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segunda-feira, 30 de novembro de 2020

Ideações e tentativas de Suicídio em Adolescentes com Práticas Sexuais Hetero e Homoeróticas.

  O Artigo...

  • buscou conhecer as associações entre orientação sexual e ideações e tentativas de suicídio.
  • evidenciou-se que os não heterossexuais têm mais chances de pensarem e tentarem suicídio, comparativamente aos heterossexuais. 
  •  dentre o grupo de adolescentes que se assumiram não heterossexuais, os que estão mais vulneráveis são aqueles que se autodefiniram bissexuais e “outros”, os quais constituem o grupo de pessoas menos assumidas, dentre os não heterossexuais.
  • constatou-se que os respondentes apresentam diversas opiniões e valores homofóbicos, sexistas e heterocentrados, o que revela ser o espaço escolar, onde se encontram esses jovens não heterossexuais, bastante carregado de posicionamentos discursivos discriminatórios.
  •  a questão do suicídio é uma problemática de saúde pública
  •  jovens não heterossexuais necessita de abordagens específicas para a prevenção e de atenção relativas a essa conduta.
  •  estudos sobre as homossexualidades não desconsideram as implicações das normas sexuais na construção das identidades lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros (LGBTs)
Segundo Katz (1996) e Spencer (2004) a Heterossexualidade...

  •   passou a ser sinônimo de normalidade apenas em fins do século XIX, quando se construiu o discurso de que ela seria a forma ideal de felicidade amorosa e erótica, em oposição à homossexualidade. 
  •  tornou-se referência legítima dos desejos, ideais, princípios e valores (heteronormatividade)um sentimento de superioridade em relação a todas as outras manifestações plurais das sexualidades (heterossexismo)
Cardoso (2003) - Heterossexismo...

  • assume que o heterossexismo é um mito e, como tal, uma inverdade que “explica o mundo do desejo e do amor e, principalmente, [ele] garante a estabilidade das coisas
  • – o heterossexismo justifica uma ordem moral intocável; intocável porque não é questionada, não é avaliada; é aceita como um mito, uma verdade óbvia, natural e universal.
Moreno (1999) e Welzer-Lang (2001) - Sexismo...
  • e a suposta superioridade dos homens (biologicamente falando) em relação às mulheres, o qual pode se desdobrar, por exemplo, no machismo. 
Homofobia...
  •  é entendida como o medo ou o descrédito quanto às pessoas homossexuais ou àqueles que são presumidos o serem, bem como a tudo que faça referência aos atributos, esperados para um sexo, encontrados em outro sexo (Welzer-Lang, 2001). Segundo Tin (2003)
  • pode igualmente se voltar à própria pessoa homossexual, já que imprime sobre o sujeito uma negatividade em relação à homossexualidade e às pessoas homossexuais (Eribon, 2008)
  •  é um dispositivo de controle, no sentido foucaultiano (Foucault, 1988)
  • busca afastar todo e qualquer questionamento ou desestabilização da naturalização da norma(lidade) da conduta heterossexual, fundando, dessa forma, bases para o reforço do binarismo dos gêneros, o qual se aprende (Clauzard, 2002)
  • promove uma percepção negativa e homogeneizada da homossexualidade, no campo social, que resulta, no campo individual, em uma homofobia interiorizada.
Estigma....
  •  pode ser considerado como dispositivo de controle 
  • tem por objetivo  a manutenção, em alguns grupos que exibem uma diferença indesejável, do sentimento de menosvalia social imputado a eles
  •  determina inexoravelmente a sua desqualificação como Sujeitos de Direito que ao mesmo tempo que vêem negada a sua cidadania, negam-se a conquistá-la.
  • O registro negativo imputado pelo estigma provoca o que Erving Goffman descreveu como identidade deteriorada. (1988).
Borrillo (2000) aponta que as pessoas homossexuais são vitimizadas do seguinte modo: 

1) Os homens homossexuais são vitimizados, pois, em sendo homo, se “igualam” às mulheres na posição de eventual receptor do pênis. Logo, são vistos como “efeminados”, deixando de fazer parte do universo viril. Por isso, o estereótipo de que todos os homossexuais masculinos são “mulherzinhas”, “desmunhecados” e/ou “maricas”. 

2) De outro lado, as mulheres homossexuais são vitimizadas, já que, em sendo homo, supostamente deixam de cumprir sua função de “fêmea” reprodutora dos filhos “de um macho”, e não são aceitas no universo viril, ainda que emasculadas, pois não possuem o pênis. Em acréscimo, ao se identificarem enquanto lésbicas, assumem uma postura ativa em relação ao seu desejo sexual. Como tal atividade é exclusiva do universo masculino, elas são rechaçadas pelos homens e pelas outras mulheres, pois quebraram a barreira do silêncio em relação à suposta passividade feminina.

Blumenfeld (1992), Isay (1998) e Hardin (2000) assinalam que tais efeitos englobam: 

1) Negação da sua orientação sexual (do reconhecimento das suas atrações emocionais) para si mesmo e para os outros; 
2) Tentativas de mudar a sua orientação sexual; 
3) Sentimento de que nunca se é “suficientemente bom”, o qual conduz à instauração de mecanismos compensatórios, como, por exemplo, ser excessivamente bom na escola ou no trabalho (para ser aceito); 
4) Baixa autoestima e imagem negativa do próprio corpo, depressão, vergonha, defensibilidade, raiva e/ou ressentimento – o que pode levar ao suicídio já em tenra juventude;
 5) Desprezo pelos membros mais “assumidos” e “óbvios” da comunidade LGBT; 
6) Negação de que a homofobia é um problema social sério; 
7) Projeção de preconceitos em outro grupoalvo (reforçados pelos preconceitos já existentes na sociedade);
8) Tendência de tornar-se psicológica ou fisicamente abusivo, ou permanecer em um relacionamento abusivo; 
9) Tentativas de se passar por heterossexual, casando-se, por vezes, com alguém do sexo oposto, para ganhar aprovação social ou na esperança de “se curar”; 
10) Práticas sexuais não seguras e outros comportamentos autodestrutivos e de risco (incluindo a gravidez e o de ser infectado pelo vírus HIV); 
11) Separação de sexo e amor e/ou medo de intimidade, capaz de gerar até mesmo um desejo de ser celibatário(a); 
12) Abuso de substâncias (incluindo comida, álcool, drogas e outras).

