Mostrando postagens com marcador Observação sistemática. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Observação sistemática. Mostrar todas as postagens

domingo, 22 de setembro de 2019

Conceitos Básicos da Teoria Boweniana -aula de 21/09/2019


Finalidade da Terapia Boweniana:

  • O trabalho terapêutico de família, trabalha o indivíduo para alcançar maior capacidade de pensar, sentir e agir por si só, autonomamente, deixando de estar suscetível ao desequilíbrio, frente às situações tensas.
Conceitos Básicos da Teoria Boweniana:

1. PROXIMIDADE 

Sentimento de pertença como força que coloca o indivíduo para dentro do sistema. Tudo que o indivíduo faz, tende a repetir o que a família faz. Ausência de individualidade, pouca consciência de si, alta ansiedade no sistema, pseudo-self, indiferenciação do self.


2. INDIVIDUALIDADE/INDIVIDUAÇÃO

Força contrária à proximidade, apresenta uma distância da família, da história geracional, colocando o indivíduo para fora do sistema. Presença de individualidade, maior consciência de si, baixa ansiedade nos sistema, eu-sólido, diferenciação do self.

Atenção: Todo processo terapêutico, tem por objetivo, equilibrar essas duas forças: proximidade e individualidade. E é justamente essa busca em tentar equilibrar essas duas forças que Bowen chamou de diferenciação do self.


3. ANSIEDADE
  • É baixa, quando a diferenciação é alta.
  • É alta, quando a diferenciação é baixa.

4. TRIANGULAÇÃO

  • Tem por finalidade reduzir a ansiedade, de forma momentânea, ou seja,  a triangulação se forma por três organismos do sistema para solucionar um conflito momentâneo, reduzindo a ansiedade do sistema, visando resolver o problema. Portanto, a triangulação é funcional.
5. TRIÂNGULO
  • Se forma para solucionar um conflito permanente, e nunca se desfaz no sistema. Portanto, o triângulo é disfuncional. Se forma quando não se consegue resolver um problema no sistema, se torna uma estrutura fixa, e o casal nunca resolve o problema. É quando a triangulação vira um triângulo.


Atenção: 
É através do GENOGRAMA, que torna possível visualizar o sistema familiar.






6. PROCESSO EMOCIONAL DA FAMÍLIA NUCLEAR
  • É do sistema e não do indivíduo em si.
  • Está relacionada à proximidade e individuação.
  • MAIOR PROXIMIDADE, maior ansiedade, as pessoas e grudam mais no sistema, indiferenciação. Exemplo: familiares moram perto, estão sempre juntos. Existe uma fusão de papéis, como se fossem uma família só. Um se mete na vida do outro e criam uma relação de dependência. Só tomam uma decisão se consultar antes, escutar alguém da família de origem. Simbiose, massa de ego indiferenciada e relação de co-dependência.
  • MAIOR INDIVIDUAÇÃO, menor ansiedade, ideia de que já não precisa mais da família de origem, que pode seguir seu caminho, e ter autonomia para fazer diferente.  Dissociação dos papéis, relação de independência em relação aos membros da família. Tem autonomia desenvolvida, eu-sólido, diferenciação do self.
  • ROMPIMENTO EMOCIONAL, ocorre quando os membros da família não conseguem perceber que existe esse elo com a família, mesmo rompendo com o sistema.  Para isso, é preciso REAPROXIMAR os organismos do sistema, para perceberem esse elo que não se desfaz nunca.
Atenção: O processo de construção da diferenciação do self é conseguir integrar as referências que as famílias de origem trazem para o núcleo familiar.


7) PROJEÇÃO FAMILIAR - TRANSMISSÃO MULTIGERACIONAL
  •  Ocorre quando uma geração não dá conta de resolver as tensões do sistema, e acabam projetando nas gerações seguintes essas tensões, podendo transmiti-las de geração em geração, daí a Transmissão Multigeracional.
Exemplo de um Genograma para análise de projeção e transmissão multigeracional.



