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sexta-feira, 10 de julho de 2020

Psicologia Analítica ou Psicologia Junguiana - Carl Gustav Jung (1875-1961) Suíça

Jung começa a se observar desde garoto, vivenciou diversos problemas familiares,e tinha um comportamento sempre de isolamento, ficando entre os seus próprios pensamentos, criando jogos imaginários nos quais jogava com ele mesmo. 

Nesse contato com seus próprios pensamentos, onde dava vazão a sentimentos de estranha obscuridade, surge o insight , por onde os alquimistas projetam o conteúdo da própria psique (inconsciente), com os quais estão trabalhando.

Com isso, Jung pode experimentar a si mesmo, como composto de duas personalidades, a número um  - em que era uma filho comum, que ia a escola - e a número dois - era mais velho, distante da sociedade humana, próximo da natureza e dos animais, de seus sonhos e de Deus. Quando se tornou psiquiatra, já com maior entendimento, Jung percebeu que as duas personalidades estavam presentes em todos os seres humanos e passou a chamá-las de: eu(ego) e si-mesmo (self), e que é a partir do jogo mútuo entre essas duas personalidades, ego e self, se constituiria na dinâmica central do desenvolvimento da personalidade.

EU/EGO - SUJEITO DA CONSCIÊNCIA
  • Complexo de representações que constitui para o indivíduo, o centro de seu campo de consciência, aquilo com o que se identifica: complexo do eu ou complexo do ego. Tudo que está relacionado ao eu/ego é parte de meu consciente.
SI-MESMO/SELF - SUJEITO DO MEU TODO: CONSCIENTE E INCONSCIENTE.
  • Dentro do SI-MESMO está o EU/EGO. Nele aparecem as fantasias do inconsciente, daquilo que caracteriza uma "personalidade superior" ou "ideal".
Heráclito de Éfeso (540 a.C. / 470 a.C) era seu filósofo predileto, conhecido como o "Obscuro", rompia os padrões tradicionais da sociedade grega - pensador do "tudo flui" e do fogo, que seria elemento do qual deriva tudo que nos circunda. Jung se inspira em Heráclito, na doutrina da harmonia dos contrários, a qual afirma que nós somos e não somos, pois, para sermos aquilo que somos, em determinado momento devemos não ser mais aquilo que éramos no momento anterior.

Tudo é uma contínua passagem de um contrário a outro: coisas frias se aquecem, coisas quentes esfriam, o vivo morre, mas daquilo que está morto renasce outra vida jovem, e assim por diante, portanto, a guerra entre os opostos se revela essencial, mantendo o fluxo continuo e permanente como uma lei do universo.

Jung defendia a análise do paciente a partir de uma VISÃO HOLÍSTICA, analisando-o integralmente, evitando a generalização dos métodos utilizados.

Jung  frequentou e gravou as sessões espíritas de sua prima, para buscar o embasamento para a sua tese. Ficou impressionado como os espíritos pareciam reais para ela, que podia ver, tocar e falar com eles, naturalmente, como se fossem pessoas. Jung chegou à conclusão de que o Espírito com o qual sua prima falava, era a personalidade adulta e madura que se desenvolvi no inconsciente de sua prima.

Depois disso, Jung montou um laboratório experimental para teste de associação de palavras, para diagnóstico psiquiátrico, criado por Francis Galton.. No teste, o médico lê para o paciente uma série de palavras, sendo que cada palavra lida, o paciente deverá responder com a primeira palavra que vier à mente. O médico registra a resposta e o tempo de resposta, em segundos. Depois de todas as palavras, repete-se o experimento com as mesmas palavras e o paciente deverá responder com base nas respostas lidas anteriormente. O médico reúne todas as respostas atrasadas. Entre elas, poderia detectar um aglomerado de ideias afins, comumente associadas na mente do individuo a algo não agradável ou alguma ideia perturbadora, que chamou de complexo emocionalmente carregado de representações.

Jung dava muita atenção aos pacientes com Esquizofrenia, prestando atenção em tudo o que falavam. Os delírios, alucinações e gestos dos pacientes tinham muito significados psicológicos.