Epidemiologia de Suicídio em Adolescentes independentemente de  orientação e ou identidade sexual
  • No Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA (Brasil, 1995), Art. 2º, considera-se “criança, para os efeitos desta Lei, a pessoa até doze anos de idade incompletos, e adolescentes aquela entre 12 (doze) e 18 (dezoito) anos de idade”.
  • Para a Organização Mundial de Saúde (WHO, 1986) entende como adolescente o indivíduo que possui entre 10 (dez) e 20 (vinte) anos de idade.
  •  o período da adolescência tem como característica biológica a puberdade, a qual traz consigo a maturação sexual ocorrente da mesma forma, universalmente, em meninos e meninas.
  • nesse período, o(a) adolescente irá construir sua identidade tendo como medida os referentes coletivos e não apenas os de seu núcleo familiar de origem
  • há uma busca do(a) adolescente em adotar valores e comportamentos visando à aceitação pelo grupo ao qual pertence.
  • esse período de maior desenvolvimento e amadurecimento biológico e psicológico, o(a) adolescente se torna mais susceptível a conflitos emocionais.
  •  primeiras pressões sociais, que, articuladas à realidade emocional dos envolvidos, podem contribuir para alterações de comportamento e surgimento de quadros depressivos, os quais, se não forem superados, correm risco de desembocar em ideações e tentativas de suicídio.
O Suicídio...
  •  Marcus (1995) e Cassorla (1998a; 1998b), o suicídio – ato voluntário de pôr fim à própria vida –, para muitas pessoas, pode ser a última alternativa para lidar com a tensão resultante da não aceitação de desejos (sexuais ou não), no campo social. 
  • Trata-se, portanto, de um ato intimamente ligado ao contexto onde ele se produz (Barros, 1998). 
  • Segundo Zwahr-Castro (2005), apesar de as taxas de suicídio permanecerem relativamente estáticas, nos últimos sessenta anos, nos Estados Unidos, entre os adolescentes ocorre uma maior preocupação com essas taxas por dois motivos: 

a) a taxa de suicídio, nessa faixa etária, quadriplicou nos últimos cinquenta anos; e

 b) o suicídio contagioso ou os grupos de suicídio parecem ser mais comuns entre os jovens que entre outros segmentos da população.

  • Entre os adolescentes, o suicídio é a terceira causa de morte, sendo que 4.000 jovens tiraram a própria vida, em 2001

Suicídio de Adolescentes e Orientação Sexual Homossexual: epidemiologia e casuística...

  • O ato de atentar contra a própria vida já foi entendido como pecado, crime, liberdade individual, efeitos das condições sociais (Durkheim, 1897[1969];
  •  Ariès, 1977), chegando hoje à visão contemporânea de psicopatologia ou condicionamento genético.
  • entendem-se as ideações e tentativas de suicídio de adolescentes “não heterossexuais” como efeitos dos processos homofóbicos e não uma decorrência de processos patológicos individuais. 
  • procura-se compreender o quanto o estigma de se descobrir “não heterossexual”, para si mesmo e/ou para os outros, contribui para levar um(a) adolescente ao ato de pensar e/ou de atentar contra a sua própria vida.
  • EUA -  os jovens gays são de duas a três vezes mais propensos a tentar o suicídio comparativamente aos jovens heterossexuais, compreendendo o total de 30% anual de suicídios juvenis.
 Foram investigados quatro fatores de risco ao suicídio:
  •  pensamentos sobre a própria morte, 
  • desejo de morrer, 
  • pensamentos sobre cometer suicídio 
  • tentativa de suicídio.

 Pesquisas realizadas no Brasil...

  • Entre 2.256 (98,8%) respondentes, 484 estudantes declararam já terem pensando em suicidar-se, o que representa uma prevalência de 21,5%
  • Independentemente da orientação sexual dos respondentes, as meninas (359) apresentaram uma prevalência maior, com 74,2%, de pensamentos suicidas, que os meninos 25,8% (125)
  •  Para ambos sexos, independentemente da orientação sexual, esse fato se deu, na maioria das vezes, entre os 14 e os 16 anos, 312 (67,5%)
  • A prevalência de pensamentos suicidas entre os heterossexuais foi de 20,7%. 
  • A prevalência de pensamentos suicidas entre os não heterossexuais, essa prevalência foi de 38,6%

