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segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

Considerações importantes da psicoterapia, segundo Carl jung.

  • A psique humana é extremamente  ambígua, sendo preciso indagar se este comportamento ou aquele traço de caráter é verdadeiro, ou se está simplesmente compensando o seu contrário.
  •  Jung considera dois tipos de temperamentos, comportamentos: extrovertido e introvertido.
  • Na questão de temperamento, não pode deixar de mencionar que há pessoas de postura essencialmente espiritual e outras cujas atitudes são essencialmente materialistas.
  • Jung busca através dos sonhos, pistas, meditar sobre o sonho com mais profundidade, embora não tendo uma teoria dos sonhos, não se trata portanto, de um método cientifico (pg.55). Embora não seja um método científico, para Jung na prática, indica ao paciente, em que direção aponta o inconsciente. Jung tem a única preocupação de que o sonho é importante para o paciente e se este faz fluir a sua vida.
  • Os sonhos podem ser aleatórios, fazer referências a coisas do passado já acontecidas,  coisas que ficaram soterradas em algum momento do passado e nem o paciente sabe conscientemente disso, podendo aí levantar pistas. Também podem oferecer pistas do presente ou ainda de algo que n]ao aconteceu ainda em sua vida, compostos de pressentimentos, intuições de coisas possíveis. Além disso, podem haver sonhos de conteúdos analógicos à mitologia, podendo sonhar com formas bizarras inacreditáveis, desconcertantes. Em qualquer desses casos, Jung revela que é preciso buscar junto ao paciente o fator eficaz do sonho. Para isso o psicoterapeuta precisa obter maior informação a respeito da psicologia primitiva, da mitologia, da arqueologia e da história das religiões comparadas.

Inconsciente Coletivo 

  •  É um funcionamento psíquico inconsciente, genérico, humano, que está na origem não só das nossas representações simbolicamente modernas, mas também de todos os produtos análogos do passado da humanidade. (pg.63).
  • Jung afirma estar aí, um processo vital, extraconsciente da alma humana, que pode ser observada pelo inconsciente coletivo. (pg.64). Seria o afloramento da parte histórica da alma.
  • Considera que a alma não se importa com as nossas categorias de realidade. Que para ela é real tudo o que antes de mais nada é eficaz. 
  • É preciso descobrir o quanto a alma é diferente do consciente para que seja capaz de reconhece-la.

Referências: 

JUNG. Carl Gustave. Obra completa. A prática da psicoterapia. Volume 16/1 Psicoterapia. 16 edição. Editora Vozes. Rio de Janeiro, 2018. 8 reimpressão.

sábado, 11 de julho de 2020

Nascimento de um novo tempo - Aula 3 - Mitologia Grega e Psicologia Analítica

TEMPO DOS TITÃS

- Titã em grego Titán, significa "soberano, rei" e representam as forças brutas da terra e, por conseguinte, os desejos terrestres em atitude de revolta contra o espírito" (Paul Diel apud Brandão,1987)

Ao destronar Urano que foi castrado por Cronos, Cronos passou a ser regente do Universo, inciando o tempo de Titãs. 

Traz a força do instinto, força dos aspectos mais primordiais em termo de existência inclusive aspectos biológicos. Por exemplo, reações fisiológicas consequentes de algo que está em desarmonia nessa relação com o instinto.  A pessoa que não consegue dormir, não fica bem, afeta o humor, irritação, dor de cabeça, come mais, tudo isso vai interferindo em nossa vida . Mostra o quanto essas forças instintivas estão sendo afetadas, interferindo em nossa vida, A consciência vai se perdendo dos aspectos primordiais, como é o instinto para a sobrevivência. O instinto está relacionado a sobrevivência, portanto, a fome,  a sexualidade e outros instintos relacionados.

- Insubmissão da natureza nascente, prefigurando a primeira etapa da gestação evolutiva. Ambiciosos, revoltados e indomáveis, adversários do espírito consciente.

A imagem mostra  o Cronos devorando um de seus filhos, e a esposa Réia observando isso. Percebe-se aí, que o Cronos estava muito preocupado com sua perpetuação no poder. 

