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quinta-feira, 2 de abril de 2020

O Cérebro do Adolescente



O cérebro do adolescente é uma obra em construção, já que até a puberdade, as células cerebrais aumentam suas conexões, porém, muitos desses neurônios não são utilizados( MEYERS/DEWALL, 2017, pg.168).


 Fonte: Papalia; Feldman, 2013

No processo de amadurecimento dos adolescentes, seus lobos frontais continuam a se desenvolver. Segundo Kuhn (2006); Silveri et al (2006) apud Meyers/Dewall (2017),  o crescimento da MIELINA, tecido adiposo que se forma em torno dos axônios e acelera a neurotransmissão, permite melhor comunicação com outras regiões do cérebro. Essas mudanças trazem maior discernimento,  controle dos impulsos e capacidade de planejamento de longo prazo.

O desenvolvimento do lobo frontal aprece ficar defasado em relação ao desenvolvimento do sistema límbico emocional, cujas emoções são muitos intensas e polarizadas no adolescente, daí se explica a impulsividade ocasional do adolescente,os comportamentos de risco e o turbilhão de emoções que eles trazem, como as batidas de portas, as músicas altas, etc.

Adolescentes mais jovens, que ainda não estão com suas capacidades de fazer planos de longo prazo e controlar impulsos, acabam sucumbindo a determinadas situações tais como: fumar, pois subestimam os riscos do tabagismo, dirigir em alta velocidade, praticar sexo sem proteção, etc. Adolescentes acham as recompensas das atitudes mais estimulantes que os adultos, então buscam emoções e recompensas, sem controle de seus impulsos.

Os lobos frontais amadurecem até os 25 anos, no início da fase adulta. Mudanças drásticas nas estruturas cerebrais envolvidas nas emoções, no julgamento, na organização do comportamento e autocontrole ocorrem entre  a puberdade e o início  da vida adulta ( PAPALIA;FELDMAN,2013, pg.392).

A propensão ao comportamento de risco, segundo Steinberg (2007) apud Papalia;feldman, 2013, pg. 393, parece estar ligado a duas redes cerebrais:

  • Rede socioemocional - sensível aos estímulos sociais e emocionais. É mais ativa na adolescência, com tendências a explosões emocionais. Os jovens processam as informações sobre as emoções através da AMÍDALA, pequena estrutura em forma de amêndoa localizada no lobo temporal e que está fortemente envolvida as reações emocionais e instintivas.
  • Rede de controle cognitivo - regula as respostas a estímulos. Se desenvolve mais no início da fase adulta. Final da adolescência,  apresentam padrões mais maduros, devido ao desenvolvimento dos LOBOS FRONTAIS, responsáveis pelo planejamento, organização,  raciocínio, modulação emocional e controle dos impulsos, julgamentos mais precisos e razoáveis.
O desenvolvimento imatura do cérebro adolescente permite que os sentimentos se sobreponham a razão.


REFERÊNCIAS:

MEYERS; DEWALL, 2017.  Psicologia.
PAPALIA; FELDMAN, 2013. Desenvolvimento Humano



Google Imagens

Estrutura anatômica do Sistema Nervoso

O SISTEMA NERVOSO se dividi em: SNC e SNP


SNC - Sistema Nervoso Central  é composto de duas partes: encéfalo e medula espinhal.

  • ENCÉFALO - localiza-se inteiramente no crânio e é composto de três partes:
          CÉREBRO - divide-se em dois hemisférios cerebrais, separados por uma profunda fissura sagital: Hemisfério cerebral direito (recebe sensações e controla os movimentos do lado esquerdo)
            Hemisfério cerebral esquerdo (está envolvido com as sensações e controla os movimentos do lado direito.Pode-se sobreviver a determinados danos causados no cerebro.
           
           CEREBELO - situa-se atrás do cérebro. Composto de diversos neurônios, assim como os Hemisférios direito e esquerdo. É o centro de controle dos movimentos que possui extensivas conexões com o cérebro e a medula espinhal. Ao contrário dos hemisférios, o lado direito do cerebelo, se relaciona com movimentos do mesmo lado direito; o lado esquerdo do cerebelo se relaciona com os movimentos do mesmo lado esquerdo. Pode-se sobreviver a determinados danos causados no cerebelo.

           TRONCO ENCEFÁLICO - É a porção restante do encéfalo, que forma um talo por onde os hemisférios cerebrais e o cerebelo se originam. É um conjunto complexo de fibras e células que leva informações entre cérebro, medula e cerebelo. Além disso, regula as funções vitais como respiração, consciência e temperatura. Qualquer dano causado ao tronco encefálico resulta em morte rápida.
  • MEDULA ESPINHAL
É envolvida pela coluna vertebral óssea e está colada ao tronco encefálico. É o maior condutor de informação da pele, das articulações e dos músculos ao encéfalo e do encéfalo para a pele, articulações e músculos. A medula espinhal comunica-se com o corpo pelos nervos espinhais que formam parte do sistema nervoso periférico.  Cada nervo espinhal associa-se à medula espinhal por meio da raiz dorsal e da raiz ventral.