Os adolescentes tomados por desejos eróticos em relação a pessoas de mesmo sexo biológico – neste estudo, denominados “não heterossexuais” 
  • sentem medo da exclusão e da injúria (Verdier e Firdion, 2003; Eribon, 2008);
  • se afastam da sociedade, tornando-se vulneráveis à depressão e, em alguns casos, a pensamentos e tentativas de suicídio (SavinWilliams, 1990, 1998; Taquette e col., 2005)
Como enfatiza Castañeda (2007, p. 91)...
  •  todas as crianças são criadas por seus pais a partir de um modelo heterossexista, que as faz crer que um dia irão se casar e formar uma família: “[...] é o que lhes repetem incansavelmente seus pais, a escola, a cultura e a sociedade em geral”
  •  Dar-se conta que isso, provavelmente, não acontecerá e que será necessário renunciar a um projeto de vida longamente preparado, é um processo extremamente lento e doloroso. Trata-se de uma perda importante.
Como isso vai afetar psicologicamente o indivíduo? Elizabeth Kübler-Ross (1969), o(a)s psicólogo(a)s envolvido(a)s nos Estudos de Gênero e LGBT (Castañeda, 2007), dirão que...
  • na pessoa que toma consciência de sua homossexualidade, encontrar-se-á a negação (“Talvez não seja verdade.”), 
  • a raiva (“Por que eu?”), 
  • a barganha (“Farei de tudo para evitar isso. Vou compensar esse ‘defeito’, sendo o melhor...”), 
  • a depressão (“Nunca serei feliz.”), 
  • a aceitação (“Sou o que sou e não preciso nem me esconder, nem tentar agradar ninguém para ser aceito.”). Quando dá certo.
O suicídio em adolescentes não heterossexuais...
  • está acompanhado de certa desesperança e negação interna da sexualidade, que costumam ser reforçadas pela sociedade heteronormativa em que vivemos (Oliveira, 1998).
  •  a pressão social vai acentuar um estado de melancolia no sujeito, que dificultará que ele faça o luto da heterossexualidade
  •  a construção de uma identidade sexual na qual a pessoa se reconheça e se sinta autorizada a expressar seus desejos, ainda que o contexto em que viva não seja propício. 
O(a)s jovens bissexuais e/ou os que ainda não se definiram estão em maior risco. 
  • Isso faz supor que, em uma sociedade onde a organização das relações entre os gêneros se dá a partir de uma lógica binária de formatação da sexualidade, de fato, aquele(a)s que se sentem atraído(a)s por ambos os sexos podem mesmo encontrar maior dificuldade de compreensão e estabelecimento de parcerias amorosas, já que tal sujeito é visto ou como “indeciso”, “oportunista” ou “imaturo” (Castañeda, 2007)
  • a negociação do “sair do armário”, isto é, revelar-se LGBT para si, familiares, amigos/as e escola, passa por situações diversas e implica respostas distintas, uma vez que, em cada lugar, a homossexualidade terá um valor, uma representação, uma consequência. 
  •  A saúde sexual é concomitante à saúde mental.
  • e, a bissexualidade é bem mais incompreendida do que as identidades: gay e lésbica, que há tempos são publicitadas pelos movimentos sociais LGBT.
  •  o(a)s jovens não heterossexuais estão mais vulneráveis
Referências
FILHO, Fernando Silva Teixeira; Rondini, Carina Alexandra. Ideações e tentativas de Suicídio em Adolescentes com Práticas Sexuais Hetero e Homoeróticas.

sábado, 21 de novembro de 2020

Depressão e Suicídio: uma correlação

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Depressão e Suicídio: uma correlação
  • A influência da depressão no suicídio abrange diversos fatores (social, pessoa e psíquico), como os transtornos mentais.
  • Classificação do suicídio em dois momentos: 
    • primeiro quando o suicídio era considerado ilegal. 
    • O segundo momento a condenação do suicídio passa ser absoluta e sem exceção.
  • Sintomas característicos da Depressão:
    • tristeza, desesperança, falta de motivação e desinteresse pela vida, esses fatores são influenciadores no comportamento suicida.
Conceito de suicídio
  • A palavra suicídio tem origem no latim “sui caedere”; sui = si mesmo e caedes = ação de matar. Por vezes, o termo suicídio pode ser nomeado como morte voluntária, intencional ou auto infligida (FERREIRA, 2008).
  •  Na Língua portuguesa, “suicidar-se é dar a morte a si mesmo, matar-se”. Por vezes, “quando o indivíduo não consegue êxito em tal ação, é considerado como tentativa de suicídio”. Tanto a tentativa como o ato suicida em sim são motivados por ideação suicida, ou seja, “pensamentos que levam o indivíduo a planejar a própria morte” (CARDOSO, 2012, p. 43).
Conceito de Depressão

  • tem origem no latim depressus, ato de deprimir-se. 
  • Segundo Teodoro (2010), a depressão é classificada como transtorno mental, que envolve uma complexa interação entre fatores orgânicos, psicológicos e ambientais.
  •  São comuns na depressão sintomas de angústia, rebaixamento de humor, perda de interesse, apatia, choro persistente, sentimento de impotência, perda de prazer e energia frente à vida. 
  • De acordo com Barbosa, Macedo e Silveira (2011), a ideação suicida também é um sintoma da depressão. 
Estatísticas de Suicídio

  • anualmente um milhão de pessoas se suicidam no mundo;
  •  a cada 45 segundos uma pessoa se suicida em algum lugar do planeta.
  •  Os índices mais altos de suicídio são observados nos países da Europa Oriental, América Central e América do Sul. 
  • Quanto à tentativa de suicídio, segundo a Organização Mundial de saúde - OMS (2011), a tentativa supera o número de suicídio em pelo menos dez vezes, cerca de 15 a 25% das pessoas que tentam suicídio, tentarão se matar novamente. (BARBOSA; MACEDO; SILVEIRA, 2011).
  • A Associação Brasileira de Psiquiatria – ABP (2009) aponta um elo entre o comportamento suicida e os transtornos mentais. Os dados comprovam que de 15.629 pessoas que suicidaram, 90% dos casos enquadrariam em algum transtorno mental. 
  • A depressão maior se destaca com o índice de 35,8% dos casos de suicídio. 
  • Frente essas constatações, e por ser a depressão e o suicídio, problemas de saúde pública, tal estudo pode contribuir com novas pesquisas a cerca dessa temática e para os profissionais de saúde que constantemente lidam com essas situações.

Relatos sobre Depressão...

