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segunda-feira, 20 de julho de 2020

Atena, Hermes e Dionisio - Aula 11 - Mitologia Grega e Psicologia Analítica


  • Hermes do grego Hermês, personifica o deus da comunicação, do ligar e desligar, do comércio, deus dos pastores e do rebanho, das almas.
  • Aquele que faz a mediação entre os deuses e os homens, criatividade.
Hermes é filho de Zeus e Maia. Logo ao nascer ele já consegue se desligar dos tecidos que envolviam o corpo da criança, o que um bebê não teria. Ele tem a capacidade de quebrar a lógica, paradigmas, aquilo que é considerado o comum, o certo, o lógico. Com isso, possui grandes habilidades em criar estratégias, criar planos. Hermes avista os rebanhos dos gados e quer para ele. Ele rouba os gados e amarra uma folha no rabo do gado, pois a medida que o gado ia andando iam apagando o rastro das pegadas. apolo deu falta das cabeças de gado e reclamou pra Zeus sobre o que tinha acontecido. Ele soube que Hermes teria roubado as cabeças de gado, que Apolo estaria tomando conta por uma punição. Zeus pergunta a Hermes se havia roubado e ele mente para Zeus dizendo que não roubou. Ele diz a Hermes para devolver as cabeças de gado e pede ao filho que nunca mais iria mentir. Ele devolve, promete que não vai emitir mas diz que não vai contar a verdade por inteiro.

O Tricster é o arquétipo do trapaceiro, promove  a quebra da logica, a ampliação da consciente, que acontece a partir de algo novo, contraditório, que possui um aspecto que deve ser rejeitado, desprezado e Hermes traz essa dinâmica consigo.

Na psicoterapia é necessário mediação no processo, na saúde, na saúde mental. o que envolve a capacidade de olhar para os opostos, o que é muito comum com aqueles que lidam com as coisas da psique. As coisas nem sempre são óbvias e lógicas, que as coisas precisam ser desse jeito ou daquele jeito. Na verdade é isso e aquilo e é preciso encontrar o meio de conviver com essas duas  realidades, e descobrir aquilo que ainda está oculto, subliminar, quando toda a verdade ainda não tiver sido revelada pelo cliente. É quando hermes fala que não é obrigado a dizer toda a verdade.

Ele quando nasceu Hermes criou a Lira a partir do casco de um tartaruga.Apolo ficou encantado com o som e da criação da lira. Isso traz a compensação do lado inferior de Apolo, que tem muita dificuldade de entrar em contato com a função sentimentos. Não sabia lidar com os pró´rios afetos e emoções, sobretudo, quando era contrariado. Tocado pelo som da lira, ele propôs a Hermes trocar as cabeças de gado com a lira. Com isso, Apolo começa a integrar os aspectos que estavam renegados ao seu inconsciente a partir do som da lira. Hermes carrega um caduceu, que pertencia a Apolo, e que foi trocado por uma flauta também criada por Hermes.

A capacidade de olhar para os opostos temos alteridade, que é a capacidade empática de me colocar no lugar do outro de maneira genuína, sentindo o que ele sente, percebendo as mesmas necessidades, não dizendo o que eu acho que é bom para ele. Quando dizemos o que achamos, sugerimos a partir de nosso narcisismo, de nossa visão de mundo.

Todos os deuses e deusas têm aspectos positivos e negativos. hermes tem a capacidade de fazer conexões, trazer coisas novas, quebrar paradigmas, sendo tão maleável, que não liga muito para as coisas, certas, as coisas que possuem regras, e acabar caindo no desvio do caminho reto, da corrupção, não cumprindo leis. Escândalos por desvios de toda ordem, política, sexual, moral. deve-se aí tem cuidado com a identificação inconsciente com esse padrão arquetípico.

Certa vez um palhaço veio a falecer e deixou algumas instruções certinhas para que seus companheiros seguissem no dia do seu enterro. pegaram o caixão e saíram andando, tiraram o corpo do caixão, num ambiente de comoção, e foram pro alto de um telhado. ambiente de sofrimento, dor e tristeza. No alto do telhado fizeram balança do corpo e jogaram o corpo do outro lado. Os palhaços com isso, queriam mostrar aquelas pessoas que não deviam levar a vida tão a serio, pois todos morrem. Isso motivou questionamentos a respeito dos padrões, o que é muito comum entre os adolescentes, que tem esse comportamento questionador. Mas quando na vida adulta, nos tornamos um questionador, enquanto estilo de vida, acabamos com dificuldade de seguir regras, normas, leis, rotinas, o que precisa ser respeito e seguido para se viver em sociedade.

