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segunda-feira, 20 de julho de 2020

Atena, Hermes e Dionisio - Aula 11 - Mitologia Grega e Psicologia Analítica


  • Hermes do grego Hermês, personifica o deus da comunicação, do ligar e desligar, do comércio, deus dos pastores e do rebanho, das almas.
  • Aquele que faz a mediação entre os deuses e os homens, criatividade.
Hermes é filho de Zeus e Maia. Logo ao nascer ele já consegue se desligar dos tecidos que envolviam o corpo da criança, o que um bebê não teria. Ele tem a capacidade de quebrar a lógica, paradigmas, aquilo que é considerado o comum, o certo, o lógico. Com isso, possui grandes habilidades em criar estratégias, criar planos. Hermes avista os rebanhos dos gados e quer para ele. Ele rouba os gados e amarra uma folha no rabo do gado, pois a medida que o gado ia andando iam apagando o rastro das pegadas. apolo deu falta das cabeças de gado e reclamou pra Zeus sobre o que tinha acontecido. Ele soube que Hermes teria roubado as cabeças de gado, que Apolo estaria tomando conta por uma punição. Zeus pergunta a Hermes se havia roubado e ele mente para Zeus dizendo que não roubou. Ele diz a Hermes para devolver as cabeças de gado e pede ao filho que nunca mais iria mentir. Ele devolve, promete que não vai emitir mas diz que não vai contar a verdade por inteiro.

O Tricster é o arquétipo do trapaceiro, promove  a quebra da logica, a ampliação da consciente, que acontece a partir de algo novo, contraditório, que possui um aspecto que deve ser rejeitado, desprezado e Hermes traz essa dinâmica consigo.

Na psicoterapia é necessário mediação no processo, na saúde, na saúde mental. o que envolve a capacidade de olhar para os opostos, o que é muito comum com aqueles que lidam com as coisas da psique. As coisas nem sempre são óbvias e lógicas, que as coisas precisam ser desse jeito ou daquele jeito. Na verdade é isso e aquilo e é preciso encontrar o meio de conviver com essas duas  realidades, e descobrir aquilo que ainda está oculto, subliminar, quando toda a verdade ainda não tiver sido revelada pelo cliente. É quando hermes fala que não é obrigado a dizer toda a verdade.

Ele quando nasceu Hermes criou a Lira a partir do casco de um tartaruga.Apolo ficou encantado com o som e da criação da lira. Isso traz a compensação do lado inferior de Apolo, que tem muita dificuldade de entrar em contato com a função sentimentos. Não sabia lidar com os pró´rios afetos e emoções, sobretudo, quando era contrariado. Tocado pelo som da lira, ele propôs a Hermes trocar as cabeças de gado com a lira. Com isso, Apolo começa a integrar os aspectos que estavam renegados ao seu inconsciente a partir do som da lira. Hermes carrega um caduceu, que pertencia a Apolo, e que foi trocado por uma flauta também criada por Hermes.

A capacidade de olhar para os opostos temos alteridade, que é a capacidade empática de me colocar no lugar do outro de maneira genuína, sentindo o que ele sente, percebendo as mesmas necessidades, não dizendo o que eu acho que é bom para ele. Quando dizemos o que achamos, sugerimos a partir de nosso narcisismo, de nossa visão de mundo.

Todos os deuses e deusas têm aspectos positivos e negativos. hermes tem a capacidade de fazer conexões, trazer coisas novas, quebrar paradigmas, sendo tão maleável, que não liga muito para as coisas, certas, as coisas que possuem regras, e acabar caindo no desvio do caminho reto, da corrupção, não cumprindo leis. Escândalos por desvios de toda ordem, política, sexual, moral. deve-se aí tem cuidado com a identificação inconsciente com esse padrão arquetípico.

Certa vez um palhaço veio a falecer e deixou algumas instruções certinhas para que seus companheiros seguissem no dia do seu enterro. pegaram o caixão e saíram andando, tiraram o corpo do caixão, num ambiente de comoção, e foram pro alto de um telhado. ambiente de sofrimento, dor e tristeza. No alto do telhado fizeram balança do corpo e jogaram o corpo do outro lado. Os palhaços com isso, queriam mostrar aquelas pessoas que não deviam levar a vida tão a serio, pois todos morrem. Isso motivou questionamentos a respeito dos padrões, o que é muito comum entre os adolescentes, que tem esse comportamento questionador. Mas quando na vida adulta, nos tornamos um questionador, enquanto estilo de vida, acabamos com dificuldade de seguir regras, normas, leis, rotinas, o que precisa ser respeito e seguido para se viver em sociedade.

Esse padrão de comportamento aparece muito nas psicoterapias, em que o adulto se comporta como um eterno adolescente, não cresce nunca. Sempre terá dificuldades com normas e valores, questionando sempre, tudo, todos,  não compreendendo as hierarquias, as normas e as regras.


  • ATENÁ do grego Athenâ, personifica a Grande Mãe.
  • Protetora da Pólis, sustentação das normas, medida, estratégia, justiça, filha do pai, deusa virgem, cultura e arte, democracia.
Atená  é aquela que é a filha do pai, nasce da cabeça de Zeus. A mãe de Atená é uma deusa sábia, deusa Nétis, e havia um profecia que dizia que o próximo filho que Zeus tivesse iria destroná-lo. Porém, Zeus se recusava a deixar seu cargo. Com isso, Zeus para impedir essa realidade, ele faz uma brincadeira a Nétis dizendo: duvido que você se transforme em um animal muito pequeno. Com isso Zeus começou a ter dores de cabeça, pediu ajuda a Hefesto, que pegou o machado e deu na cabeça de Zeus, e saiu Atená a deusa da sabedoria. Zeus ficou encantado com a filha que acabara de nascer de sua cabeça. 

No senso comum, observamos que certas filhas tem tudo a ver com a maneira de pensar do pai, da forma de ver a vida, relações calorosas, próximas, porém, essas filhas em alguns momentos, quando tem uma identificação inconsciente com a imagem arquetípica com Atená, vão ter muita dificuldade de relacionamento com outros homens. E Zeus pede a Atená que não tenha nenhum marido e ela atende ao pedido do pai. Acaba desenvolvendo o intelectual, acabam desenvolvendo a carreira, negócios, estudos, mas a vida afetiva, amorosa, pode acabar com problemas. Atená tem um predileção de estar com os homens, e o relacionamento com outras mulheres pode ficar complicado, pois tem um comportamento muito masculino. Sendo assim,  na psicoterapia, precisa ser olhado, esse lado mais sombrio, de expor sentimentos, do feminino, etc. Aspectos relacionados a ser frágil, demonstrar seus sentimentos talvez estejam por traz do ecudo de atená,

Atená ajuda Perseu a cortar a cabeça da medusa, que era uma mulher linda, maravilhosa que estava sendo perseguida por Poseidon. Medusa buscou o refúgio e socorro dentro do templo de Atená, que acabou ficando enojada por ela ter ido lá buscar socorro. Com isso, Medusa foi violentada dentro do templo de Atená, que pune Medusa transformando-a num mostro que petrifica as pessoas toda vez que alguém olhava para Medusa.

Isso mostra o que Atená faz com tudo o que envolve relacionamento, seja punido. Para ela se Medusa não tivesse entrado no templo dela, este não seria profanado. Ela não entende que Medusa na verdade foi violentada, sendo perseguida por Poseidon. Ela culpa e pune somente a mulher. Precisa ter um senso de justiça, de coerência, ao olhar para os fatos. Ela tem horror a relacionamento, a paixão, pois para isso, é preciso que ela baixe o escudo e abra espaço de intimidade para troca. Capacidade de tirar a persona no momento da intimidade.

