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sábado, 17 de novembro de 2018

Olhares de Madre Cristina - Leitura Fílmica




A doença mental se caracteriza pela capacidade do homem se comprometer.
O filme trás relatos que contam a história de Madre Cristina. Gostava da Vida, era uma moça muito alegre. Entrar no convento foi uma surpresa para todos, mas foi o meio que ela encontrou para ajudar as pessoas.
Mostra o lugar em que ela vivia, bem como, seus hábitos diários.
Se formou em 1940 em Pedagogia e Filosofia, pois não existia Psicologia. O nome Psicologia era um nome pejorativo sempre era relacionado a algo mítico, ligado a adivinhações.
Elas enviavam para o Governo tudo que o Governo exigia de conteúdo, entretanto, quando estava em sala de aula, ensinava conteúdos de Psicologia.
Trabalhavam a ludoterapia ou psicoterapia lúdica, terapia através de jogos.
Ela convidava as pessoas que também pensavam como ela para ensinar, mesmo contrariando o que o governo queria que ensinasse.
Ela estudava em torno de 12 a 14 horas por dia.  Desenvolveu um modelo psicológico para dar aula sobre ludoterapia.
1950 falar com um cliente já era um escândalo público. Madre Cristina tinha uma mente aberta.
Quando anunciou que ia abrir uma clínica, as pessoas perguntavam se tinha louco lá.
Livro inicial de cabeceira: Freud
Eram somente 6 pessoas que trabalhavam em prol desse objetivo. Como as pessoas eram muitas começaram a fazer terapia de grupo, contrariando o que a psicanálise pregava. Surge a Terapia de Grupo para atender à população mais carente.
Tinha uma “caixinha”, dava às mães,  para que as mâes pudessem levar as crianças para a clínica.
As irmãs que conviveram com a Madre Cristina, contam que ela estava sempre a frente. Ninguém podia dizer que era psicóloga naquela época.
A Madre Cristina sempre aparece na história da Psicologia, grande fundadora da Psicologia no Brasil.
Foi acusada de ser comunista em 1964. Era uma revolucionária, contra o sistema político da época.  Muitos padres foram presos.  Revela ter sido a época mais negra  que a madre viveu. Escondia clandestinos na clínica.  Os policiais nunca tinham entrado na clínica. Salvou a vida de muitas pessoas, evitando que muitas pessoas fossem mortas durante  ditadura militar.
Visou presos no Barro Branco, e foi proibida pelos soldados de baionetas. Ela disse que ia visitar os presos, enfrentava os policiais e eles acatavam o que ela dizia.
Lei do silencia. Arrumou uma foto de uma mulher com pano amarrado na boca que já dizia que ela não podia falar nada. Sofria de enxaquecas terríveis, dormia pouco. Escutava notícias todas as noites. Chorava muito.
Em 1974 após as eleições a Madre Cristina disse que havia chegado a hora de lutar pela Anistia. Surgem os movimentos iniciais inclusive o movimento feminista. Começa a não usar habito. Estava sempre a frente pelas suas ideias e pela sua fé.
Interessada pelo Marxismo, e voltou ao Brasil com uma linguagem marxista. As religiosas não queriam mais faculdade e entregaram para a PUC. Rompeu com a PUC e criou o Instituto SEDES Sapiência. Criou 22 cursos diferentes de especialização.  A ideia era que o SEDES fosse uma espaço em que as pessoas poderiam pensar a transformação da sociedade. Era um Instituto livre sem intervenção do MEC.
Pretendia preparar os pais do Brasil para lidar com seus filhos.
1984 – Campanhas diretas já, fala ao povo em palanque: Fala Brasil! Dizendo que seu povo é muito ordeiro.
Entende a esquerda como aqueles que querem uma transformação, são os progressistas. Cada pessoa que passa pelo mundo tem a obrigação de dar sua contribuição criando coisas novas e não reproduzindo o que já existe.
Acolheu o primeiro movimento sem-terra, era uma militante sem se envolver diretamente. Ajudou muito ao movimento da esquerda, dava muitas palestras e ainda orientava aqueles que a buscavam para esclarecimentos políticos.