Esse padrão de comportamento aparece muito nas psicoterapias, em que o adulto se comporta como um eterno adolescente, não cresce nunca. Sempre terá dificuldades com normas e valores, questionando sempre, tudo, todos,  não compreendendo as hierarquias, as normas e as regras.


  • ATENÁ do grego Athenâ, personifica a Grande Mãe.
  • Protetora da Pólis, sustentação das normas, medida, estratégia, justiça, filha do pai, deusa virgem, cultura e arte, democracia.
Atená  é aquela que é a filha do pai, nasce da cabeça de Zeus. A mãe de Atená é uma deusa sábia, deusa Nétis, e havia um profecia que dizia que o próximo filho que Zeus tivesse iria destroná-lo. Porém, Zeus se recusava a deixar seu cargo. Com isso, Zeus para impedir essa realidade, ele faz uma brincadeira a Nétis dizendo: duvido que você se transforme em um animal muito pequeno. Com isso Zeus começou a ter dores de cabeça, pediu ajuda a Hefesto, que pegou o machado e deu na cabeça de Zeus, e saiu Atená a deusa da sabedoria. Zeus ficou encantado com a filha que acabara de nascer de sua cabeça. 

No senso comum, observamos que certas filhas tem tudo a ver com a maneira de pensar do pai, da forma de ver a vida, relações calorosas, próximas, porém, essas filhas em alguns momentos, quando tem uma identificação inconsciente com a imagem arquetípica com Atená, vão ter muita dificuldade de relacionamento com outros homens. E Zeus pede a Atená que não tenha nenhum marido e ela atende ao pedido do pai. Acaba desenvolvendo o intelectual, acabam desenvolvendo a carreira, negócios, estudos, mas a vida afetiva, amorosa, pode acabar com problemas. Atená tem um predileção de estar com os homens, e o relacionamento com outras mulheres pode ficar complicado, pois tem um comportamento muito masculino. Sendo assim,  na psicoterapia, precisa ser olhado, esse lado mais sombrio, de expor sentimentos, do feminino, etc. Aspectos relacionados a ser frágil, demonstrar seus sentimentos talvez estejam por traz do ecudo de atená,

Atená ajuda Perseu a cortar a cabeça da medusa, que era uma mulher linda, maravilhosa que estava sendo perseguida por Poseidon. Medusa buscou o refúgio e socorro dentro do templo de Atená, que acabou ficando enojada por ela ter ido lá buscar socorro. Com isso, Medusa foi violentada dentro do templo de Atená, que pune Medusa transformando-a num mostro que petrifica as pessoas toda vez que alguém olhava para Medusa.

Isso mostra o que Atená faz com tudo o que envolve relacionamento, seja punido. Para ela se Medusa não tivesse entrado no templo dela, este não seria profanado. Ela não entende que Medusa na verdade foi violentada, sendo perseguida por Poseidon. Ela culpa e pune somente a mulher. Precisa ter um senso de justiça, de coerência, ao olhar para os fatos. Ela tem horror a relacionamento, a paixão, pois para isso, é preciso que ela baixe o escudo e abra espaço de intimidade para troca. Capacidade de tirar a persona no momento da intimidade.

Na sua busca pela górgona medusa, Perseu teve ajuda de Atená que lhe emprestou o cavalo alado Pergaso, teve as sandálias de Hermes para voar, o capacete de Ades que o tornaria invisível e a espada de Apolo. Com essas armas, o humano, o herói que nas céu da concepção entre o sagrado e o mortal, que tem a integração dos opostos em si, traz o aspecto simbólico da consciência e do inconsciente . Um ego que se submete ao caminho da individuação, dos desígnios propostos pelo self. quando o ego se abre para essa derrota moral, que diz não ter a capacidade moral, os aspectos compensatórios inconsciente poderá vir a seu favor. Com a ajuda dos deuses Perseu derrotou a medusa, olhou para os aspectos do monstro terrível, e assim verificou onde ela estava, fazendo uma manobra e cortando a cabeça da medusa, petrificando-a, e acabou se casando com a donzela Andrômeda. Levou a cabeça da medusa para Atená e colocou a cabeça da medusa em seu escudo, por isso ela passa uma visão terrível da sua imagem, correndo risco de ficar petrificado, rígido. É preciso ter a noção dos opostos  para não ficar paralisado.


