Mostrando postagens com marcador Sigmund Freud. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Sigmund Freud. Mostrar todas as postagens

domingo, 13 de dezembro de 2020

Conceitos fundamentais da Psicanálise

 

RESISTÊNCIA

  • Pode-se dizer que o conceito de resistência foi introduzido cedo por Freud e que ele exerceu um papel decisivo no aparecimento da psicanálise, impulsionando-o a renunciar à hipnose e à sugestão, por causa da resistência que lhes apunham certos pacientes. Nesse sentido, a resistência corresponde a tudo o que, no decorrer do tratamento psicanalítico, nos atos e palavras do analisando, se opõe ao acesso deste ao seu inconsciente.
  • De acordo com Freud a resistência é uma manifestação própria do tratamento. Sobre os aspectos da resistência do paciente ao processo Psicanalítico...

  • Mantém o desejo em níveis inconscientes, evitando as fantasias perigosas e afetos desagradáveis, resistindo aos esforços de torná-los conscientes.
  • A resistência resulta da representação da neurose em procurar satisfação dos impulsos infantis.
  • A tentativa de encontrar novos padrões de adaptação é acompanhada de temor. 
FANTASIAS

  • No que se refere à Conferência de Freud sobre “Os caminhos da formação dos sintomas” (1917), pode-se afirmar que a fantasia se caracteriza por se diferenciar da realidade na perspectiva neurótica.

CHISTES

  • Já o "chiste" é um comentário cômico bem-sucedido, como uma piada, o trocadilho, a função de palavras e a anedota, na análise de Freud, e podem ser inocentes ou tendenciosos. 

MANIFESTAÇÕES DAS ESTRUTURAS PSÍQUICAS

  • Segundo a Psicanálise, as manifestações das estruturas psíquicas e os mecanismos que lhes são desencadeantes são:
    • Esquizofrenia
    • Foraclusão
    • Histeria
    • Recalque
    • fetichismo
    • Recusa
DELIRANTES

  • Freud (1924) apontou que a Psicose é um distúrbio entre o ego e mundo externo. Ele chamou de "Delirantes" a forma de psicose na qual os delírios é um remendo no lugar da fenda que aparece entre o ego com o mundo externo.

TRANSFERÊNCIA

  • Freud em 1913 nos disse que como no Jogo do Xadrez uma análise encontra-se sujeita a regras semelhantes . Portanto, sobre o tratamento de ensaio ou entrevistas preliminares, é diretriz do início do tratamento psicanalítico o "Manejo da Transferência".

  • “A dinâmica da transferência” (1912), Sigmund Freud apresenta o conceito de transferência sob várias facetas. Na experiência de análise, a ideia transferencial penetrou na consciência à frente de quaisquer outras associações possíveis, porque ela satisfaz a resistência.
  • Na psicanálise, pode ocorrer na entrevista inicial um fenômeno conhecido como "transferência", que pode ser caracterizado como uma atualização de sentimentos, atitudes e condutas inconscientes, por parte do entrevistado, que correspondem a modelos que se estabeleceu no curso do desenvolvimento, especialmente na relação interpessoal com seu meio familiar.
  • A transferência pode ser definida como uma série de experiências psíquicas que são revividas, não como algo do passado, no vínculo atual com a pessoa do terapeuta.
  • A transferência pode ser considerada como uma resistência à recordação. Uma vez que a resistência é aquela parte da função  psíquica que se rebela ativamente ao trabalho terapêutico de trazer à consciência material inconsciente.
  • A transferência para o médico é apropriada para a resistência ao tratamento apenas na medida em que se tratar de transferência negativa ou de transferência positiva de impulsos eróticos reprimidos.
  • Devido à ambivalência dos neuróticos, a transferência negativa é amiúde encontrada ao lado da transferência afetuosa, e pode ser dirigida simultaneamente para a figura do médico.
  • tudo que perturba a continuação do trabalho é uma resistência e o método analítico que torna possível a elucidação ou superação da resistência é a transferência.
  • No campo da clínica psicanalítica, Freud identificou certo fenômeno no qual os sentimentos do paciente para com o analista seriam manifestações de uma relação recalcada com imagos parentais. Tal fenômeno foi inicialmente concebido como uma resistência ao tratamento, para depois ser visto como sua principal força motriz, inscrevendo-se no centro da direção da cura
TRATAMENTO DE ENSAIO

  • Sigmund Freud recomenda em um tratamento psicanalítico a realização de  um procedimento prévio, chamado de "Tratamento de Ensaio", a fim de verificar as condições do paciente para a análise.

SONHOS

  • Segundo Freud (1916) o sonho constitui uma realização de um desejo reprimido. Para Freud uma das evidências essenciais do sonho é que há vida mental durante o sono.
  • Freud (1916) acreditava que os sonhos representavam uma satisfação disfarçada de desejos e anseios reprimidos. Freud destacou várias diferenças dos sonhos em todos os aspectos. O sonho de modo geral nos deixa livre para realizar desejos ocultos e obscuros.

PARAPRAXIAS

  • São fenômenos muito comuns e muito conhecidos, observados em qualquer pessoa sadia. São atos psíquicos e surgem das mútuas interferências entre duas intenções. Um tipo de formação inconsciente.

RECALQUE

  • Segundo Freud (1923) o mecanismo da psicose, tal como a repressão na neurose deve abranger uma retirada da catexia enviada pelo ego. Esse mecanismo da Psicose foi chamado por Freud de "Recalque". Recalque é ainda na Neurose, o material reprimido que luta contra esse destino, criando a representação substitutiva.

SINTOMA

  • Para a Psicanálise o conceito de sintoma é fundamental.  
  • Segundo Freud (1917) o sintoma  aparece como expressão de um conflito psíquico, em decorrência da força psíquica do Ego e do Superego.
  • No que se refere à Conferência de Freud sobre “Os caminhos da formação dos sintomas” (1917) são a Introversão que denota o desvio da libido das possibilidades de satisfação real e a hipercatexia das fantasias.
  • é o resultado de um conflito entre o Ego  e o Id (FREUD, 1923)

NEUROSE

  • Na neurose o ego segue as ordens de qual instância psíquica, originadas da influência da consciência.

ATOS FALHOS E LAPSOS

  • Os "atos falhos" é o resultado do compromisso entre uma intenção consciente e um desejo inconsciente ligado a ele apresentando assim uma dupla face.

Exemplo: Uma revista política, acusada de corrupção, se defende em um artigo cujo o clímax deveria ter sido: ‘Nossos leitores serão testemunhas do fato de que sempre agimos da maneira mais desinteressada, pelo bem da comunidade’. O editor a quem fora confiada a preparação do artigo, porém escreveu: ‘de maneira mais interesseira’’. Essa situação é chamada de Lapso de Escrita.

  • Em seus “Artigos sobre a técnica”, Freud recomenda aos praticantes da psicanálise a atenção flutuante que é a técnica empregada pelo psicanalista em consonância com a associação livre proposta ao paciente.

ASSOCIAÇÃO LIVRE

  • É um conjunto de regras técnicas desenvolvidas por Sigmund Freud que caracterizam o método psicanalítico. Dentre elas, há uma regra conhecida como regra fundamental do paciente.

DIAGNÓSTICO NA PSICANÁLISE

  • Com base no diagnóstico, o psicanalista pode operar sobre a transferência que seu paciente estabelece, uma vez que a relação transferencial do paciente com o analista passa pela sua estrutura psíquica, e é por meio desta que a análise se desenvolve.
Referências: Avaliações.

Neurose e Psicose

 

Em O Ego e Id (1923), Freud propôs uma diferenciação do aparelho psíquico, com base na qual determinado número de relacionamentos pode ser representado de maneira simples.

"A Neurose é o resultado de um conflito entre o Ego e o Id, ao passo que a Psicose é o desfecho análogo de um distúrbio semelhante nas relações entre o Ego e o mundo externo". (FREUD, 1923, p.189)

Descobertas e achados que apoiam a Tese da Neurose

1- Das Neuroses Transferenciais

  • Tem origem na recusa do ego em aceitar i impulso instintual.
  • ou na ajuda a encontrar um escoadouro motor
  • ou o ego proibir àquele impulso o objeto a que visa.
  • Resultado
    • O ego descobre sua unidade ameaçada e prejudicada por esse intruso, e continua a lutar contra o sintoma.
    • Produzido o quadro de uma Neurose
    • Na repressão o ego segue as ordens do superego, originadas da influência do mundo.
  • Freud concluiu que o ego entrou em conflito com o ID, a serviço do superego e da realidade e esse é o estado de coisas em toda neurose de transferência.
2. Os Mecanismos da Psicose
  • Distúrbio entre o ego e o mundo externo
  • Na confusão alucinatória aguda (amência) o mundo exterior não é percebido de modo algum ou a percepção dele não possui qualquer feito.
  • O mundo interno, que, como cópia do mundo externo, perde sua significação.
  • O ego cria autocraticamente, um novo mundo externo e interno.
  • Esse novo mundo é criado a partir de dois fatos.
  • De acordo com os impulsos desejosos do ID.
  • O motivo da dissociação do mundo externo é alguma frustração muito séria de um desejo, por parte da realidade - frustração que parece intolerável.
Nas outras formas de Psicose
  • Nas esquizofrenias - hebetude afetiva, ou seja, entorpecimento ou torpor afetivo.
  • Delirantes - os delírios são um remendo no lugar da fenda que aparece entre o ego com o mundo externo.
  • Nas Psicoses - as manifestações do processo patogênico são recobertas por manifestações de uma tentativa de cura ou uma reconstrução.
A etiologia das Neuroses
  • Frustração ou não realização dos desejos da infância.
  • Frustração externa ou procedentes de agente interno (no superego) que assumiu a representação das exigências da realidade.
  • O efeito patogênico depende do Ego - silencia o Id ou é derrotado pelo Id.
Pergunta-se: Qual o mecanismo análogo à repressão (recalque), por cujo intermédio o Ego se desliga do mundo externo?
  • Tal mecanismo deve ser, tal como repressão, abranger uma retirada da catexia enviada pelo Ego. Posteriormente, chamada de "Verleugnung" rejeição.
Referências:
FREUD, Sigmund. Neurose e Psicose. Obras Completas de Sigmund Freud, ed. Rio de janeiro, Imago, 1996, v. XIX