SNP - Sistema Nervoso Periférico , se divide em duas partes:





  1. SNP somático - composto de todos os nervos espinhais que inervam a pele, as articulações, os músculos que estão sob controle voluntário. Os axônios sensoriais somáticos que inervam e coletam informação da pele, músculos e articulações, entram na medula espinhal em agrupamentos chamados GÂNGLIOS DA RAIZ DORSAL. Existe um Gânglio da raiz dorsal para cada nervo espinhal
  2. SNP visceral -  também chamado de involuntário, autônomo ou sistema nervoso vegetativo (SNV), é formado por neurônios que inervam órgãos internos, vasos sanguíneos e glândulas. Os axônios sensoriais viscerais carreiam informação sobre funções viscerais ao SNC, como, pressão e conteúdo de oxigênio do sangue arterial. As fibras viscerais motoras comandam a contração e o relaxamento dos músculos lisos que formam as paredes dos intestinos e dos vasos sanguíneos, a freqüência da contração do músculo cardíaco e a função secretora de várias glândulas. 
Os AXÔNIOS correspondem à cauda do neurônio e podem ser: AFERENTES E EFERENTES
  • AFERENTES (QUE LEVA)
  • EFERENTES ( QUE TRAZ)

Os axônios sensoriais somáticos ou viscerais que trazem informação para o SNC são aferentes. Os axônios que emergem do SNC para inervar músculos e glândulas são eferentes.


O SNP está subdividido em:
  • Gânglios
  • Nervos
  • Terminações nervosas
Estrutura Anatômica do Còrtex Cerebral

LOBO FRONTAL - "O lobo frontal se encontra na parte mais anterior do encéfalo, mais precisamente ocupando todo o córtex cerebral a partir do sulco central. É considerado um lobo muito importante devido ao fato de que cumpre funções centrais no processamento da informação, especialmente as informações que têm um caráter executivo.Ao agruparmos as diferentes estruturas funcionais desse lobo, podemos falar de duas grandes áreas. Uma delas seria a área correspondente às funções motoras, o córtex motor, cumprindo todas as funções do movimento. A outra área seria o córtex pré-frontal, encarregado dos processos executivos, da tomada de decisões e de diferentes aspectos relacionados com a regulação das emoções."


LOBO PARIETAL - "As lesões no lobo parietal nos impediriam, por exemplo, de nos vestirmos e até de voltarmos para casa. Esta área do nosso cérebro é fundamental para interagir com tudo que nos rodeia.Sentir um toque ou a intensidade de um abraço. Dançar. Conseguir se orientar em uma nova cidade durante uma viagem. Pegar um objeto e lembrar de um momento feliz do passado… Estes e muitos outros tipos de processos relacionados às sensações, memórias e orientação espacial são governados por essa importante área do nosso cérebro: o lobo parietal"

LOBO TEMPORAL - Área da afetividade e da memória. "Uma lesão ou alteração no lobo temporal pode causar diferentes tipos de surdez e até mesmo uma grande depressão. Conhecer as funções dessa estrutura nos permite saber muito mais sobre nós mesmos. Comunicar com eficácia. Ler e escrever. Lembrar de um beijo marcante. Experimentar o desejo sexual. Cuidar da nossa estabilidade emocional. Saber para que serve um livro ou um elevador. Se emocionar ao ver um filme. Todos estes e muitos outros processos são regulados por uma área muito específica: o lobo temporal."

LOBO OCCIPTAL  - estrutura e funções. "Respire fundo e dê uma olhada em tudo que o rodeia neste exato momento, sem pressa. O mundo está cheio de belezas, de pequenas nuances que compõem a nossa apaixonante realidade. Se a maioria de nós é capaz de perceber cada estímulo visual que nos rodeia, isso se deve, em essência, ao lobo occipital, área do nosso cérebro localizada na altura da nuca. É impressionante como essa região, sendo a menor entre o restante dos lobos cerebrais, é a que mais marca a nossa vida cotidiana. O seu principal objetivo pode parecer simples no início: receber informações através dos nossos olhos para depois processá-las e conduzi-las ao lobo frontal para que ele emita uma resposta. Agora, se analisarmos cuidadosamente a olhada que demos ao nosso redor, perceberemos que essa tarefa não é tão fácil quanto parece. Quando o nosso cérebro olha para cada estímulo, realiza um grande número de processos. Analisa as distâncias em relação à nossa posição, movimentos e tamanhos, e também processa a luz (cor). Isso é algo que fazemos sem ter consciência, implica uma alta sofisticação neurológica, uma precisão absoluta, onde o lobo occipital nos permite nos movermos efetivamente no nosso dia a dia. É pequeno, mas altamente especializado e eficaz. "

ÍNSULA - Fica no sulco onde os lobos frontal, parietal e temporal se encontram.  Trabalha com outras duas estruturas cerebrais: córtex pré-frontal e a amígdala. Sua função é interpretar o cérebro ao traduzi sons, cheiros ou sabores em emoções e sentimentos como nojo, desejo, orgulho, arrependimento, culpa ou empatia. Tem o formato de uma ameixa seca.

REFERÊNCIAS:
LENT, Roberto. Neurociências, desvendando o Sistema Nervoso.






terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Aula de 18/02 - Anotações sobre Presente, passado e futuro da Neurociências.

Anotações: 

Sistema Nervoso Central e Periférico.