  • Ao abordar sobre a depressão, é necessário inicialmente compreender que a depressão não é uma doença do século XXI. Apesar de que foi somente no século XIX que formou-se a depressão comum. Anteriormente a depressão era denominada de melancolia, ou seja, “Per-turbações há muito chamadas de melancolia são agora definidas como depressão” (GONÇALES; MACHADO, 2007, p. 298).
  • Hipócrates formulou a primeira classificação nosológica dos transtornos mentais, descrevendo e nomeando a melan-colia, mania e a paranoia (LACERDA; SOUZA, 2013)
  • Robert Burton (1621), estudou sobre as doenças mentais, ainda na modernidade publi-ca a obra “A anatomia da melancolia” defendendo a diferenciação dos quadros de melancolia e de loucura, atualmente popularizada pela nomenclatura de mania. Burton é pioneiro ao des-crever o quadro de síndrome que viria a ser explicado como transtorno bipolar, associando este transtorno à melancolia. Em sua obra, há referência à distinção de entre dois modos me-lancólicos, a positiva e o quadro de doença crônica (LACERDA; SOUZA, 2013).
  • Segundo Lacerda e Souza (2013), a termologia depressão ganha espaço a partir do sé-culo XIX, substituindo a expressão melancolia, juntamente com suas predileções, por uma entidade nosológica independente.
  • Conforme Solomon (2002), a primeira metade do século XIX foi profícuo nos estudos da depressão, em especial no território francês. Philippe Pinel e Jean-Etienne Dominique Esquirol induziram no tratamento, o caráter humanizado. 
  • Pinel define a melancolia ou, na terminologia usada por ele, de “delírio sobre um assunto exclusivo”, como uma caracterização parcial de insanidade composta de delírios que levam a apatia e a solidão, que tinham causas nas experiências de vidas, em configurações nervosas, ou em predisposições físicas e psicológicas do indivíduo.
  • Kraepelin propõe uma subdivisão das doenças em duas entidades, transtornos afetivos e psicoses esquizofrênicas, postulando de forma basilar a compreensão da doença mental por mais de um século. Neste ínterim, a depressão foi considerada como parte da psicose maníaco-depressiva, com atribuições hereditárias, com ênfase nos fatores internos, em detrimento dos externos.
  • Freud em 1917, com a publicação do artigo, “Luto e Melancolia”, destaca a extensa área clínica da melancolia, com as interferências somáticas e psicogênicas. Ele defende que na melancolia ocorre um empobrecimento e esvaziamento do próprio ego, propiciando um delí-rio de inferioridade, principalmente moral, agregando à insônia e a inibição de apetite. Freud também aponta, que na melancolia a tentativa ao suicídio, e que a melancolia se torne mania. (LOPES, 2005).
  • Atualmente, conforme o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM-V (2013, p. 255), o transtorno depressivo tem como características: “presença de humor triste, vazio ou irritável, acompanhado de alterações somáticas e cognitivas que afetam signi-ficativamente a capacidade de funcionamento do indivíduo”. Ainda segundo o DSM-V a depressão classifica em:
    • transtorno disruptivo da desregulação do humor, 
    • transtorno depressivo maior, 
    • transtorno depressivo persistente, 
    • transtorno disfórico pré-menstrual, 
    • transtorno depressivo induzido por substância/medicamento, 
    • transtorno depressivo devido á outra condição médica, 
    • outro transtorno depressivo especificado 
    • e transtorno depressivo não especificado

Segundo o Manual de DSM-V (2013, p. 162), o transtorno depressivo maior é caracterizado, por:

  • Humor deprimido deve estar presente na maior parte do dia, além de estar presente quase todos os dias.
  •  Insônia ou fadiga frequentemente são a queixa principal apresentada, e a falha em detectar sintomas depressivos associados resultará em sub diagnóstico. 
  • A tristeza pode ser negada inicialmente, mas pode ser revelada por meio de entrevista ou inferida pela expressão facial e por atitudes. 
  • Fadiga e perturbação do sono estão presentes em alta proporção de casos; 
  • perturbações psicomotoras são muito menos comuns, mas são indicativas de maior gravidade geral, assim como a presença de culpa delirante ou quase delirante.

No Transtorno disruptivo da desregulação do humor  (DSM-V, 2013)

  • tem como característica principal a irritabilidade crônica grave, ou seja, o indivíduo manifesta raiva e demonstram comportamentos de explosão ocasionados por frustrações. 
No transtorno depressivo persistente (DSM-V, 2013)

  •  o sujeito apresenta um humor depressivo crônico, pelo período mínimo de dois anos. Em crianças e adolescentes o humor pode ser irritável, com duração mínima de um ano. 
No transtorno disfórico pré-menstrual (DSM-V, 2013)

  •  é caracterizado pela alteração do humor, irritabilidade, disforia e ansiedade, durante a fase pré-menstrual. 
No transtorno depressivo induzido por substância/ medicamento (DSM-V, 2013)

  • está associado à ingestão, injeção ou inalação de uma substância, advinda de drogas, medicamentos, manifesta-se por efeitos fisiológicos, da intoxicação ou abstinência. 

Depressão na perspectiva psicanalítica (SAMPAIO apud SOUSA, 2015, p. 13)....

