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domingo, 20 de junho de 2021

A Teoria do Self na Gestalt-terapia

  Conceito de Self

  • Tem o mesmo significado de representação do si mesmo, da personalidade e da natureza base do sujeito.
  • Na Gestalt acrescenta-se nesse conceito, o fator de vivência do eu, não é só o si mesmo, a personalidade ou natureza base, é "Eu" o mesmo vivido e percebido pela prórpia pessoa quando está em constato com o outro e consigo mesma. O self é um processo, não é rígido nem inflexível.
  • Levando em consideração sof atoes internos, esse processo ocorre naturalmente.
"O self é uma dinâmica de troca energetica entre nossos tecidos celulares e o meio, de modo a permitir por um lado a cosnevar algumas formas de organização anteriores, e por outro, destruir formas antigas e assimilar novas. Essa experiência é um contínuo que se modifica a cada instante e por isso, encontramos no ambiente possibilidades com as quais nos identificamos ou as quais nos alternamos a fim de crescer e transformar o meio a nossa volta" (Marcos Miller Granzoto).

"Self é o sistema complexo de contatos necessários para o indivíduo se ajustar ao campo."(Perls)

"Self e o processo permanente de ajustamento criativo do homem ao seu mundo interior e exterior."

"A função dos self é encontrar e dar sentido Às coisas que vivemos."

"O Self se refere à totalidade da pessoa quando em interação saudável com o meio."

O Self possui três funções básicas conforme Perls:

  1. Id
    • Tipo de relação em que o self surge de forma passiva, dispersa e irracional. Composto de conteudos alucinatórios e seu corpo cresce enormemente, de onde surge um excitação, a partir de um fundo organísmico, e onde ocorre o pós-contato. 
    • Tem uma relação que indica um estado de equilíbrio interno que se mantém constante independente das alteraçães que ocorre no ambiente externo, de uma energia que é distribuída entre o meio e os tecidos celulares, que é a fronteira de cotato. Como uma energia psíquica de fonte primária.
  2. Ego
    • Tem a função de individuação do self. 
    • Responsável pela região na qual o self determina a ação, decisão, em favor de uma certa direção ou modo de troca energética. Além de sentir e tormar decisões e agir, o self faz todo esse processo.
  3. Personalidade
    • Sistema de atitudes adotadas nas relações interpessoais. É a dimensãoi do que somos que podem explicar o comportamento do sujeito.
    • Maneira particular de cada um ser no mundo, influenciando e sendo influenciado pela percepção que tem de si mesmo, selecionando e integrando as experiências relacionadas ao seu autoconceito e distorcendo ou excluindo as outras experiencias da consciência, ou colocando-as fora da fornteira do self.
    • Perls define a personaldiade como sistema de atitudes adotadas nas relações interpessoais que incluem os valores, preceitos morais, regras, contratos, instituções junto aos quais se reconhece , atraves desse contatos entra em contato consigo mesmo.
Correlaçao entre as funções básicas do self no processo de ajustamento criativo com relação a sequências de fundo e figuras:

De acordo com Perls, no pré-contato, o corpo é o fundo e o seu desejo é a figura, sendo um dado ou Id da experiência. Eu sinto uma necessidade, depois no processo de contato o dado é aceito e a necessidade é reconhecida pela pessoa. 

O Self se aproxima, avalia e manipula um conjunto de possibilidades objetivas.  O Self decifra essas possibilidades na intenção de satisfazer essas necessidades, sendo ativo em relação ao corpo e ambiente. O Self sepolariza se identificando com a possibilidade de satisfazer essa necessidade. Com isso, o Self abre um horizonte de futuro.

Em seguida, no contato final ocorre um ponto espontâneo, sem interesse, com a figura que emergiu, quando o Ego começa a agir. Momento em que, ele faz alguma coisa que se distancia da fronteira de contato que no caso é o limite entre a pele e o meio.

 No pós contato o Self diminui. Enquanto o Id e o Ego são funções de autorregulação em que o Self interage com o meio, buscando a satisfação das necessidades que possibilitam uma consciência vivenciada de si mesmo, a personalidade faz um função de seleção, síntese e organização das experiencias vivenciadas na fronteira de contato, possibilitando o desenvolvimento de consciência representada pelo Self. 

