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quinta-feira, 15 de outubro de 2020

Pressupostos sobre Testagem e Avaliação Psicológica

 PRESSUPOSTO 1: Existem traços e estados psicológicos

  • Traço é  “qualquer forma distinguível, relativamente estável em que um indivíduo varia em relação a outro” (Guilford, 1959, p. 6). 
  • Os estados também diferenciam uma pessoa de outra, mas são um pouco menos duradouros (Chaplin et al., 1988).
  • Amostras de comportamento podem ser obtidas de inúmeras formas, variando de observação direta à análise de afirmações de autorrelato ou de respostas de testes de lápis e papel.

Traço Psicológico  

  • abrange uma ampla variedade de possíveis características. 
  • Existem milhares de termos para traços psicológicos (Allport e Odbert, 1936). 
  • Podem ser o traços psicológicos que dizem respeito a inteligência, capacidades intelectuais específicas, estilo cognitivo, ajustamento, interesses, atitudes, orientação e preferências sexuais, psicopatologia, personalidade em geral e traços de personalidade específicos.
Para a Psicologia, um traço psicológico existe apenas como um construto – um conceito informado, científico desenvolvido ou construído para descrever ou explicar um comportamento.  
  • Não se pode ver, ouvir ou tocar um constructo mas podemos deduzir sua existência a partir de um comportamento manifesto.
  • Comportamento manifesto refere-se a uma ação observável ou ao produto de uma ação observável, incluindo respostas relacionadas a um teste ou a uma avaliação. 
  •  não é esperado que um traço seja manifestado no comportamento 100% das vezes.
  • A manifestação e a intensidade do traço no comportamento observável depende do indivíduo na interação com o meio, a natureza da situação influencia na forma como esse traço aparece.
  • O traço e o estado psicológico também variam na forma como um indivíduo varia em relação a outro. O avaliador pode compara o indivíduo, por exemplo, a um grupo no qual ele pertença.
PRESSUPOSTO 2: Traços e estados psicológicos podem ser quantificados
  • os traços e estados específicos a serem medidos e quantificados precisam ser cuidadosamente definidos.
  • Pode-se usar uma mesma palavra que dependendo do contexto trazem diferentes signifcados, por isso precisam ser bem definidos.
  • o desenvolvedor do teste precisa fornecer aos aplicadores uma definição operacional clara do construto sob estudo.
  • Após definido o traço, o estado ou outro construto a ser medido, o desenvolvedor de um teste considera os tipos de conteúdo de itens que proporcionariam uma compreensão dele
  • Medir traços e estados por meio de um teste implica desenvolver não apenas itens de teste apropriados mas também formas apropriadas de pontuar o teste e interpretar os resultados. 
  •  o escore do teste representa a força da habilidade ou do traço ou do estado visado e com frequência se baseie no escore cumulativo, que é indicativo de que mais alto é o nível de desse testando na habilidade ou no traço visados.
PRESSUPOSTO 3: Comportamento relacionado ao teste prediz comportamento não relacionado ao teste
  • testes envolvem tarefas como preencher pequenas grades com um lápis número 2 ou simplesmente pressionar teclas em um teclado de computador com o objetivo de fornecer alguma indicação de outros aspectos do comportamento do examinando.
  • As tarefas em alguns testes imitam os comportamentos reais que o aplicador está tentando entender. 