  • A depressão deve-se a perda real ou imaginária, do objeto amado. 
  • Após a perda desse objeto, sensações mistas de amor e ódio são vivenciadas, mas não há a exteriorização dessas hostilidades, voltando-se contra ao próprio indivíduo. 
  • É por “receio da repetição de uma nova perda semelhante, a pessoa fecha-se em sim mesma” 
Depressão na Teoria Cognitiva (SAMPAIO; BECK apud SOUSA, 2015)...
  • a depressão é considerada como uma perturbação dos processos cognitivos que estão ligados ao comportamento. 
  • Três fatores desencadeiam a depressão: 
    • sendo os esquemas cognitivos disfuncionais; 
    • tríade cognitiva 
    • erros cognitivos. 
  • Os esquemas cognitivos disfuncionais são construídos na infância frente vivencias de eventos traumatizantes, perda ou insucesso. 
  • A tríade cognitiva refere-se visão pessimista que o indivíduo tem de si próprio, do mundo e do futuro. 
  • E os erros cognitivos, consistem numa interpretação errônea da realidade, enquadrando na visão negativa.
Estatísticas da Depressão...
  • a depressão atinge cerca 121 milhões de pessoas em todo globo. Estimam-se que, 5% a 10% da população sofrerá com a doença ao longo da vida. Hoje, a depressão representa a terceira causa de doença mundial e em países desenvolvidos está em primeiro lugar. Além disso, os transtornos mentais representam-se 12% das doenças em todo mundo. Em países desenvolvidos os índices são elevados, 23%, na Europa destaca-se com um índice de 26,6%. Assim, calcula-se que a depressão estará em primeiro lugar como “doença mundial” até em 2030 (LOPES, 2005).
  • Em relação ao gênero, a incidência é de 10% para o sexo feminino e 5% para o sexo masculino de desenvolver a doença. As diferenças apresentadas entre homens e mulheres, justificam-se pelos aspectos fisiológicos, o papel social desempenhado gênero, e pela maior sensibilidade emocional das mulheres. Quando a classificação, a depressão maior apresenta um índice alarmante, pois afeta em todo o mundo, 50 milhões de pessoas (SOUSA, 2015).
Suicídio segundo (DURKHEIM, 2000, p. XXV)...
  • considera que: “a unidade de análise é a sociedade e não o indivíduo”
  • “vulgarmente, o suicídio é, antes de tudo, o ato de desespero de um homem que não faz mais questão de viver.”
  • “chama-se suicídio todo caso de morte que resulta direta ou indiretamente de um ato, positivo ou negativo, realizado pela própria vítima e que ela sabia que produziria esse resultado."(DURKHEIM, 2000, p. 11-14).
  • no século XIX, o suicídio passa a ser uma manifestação da doença mental, considerando um problema de ordem moral. Também no século XIX, em 1897, que Durkheim na obra “O suicídio: estudo Sociológico”
  • Durkheim (2000) nesse distingue o suicídio em três tipos:
    • o suicídio egoísta, 
    • suicídio altruísta 
    • suicídio anômico, a partir das influências do meio social, religiosidade, família, sociedade, política, grupos profissionais e a própria relação indivíduo/sociedade.
Fatores que levam o sujeito a cometer suicídio segundo a OMS(2011):
  • os transtornos mentais, 
  • relações familiares, 
  • gênero sexual, 
  • faixa etária de vulnerabilidade, 
  • abuso de álcool, 
  • drogas ou fármacos 
  • situações sociais desfavoráveis, como pobreza e desemprego.
Para Krüger e Werlang (2010) a prática suicida ganha força em situação complexa no contexto familiar, que envolvem:
  •  a perda do emprego, 
  • rompimento do namoro,
  • matrimonio, 
  • saída dos filhos de casa, 
  • a falta de ocupação, 
  • agregados pelas expectativas construídas em histórias passadas, 
  • presentes em torno do futuro.
  • condições socioeconômicas 
  • padrão de possibilidades de consumo de roupas, alimentos, lazer, entre outros, interligados aos contextos biopsíquico, podem motivar as pessoas cometerem o suicídio. (ABREU et al 2010).
Influências da depressão no ato suicida
  • Deve-se considerar a existência de vulnerabilidade, fatores de riscos propensos a influenciar os indivíduos a cometerem o suicido.
  • 30% dos casos de suicídio praticados no mundo  tem como destaque os transtornos mentais com destaque os transtornos depressivos.
  • O suicídio associado a depressão vitima cerca de 850 mil pessoas por ano (OMS, 2006, p.24)
O suicídio, nessa ótica, não pode ser diagnosticado como um sintoma da depressão, mas como um recurso que incide sobre as pessoas deprimidas, já que, “só se pode considerar todos os suicidas deprimidos se a tendência ao suicídio for estipulada como uma condição por si só suficiente para o diagnóstico da depressão” (SOLOMON, 2002, p. 226).



Referências:

Depressão e suicídio: uma correlação.Gláucia Lopes Silva Assumpção1, Luciele Aparecida de Oliveira2, Mayra Fernanda Silva de Souza3. disponível em: file:///C:/Users/lecou/Downloads/15973-Texto%20do%20artigo-61061-1-10-20180309.pdf

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domingo, 27 de setembro de 2020

Ideações e Tentativas de Suicídio em Adolescentes com Práticas Sexuais Hetero e Homoeróticas

 