  • Dionísio, do grego Diónysos, "estar em transe, ser tomado de um delírio sagrado", apreço pela experiência sensorial, intensidade passional, sexualidade, dança, teatro, agricultura, natureza, deus do vinho.
Ao olhar para a expressão êxtase e entusiasmos, pode-se pensar que acaba sendo a mesma coisa. Porém não é. Êxtase é um estado em que a consciência se rebaixa, o ego já não está tão presente, não sendo aquele que rege o comportamento. E os aspectos mais inconscientes ficam presente. E o entusiasmo é o deus que vem habitar dentro da gente. O texto bíblico diz que o cristão é templo do espírito santo. Ao olhar o aspecto dionisíaco que é o êxtase,  você sai de si e vem para dentro de você o deus. A expressão Namastê, diz que "o deus que habita em mim, saúda o deus que habita em você", que representa e reconhece o divino e o sagrado que habita cada um. Todas as concepções falam a mesma coisa, que existe um lado inconsciente que merece a devida importância, que deve ser reverenciado.

Dionísio nasce da relação entre Zeus e Sêmeni, que era uma mortal. Relacionamento fora do casamento, Hera perseguiu ambos também.  Hera vai até Sêmeni,  metamorfoseada numa velhinha acolhedora, prestativa, e conversa com Sêmeni, que na sua ingenuidade acaba falando e comentando sobre Zeus. 

Hera sabia que Zeus não poderia aparecer para uma mortal com todo o seu esplendor de sua glória, pois o mortal vendo o deus nessa situação ele poderia ser aniquilado. É a experiencia que a consciência  pode ter ao entrar em contato com o arquétipo, o ego pode entrar em dissolução uma fragmentação, caracterizado em surto, de esquizofrenia, psicose, problemas graves de saúde mental, pois lidar com o inconsciente é algo que precisa de muita cautela.

Hera convence a Sêmeni a pedir a Zeus para aparecer pra ela como ele aparece para sua esposa Hera. Zeus promete a Sêmeni que vai aparecer no esplendor de sua gloria, e ele olhou para ela e disse: peça qualquer coisa, eu não posso voltar ao meu juramento, e Zeus começou a se transformar, deus dos raios, luz com intensidade sobre uma mortal, virando cinzas Sêmeni.  Junto às cinzas de Sêmeni Zeus observa que ainda havia vida, pois ela estava grávida, havia um feto. Zeus recolhe o feto, coloca no interior de sua coxa, e foi onde ocorreu o resto da gestação de seu filho, deus Dionísio. Foi gestado na coxa de seu pai Zeus.

Hera também perseguia Dionísio,Chamou os Titãs para entreter dionísio quando criança ainda, que começaram a brincar com ele. Os titãs acabaram despedaçando e comeram o deus menino. Traz a ideia de fragmentação da consciência, fragmentação egoica, que foi o que aconteceu com Nietzch que desenvolveu uma esquizofrenia no final de sua vida, trazendo a identificação com o inconsciente, com o lado dionisíaco, em que NIetscz se intitulava como Zagreu, despedaçado, fragmentado. Zeus salvou o filho Dionísio, colhendo seu coração, e a partir daí, ressuscitou o Dionísio.  Zeus fulminou com seus raios os Titâs.
Da mesma forma no cristianismo, aquele que foi rejeitado e foi ressuscitado, traz a redenção para aqueles que rpecisavam de salvação, Dionisio traz a redenção para seu pai zeus que tinha uma postura relacionada ao poder, aprendendoa  acolher o menos, aquele que é considerado inferior, tendo a oportunidade de gerar a ressurreição e a transformação de nossa cosnciencia.