É o Self, o "eu" que se transforma a todo instante,  que possibilita os contatos fundamentais e necessários para que o indivíduo possa se ajustar ao campo, se ajustar ao meio, sendo atividade simples, primária que envolve processos físicos, biológicos do corpo.

domingo, 13 de dezembro de 2020

Neurose e Psicose

 

Em O Ego e Id (1923), Freud propôs uma diferenciação do aparelho psíquico, com base na qual determinado número de relacionamentos pode ser representado de maneira simples.

"A Neurose é o resultado de um conflito entre o Ego e o Id, ao passo que a Psicose é o desfecho análogo de um distúrbio semelhante nas relações entre o Ego e o mundo externo". (FREUD, 1923, p.189)

Descobertas e achados que apoiam a Tese da Neurose

1- Das Neuroses Transferenciais

  • Tem origem na recusa do ego em aceitar i impulso instintual.
  • ou na ajuda a encontrar um escoadouro motor
  • ou o ego proibir àquele impulso o objeto a que visa.
  • Resultado
    • O ego descobre sua unidade ameaçada e prejudicada por esse intruso, e continua a lutar contra o sintoma.
    • Produzido o quadro de uma Neurose
    • Na repressão o ego segue as ordens do superego, originadas da influência do mundo.
  • Freud concluiu que o ego entrou em conflito com o ID, a serviço do superego e da realidade e esse é o estado de coisas em toda neurose de transferência.
2. Os Mecanismos da Psicose
  • Distúrbio entre o ego e o mundo externo
  • Na confusão alucinatória aguda (amência) o mundo exterior não é percebido de modo algum ou a percepção dele não possui qualquer feito.
  • O mundo interno, que, como cópia do mundo externo, perde sua significação.
  • O ego cria autocraticamente, um novo mundo externo e interno.
  • Esse novo mundo é criado a partir de dois fatos.
  • De acordo com os impulsos desejosos do ID.
  • O motivo da dissociação do mundo externo é alguma frustração muito séria de um desejo, por parte da realidade - frustração que parece intolerável.
Nas outras formas de Psicose
  • Nas esquizofrenias - hebetude afetiva, ou seja, entorpecimento ou torpor afetivo.
  • Delirantes - os delírios são um remendo no lugar da fenda que aparece entre o ego com o mundo externo.
  • Nas Psicoses - as manifestações do processo patogênico são recobertas por manifestações de uma tentativa de cura ou uma reconstrução.
A etiologia das Neuroses
  • Frustração ou não realização dos desejos da infância.
  • Frustração externa ou procedentes de agente interno (no superego) que assumiu a representação das exigências da realidade.
  • O efeito patogênico depende do Ego - silencia o Id ou é derrotado pelo Id.
Pergunta-se: Qual o mecanismo análogo à repressão (recalque), por cujo intermédio o Ego se desliga do mundo externo?
  • Tal mecanismo deve ser, tal como repressão, abranger uma retirada da catexia enviada pelo Ego. Posteriormente, chamada de "Verleugnung" rejeição.
Referências:
FREUD, Sigmund. Neurose e Psicose. Obras Completas de Sigmund Freud, ed. Rio de janeiro, Imago, 1996, v. XIX

sábado, 31 de outubro de 2020

Melanie Klein (1882-1960)

 


Breve História...

Psicanalista austríaca classificada como psicoterapeuta pós-freudiana.

1916 (Budapeste) teve primeiro contato com a obra de Sigmund Freud.Seu analista Sándor Ferenczi que a incentivou a trabalhar com crianças.

1919 tornou-se membro da Sociedade de Psicanálise de Budapeste.

1923 passou a se dedicar integralmente a psicanálise.

1924 Apresentou no VIII Congresso Internacional de Psicanálise o trabalho “A técnica da análise de crianças pequenas”

1927 tornou-se membro da Sociedade Britânica de Psicanálise., publicou seu livro “O tratamento psicanalítico de crianças” onde criticou ideias de Freud.