  

  • No sistema nervoso estão todos os processos psíquicos e a Psicologia estuda esses processos. Por isso, a Neurociências está presente no contexto da Psicologia.
  • A Neurociência, enquanto conjunto de disciplinas foi descoberta na década de 70, mas passou a ser estudada somente na década de 90. Portanto, tudo que se sabe sobre o cérebro é de 10 a 20 anos para cá.
  • A Neuropsicologia trabalha os processos básicos cognitivos e psíquicos, como a memória, a aprendizagem, as emoções.
  • Sinapses são as comunicações de um neurônio com outro neurônio.
  • Ansiedade é um sistema para que o indivíduo lute ou fuja, mas tem pessoas não adaptativas que acabam paralisando. 
  • A gente só consegue guardar mais informações em nossa memória quando dormimos bem, O sono é fundamental, pois durante o sono ocorrem várias sinapses.
  • AFASIA: A é um prefixo de negação. FASIA diz respeito à fala. Logo, AFASIA é a não fala, dificuldade na fala.
EGÍPCIOS - Imaginavam que havia alguma estrutura do corpo ligada aos pensamentos mas, não nomeavam de cérebro.
GREGOS - acreditavam que o controle era o centro do comportamento, e que, o cérebro resfriava esse centro, como uma  máquina. Aristóteles dizia haver uma "caixa preta" do comportamento.


HIPÓCRATES estudou os nervos a partir da observação de que o indivíduo que sofria uma lesão do lado direito do crânio, sofria uma paralisia do lado esquerdo, e vice-versa.  É ele que vai dizer que o CÉREBRO é a sede da inteligência e responsável por perceber o ambiente.




GALENO concordava com Hipócrates. Ele estudou o cérebro em ovelhas, observando que haviam no cérebro duas partes: uma macia, que supunha pertencer às sensações , e uma mais dura, que sugeriu controlar os músculos. Fez diversas cirurgias no cérebro dos gladiadores, conseguindo observar que haviam NERVOS SENSORIAIS projetados para o CÉREBRO e que, quando afetados, ocasionavam lesões físicas. Sugeriu que as memórias são maiores e conseguem fazer mais sinapses na parte mais macia do cérebro, chamada CÓRTEX. Ele confirmou que existem os NERVOS, e que esses nervos que adentravam o cérebro, eram nervos sensoriais. Galeno confirmou as hipóteses sugeridas por Hipócrates nas cirurgias feitas nos gladiadores, confirmando assim, que as lesões ocorridas no cérebro afetavam os movimentos físicos do outro lado do corpo.

RENASCENÇA - Traz a Teoria de Descartes, que procurou separar a MENTE do CORPO. Descartes observou que a capacidade mental existia fora do encéfalo. Propôs que mecanismos cerebrais controlavam o comportamento, na medida em que se assemelhavam aos animais. 
Levantou a hipótese de que a alma estaria na GLÂNDULA PINEAL, que só existe no CÉREBRO HUMANO. 

Os animais não têm a glândula pineal, portanto, não poderia estar no cérebro, já que ambos, animais e seres humanos têm cérebro. Observou também, que o corpo caloso do cérebro dos humanos era diferente nos animais, sugerindo que a alma estaria nos dois órgãos, glândula pineal e corpo caloso do cérebro humano. O corpo deixa de ser sagrado, com o racionalismo.  Nessa época tentou-se, estabelecer algumas estruturas do cérebro. descartes afirmou ser a glândula pineal o ponto de partida da comunicação entre corpo e a mente. Atualmente, sabe-se que, não há separação entre mente e corpo, tudo está interligado, ambos se comunicam o tempo todo.



O CÓRTEX CEREBRAL  é a capa da camada cinzenta do cérebro. A camada branca é responsável pela transmissão das informações. As capacidades humanas estão no córtex cerebral, portanto, a hipótese de Descartes estava errada, pois não é o tamanho do cérebro, mas a capacidade de memória que o diferencia. A substância branca do cérebro possui neurônios mais compridos, portanto, ocorrem mais sinapses.


Fontes: Google Imagens 
Anotações em sala de aula.

sábado, 29 de junho de 2019

Organização estrutural e funcional do Sistema Nervoso

O Sistema Nervoso se divide em Sistema Nervoso Central e Sistema Nervoso Periférico, conforme pode ser visto a seguir:

SISTEMA NERVOSO CENTRAL (SNC)

  • São partes do Sistema Nervoso envolvidas por ossos: ENCÉFALO e MEDULA ESPINHAL.

O ENCÉFALO:
  •  Se localiza inteiramente no crânio 
  • Possui três partes: o CÉREBRO, o CEREBELO e o TRONCO ENCEFÁLICO.
    • CÉREBRO:  porção mais larga do encéfalo; possui dois hemisférios cerebrais: hemisfério cerebral direito, responsável pelas sensações e controle dos movimentos do lado esquerdo; hemisfério cerebral esquerdo, responsável pelas sensações e movimentos do lado direito do corpo.

  • CEREBELO: porção menor do encéfalo, localizada atrás do cérebro; considerado um centro de controle do movimento e possui extensivas conexões com o cérebro e a medula espinhal; o lado esquerdo do cerebelo é envolvido pelos movimentos do lado esquerdo do corpo; o lado direito do cerebelo é envolvido com os movimentos do lado direito do corpo.
  • TRONCO ENCEFÁLICO: talo por onde os hemisférios cerebrais e o cerebelo se originam. Conjunto complexo de fibras e células, que envia informações do cérebro à medula espinhal e do cerebelo ao cérebro. Regula as funções vitais, como respiração, consciência e controle de temperatura. Danos causados nessa regi~]ao significa morte rápida.