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

As ideias psicológicas no Brasil nos seculos XVII e XVIII - Marina Massimi

EXPERIÊNCIAS E POSIÇÕES VIVIDAS POR INTELECTUAIS BRASILEIROS ENTRE O SÉCULO XVII E OS INÍCIOS DO SÉCULO XIX.

  • Jovens brasileiros, membros de famílias mais abastecidas, realizaram seus estudos no exterior, tendo como consequência, a impossibilidade de conseguir modalidades de formação do intelectual integradas às condições e peculiaridades da realidade nacional, estimulando assim, o individualismo dos pensadores.
  • Dentro de um contexto totalmente hostil e marcado pela desigualdade social, esses pensadores afirmavam a dignidade cultural de sua posição:
          a) a capacidade intelectual é um dom da natureza humana e não fruto de circunstâncias econômicas, sociais e políticas favoráveis. ( Feliciano Joaquim de Souza Nunes)
          b) as letras parece que têm mais fortuna quando estão separadas do lugar em que nasceram. (Matias Aires Ramos da Silva)
          c) Escrevi das vaidades mais para instrução minha, que para doutrina dos outros.(Matias Aires Ramos da Silva) 


IDEIAS PSICOLÓGICAS  EMERGENTES NESSE CONTEXTO DA INDIVIDUALIDADE, DISPERSÃO E ISOLAMENTO DOS PENSADORES BRASILEIROS.

  • A vida é concebida como um fluxo constante  de partes asa vezes antagônicas, onde a beleza faz pressentir a decadência; a alegria contém em si o gérmen da tristeza; há firmeza na inconstância.
  • ênfase na mobilidade do homem da experiência humana.
  • A metáfora do peregrino (Jesuíta Gusmão) tem como objeto a peregrinação protagonista, num contexto real das terras brasileiras, num percurso de Salvador a Minas Gerais, até chegar em Pernambuco. 
  • A teoria hipocrático-galena dos temperamentos, o homem é considerado um composto de humores a partir dos quatro elementos: água, terra, ar e fogo, no qual o excesso de um desses humores resultaria nas enfermidades.
  • Havia um consciência de uma certa relatividades de valores e fatos humanos.
  • A própria verdade era submetida às mudanças dos afetos e das circunstâncias.
  • O livro "Política Indiana" de Juan de Solorzano Pereira, retrata a questão indígena, fazendo apologias a colonização portuguesa, os quais apontam a raça indígena como uma encarnação de uma condição humana primitiva que deveria ser superada pelo esforço civilizatório. O indígena não era compreendido no contexto de sua própria cultura.
  • Em relação a natureza moral e religiosa afirmavam que as suas ações os distinguiam; que a sabedoria é a primeira e melhor riqueza.
  • Cada um deve estar submetido à imutável ordem hierárquica das coisas, como se providência divina tivesse colocado cada um seu lugar e que ali deveriam permanecer/aceitação
  • Nunes propõe uma visão de mundo marcada pelo pessimismo.
  • havia a refutação da crença na inferioridade mental das mulheres em relação aos homens
  • A vida do indivíduo e da sociedade é submetida à condição de debilidade e de instabilidade.
  • O conhecimento humano é marcado pela experiência do limite, favorecendo a percepção humana, onde predomina a vaidade sobre a própria intelectualidade, como objeto de desejo que produz diversos conflitos entre o eu (o que você acha que é) e o self ( o que de fato você é).
  • A vaidade aponta para a fragilidade e a limitação da própria razão humana, já que está presa à dinâmica das razões. Condição psicológica essencial para o advento do capitalismo.
  • Há uma desconfiança acerca da razão, enfatizando as paixões, trazendo uma aparência, o sentido da incerteza e da instabilidade, características inevitáveis e inerentes à subjetividade humana.
  • A dimensão psicológica interior do homem passa a ser vista como o refúgio precário e passageiro do indivíduo perante o absolutismo do poder e a desordem da sociedade.
  • Francisco Mello Franco propõe uma sorte e Psicologia médica inspirada nas teorias do iluminismo francês.
  • Afirma-se que o estado físico do corpo tem grande influência nas operações da alma.
  • O funcionamento do organismo se dá pelas leis da natureza. 
  • A saúde do corpo psicossomático é definida pelo equilíbrio e regulação, atingindo a harmonia da máquina corporal cujo efeito é o bem estar psicológico.
  • Analogia entre a medicina do corpo e a medicina do espírito.
  • A experiência mostra que muitos pecados do corpo tem sua origem em doenças particulares do corpo.
SÉCULO XIX - NOVA FASE DA CULTURA BRASILEIRA QUE DIZ RESPEITO A CONCEPÇÃO DO HOMEM E DO SEU PSIQUISMO.