1945 a Sociedade Britânica de Psicanálise se divide em três grupos: annafreudianos, kleiniano e independe.

1947 publicou Contribuições à psicanálise.

1955 fundou a Fundação Melanie Klein e publicou o Artigo:   A técnica psicanalítica através do brinquedo; sua história, sua significação, escrito a partir de uma conferência de 1953.

1960 – morreu aos 78 anos de idade.

      Teoria das Relações Objetais

Essa teoria deriva da teoria pulsional de freud.  Sua teoria difere da abordagem Freudiana em três pontos fundamentais:

Dá ênfase menos aos impulsos biológicos e maior importância aos padrões de relacionamento que a criança desenvolve no seu entorno.]

Destaca a intimidade e o cuidado da mae. Ao contrario de Freud que enfatiza o poder e o controle dos ´pais.

Busca por contato e relacionamento é a motivação fundamental do comportamento humano e não o prazer sexual.

  •     Relações objetais são as relações que a criança estabelece com os objetos que estão ligados a       satisfação de suas necessidades e esse objeto pode ser pessoas, coisas, ou até parte de pessoas        como o seio da mãe.

Freud parte do princípio de que o ser humano busca sempre reduzir a tensão provocada por desejos insatisfeitos. O objeto que reduz essa tensão nas crianças é a pessoa que atende as suas necessidades, por isso, Klein estudou a relação das crianças estabelecem com os primeiros objetos, que são a mãe e seu seio servindo de modelo para as demais relações objetais.

     Para Klein os relacionamentos estabelecidos na vida adulta nem sempre são o que aprecem. Todo relacionamento está permeado por representações psicológicas de antigos objetos que foram significativos na infância incluindo as pessoas. Enxergamos parcialmente esses objetos nas pessoas com as quais nos relacionamos, são reminiscências, restos de experiências do passado que projetamos no presente. Freud considera o Id, o Ego e o Superego, porém, Klein ignora o Id e se atém somente ao Ego e Superego:

EGO

Freud afirma que existe desde o nascimento, mas não atribui nenhuma função psíquica ao ego antes que a criança atinja os 3-4 anos de idade. A criança pequena é dominada pelo id. Para Klein o Ego atinge a maturidade antes do que pensa Freud. O EGO é extremamente desorganizado nas primeiras semanas de vida, mas já é forte o suficiente para sentir ansiedade e usar mecanismos de defesa psíquicos e para desenvolver relações objetais tanto na fantasia como na realidade.

Começa se desenvolver com as primeiras experiencias do bebê na amamentação, quando a mãe não apenas o alimenta, mas lhe dá carinho e a sensação de segurança. Em contrapartida, o bebê experimenta fome, sensação de abandono e insegurança quando a mãe não pode atende-lo quando chora.

Melanie atribui as experiencias agradáveis e desagradáveis ao seio bom e seio mal respectivamente. Que são fantasias desenvolvidas pelo bebe. É a partir do seio bom e o seio mal que se iniciam as experiências do ego que é o centro de sua personalidade. Assim todas as experiências vividas pelo bebe passam a ser avaliadas pelo ego como relacionadas ao seio bom e o seio mal mesmo sem estar ligada a amamentação. O seio é apenas a primeira relação objetal do bebe que serve de protótipo para todas as demais relações interpessoais.

O Ego precisa se dividir para emergir de maneira integrada: Divide-se em seio bom e seio mal para lidar com as experiencias prazerosas e desagradáveis. Eu bom quando é alimentado e amado e eu mal é vivido quando experimenta fome e desamparo e isso é o que vai permitir que o bebe gerencie os aspectos positivos e negativos dos objetos externos.

Com o desenvolvimento do bebe suas percepções passam a ser mais realistas e dessa forma o ego passa a se unificar e integrar.


SUPEREGO

Percebe o superego de maneira diferente de Freud em pelo menos, três aspectos:

Surge muito mais cedo na vida, antes dos 3 anos de idade. Para Freud o superego só emerge aos 5 anos de idade. O superego não é uma alteração do complexo de édipo. Ele é muito mais duro e cruel do que Freud descreve, afirmou Klein.