Terapia Psicanalítica - Sigmund Freud (1913)

 Sobre o início do Tratamento:

  • Recordar, Repetir e Elaborar 
  • Como no Jogo de Xadrez uma análise está sujeita a regras semelhantes
  • Sistematização
  • Do início ao fim
  • O desenvolvimento só a partir do estudo de cada caso.
Recomendações para o início do tratamento

  • Exame preliminar ou tratamento experimental de duas semanas
  • Deve seguir as regras de análise
    • Deixar o paciente falar
    • Estabelecer o diagnóstico diferencial
    • Desenvolvimento da Transferência
    • Resistência
    • Sintoma
Tempo de Tratamento
  • Duração indeterminada - é sempre de longos períodos de tempo em função da atemporalidade dos processos Ics.
    • Segundo Freud o sistema Ics consiste em impulsos carregados de desejos procurando descarregar sua catexia. No inconsciente não há censuras, logo nada é negado, podendo dois desejos incompatíveis coexistir dentro dele. O inconsciente é também intemporal.
  • O êxito do tratamento se deve à transferência e não à sugestão
    • A transferência, segundo Freud, pode emergir como um exigência intensa de amor, de atenção, de reconhecimento, ou sob formas mais moderadas: desejo se ser recebido como filho(a) predileto(a), de ser alvo de uma estreita amizade (necessidade libidinal sublimada) etc.
    • Em psicanálise, a transferência é “um processo constitutivo do tratamento psicanalítico mediante o qual os desejos inconscientes do analisando concernentes a objetos externos passam a se repetir, no âmbito da relação analítica, na pessoa do analista, colocado na posição desses diversos objetos” (ROUDINESCO & PLON, 1998, p. 766-767)


Tratamento e Dinheiro
  • Deve ser tratamento com franqueza natural como se deseja tratar as questões da vida sexual do paciente.
  • Incoerência, pudor e hipocrisia devem ser evitados.
  • Intervalo de Tempo curto para pagamento.
O tratamento no Divã
  • Remanescente da hipnose
  • Questão pessoal de Freud
  • Para que os pensamentos Ics e expressões do analista não influenciem os pcs
    • Pré-consciente (Pcs) Essa instância, considerada por Freud uma “barreira de contato”, serve como uma espécie de filtro para que determinados conteúdos possam (ou não) emergirem a nível consciente. Entende-se que os conteúdos presentes no Pcs estão disponíveis ao Consciente.
  • Isolar a Transferência Imaginária e facilitar a transferência simbólica.
Dinâmica da Cura
  • Sofrimento
  • Desejo de ser curado
  • Resistência
  • Transferência
  • Interpretação
Essência da Análise
  • Recordar
  • Repetir
  • elaborar
Disposição inata e influências
  • Precondição para enamorar-se
  • Nas pulsões que satisfaz
  • Nos objetivos que determina a si no decurso desta.
  • Freud examina:
    • A intensidade da transferência nos indivíduos neuróticos em análise - atribui à própria neurose.
    • O surgimento da transferência como resistência ao tratamento.
Contratransferência
  • Surge como resultado da influência do paciente sobre os sentimentos inconscientes do analista e estamos quase inclinados a insistir que ele reconhecerá a contratransferência, em si mesmo, e a sobrepujará (FREUD apud NASIO, 1999)
O manejo da contratransferência

  • dependerá da formação do analista, da maturidade do seu trabalho e da maturidade na profissão.

segunda-feira, 26 de outubro de 2020

Concepção de Resistência em Freud

 Quanto aos conceitos diversos escritos por Freud, pode-se depreender diferenciados usos da RESISTÊNCIA como...

  • resistência à doença
  • resistência ao organismo
  • resistência à hipnose
  • resistência à sugestão
Na  constituição do conceito psicanalítico e a concepção neurológicam esse conceito exerceu papel decisivo no aparecimento da psicanálise. 

Levou freud a renunciar a Hipnose e a sugestão. Método de Associação livre torna possível, progressivamente a elucidação das resistências no processo analítivo.  Para Freud, portanto, é tudo que pertira a continuação do trabalho analítico (Fredu,1900)


  • Um dos conceitos de resistência no livro dos sonhos é o da resistência ao tratamento ou análise. 
  • A resistência ocorre dentro do processo de transferência.
Resistência radial:
  • é uma resistência do discurso.
  •  a pessoa fica se repetindo nas respostas, sendo isso para Freud, uma forma de resitência, demonstrando a difidulcade do paciente em adentrar em determinados conteúdos. 
  • Junta-se a representação da coisa com a representação da palavra: são ressitências que trabalham para proteger o núcleo patógeno.
  • As resistências que provém do EU/EGO  é que fazem com que a pessoa resista a assuntos problemáticos, que lhes causam desconfortos.
  • Qualquer função psiquica pode ser tomada e exagerada para satisfazer a resistência.
  • Resistência explica porque não somos transparentes ao nosso inconsciente como o desejo de não saber e se manter na ignor[ancia, por exemplo. (volume XVI das Obras Completas de Freud).
Freud afirma portanto:

 "eu estivera comparando minha paciente de nome Irma com duas outras pessoas que também teriam sido resistências ao tratamento. esse sonhador pertencia a um tipo de pessoas cuja perspectiva terapêutica não são favoráveis, até certo ponto, ou não oferece nenhuma resistência a nós, ou essa resistência pode ser dirigida especificamente ao analista, quando o paciente se encontra no estado de resistência ao analista.

A partir daí, podemos ver o efetivo estabelecimento do conceito de resistência na Psicanálise, nesse texto de Freud:

"a psicanálise é justificadamente desconfiável. Uma de suasregras pe que tudo o que interrompe o progresso do trabalho analítico, é uma ressitência." (Freud)

Resistência e Recalque....

  • A pessoa se repete nas respostas,  para não lembrar de conteúdos que lhes causam desconfortos, mentendo-os recalcados.
  •  O que está recalcado no inconsciente a pessoa não quer deixar vir a tona então, resiste em falar sobre.
  • Ressitência é um efeito do recalque. 
  • É em função de existir o recalque que há a resistência. 
  • O recalque é a causa e a resistência é a consequência.
    • Resistência do Ego: recalcamento mantém esse material recalcado por que traz algum sofrimento, mal estar para o sujeito. Porém, se o mesmo não se dispor a falar sobre o que está recalcado e lhe causa sofrimento, ele opta por permanecer no sofrimento. É preciso acessá-lo, decifrá-lo para depois saber o que fazer com esse mateirial que foi recalcado, e seguir adiante.
    • Resistência de Transferência: existe a transferência mas essa não está sendo um veículo facilitador como deveria. Se apresenta criando dificuldade para falar de determinados sintomas. A exemplo disso, quando a pessoa diz: não vou falar porque não estou gostando da condução do tratamento, ou falta sem avisar, ou não paga a consulta, desmarca, etc.  Todas essas situações representam a resistência de transferência. Essa resistência está no EGO.
  • Distinção entre sintoma e resistência é necessária para a condução da análise.
  • Formas de resistência do SUPEREGO: fulga, compulsão por repetição. 
  • A pulsão tem uma tendência a se repetir para atingir a satisfação.
  • Na resistência, mesmo sofrendo e sabendo que aquele sintoma gera sofrimento,  a pessoa apresenta dificuldade de gerar informações para se investigar e superar o problema. Freud dizia que havia um fen}omeno estranho que levava o paciente a resistir.
  • A resistência pode ocorrer nas três instâncias: Id (inconsciente), Ego e Superego. Podem ser perceptpiveis ou não, quem resiste ao sintoma, qual dessas instãncias está resistindo.
  • Quando o paciente diz: nao lemnro, o terapeuta deve insistir no discuros dizendo: não tem problema, adiante. Quando lembrar você me fala.
  • O profissional procura entender porque o inconscinete naoq uer tratar o sintoma que caisa desconforto, Isso ocorre por causa do conflito entre Ego(prazer/desejo) e Superego(realidade/como deve ser)
  • Freud constatou que havia resistência mesmo o suejtio em estado de hipnose.
  • Fatos contados repetidas vezes, é possível observar que algo foi diferente. Aí, o terapeuta deve fazer referência sobre o ponto que foi relatado de forma diferente das outras. 
  • O terapeuta não deve nomear a resistência ao cliente, deve ter habilidades técnicas que o conduza novamente ao processo terapêutico. Exemplo: Cliente diz: hojenão vou porque nada tenho a falar, o teraeuta deve dizer: venha a terapia para falar do nada tenho a falar.
  • Tudo que perturbar a continuação do trabalho é uma resistência.
  • A resistência na análise é a manifestação do próprio tratamento.
  • Existe um mecanismo em relação à própria libido, nossos przeres sexuais ou não, desejo de saber e não saber, ou de manter-se na ignorância, que permeia a resistência.
  • A resistência substitui a rememoração que é o discurso do terapeuta para o cliente falar livremente.
    • Exemplo: O sintoma do cliente é "relcamar demais". se está bom relcama, se está ruim reclama no processo de análise. O terapeuta deve abrir espaço para a escuta das reclamações de forma ativa e interessada, até que se esgote, e sinalizar ao cliente... agora me fale sobre você! A reclamação é um sintoma da análise.