José Bonifácio de Andrada e Silva apresenta um plano de colonização dos índios, através de um processo de aculturação, no qual se dispõe primeiro a conhecer o que são, para depois achar os meios de convertê-los.

Nasce o mecanicismo com a teoria acerca do homem no estado selvagem, sobre os quais se identifica a ausência de necessidades próprias do homem civilizado, que estimulam o trabalho e a atividade.

Bonifácio acreditava que o que diferenciava o selvagem do civilizado era  a ausência daquele tipo de racionalidade característica do espírito científico europeu. Para ele, a sensibilidade do índio era interpretada como puro produto do instinto, já que as paixões não poderiam ser satisfeitas cabalmente sem a reunião de novos braços e vontades as que obrigavam os selvagens a reunir-se  em tais quais aldeias.

A civilização sendo entendida como modelos a ser realizado, é necessário definir a estratégia pra sua concretização, através da criação de métodos e meios que possibilitassem a pronta e sucessiva civilização dos índios. Os meios de civilização propostos por Bonifácio, com clara significação psicológica:

  •  introdução do conceito de propriedade individual, já que a cultura indígena é comunitária.
  • introjeção da inferioridade cultura através de gestos e rituais voltados à induzir nos nativos ideias de poder, sabedoria e riqueza.
  • educação das crianças
  • inculcar nos adultos o princípio incontestável de que se deve permitir o que não se pode mudar.(forma de manipulação)
  • introdução do hábito do trabalho regular, para ganhar seu sustento.
Adapta-los a um novo estilo de vida com novas necessidades, forma de se vestir diferentes, casas mais confortáveis e higiênicas.

Com isso, segundo Dante Morais Leite, ocorre uma manipulação dos traços psicológicos, na construção de teorias e conceitos ao definir características coletivas do povo brasileiro.

Bonifácio retrata o brasileiro como entusiasta do belo, amigos da liberdade e da justiça, ignorantes por falta de instrução, mas cheios de talentos e apaixonados por sexo.

Percorrer a historia das ideias psicológicas ao longo da cultura brasileira evidencia que  muitos dos conceitos utilizados pela Psicologia moderna possuem raízes no passado.  Os laços do passado com a realidade moderna seria o caminho para realizar uma proximidade maior entre o saber e a competência profissional do psicólogo e a realidade brasileira.

Um psicólogo enraizado em sua cultura e sociedade, é um agente de transformação social e não de normalização. 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
História da Psicologia no Brasil: Novos Estudos - Marian Massimi
Cap. III - As ideias Psicológicas no Brasil nos séculos XVII e XVIII.

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Entendendo nossa Natureza, nossa História e nossa Psicologia.

"PARA ENTENDER NOSSA NATUREZA, NOSSA HISTÓRIA E NOSSA PSICOLOGIA, DEVEMOS entrar na cabeça dos nossos ancestrais caçadores-coletores."