Dionisio reverencia o feminino, acolhe e se casa com Ariádne que ajudou Teseo a enfrentar o minotauro. O fio de Ariádne é o fio condutor que faz com que teseo possa entrar no labirindo e possa aniquilar o monstro e voltar em segurança. Porém, teseo acaba rejeitando Ariadne e Dionísio a acolhe e a transforma a sua esposa, dando muita importância para a ânima. Ele trasnforma sua mãe Semeni em uma deusa, e a ascendo ao Olimpo. Hestia numa postura humilde cede seu lugar a Dionísio, que possui um jeito que acolhe o feminino,  que e desprezado. 

Entre 35-40 anos de idade vamos precisa lidar com nossos aspectos inconscientes que acabamos deixando de lado na metade da vida. O fio condutor de Ariádne sendo aquilo que é rejeitado, chega o momento em que precisa ser olhado e vivenciado diversos aspectos que foram deixados para depois na vida, priorizando outros aspectos no momento.

dionísio é o lado da loucura, passional da intensidade, da sexualidade, deus do vinho trazendo experiências à dissolução da consciência, da fragmentação do Ego, sendo fácil, cairmos nas compulsões, no alcoolismo, disposições sombrias que acabam trazendo sofrimento e destruição para pessoas que vivenciam essas compulsões e não conseguem sair desse comportamento, e apara aqueles que estão ao redor, acabam sendo impactados por esse comportamento dionisíaco destrutivo. daí a importância de não se identificar com esse lado sombrio, olha-lo simultaneamente ao lado Apolino, que o equilibra nas polaridades, buscando aí o equilíbrio. 

Dionísio também traz como hermes o lado adolescente, a dificuldade de respeitar regras, de ter limites, podendo abrir portas para uma série de problemas.  Na psicoterapia não dá para saber qual o limite seguro entre o confronto do inconsciente com as coisas do Ego/ consciência. É importante observar o ego, a consciência que o cliente tem sobre a sua realidade pessoal, verificando aquilo que está em excesso e aquilo que esta faltando para trabalhar na relação entre os opostos de cada um. É a relação entre esses polos que vai determinar a minha saúde mental.


REFERÊNCIAS
Curso extracurricular de Mitologia e Psicologia Analítica
Instituto Freedom
Aula 11 - Atena, Hermes e Dionisio
Prof. Rangel Fabrete

sexta-feira, 17 de julho de 2020

Ares, Hefesto, Afrodite - Aula 10 - Mitologia grega e Psicologia Analítica


  • Ares do grego Áres, personifica "desgraça, violência, destruição"
  • Paixão, impulsividade, reatividade emocional, corpo, dança.
Sendo a personificação do deus da guerra, também está na psique humana.  E a psique não é exatamente, algo que podemos moldar em um padrão que seja somente bom e que sirva para todos. Todos nós temos padrões arquetípicos difíceis e fáceis, destrutivos e construtivos em nos nossa psique.

Biologicamente, compreendemos que muitos desses aspectos que o deus da guerra traz, está relacionado à sobrevivência. O Córtex cerebral tem relação com a lógica , razão, consciência, a conter os impulsos mais primitivos. Pode-se notar que o homem primitivo precisava caçar, guerrear para sobreviver, quando desenvolveram o cérebro reptiliano e o sistema límbico, que são regiões relacionadas ao instinto de sobrevivência. sabendo disso, precisamos admitir que a violência ainda está dentro de nós, e que precisamos aprender a lidar com isso, de maneira consciente e de forma simbólica.

Ares tem o princípio de derramar sangue, de violência, o que se torna muito perigoso quando não é reconhecido pelo ego, pelo consciente do indivíduo, o que traz distanciamento e rompimento entre todos os relacionamentos. Ares era considerado o deus burro. É preciso criar estratégias, meios de lidar com essa energia violenta, para se obter sucesso nos relacionamentos. Isso evitar posturas violentas e estremecimentos nas relações.

Apesar de ser um deus, devido às suas características, Ares ia Às guerras e um dia foi atingido na parte interior de sua coxa. Quando olhamos o texto bíblico, Jacó teve seu nome trocado por Israel. Jacó era aquele que roubou a primogenitude de seu irmão Isaul. Jacó significa ladrão, e ao mesmo tempo patriarca dos hebreus, trazendo em si os opostos.  Jacó entra em disputa com o anjo do Senhor. E o anjo disse a Jacó: você~E só vai subir quando tiver a minha bênção. E o Anjo desfere a parte interna da coxa de Jacó, e o Anjo dá a sua bênção, e ele se torna Israel. Com isso, jaco passou a não fugir mais ele enquanto ladrão fugia o tempo todo, inclusive de si. Da mesma forma Ares tomou golpe na coxa.