Atualmente, se verifica que há muitas pessoas que querem se perpetuar no poder, na política, instituições. Pessoas que só se identificam com o poder. Isso demonstra uma adoecimento da psique, por que a pessoa que só se identifica com um polo, apresenta sérios prejuízos na psique, para ele e para aqueles que dependem dele. Há uma necessidade de olharmos os opostos sempre. Para Jung o oposto do poder é o amor(eros). O amor vai trazer a horizontalidade aproximação dos relacionamentos. Diferente do poder que traz regras, normas. Ambos trazem a totalidade para a vida. Ambos são necessários, haverá prejuízo na psique, pois não estaria olhando para a totalidade.

O Tempo dos titãs traz essa identificação do poder, e o quanto isso traz prejuízos e acaba sendo impeditivo para o desenvolvimento da psique e ampliação da consciência, pois estaria identificada com apenas um polo. Isso pode nos afastar das pessoas que nos amam.

NASCIMENTO DE UM NOVO TEMPO

- De Cronos e Réia surgiram: Héstia, Deméter, Hera, Hades, Posídon e Zeus, poupado pela mãe.
- Zeus é entregue às ninfas, passa a ser cuidado pela ninfa Almatéia(cabra) e para Cronos são entregues várias pedras enroladas em linho em seu lugar.
- Através do ardiloso plano, Zeus faz Cronos sorver uma bebida que o faz regurgitar todos os filhos engolidos.

Cronos devorou todos os seus filhos, exceto Zeus, pois Réia entregou uma pedra e Cronos a comeu, demonstrando aí grande falta de sensibilidade para perceber a troca, quando a pessoa está no poder.
Zeus foi cuidado muitos anos pelas ninfas como algo sagrado, que é aquilo que nos tira de uma concepção rígida, que traz a renovação, a transformação da consciência, de quebrar uma lógica que já vem perdurando por muito tempo. 

Isso acontece muito em religiões que se colocam como poder sobre seus seguidores, onde as pessoas permanecem pela relação de medo, de forma mecânica, sem refletir sobre aquilo que se prega, deixando de faze-la por ser sagrada.

TITANOMAQUIA - CONFLITO DOS OPOSTOS

- É o embate entre as forças primordiais cegas, violentas e desmedidas (Titãs) e o engenho e astúcia racionais próprias dos deuses.

- Simbolizam também uma espécie de reorganização do Universo.


Quando estamos nos nossos processos de análise, de individuação vamos ter os nossos conflitos e embates, com as questões com as questões mais inconsciente em detrimento dos aspectos da consciência. E as vontades da consciência muitas vezes vai contradizer o desejo inconsciente, e para lidar com isso, é preciso entender que o inconsciente não estão muito preocupado com o que você tem, o que você quer preservar, vem como um furação, como forças da natureza. Aí o EGO precisa respeitar, pois nem sempre terá controle para lidar com as vontades e independência desse inconsciente. Os aspectos inconscientes se apoderam da autonomia da pessoa (consciência) e para isso é preciso trabalhar o fortalecimento da consciência. para que esta consiga observar os aspectos limitantes, para ganhar autonomia, livre-arbítrio frente a esses impulsos inconscientes sombrios. Tudo que se faz de forma automática, aquilo que está habituado a fazer, é feito de forma inconsciente.

MÉTRON E HYBRIS

- Métron: medida humana, limites impostos pelos deuses aos seres mortais, a medida justa de suas aspirações e esforços; Somos humanos e não deuses ou semideuses e por isso, devemos ter nos heróis inspiradores, modelos de transformação e não modelos de identificação.