Na sua busca pela górgona medusa, Perseu teve ajuda de Atená que lhe emprestou o cavalo alado Pergaso, teve as sandálias de Hermes para voar, o capacete de Ades que o tornaria invisível e a espada de Apolo. Com essas armas, o humano, o herói que nas céu da concepção entre o sagrado e o mortal, que tem a integração dos opostos em si, traz o aspecto simbólico da consciência e do inconsciente . Um ego que se submete ao caminho da individuação, dos desígnios propostos pelo self. quando o ego se abre para essa derrota moral, que diz não ter a capacidade moral, os aspectos compensatórios inconsciente poderá vir a seu favor. Com a ajuda dos deuses Perseu derrotou a medusa, olhou para os aspectos do monstro terrível, e assim verificou onde ela estava, fazendo uma manobra e cortando a cabeça da medusa, petrificando-a, e acabou se casando com a donzela Andrômeda. Levou a cabeça da medusa para Atená e colocou a cabeça da medusa em seu escudo, por isso ela passa uma visão terrível da sua imagem, correndo risco de ficar petrificado, rígido. É preciso ter a noção dos opostos  para não ficar paralisado.


  • Dionísio, do grego Diónysos, "estar em transe, ser tomado de um delírio sagrado", apreço pela experiência sensorial, intensidade passional, sexualidade, dança, teatro, agricultura, natureza, deus do vinho.
Ao olhar para a expressão êxtase e entusiasmos, pode-se pensar que acaba sendo a mesma coisa. Porém não é. Êxtase é um estado em que a consciência se rebaixa, o ego já não está tão presente, não sendo aquele que rege o comportamento. E os aspectos mais inconscientes ficam presente. E o entusiasmo é o deus que vem habitar dentro da gente. O texto bíblico diz que o cristão é templo do espírito santo. Ao olhar o aspecto dionisíaco que é o êxtase,  você sai de si e vem para dentro de você o deus. A expressão Namastê, diz que "o deus que habita em mim, saúda o deus que habita em você", que representa e reconhece o divino e o sagrado que habita cada um. Todas as concepções falam a mesma coisa, que existe um lado inconsciente que merece a devida importância, que deve ser reverenciado.

Dionísio nasce da relação entre Zeus e Sêmeni, que era uma mortal. Relacionamento fora do casamento, Hera perseguiu ambos também.  Hera vai até Sêmeni,  metamorfoseada numa velhinha acolhedora, prestativa, e conversa com Sêmeni, que na sua ingenuidade acaba falando e comentando sobre Zeus. 

Hera sabia que Zeus não poderia aparecer para uma mortal com todo o seu esplendor de sua glória, pois o mortal vendo o deus nessa situação ele poderia ser aniquilado. É a experiencia que a consciência  pode ter ao entrar em contato com o arquétipo, o ego pode entrar em dissolução uma fragmentação, caracterizado em surto, de esquizofrenia, psicose, problemas graves de saúde mental, pois lidar com o inconsciente é algo que precisa de muita cautela.

Hera convence a Sêmeni a pedir a Zeus para aparecer pra ela como ele aparece para sua esposa Hera. Zeus promete a Sêmeni que vai aparecer no esplendor de sua gloria, e ele olhou para ela e disse: peça qualquer coisa, eu não posso voltar ao meu juramento, e Zeus começou a se transformar, deus dos raios, luz com intensidade sobre uma mortal, virando cinzas Sêmeni.  Junto às cinzas de Sêmeni Zeus observa que ainda havia vida, pois ela estava grávida, havia um feto. Zeus recolhe o feto, coloca no interior de sua coxa, e foi onde ocorreu o resto da gestação de seu filho, deus Dionísio. Foi gestado na coxa de seu pai Zeus.

Hera também perseguia Dionísio,Chamou os Titãs para entreter dionísio quando criança ainda, que começaram a brincar com ele. Os titãs acabaram despedaçando e comeram o deus menino. Traz a ideia de fragmentação da consciência, fragmentação egoica, que foi o que aconteceu com Nietzch que desenvolveu uma esquizofrenia no final de sua vida, trazendo a identificação com o inconsciente, com o lado dionisíaco, em que NIetscz se intitulava como Zagreu, despedaçado, fragmentado. Zeus salvou o filho Dionísio, colhendo seu coração, e a partir daí, ressuscitou o Dionísio.  Zeus fulminou com seus raios os Titâs.
Da mesma forma no cristianismo, aquele que foi rejeitado e foi ressuscitado, traz a redenção para aqueles que rpecisavam de salvação, Dionisio traz a redenção para seu pai zeus que tinha uma postura relacionada ao poder, aprendendoa  acolher o menos, aquele que é considerado inferior, tendo a oportunidade de gerar a ressurreição e a transformação de nossa cosnciencia.

Dionisio reverencia o feminino, acolhe e se casa com Ariádne que ajudou Teseo a enfrentar o minotauro. O fio de Ariádne é o fio condutor que faz com que teseo possa entrar no labirindo e possa aniquilar o monstro e voltar em segurança. Porém, teseo acaba rejeitando Ariadne e Dionísio a acolhe e a transforma a sua esposa, dando muita importância para a ânima. Ele trasnforma sua mãe Semeni em uma deusa, e a ascendo ao Olimpo. Hestia numa postura humilde cede seu lugar a Dionísio, que possui um jeito que acolhe o feminino,  que e desprezado. 

Entre 35-40 anos de idade vamos precisa lidar com nossos aspectos inconscientes que acabamos deixando de lado na metade da vida. O fio condutor de Ariádne sendo aquilo que é rejeitado, chega o momento em que precisa ser olhado e vivenciado diversos aspectos que foram deixados para depois na vida, priorizando outros aspectos no momento.

dionísio é o lado da loucura, passional da intensidade, da sexualidade, deus do vinho trazendo experiências à dissolução da consciência, da fragmentação do Ego, sendo fácil, cairmos nas compulsões, no alcoolismo, disposições sombrias que acabam trazendo sofrimento e destruição para pessoas que vivenciam essas compulsões e não conseguem sair desse comportamento, e apara aqueles que estão ao redor, acabam sendo impactados por esse comportamento dionisíaco destrutivo. daí a importância de não se identificar com esse lado sombrio, olha-lo simultaneamente ao lado Apolino, que o equilibra nas polaridades, buscando aí o equilíbrio. 

Dionísio também traz como hermes o lado adolescente, a dificuldade de respeitar regras, de ter limites, podendo abrir portas para uma série de problemas.  Na psicoterapia não dá para saber qual o limite seguro entre o confronto do inconsciente com as coisas do Ego/ consciência. É importante observar o ego, a consciência que o cliente tem sobre a sua realidade pessoal, verificando aquilo que está em excesso e aquilo que esta faltando para trabalhar na relação entre os opostos de cada um. É a relação entre esses polos que vai determinar a minha saúde mental.


REFERÊNCIAS
Curso extracurricular de Mitologia e Psicologia Analítica
Instituto Freedom
Aula 11 - Atena, Hermes e Dionisio
Prof. Rangel Fabrete

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Capítulo III - O Behaviorismo apresenta o comportamento simplesmente como um conjunto de respostas a estímulos, descrevendo a pessoa como um autômato, um robô, um fantoche ou uma máquina? Nádia Prazeres Pinheiro

É comum nós, analistas do comportamento, escutarmos que a nossa teoria “reduz o homem a uma máquina'’, que afirmamos que todo e qualquer comportamento obedece à lógica estimulo-resposta - o que seria uma afronta aos seres humanos, animais superiores e racionais, dotados de vontade própria e de livre arbítrio. 