Ares se relaciona com Temes, que é o seu oposto, pois ela é a personificação da contenção dos impulsos, a personificação da justa medida. Na relação com seu oposto Ares conseguiu trazer um pouco mais da contenção de seus impulsos. Além disso traz a possibilidade de prestar mais atenção no corpo, trabalha a dança.

Na psicoterapia analítica, trabalha-se esse olhar de justa medida, de maior consciência e domínio sobre essa impulsividade e agressividade que Ares traz.


  • Hefesto do grego Héphaistos, "acender, pôr fogo em".
  • Coxo; ferido pelo abandono parental; criatividade laborativa; criatividade laborativa; tenacidade; persistência na realização de projetos.
Hefesto, deus das forjas, irmão de Ares, considerado o deus burro, sofria com a rejeição, da inferioridade, o menos importante entre os deuses. Hefesto nasce do desejo da deusa Hera ter um filho gerado por si própria, apenas dela mesma.  Nasce Hefesto, muito feio, de um aspecto que para os deuses e deusas seria evitado já que não era belo. O status do que não é belo não caberia ao status de deuses. Quando ela olhou seu filho, o achou tão feio que o rejeitou. Por isso, que nem toda mulher tem a disposição psíquica para ser mãe, se dedicar a vida de um filho. Hera era uma excelente esposa mas não tinha essa facilidade de cuidar dos filhos. Ela então joga o filho Hefesto de cima do Olimpo ele cai na terra e fica coxo, que representa a ferida do abandono parental.

Isso nos permite compreender a questão dos abandonos, das rejeições parentais. Isso as vezes não é exatamente de forma direta, mas acontece indiretamente, pela distância, pais ausentes, não acolhimento, a presença emocional dos pais para com seus filhos. Isso se reflete na forma como a pessoa via se comportar e se desenvolver ao longo da vida.

Aí a gente ver filhos de mesmos pais com comportamentos diferentes ao lidar com a mesma realidade.  Ares na violência e impulsividade. Em Hefesto, coloca toda a sua energia compensatória na relação com o trabalho, é o único deus que trabalha. O trabalho é extremamente importante, embora tenha culturalmente uma imagem negativa de algo que deve ser evitado, o qual passa a ser visto como sofrimento e sacrifício. É preciso olhar o trabalho na perspectiva salutar, que dá prazer que traz realização pessoal, que desenvolve a psique. Fazer o que gosta, ter uma fonte de renda. ou ainda, desenvolver algum trabalho voluntário. Sempre haverá um trabalho que vai trazer uma realização para a sua psique, e a análise pode ajudar a encontrar essa realização, essa autonomia.


Apesar de ser o mais feio e coxo, ele é o deu que se casa com Afrodite, a deusa mais bela.  Ao jogar toda a sua energia na criatividade e no trabalho, Hefesto deixa de lado o relacionamento com Afrodite, com isso, Ela acaba sendo amante de Ares. Hefesto acaba sabendo da traição de Afrodite e Ares, com isso, ele cria na engenhosidade dele, uma rede com fios do tecido da teia da aranha, quase invisíveis. Quando Ares e Afrodite estavam juntos, Hefesto chamou os deuses e deram um flagrante em ambos, jogando sua rede sobre eles.  Mostra um complexo de inferioridade por parte de Hefesto, que precisa de uma plateia, para se colocar com vitima. Na vitimização a pessoa que sofre com alfo que o outro faz contra ele, a vítima é aquela pessoa que dificilmente tem a capacidade de se desenvolver e amadurecer, porque acaba que todo seu sofrimento é responsabilidade única de que causa sofrimento. isso o incapacita de perceber a sua responsabilidade, a parte que lhe cabe, até que as coisas chegassem até determinado ponto.

  • Afrodite, do grego Aphrodite, "espuma". Relacionamento sexual, atração irreprimível para fecundar a natureza.
  • Habilidade de apreciar o prazer e a beleza, de ser sensual e criativa.
Afrodite, deusa do amor, representa a espuma do mar, teria nascido da fecundação do deus Cronos que castrou seu pai Urano, o sêmen de Urano teria caído no mar, e dali nasceu Afrodite, por isso, espuma do mar, da onda do mar.