  • A amostra de comportamento obtida costuma ser usada para fazer previsões sobre comportamento futuro, tal como desempenho no trabalho de um candidato a emprego, também para auxiliar no entendimento do comportamento que já ocorreu.
  • Está além da capacidade de qualquer procedimento de testagem ou avaliação conhecido reconstruir o estado mental de alguém. Contudo, amostras de comportamento podem esclarecer, sob certas circunstâncias, o estado mental de alguém no passado.
  • Outros instrumentos de avaliação ajudam a construir a história do avaliado.
PRESSUPOSTO 4: Testes e outras técnicas de mensuração têm pontos fortes e pontos fracos
  • Aplicadores de testes deveriam entender como foi desenvolvido o teste, como aplicá-lo, em que circunstâncias, a quem deve ser aplicado e como os resultados devem ser interpretados. Reconhece as limitações dos testes
PRESSUPOSTO 5: Várias fontes de erro são parte do processo de avaliação
  •  Erro é alguma coisa que é mais do que esperada;  um componente do processo de mensuração.
  • variância do erro, ou seja, o componente do escore de um teste atribuível a outras fontes além do traço ou da capacidade medida.(Exemplo de variância: estar gripado ou não ao realizar o teste)
  • Os avaliadores e avaliados são fontes de variância do erro. 
  •  os próprios instrumentos de mensuração são outra fonte de variância do erro.
PRESSUPOSTO 6: A testagem e a avaliação podem ser conduzidas de maneira justa e imparcial
  • Pressuposto mais controverso.
  • Há uma  demanda social por testes justos usados de uma maneira justa
  • editores  buscam desenvolver instrumentos que sejam justos quando usados de estrito acordo com as diretrizes no manual do teste.
  • questões e problemas relativos à imparcialidade surgem de modo ocasional
  • Em todos os questionamentos relacionados à imparcialidade em testes, é importante ter em mente que os testes são instrumentos. E, assim como outros instrumentos mais familiares (martelos, picadores de gelo, alicates, etc.), eles podem ser usados correta ou incorretamente.
PRESSUPOSTO 7: A testagem e a avaliação beneficiam a sociedade
  • Em um mundo sem testes é provável que  fosse mais um pesadelo do que um sonho. 
  • pessoas poderiam se apresentar como cirurgiões, construtores de pontes ou pilotos de avião independentemente de seu conhecimento, sua habilidade ou suas credenciais profissionais
  • professores e administradores de escolas poderiam colocar as crianças de forma arbitrária em diferentes tipos de classes especiais simplesmente 
  • não haveria uma forma prática de os militares avaliarem milhares de recrutas em relação a muitas variáveis fundamentais.
  •  a necessidade de testes, sobretudo de bons testes. E isso, sem dúvida, levanta uma questão de importância fundamental...O que é um "bom teste"? 
CRITÉRIOS para um "bom teste"?
  • Instruções  claras para aplicação, pontuação e interpretação.
  • Economia de tempo e dinheiro
  • Aquele que mede o que se propõe a medir. 
  • Solidez psicométrica dos testes, da qual dois aspectos fundamentais são a fidedignidade e a validade.
  • Fidedignidade: envolve a consistência do instrumento de mensuração. O instrumento de mensuração perfeitamente fidedigno mede da mesma maneira com consistência
  • Validade: Um teste é considerado válido para um propósito em particular se de fato medir o que se propõe a medir.  Um teste de tempo de reação é válido se medir com precisão o tempo de reação. Um teste de inteligência é válido se verdadeiramente medir a inteligência.