“Descartes deu um passo importante ao sugerir que parte da espontaneidade das criaturas vivas era apenas aparente e, que, às vezes, o comportamento podia ser iniciado por uma ação externa” (Skinner, 1998, p.51).







E Skinner vai além... Para responder a esta critica, devemos primeiramente ter claro o que são comportamento reflexo e comportamento operante

No caso do reflexo, os estímulos seriam algum tipo de mudança externa que causaria estimulação orgânica que, por sua vez. provocaria uma resposta orgânica

Suas características são: ser inconsciente, ou seja. ocorre mesmo quando o sujeito não está percebendo; involuntário, ocorre independente da vontade do organismo, não há como controlá-lo ou evitar sua ocorrência por vontade própria e; pode ser previsto com grande precisão, considerando que, na presença do estímulo, a resposta sempre ocorrerá (Skinner, 1998)

São exemplos de comportamento reflexo, os casos da contração pupilar frente a um estimulo luminoso, da salivação frente a um prato de comida aparentemente apetitoso e do piscar quando algum objeto é passado na frente de nosso rosto ou olhos

"Os reflexos são produtos da seleção natural. Invariavelmente parecem estar envolvidos na manutenção da saúde e na promoção da sobrevivência e da reprodução” (Baum. 1999. p. 72). 

Os padrões de comportamentos reflexos são comuns a todos os membros de uma espécie e. por isso. podemos dizer que estão relacionados com a filogênese. Tais padrões começaram a se modificar e a evoluir na medida em que o organismo precisava se adaptar às mudanças do meio, já que. “só o processo evolutivo pode fornecer um mecanismo, pelo qual o indivíduo possa adquirir respostas a configurações particulares de um dado ambiente’' (Skinner, 1998. p. 60). 

Ora, se o ambiente no qual os organismos estavam inseridos sofreram modificações, eles, os organismos, também precisariam evoluir para permitir a sua sobrevivência e a manutenção de sua espécie. 

Os camaleões, por exemplo, quando em contato com um estimulo de perigo, mudam sua cor para se esconderem e serem confundidos com o seu esconderijo. Se isso não ocorresse, se esse reflexo não estivesse presente nesse animal, ele seria presa fácil e sua espécie poderia estar extinta. 

Da mesma maneira nós, os seres humanos, quando lacrimejamos para expulsar uma partícula de poeira é uma questão de sobrevivência para manutenção da espécie (Skinner, 1998). 

Se todos os nossos comportamentos se restringissem aos reflexos, poderíamos ser comparados às máquinas, pois nossos comportamentos sempre corresponderiam à relação causa e efeito. Entretanto, como afirma Skinner (1998). “A maior parte do comportamento do organismo intacto não está sob esse tipo de controle primário” (p. 54); a maioria dos nossos comportamentos são operantes. 

O comportamento denominado operante é aquele que opera sobre o meio, produzindo modificações no ambiente físico (natural) e no ambiente social (homens) (Skinner, 1998). Este comportamento é explicado pelo paradigma da tríplice contingência:

 S* - R - Sr. 
  • Onde Sd é o estimulo discriminativo.
  • R é a resposta 
  • Sr é o estímulo reforçador. 

Explicando cada um: Sd é um estimulo que sinaliza a possibilidade de reforçamento. Distinguindo-se do estimulo antecedente do reflexo, ele “não elicia a resposta, simplesmente altera sua probabilidade de ocorrência” (Skinner, 1998. p. 122). Com isso, pode-se concluir o porquê de não falarmos de certezas, e sim de probabilidades em comportamentos operantes, e que, portanto, não somos seres autômatos pois as respostas automáticas não são maioria em nosso repertório comportamental

Assim, podemos alterar a probabilidade de emissão de uma resposta modificando o estimulo discriminativo com o qual o organismo entrará em contato (Skinner, 1998). R é a resposta, a ação em si mesma. E S' é um estimulo conseqüente à resposta que determina a futura freqüência de emissão da mesma (Skinner, 1998). 

Quando a conseqüência é um Sr. a resposta tem uma maior probabilidade de voltar a acontecer, se não for reforçadora, ela (a resposta) terá sua probabilidade de ocorrência diminuída. Deste modo. o reforço cumpre a função de fortalecer uma determinada resposta e aumentar a eficiência da mesma: e é por isso que dizemos que o comportamento é selecionado pelas suas conseqüências, elas "podem retroagir sobre o organismo” (Skinner. 1998, p. 65).

 Ilustrando o paradigma operante. podemos recorrer ao comportamento de lavar as mãos quando estas estão sujas. Neste caso o Sc é "as mãos sujas”, R é “lavar as mãos” e Sr é “ter as mãos limpas”. 

Assim, toda vez que estiver frente ao estímulo mãos sujas, a probabilidade de lavar as mãos é maior do que a de qualquer outra resposta, visto que tal resposta foi anteriormente reforçada. 

“A história de reforçamento é que determina os efeitos de um evento atual, as conseqüências recebidas no passado alteraram o organismo de forma a ele agir de uma dada maneira frente a um evento” (Micbeletto, 1997, p. 127).

A esta história que é construída ao longo da vida dos indivíduos e que consiste, na verdade, na aquisição de repertórios comportamentais por meio [principalmente] do condicionamento operante chamamos ontogênese.

Desta forma, a ontogênese diz respeito à história particular de cada indivíduo, na medida em que todo homem interage com o ambiente de maneira singular. Sendo o comportamento operante uma parte da ontogênese, talvez a maior parte dela (Costa, 1996, p. 7-8).

Desde esse nível de determinação podemos perceber o quão único é o ser humano (tema que será abordado no capitulo XIV), ninguém vai ter os mesmos comportamentos (mesmo que sejam topograficamente semelhantes, não o serão funcionalmente) de outra pessoa. 

Haverá sempre algo de novo,o que dará a dimensão de que não podemos ser máquinas - estas são pré-programadas: nós não. estamos em constantes mudanças (cf. Micheletto. 1997). 

Partindo da própria definição de operante como o comportamento que é selecionado por suas conseqüências, já é possível refutar a crítica de que a concepção de comportamento adotada por Skinner obedece a uma lógica mecanicista. Afinal, não se trata de uma análise causal, na qual se busca uma causa para um efeito. 

Nas palavras de Skinner (1998), os "termos 'causa' e 'efeito': já não são usados em larga escala na ciência. Uma “causa" vem a ser “uma mudança em uma variável independente" e um “efeito" uma “mudança em uma variável dependente''. A antiga “relação de causa c efeito" transforma-se em uma "relação funcional". Os novos termos não sugerem como uma causa produz o seu efeito, meramente afirmam que eventos diferentes tendem a ocorrer ao mesmo tempo, em uma certa ordem (p. 24).

Uma análise funcional avalia contingências e estas são definidas como “relações de dependência entre eventos. Elas prescrevem a probabilidade de ocorrência de um dado evento em função da ocorrência de um outro evento” (Barros, 19%. p. 8). Retomando o modelo de seleção por conseqüência, como foi visto no capitulo anterior, o comportamento humano também é controlado pela cultura, como enfatiza Skinner (2002),

Podemos atribuir uma pequena parte do comportamento humano (...) à seleção natural e à evolução das espécies, uma parte do comportamento humano deve ser atribuída a contingências de reforçamento, especialmente às contingências sociais verdadeiramente complexas a que chamamos cultura (p. 41).