 Chapéu usado na imagem, chamado quipá, representa uma medida humana, um limite que você começa dos seus pais e vai até o topo da cabeça, acima disso, só Deus. Traz a noção de que temos limites que precisamos respeitar. Quando ultrapassa o limite do Métron, a gente cái na Hybris. Ao olhar os grades lideres, inspiradores da humanidade é importante uma relação de inspiração e não identificação. Na identificação você procura ser aquilo que você não é, mas o líder é. E na inspiração, observamos as coisas boas, edificantes, sagradas que o inspirador nos traz, de forma simbólica. Exemplo disso é a vida do Cristo. Manter uma relação de identificação com o Cristo a pessoa vai ter uma relação de sacrifício, a qual ainda nãoe stá pronto para realizar. Se inspirar no Cristo, é buscar os bons exemplos propostos em seus ensinamentos e buscar a prática a partir daquilo que já se pode dar, desrespeitando as fronteiras e seus limites.

- Hybris: orgulho desmedido e a insolência; descomedimento; não conhece fronteiras nem limites. 

A imagem mostra Ícaro caindo e o seu pai, Dédalo, arquiteto observando a queda de seu filho.  O labirinto que aprisionava o minotauro, Dédalo e Ícaro foram aprisionados no labirinto porque saberiam sair de lá. Foram presos pelo Rei Minos predeu eles no labirinto. Eles foram coletando as penas dos pássaros que sobrevoavam o labirinto e foram construindo asas para que ele seu filho pudessem voar e sair do labirinto. Dédalo advertiu Ícaro: 

Não voe nem tão alto para que o calor do sol não queime nem derreta a cera udas asas, e nem tão baixo para que a maresia não umedeça as penas e você venha a cair. Nem tão alto, nem tão baixo. Voe pelo meio.

Ícaro voou tão alto que tocou o sol, virou cinzas e caiu no mar.

Como é difícil caminhar pelo meio, entre os opostos. Sempre há uma tendência de nos colocarmos mais para um lado do que para o outro. É não achar é tão superior, nem tão inferior.  É reconhecer as qualidades e as inferioridades. Os altos e baixos. Importante não se identificar nem algo tão acima nem com algo tão abaixo. Olhar para aquilo ou aquele que te inspira para construir sua propria caminhada, vivendo de forma mais consciente.

REFERÊNCIAS
Curso extracurricular de Mitologia e Psicologia Analítica
Instituto Fredom
Aula 2 - Cosmogonia (Mitologia Grega)
Prof. Rangel Fabrete

sexta-feira, 10 de julho de 2020

Psicologia Analítica ou Psicologia Junguiana - Carl Gustav Jung (1875-1961) Suíça

Jung começa a se observar desde garoto, vivenciou diversos problemas familiares,e tinha um comportamento sempre de isolamento, ficando entre os seus próprios pensamentos, criando jogos imaginários nos quais jogava com ele mesmo. 

Nesse contato com seus próprios pensamentos, onde dava vazão a sentimentos de estranha obscuridade, surge o insight , por onde os alquimistas projetam o conteúdo da própria psique (inconsciente), com os quais estão trabalhando.

Com isso, Jung pode experimentar a si mesmo, como composto de duas personalidades, a número um  - em que era uma filho comum, que ia a escola - e a número dois - era mais velho, distante da sociedade humana, próximo da natureza e dos animais, de seus sonhos e de Deus. Quando se tornou psiquiatra, já com maior entendimento, Jung percebeu que as duas personalidades estavam presentes em todos os seres humanos e passou a chamá-las de: eu(ego) e si-mesmo (self), e que é a partir do jogo mútuo entre essas duas personalidades, ego e self, se constituiria na dinâmica central do desenvolvimento da personalidade.

EU/EGO - SUJEITO DA CONSCIÊNCIA
  • Complexo de representações que constitui para o indivíduo, o centro de seu campo de consciência, aquilo com o que se identifica: complexo do eu ou complexo do ego. Tudo que está relacionado ao eu/ego é parte de meu consciente.
SI-MESMO/SELF - SUJEITO DO MEU TODO: CONSCIENTE E INCONSCIENTE.
  • Dentro do SI-MESMO está o EU/EGO. Nele aparecem as fantasias do inconsciente, daquilo que caracteriza uma "personalidade superior" ou "ideal".
Heráclito de Éfeso (540 a.C. / 470 a.C) era seu filósofo predileto, conhecido como o "Obscuro", rompia os padrões tradicionais da sociedade grega - pensador do "tudo flui" e do fogo, que seria elemento do qual deriva tudo que nos circunda. Jung se inspira em Heráclito, na doutrina da harmonia dos contrários, a qual afirma que nós somos e não somos, pois, para sermos aquilo que somos, em determinado momento devemos não ser mais aquilo que éramos no momento anterior.