Acreditava que as crianças tinham grande capacidade de compensar em suas próprias vidas os fracassos dos pais. Por isso, demonstrava coragem espiritual e rigor intelectual, resistindo ao dogma sempre que o encontrava.

Grande parte da influência da Psicologia Analítica de Jung  veio da Medicina, da Teologia, da Filosofia e do Espiritualismo, defendidos pelos seus avós paternos e maternos.  teve como fonte de inspiração para a elaboração de seus pensamentos as obras de Heráclito, Pitágoras e Platão.

Jung dizia que a PSIQUE HUMANA tem NATUREZA RELIGIOSA, portanto, se debruçou sobre o estuda da ciência da religião.

fundamentação teórica da Psicologia Analítica surge a partir da tese de doutorado de Jung, onde o verdadeiro trabalho do desenvolvimento da personalidade ocorre em nível inconsciente, no qual as personalidades ou complexos existentes na psique, se manifestam através de SONHOS, ALUCINAÇÕES e TRANSES. 

A partir desse contexto, Jung cria a técnica terapêutica (imaginação ativa) e o conceito teológico (individuação) cujo  objetivo é:
  • o desenvolvimento pessoal
  • a inteireza
  • tornar-se uma pessoa tão completa quanto as circunstâncias pessoais permitirem.
A Teoria analítica é uma teoria da personalidade desenvolvida a partir de 1914, exatamente após o rompimento de Carl Jung com Sigmund Freud. seus grande PILARES são:
  • Inconsciente coletivo
  • Sincronicidade
  • Individuação
INCONSCIENTE COLETIVO

Jung confirmou a existência do inconsciente coletivo a partir dos estudos de delírios e alucinações de pacientes esquizofrênicos. Identificou que essas manifestações haviam símbolos e imagens que apareciam em mitos e contos de fada. Ao observar diferentes sociedades no mundo, observou que elas compartilhavam dos mesmos símbolos havia milhares de anos. Com isso, concluiu que os seres humanos carregavam em si uma parte que não se apoia nas experiencias individuais, o que chamou de inconsciente coletivo, baseado nas predisposições do psiquismo e composto de memórias herdadas. E que o inconsciente individual estaria sobre uma camada do inconsciente coletivo.

Para Jung a criança nasce pronta para perceber padrões, arquétipos e símbolos. Além disso, acreditava que o inconsciente coletivo era expresso por meio de arquétipos.

SINCRONICIDADE

Fenômeno de coincidência significativa, no qual coincide no tempo, dois ou mais eventos causalmente desvinculados, mas semelhantes e de mesmo significado. Isso ocorre, por exemplo, quando sonhamos com a morte de um parente ou amigo, próximo a nós ou não, e na mesma noite a pessoa morre.

A sincronicidade também pode ocorrer de forma atemporal, em eventos energéticos casuais. É bastante reveladora e necessita de uma compreensão espontânea, sem a busca de um raciocínio, necessariamente lógico, a qual Jung chamou de "insights".

INDIVIDUAÇÃO

A individuação é a realização do Si-mesmo, do self.  Considerada o processo central do desenvolvimento humano, no qual o indivíduo é capaz de integrar os opostos dentro de si, confrontar os vários aspectos sombrios, reconhecendo-os e despindo-se da persona e das imagens primordiais.

Para Jung os SONHOS  são forças naturais que auxiliam o ser humano no processo de individuação. A teoria do self também encontra respaldo também na teoria dos arquétipos criada por Jung.

O Si-mesmo busca a realização no âmbito espiritual da arte e da religião, assim como no íntimo da alma, podendo ser experimentado como a manifestação de seu interior. 

A individuação busca estimular o indivíduo  a desenvolver condições para despertar o melhor de si e do outro, o tempo todo, tirando-lhe do isolamento e estimulando o outro a compreender em uma convivência coletiva maior e mais saudável, se mantendo mais perto da totalidade, porém, mantendo sua individualidade. Busca aproximar o mundo do indivíduo através do autoconhecimento, como meio de  promover as quebras de padrões comportamentais que atrapalham o processo de individuação.