 MEDULA ESPINHAL:
  •  Na coluna vertebral óssea e é colada no tronco encefálico;
  •  Maior condutor de informações da pele, das articulações e dos músculos ao encéfalo e do encéfalo para a pele, articulações e músculos;
  • Uma transsecção(corte) da medula espinhal resulta em anestesia, falta de sensibilidade na pele e paralisia muscular nos membros inferiores.
  • Se comunica com o corpo por meio dos nervos espinhais (emergem da medula espinhal dos espaços entre cada vértebra da coluna vertebral) , que forma parte do sistema nervoso periférico.
  • Cada nervo espinhal está associado à medula espinhal por meio da raiz dorsal (que contém axônios que trazem informações até a medula espinhal, como a sinalizar a entrada acidental de algo um prego em seu pé)  e da raiz ventral ( que transportam informações que saem fora da medula espinhal, como o músculo que retira seu pé em resposta à dor causada por um percevejo)

SISTEMA NERVOSO PERIFÉRICO (SNP)
  •  a todas as partes do Sistema Nervoso, exceto o encéfalo e a medula espinhal.
  • Se divide em duas partes:
    • SISTEMA NERVOSO PERIFÉRICO SOMÁTICO
  • Constitui-se de todos os nervos espinhais que inervam a pele, as articulações e os músculos que estão sob controle voluntário.
  • Axônios motores somáticos comandam a contração muscular e têm origem nos neurônios motores da medula espinhal ventral.
  • Os somas celulares dos neurônios  motores situam-se dentro do SNC, porém seus axônios estão predominantemente no SNP.
  • Axônios sensoriais somáticos que inervam e coletam informação da pele, dos músculos e das articulações, entram na medula espinhal pelas raízes dorsais.
  •  Os corpos desses neurônios localizam-se fora da medula espinhal em agrupamentos chamados gânglios da raiz dorsal. Existe um gânglio da raiz dorsal para cada nervo espinhal 
    • SISTEMA NERVOSO PERIFÉRICO VISCERAL
  • chamado de involuntário, autônomo* ou sistema nervoso vegetativo (SNV), é formado por neurônios que inervam órgãos internos, vasos sanguíneos e glândulas.
  •  Os axônios sensoriais viscerais carreiam informação sobre funções viscerais ao SNC, como, pressão e conteúdo de oxigênio do sangue arterial.
  • As fibras viscerais motoras comandam a contração e o relaxamento dos músculos lisos que formam as paredes dos intestinos e dos vasos sanguíneos, a freqüência da contração do músculo cardíaco e a função secretora de várias glândulas.   Por exemplo, o SNP vegetativo controla a pressão sanguínea pela regulação da freqüência cardíaca e do diâmetro dos vasos sanguíneos. 

NERVOS CRANIANOS
  • Existem 12 pares de nervos cranianos que se originam no tronco encefálico e inervam principalmente a cabeça. 
  • Alguns dos nervos cranianos formam parte do SNC, outros formam parte do SNP somático, e ainda outros formam parte do SNP visceral. 
  • Muitos dos nervos cranianos contêm uma mistura complexa de axônios que realizam várias funções. 
  • Os nervos cranianos e suas funções estão resumidas no apêndice do capítulo.
  • Os primeiros dois “nervos” são, na verdade, parte do SNC e estão envolvidos com o olfato e a visão. Os demais são semelhantes aos nervos espinhais, uma vez que contêm axônios do SNP. Como mostra a ilustração, no entanto, um único nervo possui, às vezes, fibras com diferentes funções. 
  • O conhecimento dos nervos e suas diversas funções são de grande valor para ajudar no diagnóstico de diferentes distúrbios neurológicos. 
  • É importante salientar que os nervos cranianos estão associados aos núcleos de nervos cranianos no mesencéfalo, na ponte e no bulbo. Exemplos disso são os núcleos coclear e vestibular, que recebem informação do nervo VIII. 
Os núcleos de nervos cranianos têm nome, axônios e funções correspondentes a cada axônio, como podem ser visto a seguir:

I. Nervo Olfatório      
  • Tipo de Axônio: Sensorial especial 
  • Função mais importante: Olfato
II. Óptico   
  • Tipo de Axônio: Sensorial especial    
  • Função mais importante: Visão
III. Oculomotor 
  • Tipo de Axônio: Somático motor           
  • Funções mais importantes: Movimentos dos olhos e das pálpebras      
  • Tipo de Axônio: Visceral motor   
  • Função mais importante: Controle parassimpático do tamanho da pupila
IV. Troclear    
  • Tipo de Axônio:  Somático motor             
  • Função mais importante: Movimentos do olho
V. Trigêmeo   
  • Tipo de Axônio: Somático sensorial      
  • Função mais importante: Sensação do tato na face  
  • Tipo de Axônio: Somático motor 
  • Função mais importante: Movimentos dos músculos da mastigação
VI. Abducente    
  • Tipo de Axônio: Somático motor             
  • Função mais importante: Movimentos do olho
VII. Facial   
  • Tipo de Axônio:   Somático sensorial   
  • Função mais importante: Movimentos dos músculos da expressão facial        
  • Tipo de Axônio:  Sensorial especial  
  • Função mais importante: Sensação da gustação nos 2/3 anteriores da língua
VIII. Vestíbulo-Coclear    
  • Tipo de Axônio: Sensorial especial     
  • Função mais importante:  Audição e equilíbrio
IX. Glossofaríngeo 
  • Tipo de Axônio: Somático motor     
  • Função mais importante: Movimento dos músculos da garganta (orofaringe)           
  • Tipo de Axônio: Visceral motor     
  • Função mais importante: Controle parassimpático das glândulas salivares      
  • Tipo de Axônio: Sensorial especial   
  • Função mais importante: Sensação da gustação no 1/3 posterior da língua         
  • Tipo de Axônio: Sensorial visceral 
  • Função mais importante:   Detecção de alterações na pressão sanguínea na aorta
X. Vago
  • Tipo de Axônio: visceral motor    
  • Função mais importante: Controle parassimpático do coração, dos pulmões e dos órgãos abdominais     
  • Tipo de Axônio:  Sensorial visceral             
  • Função mais importante:  Nocicepção associada às vísceras Somático motor Movimento dos músculos da garganta (orofaringe)
XI. Acessório 
  • Tipo de Axônio: Somático motor
  • Função mais importante: Movimento dos músculos da garganta e do pescoço
XII. Hipoglosso 
  • Tipo de Axônio: Somático motor
  • Função mais importante: Movimentos da língua