Relacionamento sexual, atração irreprimível para fecundar a natureza são energias psíquicas de grande força, o que é importante para o seu desenvolvimento.

A espuma nos remete a pensar na duração da onda do mar,  quanto tempo dura. e que traz a imagem arquetípica  da intensidade da sexualidade, do relacionamento da paixão, que assim como a onda do mar, tem curta duração, porque não se relaciona com o ser real, mas sim, com o ser idealizado por quem idealiza, o que está ligado às suas questões pessoais.  Quem o outro tem que ser e que eu quero que ele seja. A onda assim como a paixão, bateu na areia e morre. É preciso lidar com o ser real para que o relacionamento seja duradouro. se estivermos identificados com a persona daquilo que é belo, apaixonante, vamos ter a dificuldade de lidar com o ser real, onde enxergamos as limitações e defeitos do outro e nosso. O ser idealizado perfeito não existe. Precisamos prestar atenção em quem somos de fato, nosso eu real vai nos permitir ver essa realidade do outro.

REFERÊNCIAS
Curso extracurricular de Mitologia e Psicologia Analítica
Instituto Freedom
Aula 10 Ares, Hefesto, Afrodite
Prof. Rangel Fabrete

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Capítulo VI- O Behaviorismo não consegue explicar as realizações criativas?Taynan Marques Bandeira

É comum a criatividade ser reconhecida pelo senso comum e conceituada por diversos autores como produto de algo interno, como se fosse intrínseca ao indivíduo. Entretanto, o recorte externalista de Skinner rejeita a causalidade interna e enfatiza que todos os comportamentos são determinados a partir das variáveis ambientais externas, como já foi argumentado em capítulos anteriores. Devido a este posicionamento, muitos autores o criticam dizendo que sua teoria não explica as realizações criativas. 

Mas é utilizando esse recorte que Skinner, não só considera a existência de comportamentos criativos, como os explica em algumas obras: A Tecnologia do Ensino, Ciência e Comportamento Humano e Sobre o Behaviorismo. De acordo com Skinner (2003), a criatividade sempre foi considerada como algo difícil de ser explicado até o surgimento do conceito de comportamento operante, porque as justificativas para explicá-la, até então, eram mentalistas. 

Para mostrar que a criatividade consiste em um comportamento, e que, dessa forma, é selecionado por suas conseqüências, Skinner contrapõe o processo de condicionamento operante e o processo de evolução descrito por Darwin

Skinner (2003) afirma que, na história das espécies (proposta por Darwin), os traços acidentais originados de mutações foram selecionados em virtude de uma maior sobrevivência da espécie; então, do mesmo modo. acontece com as variações comportamentais que são selecionadas em virtude de suas conseqüências reforçadoras.

O conceito de seleção é mais uma vez a chave. As mutações na teoria genética e evolutiva, são casuais e as topografias das respostas selecionadas pelo reforço são, se não aleatórias, pelo menos não necessariamente relacionadas com as contingências em que serão selecionadas. E o pensamento criador preocupa-se grandemente com a produção de 'mutações'. Escritores,artistas, compositores, matemáticos, cientistas e inventores estão familiarizados com as formas explícitas de tomar mais provável a ocorrência de comportamento original (Skinner. 2003, p. 101). Assim, toma-se claro que a originalidade não está ligada a processos internos, como enfatizam os mentalistas. Os comportamentos criativos são, como qualquer outro comportamento, selecionados pelas suas conseqüências.

A seleção por conseqüências invariavelmente implica história. Ao longo do tempo, resultados bem-sucedidos (reforço) tomam algumas ações mais prováveis, os resultados malsucedidos (não reforço ou punição) tornam outras ações menos prováveis (Baum. 1999, p. 101).

Skinner (1998) faz a distinção entre o que se pode chamar de ideias originais e não-originais. As respostas não-originais são aquelas provenientes da imitação ou governadas por regras. Já as respostas originais são aquelas que resultam da manipulação das variáveis, ou seja, modeladas pelas contingências. 

“Artistas, compositores e poetas às vezes seguem regras (imitar o trabalho dos outros, por exemplo, é uma forma de seguir regras), mas atribui-se mérito maior ao comportamento devido a exposição pessoal a um ambiente- (Skinner, 2003, p. 110-U1). 