Referências: 
COHEN, R.J.; SWERDLIK, M.E; STURMAN, E.D. Testagem e Avaliação Psicológica, introdução a testes e medidas. 8 edição. Porto Alegre, 2014. Capítulo 4: Sobre testes e testagem. pg. 117-125.

quarta-feira, 14 de outubro de 2020

Avaliação Psicológica X Testagem Psicológica

Um equívoco...

Comumente os termos Avaliação Psicológica e Testagem Psicológica são utilizados como sinônimos, no entanto, são processos diferentes, mas complementares. Isso porque ao longo da história da testagem, os testes foram usados em larga escala para diversos fins e que muitas vezes sofreram alterações para atingir a meta desejada. 

O termo “testagem” corresponde desde a administração até a interpretação do teste (CHAPMAN, 1921; HULL, 1922; SPEARMAN, 1927).

Assim, mesmo sem estar correlacionada a demanda vigente, alguns testes foram utilizados e diante disso seu uso passou a ser mediante comprovação de habilidade para tal. Deste modo, a Associação Americana de Psicologia (APA) reconheceu a necessidade de criar critérios para cada modalidade de testagem. Nesse sentido, foram criados níveis de graduação para que o profissional adquirisse e utilizasse o referido material. 

No Brasil, foi criado o código de Ética que contempla as diretrizes relacionadas ao campo da testagem e da Avaliação Psicológica, com fins de orientação aos profissionais, uma vez que, pelo uso desenfreado dos testes, as avaliações passaram a ser passiveis de reinvindicações e serem contrariadas (URBINA, 2007).

A avaliação psicológica...

No que tange ao campo de avaliação psicológica, diz-se que este é um processo sistemático e complexo e que diferente do teste. Não é possível obter uma avaliação apenas em um encontro com o candidato. Por ser estruturada e flexível, a avaliação engloba técnicas e instrumentos diversos que visam ampliar o conhecimento acerca da demanda e reunir o maior número de informações possíveis. 

Os ambientes militar, clínico, educacional e comercial são alguns contextos em que é possível observar a integração de pontuações de testes e outros dados. Nessas situações, o termo avaliação pode ser substituído por testagem.

Nessa perspectiva da avaliação psicológica, o teste pode entrar em cena. A palavra pode, indica possibilidade, e é este termo mesmo que nos referimos haja vista que o teste é uma ferramenta útil na avaliação, mas não é a única. Por si só, o teste psicológico não consegue abarcar a complexidade do individuo ou avaliá-lo na totalidade, mas consegue mensurar partes de seu comportamento, personalidade, afetividade ou cognição.

Testes Psicológicos...

Diante disso, os testes psicológicos conseguem trazer ou fornecer dados que podem levar a uma tomada de decisão a partir do resultado da avaliação e não apenas do teste em si. 

Os testes são importantes porque além de corresponder a uma ferramenta privativa do psicólogo, são capazes de predizer comportamentos, classificar ou diferenciar questões nosológicas, entre outras situações.

A testagem...

De modo mais simples, a testagem é mais rápida, barata e pode ser utilizada em grupos ou individual, diferente da avaliação que geralmente envolve a coleta e a integração de dados relacionados à psicologia com a finalidade de fazer uma estimação psicológica, que é realizada por meio de instrumentos como testes, entrevistas, estudos de caso, observação comportamental e aparatos e procedimentos de medida especialmente projetados.

Geralmente é feita ao longo de várias sessões mediante o levantamento prévio das informações que objetivam a demanda e são finalizadas mediante a entrevista devolutiva que descreve as conclusões e passos da referida avaliação.

Por fim, pode-se dizer que a Avaliação Psicológica é um processo que possui uma finalidade específica e que para tal utiliza métodos, técnicas e instrumentos específicos para cada tipo de situação em questão.

Referência: Aula de 28/09

quarta-feira, 30 de setembro de 2020

O ensino das avaliações psicológicas no Brasil - Síntese

  O QUE É...

  • a avaliação psicológica é um procedimento que está inserido em todas as áreas de atuação profissional do psicólogo.
  • antes da avaliação é necessário que se faça a análise do funcionamento dos indivíduos para atender adequadamente suas demandas.
A IMPORTÂNCIA DA AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA PARA O PSICÓLOGO

A AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA...
  •  deve ser componente curricular obrigatório
  •  está inserida em todas as áreas da Psicologia.
  • desenvolve a compreensão sobre técnicas de coleta de informações.
  • Permite integrar dados provenientes de diferentes fontes
  • Construção de relato de resultados
  • devolutiva de informações.
  • está relacionada a um conjunto de habilidades que todo psicólogo deve adquirir ao longo de sua formação, independentemente da área que irá atuar profissionalmente.
  • Ganha sentido quando associadas a outras áreas da Psicologia, como: Psicopatologia, Desenvolvimento Humano, Diferenças Individuais, Processos Básicos em Psicologia.
  • promove o desenvolvimento do raciocínio em Psicologia.
  • Não se restringe, portanto, ao ensino de técnicas isoladas de outros contextos da Psicologia.
  • Proporciona ao estudante experiências teórico-práticas resultando no desenvolvimento de competências para uma atuação autônoma e responsável.
  • A responsabilidade permeia o Código de Ética do Psicólogo, que proporciona um infindável processo de reflexão sobre as práticas psicológicas.
Ao longo do processo de formação do psicólogo, espera-se que possam desenvolver 27 competências básicas, listadas a seguir:
  1. Conhecer os processos históricos da avaliação psicológica em âmbito nacional e internacional
  2. Conhecer a Legislação pertinente à avaliação Psicológica: 
  • Resoluções do CFP, 
  • Código de Ética Profissional do psicólogo, 
  • Histórico do Sistema de Avaliação dos Testes Psicológicos-SATEPSI)
      3. Considerar os aspectos éticos na realização da avaliação psicológica.
      4. Analisar se há condições de espaço físico adequados para a avaliação e estabelecer condições suficientes para tal.
      5. Ser capaz de compreender a avaliação psicológica enquanto processo, aluando seus conceitos às técnicas de avaliação.
      6. Ter conhecimento sobre funções, origem, natureza e uso dos testes de avaliação psicológica.
      7. Ter conhecimento sobre o processo de construção de instrumentos psicológicos.
      8. ter conhecimento sobre validade, precisão, normatização e padronização de instrumentos psicológicos.
      9. Escolher e interpretar tabelas normativas dos manuais de testes psicológicos.
     10. ter capacidade crítica para refletir sobre as consequências sociais da avaliação psicológica.
     11. Saber avaliar fenômenos humanos de ordem cognitiva, afetiva e comportamental em diferentes contextos.
     12. Ter conhecimento sobre a fundamentação teórica de testes psicométricos e do fenômeno avaliado.
     13, Saber administrar, corrigir, interpretar e redigir os resultados de testes psicológicos e outras técnicas de avaliação.
     14.Selecionar instrumentos e técnicas de avaliação de acordo com objetivos , público alvo e contexto.
     15. ter conhecimento sobre a fundamentação teórica de testes projetivos e/ou expressivos e do fenômeno avaliado.
     16.  saber planejar uma avaliação psicológica de acordo com objetivo, público alvo e contexto.
     17. Planejar processos avaliativos e agor de forma coerente com os referenciais teóricos adotados.
     18. Identificar e conhecer peculiaridades de diferentes contextos de aplicação da avaliação psicológica;
     19. Saber estabelecer rapport no momento da avaliação.
     20. Conhecer teorias sobre entrevista psicológica e conduzi-las com propriedade.
     21. Conhecer teorias sobre observação  do comportamento e conduzi-las adequadamente.
     22. Identificar as possibilidades de uso e limitações de diferentes técnicas de avaliação psicológica, analisando-as de forma crítica.
     23. Comparar e integrar informações de diferentes fontes obtidos na avaliação psicológica.
     24. Fundamentar teoricamente os resultados decorrentes da avaliação psicológica.
     25. Elaborar laudos e documentos psicológicos, bem como, ajustar sua linguagem e conteúdo de acordo com destinatário e contexto.
     26. Comunicar resultados decorrentes da avaliação psicológica aos envolvidos no processo, por meio de devolutiva verbal.
     27. Realizar encaminhamentos ou sugerir intervenções de acordo com os resultados obtidos no processo de avaliação psicológica.

PARTE 2: DISCIPLINAS E CONTEÚDOS PROGRAMÁTICOS BÁSICOS.
  • Processos psicológicos básicos
  • Construção de Instrumentos psicológicos
  • Fundamentação teórica de testes psicométricos para avaliação cognitiva.
  • Administração, correção. interpretação, e redação dos resultados de testes psicológicos e outras técnicas de avaliação afetiva e comportamental.
  • Psicopatologias I, II, III
  • Estágio básico, obrigatório supervisionado em avaliação psicológica.


REFERÊNCIAS

Slide do professor Lucas Matias Félix