REFERÊNCIAS:
BEAR, Mark F.; CONNORS, Barry W.; PARADISO, Michael A. Neurociências desvendando o Sistema Nervoso. 3ª Edição. Editora Artmed. Rio Grande do Sul, 2008.

quinta-feira, 27 de junho de 2019

Neurociências: passado, presente e futuro.


"O homem deve saber que de nenhum outro lugar, mas apenas do encéfalo, vem a alegria, o prazer, o riso e a diversão, o pesar, o luto, o desalento e a lamentação. E por isso, de uma maneira especial, nós adquirimos sabedoria e conhecimento e enxergamos e ouvimos e sabemos o que é justo e injusto, o que é bom e o que é ruim, o que é doce e o que é insípido... E pelo mesmo órgão nos tornamos loucos e delirantes, e medos e terrores nos assombram... Todas essas coisas nós temos de suportar do encéfalo quando não está sadio... Nesse sentido, opino que é o encéfalo quem exerce o maior poder sobre o homem. — Hipócrates, Sobre a Doença Sagrada (Séc. IV a.C.)"


 Embora a palavra Neurociência seja jovem, fundada em 1970 pela Sociedade de Neurociências norte-americana, o estudo do encéfalo é bem antigo. Os neurocientistas se debruçaram sobre diferentes disciplinas para compreender o sistema nervoso: medicina, biologia, psicologia, física, química e matemática.

 O que têm pensado os cientistas acerca do sistema nervoso ao longo dos anos?

AS ORIGENS DAS NEUROCIÊNCIAS

O Sistema Nervoso é composto pelo ENCÉFALO, MEDULA ESPINHAL e os NERVOS DO CORPO, e é responsável por SENTIR, MOVER-SE e PENSAR do ser humano.

EGÍPCIOS (5000 anos atrás): já tinham ciência sobre muitos sintomas de lesões cerebrais. Até a época de Hipócrates permaneceu a ideia de que o coração era a sede da consciência e do pensamento ao invés do encéfalo. Contudo os egípcios, já sabiam que  o coração, e não o encéfalo, era a sede do espírito e o repositório de memórias. De fato, enquanto o resto do corpo era cuidadosamente preservado para a vida após a morte, o encéfalo do morto era removido pelas narinas e jogado fora! 

GRÉCIA ANTIGA: Sua visão sobre o encéfalo, parte da ideia de que diferentes partes do corpo são diferentes porque servem a diferentes propósitos, ou seja, têm diferentes funções, supondo haver uma correlação entre ESTRUTURA E FUNÇÃO.

Sendo a cabeça especializada em perceber o ambiente através dos órgãos dos sentidos como: olhos, orelhas, nariz e língua, constatou-se que o encéfalo é o órgão das sensações conforme afirmou Hipócrates (460-379 a.C), pai da medicina ocidental. Aristóteles (384.322 a;C) se contrapõe a essa afirmativa, afirmando ser o coração o centro do intelecto e que a função do encéfalo é que resfriava o superaquecimento do coração.

IMPÉRIO ROMANO: O médico grego Galeno (130-200 d.C.) concordava com Hipócrates sobre o encéfalo. Fazia muitas dissecações em animais, onde através do cérebro dissecado de uma ovelha, pode identificar duas partes do encéfalo, sobre as quais tentou deduzir suas respectivas funções.
  • o cérebro, na frente;
  • o cerebelo, atrás.

Galeno percebeu que o cerebelo tinha uma estrutura mais firme que 
o cérebro. O cérebro tendo uma estrutura mais maleável, estaria comprometido com as sensações e percepções e é ainda, um repositório de memória, e o cerebelo, primariamente comprometido com o controle motor. Descobriu os ventrículos existentes no encéfalo, que funcionava de acordo com quatro fluidos vitais nele existente. Sua teoria permaneceu por quase 1500 anos.

RENASCENÇA AO SÉC. XIX:  Andreas Vesalius (1514-1564) anatomista da Renascença e inventores franceses do séc. XVII, reforçaram a ideia do encéfalo como uma máquinas que exerce uma série de funções, ou seja, um fluido forçado para fora dos ventrículos através dos nervos, poderiam bombear e movimentar os membros. 