E complementa: o homem “se encontra controlado por seu ambiente, porém não devemos esquecer que é um ambiente, construido em grande parte pelo próprio homem” (Skinner, 1983a. p. 160). Isso quer dizer que o homem é controlado pelo próprio homem: é a sociedade, a nossa própria comunidade, que seleciona os comportamentos que devem ser emitidos

E mais. como disse Micheletto (1997). tenho meu comportamento reforçado pelo sucesso do meu próprio comportamento, somos “agentes controlados pelo efeito de nossa própria ação” (p. 118). Logo, sou fantoche de mim mesmo? 

Com certeza não! Nem fantoche do ambiente, nem fantoche de si mesmo, pois a noção de comportamento implica relação. Todos os comportamentos têm uma história. A história de reforçamento de cada um de nós. as nossas historias de vida, inseridos em uma determinada sociedade. E é dependendo de como e quando os indivíduos desta sociedade nos oferecem reforçadores ou punidores que poderemos nos comportar em um determinado contexto. Dizer que o comportamento humano é controlado por eventos externos não significa dizer que o homem é um autômato, um robô. um fantoche ou uma máquina.


domingo, 15 de setembro de 2019

Capitulo II - O Behaviorismo negligencia dons inatos e argumenta que todo comportamento é adquirido durante a vida do indivíduo? Lívia Fernanda Ferreira Ferraz

A critica parece estar enfocando duas questões: 

1) todo comportamento, para um behaviorista radical, é um fenômeno aprendido durante a ontogênese 
2 ) o behaviorista, então, não acredita na possibilidade de alguns indivíduos nascerem com aptidões, por exemplo, para dança, música. literatura etc. 

Em relação à primeira questão, pode-se argumentar que não é verdadeira na medida em que Skinner explica os comportamentos a partir do modelo de seleção por conseqüências, que é constituído por três níveis de determinação (Andery, 1993). 

No primeiro nívelinfluenciado pela teoria darwinista. Skinner postula que existem respostas que são selecionadas pelas contingências de seleção natural, ou melhor, selecionadas filogenicamente. Deste processo surgiram os comportamentos ou dons inatos. eventos que foram selecionados a partir da evolução das espécies (Andery. 1993). 

“A corte, o acasalamento, a construção de ninhos e os cuidados com as crias são coisas que os organismos fazem e. mais uma vez. presume-se que fazem por causa da maneira porque evoluíram’’ (Skinner, 2003, p. 34). 

É importante ressaltar que os comportamentos selecionados por contingências de seleção filogenética permitem a interação da espécie humana com o mundo, garantindo sua sobrevivência (Andery, 1993). Sobre isto afirma Skinner (1998), Estas vantagens biológicas explicam certos reflexos em um sentido evolutivo: os indivíduos que provavelmente mais se comportarem de maneira semelhante. presumivelmente tiveram maiores probabilidades de sobreviver e transmitir a característica adaptativa ã prole (p.60). Mas a explicação Skinneriana para a aquisição dos comportamentos não se restringe ao primeiro nível de seleção. 

segundo nível opera sobre o conjunto de respostas no decorrer do período de vida de um indivíduo e o terceiro ocorre à medida que o comportamento é transmitido entre indivíduos (Andery, 1993). 

explicação de comportamentos adquiridos durante a história particular do indivíduo vem do segundo nível de seleção por conseqüência, postulado por Skinner - a ontogénese. Neste processo, a seleção opera sobre o comportamento (ação) do indivíduoO organismo se comporta gerando conseqüências, que por sua vez. controlarão a emissão do comportamento no futuro.

Skinner (1998) em seu livro Ciência e Comportamento Humano afirma: “As conseqüências do comportamento podem retroagir sobre o organismo. Quando isso acontece, podem alterar a probabilidade de o comportamento ocorrer novamente” (p. 65). Segundo Skinner (1998). o aumento na probabilidade de ocorrência do comportamento está relacionado cora a atuação de reforçadores, que por sua vez. funcionam como instrumento de seleção. 

Quando temos de considerar o comportamento do organismo em toda sua complexidade da vida diária, necessitamos estar constantemente alertas para os reforços que prevalecem e que mantém o comportamento” (Skinner, 1998, p. 109). Isto quer dizer que, durante a vida do indivíduo, existem comportamentos que são fortalecidos por suas conseqüências, ou seja. são instalados e mantidos no repertório comportamental do indivíduo mediante a ação de reforços (Skinner, 2003). 

Além dos comportamentos inatos e dos comportamentos adquiridos pela ação do reforço sobre o comportamento do indivíduo, existem também repertórios comportamentais instalados e mantidos pelas práticas culturais (Andery, 1993; Skinner. 1998). Trata-se do terceiro nível de seleção por conseqüência, a cultura, que segundo Skinner (1998) vem a ser “um conjunto particular de condições no qual um grande número de pessoas se desenvolve e vive” (p. 468). Este grupo ou este conjunto de contingências sociais dispõe de costumes e relações que nunca foram experimentadas ou vistas pelo indivíduo, porém são eventos que o afetam, permitindo a aquisição de comportamentos, seja em nível privado (pensamentos e sentimentos) como também públicos, como, por exemplo, o manuseio de objetos e aprendizagem de habilidades sociais (Andery, 1993; Skinner, 1998). 

Vimos, portanto, que Skinner, respaldado pelo modelo de seleção por conseqüências. não explica a aquisição dos comportamentos partindo somente da história de vida particular do indivíduo, incluindo em sua análise tanto conseqüências filogenéticas quanto culturais. 

E no que se refere à negligência aos dons inatos? Skinner, na verdade, não negligencia aspectos inatos. Ele nega a existência de “dons”, equivalendo a comportamentos que independem da relação que cada pessoa estabelece com seu ambiente.

Para Skinner, como visto no primeiro nível de seleção, existem comportamentos os quais a espécie já traz em função de sua história filogenética. Deste modo, dons inatos são os que dizem respeito a aspectos genéticos, se referindo apenas a características anatômicas e atividades fisiológicas (respiração e digestão) presentes na espécie humana, como também comportamentos reflexos (Skinner, 2003).

Isso significa que. embora Skinner não desconsidere comportamentos inatos, ele não aceita a existência de dons inatos no sentido de aptidões que explicariam comportamentos como os de cantar, escrever, jogar futebol - a noção de que “a pessoa nasceu para isto”. É correto, então, afirmar que, para Skinner, não existem dons inatos que determinam comportamentos operantes, supondo que tais dons explicariam completamente o surgimento de alguns comportamentos. Concluindo, talvez em função de Skinner dar mais ênfase à história pessoal, e principalmente ao papel da cultura na instalação e manutenção dos comportamentos, é que se pense que Skinner negligencia o que é inato. No entanto, espera-se que os argumentos apresentados sejam suficientes para que a critica possa ser revista. 