Jenival, casado com Noca, tiveram um filho chamado Hercúlio.
Jenival possui alto grau de diferenciação, tem autonomia, e um eu-sólido bem desenvolvido.
Noca possui baixo grau de diferenciação, dependente emocionalmente, Pseudo-self, cobra atenção e companhia de Jenival. Como Jenival não atende às suas expectativas, Noca projeta em seu filho Hercúlio, a cobrança de lhe fazer companhia, já que o pai não faz. O filho, atende ao pedido da mãe, se formando aí uma triangulação entre eles. Se o problema fosse resolvido, com o pai passando a dar atenção à mãe, Hercúlio ficaria livre para seguir. Porém, Jenival não está disposto a mudar, e Noca continua a projetar em Hercúlio aquilo que lhe falta. Nesse caso a triangulação se torna um triângulo, já que se torna uma relação permanente entre eles no sistema.
Hercúlio aos 35 anos, casa-se Jonélio, assumindo sua relação homoafetiva. Hercúlio tem baixa diferenciação do self, dependência emocional, alta ansiedade, e Pseudo-self. Acredita que aquela relação que a mãe lhe ensinou é o ideal de relação que poderia construir. Do mesmo jeito que cuidou da mãe, achava que iria encontrar uma pessoa com os mesmos cuidados com ele. Porém, Jonélio tem alto grau de diferenciação do self e não lhe dá os cuidados que ele gostaria, assim como deu a sua mãe. Tentam resolver essa tensão no sistema, adotando uma criança recém-nascida. Entretanto, quando esta criança, chamada Hermínia, completa 10 anos de idade, Hercúlio começa a projetar nela as suas expectativas de cuidados. Porém, hermínia tem alto grau de diferenciação, e diz que não tem obrigação de cuidar do pai, e quem tem que lhe dar atenção é Jonélio, seu marido. Hermínia nega qualquer possibilidade do pai, porém, continua indiferenciada em relação à família.  Mesmo Hercúlio tendo atendido às possibilidades da mãe Noca, ele também continuou indiferenciado em relação à família. Ambos continuam indiferenciados porque na primeira projeção Noca continua com o problema em relação ao marido, nada foi resolvido, e na segunda projeção, Hercúlio também continua com o problema em relação ao marido Jonélio, pois as projeções tendem a não resolver a tensão do sistema. Ao envolver duas gerações (Multigeracional) por meio das projeções, na segunda projeção já ocorre a transmissão. Ambas são famílias disfuncionais, com baixa diferenciação. (História criada em sala por Profa. Patrícia Caldeira)

FAMÍLIA DISFUNCIONAL - BAIXA DEFERENCIAÇÃO



sábado, 9 de março de 2019

A importância da Linguagem Científica na Observação

Linguagem Científica
·       Objetivo da ciência na observação da ocorrência – predizer e controlar os eventos da natureza, já que um fato só adquire importância e significado se é comunicado a outros através de uma linguagem que obedece a certas características.

·       Difere da linguagem coloquial, pois está voltada para a constatação de fatos, já a linguagem coloquial se exime dessa responsabilidade, para apenas contar algo sem precisar constatá-lo.

·       Não se utiliza da Linguagem figurada.

·       Não recorre a interpretações nem a impressões subjetivas.

·       Se caracteriza pela sua objetividade.
o   A linguagem objetiva busca eliminar todas as impressões pessoais e subjetivas que o observador possa ter, ou interpretações que ele possa dar acerca dos fatos.

·       Despreza da análise, impressões subjetivas do autor ou eventos não observados.

·       Despreza expressões que permitem várias interpretações a respeito do tempo real, como: longa, depressa.

·       Considera de grande relevância a ordem em que ocorrem os acontecimentos.

·       Despreza toda palavra que designe o estado do sujeito perante a situação, se atendo a descrição apenas dos comportamentos observados.

·       Utiliza uma linguagem clara e precisa, ou seja:
o   Obedece a critérios de  estrutura gramatical do idioma.
o   Usa termos sem ambiguidade, de significado único.
o   Fornece referências quantitativas, empíricas.

·       Para se obter os requisitos de clareza e precisão da linguagem devem evitar:
o   TERMOS AMPLOS – cujo significado inclui uma série de ações. Ex: brincar. De que?
o   TERMOS INDEFINIDOS OU VAGOS – termos que não identificam o objeto ao qual a ação é dirigida. Fornecer referenciais físicos do objeto. Ex: Bola. Que tamanho? De que?
o   TERMOS OU EXPRESSÕES AMBÍGUAS – quando um termo pode se referir tanto ao sujeito quanto ao complemento da frase. Ex: encosta na parede. Quem? O que?

Para um trabalho de registrar o comportamento e os aspectos do ambiente com objetividade, clareza e precisão, o observador deve utilizar:

      ·      Verbos que identifique a ação do sujeito.

·       Termos que identifiquem os objetos ou pessoas presentes na situação e suas características.

·       Referenciais físicos, ou seja, partes do corpo do sujeito, objetos e pessoas presentes no ambiente.

