possui a mesma relevância. Os pensamentos, o corpo, as emoções e o lado espiritual. Estes aspectos estão inter-relacionados e se confluem mutuamente. Eles são a principal via pela qual o indivíduo encontra a si mesmo.

- A existência humana ocorre em um contexto interpessoal, portanto, é muito importante e necessário o relacionamento com os outros, levando em conta o contexto que é produzido, para o desenvolvimento individual do ser humano.

- As pessoas possuem a capacidade de fazer as suas próprias escolhas, de responsabilizar-se e de proceder para um desenvolvimento e implantação do seu próprio potencial.

- Promove e facilita o desenvolvimento pessoal. O psicólogo serve como uma ferramenta para que a pessoa, através de recursos próprios, possa vir a compreender-se e desenvolver-se.

- As pessoas têm uma tendência inata de autorrealização. O ser humano pode confiar na sabedoria dessa parte do seu interior, já toda a cura está em suas próprias respostas. Isto precisa ser entendido, pois não é necessário controlar o ambiente ou controlar as próprias emoções suprimindo-as.

5. CRÍTICAS ENFRENTADAS PELA PERSPECTIVA HUMANISTA

A perspectiva humanista desencadeou uma série de críticas, nos seguintes aspectos:

Conceitos supostamente vagos e subjetivos, quando Maslow define pessoas autorrealizadas como francas, espontâneas, afetuosas, com autoaceitação e produtivas. Os críticos mostraram que, se o perfil do grupo de pessoas analisadas mudasse, provavelmente se obteriam outras características para a autorrealização.

Se opuseram a ideia de Rogers de que a punica pergunta que importa é “Estou vivendo de um modo que é profundamente gratificante para mim e que realmente me expressa? ” (Citado por Wallach & Wallach). Para os críticos, o individualismo incentivado pela psicologia humanista – confiar e agir de acordo com seus próprios sentimentos, ser verdadeiro consigo mesmo, satisfazer a si mesmo – pode levar à satisfação excessiva dos próprios desejos, ao egoísmo, e à erosão de restrições morais. Para compreender melhor a dimensão do individualismo incentivado, imagine você trabalhando num grupo de pessoas que se recusam a realizar qualquer tarefa que não seja satisfatória, ou que não expresse verdadeiramente a sua identidade.

Na contrapartida, os humanistas argumentaram que o primeiro passo para amar os outros, é na verdade, uma autoaceitação segura e não defensiva. De fato, pessoas que se sentem amadas e aceitas, pelo que são e não apenas pelas suas realizações, têm atitudes menos defensivas (Schimel et al., 2001).

Outra acusação feita a Psicologia humanista é que ela não leva em conta a realidade da nossa capacidade humana para o mal, na qual as pessoas são basicamente boas, tudo será resolvido.  A psicologia humanista , dizem os críticos, incentiva a esperança necessária, mas não o realismo igualmente necessário acerca do mal.



REFERÊNCIAS:

MYERS, D.G.; DEWALL, C.N. Psicologia. Rio de Janeiro: Editora “Gen” Grupo

Editorial Nacional, 2017. Pg. 470, 471 e 472 .

MACHADO, Geraldo Magela. Psicologia Humanista. Disponível em: < https://www.infoescola.com/psicologia/psicologia-humanista/ > Acesso: 6 de outubro de 2018.

MARTINS, M.A. Estudos de Psicologia. vol. 26, núm. 1, enero-marzo, 2009, pp. 93-100. Disponível em http://www.redalyc.org/pdf/3953/395335850010.pdf. Acessado em 15 de outubro de 2018.

BLOG A MENTE É MARAVILHOSA. O que é a Psicologia Humanista? Disponível em < https://amenteemaravilhosa.com.br/psicologia-humanista/ > Acesso em: 13 de outubro de 2018.