Baum (1999), um behaviorista radical contemporâneo, argumenta que o objetivo da atividade de qualquer artista seja ele pintor, escritor, compositor, ou cientista, é buscar a novidade, algo que nunca tenha sido visto ou criado antes. Nesse sentido, cada trabalho criado se constitui como único e novo, não só para a comunidade, mas também para seu próprio acervo. 

Entretanto, ninguém cria um trabalho a partir do nada, pois mesmo cada trabalho tendo seu aspecto singular, está relacionado com realizações anteriores e origina-se de uma história de vida particular. É perfeitamente passível de verificação que, embora a compositora Marisa Monte não faça duas músicas exatamente iguais, suas composições parecem umas cora as outras, mais do que se fosse realizada uma comparação entre uma música dela com as de Gal Costa, por exemplo. 

Então, cada trabalho novo é feito com base nos anteriores e depende das conseqüências, pois mesmo não sendo possível sustentar empiricamente, pode-se levantar a hipótese de que se Marisa Monte não tivesse tido conseqüências reforçadoras para suas composições, provavelmente não teria continuado a compor. “Os trabalhos anteriores estabelecem um contexto no qual o trabalho novo pode se parecer com eles. mas não tanto que pareça ‘aquela coisa velha"’ (Baum. 1999, p. 102). 

E quanto mais o indivíduo tem a oportunidade de comportar-se. nesse caso. compor cada vez mais, maior será a probabilidade de reforçamento e conseqüentemente serão instalados comportamentos criativos, pois '‘as grandes sinfonias de Mozart são uma seleção de um número maior, os grandes Picassos são só uma parte do produto de uma vida de pintura” (Skinner, 1972. p. 172). 

Assim, Skinner (1972) afirma que o importante é evocar comportamentos porque só assim serão emitidas respostas, que se fossem de outro modo, não apareceriam. Para Skinner, a cultura desempenha um papel fundamental na instalação de comportamentos criativos

Isto fica evidente quando sustenta que “em igualdade de Regras são estímulos que especificam condições, a cultura terá maior probabilidade de descobrir um artista original, se induz muita gente a pintar quadros ou de produzir um grande compositor, se induz muita gente a compor " (Skinner, 1972. p. 171 -172). 

Diante disso, torna-se claro que Skinner consegue explicar as realizações criativas sem recorrer a argumentos mentalistas. E ainda enfatiza que as pessoas podem ser instruídas para aprenderem a ser criativas, ou seja, podem ter um ambiente favorável para o aprendizado de comportamentos criam-os.

 “Por definição, não se pode ensinar comportamento original, pois não seria original ser ensinado, mas podemos ensinar ao estudante a arranjar ambientes que maximizem a probabilidade de que ocorram respostas originais" (Skinner, 1972, p. 169). Isso por sua vez desestrutura a concepção mentalista, que é determinista ao afirmar que a criatividade é um dom e, conseqüentemente, quem faz trabalhos originais e apresenta respostas criativas os faz porque nasceu com esse traço interno. 

De acordo com Skinner, quando se atribui a “criatividade” a um dom interno, retira-se a responsabilidade de realmente criar contingências ambientais favoráveis ao desenvolvimento de tais comportamentos criativos.

O professor que acredita que o estudante cria uma obra de arte através do exercício de alguma faculdade interior e caprichosa não investigará as condições sob as quais o estudante de fato faz um trabalho criativo. Será também menos capaz de explicar este trabalho quando ocorrer e não tenderá a induzir os estudantes a se comportarem criativamente (Skinner, 1972. p. 160-161).

Nesse sentido, os comportamentos inovadores são aprendidos pelo indivíduo, como qualquer outro comportamento. De acordo com Skinner (2002), mesmo algumas variações comportamentais ocorrendo de maneira acidental, os indivíduos podem aprender a ser criativos porque o seu comportamento (criativo) é selecionado pelas conseqüências reforçadoras que o sucedem. 

Isso significa que a “criatividade" é determinada pelas contingências ambientais, de modo que o comportamento criativo está relacionado à história de reforçamento de cada indivíduo. Assim, quanto mais alguém é exposto a situações problemas que lhe suscitem variações comportamentais. as quais são selecionadas a partir das conseqüências reforçadoras. provavelmente maiores serão os comportamentos criativos.