Tudo é uma contínua passagem de um contrário a outro: coisas frias se aquecem, coisas quentes esfriam, o vivo morre, mas daquilo que está morto renasce outra vida jovem, e assim por diante, portanto, a guerra entre os opostos se revela essencial, mantendo o fluxo continuo e permanente como uma lei do universo.

Jung defendia a análise do paciente a partir de uma VISÃO HOLÍSTICA, analisando-o integralmente, evitando a generalização dos métodos utilizados.

Jung  frequentou e gravou as sessões espíritas de sua prima, para buscar o embasamento para a sua tese. Ficou impressionado como os espíritos pareciam reais para ela, que podia ver, tocar e falar com eles, naturalmente, como se fossem pessoas. Jung chegou à conclusão de que o Espírito com o qual sua prima falava, era a personalidade adulta e madura que se desenvolvi no inconsciente de sua prima.

Depois disso, Jung montou um laboratório experimental para teste de associação de palavras, para diagnóstico psiquiátrico, criado por Francis Galton.. No teste, o médico lê para o paciente uma série de palavras, sendo que cada palavra lida, o paciente deverá responder com a primeira palavra que vier à mente. O médico registra a resposta e o tempo de resposta, em segundos. Depois de todas as palavras, repete-se o experimento com as mesmas palavras e o paciente deverá responder com base nas respostas lidas anteriormente. O médico reúne todas as respostas atrasadas. Entre elas, poderia detectar um aglomerado de ideias afins, comumente associadas na mente do individuo a algo não agradável ou alguma ideia perturbadora, que chamou de complexo emocionalmente carregado de representações.

Jung dava muita atenção aos pacientes com Esquizofrenia, prestando atenção em tudo o que falavam. Os delírios, alucinações e gestos dos pacientes tinham muito significados psicológicos.

Acreditava que as crianças tinham grande capacidade de compensar em suas próprias vidas os fracassos dos pais. Por isso, demonstrava coragem espiritual e rigor intelectual, resistindo ao dogma sempre que o encontrava.

Grande parte da influência da Psicologia Analítica de Jung  veio da Medicina, da Teologia, da Filosofia e do Espiritualismo, defendidos pelos seus avós paternos e maternos.  teve como fonte de inspiração para a elaboração de seus pensamentos as obras de Heráclito, Pitágoras e Platão.

Jung dizia que a PSIQUE HUMANA tem NATUREZA RELIGIOSA, portanto, se debruçou sobre o estuda da ciência da religião.

A fundamentação teórica da Psicologia Analítica surge a partir da tese de doutorado de Jung, onde o verdadeiro trabalho do desenvolvimento da personalidade ocorre em nível inconsciente, no qual as personalidades ou complexos existentes na psique, se manifestam através de SONHOS, ALUCINAÇÕES e TRANSES. 

A partir desse contexto, Jung cria a técnica terapêutica (imaginação ativa) e o conceito teológico (individuação) cujo  objetivo é:
  • o desenvolvimento pessoal
  • a inteireza
  • tornar-se uma pessoa tão completa quanto as circunstâncias pessoais permitirem.
A Teoria analítica é uma teoria da personalidade desenvolvida a partir de 1914, exatamente após o rompimento de Carl Jung com Sigmund Freud. seus grande PILARES são:
  • Inconsciente coletivo
  • Sincronicidade
  • Individuação
INCONSCIENTE COLETIVO

Jung confirmou a existência do inconsciente coletivo a partir dos estudos de delírios e alucinações de pacientes esquizofrênicos. Identificou que essas manifestações haviam símbolos e imagens que apareciam em mitos e contos de fada. Ao observar diferentes sociedades no mundo, observou que elas compartilhavam dos mesmos símbolos havia milhares de anos. Com isso, concluiu que os seres humanos carregavam em si uma parte que não se apoia nas experiencias individuais, o que chamou de inconsciente coletivo, baseado nas predisposições do psiquismo e composto de memórias herdadas. E que o inconsciente individual estaria sobre uma camada do inconsciente coletivo.