Transferência e contratransferência 

A transferência...
  •  do paciente pode ser negativa ou positiva. 
  • pode aumentar a resistência do sujeito, porém sendo a transferencia um processo facilitador não deveria aumentá-la, mas como a transferência em si, abre o acesso ao amterial reclacado que esta gerando sintoma, pode ser que o ego ou superego não queiram mexer na ferida, gerando um conflito entre o princípio do prazer (o que deseja e te faz bem) e o princípio da realidade (racionalidade, como deve ser).
Contratransferência...
  • Qualquer resistência por parte do analista em tratar o paciente é uma constratrasnferência.
  • É sempre um fenômeno que parte do lado do profissional em relação ao paciente.
Retificação Subjetiva
  • Diz respeito a implicação do sujeito com aquilo que ele se queixa. 
  • O analista precisa verificar qual a implicação do paciente com a sua queixa, deixando de colocar no outro a causa do seu sintoma.
  • É importante que o paciente se reconheça no sintoma, assumindo a responsabilidade da parte que lhe cabe.
  • Implicação diz respeito ao quanto o sujeito está implicado com o seu problema.


 Referências: Podcast Professos Jose´Antonio Pereira da Silva; aula de 26/10/2020, Video youtube.

sábado, 24 de outubro de 2020

Conceito de Resistência na Psicanálise


  • Na psicanálise a palavra RESISTÊNCIA  toma um sentido bem particular e bem difundido, merecendo o status de um importante conceito psicanalítico.
Dois conceitos segundo dicionário psicanálitico:

  • conceito de resistência, na psicanálise, designa "o conjunto das reações de um analisando cujas manifestações, no contexto do tratamento, criam obstáculos ao desenrolar da análise" (Roudinesco & Plon, 1998, p. 659)
  • ou "tudo o que, nos actos e palavras do analisando, se opõe ao acesso deste ao seu inconsciente" (Laplanche & Pontalis, 1988, p. 595-6)
O conceito de resistência na obra de Freud

Freud agrupo esses conceitos de acordo com seus significados e contextos de uso:
  • Resistência da doença 
    •  resistência ao tratamento e à cura, mas ainda não se referia à psicanálise. 
    • Esse conceito de resistência tem uma grande semelhança com o conceito psicanalítico, na medida em que este também consiste na resistência ao tratamento, porém por parte do doente, não da doença.
  • Resistência do organismo ou do paciente
    • seria a resistência do organismo à doença.
  • Resistencia à hipnose e sugestão
    • Freud (1889/1987) já mencionava a resistência enquanto um obstáculo à hipnose na sua resenha do livro Hipnotismo, de August Forel, onde escreve que "essa influência apenas raramente se efetua sem resistência da parte da pessoa hipnotizada" (p. 118).
    • Em seu artigo Hipnose, de 1891, afirma que "sempre que surge uma intensa resistência contra o uso da hipnose, devemos renunciar ao método e esperar até que o paciente, sob a
    • influência de outras informações, aceite a idéia de ser hipnotizado" (Freud, 1891/1987,
    • p. 125).
    • A resistência à hipnose era, sem dúvida, uma resistência consciente, o que a afasta da concepção psicanalítica. 
    • A psicanálise, por seu lado, parece ter encontrado no inconsciente uma forma de  deslegitimar a resistência, interpretada como íntima ao mecanismo do recalque.
  • Ressitência à constituição do conceito psicanalítico;
  • Ressitência à concepção neurológica
  • Resistência a interpretação dos sonhos
    • "Sua opinião de que o sonho é absurdo significa apenas que você tem uma resistência interna contra a interpretação dele" (ibid., p. 154); 
    •  "Lembrei-me de minha resistência em proceder à interpretação, de quanto a havia odiado, e de como declarara que o sonho era puro absurdo" (ibid., p. 156). 
    • Freud fala também do sentido dos sonhos "com um estímulo dental", onde "havia  invariavelmente resistências fortíssimas a sua interpretação" (ibid., p. 363).
São elementos do conceito psicanalítico de resistência:  associação, lembrança (Há outros?)

O sentido eminentemente psicanalítico do conceito de resistência só apareça nos Estudos sobre a histeria, segundo Freud:

"A quantidade de afeto que devotamos à primeira associação de um objeto oferece resistência a que ela entre numa nova associação com outro objeto [...]" (Freud, 1893/1987, p. 190).

O fenômeno da resistência só vem se configurar efetivamente no último dos cinco relatados, o da Srta.
Elisabeth von R., cujo tratamento se iniciou no outono de 1892 e foi descrito por Freud como sua  primeira análise integral de uma histeria", sobre o qual conclui que aklgo acontecia a paciente que lhe escondia, e que não poderia se livrar de suas dores enquanto escondesse qualquer coisa. Freud conclui que:

 "A resistência que ela havia repetidamente oferecido à reprodução das cenas que atuaram de forma dramática correspondera, na verdade, à energia com que a representação incompatível fora expulsa de suas associações" (ibid., p. 170). Fala-nos ainda que a paciente "ofereceu forte resistência à tentativa de se promover uma associação entre o grupo psíquico isolado e o resto do conteúdo de sua consciência" (ibid., p. 177).

No seu ensaio sobre "A psicoterapia da histeria", última parte do seu livro com Breuer, Freud (ibid., p. 264) traz a questão da resistência um pouco mais sistematizada:

[...] a situação conduziu-me de imediato à teoria de que, por meio de meu trabalho psíquico, eu tinha de superar uma força psíquica nos pacientes que se opunha a que as representações patogênicas se tornassem conscientes (fossem lembradas). [...] De tudo isso emergiu, como que de forma automática, a idéia de defesa.

De fato, a defesa, que se havia tornado um importante critério na classificação das neuroses por Freud, estava intimamente relacionada à resistência. Creio que seja pertinente a observação de que os dois conceitos chegam a se confundir em alguns momentos, como no trecho a seguir: "[...] e durante todo o tempo tenho negligenciado de tal maneira o aspecto da defesa ou resistência" (ibid., p. 272). De fato, se restringirmos o conceito de resistência ao fenômeno do afastamento de certas representações da consciência, este será bem parecido com o de defesa, assim como com o de recalque. Entretanto, o conceito de resistência é mais amplo, e usado em múltiplos contextos.

Ainda neste ensaio, Freud apresenta a tarefa do terapeuta como a de superar a "resistência à associação" (ibid., p. 265), e vem salientar a importância do fator afetivo entre as motivações do médico para superar a resistência do paciente.

De fato, é em A interpretação dos sonhos, publicado em 1900, que o conceito de resistência,  toma uma forma mais elaborada em relação à teoria e à prática da psicanálise. O último sentido que o  conceito assume no seu livro sobre os sonhos é o da resistência ao tratamento ou análise de uma forma geral:

  • "Portanto, eu estivera comparando minha paciente Irma com duas outras pessoas que também teriam sido resistentes ao tratamento" (ibid., p. 131); 
  • "Esse sonhador pertencia a um tipo de pessoas cujas perspectivas terapêuticas não são favoráveis: até certo ponto, não oferecem absolutamente nenhuma resistência à análise [...]" (ibid., p. 344-5). 
  • Ou esta resistência pode ser dirigida especificamente ao analista:  "[...] quando um paciente se encontra num estado de resistência a mim [...]" (ibid., p.170)

  • "A psicanálise é justificadamente desconfiada. Uma de suas regras é que tudo o que interrompe o progresso do trabalho analítico é uma resistência" (ibid., p. 475). 


    Referência:  Recorte do Artigo: A gênese do conceito de resistência na psicanálise.  André Santana Mattos - http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2176- 106X2010000100002#1a



    domingo, 27 de setembro de 2020

    Recalque - Psicanálise

      Recorte do texto de Garcia-Roza GARCIA-ROZA, Luiz Alfredo, Recalcamento. In.: Artigos de metapsicologia, 1914-1917: narcisismo, pulsão, recalque, inconsciente / Luiz Alfredo Garcia-Roza. — 7.ed. — Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2008. Em: 22/09/2020 

    Recalcamento 

    • um dos conceitos mais importantes da metapsicologia freudiana, segundo a história do movimento psicanalítico, onde Freud declara que “o recalcamento é o pilar fundamental sobre o qual descansa o edifício da psicanálise”.
    • O Vocabulário da psicanálise de Laplanche e Pontalis, tanto na edição francesa como na brasileira, optou por 
    •  é um processo interno ao sujeito, é também verdadeiro que este processo se dá em decorrência da censura, da lei enquanto algo que é externo ao sujeito. 
    • Recalque secundário ou recalque propriamente dito. A distinção entre as duas formas de recalque, o primário e o secundário, tem por objetivo responder à aparente contradição resultante do fato do recalque ser um mecanismo que se exerce entre dois sistemas (o Ics e o Pcs/Cs) e ao mesmo tempo o mecanismo que funda a distinção entre esses sistemas. Ao propor a hipótese do recalque primordial.
    •  Freud pretende resolver essa contradição fazendo com que o recalque primordial seja o responsável pela clivagem do psiquismo em sistemas diferenciados (o Ics e o Pcs/Cs), enquanto que o recalque propriamente dito se exerça a partir da clivagem já feita. 
    •  distinções entre o recalque primário e o recalque secundário o caráter passivo do primeiro à diferença do segundo, essencialmente ativo. 
    •  Freud se refere ao recalque secundário como uma Nachdrängen, uma pressão posterior. 
    •  Vinte anos mais tarde, no artigo Análise terminável e interminável, ao retomar a distinção entre os dois momentos do processo de recalcamento, ele afirma que “todos os recalques acontecem na primeira infância” quando o eu ainda imaturo empreende suas primeiras medidas defensivas. Trata-se aqui do recalque primordial. “Nos anos posteriores não se consumam novos recalques”, o eu recorrendo aos recalques originais, que foram conservados, para Introdução à metapsicologia freudiana.
    •  Posteriormente Freud vai substituir a ênfase dada ao conflito Ics - Pcs/Cs pelo conflito eu - recalcado, não identificando mais a consciência como instância recalcante e sim o eu (ou uma parte inconsciente do eu), governar as pulsões.
    • A impressão que se tem é que só há recalque na primeira infância, ficando o indivíduo livre desse mecanismo nos anos posteriores de sua vida. Não é o que ocorre
    • na primeira infância está presente apenas o recalque primário ou original;,
    •  a partir de então, entra em cena o recalque secundário ou recalque propriamente dito, que incide sobre os derivados do recalque primordial. 
    • É o recalque secundário o responsável pela manutenção do sistema inconsciente enquanto formado essencialmente pelo recalcado (recalcado resultante do recalque secundário); 
    • O recalque não elimina nem impede o representante e a representação (Vorstellungsrepräsentanz) de continuar agindo no inconsciente mas, ao contrário, o recalcado “continua se organizando, formando derivados e estabelecendo conexões”. 
    • O que é afetado não é o modo de ser do representante-representação no inconsciente, mas sobretudo sua relação com o sistema pré-consciente/consciente. 
    • Se alguma influência é exercida pelo recalque sobre o que ocorre no inconsciente, é no sentido de possibilitar ao recalcado uma expansão e uma riqueza de articulação maiores, precisamente por ele estar livre do controle da consciência.

    https://www.youtube.com/watch?v=R1Y63kWQFFM

    domingo, 30 de agosto de 2020

    Recortes de um artigo sobre Histeria: José Antonio Pereira da Silva – 2021.