Os sapiens sempre viveram como caçadores-coletores, porém, nos últimos 200 anos, durante os quais um número cada vez maior de sapiens, passam a ganhar o pão de cada dia como trabalhadores urbanos e funcionários administrativos.

O campo próspero da PSICOLOGIA EVOLUTIVA afirma que muitas de nossas características psicológicas e sociais do presente foram moldadas durante essa longa era pré-agrícola.

Especialistas da área, afirmam que nosso CÉREBRO e nossa MENTE são adaptados para uma vida de caça e coleta. Nossos hábitos alimentares, nossos conflitos e nossa sexualidade são todos consequência do modo como nossa mente de caçadores-coletores interage com o ambiente pós-industrial de nossos dias, com megacidades, aviões, telefones e computadores.

Esse ambiente nos dá mais recursos materiais e vida mais longa do que a desfrutada por qualquer geração anterior, mas também nos faz sentir ALIENADOS, DEPRIMIDOS E PRESSIONADOS

Segundo os PSICÓLOGOS EVOLUTIVOS, precisamos nos aprofundar no mundo de caçadores-coletores que nos moldou, o mundo que, subconscientemente, ainda habitamos

Por que, por exemplo, as pessoas se regalam com alimentos altamente calóricos que tão pouco bem fazem a seus corpos? As sociedades afluentes de hoje estão tomadas por uma praga de obesidade, que está rapidamente se alastrando para países em desenvolvimento. É intrigante tentar entender por que nos empanturramos com os alimentos mais doces e mais gordurosos que conseguimos encontrar, até considerarmos os hábitos alimentares dos nossos ancestrais caçadores-coletores. 

Nas savanas e florestas que eles habitavam, alimentos doces e calóricos eram extremamente raros, e a comida em geral era escassa. Um caçador-coletor típico de 30 mil anos atrás só tinha acesso a um tipo de comida doce: frutas maduras. Se uma mulher da Idade da Pedra se deparasse com uma árvore repleta de figos, a coisa mais razoável a fazer era ingerir o máximo que pudesse imediatamente, antes que um bando de babuínos comesse tudo. 

Hoje, podemos morar em apartamentos com geladeiras abarrotadas, mas nosso DNA ainda pensa que estamos em uma savana. É isso o que nos motiva a comer um pote inteiro de sorvete quando encontramos um no freezer e fazê-lo descer com uma Coca-Cola grande. 

Como viviam os sapiens entre a Revolução Cognitiva de 70 mil anos atrás 
e o começo da Revolução Agrícola, há cerca de 12 mil anos?

Nossas relações românticas e sexuais são equipadas por anéis, camas, roupas bonitas, lingeries sensuais, camisinhas, restaurantes da moda, motéis baratos, salas de espera de aeroporto, salões de festa e empresas de catering. 

As religiões trazem o sagrado à nossa vida com igrejas góticas, mesquitas muçulmanas, ashrams hindus, rolos de Torá, rodas de oração tibetanas, batinas eclesiásticas, velas, incenso, árvores de natal, lápides e ícones.

Mal percebemos o quanto nossos objetos são onipresentes até precisarmos nos mudar para uma casa nova. Os caçadores-coletores se mudavam todo mês, toda semana e, às vezes, todo dia, carregando nas costas o que quer que possuíssem.

Perto do que hoje é Adelaide, no sul da Austrália, viviam vários clãs patrilineares, que se baseavam na descendência por parte de pai. Esses clãs se uniam em tribos por razões estritamente territoriais. Por sua vez, algumas tribos no norte da Austrália davam mais importância à ancestralidade materna de uma pessoa, e sua identidade tribal não se baseava em território, e sim em seu totem. 

Maior legado da REVOLUÇÃO COGNITIVA:
Os 5-8 milhões de caçadores-coletores que povoaram o mundo à véspera da Revolução Agrícola se dividissem em milhares de tribos com milhares de idiomas e culturas diferentes.