  •  Pesquisa aplicada a adolescentes com idade entre 12 e 20 anos.
  • Pretendia conhecer as associações entre orientação sexual e ideações e tentativas de suicídio.
  •  Conclui-se que a questão do suicídio é uma problemática de saúde pública e que a população de jovens não heterossexuais necessita de abordagens específicas para a prevenção e de atenção relativas a essa conduta.
HETEROSSEXUALIDADE
  • a heterossexualidade passou a ser sinônimo de normalidade apenas em fins do século XIX, , quando se construiu o discurso de que ela seria a forma ideal de felicidade amorosa e erótica  (Katz, 1996 e Spencer, 2004).
  • a heterossexualidade tornou-se referência legítima dos desejos, ideais, princípios e valores (heteronormatividade), produzindo, assim, um sentimento de superioridade em relação a todas as outras manifestações plurais das sexualidades (heterossexismo).(r Eribon e Haboury, 2003)
 Princípios desconstrucionistas das teorias pós-estruturalistas (Higgins, 1993):
  • Cardoso (2003) assume que o heterossexismo é um mito e, como tal, uma inverdade que “explica o mundo do desejo e do amor, além de garantir a estabilidade das coisas.
  •  o heterossexismo justifica uma ordem moral intocável; intocável porque não é questionada, não é avaliada.  é aceita como um mito, uma verdade óbvia, natural e universal.
  • esta ordem moral heterossexista sustenta o edifício econômico e político que questionamos”
SEXISMO
  • É uma suposta superioridade dos homens (biologicamente falando) em relação às mulheres e, basicamente, sobre tudo o que diz respeito ao feminino
  • Desdobra-se para o machismo, que se nutre do poder dos homens e sobre tudo que diz respeito ao feminino
  • Essa arbitrariedade legitima a violência contra a mulher.
HOMOFOBIA
  • é o medo ou o descrédito quanto às pessoas homossexuais ou àqueles que são presumidos o serem, bem como a tudo que faça referência aos atributos, esperados para um sexo, encontrados em outro sexo (Welzer-Lang, 2001). 
  • o termo é empregado para significar um processo específico de violência física, simbólica e/ou social contra o(a)s homossexuais.
  • A homofobia é um dispositivo de controle, no sentido foucaultiano (Foucault, 1988), que busca afastar todo e qualquer questionamento ou desestabilização da naturalização da norma(lidade) da conduta heterossexual
  • Tem  finalidade de oprimir todo(a)s aquele(a)s que ousam sentir, experimentar ou dizer de suas orientações e/ou identidades sexuais diversas da heterossexualide.
  •  promove uma percepção negativa e homogeneizada da homossexualidade, no campo social, que resulta, no campo individual, em uma homofobia interiorizada (estigma)
Borrillo (2000) aponta que as pessoas homossexuais são vitimizadas do seguinte modo:

1) Os homens homossexuais são vitimizados, pois, em sendo homo, se “igualam” às mulheres na posição de eventual receptor do pênis. Logo, são vistos como “efeminados”, deixando de fazer parte do universo viril. Por isso, o estereótipo de que todos os homossexuais masculinos são “mulherzinhas”, “desmunhecados” e/ou “maricas”.

 2) De outro lado, as mulheres homossexuais são vitimizadas, já que, em sendo homo, supostamente deixam de cumprir sua função de “fêmea” reprodutora dos filhos “de um macho”, e não são aceitas no universo viril, ainda que e masculadas, pois não possuem o pênis. 

Em acréscimo, ao se identificarem enquanto lésbicas, assumem uma postura ativa em relação ao seu desejo sexual. Como tal atividade é exclusiva do universo masculino, elas são rechaçadas pelos homens e pelas outras mulheres, pois quebraram a barreira do silêncio em relação à suposta passividade feminina.

Blumenfeld (1992), Isay (1998) e Hardin (2000) assinalam que tais efeitos englobam:

 1) Negação da sua orientação sexual (do reconhecimento das suas atrações emocionais) para si mesmo e para os outros; 

2) Tentativas de mudar a sua orientação sexual; 

3) Sentimento de que nunca se é “suficientemente bom”, o qual conduz à instauração de mecanismos compensatórios, como, por exemplo, ser excessivamente bom na escola ou no trabalho (para ser aceito); 

4) Baixa autoestima e imagem negativa do próprio corpo, depressão, vergonha, defensibilidade, raiva e/ou ressentimento – o que pode levar ao suicídio já em tenra juventude; 

5) Desprezo pelos membros mais “assumidos” e “óbvios” da comunidade LGBT; 

6) Negação de que a homofobia é um problema social sério;

7) Projeção de preconceitos em outro grupoalvo (reforçados pelos preconceitos já existentes na sociedade).

8) Tendência de tornar-se psicológica ou fisicamente abusivo, ou permanecer em um relacionamento abusivo; 

9) Tentativas de se passar por heterossexual, casando-se, por vezes, com alguém do sexo oposto, para ganhar aprovação social ou na esperança de “se curar”; 

10) Práticas sexuais não seguras e outros comportamentos autodestrutivos e de risco (incluindo a gravidez e o de ser infectado pelo vírus HIV); 

11) Separação de sexo e amor e/ou medo de intimidade, capaz de gerar até mesmo um desejo de ser celibatário(a); 

12) Abuso de substâncias (incluindo comida, álcool, drogas e outras).

Epidemiologia de Suicídio em Adolescentes Independentemente de Orientação e/ou Identidade Sexual