Não é uma conquista fácil, já que as pessoas encontram muita dificuldade em sair de suas zonas de conforto para encarar novos desafios, novas realidade e encontrar seu desenvolvimento, devido a necessidade de enfrentar seus medos, seus receios e fantasmas pessoais. Esse enfrentamento depende da participação do Eu/EGO já que o Ego promove a motivação, o querer sentir-se motivado  a se transformar. Contudo, o EGO pode seguir em sentido contrário, dependendo de como o sujeito lida com a dor da transformação. Para Jung o complexo do EGO advém do Si-mesmo no decorrer do desenvolvimento da infância, pois o ego em si é o centro da consciência, que nos faz sentir que ainda somos a mesma pessoa de quando éramos crianças.

PSICOLOGIA ANALÍTICA E RELIGIÃO

Importante distinguir religião e religiosidade. Religião pode ser descrita como um conjunto de crenças e filosofias que são seguidas por uma  grande massa de pessoas, conforme seus ensinamentos, doutrinas, dogmas, costumes.  Religiosidade se aproxima mais da espiritualidade, e está mais relacionada com o conceito de espírito.

Jung caracterizava a religiosidade pela atitude particular de uma consciência transformada pela experiência do indivíduo acerca de questões sobrenaturais, sagradas, transcendentais, que independe da vontade do sujeito.

Jung acreditava que a religião ajuda a personificar as dimensões mais profundas da psique humana, algo importante para as experiências e para o crescimento humano. Para ele, a religião e a religiosidade são, na verdade, a união da experiência individual com a tradição religiosa. A religião é vista como importante no processo de individuação do sujeito.

Jung nãos e preocupava em explicar quem era Deus, mas se preocupava com a imagem que as pessoas faziam de Deus. Ele acreditava que Deus era apenas, uma função psicológica necessária, de natureza irracional, que nada tem a ver com a existência ou não de Deus. Deus seria um arquétipo, ou seja, um produto do inconsciente coletivo.
Jung acreditava que a direção espiritual, bem intencionada e direcionada, buscava desenvolver o crescimento humano psíquico afetivo dos indivíduos, a partir da vivência da fé. Embora, se saiba que mutias religiões atuais trabalham o arquétipo da sombra em seus seguidores, desconstróem suas personalidades, individualidades e autoestimas, mantendo-os presos aos seus conceitos, dogmas, como medo de punição divina. Portanto, para Jung desenvolver bem a religiosidade promoveria o crescimento espiritual do indivíduo. Para isso, a direção espiritual deveria despertar e incentivar a confiança, impulsionando o melhor dos indivíduos que a seguem.

REFERÊNCIAS
CARL GUSTAV JUNG

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

O ANTROPOCENO - HOMEM NOVO.

Antropoceno significa Homem Novo. ( antro=homem e ceno=novo).

Harari, em seu livro HomoDeus uma breve história  do amanhã, fala no homem novo como referência de uma autoilusão deísta, quando comparado aos outros animais, e afirma que o mundo de hoje esta habitado por humanos e seus animais domesticados, além disso, faz um paralelo entre os animais selvagens que habitaram a terra, e a realidade atual de domesticação, desmatamento e agressões à natureza e diferentes espécies animais.

A era que cobre os últimos 70 mil anos do Antropoceno, a era da humanidade, onde o homo sapiens tornou-se o mais importante fator individual na mudança da ecologia global, mostra o poder destruidor que o homem inteligente vem facultando na natureza, mudando nesse período o globo de modo radical, mas o pior é que foi em função de suas próprias ações. Toda essa devastação já vem acontecendo desde os nosso antepassados da Idade da Pedra.

Harari elucida que todos os seres vivos, sejam vegetais ou animais, sempre foram formados pela vida orgânica, mas que agora, o Antropoceno, a humanidade, está pronta para substituir a seleção natural por um projeto inteligente e se estender a vida do reino orgânico para o inorgânico.