Teoria de Fluido Mecânico, defendida por RENÉ DESCARTES (1596-1650), porém, a considerava incapaz de explicar o amplo espectro dos comportamentos humanos, pois já sabia que, as pessoas diferentemente dos animais, possuíam intelecto e uma alma dada por Deus. Comportamentos humanos semelhantes aos dos animais, poderíamos ser controlados por mecanismos cerebrais, ou seja no encéfalo. Porém, capacidades mentais exclusivamente humanas existiriam fora do encéfalo,na "mente" vista como uma entidade espiritual que recebia sensações e comandava movimentos através da glândula pineal.

SÉC XVII E XVIII cientistas passam a dar importância à substância cerebral. O tecido cerebral está dividido em duas partes:

  • a substância cinzenta 
  • a substância branca

 A substância branca, que tinha continuidade com os nervos do corpo, foi corretamente indicada como contendo as fibras que levam e trazem a informação para a substância cinzenta

Séc. XVIII o sistema nervoso já tinha sua anatomia descrita em detalhes:


  •  Reconheceu-se que o sistema nervoso tinha uma divisão central, consistindo no encéfalo e na medula espinhal, e uma divisão periférica, que consistia na rede de nervos que percorrem o corpo.
  • Um importante passo na neuroanatomia foi a observação de que o mesmo tipo de padrão de saliências (os giros) e sulcos (ou fissuras) podia ser identificado na superfície cerebral de cada indivíduo 
  • Esse padrão, que permite a divisão do cérebro em lobos, foi a base da especulação de que diferentes funções estariam localizadas em diferentes saliências do cérebro. 


A VISÃO DO SISTEMA NERVOSO NO SÉCULO XIX

O estágio de compreensão do sistema nervoso no fim do século XVIII: 
  • Lesão no encéfalo pode causar desorganização das sensações, movimentos e  
  • pensamentos, podendo levar à morte. O encéfalo se comunica com o corpo por meio dos nervos. 
  • O encéfalo apresenta partes diferentes identificáveis e que provavelmente 
  • executam diferentes funções. O encéfalo opera como uma máquina e segue as leis da natureza. 
  • Durante os cem anos que se seguiram, aprendemos mais sobre as funções do encéfalo do que foi aprendido em todos os períodos anteriores da história.

Foram feitas quatro descobertas-chave realizadas durante o século XIX:

NERVOS COMO FIOS: 
  •  o cientista italiano Luigi Galvani e o biólogo alemão Emil du Bois-Reymond haviam mostrado que os músculos podiam ser movimentados quando os nervos eram estimulados eletricamente e que o próprio encéfalo podia gerar eletricidade. Essas descobertas finalmente derrubaram a noção de que os nervos se comunicam com o encéfalo pelo movimento de fluidos. 
  • O novo conceito era de que os nervos eram como “fi os” que conduzem sinais elétricos do e para o encéfalo.
  • Em  1810, por um médico escocês, Charles Bell, e um fisiologista francês, François Magendie,  Observou as duas raízes dorsal( parte de trás da medula espinhal) e ventral ( pela frente). Ao cortar as raízes ventrais observou que havia paralisia muscular. As raízes dorsais levavam informações sensoriais para a medula espinhal.
  • Bell e Magendie usou o Método de ablação experimental, em que corta partes dos sistema nervoso para averiguar a sua função. Em 1823, o considerado fisiologista francês Marie-Jean-Pierre Flourens usou esse método em diferentes animais (especialmente em pássaros) para mostrar que o cerebelo realmente tem um papel na coordenação dos movimentos. 
GALL (1809) propõe haver diferentes tipos de personalidades, desde as mais talentosas às psicopatas. Surge e frenologia ciência que correlaciona a estrutura da cabeça com traços de personalidade.

Nervos como Fios. Benjamin Franklin (1751) publicou um panfleto intitulado Experimentos e Observações em Eletricidade, que levou a uma nova compreensão dos fenômenos elétricos.  O novo conceito era de que os nervos eram como “fios” que conduzem sinais elétricos do e para o encéfalo. O problema não-resolvido era se os sinais responsáveis pelo movimento nos músculos utilizavam os mesmos “fi os” que registravam a sensação na pele.

Em 1809,  Gall e seus seguidores coletaram e mediram cuidadosamente o crânio de centenas de pessoas, representando uma grande variedade de tipos de personalidades, desde os muito talentosos até psicopatas criminosos. Essa nova “ciência”, que correlacionava a estrutura da cabeça com traços da personalidade, foi chamada de frenologia. 

Bell e Magendie (1810) concluíram que, em cada nervo, existia uma mistura de muitos “fios”, alguns deles carregando informação para o encéfalo e para a medula espinhal, e outros levando informação para os músculos. Antes dos nervos se conectarem à medula espinhal, as fibras se dividem em dois ramos, ou raízes: a raiz dorsal entra pela parte de trás da medula espinhal e a raiz ventral, pela frente. Em cada fibra motora ou sensorial, a transmissão se dava exclusivamente em um único sentido. Os dois tipos de fibras aparecem unidos na maior parte da extensão do feixe, mas estão anatomicamente segregados quando entram ou saem da medula espinhal.