    O Artigo: BELINTANI, Giovani. Histeria. PSIC - Revista de Psicologia da Vetor Editora, Vol. 4, nº.2, 2003, pp. 56-69. Em: Acesso: 30/08/2021

    Introdução 

    A histeria vem sendo objeto de estudo desde os primórdios da medicina, na Grécia Antiga com Hipócrates. O diagnóstico para a pessoa histérica era conhecido como neurose histérica ou histeria de conversão. Hoje o diagnóstico é nomeado como transtorno dissociativo ou conversivo
    As pessoas que manifestavam tais sintomas e comportamentos, expostos no decorrer do presente artigo, foram alvo de estudo não somente de médicos, mas de neurologistas, psiquiatras e até de padres e bispos da época.

     Foi por meio dos atendimentos às histéricas, que Sigmund Freud, no final do século XIX, descobriu o inconsciente, elaborando um método de tratamento, a Psicanálise. E desde a época de Freud que esse tratamento vem sendo utilizado em pacientes com o referido diagnóstico. 

    Objetivo 

    CONCEPÇÕES HISTÓRICAS DA HISTERIA 

    O termo histeria é derivado da palavra grega hystera e significa matriz. De acordo com Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, matriz é o "lugar onde algo se gera ou cria; órgão das fêmeas dos mamíferos onde se gera o feto; útero" (1988, p. 422). 

    Hipócrates, médico renomado da Grécia Antiga (460-377 a.C) entendia a histeria como sendo uma doença orgânica de origem uterina e, portanto, especificamente feminina que afetava todo o corpo por sufocações da matriz. Ele supunha que a histeria se desenvolvia pela privação de relações sexuais, dessecando o útero, que perderia peso e se deslocaria pelo corpo em busca da umidade necessária. A paciente teria sua respiração afetada, desenvolvendo convulsões se o útero subisse até o hipocôndrio e estacionasse nesse órgão. Caso o útero prosseguisse sua subida e atingisse o coração, a paciente emitiria sinais de ansiedade, opressão e vômitos. 

    Na Idade Média, "período histórico compreendido entre o começo do séc. V e meados do séc. XV" (Ferreira, 1988, p. 348-349), a histeria deixou de ser abordada pela medicina e, sob a influência das idéias religiosas mais especificamente as concepções agostinianas, passou a ser objeto da Teologia. De acordo com as concepções religiosas da época: "O homem, dotado de uma alma imortal, seria sujeito a tentação pelo não cumprimento de seus deveres religiosos ou por não conduzir a sua vida dentro do espírito cristão" (Ramadam, 1985, p. 55). Elisabeth Roudinesco e Michel Plon afirmam que "as convulsões e as famosas sufocações da matriz eram consideradas a expressão de um prazer sexual e, por conseguinte, de um pecado" (1998, p. 338). A mulher era vista como sendo possuída por um demônio, que a fazia agir involuntariamente, simulando doenças

    A Igreja Católica Romana, por meio da Inquisição, investigava e reconhecia os casos de bruxaria e mandava para a fogueira todos aqueles que se comportavam histericamente. Durante mais de dois séculos, a caça às bruxas fez muitas vítimas, mesmo a opinião médica se opondo contra essa concepção demoníaca da possessão. 

    Ramadam considera que no período clássico (século XVII até parte do século XVIII), a histeria era entendida como desenvolvida pelo efeito de "um calor interno que propagaria através de todo o corpo uma efervescência, uma ebulição, manifestando-se sem cessar em convulsões e espasmos" (1985, p. 56). Esse calor seria representante da paixão, entusiasmo ou ardor amoroso. Sob essa perspectiva, a histeria é associada a moças que procuram namorados, jovens viúvas ou separadas. 

    Em meados do século XVIII com as colaborações de Franz Anton Mesmer, as concepções demoníacas da histeria cederam às concepções científicas da mesma. A histeria deixa de ser objeto de investigação da Igreja para ser uma doença dos nervos, cabendo à medicina estudá-la e tratá-la. 

    Mesmer sustentou que as doenças nervosas tinham como origem um desequilíbrio na destribuição de um fluído universal. Assim, bastava que o médico, transformado em magnetizador, provocasse crises nos pacientes, em geral mulheres, para curá-los mediante o restabelecimento do equilíbrio do fluído. (Roudinesco & Plon, 1998, p. 338) Em 1843, na Inglaterra, o médico escocês James Braid substituiu a teoria do fluído da histeria pela ideia de estimulação físico-químico-psicológica da histeria, mostrando a inutilidade das intervenções do tipo magnética. Braid evidencia a palavra hipnotismo nos seus estudos científicos. 

    Ainda na segunda metade do século XVIII, com os estudos e pesquisas do neurologista francês Jean-Martin Charcot, a histeria é tratada como uma neurose. A moderna noção de uma neurose histérica subentendia uma causa traumática de ordem genital tornando-se uma doença funcional, de origem hereditária, afetando tanto os homens quanto as mulheres. Charcot utilizava a hipnose para demonstrar o fundamento de suas hipóteses. Ele hipnotizava as loucas do hospital parisiense Salpêtrière, fabricando sintomas histéricos para suprimi-los de imediato, comprovando o caráter neurótico da doença. 

    Sigmund Freud, médico austríaco, entre 1888 a 1893, usufruindo dos achados de Charcot sobre os aspectos traumáticos da histeria, afirma com sua Teoria da Sedução que o trauma vivido pelo paciente histérico era de origem sexual, sublinhando que a histeria era fruto de um abuso sexual realmente vivido pelo sujeito na infância (sedução real). 

    Num segundo momento, apresentando a noção de fantasia, renuncia à teoria da sedução, introduzindo as idéias de um trauma, não de ordem física, mas sim de ordem psíquica. Na Comunicação Preliminar dos Estudos sobre a histeria, Freud nos alerta para o fato de que a conexão entre o acontecimento precipitante e o desenvolvimento da histeria freqüentemente é bem clara. E completa que "em outros casos, a conexão causal não é tão simples. Consiste somente no que poderia ser denominado uma relação simbólica entre a causa precipitante e o fenômeno patológico - uma relação tal como as pessoas saudáveis forma os sonhos" (Freud, 1895/1974, p. 45). 

    Roudinesco e Plon (1998, p. 340) escrevem que foi nos Estudos sobre a histeria, que Freud propôs "os grandes conceitos de uma nova apreensão do inconsciente: o recalcamento, a ab-reação, a defesa, a resistência e, por fim, a conversão". Citam também que com a publicação, em 1900, de A Interpretação dos Sonhos, "o conflito psíquico inconsciente é que foi reconhecido por Freud como a principal causa da histeria" (Roudinesco & Plon, 1998, p. 340). E continuam enfatizando os achados de Freud, que "ao lado da realidade material, existia uma realidade psíquica do sujeito", que era de igual importância na história do seu desenvolvimento. E afirmam que "em seguida, a teorização da sexualidade infantil permitiu a Freud identificar o conflito nuclear da neurose histérica, desenvolvendo os conceitos de Complexo de Édipo e Angústia de Castração" (Roudinesco & Plon, 1998, p. 340). 

    As epidemias histéricas do fim do século XIX contribuíram de tal maneira para o nascimento e difusão do freudismo que a própria noção de histeria desapareceu do campo da clínica. A partir de 1914, ninguém mais ousou falar em histeria, a tal ponto que a palavra foi identificada com a própria psicanálise.

     O debate sobre histeria ressurge com a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), quando as discussões geravam em torno de uma nova forma de etiologia traumática e da neurose de guerra. Por fim, depois da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), com o desenvolvimento dos trabalhos da medicina psicossomática de inspiração psicanalítica, o termo histeria de conversão teve uma atenção especial. 

    A partir da década de 1960, com os debates norte-americanos e ingleses sobre a Self Psychology e os borderlines, a ideia de personalidade múltipla, termo utilizado para caracterizar a personalidade do indivíduo histérico, é alvo de estudos de médicos, psiquiatras e psicanalistas.” 

    Segue o que BELINTANI (2003) constrói em outro momento do texto: ESTUDOS SOBRE A HISTERIA (Freud, 1895) “Freud, em 1895, publica seus Estudos sobre a histeria em que apresenta seus achados e conclusões a respeito da histeria. Essa obra é composta pelo relato de cinco casos clínicos, sendo que quatro deles foram atendidos pelo próprio Freud. 

    As pacientes de Freud foram Frau Emmy von N., Miss Lucy R., Katharina e Fraülein Elisabeth von R. O caso Anna O. é o primeiro caso clínico citado na obra. Ela foi atendida por Josef Breuer, médico austríaco, que teve com Freud uma relação bastante significativa, tanto afetiva quanto profissional. 

    Freud (1895/1974), nessa obra enfatiza a importância que suas pacientes tiveram para a construção da teoria e técnica psicanalítica. As histéricas ensinaram a Freud alguns dos principais rudimentos da Psicanálise. 

    Emmy von N., por exemplo, se aborrecia quando Freud a questionava de onde veio isto ou aquilo e pedia para ele que a deixasse falar o que ela tinha a dizer. Assim, ouvir para Freud, "tornou-se mais do que uma arte, tornou-se um método, uma via privilegiada para o conhecimento, à qual os pacientes lhe davam acesso" (Gay, 1989, p. 80). 