Para Freud o superego suporta dois subsistemas: ego ideal que gera sentimento de inferioridade e consciência que gera culpa. Klein concorda que superego de crianças mais velhas funciona dessa fora, mas que em crianças menores, gera terror ao invés de sentimento de culpa.

Melanie percebeu que as crianças pequenas têm medo de serem devoradas, cortadas ou dilaceradas em pedaços que é um medo desproporcional, daí o terror. Para ela esse terror vem dos desejos destrutivos das crianças, das frustrações vividas por elas nas relações objetais e são vividos com muita ansiedade. Como uma briga entre a energia criadora e destruidora. A violência extrema do superego inicial é uma relação do psiquismo a agressividade do ego que procura se autodefender dos próprios desejos destrutivos mobilizando as pulsões de vida e de morte.

Para Klein esses embates são responsáveis por muitas tendências antissociais em adultos. Os que se desenvolvem saudavelmente, vai perdendo essa agressividade excessiva e vai se tornando uma consciência realista por volta dos 6 anos de idade.

 A Técnica da Análise na Puberdade -Adolescência

Os impulsos dos adolescentes são mais poderosos, maior a atividade de suas fantasias e seu ego tem outros desígnios e outra relação com a realidade. Klein considera que há fortes pontos de analogia com a criança pequena, porque é na puberdade o sujeito torna a encontrar um maior domínio das emoções e do inconsciente e uma vida imaginativa muito mais rica. Nesse período, as manifestações da angústia e os afetos exprimem com uma intensidade infinitamente maior. Na adolescência, o Ego se esforça para combater a angústia ou modifica-la e, acaba sendo mais bem sucedido do que na infância. No universo adolescente, desenvolveu-se, largamente, seus interesses e atividades com o objetivo de dominar essa angústia, supercompensá-la e dissimulá-la perante si mesmo e perante os outros, o que faz assumindo uma postura de desafio e revolta característica da puberdade, o que dificulta bastante a análise, daí a importância de se ter rápido acesso à angústia do paciente e dos afetos que ele manifesta, caso contrário poderia ser bruscamente interrompida.  Os meninos previam violentos ataques físicos nas primeiras sessões.

Para Klein as fantasias são inatas no sujeito, e são as representantes dos instintos, tanto libidinais como agressivos, os quais agem na vida desde o nascimento. As fantasias são a forma de funcionamento mental primária, de extrema importância neste período inicial da vida. Essa fantasia se transforma de acordo com o desenvolvimento, no decorrer das experiencias corporais sendo ampliada e elaborada, influenciando e sendo influenciada pelo ego em maturação.

Klein parte das obras freudianas, tomando como ponto de partida a dimensão imaginária das fantasias. As primeiras fantasias da criança é o corpo da mãe, cujas atividades são a realização de desejos, negação de fatos dolorosos, segurança em relação aos fatos aterrorizadores do mundo externo, controle onipotente, reparação entre outras.

A liberação destas fantasias masturbatórias é essencial não só para a atividade lúdica como também para todas as posteriores sublimações (Klein, 1996). Inibições graves tanto nas brincadeiras como em todo o aprendizado da vida da criança, inclusive no aprendizado da sexualidade, têm sua origem na repressão destas fantasias. Portanto, uma vida sexual satisfatória depende da liberação da vida fantasmática, principalmente das fantasias masturbatórias. As representações que as crianças do ato sexual dos pais podem ser consideradas o conteúdo primordial que se encontra por trás destas fantasias, as quais só são passíveis de revelação depois de um período considerável de análise e do consequente estabelecimento na criança de conteúdos genitais. Contudo, pode–se concluir que as fantasias atuam na mente de crianças, adolescentes e adultos, ao longo de todo o desenvolvimento psíquico, por meio de diferentes conteúdos imaginários.