O fisiologista francês Marie-Jean-Pierre Flourens (1823) através de diferentes animais (especialmente em pássaros) mostrou que o cerebelo realmente tem um papel na coordenação dos movimentos. Ele também concluiu que o cérebro estava envolvido na percepção sensorial, como Bell e Galen já haviam sugerido.

BROCA (1861) após a morte de um paciente, ao examinar o cérebro humano, encontrou em seu encéfalo, uma lesão no lobo frontal esquerdo concluindo que essa é a parte responsável pela fala.

Essa estratégia de que, determinadas partes do sistema nervoso são sistematicamente destruídas para averiguar sua função, é chamada de método de ablação experimental. 





Gustav Fritsch e Eduard Hitzig mostraram, em 1870, que a aplicação de uma pequena corrente elétrica em uma região circunscrita da superfície cerebral exposta de um cachorro podia promover movimentos discretos.

David Ferrier repetiu esse experimento com macacos e em 1881, ele mostrou que a remoção dessa mesma região do cérebro causava paralisia muscular.

A EVOLUÇÃO DO SISTEMA NERVOSO E A NEUROCIÊNCIAS HOJE.
  • Em 1859, o biólogo inglês Charles Darwin (Figura 1.13) publicou A origem das espécies.  Ele articulou a Teoria da Evolução Natural: as espécies de organismos evoluíram de um ancestral comum.  Diferenças entre as espécies aparecem por um processo que Darwin chamou de seleção natural.
  • o neurônio: a unidade funcional básica do encéfalo.
  • o maior desafio da neurociências é compreender como funciona o encéfalo, a nível molecular, celular, de sistemas, comportamental e cognitivo.
  • NEUROCIÊNCIAS MOLECULARES: a matéria encefálica consiste em uma fantástica variedade de moléculas, muitas exclusivas do sistema nervoso, cada uma delas com diferentes papéis, responsáveis pela comunicação entre neurônios, controla entrada e saíde de materiais nos neurônios, etc.
  • NEUROCIÊNCIAS CELULARES: estuda como todas aquelas moléculas interagem para dar ao neurônio suas propriedades particulares, para identificar os diferentes tipos de neurônios, como eles se interconectam e como fazem suas computações.
  • NEUROCIÊNCIAS DE SISTEMAS: Constelações de neurônios formam circuitos complexos para realizar uma determinada função como a visão, tem-se o sistema visual, tem-se o sistema motor e assim por diante. Esses sistemas permitem os estudos e análises das sensações, percepções movimentos, etc.
  • NEUROCIÊNCIAS COMPORTAMENTAIS: sistemas neurais trabalham juntos para produzirem comportamentos integrados, como diferentes memórias são executadas de diferentes sistemas neurais.
  • NEUROCIÊNCIAS COGNITIVA: busca compreender os mecanismos neurais responsáveis pelas atividades mentais superiores do homem, como a consciência, a imaginação e a linguagem, ou seja, como a atividade do encéfalo cria a mente
REFERÊNCIAS:
BEAR, Mark F.; CONNORS, Barry W.; PARADISO, Michael A. Neurociências desvendando o Sistema Nervoso. 3ª Edição. Editora Artmed. Rio Grande do Sul, 2008.

sábado, 30 de março de 2019

Linguagem e Pensamento

LINGUAGEM

Conceito:
Nossas palavras faladas, escritas ou sinalizadas, e as formas como as combinamos para comunicar significados, constitui a linguagem.

Os componentes estruturais da linguagem são:

FONEMAS – conjunto básico de sons. Pessoas que crescem aprendendo um fonema, têm dificuldade de pronunciar fonemas de outras linguagens. A linguagem de sinais também tem blocos de construção parecidos com fonemas definidos pelos movimentos e a forma das mãos (Libras).

MORFEMAS – a maior unidade de uma língua(palavra) com significado. Ex.: no Inglês o sujeito I(eu). No português o artigo o, a.

GRAMÁTICA – sistema de regras em uma dada linguagem, que permite que nos comuniquemos e compreendamos uns aos outros (semântica e sintaxe).

           SEMÂNTICA –Estuda o significado e a interpretação do significado de uma palavra, signo, frase ou expressão. Tem a ver com formação ou mudança de sentido.

·        SINTAXE – Regras para combinação das palavras em frase gramaticalmente corretas. Parte da gramática que se preocupa com o sentido das palavras.

Exemplos:

·      -Ela, a noite, chegou. (O sujeito “ela” se relaciona com “a noite”, podemos substituir por “anoiteceu”, ou seja, equivale semanticamente, a anoiteceu.)
·    - Ela, à noite, chegou. (O sujeito “ela” se relaciona com o “verbo chegou”. Nesse caso a semântica é outra já que o a carrega a crase).

Estágios de desenvolvimento da linguagem:

ESTÁGIO DE BALBUCIO – 4º mês em diante. Os bebês emitem sons espontâneos, inicialmente com a linguagem doméstica. Marca o início da LINGUAGEM RECEPTIVA.

ESTÁGIO DE UMA PALAVRA – De 1 a 2 anos de idade, no qual a criança fala palavras isoladas, possui habilidades de associação, mostrar a figura de um peixe, e um peixe e ela associará. Parte da simplicidade para a complexidade. Habilidades para produzir uma palavra. LINGUAGEM PRODUTIVA.

ESTÁGIO DE DUAS PALAVRAS JUNTAS - De 2 a 5 anos de idade. Desenvolvimento das habilidades linguísticas, na qual a criança fala como um telegrama, como por exemplo, ir carro. LINGUAGEM TELEGRÁFICA.