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Modo Causal por Consequências de Skinner - Aula 10/09/19




Esse modo causal por consequência explica, como vai se explicar o comportamento.
  • O homem é tido como palco das interações, deixando de ser o centro desse palco.
  • Skinner fala que não existe livre-arbítrio, porque ninguém é livre para fazer o que quer, como quer, na hora que quer, e do jeito que se quer.
  • Afirma que somos controlados o tempo todo. Não há liberdade com ausência de controle. Toda escolha é feita sob influência de sua história, que vai ditar esse suposto controle. Portanto, são as contingências que te cercam que vão te levar a agir de tal forma.
  • O controle pode ser bom ou ruim, por reforço positivo ou reforço negativo.
  • O analista comportamental deve identificar quais controles são esses, a partir do modelo de Condicionamento Operante.
                       S                    -     R                                 -  C
          ESTÍMULO             RESPOSTA                       CONSEQUÊNCIA
          (CONTEXTO)     (COMPORTAMENTO)        (CONDICIONAMENTO OPERANTE)

Ex: Comprei pasteis (R), e gostei muito(C). Essa consequência vai retroagir como (S) Estímulo para que o meu comportamento volte a se repetir. (REFORÇO POSITIVO), pois já que gostei muito, é provável que eu volte a comprar os pastéis.

ORIGEM DO MODELO CAUSAL
  • Pela filogenia, o ambiente seleciona os mais aptos - Darwinismo - Organismos mais adaptados é que sobrevivem. Variações diferentes faz algumas espécies se adaptarem melhor. Nem sempre o mais forte é o que sobrevive. Sobrevive o que se adapta melhor.
  • Skinner traz uma Teoria Individual específica para determinado organismo.
  • Admite a multicausalidade. Não é mecanicista, portanto, não busca uma causa específica para o comportamento.
  • Autoconhecimento é comportamento e o analista pode ajudar o cliente desenvolver esse repertório.
  • FILOGÊNESE - DARWIN - SELEÇÃO NATURAL
  • ONTOGÊNESE - CONDICIONAMENTO OPERANTE - são os fatos, comportamentos que  decidirão quando vai se comportar. 
          Ex: Deve-se dizer:A criança está fazendo birra porque ganhou atenção.
                                             comportamento                              contingência reforçadora
  • O comportamento ocorre, porque já houve o reforço antes. Para mudar um comportamento, preciso mudar as consequências e o contexto em que ele acontece.
CARACTERÍSTICAS DO MODELO DE CONSEQUÊNCIAS
  1. FILOGÊNESE - Aspectos Orgânicos. Comportamentos Inatos com valor de sobrevivência da espécie, trazendo vantagem evolutiva, e por isso, perpetuaram. Exemplo: luz nos olhos, retrai a pupila de qualquer um; comer; beber, etc. Olhar para o todo. História Evolucionária das Espécies. Abrange comportamentos de efeito manada. Ex: se todos começam a correr em uma direção, você acaba correndo também, mesmo sem saber o motivo. O repertório filogenético só é útil se o ambiente permanecer constante. Se muda, pode não ser mais adaptativo. A imitação e modelação filogenética, corresponde  a comportamentos aprendidos e passados de espécie e espécie. Ex.: Passarinho ensina seu filhote a bater asas e voar. Se não houver o modelo ensinado, o comportamento não é aprendido. O Condicionamento respondente pega o reflexo inato, e transfere para estímulos teoricamente, que passam a ser chamados de estímulos condicionados. SUA FALHA é que só serve em ambientes constantes. na transição desta para a Ontogênese ocorre o CR - Comportamento Respondente, onde deixa de ser visto como espécie e passa a ser visto como indivíduo.
  2. ONTOGÊNESE - Aspectos Individuais. Condicionamento Operante do Indivíduo. Está nas diferenças entre os sujeitos, no processo de individuação. Sujeito único. História de aprendizagem do indivíduo. SUA FALHA é admitir as mudanças do ambiente e prepara o indivíduo para se comportar no ambiente pelo condicionamento operante. logo está suscetível ao antagonismo dos comportamentos, exigindo a imediaticidade do reforço, onde o tempo e a qualidade dos reforços interferem no comportamento. Ex: Ganhar 1 sonho de valsa agora ou  1 caixa de chocolate no fim de semana? O comportamento pode ser aprendido através do comportamento dos outros. A seleção ocorre no acaso, deve esperar o acaso ocorrer.
  3. CULTURA - Aspectos Culturais. Sua cultura. Comportamento Verbal, capaz de transmitir mensagem através da linguagem escrita, gestual. Tem como produto o SELF que é autoconhecimento. As pessoas se reconhecem a partir do outro que está inserido em sua própria cultura.  Onde está a inconsciência. Estuda a consciência dos sonhos por que são formas privadas de comportamentos para Skinner. Não considera isso como estudo psíquico e sim como comportamento. Para Skinner o produto desse terceiro nível é a variação que chamou de Self.
DIFERENÇA ENTRE CONDICIONAMENTO OPERANTE E RESPONDENTE

Para ser Operante está sob efeito ou influencia de consequências passadas.
  • Ex: Toda vez que chego perto da coleira(CO), o cachorro vai pra junto achando que vai passear.
Para ser Respondente é preciso haver um reflexo inato envolvido no comportamento.
  • Ex: Toda vez que ouço essa música, fico arrepiado (CR), porque lembro de quando faço sexo com fulana, pois ela sempre coloca essa música.
REFORÇO POSITIVO - Acrescenta alfo positivo e mantém a pessoa se comportando. Produz prazer.
REFORÇO NEGATIVO - Retira algo negativo e mantém também a pessoa se comportando. Produz Alívio.
Ambos aumentam a probabilidade do comportamento ocorrer.

Behaviorismo Metodológico e Behaviorismo Radical - Aula de 03/09/2019 Psicologia Comportamental.

Ambos:

  • Estudam o comportamento por si mesmo.
  • Opõem-se ao Mentalismo
  • Admite o evolucionismo biológico.
  • Adota o determinismo materialístico
  • Usa procedentes objetivos na coleta de dados
  • Rejeita a Introspecção
  • Realiza a experimentação.
Behaviorismo Metodológico - Watson:
  • Realiza testes de hipóteses, com grupo de controle que aprove e compactue da mesma percepção do indivíduo que destoa do grupo.
  • Compara-se o indivíduo com o grupo do qual ele destoa.
  • Observação consensual. alguém precisa validar o que observo.
  • Considera COMPORTAMENTO somente o que todos podem observar igualmente, consensualmente.
  • É mecanicista - Explica o comportamento através do ESTÍMULO(S) - RESPOSTA (R)
  • Admite duas NATUREZAS DO COMPORTAMENTO:

    1. MENTAL - Não nega a existência, mas afirma que não pode estudá-la, pois a subjetividade não é observável.
    2. FÍSICA - Pode estudá-la, tudo que é físico pode ser observado.
  • Influenciado pelo Operacionismo, Positivismo, só vai admitir como comportamento, o que puder ser observado por outras pessoas também.
  • Admite somente a NATUREZA FÍSICA,  por isso, nega a existência da mente, não aceita estudar eventos internos.
Behaviorismo Radical- Skinner:
  • Para analisar o comportamento de "João", é preciso analisar a história de vida dele até o momento presente, em que se observa determinado comportamento.
  • O indivíduo é analisado na sua individualidade e não necessita de consenso entre os observadores. Não precisa que ninguém valide o que o analista observa.
  • Só posso comparar "João" com ele mesmo, a partir de sua história de vida. Não se pode compará-lo com ninguém.
  • É determinista - Explica o comportamento levando em consideração o contexto da história, se atendo á individualidade do sujeito, REFORÇO(R) - CONSEQUÊNCIA (C)
  • 98% do REPERTÓRIO COMPORTAMENTAL é aprendido - CONDICIONAMENTO OPERANTE.
  • Repertório Comportamental inclui pensamentos, sentimentos, o estado que a pessoa está, o que fala, como fala. - TUDO É COMPORTAMENTO.
  • Leva em conta as CONTINGÊNCIAS que levariam a pessoa a se comportar de tal forma.
  • Na condição de REFORÇO(R) - CONSEQUÊNCIA (C), dependendo das consequências que o comportamento tiver, ela vai retroagir sobre o comportamento reforçador, podendo este, se repetir ou não. Se a consequência for positiva, o comportamento tende a se repetir. Se a consequência for negativa, o comportamento tende a se extinguir.
  • Observa o comportamento na interação do indivíduo com o meio ambiente, sua história e sua cultura.
  • AEC - Análise Experimental do Comportamento
  • AAC - Análise Aplicada do Comportamento
  • Também usa  o Estímulo(E) - Resposta (R), porém, com diferentes conceitos:
          ESTÍMULOS ANTECEDENTES - as causas, o que motivou antes do comportamento.
          ESTÍMULOS RESPONDENTES - o que vem após o estímulo antecedente, como resposta.
          ESTÍMULOS CONSEQUENTES - derivado da resposta.
  • Analisa o comportamento à partir de três características, admite portanto, a multicausalidade:
  1. FILOGÊNESE - Aspectos Orgânicos. Comportamentos Inatos com valor de sobrevivência da espécie, trazendo vantagem evolutiva, e por isso, perpetuaram. Exemplo: luz nos olhos, retrai a pupila de qualquer um; comer; beber, etc. Olhar para o todo. História Evolucionária das Espécies.
  2. ONTOGÊNESE - Aspectos Individuais. Condicionamento Operante do Indivíduo. Está nas diferenças entre os sujeitos, no processo de individuação. Sujeito único. História de aprendizagem do indivíduo.
  3. CULTURA - Aspectos Culturais. Sua cultura. Comportamento Verbal, capaz de transmitir mensagem através da linguagem escrita, gestual. Tem como produto o SELF que é autoconhecimento. As pessoas se reconhecem a partir do outro que está inserido em sua própria cultura. 
  • Os aspectos culturais abrangem comportamentos que podem ou não ser reforçados e/ou punidos, por um grupo de pessoas em um ambiente.
  • Não se deve acreditar no comportamento verbal, é preciso buscar as "contingências" para explicar o comportamento que se apresenta hoje, e contextualizar para compreendê-lo.
  • Skinner estuda os eventos internos também, incluindo-os legitimamente dento do campo de estudo da Psicologia, de uma ciência do comportamento.
  • Não admite comportamento sem contexto.
  • O comportamento verbal é o principal meio para se entender o ser humano.
  • CONTINGÊNCIA é: S - R - C (ESTÍMULO ANTECEDENTE-ESTÍMULO RESPONDENTE-ESTÍMULO CONSEQUENTE). Na prática, esse comportamento não ocorre de forma linear assim. Esse modelo é uma análise única, que exclui o ambiente, a história de vida e a cultura do sujeito. 
  • A linha de base para a terapia no behaviorismo Radical é iniciar à partir da história de vida do cliente.
  • O organismo é o palco onde as interações do comportamento-ambiente acontecem.
  • É RADICAL em dois aspectos:
  1. NEGA ABSOLUTAMENTE, RADICALMENTE a existência de algo que escapa ao mundo físico, que não tenha uma existência identificável no espaço e no tempo.(Ex: mente, consciência, cognição), por isso, nega a existência da mente, mas aceita estudar eventos internos.
  2. ACEITA RADICALMENTE, INTEGRALMENTE todos os fenômenos comportamentais.
  • REFORÇO POSITIVO - Espera-se que o comportamento volte a se repetir.
  • REFORÇO NEGATIVO - Espera-se que o comportamento não volte a se repetir.

sábado, 23 de fevereiro de 2019

O homem como ser social - Fichamento

Língua e Linguagem
  • Cada povo se torna sociável na medida em que desenvolve uma língua  que viabilize essa comunicação. 
  • O homem é produtor de cultura, e também, um produto dela.
  • Os processos linguísticos possibilitam as múltiplas diversidade de leituras e de reinterpretação da vida.
  • As diversas formas de linguagens possibilitam que o homem possa interagir com o ambiente, edificar relações sociais, e tornar-se um ser político.
  •  O homem é o principal produtor de cultura já que a comunicação é o principal construtuo da produção da língua e das linguagens.
Concepções de Roland Barthes em relação à língua e seus elementos estruturantes:
  • Vê a linguagem numa visão eminentemente social
  • Entende a linguagem (língua) como expressão de puro poder social a que todos estamos submetidos.
  •  Vê na língua um objeto de submissão e, fatalmente, de alienação, colocando o homem como escravo da língua, já que este tem que se adequar aos padrões.
  • A língua é considerada fascista, já que não é reacionária nem progressista, já que somos obrigado a falar como a língua impõe.

Concepções de Karl Marx e Engels sobre o ser social e sua linguagem

  • Baseia-se na metodologia do materialismo histórico-dialético
  • Argumenta que investigações profundas e honestas da sociabilidade humana deve-se partir dos "indivíduos reais, sua ação e suas condições materiais da vida, tanto aquelas por eles já encontradas, como as produzidas por sua própria ação." (MARX & ENGELS, 1987:26)
  • Marx afirma que as diversas formas de expressão da linguagem, repercutem diretamente a partir das relações entre os homens.
  • O representar, o pensar e o intercambio espiritual dos homens decorem de seu comportamento material. Portanto, a linguagem em si, autônoma não existe, é sempre ela uma emanação da consciência e as condições materiais de seu desenvolvimento.,
  • Para Marx a linguagem nasce do processo histórico de criação e reprodução da vida;
  • Na medida em que se altera a base material de uma sociedade, pode-se alterar os diversos modos de representação da linguagem, tida como instrumento de simbolização e comunicação entre os seres humanos.
  • Para Marx, a linguagem é a consciência real, e nasce como a consciência, da carência e da necessidade e de intercâmbio com outros homens, portanto, a linguagem surge da interação social dos homens;
  • A linguagem representa o que há na consciência dos homens. Mediadora Universal nos diversos tipos de relações, sofre influência do meio em que vivem.
  • O aumento da população e a elevação das necessidades materiais dos indivíduos contribuem para o desenvolvimento de aspectos conscientes e linguísticos dos seres humanos.
  • A consciência permite a modificação da linguagem, bem como sua elaboração como síntese social.
Concepções de Nietzsche sobre o ser social e sua linguagem
  • Linguagem como caminho onde os seres humanos começam a pensar o mundo, porta de entrada para o conjunto de todos os problemas.
  • A linguagem possibilitou que o homem, ao se considerar acima de todos os animais, levasse à crença de que os seus conceitos sobre todas as coisas eram verdades eternas. "o homem pensava ter efetivamente através da linguagem o conhecimento do mundo.
  • Linguagem possibilitou dar significados a diferentes coisas, gerando o equívoco da crença na verdade encontrada.
  • Desenvolvimento da razão eleva a importância da linguagem, para construção da ciência.
  • As verdades passam a ser estipuladas e fixadas pela linguagem quando se deu o movimento do Estado de abandonar as práticas nômades e sair doe estado de guerra, criando as convenções e o contrato social.
  • Surge o contraste de verdade e mentira na linguagem.
  • A linguagem edificou uma ordenação piramidal de castas e graus, criou um mundo de leis, privilégios, subordinações, limites, etc., dando a linguagem a qualidade de onipotente.
  • A linguagem passou a ser utilizada para demonstrar a verdade, e também as mentiras. Logo, conclui que é impossível o homem alcançar a verdade, já a linguagem permite as manipulação.
  • Para Nietz deve-se aceitar a verdade descoberta como um simples processo, no qual se repete as mesmas ideias, portanto, as verdades são apenas diferentes formas de apresentação linguísticas.
  • A linguagem é algo subjetivo e as diferentes formas linguísticas inviabiliza a verdade.
Minha própria concepção sobre o ser social e sua linguagem
  • A língua e as linguagens são os meios pelos quais torna possível o homem enquanto ser social, acertar o caminho para o exercício das relações interpessoais, que permite uma convivência social possível.
  • É através da língua que o homem se expressa e consegue comunicar seus pensamentos, sentimentos e atitudes.
  • A linguagem teve papel importantíssimo no desenvolvimento das sociedades, como meio de se estabelecer regras e encaminhar o homem para um convívio racional.
  • As linguagens tem importância ou funcionalidade,  na medida em que há a  necessidade de se convencionar as coisas, a fim de manter um funcionalidade social capaz de viabilizar as relações de convivência com o crescimento das populações.
  • As condições sociais do homem influencia a sua forma de linguagem sim, já que o acesso aos meios que possibilitam o desenvolvimento intelectual não são os mesmos para todas as classes.
  • As condições regionais influenciam a linguagem de seu povo, produzindo uma cultura local.
  • A medida em que vai se tomando consciência, a linguagem vai se modernizando e se adaptando à realidade atual. 
  • A linguagem e as diferentes línguas são o único meio que possibilita a convivência civilizada entre homens e países de diferentes culturas, permitindo uma interlocução racionalista que expresse seus respectivos valores, e portanto, suas próprias culturas.