Para Jung a criança nasce pronta para perceber padrões, arquétipos e símbolos. Além disso, acreditava que o inconsciente coletivo era expresso por meio de arquétipos.

SINCRONICIDADE

Fenômeno de coincidência significativa, no qual coincide no tempo, dois ou mais eventos causalmente desvinculados, mas semelhantes e de mesmo significado. Isso ocorre, por exemplo, quando sonhamos com a morte de um parente ou amigo, próximo a nós ou não, e na mesma noite a pessoa morre.

A sincronicidade também pode ocorrer de forma atemporal, em eventos energéticos casuais. É bastante reveladora e necessita de uma compreensão espontânea, sem a busca de um raciocínio, necessariamente lógico, a qual Jung chamou de "insights".

INDIVIDUAÇÃO

A individuação é a realização do Si-mesmo, do self.  Considerada o processo central do desenvolvimento humano, no qual o indivíduo é capaz de integrar os opostos dentro de si, confrontar os vários aspectos sombrios, reconhecendo-os e despindo-se da persona e das imagens primordiais.

Para Jung os SONHOS  são forças naturais que auxiliam o ser humano no processo de individuação. A teoria do self também encontra respaldo também na teoria dos arquétipos criada por Jung.

O Si-mesmo busca a realização no âmbito espiritual da arte e da religião, assim como no íntimo da alma, podendo ser experimentado como a manifestação de seu interior. 

A individuação busca estimular o indivíduo  a desenvolver condições para despertar o melhor de si e do outro, o tempo todo, tirando-lhe do isolamento e estimulando o outro a compreender em uma convivência coletiva maior e mais saudável, se mantendo mais perto da totalidade, porém, mantendo sua individualidade. Busca aproximar o mundo do indivíduo através do autoconhecimento, como meio de  promover as quebras de padrões comportamentais que atrapalham o processo de individuação.

Não é uma conquista fácil, já que as pessoas encontram muita dificuldade em sair de suas zonas de conforto para encarar novos desafios, novas realidade e encontrar seu desenvolvimento, devido a necessidade de enfrentar seus medos, seus receios e fantasmas pessoais. Esse enfrentamento depende da participação do Eu/EGO já que o Ego promove a motivação, o querer sentir-se motivado  a se transformar. Contudo, o EGO pode seguir em sentido contrário, dependendo de como o sujeito lida com a dor da transformação. Para Jung o complexo do EGO advém do Si-mesmo no decorrer do desenvolvimento da infância, pois o ego em si é o centro da consciência, que nos faz sentir que ainda somos a mesma pessoa de quando éramos crianças.

PSICOLOGIA ANALÍTICA E RELIGIÃO

Importante distinguir religião e religiosidade. Religião pode ser descrita como um conjunto de crenças e filosofias que são seguidas por uma  grande massa de pessoas, conforme seus ensinamentos, doutrinas, dogmas, costumes.  Religiosidade se aproxima mais da espiritualidade, e está mais relacionada com o conceito de espírito.

Jung caracterizava a religiosidade pela atitude particular de uma consciência transformada pela experiência do indivíduo acerca de questões sobrenaturais, sagradas, transcendentais, que independe da vontade do sujeito.

Jung acreditava que a religião ajuda a personificar as dimensões mais profundas da psique humana, algo importante para as experiências e para o crescimento humano. Para ele, a religião e a religiosidade são, na verdade, a união da experiência individual com a tradição religiosa. A religião é vista como importante no processo de individuação do sujeito.