    A escuta do terapeuta e a fala do paciente foram ganhando reconhecimento de tal forma que a hipnose, como técnica terapêutica, foi perdendo seu valor, sua importância. Com a ajuda de Emmy von N., reconhece a hipnose como sendo um procedimento inútil e sem sentido. Ao abandonar gradualmente a hipnose, Freud adota um novo modelo de tratamento: a técnica da associação livre. 

    Elisabeth von R. mostrou-lhe a resistência, quando se negava a responder o que estava se passando pela sua mente nos momentos em que ele a interrogava. Ela foi a paciente responsável pela descoberta da necessidade de se elaborar os traumas recalcados com a ajuda da interpretação de Freud. Os sintomas de Elisabeth von R. começaram entrar na conversa, também: desencadeavam-se no momento em que ela falava da erupção deles, e amainavam quando terminava de contar toda a sua história. Mas Freud também precisava aprender a lição mais difícil de que a cura não era uma explosão melodramática de percepções. Apenas o relato raramente bastava; os traumas tinham de ser elaborados. O ingrediente final na recuperação de Elisabeth von R. foi a interpretação dos indícios que Freud lhe apresentou e à qual ela resistiu veementemente por algum tempo: ela amava seu cunhado, e havia reprimido desejos perversos pela morte de sua irmã. O fato de aceitar esse desejo imoral pôs termo a seus sofrimentos. 

    "Na primavera de 1894", contou Freud, "soube que ela ia a um baile exclusivo, ao qual tratei de conseguir acesso, e não deixei escapar a oportunidade de ver minha ex-paciente a voar numa dança ligeira" (Gay, 1989, p. 81-82). Enfim, Freud deve muito, não somente a Elisabeth von R. e a Emmy von N., mas também a Miss Lucy R. e a Katharina por elas terem contribuído tão ativamente na elaboração da técnica e teoria psicanalítica: observação atenta, passividade alerta o que Freud chamaria de atenção flutuante interpretação hábil, associação livre sem o recurso da hipnose e elaboração. 

    Rothged, em referência aos Estudos sobre a histeria, afirma que "Freud originou os desenvolvimentos técnicos, juntamente com os conceitos teóricos primordiais de resistência, defesa e recalcamento provenientes daqueles" (2001, p. 119). Em seu artigo E o verbo se fez carne, Maria José Ceranto Garcia enfatiza que "o esclarecimento da etiologia da histeria se dá paralelo ao desenvolvimento da psicanálise" (2000, p. 30). 

    O CASO ANNA O. 
    Josef Breuer atendeu por um ano e meio, com início em dezembro de 1880, Anna O. (pseudônimo de Bertha Pappenheim). Caso este que seria reconhecido como o "caso fundador da psicanálise" (Gay, 1989, p. 74). Anna O., durante o seu tratamento, foi dando importantes contribuições para a formação da teoria psicanalítica. Ela realizou sozinha grande parte do trabalho de imaginação, ensinando Freud sobre a importância da escuta do analista. Anna O. adoeceu quando tinha 21 anos. Apresentava uma tendência para ficar em um devaneio sistemático, seu teatro particular como ela mesma definia. Tinha uma vida bastante monótona, totalmente restrita à família e, como relembrou Freud sobre o julgamento de Breuer a ela, "assombrosamente pouco desenvolvida em termos sexuais" (Gay, 1989, p. 75). A doença fatal do pai é entendida como sendo o acontecimento que precipitou sua histeria. Ela desenvolveu sintomas crescentes de incapacidade, durante os meses que cuidou do pai: fraqueza por não ter apetite, uma série de tosse nervosa e, após seis meses, foi atingida por um estrabismo convergente. Também apresentava dores de cabeça, acessos de agitação, perturbações da vista, paralisias parciais e perda de sensibilidade. Sua sintomatologia foi se modificando com o tempo, chegando a representar lapsos mentais, longos intervalos de sonolência, rápidas alterações de ânimo, alucinações com cobras cegas, caveiras e esqueletos, crescentes dificuldades de fala. Desenvolveu duas personalidades contrastantes, uma delas bastante rebelde. Ela era visitada por Breuer todos os dias. Durante suas consultas ela contava muitas histórias a ele, descobrindo juntos que seus sintomas se amenizavam devido essa liberdade para falar. Procedimento este que ficou conhecido como a cura pela fala, como função o processo de catarse. Anna O. teve seu momento de cura pela fala quando, passando por um período de hidrofobia, ela se recorda que havia visto sua dama de companhia inglesa de quem não gostava, deixar que um cãozinho bebesse de um copo. Quando o nojo reprimido veio a tona, a hidrofobia desapareceu. Dessa forma, todos os sintomas, as contrações paralisantes, as várias alucinações, etc., foram expulsos pela fala. Seus sintomas revelaram ser resíduos de sentimentos e impulsos que ela se sentira obrigada a reprimir. Anna O. se tornou uma pioneira ativista social, líder de causas feministas e de organizações de mulheres judias. Mas Breuer omitiu a verdadeira causa que o fez interromper o tratamento com Anna O. Ele terminou a exposição do caso, apresentando a paciente como liberta de seus sintomas e afirmando que o término do tratamento ocorreu devido ao desejo de Anna O. de encerrá-lo por motivos de mudança. Não é o que afirma Luiz Alfredo Garcia-Rosa quando escreve que "o que motivou o término do tratamento foi um fenômeno que, apesar de ser hoje em dia bastante conhecido, impossibilitou Breuer de continuar a relação terapêutica com Anna O.: o fenômeno da transferência e da contratransferência (1999, p. 39).

    Para Breuer, o fato de ele falar de sua paciente com uma freqüência acima do comum, não lhe parecia indício de nenhum envolvimento emocional. A mulher do médico se tornou triste e ciumenta por escutá-lo e percebê-lo empolgado com sua paciente. Breuer, porém, percebendo o que estava se passando, perturbou-se e resolveu encerrar o tratamento. Anna O., sabendo de sua decisão, desenvolve uma de suas piores crises. A paciente apresentava contrações abdominais de uma crise de parto histérica. Breuer foi chamado para consultá-la e quando ela o viu disse que seu filho estava chegando. Breuer atendeu Anna O. e a hipnotizou livrando-a da crise. No outro dia, Breuer viaja com sua esposa de férias para Veneza. Dessa forma, Freud conclui que a excitação emocional que se encontrava por trás dos sintomas neuróticos era de natureza sexual e conflitiva. No decorrer de suas pesquisas, Freud vai dando uma importância cada vez maior a sexualidade, tanto para a compreensão da neurose como para a compreensão do indivíduo normal. Ele escreve, em seu trabalho Um caso de histeria: “Se é verdade que as causas das perturbações histéricas devem ser encontradas nas intimidades da vida psicossexual dos pacientes, e que os sintomas histéricos são a expressão de seus desejos mais secretos e reprimidos, então a elucidação completa de um caso de histeria implica certamente a revelação dessas intimidades e a divulgação desses segredos. (Freud, 1972, pp. 5-6)” 

    Referências (utilizadas por Belintani, 2003) Araújo, M. I. (2000, Junho). Do amor e outros demônios. paroxismo, exorcismo e desamparo no romance de Gabriel García Márquez. Pulsional: Revista de Psicanálise, 13 (134), 5-15. [ Links ] CID-10. (1993). Classificação de transtornos mentais e de comportamento da CID10: descrições clínicas e diretrizes diagnósticas. Porto Alegre, RS: Artes Médicas. [ Links ] Estevam, C. (1995). Freud. (2a ed.). Rio de Janeiro: Paz e Terra. [ Links ] Ferreira, A. B. H. (1988) Novo dicionário básico da Língua Portuguesa Folha/Aurélio. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. [ Links ] Freud, S. (1974). Estudos sobre a histeria (Edição Standard Brasileira da Obras Completas e de Sigmund Freud, Vol. 2). Rio de Janeiro: Imago. [ Links ] Freud, S. (1972). Um caso de histeria. (Edição Standard Brasileira da Obras Completas e de Sigmund Freud, Vol. 7). Rio de Janeiro: Imago. [ Links ] Garcia, M. J. C. (Junho, 2000). E o verbo se fez carne (pp. 29-33). Trabalho apresentado à XI Jornada do Centro de Trabalho em Psicanálise. Curitiba, PR. [ Links ] Garcia-Rosa, L. A. (1999). Freud e o inconsciente (16a ed.). Rio de Janeiro: Jorge Zahar. [ Links ] Gay, P. (1989). Freud: uma vida para o nosso tempo. São Paulo: Companhia das Letras. [ Links ] Grande Dicionário Larousse Cultural da Língua Portuguesa. (1994). São Paulo: Nova Cultural. [ Links ] Kaplan, H. I., Sadock, B. J., & Grebb, J. A. (1997). Compêndio de psiquiatria: ciências do comportamento e psiquiatria clínica. (7a ed.). Porto Alegre, RS: Artes Médicas. [ Links ] Laplanche, J., & Pontalis, J. B. (1992). Vocabulário de psicanálise. São Paulo: Martins Fontes. [ Links ] Mansur, A., & Vicária, L. (2003, 28 Abril). O exorcismo é a atração da noite. Época, São Paulo, (258), 68-74. [ Links ] Márquez, G. G. (1994). Do amor e outros demônios. (2a ed.) Rio de Janeiro: Record. [ Links ] Moore, B. E., & Fine, B. D. (1992). Termos e conceitos psicanalíticos. Porto Alegre, RS: Artes Médicas. [ Links ] Ramadam, Z. B. A. (1985). A histeria. São Paulo: Ática. [ Links ] Roudinesco, E., & Plon, M. (1998). Dicionário de psicanálise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. [ Links ] Rothgeb, C. L. (2001). Sigmund Freud: chaves-resumo das obras completas (Guia de Consulta Rápida dos 23 Volumes da Edição Standard). São Paulo: Atheneu, 2001. [ Links ]


    segunda-feira, 24 de agosto de 2020

    Podcast 1: História do movimento psicanalítico escrito por Sigmund Freud em 1914.