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

As ideias psicológicas no Brasil nos seculos XVII e XVIII - Marina Massimi

EXPERIÊNCIAS E POSIÇÕES VIVIDAS POR INTELECTUAIS BRASILEIROS ENTRE O SÉCULO XVII E OS INÍCIOS DO SÉCULO XIX.

  • Jovens brasileiros, membros de famílias mais abastecidas, realizaram seus estudos no exterior, tendo como consequência, a impossibilidade de conseguir modalidades de formação do intelectual integradas às condições e peculiaridades da realidade nacional, estimulando assim, o individualismo dos pensadores.
  • Dentro de um contexto totalmente hostil e marcado pela desigualdade social, esses pensadores afirmavam a dignidade cultural de sua posição:
          a) a capacidade intelectual é um dom da natureza humana e não fruto de circunstâncias econômicas, sociais e políticas favoráveis. ( Feliciano Joaquim de Souza Nunes)
          b) as letras parece que têm mais fortuna quando estão separadas do lugar em que nasceram. (Matias Aires Ramos da Silva)
          c) Escrevi das vaidades mais para instrução minha, que para doutrina dos outros.(Matias Aires Ramos da Silva) 


IDEIAS PSICOLÓGICAS  EMERGENTES NESSE CONTEXTO DA INDIVIDUALIDADE, DISPERSÃO E ISOLAMENTO DOS PENSADORES BRASILEIROS.

  • A vida é concebida como um fluxo constante  de partes asa vezes antagônicas, onde a beleza faz pressentir a decadência; a alegria contém em si o gérmen da tristeza; há firmeza na inconstância.
  • ênfase na mobilidade do homem da experiência humana.
  • A metáfora do peregrino (Jesuíta Gusmão) tem como objeto a peregrinação protagonista, num contexto real das terras brasileiras, num percurso de Salvador a Minas Gerais, até chegar em Pernambuco. 
  • A teoria hipocrático-galena dos temperamentos, o homem é considerado um composto de humores a partir dos quatro elementos: água, terra, ar e fogo, no qual o excesso de um desses humores resultaria nas enfermidades.
  • Havia um consciência de uma certa relatividades de valores e fatos humanos.
  • A própria verdade era submetida às mudanças dos afetos e das circunstâncias.
  • O livro "Política Indiana" de Juan de Solorzano Pereira, retrata a questão indígena, fazendo apologias a colonização portuguesa, os quais apontam a raça indígena como uma encarnação de uma condição humana primitiva que deveria ser superada pelo esforço civilizatório. O indígena não era compreendido no contexto de sua própria cultura.
  • Em relação a natureza moral e religiosa afirmavam que as suas ações os distinguiam; que a sabedoria é a primeira e melhor riqueza.
  • Cada um deve estar submetido à imutável ordem hierárquica das coisas, como se providência divina tivesse colocado cada um seu lugar e que ali deveriam permanecer/aceitação
  • Nunes propõe uma visão de mundo marcada pelo pessimismo.
  • havia a refutação da crença na inferioridade mental das mulheres em relação aos homens
  • A vida do indivíduo e da sociedade é submetida à condição de debilidade e de instabilidade.
  • O conhecimento humano é marcado pela experiência do limite, favorecendo a percepção humana, onde predomina a vaidade sobre a própria intelectualidade, como objeto de desejo que produz diversos conflitos entre o eu (o que você acha que é) e o self ( o que de fato você é).
  • A vaidade aponta para a fragilidade e a limitação da própria razão humana, já que está presa à dinâmica das razões. Condição psicológica essencial para o advento do capitalismo.
  • Há uma desconfiança acerca da razão, enfatizando as paixões, trazendo uma aparência, o sentido da incerteza e da instabilidade, características inevitáveis e inerentes à subjetividade humana.
  • A dimensão psicológica interior do homem passa a ser vista como o refúgio precário e passageiro do indivíduo perante o absolutismo do poder e a desordem da sociedade.
  • Francisco Mello Franco propõe uma sorte e Psicologia médica inspirada nas teorias do iluminismo francês.
  • Afirma-se que o estado físico do corpo tem grande influência nas operações da alma.
  • O funcionamento do organismo se dá pelas leis da natureza. 
  • A saúde do corpo psicossomático é definida pelo equilíbrio e regulação, atingindo a harmonia da máquina corporal cujo efeito é o bem estar psicológico.
  • Analogia entre a medicina do corpo e a medicina do espírito.
  • A experiência mostra que muitos pecados do corpo tem sua origem em doenças particulares do corpo.
SÉCULO XIX - NOVA FASE DA CULTURA BRASILEIRA QUE DIZ RESPEITO A CONCEPÇÃO DO HOMEM E DO SEU PSIQUISMO.

José Bonifácio de Andrada e Silva apresenta um plano de colonização dos índios, através de um processo de aculturação, no qual se dispõe primeiro a conhecer o que são, para depois achar os meios de convertê-los.

Nasce o mecanicismo com a teoria acerca do homem no estado selvagem, sobre os quais se identifica a ausência de necessidades próprias do homem civilizado, que estimulam o trabalho e a atividade.

Bonifácio acreditava que o que diferenciava o selvagem do civilizado era  a ausência daquele tipo de racionalidade característica do espírito científico europeu. Para ele, a sensibilidade do índio era interpretada como puro produto do instinto, já que as paixões não poderiam ser satisfeitas cabalmente sem a reunião de novos braços e vontades as que obrigavam os selvagens a reunir-se  em tais quais aldeias.

A civilização sendo entendida como modelos a ser realizado, é necessário definir a estratégia pra sua concretização, através da criação de métodos e meios que possibilitassem a pronta e sucessiva civilização dos índios. Os meios de civilização propostos por Bonifácio, com clara significação psicológica:

  •  introdução do conceito de propriedade individual, já que a cultura indígena é comunitária.
  • introjeção da inferioridade cultura através de gestos e rituais voltados à induzir nos nativos ideias de poder, sabedoria e riqueza.
  • educação das crianças
  • inculcar nos adultos o princípio incontestável de que se deve permitir o que não se pode mudar.(forma de manipulação)
  • introdução do hábito do trabalho regular, para ganhar seu sustento.
Adapta-los a um novo estilo de vida com novas necessidades, forma de se vestir diferentes, casas mais confortáveis e higiênicas.