O Caso Bill– 15 anos de idade. (Klein, pg.123-124)

Bill, de 15 anos de idade, fez uma cadeia ininterrupta de associações em torno de sua bicicleta e das diversas peças que a compunham; seu receio por exemplo, de que ela se danificasse se lhe imprimisse muita velocidade, superei-me de abundante material referente ao seu complexo de castração e sentimento de culpa por masturbação. Evidenciou-se que ele provava angustia e culpabilidade com suas relações com um certo amigo, mas essas relações não se baseavam na realidade; remontava a uma relação anterior mantida com um menino chamado Tony. Falando de uma excursão na companhia de seu amigo, durante a qual haviam trocado as respectivas bicicletas, Bill declarou que havia ficado com receio, sem que houvesse motivo para tal, de que sua bicicleta tivesse danificado. Baseando-se nessa lembrança do mesmo gênero, expliquei-lhe que seu receio parecia-se relacionar-se com as atividades sexuais mantidas com seu amigo Tony anos atrás. Quando lhe referi os motivos que me faziam pensar assim, ele concordou e lembrou-se de alguns detalhes dessa relação sexual. Seu sentimento de culpa a esse respeito e o consequente receio sexual de haver danificado seu pênis e seu corpo eram totalmente inconsistentes. Na análise de Willy, de 14 anos, cuja fase preliminar foi acima descrita, consegui descobrir com o auxílio de tópicos idênticos, a razão de seus profundos sentimento de culpa em relação ao irmão menor. Assim, quando Willy comentou que sua máquina a vapor estava necessitando de reparos, mencionou imediatamente a máquina de seu irmão, acrescentando que ficara inutilizada. Sua resistência a respeito e seu desejo de que a sessão chegasse ao fim, eram ocasionados, conforme se constatou, pelo receio de que sua mãe viesse a descobrir  as relações sexuais que haviam existido entre os dois irmãos e das quais, ele em parte, se recordava. Essas relações lhe haviam deixado uma profunda culpabilidade inconsciente, pois, sendo mais forte e mais velhoobrigara algumas vezes o irmão a sujeitar-se às mesmas. Desde então, sentia-se responsável pelo desenvolvimento anormal daquele que era gravemente neurótico. Willy tinha depressão, mas esse não era o caráter anormal. Detestava a companhia de outras pessoas, era bastante tímidoretraído e inativo e não tinha boas relações com irmãos e irmãs. Contudo, sua adaptação social era aparentemente normal, sendo um bom aluno. Sua análise durou 190 sessões.

REFERÊNCIAS

sábado, 22 de agosto de 2020

Documentário: A invenção da Psicanálise (Resumo)


Documentário longa-metragem que conta a história da Invenção da Psicanálise.

  • Sigmund Freud começou a sua carreira com a Neurologia.  Na tentativa de aliviar os pacientes neuróticos, Freud descobriu alguns fatos novos e importantes sobre o INCONSCIENTE. E, a partir dessas descobertas nasceu uma nova ciência: a Psicanálise.
  • Ele relata que encontrou uma forte e implacável resistência ao inventar a Psicanálise, mas que a luta dele não teria terminado ali.
  • Viveu em  Viena, numa rua tranquila, onde aplicou a Psicanálise e redigiu suas obras. Explorador das profundezas do inconsciente e iniciador, queria iluminar o lado obscuro da alma. Transformou seu divã em local de investigação, em laboratório.
  • Quebrou tabus ligado a sexualidade e permitiu as mulheres que se emancipassem.
  • Após construir as suas primeiras teorias reuniu médicos, historiados, escritores.para formar a primeira associação freudiana: A Sociedade Psicológica da Quarte-Feira, cuja primeira sessão foi em outubro/1902.
  • Freud tinha uma postura autoritária, buscava despertar as consciências daqueles que participavam da associação, com a intenção de mudar o mundo através da Psicanálise.
  • Falavam sobre Filosofia, Literatura, Mitologia, doenças psíquicas e mentais,etc. Laboratório de Novas Ideias.