Os antigos caçadores-coletores que Harari se reporta em seu livro Sapiens, uma breve história da humanidade, estes estabeleciam entre si e para com o mundo, uma rede de comunicação  que fez emergir valores e normas que comprometiam igualmente humanos, elefantes, carvalhos e assombrações. Essa era a visão animista dos caçadores-coletores antigo, mas que ainda orienta os sobreviventes da modernidade. Chama de postura animista, uma reação mais brusca que expõe um comportamento raivoso e violento, e que do mesmo modo que nasce de uma animal, nasce também dos humanos. Os animistas acreditam que os humanos são apenas outro tipo de animal.

A crença na singularidade humana, deu início a uma nova fase nas relações entre humanos e animais, a partir do advento da revolução agrícola. E é a partir daí que surgem as novas formas de domesticações de animais. E essa domesticação inicialmente, era em pouca escala, entretanto, com o passar dos anos, as espécies domesticadas, confinadas têm pagado um preço alço em sofrimento individual sem precedentes. A exemplo disso, Harari fala dos porcos do mato, que viviam livres, caçavam, e tentavam sobreviver, em relação aos porcos criados em confinamentos, com comida e saúde garantidas, mas sem liberdade.

Os grandes sofrimentos causados pela domesticação dos animais se dá pela ignorância dos humanos em entender as necessidades físicas, sociais e emocionais que se apresentam por meio dos instintos animais. Com isso as condições de vida desses animais, se moldam por fatores opostos: humanos criam porcos pra obter carne (mata-los para comer) e para que tenha sempre a carne do porco, precisam criar condições que garantam a sua sobrevivência.

A teoria da evolução sustenta que todos os INSTINTOS , IMPULSOS e EMOÇÕES evoluíram no interesse único de SOBREVIVÊNCIA  e da REPRODUÇÃO, já que precisam se adaptar às pressões evolutivas, e é a partir daí que se começa a moldar as experiências subjetivas do animal. Muitas coisas como impulsos físicos, emocionais e sociais foram frutos das revoluções que alteraram o estilo de vida dos animais e do homem.  Houveram profundas mudanças sensoriais e emocionais em animais, por exemplo, a vaca, porcos e humanos. Os porcos, animais sociais e inteligentes, vivem atualmente confinados em cercados quase que do tamanho dos mesmo, em intenso sofrimento.



Harari se pergunta por que os humanos atuais gostam tanto de doces?  Os antepassados da Idade da Pedra quando se deparavam com árvores frutíferas, comiam até n]ao aguentar mais, e rapidamente até ficarem empanturrados, pois não sabiam se iriam, nem quando iriam, se deparar de novo com a oportunidade comer doce. Esse comportamento ficou registrado em nosso DNA, que funcionam como antigas imposições genéticas.

A lição básica da PSICOLOGIA EVOLUTIVA, mostra que a revolução agrícola conferiu aos humanos  o poder de assegurar a sobrevivência e a reprodução de animais domesticados, enquanto ignora suas necessidades subjetivas.

COMO TER CERTEZA DE QUE ANIMAIS POSSUEM UM MUNDO SUBJETIVO DE NECESSIDADES, SENSAÇÕES E EMOÇÕES?

EMOÇÕES são uma qualidade exclusivamente humana, comuns a todos os mamíferos, e como todo mamífero desenvolve aptidões e necessidades emocionais, pode-se dizer que os porcos e outros animais também têm emoções.

Os cientistas da biociência, demonstraram recentemente, que as emoções são ALGORÍTIMOS bioquímicos vitais para a sobrevivência e a reprodução dos animais. Daí a necessidade de se entender o que são algoritmos e como estão ligados a nossas emoções.

Um ALGORÍTIMO é um conjunto metódico de passos que pode ser usado na realização de cálculos. Exemplo: calcular a média de dois números.
O algoritmo estabelece : primeiro, some os dois números. Segundo, divida por dois.
Não é o cálculo em si, mas o método empregado para se fazer os cálculos.
O algoritmo dita as regras, o passo a passo para se chegar a um determinado fim. Como é o caso de uma receita qualquer. O algoritmo seria: Pegue uma cebola, corte a cebola picada, frite a cebola na manteiga...
Outro exemplo de algoritmo são as máquinas de fazer café.