Jung nãos e preocupava em explicar quem era Deus, mas se preocupava com a imagem que as pessoas faziam de Deus. Ele acreditava que Deus era apenas, uma função psicológica necessária, de natureza irracional, que nada tem a ver com a existência ou não de Deus. Deus seria um arquétipo, ou seja, um produto do inconsciente coletivo.
Jung acreditava que a direção espiritual, bem intencionada e direcionada, buscava desenvolver o crescimento humano psíquico afetivo dos indivíduos, a partir da vivência da fé. Embora, se saiba que mutias religiões atuais trabalham o arquétipo da sombra em seus seguidores, desconstróem suas personalidades, individualidades e autoestimas, mantendo-os presos aos seus conceitos, dogmas, como medo de punição divina. Portanto, para Jung desenvolver bem a religiosidade promoveria o crescimento espiritual do indivíduo. Para isso, a direção espiritual deveria despertar e incentivar a confiança, impulsionando o melhor dos indivíduos que a seguem.

REFERÊNCIAS
CARL GUSTAV JUNG

quinta-feira, 9 de julho de 2020

Psicoterapia e Mitologia - Aula 1 - Mitologia Grega e Psicologia Analítica - Curso Extracurricular

INTRODUÇÃO CONCLUSIVA SOBRE A AULA 1

A mitologia é uma ferramenta importante para o autoconhecimento, o desenvolvimento pessoal do cliente e terapeuta, por tratar de história reais, que em algum momento já aconteceu e foi solucionada, oferecendo ferramentas para lidar com situações semelhantes, que continuam acontecendo atualmente, por se tratar de uma realidade psíquica, presente na história da humanidade. O mito traduz a realidade da psique, porém, o rito é a vivência da realidade da psique. Todas essas histórias estão no inconsciente coletivo, e é preciso estar atento para as suas manifestações, sobretudo, para o significado dos símbolos apresentados nessas manifestações.  Quando identificamos o real significado dos símbolos, tornamos o inconsciente, consciente, nos possibilitando criar um rito para o enfrentamento dessa realidade psíquica, representada pelas variadas formas arquetípicas, que são padrões universais, coletivos que se repetem ao longo da história da humanidade. Na Psicoterapia Analítica ou Junguiana, o mito é o rito, no qual o cliente vivencia e conta a sua história, em que deve ser identificada a sua realidade psíquica, que não é exatamente aquilo que de fato aconteceu, foi experienciado, mas que, pode ter um significado representativo de grande importância para o cliente.

AULA 1 - PSICOTERAPIA E MITOLOGIA

MITO NÃO É MENTIRA
  • Falar de mito é falar de uma narrativa ou história que aconteceu em determinado tempo, e diz respeito aos fatos e realidades daquele momento.
  • Na psicoterapia, faz-se o estudo da mitologia do cliente, ou seja, sua historia de vida.

MITO E RITO

MITO é a  TRADUÇÃO da realidade da psique. Os aspectos do mito de cada um, são individuais, cada um tem seu mito, sua historia de vida. Mito individual de cada um é singular, único, porém temos mitos coletivos também.

RITO é a VIVÊNCIA da realidade da psique. A psicoterapia, é um rito, onde se conta a história, seu mito. É no rito da terapia que acontecem as transformações do sujeito, a partir das relações entre cliente e terapeuta.

Mensagem que havia escrito no consultório de Jung.
"Evocado(invocado) ainda que não evocado, Deus está presente." 
(Erasmo, 1500 - coletânea Adagiorum)

Jung quis dizer que, simbolicamente, o INCONSCIENTE COLETIVO, está presente, independentemente, de sua vontade, e vai interferir nos pensamentos, nos julgamentos, naquilo que está fazendo no momento. É preciso estar atento às manifestações do inconsciente, para torna-lo consciente. 