    • Todos enfrentamos crises individuais ou coletivas ao longo da vida.
    • Qualquer evento que afeta o equilíbrio, seja causado por alguém ou naturalmente, pode levar a crise.
    • A crise afeta a nossa segurança, nos colocam em situações de violência, etc., retirando o sujeito da sua homeostase, condição de equilíbrio.
    • Intervenção em situações de crise pode mitigar a situação emocional das pessoas que estãoi envolvidas na situação, já que muito problemas mentais podem ser causados em virtude dessas crises.
    • Isso pode acontecer n~]ao só com pessoas que vivenciaram a crise enquanto vítimas, mas também aquelas pessoas que estão trabalhando com essas pessoas diretamente.
    • Falar de crise é falar de algo que nos afeta na esfera da emoção, afetando também o cognivo na forma de processar , bem como, o comportamento que é como eu ajo.
    • A crise está relacionada com a percepção do evento, de modo que tem tanta dificuldade que se torna insuportável. Vai além dos recursos disponíveis na pessoa, é a forma como ela percebe e reconhece a crise. Nem todo problema se torna uma crise, depende da forma como a pessoa percebe a dificuldade para que ela se torne uma crise,
    • Há dois tipos de crises: crises situacionais (são crises imprevistas que o homem não tem nem como prever nem como controlar, tendo que lidar com a crise e seus impactos, ex. impactos ambientais, desastres causados por erro humano, não se tem controle, atua-se nas consequências) e as crises evolutivas (são as crises da evolução do desenvolvimento biopsicossocial do indivíduo, ao longo da vida.)
    • Ambas as crises demandam do sujeito uma adaptação para lidar com a crise, a partir da forma como ele percebe a crise.
    Professora Renata (Tita)

    sábado, 22 de agosto de 2020

    Documentário: A invenção da Psicanálise (Resumo)


    Documentário longa-metragem que conta a história da Invenção da Psicanálise.

    • Sigmund Freud começou a sua carreira com a Neurologia.  Na tentativa de aliviar os pacientes neuróticos, Freud descobriu alguns fatos novos e importantes sobre o INCONSCIENTE. E, a partir dessas descobertas nasceu uma nova ciência: a Psicanálise.
    • Ele relata que encontrou uma forte e implacável resistência ao inventar a Psicanálise, mas que a luta dele não teria terminado ali.
    • Viveu em  Viena, numa rua tranquila, onde aplicou a Psicanálise e redigiu suas obras. Explorador das profundezas do inconsciente e iniciador, queria iluminar o lado obscuro da alma. Transformou seu divã em local de investigação, em laboratório.
    • Quebrou tabus ligado a sexualidade e permitiu as mulheres que se emancipassem.
    • Após construir as suas primeiras teorias reuniu médicos, historiados, escritores.para formar a primeira associação freudiana: A Sociedade Psicológica da Quarte-Feira, cuja primeira sessão foi em outubro/1902.
    • Freud tinha uma postura autoritária, buscava despertar as consciências daqueles que participavam da associação, com a intenção de mudar o mundo através da Psicanálise.
    • Falavam sobre Filosofia, Literatura, Mitologia, doenças psíquicas e mentais,etc. Laboratório de Novas Ideias.

    O COMEÇO
    • Freud chega a Paris em 1885 para descobrir sua verdadeira vocação. 
    • Médico jovem, judeu, 29 anos apaixonado por sua noiva Martha, que passa a se corresponder por cartas.
    • Passou a assistir aulas clínicas de Jean-Martin Charcot (1825) maior neurologista da época, do Hospício da Salpétríere, considerado o "Napoleão das Histéricas". O hospital era um enorme hospício para mulheres. haviam 5 a 6 mil mulheres trancadas, que seriam material de experimentação, Pretendia criar um método, uma classificação, uma tipologia, uma sintomatologia, de todas as afecções misteriosas que atingem o ser humano, quando a razão vacila.
    • Histeria surge como doença do útero que toma o corpo das mulheres, na Antiguidade (1860-1880), e deixavam as pacientes hipnotizados, em estado de sonambulismo, com a finalidade de conhecer a origem das convulsões. Seus métodos hipnóticos eram realizados em frente a sociedade liberal e republicana de Paris. Com o Hipnotismo fazia desaparecer temporariamente paralisias e contrações. Desejava mostrar que a histeria era uma neurose funcional sem ligação com o útero, se recusando a falar em público sobre causas genitais.
    • Freud foi muito influenciado por Charcot, criou uma nova ligação entre histeria e sexualidade. Deseja alertar os homens sobre as feridas originais da histeria. A Psicanálise era um modo de se falar das angustias, esquecimentos, sentimentos, do tempo, da tortura,etc. A partir daí os movimentos da carne podiam ser ouvidos, verbalizados. Com isso Freud destrói todas as suas anotações, artigos, firmando o compromisso de repensá-los.
    • Freud era tido como um homem sombrio,complicado, ambicioso, de uma inteligência extraordinária, que desejava tornar-se um grande homem da ciência, tornar-se um cientista e mudar o mundo.
    • Conheceu Joseph Breuer, médico judeu. especialista em doenças nervosas, que assumiu para ele uma figura paternal. Breuer conta a Freud sobre um caso de histeria aguda que teria acontecido antes de 1882 (A histeria teria esquecido sua língua materna, se recusava a beber água, paralisia corporal histérica, chamava-se Anna O. ou Bertha Papenheim, jovem da burguesia vienense que, ficou histérica aos 20 anos de idade. Essas jovens aspiravam a outra vida mas não havia quem as escutassem, acabavam adoecendo. Breuer a partir dessa paciente, desenvolveu a Terapia pela fala. Ele a hipnotizou e pediu que ela se lembrasse de determinadas coisas o que contribuiu para reduzir os sintomas. foi a primeira paciente analisada no mundo. 
    • Com isso Freud vai além, desenvolvendo suas teorias sobre sexualidade, e resolveram publicar seu primeiro livro: "Estudos sobre a Histeria", com vários casos. O livro não fala da cura da histeria, pois não há cura, mas mostrava como tratá-las, o método catártico que ainda não era a psicanálise. Era uma terapia traves da fala.
    • 1885 se instalou como médico em Vienna, casou-se com Martha, abriu seu consultório particular, trata essencialmente de mulheres da burguesia vienense sofrendo de neuroses: doenças dos nervos, neurastenia, histeria.
    • Criou o Divã, onde ficava a paciente e sentava-se atrás de modo que pudesse vê-las mas que não fosse visto, para que a palavra se tornasse o ato terapêutico em si, não havendo mais nada de magnetismo, nem hipnose, nem olhares, somente a palavra, ocupando-se  de procurar  no inconsciente adormecido. As pacientes falavam de sua infância, sonhos, sexualidade, deixava o sujeito falar livremente. 
    • Ao conhecer o médico berlinense Wilhelm Fliesse, que tinha teorias estranhas, tornando-se seu amigo, Freud atribuiu à sexualidade um lugar fundamental, de ser determinante da condição psique, que a neurose seria consequência de conflitos-infantis não resolvidos. 
    • Nessa época, elaborou suas Teorias da bissexualidade, Teoria da sedução e a primeira Teoria do Aparelho Psíquico. Definiu a Neurastenia como uma neurose sexual. Acreditava que resolveria o problema da histeria e neurose obsessiva encontrando a fórmula do choque sexual, e da volúpia sexual infantil. 
    • Fazia dele mesmo a sua própria análise, para saber se havia acontecido com ele, possíveis hipóteses a respeito de traumas sexuais da infância, como estupros, carícias, hoje chamado abusos e violências que, muito existiam e existem nas famílias.
    • Para compreender tudo que se passa no inconsciente das histéricas(os) precisa compreender que carregam reminiscências e fantasias, inventam seduções que não aconteceram. Com isso, criou também a Teria das Fantasias.
    • A Psicanálise não considera o doente e o paciente  como um objeto de estudo externo, ele passa por uma análise dele mesmo, do psicanalista. para saber se teria vivido aquilo também. O sujeito passa a questionar-se a si mesmo, e não mais adormecer nem descobrir outro ser dentro dele, pois ele está habitado por esse outro ser. Essa era  a revolução freudiana.
    Freud criou novos conceitos como: 
    • LIBIDO que é a energia sexual.
    • RECALQUE processo através do qual se rejeita no inconsciente um fato que se quer esquecer.Aquilo que não deseja lembrar.
    Para o INCONSCIENTE nada termina, nada passa, nada é esquecido. 
    Analisava sonhos de suas pacientes, em frente a sua coleção de estatuetas romanas, chinesas, gregas, egípcias. Abre o século 20 com o livro "A interpretação dos Sonhos", que é uma realização de um sonho ou desejo reprimido, no qual as personagens se misturam a um bestiário fantástico e familiar.
    O ponto mais importante é quando Freud diz estar seguindo um caminho para uma Psicologia Geral que não se aplicava somente aos neuróticos. Os sonhos tornam-se o caminho real que o leva ao inconsciente, para descobertas de um além da consciência. Meio de atingir os segredos da mente.
    • 1903 Freud publica seus três ensaios sobre a Teoria Sexual, gerando um escândalo quando atribui a crianças e adultos "normas" fantasias sexuais e comportamentos considerados patológicos, como masturbação, sodomia, fetichismo, desejo de incesto.
    • Baseado no mito de Édipo que mata seu pai e casa-se com sua própria mãe sem saber, criou o Complexo de Édipo, uma representação inconsciente onde surge o desejo da criança pelo genitor do sexo oposto e hostilidade pelo mesmo sexo.
    • A Psicanálise parte do princípio de que o sujeito é levado por uma coisa insuportável, que foge ao controle.
    Cinco anos após a Associação Freudiana, 1907 marca o encontro com Carl Gustave Jung. Jung tinha um trabalho experimental com "Associação de Ideias", etc, estava a frente do tratamento da loucura, na clinica de psiquiatria em Zurich, na Suíça. Freud acreditava que a Psiquiatria era para o mundo, e não apenas para os Judeus, quando marca o primeiro encontro com Jung, quando se entenderam bem por 3 ou 4 anos, vindo a romper essa relação.
    • Jung tria optado por um caminho diferente, que a ciência da época considerava misticismo oriental e religião e que, Freud sempre desprezava.
    • Vivia em um mundo interior feito de introspecção, de busca interior, interesse pelo ocultismo, por religiões orientais, passou 7 anos de entusiasmo pelo mundo espiritual da aventura psicanalítica. Jung não aderiu a psicanálise de Freud. Se interessou pelos Arquétipos, representações simbólicas do subconsciente, que para ele, formam um inconsciente coletivo.
    • Jung relata que Freud era um homem complicado, pois quando ele pensava em algo, já era definitivo, e ao contrário, Jung duvidava, tornando-se impossível conversar profundamente sobre alguma coisa com ele, pois ele não tinha nenhuma formação filosófica, enquanto Jung estaria estudando Kunt. Jung se afasta de Freud pois queria voar com as próprias asas.
    A Psicanálise ver infinitas possibilidades para o que pode ser curado e o que não pode ser curado, seja na medicina, seja na análise.Sempre que se descobre a cura para um determinado mal, surge outro em seu lugar, a exemplo: curou a sífilis, surgiu a Aids, curou a Histeria, surgiu a depressão na contemporaneidade.