Desde a Revolução Cognitiva, não existe um único estilo de vida natural para os sapiens. Há apenas escolhas culturais, dentro de um conjunto assombroso de possibilidades.

 O cachorro foi o primeiro animal domesticado pelo Homo sapiens, e isso ocorreu antes da Revolução Agrícola.Os cachorros eram usados para caçar e guerrear e também como sistema de alarme contra animais selvagens e intrusos humanos.Um vínculo de 15 mil anos resultou em uma compreensão e laços afetivos muito mais profundos entre humanos e cachorros do que entre humanos e qualquer outro animal.

Antes da Revolução Agrícola, a população humana do planeta inteiro era menor do que a de São Paulo hoje. 

Os sapiens não saíam apenas à procura de alimentos e materiais. Também saíam à procura de conhecimento. Para sobreviver, precisavam de um detalhado mapa mental de seu território. Para maximizar a eficiência de sua busca cotidiana por alimento, precisavam de informações sobre os padrões de crescimento de cada planta e os hábitos de cada animal. Precisavam saber quais alimentos eram nutritivos, quais eram nocivos e quais podiam ser usados como remédio e de que forma. Precisavam conhecer o progresso das estações do ano e os sinais de alerta que precediam uma tempestade ou um período de seca. Estudavam cada corrente, nogueira, caverna de urso e depósito de sílex nas redondezas. Cada indivíduo precisava entender como fabricar uma faca de pedra, como remendar um manto rasgado, como preparar uma armadilha para um coelho e como enfrentar avalanches, picadas de cobra ou leões famintos. O domínio de cada uma dessas muitas habilidades requeria anos de aprendizado e prática

Na era dos caçadores-coletores, a SOBREVIVÊNCIA  requeria de cada indivíduo habilidades mentais sofisticadas.

Os antigos caçadores-coletores também eram menos afetados por doenças infecciosas. A maioria das doenças infecciosas que acometeram as sociedades agrícolas e industriais (como varíola, sarampo e tuberculose) se originou em animais domésticos e passou para os humanos somente após a Revolução Industrial.

Espíritos falantes

A maioria dos acadêmicos concorda que as crenças animistas eram comuns entre os antigos caçadores-coletores. O ANIMISMO(de “anima”, alma ou espírito em latim) é a crença de que praticamente todo lugar, todo animal, toda planta e todo fenômeno natural tem CONSCIÊNCIA e SENTIMENTOS, e que pode se comunicar diretamente com os humanos. 

Desse modo, os animistas podem acreditar que a grande rocha no alto da colina tem desejos e necessidades. A rocha pode se irritar com alguma coisa que as pessoas fizerem e se alegrar com alguma outra ação. Pode advertir as pessoas ou pedir favores. Os humanos, por sua vez, podem se dirigir à rocha, para acalmá-la ou ameaçá-la. Não só a rocha, mas também o carvalho ao pé da colina são seres animados, e também o rio que corre abaixo da colina, a nascente na clareira da floresta, os arbustos que crescem à sua volta, o caminho para a clareira e os camundongos, lobos e corvos que bebem ali. No mundo animista, objetos e coisas vivas não são os únicos seres animados. 

Os animistas acreditam que não existe barreira entre os humanos e outros seres. Eles podem se comunicar diretamente por meio da fala, da música, da dança e de cerimônias.

Assim como não existe barreira entre os humanos e outros seres, tampouco existe uma hierarquia rígida. As entidades não humanas não existem meramente para atender às necessidades humanas. Tampouco são deuses todo-poderosos que governam o mundo a seu bel-prazer. O mundo não gira em torno dos humanos ou de qualquer grupo de seres em particular. Não sabemos para quais espíritos eles rezavam, que festivais celebravam ou a que tabus obedeciam.