O COMEÇO
  • Freud chega a Paris em 1885 para descobrir sua verdadeira vocação. 
  • Médico jovem, judeu, 29 anos apaixonado por sua noiva Martha, que passa a se corresponder por cartas.
  • Passou a assistir aulas clínicas de Jean-Martin Charcot (1825) maior neurologista da época, do Hospício da Salpétríere, considerado o "Napoleão das Histéricas". O hospital era um enorme hospício para mulheres. haviam 5 a 6 mil mulheres trancadas, que seriam material de experimentação, Pretendia criar um método, uma classificação, uma tipologia, uma sintomatologia, de todas as afecções misteriosas que atingem o ser humano, quando a razão vacila.
  • Histeria surge como doença do útero que toma o corpo das mulheres, na Antiguidade (1860-1880), e deixavam as pacientes hipnotizados, em estado de sonambulismo, com a finalidade de conhecer a origem das convulsões. Seus métodos hipnóticos eram realizados em frente a sociedade liberal e republicana de Paris. Com o Hipnotismo fazia desaparecer temporariamente paralisias e contrações. Desejava mostrar que a histeria era uma neurose funcional sem ligação com o útero, se recusando a falar em público sobre causas genitais.
  • Freud foi muito influenciado por Charcot, criou uma nova ligação entre histeria e sexualidade. Deseja alertar os homens sobre as feridas originais da histeria. A Psicanálise era um modo de se falar das angustias, esquecimentos, sentimentos, do tempo, da tortura,etc. A partir daí os movimentos da carne podiam ser ouvidos, verbalizados. Com isso Freud destrói todas as suas anotações, artigos, firmando o compromisso de repensá-los.
  • Freud era tido como um homem sombrio,complicado, ambicioso, de uma inteligência extraordinária, que desejava tornar-se um grande homem da ciência, tornar-se um cientista e mudar o mundo.
  • Conheceu Joseph Breuer, médico judeu. especialista em doenças nervosas, que assumiu para ele uma figura paternal. Breuer conta a Freud sobre um caso de histeria aguda que teria acontecido antes de 1882 (A histeria teria esquecido sua língua materna, se recusava a beber água, paralisia corporal histérica, chamava-se Anna O. ou Bertha Papenheim, jovem da burguesia vienense que, ficou histérica aos 20 anos de idade. Essas jovens aspiravam a outra vida mas não havia quem as escutassem, acabavam adoecendo. Breuer a partir dessa paciente, desenvolveu a Terapia pela fala. Ele a hipnotizou e pediu que ela se lembrasse de determinadas coisas o que contribuiu para reduzir os sintomas. foi a primeira paciente analisada no mundo. 
  • Com isso Freud vai além, desenvolvendo suas teorias sobre sexualidade, e resolveram publicar seu primeiro livro: "Estudos sobre a Histeria", com vários casos. O livro não fala da cura da histeria, pois não há cura, mas mostrava como tratá-las, o método catártico que ainda não era a psicanálise. Era uma terapia traves da fala.
  • 1885 se instalou como médico em Vienna, casou-se com Martha, abriu seu consultório particular, trata essencialmente de mulheres da burguesia vienense sofrendo de neuroses: doenças dos nervos, neurastenia, histeria.
  • Criou o Divã, onde ficava a paciente e sentava-se atrás de modo que pudesse vê-las mas que não fosse visto, para que a palavra se tornasse o ato terapêutico em si, não havendo mais nada de magnetismo, nem hipnose, nem olhares, somente a palavra, ocupando-se  de procurar  no inconsciente adormecido. As pacientes falavam de sua infância, sonhos, sexualidade, deixava o sujeito falar livremente. 
  • Ao conhecer o médico berlinense Wilhelm Fliesse, que tinha teorias estranhas, tornando-se seu amigo, Freud atribuiu à sexualidade um lugar fundamental, de ser determinante da condição psique, que a neurose seria consequência de conflitos-infantis não resolvidos. 
  • Nessa época, elaborou suas Teorias da bissexualidade, Teoria da sedução e a primeira Teoria do Aparelho Psíquico. Definiu a Neurastenia como uma neurose sexual. Acreditava que resolveria o problema da histeria e neurose obsessiva encontrando a fórmula do choque sexual, e da volúpia sexual infantil. 