REALIDADE PSÍQUICA

  •  Segundo Jung, a realidade psíquica é a mãe de todos os fatos humanos.
  • A história das religiões em seu sentido mais amplo (incluindo mitologia, folclore e psicologia primitiva) representa o depósito do tesouro das formas arquetípicas, que são padrões universais, padrões coletivos que vão se repetindo ao longo da historia da humanidade.
  • Formas arquetípicas é falar de conceito de vida, morte, amor, paixão, ressurreição, deus, mãe, pai, são padrões universais, coletivos, arquetípicos.s
  • A realidade psíquica não está ligada a uma coisa concreta ou não. Importa a simbologia, o significado de como representa essa coisa, concreta ou não, para o sujeito. Muitas coisas são faladas em sentido figurado, através de linguagem simbólica, que existem na realidade psíquica da pessoa, mas que não existe no sentido literal daquilo que se fala. Por exemplo, no budismo, se diz que o buda quando nasceu, pulou da barriga da mãe, apontou pra cima e pra baixo, e disse: eu sou aquele que há de atingir a iluminação entre o céu e a terra. Isso é uma linguagem simbólica, o real significado na realidade psíquica é que ele seria aquele que iria fazer o caminho do meio, entre o céu e a terra, entre os opostos, integrando-os. Na verdade, não nasceu, pulou e nem já saiu pulando. Importa a linguagem simbólica, o significado, o que representa para a pessoa.
  • Evocar o arquétipo da morte e da ressurreição traz a mensagem de algo que acabou mas que vai ressurgir de outra forma ao longo da vida, em outros ciclos da vida. A mensagem implícita.
  • Arquetípico da Concepção virginal
Imagem mostra o Anjo Gabriel  anunciando a Maria o nascimento de Jesus, que ela iria receber do Espírito Santo.
Imagem mostra Zeus, deus dos deuses, fecundando  danai que é a mãe do herói Perseu. Mas ela estando presa numa torre não poderia ser fecundada. Seria fecundada no formato de uma chuva dourada.

Ambas as concepções não ocorreram pelo ato sexual, mas pela fecundação do sagrado sobre o humano, integrando o sagrado e espiritual com algo terreno e carnal. 

Simbolicamente é a integração da consciência com o inconsciente. Ambas figuras representam a mesma coisa. Representam a integração dos opostos na concepção virginal. A consciência  precisa da semente que está no inconsciente para dar a luz a tudo que virá a ser em termos de totalidade do individuo.

O símbolo está falando de algo que precisa ser integrado com aquilo que aparentemente é desconectado. Simbolicamente a integração dos opostos irá aparecer no arquétipo da concepção virginal dos opostos. Conexão entre algo sagrado e aquilo que é natural da vida terrena.

E indispensável dar às fantasias emergentes e aparentemente ameaçadoras em relação a elas, um contexto que tranquilize e esclareça e traga compreensão à consciência, o que ocorre favoravelmente através do material mitológico.  A mitologia traz a tona realidades que já foram vivenciadas e que estão presentes no inconsciente coletivo, mesmo sabendo, que o indivíduo tem a sua individualidade. 

Os mitos relatam o que aconteceu, como foi enfrentado, como ficou após a solução aquele povo., quais as transformações ocorridas.  

Estudar mitologia, realidade psíquica é uma forma de fazer diagnóstico e prognóstico , através dessa ferramenta (mitos) utilizadas pelo terapeuta. São ferramentas que possibilitam o autodesenvolvimento, autoconhecimento e campo profissional de atendimento.

A psicologia analítica vai compreender os fenômenos religiosos do ponto de  vista psicológico, e não religioso ou espiritual.

 A imagem abaixo mostra a ressurreição do Cristo. Temas religiosos do sagrado. Geralmente, quem vivencia esses temas, trazem angustias, sofrimento, desesperança, raiva, tristeza, desconforto, estresse, mexe na qualidade de vida. Todos esses sentimento já foram de alguma maneira vivenciados antes, que é o que mostra a mitologia.

Imagem mostra a morte do Cristo, que foi ressuscitado pelo Espírito Santo. A história da morte e da ressurreição faz parte da historia da humanidade e que vai se reproduzir em diversas épocas da vida.

A imagem abaixo mostra a morte do deus Dionísio Agreu que foi despedaçado pelos titãs e ressuscitado pelo seu pai Zeus.
 Ambos trazem o tema da morte e da ressurreição, não importa a época nem a cultura, faz parte da história da humanidade, são realidades psíquicas. A renovação se faz a partir da morte, abrindo o espaço para que o novo aconteça.


REFERÊNCIAS:
Aula 1 - Psicoterapia e Mitologia
Professor Rangel Fabrete
Instituto Freedom