Com isso, segundo Dante Morais Leite, ocorre uma manipulação dos traços psicológicos, na construção de teorias e conceitos ao definir características coletivas do povo brasileiro.

Bonifácio retrata o brasileiro como entusiasta do belo, amigos da liberdade e da justiça, ignorantes por falta de instrução, mas cheios de talentos e apaixonados por sexo.

Percorrer a historia das ideias psicológicas ao longo da cultura brasileira evidencia que  muitos dos conceitos utilizados pela Psicologia moderna possuem raízes no passado.  Os laços do passado com a realidade moderna seria o caminho para realizar uma proximidade maior entre o saber e a competência profissional do psicólogo e a realidade brasileira.

Um psicólogo enraizado em sua cultura e sociedade, é um agente de transformação social e não de normalização. 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
História da Psicologia no Brasil: Novos Estudos - Marian Massimi
Cap. III - As ideias Psicológicas no Brasil nos séculos XVII e XVIII.

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

II-AS IDEIAS PSICOLÓGICAS NA PRODUÇÃO CULTURAL DA COMPANHIA DE JESUS NO BRASIL DO SÉCULO XVI E XVII - Resenha Crítica


REFERÊNCIA:
Em “As ideias psicológicas na produção cultural da companhia de Jesus no Brasil do século XVI e XVII”, do livro História da Psicologia no Brasil: Novos Estudos, de autoria de Marina Massimi, retrata a importância da cultura luso-brasileira para a Psicologia, desde a influência colonial evidenciando diferentes grupos ou realidades culturais que representam, expressam ou transmitem determinados modelos culturais. Trata-se de um texto sobre as influências dos jesuítas sobre o povo indígena, após assumirem o Brasil em missão de catequese, que irão corroborar para a história das ideias psicológicas.
RESENHA CRÍTICA:
O texto revela que os jesuítas, ao assumirem o Brasil com a missão de levar ideias, sonhos e desilusões, riquezas e contradições do Velho mundo, para o Brasil recém-descoberto. Contudo, pode-se observar que surgia a partir de então um poder imposto pelos recém-chegados, sobre a formação cultural local, sem a preocupação da aceitação por parte do povo nativo, que tem sua cultura potencialmente agredida pela imposição da cultura europeia. Levam como proposta de transformação da população nativa, o espírito da pedagogia humanista, impondo uma educação religiosa que fosse capaz de transformar a sociedade indígena no padrão religioso europeu, proposto pelos jesuítas. A intenção poderia até ser boa, mas houveram muitas consequências trágicas já que a obrigatoriedade e imposição de seus costumes agrediam a liberdade do homem livre que viva no Brasil, pois é preciso compreender e respeitar, que a cultura de um povo perpassa pelas crenças, valores, credos, arte, religião, não sendo possível estabelecer analogias na condição de analisar a melhor ou a pior, já que se trata de aspectos subjetivos que compõe uma sociedade.
Muito religiosos, os jesuítas tinham como principais dimensões da espiritualidade e de sua formação a ênfase no conhecimento de si mesmo e no diálogo interpessoal. Entretanto, essa busca exige um saber prévio que os indígenas não demonstravam ter, tendo em vista as diferentes culturas. Esse, um dos motivos pelos quais, os jesuítas, ao imporem seu modelo de educação, acabam violentando a cultura de um povo acostumado a viver em liberdade.
Denise Machado trata do estudo da alma e a cura das enfermidades do ânimo, como importante fonte do conhecimento da teoria psicológica difundida no ambiente cultural da Companhia de Jesus em Portugal e no brasil, que perpassa pela leitura de comentários às obras psicológicas de Aristóteles, de caráter moral e oratória obrigatória, que embora tenha sido imposta ao povo indígena, também trouxe conhecimentos.
Talvez essa imposição de costumes e valores de um povo sobre outro povo de cultura diferente, tenha se refletido em comportamentos humano e social motivados pelas paixões de cada cultura, estabelecendo assim, uma relação de amor e ódio entre os diferentes povos.
Vieira acreditava que os fenômenos psicológicos deveriam ser estudados do conhecimento de si, da conversão religiosa e do comportamento virtuoso, na maneira como o homem concebe e conhece a si mesmo. A partir daí, surgem duas realidades diversas, como o lodo e a divindade, sendo o lodo associado a parte inferior do eu e a divindade, que remete o ser a Deus. Provavelmente, Vieira já tinha uma noção clara de que através de princípios religiosos, muito dos comportamentos vinculados às paixões e ao lodo humano, o homem poderia se transformar em alguém melhor, a partir do autoconhecimento, tanto que ele dizia que “quem se conhece pela parte do corpo ignora-se, e só quem se conhece pela parte da alma se conhece”. Provavelmente, Vieira reconhecia na alma, a essência do sujeito, que jamais morreria, que atualmente chamamos de Espírito ou Alma, na qual se encontra registradas todas as suas experiências. De fato, a essência do sujeito reflete quem de fato ele é, e ainda que este não tenha consciência de si, ao se manifestar, por meio de suas experiências, acaba expondo a sua suposta essência.
Dentre as expectativas dos jesuítas para colonizar o Brasil, estava a evangelização, como meio de transmitir ideias psicológicas acerca de si e do outro. É claro que o povo indígena, de cultura religiosa completamente diversa da cultura religiosa europeia, enfrentou enormes desafios de língua, aceitação e agressão. A ideia de “Estou eu imaginando todas as almas dos homens uma...”, do Padre Manoel da Nóbrega, denota uma arrogante tentativa de padronizar um povo, a um modelo cartesiano, embora houvesse uma preocupação em identificar as características psicológicas do índio, que o fez reconhecer no indígena uma inferioridade cultural em relação a outras nações, mas a questão é até que ponto eles de fato eram inferiores, pois é preciso compreender que as diferentes culturas precisam ser respeitadas já que estas são construídas em cima de seus potencias valores mais importantes e relevantes para a existência de um povo.
Diante da prepotência em julgar uma raça culturalmente inferior, acreditaram que a educação era necessária para moldá-los ao seu padrão cultural considerado ideal, já que se pensava que, o homem é uma tabula rasa a ser preenchida por suas experiências, como bem explicou John Locke, que denomina como passivo o espírito.
Alexandre Gusmão propõe que a construção do conhecimento acerca da criança deveria ser realizada em métodos e doutrinas próprias das tradições ocidentais, destacando-se pela teoria dos humores, e pela parábola destinada a evidenciar a importância da educação, no que diz respeito ao projeto de vida individual. Pode-se considerar que, esse ideal humanista do desenvolvimento, se não houvesse implícita, a intenção de domínio sobre o povo indígena, por parte dos europeus, seria de fato, uma abertura às infinitas possibilidades do ser e da confiança na educação, a partir da busca voluntária de transformação por parte do indígena.
Esse trabalho se destina a obtenção de uma melhor compreensão sobre a realidade em que se instaurou o processo de colonização dos portugueses no Brasil, sobrepondo a cultura europeia sobre a cultura indígena brasileira.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
MASSIMI, Marina. História da Psicologia no Brasil: Novos Estudos. II-As ideias psicológicas na produção cultural da companhia de Jesus no brasil do século XVI e XVII.