Os beduínos (macacos)  sentem forme, sentem sede, sentem medo, e quando veem uma banana, enchem suas bocas de água (paladar- órgão do sentido), assim como nos humanos. E tudo isso acontece numa fração de segundos, em que os beduínos experimentam uma tempestade de sensações e emoções. Tudo isso funciona como efeito algoritmo.

Os mamíferos não podem viver apenas de coisas materiais, eles precisam igualmente de ligações emocionais, mas foi somente entre 1950 e 1960 que se reconheceu a importância central das necessidades emocionais. A evolução imprimiu a suposição de se criar ligações emocionais mais fortes com coisas macias e sedosas, ao invés de com coisas metálicas. 

Foi feita uma experiências com macaquinhos, junto a supostas mães de pelúcia. Porém, como as mães de pelúcias não retribuírem sua afetividade, os macaquinhos desenvolvera sérios problemas psicológicos e sociais, tornando-se animais neuróticos e antissociais. Esses experimentos corroboram com as real necessidade da afetividade nos laços de família desde o nascimento do homem.

Harari compara a inconsciência dos caçadores-coletores em relação à consciência do fazendeiro atual que cria animais confinados.  Os caçadores-coletores não tinham consciência sobre os danos que estavam causando ao ecossistema, ao contrário dos fazendeiros.

Faz também referências às religiões teístas e nos chama atenção para o fato de que  estas santificam também os homens, e com isso os sapiens tornou-se o ator principal do universo. Com isso, foi observado que: os humanos deveriam observar e dominar outros organismos,  dominar outras espécies por ser inteligente, que Deus atribuiu ao humano uma alma imortal, embora se saiba que os animais também têm alma. Todas as religiões agrícolas, encontraram motivos para justificar a superioridade humana e a exploração dos animais. Assim, os humanos se comprometeram com um "acordo agrícola", no qual as forças cósmicas lhes deram domínio sobre outros animais, porém, não tinham consciência das responsabilidades que lhes dava essa superioridade,

A Revolução agrícola foi uma revolução tanto econômica quanto religiosa, que fez surgir novas formas de relações econômicas, junto a novas crenças religiosas que justificavam a exploração brutal de animais. A degradação dos animais e a condição dos seres conscientes à condição de propriedade, fez de pessoas a escravos, aumentando os conflitos de grupos étnicos e religiosos, que se desumanizavam reciprocamente.

No decorrer da Revolução Científica, a humanidade silenciou os deuses, e o gênero humano se encontrava num palco, sozinho, falando consigo mesmo, negociando com ninguém, e adquirindo poderes enormes sem nenhuma obrigação, de onde surgem as leis da física, química e da biologia.

Mitos são criados, e no mito do Jardim do Édem, os humanos são punidos por sua curiosidade e por seu desejo de adquirir conhecimento. Já o mito de Newton diz que basta a gente adquirir conhecimento para sermos capazes de criar o paraíso aqui na Terra.

A revolução científica fez nascer as religiões humanistas, cultuando o homem, homo sapiens, como essência única e sagrada do Universo.

terça-feira, 21 de agosto de 2018

René Descartes (1596-1659), um dos filósofos que mais contribuiu para o avanço da ciência.



postula a separação entre mente (alma, espírito) e corpo 
PORÉM ADMITE A SUA INTERAÇÃO

•   Afirmou que  o homem possugrejai uma substância material e uma substância pensante, e que o corpo, desprovido do espírito, é apenas uma máquina.
•   Esse dualismo mente - corpo torna possível o estudo do corpo humano morto, o que era impensável nos séculos anteriores (o corpo era considerado sagrado pela igreja, por ser a sede da alma), e dessa forma possibilita o avanço da anatomia e da fisiologia, que iria contribuir em muito para o progresso da própria psicologia.