  • Fazia dele mesmo a sua própria análise, para saber se havia acontecido com ele, possíveis hipóteses a respeito de traumas sexuais da infância, como estupros, carícias, hoje chamado abusos e violências que, muito existiam e existem nas famílias.
  • Para compreender tudo que se passa no inconsciente das histéricas(os) precisa compreender que carregam reminiscências e fantasias, inventam seduções que não aconteceram. Com isso, criou também a Teria das Fantasias.
  • A Psicanálise não considera o doente e o paciente  como um objeto de estudo externo, ele passa por uma análise dele mesmo, do psicanalista. para saber se teria vivido aquilo também. O sujeito passa a questionar-se a si mesmo, e não mais adormecer nem descobrir outro ser dentro dele, pois ele está habitado por esse outro ser. Essa era  a revolução freudiana.
Freud criou novos conceitos como: 
  • LIBIDO que é a energia sexual.
  • RECALQUE processo através do qual se rejeita no inconsciente um fato que se quer esquecer.Aquilo que não deseja lembrar.
Para o INCONSCIENTE nada termina, nada passa, nada é esquecido. 
Analisava sonhos de suas pacientes, em frente a sua coleção de estatuetas romanas, chinesas, gregas, egípcias. Abre o século 20 com o livro "A interpretação dos Sonhos", que é uma realização de um sonho ou desejo reprimido, no qual as personagens se misturam a um bestiário fantástico e familiar.
O ponto mais importante é quando Freud diz estar seguindo um caminho para uma Psicologia Geral que não se aplicava somente aos neuróticos. Os sonhos tornam-se o caminho real que o leva ao inconsciente, para descobertas de um além da consciência. Meio de atingir os segredos da mente.
  • 1903 Freud publica seus três ensaios sobre a Teoria Sexual, gerando um escândalo quando atribui a crianças e adultos "normas" fantasias sexuais e comportamentos considerados patológicos, como masturbação, sodomia, fetichismo, desejo de incesto.
  • Baseado no mito de Édipo que mata seu pai e casa-se com sua própria mãe sem saber, criou o Complexo de Édipo, uma representação inconsciente onde surge o desejo da criança pelo genitor do sexo oposto e hostilidade pelo mesmo sexo.
  • A Psicanálise parte do princípio de que o sujeito é levado por uma coisa insuportável, que foge ao controle.
Cinco anos após a Associação Freudiana, 1907 marca o encontro com Carl Gustave Jung. Jung tinha um trabalho experimental com "Associação de Ideias", etc, estava a frente do tratamento da loucura, na clinica de psiquiatria em Zurich, na Suíça. Freud acreditava que a Psiquiatria era para o mundo, e não apenas para os Judeus, quando marca o primeiro encontro com Jung, quando se entenderam bem por 3 ou 4 anos, vindo a romper essa relação.
  • Jung tria optado por um caminho diferente, que a ciência da época considerava misticismo oriental e religião e que, Freud sempre desprezava.
  • Vivia em um mundo interior feito de introspecção, de busca interior, interesse pelo ocultismo, por religiões orientais, passou 7 anos de entusiasmo pelo mundo espiritual da aventura psicanalítica. Jung não aderiu a psicanálise de Freud. Se interessou pelos Arquétipos, representações simbólicas do subconsciente, que para ele, formam um inconsciente coletivo.
  • Jung relata que Freud era um homem complicado, pois quando ele pensava em algo, já era definitivo, e ao contrário, Jung duvidava, tornando-se impossível conversar profundamente sobre alguma coisa com ele, pois ele não tinha nenhuma formação filosófica, enquanto Jung estaria estudando Kunt. Jung se afasta de Freud pois queria voar com as próprias asas.
A Psicanálise ver infinitas possibilidades para o que pode ser curado e o que não pode ser curado, seja na medicina, seja na análise.Sempre que se descobre a cura para um determinado mal, surge outro em seu lugar, a exemplo: curou a sífilis, surgiu a Aids, curou a Histeria, surgiu a depressão na contemporaneidade.