“Psicólogos e cientistas do comportamento são pessoas comuns que usam linguagem coloquial no seu dia-a-dia. Mas na sua atividade profissional, quando estão interessados em descrever, explicar e alterar o comportamento devem usar uma linguagem científica.” (DANNA.P.35)

Principais erros contra a objetividade, que devem ser evitados pelo observador num relato:

·       Utilizar termos que designem estados subjetivos.
o   Ex: cansado, triste, alegre, nervoso. Ao invés de interpretar as intenções do sujeito, observados deve descrever as ações observadas.
·       Atribuir intenções ao sujeito
o   Eliminar o que você pensa que a pessoa estaria fazendo ou iria fazer, descrevendo apenas o ato, o gesto sem a intenção de realizar.
·       Atribuir finalidade à ação observada
o   Não interpretar os motivos que levaram o sujeito a se comportar, mas apenas descrever o comportamento e as circunstâncias em que ele ocorre.
o   Pode ocorrer de um evento ocorrer em função de um acontecimento anterior, daí a necessidade de relatar os fatos na ordem de seus acontecimentos.
o   Evitar termos que indiquem atribuição de finalidade (abriu o armário para comer) ou causalidade (porque estava com fome).

REFERÊNCIAS:
DANNA, Marilda Fernandes. Ensinando Observação: Uma introdução. Editora EDICON, São Paulo, 1986. Unidade II-A importância da linguagem científica.

Importância da Observação para o Psicólogo


·       A Observação científica é uma observação sistemática e objetiva.

o   Sistemática por ser planejada e conduzida em função de um objetivo anteriormente definido.
o   Objetiva por ser direta, específica daquilo que se observa, ou seja, ater-se aos fatos efetivamente observados. Tudo que é visível, audível, palpável, degustável, cheirável, perceptivo aos sentidos.

·       As observações científicas são organizadas em condições explicitamente específicas, e especificar as condições, significa estabelecer:



o   Onde? Em que local e situação a observação será realizadas.
o   Quando? Em que momentos ela será realizada.
o   Quem? Quem são os sujeitos a serem observados.
o   O que? Que comportamentos e circunstâncias ambientais devem ser observados.
o   Como? Qual a técnica de observação e registro a ser utilizada.


·       O psicólogo enquanto observador do comportamento, precisa observar:

o   Informações a respeito do comportamento da pessoa
o   Informações a respeito do ambiente, das condições ou circunstâncias em que acontece o comportamento.

·       A observação cientifica possibilita:

o   Averiguar os fatos exatamente como são
o   Descartar as opiniões de senso comum “Eu acho que...”
o   Melhor compreensão da natureza dos fatos.
o   Identificar as ações transformadoras mais eficazes.
o   Explicar o que, como e o porquê de estar acontecendo.
o   Que outros possam repetir a sua observação, à partir de seus registros e relatos.
o   Identificar a relação entre o comportamento do indivíduo e o ambiente em que acontece.
o   Permite descobrir que o comportamento sobre influência do ambiente.

·       Psicólogo Clínico consegue através da observação:

o   Investigar o que vem a ser a queixa do cliente, tal como: a agressividade, a ansiedade, o nervosismo, a dificuldade de aprendizagem, timidez, ciúmes, etc.

·       Psicólogo Escolar consegue através da Observação:

o   Identificar dificuldades de socialização, dificuldade de aprendizagem, deficiências no currículo escolar,etc.

·       O Diagnóstico preliminar da situação-problema, feito pelo Psicólogo, que vai possibilitar definir as técnicas e procedimentos adequados para se obter os resultados desejados, deve abranger:

o   Identificação das deficiências existentes – Qual é e onde está o problema?
o   Variáveis que afetam o comportamento – O que influencia ou motiva o comportamento?
o   Recursos disponíveis no ambiente – O que pode ser utilização no ambiente para o tratamento?


·       Durante e após a aplicação de procedimentos o Psicólogo ainda se utiliza da observação para:


o   Avaliar a eficácia das técnicas e procedimentos empregados.
o   Observar o desempenho do cliente.
o   Avaliar o grau de mudança na situação.
o   Avaliar a eficácia de suas técnicas terapêuticas, programas de ensino e treinamentos realizados.

·       O tipo de dado a ser coletado depende do objetivo da observação:

o   Se o objetivo é identificar o comportamento do sujeito, observa-se todos os comportamentos.
o   Se o objetivo for identificar as variáveis que interferem no comportamento, observa-se durante o comportamento, as condições ambientais do antes, durante e depois do comportamento.

REFERÊNCIAS:
DANNA, Marilda Fernandes. Ensinando Observação: Uma introdução. Editora EDICON, São Paulo, 1986. Unidade I-A necessidade da observação em ciência.
Google Imagens