O Adolescente

  • A adolescência é um período do desenvolvimento humano que possui diferentes interpretações para cada cultura e momentos históricos (Santos, 1996).
  • No Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA (Brasil, 1995), Art. 2º, considera-se “criança, para os efeitos desta Lei, a pessoa até doze anos de idade incompletos, e adolescentes aquela entre 12 (doze) e 18 (dezoito) anos de idade” , enquanto a Organização Mundial de Saúde (WHO, 1986) entende como adolescente o indivíduo que possui entre 10 (dez) e 20 (vinte) anos de idade.
  • O adolescente em adotar valores e comportamentos visando à aceitação pelo grupo ao qual pertence.
  •  tornam-se mais susceptível a conflitos emocional
  • passa a entrar aos poucos no universo adulto, recebendo as primeiras pressões sociais, que, articuladas à realidade emocional dos envolvidos, podem contribuir para alterações de comportamento e surgimento de quadros depressivos, os quais, se não forem superados, correm risco de desembocar em ideações e tentativas de suicídio.
O suicídio
  • Marcus (1995) e Cassorla (1998a; 1998b), o suicídio – ato voluntário de pôr fim à própria vida, para muitas pessoas, pode ser a última alternativa para lidar com a tensão resultante da não aceitação de desejos (sexuais ou não), no campo social. 
  • Ato intimamente ligado ao contexto onde ele se produz (Barros, 1998). 
  •  Arenales e colaboradores (2002) salientam a existência de uma tendência de aumento dos suicídios em adolescentes, a partir dos anos 1950, tendo as taxas de suicídio nesse grupo triplicado desse período até os anos 80, estabilizando-se posteriormente. 
  • EUA tem como maior preocupação com essas taxas por dois motivos: 
          a) a taxa de suicídio, nessa faixa etária, quadriplicou nos últimos cinquenta anos; 
          b) o suicídio contagioso ou os grupos de suicídio parecem ser mais comuns entre os jovens que entre outros segmentos da população. 
  •  os pensamentos sobre o suicídio são ainda mais comuns que as tentativas ou os suicídios efetivados
No Brasil, os dados de DATASUS de 2002 apontam que:
  • Entre 15 a 19 anos, a taxa de mortalidade por suicídio é de 4 para homens e 2 para mulheres em 100.000 habitantes e, no que tange à internação, a estimativa era de 583,3, para o ano de 2003. 
  • Para o Estado de São Paulo, a taxa é 7, enquanto, para a capital, é de 1,5 por 100.000 habitantes. 
  • Considerando o sexo do indivíduo independente da faixa etária, na capital paulista, tem-se 6.4 homens e 1,5 mulheres por 100.000 habitantes (D’Oliveira, 2005)
  • os homens, ao tentarem suicídio, têm mais “sucesso” (arma de fogo) comparativamente às mulheres,(medicamentos, enforcamento ou estrangulamento) por conta da tipologia do suicídio. embora as mulheres tentem mais.
  •  o suicídio como ocupando a 6ª posição entre as principais causas de óbito entre jovens de 15 a 24 anos.
Suicídio de Adolescentes e Orientação Sexual Homossexual: epidemiologia e casuística
  •  entendem-se as ideações e tentativas de suicídio de adolescentes “não heterossexuais” como efeitos dos processos homofóbicos e não uma decorrência de processos patológicos individuais.
  • procura-se compreender o quanto o estigma de se descobrir “não heterossexual”, para si mesmo e/ou para os outros, contribui para levar um(a) adolescente ao ato de pensar e/ou de atentar contra a sua própria vida.
  • Pesquisas revelam que adolescentes homossexuais tem maior propensão a tentar suicídio que adolescentes heterossexuais.(Estado de Massachusetts, jovens LGBT 35,3% tentaram suicídio e Jovens Heterossexuais apenas 9,9%.
  • e o suicídio entre homossexuais, particularmente entre adolescentes e jovens adultos, tem sido considerado alto, nos últimos 25 anos.
No Brasil foi feita uma pesquisa entre estudantes do ensino médio, em 2009:;
  • Aplicou-se um questionário de 131 perguntas, na sua maioria fechadas.
  • O questionário possui questões que abordam a identificação pessoal, trajetórias sexuais, homofobia, ideações e tentativas de suicídio e histórico de violência sexual e/ou física.
  • Considerou-se como fator a orientação sexual dos estudantes. As variáveis de desfecho usadas foram: pensamentos e tentativas suicidas, histórico de violência sexual e física. 
  • Entre 2.256 que responderam ao questionário, 484 estudantes declararam já terem pensando em suicidar-se, o que representa uma prevalência de 21,5%.
  • as meninas (359) apresentaram uma prevalência maior, com 74,2%, de pensamentos suicidas, que os meninos 25,8% (125) 
  •  Para ambos sexos, independentemente da orientação sexual, esse fato se deu, na maioria das vezes, entre os 14 e os 16 anos, 312 (67,5%)
  • A prevalência de pensamentos suicidas entre os heterossexuais foi de 20,7%. Entre os não heterossexuais, essa prevalência foi de 38,6%.
  • Em 480 adolescentes que disseram ter pensado em se matar, 442 são heterossexuais. Dentre estes, 137 (31,0%) tentaram se matar.
  • , evidenciouse que os não heterossexuais têm mais chances de pensar e tentar suicídio, comparativamente aos heterossexuais
Os adolescentes tomados por desejos eróticos em relação a pessoas de mesmo sexo biológico – neste estudo, denominados “não heterossexuais” –, sentem medo da exclusão e da injúria (Verdier e Firdion, 2003; Eribon, 2008), se afastam da sociedade, tornando-se vulneráveis à depressão e, em alguns casos, a pensamentos e tentativas de suicídio (SavinWilliams, 1990, 1998; Taquette e col., 2005). 

O suicídio em adolescentes não heterossexuais está acompanhado de certa desesperança e negação interna da sexualidade, que costumam ser reforçadas pela sociedade heteronormativa em que vivemos (Oliveira, 1998). 

- Qual é a duração desse processo de luto? Segundo Castañeda (2007), para certas pessoas, ele nunca tem fim – e talvez seja a diferença mais importante entre os homossexuais “felizes” e aqueles que nunca terminam de fazer o luto da heterossexualidade, que é imposta como ideal de comportamento sexual.  É importante tomar consciência desse luto, que pode durar indefinidamente ou ressurgir sob formas diferentes.

REFERÊNCIAS:
Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-12902012000300011&script=sci_arttex

terça-feira, 9 de outubro de 2018

ÈMILE DURKHEIM -Sociologia.




Auguste Comte, filósofo positivista, deu a ideia de construção da sociologia, mas quem desenvolveu a sociologia foi Èmile Durkheim. Foi ele quem escreveu as regras do MÉTODO SOCIOLÓGICO, propondo o surgimento de uma nova ciência dissociada da Filosofia: SOCIOLOGIA. A sociologia é a ciência que estuda a sociedade.