    Em 1910, Freud funda a "Associação Psicanalítica Internacional" e pede a Jung que assuma a direção. Em 1912,  apesar das divergências ele fica na direção por 2 anos e rompe com Freud. 

    Entra em cena, Ernest Jones, médico Inglês que daria continuidade ao movimento psicanalista. Impressionado com o fato de Freud ouvir os pacientes, coisa nunca vista antes, se interessava pela Psicanálise desde 1906, difundindo a Psicanalise pela Inglaterra. A Associação Britânica de Psicanálise estava repleta de pessoas não-médicas. depois vindo a se expandir pelos Estados Unidos.
    Lou foi a primeira mulher a integrar a Associação de Psicanálise Freudiana, a qual Freud tinha profunda admiração.

    A CONQUISTA
    Primeira Guerra Mundial. Freud viveu a guerra como uma prova interminável, violenta e  de irremediável conflito. Se preocupava com os filhos na linha de frente. Tinha poucos paciente, porém, a guerra trouxe de volta doenças nervosas  e os Psiquiatras são chamados para identificar os impostores que queriam fugir da luta. Usam tratamentos elétricos e hipnóticos para curar paralisias e pânicos causados por granadas e canhões. Soldados traumatizados se restabeleciam em uma semana, e voltavam a guerra.
    Após a Primeira guerra mundial a Psicanalise se transforma. Os psicanalistas vienenses pareciam ter perdido sua identidade. Condições de vida terríveis, Freud se dedicou a sobreviver, passou fome, muitas dificuldades.
    Sander Ferenczi foi nomeado para assumir a Cadeira de Ensino da Psicanálise. Os psicanalistas sofreram repressão politica, foram exilados em Berlim, que se torna um laboratório propulsor para a Psicanálise,
    1920 foi fundado o Instituto Psicanalítico de Berlin por Marx Eitingon, ligado a uma policlínica que transformou-se em  Centro de Formação em Psicanálise, tornando-se modelo pelo mundo todo. Inicialmente dedicaram-se a uma camada mais desfavorecida da população, que pagavam seus tratamentos de acordo com sua renda e o terapeuta era obrigado a fazer o tratamento gratuito.
    Karl Abraham era muito importante no movimento psicanalíticos de Berlin, foi o primeiro trazê-la para Berlin. Freud o chamava de Rocha de Bronze, tinha grande capacidade de reunir grupos de estudantes que não se submetiam, que eram críticos.
    Teve como aluna formada, Melanie Klein, vienense, judia. Interessou-se pela análise infantil. Foi para Berlin encontrou Karl Abraham que escreveu par Freud falando sobre seus trabalhos com crianças. Sua maior rival era Ana Freud, filha de Sigmund Freud. Sempre estava ao lado pai, e Freud ao perceber não haver nenhum outro homem além do próprio pai na vida dela, ela se torna seu alter ego. Tornou-se, a mais fiel discípula, confidente, enfermeira dedicada ao pai.
    1920 Freud perde sua filha Sofie, por uma Epidemia de Gripe.  Concluiu que tudo na vida leva a morte. O Dualismo dessas duas forças elementares, vida e morte, se confrontam eternamente.
    3 anos depois continua a desenvolver a ideia de que a mente não é só dividida por pulsões como vida e morte, sexualidade e agressão.  descreveu que pode ser dividia em:
    • Id (inacessível diretamente, e que a única maneira de se chegar ao Id é indiretamente, por lapsos, sonhos, sintomas, etc. É completamente inconsciente); 
    • o EGO é consciente e inconsciente ao mesmo tempo, parte da mente relativa ao domínio do mundo, relacionado as forças externas, não é apenas o pensamento da razão, traz elementos inconscientes que acentuam o conflito mental; 
    • o SUPEREGO também consciente e inconsciente, geralmente ele ataca, é punitivo, negativo, e em si, uma fonte de culpa.
    1910-1925- Os americanos se interessam pela Psicanálise, como uma terapia da felicidade.
    Freud tem um tumor no queixo e convive  com esse sofrimento por 16 anos. 

    Melainie Klein vai a Londres fazer conferências  sobre seus trabalhos com crianças. Tentava entender a origem das psicoses. Para ela, havia uma relação muito primitiva entre o bebe e o meio ambiente.

    Freud teve seus livros antigermânicos queimados com o Nazismo alemão. A psicanálise é modificada na Alemanha em função disso, das novas leis raciais. Um pequeno grupo de 14 psicanalistas não judeus permaneceram na Alemanha e esperavam poder se manter com a psicanalise, formalmente no país, em detrimento daqueles que tiveram que deixar o país. Foram exilados para a América do Norte. A nomenclatura da psicanálise na Alemanha foi modificada, era muito rígida, era proibido falar em sexualidade e libido. Questiona-se aí, será que ainda se podia falar em Psicanálise?

    O FIM 

    Em 1938 Freud escreve para Jones na Alemanha falando sobre a situação política sombria de retaliação aos judeus e a interferência nazista, de Hittler na psicanálise. Freud retorna a Paris. Depois a Londres onde é acolhido calorosamente com a família, onde escreve sua ultima obra. Sem poder se locomover por causa do câncer, ele pede a sua filha para ler livros no Congresso de Paris em 1938, em que se reuniram pela última vez, antes do exílio, todos os psicanalistas europeus. em 21/09 pede ajuda a seu médico para ajudá-lo a morrer e pede que "Fale com Anna. Se ela achar justo acabe logo com isso." Em 23/09 seu médico aplica-lhe sua última dose de morfina.

    Com a chegada dos Vienenses a Londres cria-se uma situação complexa: Acirra-se a competição em Anna Freud e Melanie Klein sobre a análise das crianças. Haviam muitas controversas, e com isso, haviam discussões sobre o modo como Freud deveria ou poderia ter interpretado.

    Após a guerra, saem diferentes grupos de psicanalistas: Kleinianos, Annafreudianos, grupo freudiano contemporâneo.
    • 1945-Marie  Bonaparte da Sociedade Psicanalítica de Paris, não assume mais a posição de nova geração de psicanalistas.
    • A França começa a se fortalecer a partir de 1945 diante da Escola Inglesa, onde a França se torna o único país do continente a ter uma força psicanalítica diante das escolas inglesa e americana, conquistando o mundo latino-americano com 2 grandes personagens: Françoise Dolto que emerge a partir de 1938, e  Lacan a partir de 1932. Eles formaram a terceira geração de psicanalistas,que não conheceram Freud em vida.
    Jacques Lacan foi psiquiatra de formação alemã, foi o último dos grandes intérpretes do pensamento Freudiano. Empírico, devolve na psicanálise seu ideal subversivo. Tornou o inconsciente um local de linguagem.

    Fraçoise Dolto, brilhante clínica será uma pioneira original da analise infantil.

    Atualmente, a Psicanálise perdeu seus mestres e discípulos dos tempos heroicos, mas se implantou em todos os países democráticos, embora ainda seja muito contestada. Foi adotada por mais de 25 mil analistas no mundo e milhares de pacientes.

    REFERÊNCIAS:



    terça-feira, 18 de agosto de 2020

    HISTERIA - Sigmund Freud

    HISTÓRIA DA HISTERIA

    • O nome “histeria” tem origem nos primórdios da medicina e resulta do preconceito, superado somente nos dias atuais, que vincula as neuroses às doenças do aparelho sexual feminino. 
    • Na Idade Média, as neuroses surgiam sob a forma de epidemias, em conseqüência de contágio psíquico, e estavam na origem do que era fatual na história da possessão e da feitiçaria. 
    • A sintomatologia não sofreu modificação até os dias atuais. 
    • Os pobres histéricos, que em séculos anteriores tinham sido lançados à fogueira ou exorcizados, em épocas recentes e esclarecidas, estavam sujeitos à maldição do ridículo; seu estado era tido como indigno de observação clínica, como se fosse simulação e exagero. 
    O QUE É A HISTERIA - NEUROSE / DEFINIÇÃO
    • É uma neurose no mais estrito sentido da palavra - não há achadas de alterações perceptíveis do sistema nervoso, como também não se espera que qualquer aperfeiçoamento das técnicas de anatomia venha a revelar alguma dessas alterações.
    • Baseia-se total e inteiramente em modificações fisiológicas do sistema nervoso.
    • Leve em consideração as condições de excitabilidade nas diferentes partes do sistema nervoso.
    • É definida de um modo puramente nosográfico, pela totalidade dos sintomas que ela apresenta,  se caracteriza por um grupo de sintomas - exoftalmia, bócio, tremor, aceleração do pulso e alteração psíquica -, sem qualquer consideração relativa a alguma conexão mais íntima entre esses fenômenos.
    • É um quadro clínico que pode ser reconhecido com bastante clareza nos casos extremos (Grade Histeria), pois há casos de Histeria do tipo normal.
    SINTOMATOLOGIA
    1. GRANDE HISTERIA
    • ATAQUES CONVULSIVOS - são precedidos de uma “aura” peculiar: pressão no epigástrio, constrição na garganta, latejamento nas têmporas, zumbido nos ouvidos, ou partes desse complexo de sensações.  É especialmente conhecido o globus hystericus, uma sensação atribuível aos espasmos da faringe, como se uma bola estivesse subindo do epigástrio para a garganta. Apresenta três fases:
              I) A primeira, “epileptóide”, assemelha-se a um ataque epiléptico unilateral. 
          II) A segunda fase, a dos “grands mouvements”, apresenta movimentos de “salamaleque”, atitudes em arco (arc de cercle), contorções e outros. A força é muito grande. Para diferençar esses movimentos de um ataque epiléptico, deve-se observar que os movimentos histéricos sempre são executados com certa correção e de modo coordenado, o que contrasta nitidamente com a cega brutalidade dos espasmos epilépticos. Geralmente se evitam os ferimentos comparativamente graves. 
          III) A terceira fase, a fase alucinatória do ataque histérico, a das “attitudes passionelles”, distingue-se pelas atitudes e posturas que sugerem cenas de movimento passional, que o paciente alucina e freqüentemente acompanha com as palavras correspondentes.