 GUERRA ou PAZ?

os caçadores-coletores têm sido cada vez mais submetidos à autoridade dos Estados modernos, que evitam a eclosão de conflitos em grande escala. Assim como os caçadores-coletores apresentavam uma ampla gama de religiões e estruturas sociais, também provavelmente apresentavam diferentes índices de violência. Enquanto algumas áreas e alguns períodos podem ter desfrutado de paz e tranquilidade, outros possivelmente foram dilacerados por conflitos violentos.

Livro: Sapiens uma breve história da humanidade.
Autor: 

domingo, 26 de agosto de 2018

IDEIAS PRINCIPAIS DE COMTE

Auguste Comte nasceu em Montpellier, França, a 19 de janeiro de 1798, filho de um fiscal de impostos. Suas relações com a família foram sempre tempestuosas e contêm elementos explicativos do desenvolvimento de sua vida e talvez até mesmo de certas orientações dadas às suas obras, sobretudo em seus últimos anos. Frequentemente, Comte acusava os familiares (à exceção de um irmão) de avareza, culpando-os por sua precária situação econômica. O pai e a irmã, ambos de saúde muito frágil, viviam reclamando maior participação de Auguste em seus problemas. A mãe apegou-se a ele de forma extremada, solicitando sua atenção “da mesma maneira que um mendigo implora um pedaço de pão” para sobreviver, como diz ela em carta ao filho já adulto. Tão complexos laços familiares foram afinal rompidos por Comte, mas deixaram-lhe marcas profundas. 

Com a idade de dezesseis anos, em 1814, Comte ingressou na Escola Politécnica de Paris, fato que teria significativa influência na orientação posterior de seu pensamento. Em carta de 1842 a John Stuart Mill (1806-1873), Comte fala da Politécnica como a primeira comunidade verdadeiramente científica, que deveria servir como modelo de toda educação superior. A Escola Politécnica tinha sido fundada em 1794, como fruto da Revolução Francesa e do desenvolvimento da ciência e da técnica, resultante da Revolução Industrial. Embora permanecesse por apenas dois anos nessa escola, Comte ali recebeu a influência do trabalho intelectual de cientistas como o físico Sadi Carnot (1796-1832), o A matemático Lagrange (1736-1813) e o astrônomo Pierre Simon de Laplace (1749-1827). Especialmente importante foi a influência exercida pela Mecânica Analítica de Lagrange: nela Comte teria se inspirado para vir a abordar os princípios de cada ciência segundo uma perspectiva histórica.  Em 1816, a onda reacionária que se apoderou de toda a Europa, depois da derrota de Napoleão e da Santa Aliança, repercutiu na Escola Politécnica. Os adeptos da restauração da Casa Real dos Bourbon conseguiram o fechamento temporário da Escola, acusando-a de jacobinismo. 

Comte deixou a Politécnica e, apesar dos apelos insistentes da família, resolveu continuar em Paris. Nesse período sofreu as influências dos chamados “ideólogos”: Destutt de Tracy (1754-1836), Cabanis (1757-1808) e Volney (1757-1820). Leu também os teóricos da economia política, como Adam Smith (1723-1790) e Jean-Baptiste Say (1767-1832), filósofos e historiadores como David Hume (1711-1776) e William Robertson (1721-1793). 

O fator mais decisivo para sua formação foi, porém, o estudo do Esboço de um Quadro Histórico dos Progressos do Espírito Humano, de Condorcet (1743-1794), ao qual se referiria, mais tarde, como “meu imediato predecessor”. A obra de Condorcet traça um quadro do desenvolvimento da humanidade, no qual os descobrimentos e invenções da ciência e da tecnologia desempenham papel preponderante, fazendo o homem caminhar para uma era em que a organização social e política seria produto das luzes da razão. Essa ideia tornar-se-ia um dos pontos fundamentais da filosofia de Comte.

Os três temas básicos 

O núcleo da filosofia de Comte radica na ideia de que:

A sociedade só pode ser convenientemente reorganizada através de uma completa reforma intelectual do homem. 