O cérebro e a linguagem:

·       CÓRTEX MOTOR – a palavra é anunciada.
·       ÁREA DE BROCA – controla os músculos da fala.
·       ÁREA DE WERNICK – Interpreta o código auditivo.
·       GIRO ANGULAR – Transforma representações visuais em código auditivo.
·       CÓRTEX VISUAL – recebe palavras escritas como estímulos visuais.


PENSAMENTO
O que é Pensamento ou cognição?

Pensamento ou cognição, refere-se a todas as atividades associadas a processamento, conhecimento, recordação e comunicação, ou seja, compreender, conhecer, lembrar e falar.

Cognição são atividades mentais associadas ao pensamento, ao conhecimento, à lembrança e à comunicação.

O que é “CONCEITO”?

É um agrupamento mental de objetos, eventos, ideias ou pessoas similares, indispensável à comunicação. São organizados em hierarquia de categorias.

Formamos os conceitos por definição. Ex.: forma geométrica de três lados e o conceito de triângulo. Embora haja triângulos diferentes, o seu conceito de três lados não varia.

Formamos conceitos desenvolvendo “protótipos”, ou seja, “imagem mental” ou ainda o exemplo que melhor incorpora todos os aspectos que associamos a uma categoria. É um método rápido e fácil para ordenar as coisas em categorias.

Meios para se solucionar um problema:

Algoritmo - é uma regra ou procedimento metódico e lógico que assegura a resolução de um problema específico. Passo a passo. Maiores chances de acerto.

Heurística – é a estratégia simples de pensamento que nos permite fazer julgamentos e resolver problemas com eficácia. Mais propenso ao erro do que o algoritmo, pois, raciocina-se o tempo todo, sem a consciência do passo a passo.

Insights – Uma percepção súbita, muitas vezes inovadora, da solução de um problema. Aparece na mente de forma repentina.

A capacidade de resolver problemas e lidar com novas situações, que podem se dar por dois métodos:
·      
                 Método da tentativa e erro – Tentar até acertar.

·                  Método Algoritmo – procedimento passo a passo que garante a solução.

Obstáculo da resolução de problemas:

VIÉS DA CONFIRMAÇÃO – desconsidera novos problemas, novas evidências. Buscamos provas para confirmar nossas ideias, mais do que, buscamos provas para contradizê-las. Esquivam-se dos fatos e torna-se incoerente. Tendemos a buscas informações que apoiam nossas concepções e ignorar ou distorcer evidências contraditórias para que tenhamos “razão”, e acabamos nos equivocamos.

FIXAÇÃO – Incapacidade de ver um problema sob uma nova perspectiva, empregando um diferente conjunto  mental.

CONJUNTO MENTAL – Tendência de enfocar um problema de uma maneira particular, frequentemente, um modo bem-sucedido anteriormente, ficando fixo na mesma estratégia.

FIXAÇÃO FUNCIONAL – Limita o objeto à sua função mais óbvia. Exemplo disso, tem-se a cadeira cuja função mais óbvia é sentar. Porém, numa necessidade serviria para subir modificando sua função para a de uma escada, porém a pessoa com a fixação funcional só vai utiliza-la para sentar.

Tomada de decisões e julgamentos a partir da Heurística:

HEURÍSTICA DA REPRESENTATIVIDADE – Influencia muitas de nossas decisões no dia a dia. Julga a probabilidade do quão bem as coisas representam ou correspondem a um protótipo particular, nos levando a ignorar outras soluções.  

·       O seu ERRO está no “julgamento”. Exemplo: Nerd (Julga-se pela aparência de nerd que este seja supostamente inteligente, porém, sabe-se que nem toda pessoa com aparência de nerd é de fato inteligente.)

HEURÍSTICA DA DISPONIBILIDADE – Opera quando baseamos nossos julgamentos na informação que está disponível mentalmente.

·       O seu ERRO é “não enxergar outra forma de solucionar o problema”, já que se tem uma solução.

o   Exemplos:
§  U-D-T-Q-_-_-... (numerais um, dois, três, quatro, Cinco, Seis...)
    J-F-M-A-_-_-... ( meses do ano)

HEURÍSTICA INTUITIVA – Quando fazemos julgamentos, nossa ansiedade em confirmar as crenças que já possuímos, e a habilidade que temos para explicar nossos erros, nos leva ao excesso de confiança.

·                       Excesso de confiança – é uma tendência a superestimar a exatidão dos conhecimentos e julgamentos, o que pode comprometer uma decisão.

·                  Fenômenos da perseverança - muitas vezes é uma questão de sobrevivência já que a perseverança da crença quase sempre alimenta os conflitos sociais, desenvolvendo a predisposição em temer as coisas erradas e para sermos superconfiantes em nossos julgamentos. Exemplo: a crença que se tem da morte.

·                                   Intuição – também alimenta nossos temores e preconceitos profundos.

 Efeitos do Enquadramento – é a maneira como apresento decisões, podendo influenciar ou não as pessoas.

Relação entre Pensamento e Linguagem – estão intrinsecamente, ligados, entrelaçados. A linguagem influencia o pensamento, tanto quanto o pensamento influencia a linguagem. Não funcionam isoladamente, são ensinados isoladamente apenas para uma compreensão didática.