A ciência exige um método científico, organizado, sistematizado, de forma que possam ser feitos e comprovados os experimentos.  E Durkheim aplica o método científico, empirismo, para estudar a sociedade.

Para isso, Durkheim delimita como objeto de estudo científico o fato social, que   são os modos de pensar, sentir e agir de um grupo social. Via o fato social como uma coisa, que seria o objeto de estudo na sociedade. O fato social é qualquer coisa, que nasce na sociedade, mas tenha influência e relevância para o indivíduo na sociedade. (Ex. manifestações)

Para delimitar um fato social é preciso definir:

·        Se o acontecimento nasceu na sociedade?
      ·        Se tem relevância?
      ·        Se tem influência no indivíduo?
      ·        A abordagem deve ser sistemática e metodológica (Empirismo)

Exemplos de fatos sociais segundo Durkheim:

·        Manifestações, no estado de..., no ano... (fato social)
       ·        Livro: O suicídio – aponta o suicídio como um fato social.
       ·        Suicídio altruísta – tira a vida em prol da sociedade Ex. Homem bomba.
       ·        Suicidio egoísta – tira a vida por não se encaixar na vida, seja por se sentir inferior, seja por se sentir superior a ela.
       ·        Suicídio anômico (anomia social – sem nome, caos onde nenhuma regra é respeitada) – a crise econômica de XXIX- desemprego, etc, caos social, tira a vida porque já não se ver naquela sociedade.

Para Durkheim haviam dois tipos de solidariedade:

Solidariedade mecânica  ( sociedades tradicionais, porque as pessoas tinham funções mais simples. O trabalhador faz sempre a mesma coisa, exerce sempre a mesma função, trabalho mecânico.

Solidariedade Orgânica ( sociedades modernas e contemporâneas, as funções de trabalho são muito mais complexas, e tendo funções mais complexas, Durkheim associa  a um célula e por isso orgânica.

DIVISÃO SOCIAL DO TRABALHO DE DURKHEIM
Por isso é que Durkheim procurou no campo do trabalho, nos grupos profissionais, um lugar de reconstrução da solidariedade e da moralidade integradoras das quais lhe pareciam tão carentes as sociedades industriais.

O estado de anarquia era fruto da distribuição injusta da riqueza mas, da falta de regulamentação das atividades econômicas.

Vai além da mera produção e reprodução material mais eficiente. Para ele a divisão do trabalho social provém os meios necessários para a subsistência material, além da acumulação e excedentes produtivos.
A divisão do trabalho era algo visto como atividade solidário e recíproco. A solidariedade é o elemento chave da sociedade.

Preocupação de Durkheim: coesão ou interação social.
Queria responder o que leva os indivíduos a viverem em sociedade.
Chegou à conclusão de que a integração social era uma questão de moralidade. De coordenação da atividade individual dentro de um sistema social com base num comprometimento social com regras e normas coletivas.
Observou que a era industrial, a tendência era tornar as pessoas cada vez mais diferentes entre si e moralmente encoraja-las a enfatizar suas diferenças ao invés de reforçar sua individualidade.
Como pode a sociedade se manter coesa se cada indivíduo busca o seu próprio e intransferível interesse?
Busca resposta dentro do processo de diferenciação social. Para ele cada vez mais que as formas de trabalho se tornam cada vez mais fragmentado e especializado as formas relativamente simples das sociedades tradicionais são destruídas. Ao mesmo tempo formam-se formas mais complexas numa nova e mais complexa forma de integração, que é a solidariedade orgânica.

 DOIS TIPOS DE CONSCIÊNCIA 
Existem em nós dois seres: um, individual, “constituído de todos os estados mentais que não se relacionam senão conosco mesmo e com os acontecimentos de nossa vida pessoal”, e outro que revela em nós a mais alta realidade, “um sistema de ideias, sentimentos e de hábitos que exprimem em nós.

  •  Essa consciência comum ou coletiva corresponde ao “conjunto das crenças e dos sentimentos comuns à média dos membros de uma mesma sociedade [que] forma um sistema determinado que tem vida própria”.
DOIS TIPOS DE SOLIDARIEDADE
    Os laços que unem os membros entre si e ao próprio grupo constituem a solidariedade, a qual pode ser orgânica ou mecânica; de acordo com o tipo de sociedade cuja coesão procuram garantir.

    A solidariedade é chamada mecânica quando “liga diretamente o indivíduo à sociedade, sem nenhum intermediário”, constituindo-se de “um conjunto mais ou menos organizado de crenças e sentimentos comuns a todos os membros do grupo: é o chamado tipo coletivo”. 
O SUJEITO - MORALIDADE E ANOMIA
     Quando a sociedade é perturbada por uma crise, torna-se momentaneamente incapaz de exercer sobre seus membros o papel de freio moral, de uma consciência superior à dos indivíduos. Estes deixam, então, de ser solidários, e a própria coesão social se vê ameaçada.
    O grupo possui, portanto, uma mentalidade que não é idêntica à dos indivíduos, e os estados de consciência coletiva são distintos dos estados de consciência individual
    Está integrado num grupo social, como no Totemismo, em que a moralidade é do grupo e não do indivíduo.

O TRABALHO
     Por isso é que Durkheim procurou no campo do trabalho, nos grupos profissionais, um lugar de reconstrução da solidariedade e da moralidade integradoras das quais lhe pareciam tão carentes as sociedades industriais.
    O estado de anarquia era fruto da distribuição injusta da riqueza mas, da falta de regulamentação das atividades econômicas.

A CULTURA
    a educação “cria no homem um ser novo”, insere-o em uma sociedade, leva-o a compartilhar com outros de uma certa escala de valores, sentimentos, comportamentos.
    Aponta as culturas como primitivas e sofisticadas.
    Cai no Etnocentrismo, que é olhar o outro, a partir de seus valores.