A ORIGEM DA PSICOLOGIA CIENTÍFICA

•  No século 19, destaca-se o papel da ciência, e seu avanço tornase necessário.
  O crescimento do capitalismo - o processo de industrialização, para o qual a ciência deveria dar respostas e soluções práticas no campo da técnica, impulsionando o desenvolvimento da ciência.
•  O sol tornou-se o centro do universo, que passou a ser visto sem hierarquizações. O homem, por sua vez, deixou de ser o centro do universo (antropocentrismo), passando a ser concebido como um ser livre, capaz de construir seu futuro. 


•  O conhecimento tornou-se independente da fé. Os dogmas da Igreja foram questionados. O mundo se moveu.

A racionalidade do homem apareceu, então, como a grande possibilidade de construção do conhecimento.

Era preciso questionar a Natureza como algo dado para viabilizar a sua exploração em busca de matérias-primas.

Estavam dadas as condições materiais para o desenvolvimento da ciência moderna.

As ideias dominantes fermentaram a 
construção  da Psicologia Científica.

•  O conhecimento como fruto da razão;
A possibilidade de desvendar a natureza e suas leis pela observação rigorosa e objetiva.
•  A busca de um método rigoroso, que possibilitasse a observação para a descoberta dessas leis, apontava a necessidade de os homens construírem novas formas de produzir conhecimento — que não era mais estabelecido pelos dogmas religiosos e/ou pela autoridade eclesial. 
Sentiu-se necessidade da ciência.
SURGEM HOMENS COMO:

• Hegel, que demonstra a importância da história para a compreensão do homem.
• Darwin, que enterra o antropocentrismo com sua tese evolucionista. 

A ciência avança tanto, que se torna 
um referencial para a visão de mundo.

•   A noção de verdade passa, necessariamente, a contar com o aval da ciência.
•    Surge o positivismo de Augusto Comte, que postulava a necessidade de maior rigor científico na construção dos conhecimentos nas ciências humanas.  Propunha o método da ciência natural, a física, como modelo de construção de conhecimento.


A PSICOLOGIA NO IMPÉRIO ROMANO E NA IDADE MÉDIA

Surge um novo império que iria dominar a Grécia, parte da Europa e do oriente médio: o império romano. 

 Surge o cristianismo — uma força religiosa que passa a força política dominante. Mesmo com as invasões bárbaras, por volta de 400 d.C, que levam à desorganização econômica e ao esfacelamento dos territórios, o cristianismo sobrevive e até se fortalece, tornando-se a religião principal da idade média, período que então se inicia.

falar de Psicologia nesse período é relacioná-la ao conhecimento religioso 

• Já que, ao lado do poder econômico e político, a Igreja Católica também monopolizava o saber e, consequentemente, o ESTUDO DO PSIQUISMO.

• Nesse sentido, dois grandes filósofos representam esse período:
Santo Agostinho (354-430)
São Tomás de Aquino (1225-1274).

Santo Agostinho, inspirado em Platão, 
também fazia uma cisão entre alma e corpo


   A alma não era somente a sede da razão, mas a prova de uma  manifestação divina no homem. A alma era imortal por ser o elemento que liga o homem a DeusE, sendo a alma também a sede do pensamento, a igreja passa a se preocupar também com sua compreensão.
São Tomás de Aquino
Viveu num período que prenunciava a ruptura da igreja católica, o aparecimento do protestantismo — uma época que preparava a transição para o capitalismo, com a revolução francesa e a revolução industrial na Inglaterra.
A igreja SE QUESTIONA sobre os conhecimentos produzidos por ela, na busca de novas justificativas para a relação entre Deus e o homem.
Buscou em Aristóteles a distinção entre essência e existência.

•   Considera que o homem, na sua essência, busca a perfeição através de sua existência.
•   Porém, introduzindo o ponto de vista religioso, ao contrário de Aristóteles, afirma que somente Deus seria capaz de reunir a essência e a existência, em termos de igualdade. Buscar a perfeição pelo homem seria a busca de Deus.
•  São Tomás de Aquino encontra argumentos racionais para justificar os dogmas da igreja e continua garantindo para ela o monopólio do estudo do psiquismo.