    Considerações importantes durante o ataque:
    • A consciência pode conservar-se ou se perder, o que é mais frequente.
    • Os ataques acontecem em série, podendo durar diversas horas ou dias.
    • Ataques com fases em partes separadas, fragmentados,  são mais frequentes do que ataques completos.
    • Podem exibir um como de forma apoplectiforme  - ataques do sono. Pode parecer um sono natural ou apresentar diminuição da respiração e da circulação a ponto de ser confundido com a morte. Não há aí sintoma de ataques. Pode durar semanas e meses.
    Sua sintomatologia mostra que esse excesso é distribuído por meio de idéias conscientes ou inconscientes.

    2. ZONAS HISTERÓGENAS
    • áreas supersensíveis do corpo, nas quais um leve estímulo desencadeia um ataque cuja aura muitas vezes começa por uma sensação proveniente dessa área.
    • Situa-se na pele, nas partes profundas, nos ossos, nas membranas mucosas, até mesmo nos órgãos dos sentidos. 
    • São encontradas com maior freqüência no tronco do que nos membros e têm preferência por determinados locais - por exemplo, nas mulheres (e mesmo nos homens), numa área da parede abdominal correspondente aos ovários, na região coronária do crânio e na região inframamária; e nos homens, nos testículos e no cordão espermático. A pressão nessas áreas desencadeia, com freqüência, não uma convulsão, mas sim sensações-aura. 
    • A partir de muitas das zonas histerógenas também é possível exercer uma influência inibidora sobre os ataques convulsivos; uma vigorosa pressão sobre a área ovariana, por exemplo, desperta muitas pacientes no meio de um ataque histérico ou de um sono histérico, usando um cinto semelhante a uma funda para hérnia, cuja almofada comprima a área ovariana. 
    • As zonas histerógenas às vezes são numerosas, às vezes poucas, e podem ser unilaterais ou bilaterais.

    3. DISTÚRBIOS DA SENSIBILIDADE 

    • Mais frequentes e importantes para o diagnóstico.
    • desempenham um papel relativamente pequeno nas doenças cerebrais orgânicas.
    • Consistem em anestesia ou hiperestesia, variando em extensão e intensidade.
    • A anestesia pode afetar a pele, as membranas mucosas, os ossos, os músculos e nervos, os órgãos dos sentidos e os intestinos, porém é mais comum na pele.
    • Não há redução do sentido tato, podendo originar a alfalgesia, sensação de dor.
    • A anestesia histérica pode surgir em focos disseminados unilaterais ou bilaterais, ou simplesmente em determinadas áreas,  nos membros ou em áreas situadas sobre órgãos internos atingidos por alguma doença (faringe, estômago etc.).
    •  Reduz os reflexos sensoriais, como: reflexo conjuntival, espirro e faringiano.
    • Reflexos vitais são mantidos, como córnea e glote.
    • Reflexos vasomotores e a dilatação pupilar mediante estimulação da pele não são interrompidos.
    • A anestesia histérica é sempre um sintoma a ser pesquisado pelo médico, de vez que, na maior parte dos casos, mesmo quando tem ampla extensão e grande gravidade, geralmente escapa totalmente à percepção do paciente. 
    • A anestesia orgânica, deve-se enfatizar que os distúrbios histéricos da sensibilidade, a rigor, não prejudicam os pacientes em nenhuma atividade motora.
    • As áreas da pele que estão histericamente anestesiadas caracterizam-se, com freqüência, por anemia local e não sangram quando picadas.
    • Os distúrbios da sensibilidade são os sintomas nos quais é possível basear um diagnóstico de histeria, mesmo nas suas formas mais rudimentares. Freqüentemente existe uma relação recíproca entre a anestesia e as zonas histerógenas, como se toda a sensibilidade de uma parte relativamente grande do corpo estivesse comprimida numa única zona.
    4. DISTÚRBIOS DA ATIVIDADE SENSORIAL
    • podem afetar todos os órgãos dos sentidos 
    • podem aparecer simultaneamente com ou independentemente de modificações na sensibilidade da pele.
    • Distúrbio Histérico da Visão não tem relação com daltonismo, embora se perca a sensibilidade ao roxo, e ao vermelho e azul geralmente persiste mais tempo.
    • Os objetos que se aproximam do olho e que dele se afastam são vistos em tamanhos diferentes e duplicados ou multiplicados
    • Surdez Histérica raramente é bilateral, muito frequente, combinada com anestesia do pavilhão da orelha, do canal auditivo e até mesmo da membrana do tímpano.
    • Quando existe distúrbio histérico do paladar e também do olfato, via de regra é possível encontrar anestesia das regiões da pele e da membrana mucosa pertencentes aos órgãos desses sentidos.
    • São freqüentes em pacientes histéricos a parestesia (sensação anormal e desagradável sobre a pele que assume diversas formas (p.ex., queimação, dormência, coceira etc.) e a hiperestesia (paroxismo da sensibilidade, tendente a transformar as sensações ordinárias em sensações dolorosas; acuidade anormal da sensibilidade a estímulosdos órgãos inferiores dos sentidos; às vezes, há uma extraordinária exacerbação da atividade sensória, especialmente do olfato e da audição.
    5. PARALISIAS
    • São mais raras que as anestesias.
    • Quase sempre apresentam anestesia da parte do corpo paralisada.
    • Pode ocorrer de um braço ou perna, ou de ambos (paraplegia)
    • Tende a transformar as sensações ordinárias em sensações dolorosas; acuidade anormal da sensibilidade a estímulo.
    • Paralisia das pernas pode paralisar órgãos internos como intestino, causando fraqueza muscular, e seguida de afonia, incapacidade de executar movimentos da fala, sem voz.
    6. CONTRATURAS
    • O aparelho reage a pequenos estímulos através da contratura.
    • Excessiva intensidade e podem ocorrer em qualquer posição.
    • Não relaxam no sono.
    • Tende a aumentar os espasmos devido às contraturas.
    7. CARACTERÍSTICAS GERAIS - SINTOMATOLOGIA DA HISTERIA
    • Se apresentam de forma exagerada; uma dor é descrita como extremamente dolorosa.
    • uma anestesia e uma paralisia podem com facilidade tornar-se absolutas; 
    • uma contratura histérica causa a maior retração de que um músculo é capaz. 
    • Pode ocorrer simultaneamente e isoladamente.
    • Os sintomas psíquicos têm sua significação dentro do quadro total da histeria, mas não são mais constantes do que os diferentes sintomas físicos, os estigmas. Por outro lado, as modificações psíquicas, que devem ser assinaladas como o fundamento do estado histérico, ocorrem inteiramente na esfera da atividade cerebral inconsciente, automática. 
    • Os pacientes histéricos funcionam com um excesso de excitação no sistema nervoso - excesso que se manifesta ora como inibidor, ora como irritante, deslocando-se com grande mobilidade dentro do sistema nervoso. 
    EVOLUÇÃO DA HISTERIA - IMPORTANTE SABER
    • Seus primeiros sinais provavelmente aparecem na adolescência. A partir dos 15 anos se mostra ativa em meninas. Em geral, primeiros anos de um casamento feliz interrompem a doença, podendo reaparecer os sintomas quando as relações conjugais ficam mais frias
    • as doenças histéricas, mesmo as de gravidade considerável, não são raridade em crianças entre seis e dez anos. 
    • Na histeria infantil são encontrados os mesmos sintomas das neuroses dos adultos.
    • As crianças histéricas são, com bastante freqüência, precoces e altamente dotadas; em numerosos casos, a histeria é, por certo, simplesmente sintoma de profunda degeneração do sistema nervoso, que se manifesta em perversão moral permanente.
    • A histeria pode estar combinada com muitas outras doenças nervosas neuróticas e orgânicas, e tais casos oferecem grandes dificuldades à análise.
    • Via de regra, um homem histérico - ou uma mulher histérica - não constitui um único membro neurótico do círculo familiar
    TRATAMENTO DA NEUROSE
    • Destaca-se três tarefas: o tratamento da disposição histérica, dos ataques histéricos (histeria aguda) e dos sintomas histéricos isolados (histeria local).
    • Cabe ao médico a escolha do tratamento.
    • O convívio com a família deve ser substituído por um período de internação em casa de saúde e a isto os parentes geralmente oferecem maior resistência do que os próprios pacientes.
    • A massagem e a eletricidade, os outros métodos terapêuticos não devem ser negligenciados.
    • HIdroterapia e Ginástica, encorajar a movimentação.
    • Pode-se utilizar a hipnose.
    REFERÊNCIAS:
    Obras completas de Sigmund Freud. Volume I.