Comte achava que antes de uma reforma das instituições, seria necessário fornecer aos homens novos hábitos de pensar de acordo com o estado das ciências de seu tempo. 

Por essa razão, o sistema comteano estruturou-se em torno de três temas básicos.


  1. Em primeiro lugar, uma filosofia da história com o objetivo de mostrar as razões pelas quais uma certa maneira de pensar (chamada por ele filosofia positiva ou pensamento positivo) deve imperar entre os homens. 
  2. Em segundo lugar, uma fundamentação e classificação das ciências baseadas na filosofia positiva.
  3. Finalmente, uma sociologia que, determinando a estrutura e os processos de modificação da sociedade, permitisse a reforma prática das instituições. A esse sistema deve-se acrescentar a forma religiosa assumida pelo plano de renovação social, proposto por Comte nos seus últimos anos de vida. 
O progresso do espírito

Para Comte a filosofia da história pode ser sintetizada na sua célebre lei dos três estados. 

Todas as CIÊNCIAS e o ESPÍRITO HUMANO como um todo desenvolvem-se através de três fases distintas: a teológica, a metafísica e a positiva. 

 COMTE E O  ESTADO TEOLÓGICO
  • Poucas observações dos fenômenos e, por isso, a imaginação desempenha papel de primeiro plano. 
  • Diante da DIVERSIDADE DA NATUREZA, o homem só consegue explicá-la mediante a crença na intervenção de seres pessoais e sobrenaturais. 
  • O mundo torna-se compreensível somente através das ideias de deuses e espíritos. 
  • A MENTALIDADE TEOLÓGICA visa a um tipo de compreensão absoluta; o homem, nesse estágio de desenvolvimento, acredita ter posse absoluta do conhecimento e desempenha relevante papel de COESÃO SOCIAL, fundamentando a VIDA MORAL.
  • Confiavam em PODERES IMUTÁVEIS, fundados na AUTORIDADE
  • Divide o estado teológico em três períodos sucessivos: 
FETICHISMO (Uma vida espiritual, semelhante à do homem, é atribuída aos seres naturais),
POLITEÍSMO (O politeísmo esvazia os seres naturais de suas vidas anímicas — tal como concebidos no estágio anterior — e atribui a animação desses seres não a si mesmos, mas a outros seres, invisíveis e habitantes de um mundo superior.)
MONOTEÍSMO (a distância entre os seres e seus princípios explicativos aumenta ainda mais; o homem, nesse estágio, reúne todas as divindades em uma só.
  • A fase teológica monoteísta representaria, no desenvolvimento do espírito humano, uma etapa de transição para o estado metafísico
  • O espírito humano, inicialmente, concebe “forças” para explicar os diferentes grupos de fenômenos, em substituição às divindades da fase teológica. Fala-se então de uma “força física”, uma “força química”, uma “força vital”
                          COMTE E O  ESTADO METAFÍSICO

Segundo Comte, os pontos de contato entre teológicos e metafísicos são:
  • Ambos tendem à procura de soluções absolutas para os problemas do homem: a metafísica, tanto quanto a teologia, procura explicar:  a “natureza íntima” das coisas, sua origem e destino últimos, bem como a maneira pela qual são produzidas
DIFERENÇA ENTRE O ESTADO TEOLÓGICO E METAFÍSICO
  •  reside no fato de a METAFÍSICA colocar o ABSTRATO no lugar do CONCRETO e a ARGUMENTAÇÃO no lugar da IMAGINAÇÃO. 
  • o estado metafísico se caracterizaria fundamentalmente pela dissolução do teológico. A argumentação, penetrando nos domínios das ideias teológicas, traria à luz suas contradições inerentes e substituiria a vontade divina por “ideias” ou “forças”.
  • A metafísica destruiria a ideia teológica de subordinação da natureza e do homem ao sobrenatural.
  • Na esfera política, o espírito metafísico corresponderia a uma substituição dos reis pelos juristas; supondo-se a sociedade como originária de um contrato, tende-se a basear o Estado na soberania do povo. 
O pensamento positivo

 O estado positivo caracteriza-se pela subordinação da imaginação e da argumentação à observação

Comte não defende um empirismo puro, ou seja, a redução de todo conhecimento à apreensão exclusiva de fatos isolados. 

  • A visão positiva dos fatos abandona a consideração das causas dos fenômenos (procedimento teológico ou metafísico) e torna-se pesquisa de suas leis, entendidos como relações constantes entre fenômenos observáveis
  • Quando procura conhecer fenômenos psicológicos, o espírito positivo deve visar às relações imutáveis presentes neles — c
  • A filosofia positiva, ao contrário dos estados teológico e metafísico, considera impossível a redução dos fenômenos naturais a um só princípio (Deus, natureza ou outro equivalente). 
  • A experiência nunca mostra mais do que uma limitada interconexão entre determinados fenômenos. 
  • Cada ciência ocupa-se apenas com certo grupo de fenômenos, irredutíveis uns aos outros. A unidade que o conhecimento pode alcançar seria, assim, inteiramente subjetiva, radicando no fato de empregar-se um mesmo método, seja qual for o campo em questão: uma idêntica metodologia produz convergência e homogeneidade de teorias. Essa unidade do conhecimento não é apenas individual, mas também coletiva; isso faz da filosofia positiva o fundamento intelectual da fraternidade entre os homens, possibilitando a vida prática em comum. A união entre a teoria e a prática seria muito mais íntima no estado positivo do que nos anteriores, pois o conhecimento das relações constantes entre os fenômenos torna possível determinar seu futuro desenvolvimento. O conhecimento positivo caracteriza-se pela previsibilidade: “ver para prever” é o lema da ciência positiva. A previsibilidade científica permite o desenvolvimento da técnica e, assim, o estado positivo corresponde à indústria, no sentido de exploração da natureza pelo homem. Em suma, o espírito positivo, segundo Comte, instaura as ciências como investigação do real, do certo e indubitável, do precisamente determinado e do útil. Nos domínios do social e do político, o estágio positivo do espírito humano marcaria a passagem do poder espiritual para as mãos dos sábios e cientistas e do poder material para o controle dos industriais. Do simples ao complexo A classificação das ciências — segundo tema básico da filosofia comteana — vincula-se à filosofia da história. Ao traçar o mapa do desenvolvimento histórico do espírito, em sua caminhada para a apreensão da realidade, Comte mostra que a evolução de cada ciência obedece à periodização dos três estados, mas que essa periodização não se faz ao mesmo tempo em todos os domínios.

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

PSICOLOGIA E HISTÓRIA - Evolução da Ciência Psicológica


Por trás de qualquer produção material ou espiritual, existe a história
Toda e qualquer produção humana — uma cadeira, uma religião, um computador, uma obra de arte, uma teoria científica — tem por trás de si a contribuição de inúmeros homens, que, num tempo anterior ao presente, fizeram indagações, realizaram descobertas, inventaram técnicas e desenvolveram ideias.
Toda pessoa tem uma história pessoal
•      É preciso recorrer a essa história para entender quem somos e porque somos de determinada forma.

   Esta história pode ser mais ou menos longa para os diferentes aspectos da produção humana.
•   No caso da psicologia, a história tem por volta de dois milênios

O tempo da Psicologia, refere-se à psicologia no Ocidente, que começa entre os gregos, no período anterior à era cristã
A história de sua construção está ligada, em cada momento histórico:
às exigências de conhecimento da humanidade;
às demais áreas do conhecimento;
aos novos desafios colocados pela realidade econômica e social;
e à insaciável necessidade do homem de compreender a si mesmo

Bibliografia:
BOCK, Ana Mercês Bahia; FURTADO, Odair; TEIXEIRA, Maria de Lourdes Trassi. Psicologias, uma introdução ao estudo da Psicologia: 13ª Ed. SP.: Editora Saraiva