Em 1910, Freud funda a "Associação Psicanalítica Internacional" e pede a Jung que assuma a direção. Em 1912,  apesar das divergências ele fica na direção por 2 anos e rompe com Freud. 

Entra em cena, Ernest Jones, médico Inglês que daria continuidade ao movimento psicanalista. Impressionado com o fato de Freud ouvir os pacientes, coisa nunca vista antes, se interessava pela Psicanálise desde 1906, difundindo a Psicanalise pela Inglaterra. A Associação Britânica de Psicanálise estava repleta de pessoas não-médicas. depois vindo a se expandir pelos Estados Unidos.
Lou foi a primeira mulher a integrar a Associação de Psicanálise Freudiana, a qual Freud tinha profunda admiração.

A CONQUISTA
Primeira Guerra Mundial. Freud viveu a guerra como uma prova interminável, violenta e  de irremediável conflito. Se preocupava com os filhos na linha de frente. Tinha poucos paciente, porém, a guerra trouxe de volta doenças nervosas  e os Psiquiatras são chamados para identificar os impostores que queriam fugir da luta. Usam tratamentos elétricos e hipnóticos para curar paralisias e pânicos causados por granadas e canhões. Soldados traumatizados se restabeleciam em uma semana, e voltavam a guerra.
Após a Primeira guerra mundial a Psicanalise se transforma. Os psicanalistas vienenses pareciam ter perdido sua identidade. Condições de vida terríveis, Freud se dedicou a sobreviver, passou fome, muitas dificuldades.
Sander Ferenczi foi nomeado para assumir a Cadeira de Ensino da Psicanálise. Os psicanalistas sofreram repressão politica, foram exilados em Berlim, que se torna um laboratório propulsor para a Psicanálise,
1920 foi fundado o Instituto Psicanalítico de Berlin por Marx Eitingon, ligado a uma policlínica que transformou-se em  Centro de Formação em Psicanálise, tornando-se modelo pelo mundo todo. Inicialmente dedicaram-se a uma camada mais desfavorecida da população, que pagavam seus tratamentos de acordo com sua renda e o terapeuta era obrigado a fazer o tratamento gratuito.
Karl Abraham era muito importante no movimento psicanalíticos de Berlin, foi o primeiro trazê-la para Berlin. Freud o chamava de Rocha de Bronze, tinha grande capacidade de reunir grupos de estudantes que não se submetiam, que eram críticos.
Teve como aluna formada, Melanie Klein, vienense, judia. Interessou-se pela análise infantil. Foi para Berlin encontrou Karl Abraham que escreveu par Freud falando sobre seus trabalhos com crianças. Sua maior rival era Ana Freud, filha de Sigmund Freud. Sempre estava ao lado pai, e Freud ao perceber não haver nenhum outro homem além do próprio pai na vida dela, ela se torna seu alter ego. Tornou-se, a mais fiel discípula, confidente, enfermeira dedicada ao pai.
1920 Freud perde sua filha Sofie, por uma Epidemia de Gripe.  Concluiu que tudo na vida leva a morte. O Dualismo dessas duas forças elementares, vida e morte, se confrontam eternamente.
3 anos depois continua a desenvolver a ideia de que a mente não é só dividida por pulsões como vida e morte, sexualidade e agressão.  descreveu que pode ser dividia em:
  • Id (inacessível diretamente, e que a única maneira de se chegar ao Id é indiretamente, por lapsos, sonhos, sintomas, etc. É completamente inconsciente); 
  • o EGO é consciente e inconsciente ao mesmo tempo, parte da mente relativa ao domínio do mundo, relacionado as forças externas, não é apenas o pensamento da razão, traz elementos inconscientes que acentuam o conflito mental; 
  • o SUPEREGO também consciente e inconsciente, geralmente ele ataca, é punitivo, negativo, e em si, uma fonte de culpa.
1910-1925- Os americanos se interessam pela Psicanálise, como uma terapia da felicidade.
Freud tem um tumor no queixo e convive  com esse sofrimento por 16 anos. 

Melainie Klein vai a Londres fazer conferências  sobre seus trabalhos com crianças. Tentava entender a origem das psicoses. Para ela, havia uma relação muito primitiva entre o bebe e o meio ambiente.

Freud teve seus livros antigermânicos queimados com o Nazismo alemão. A psicanálise é modificada na Alemanha em função disso, das novas leis raciais. Um pequeno grupo de 14 psicanalistas não judeus permaneceram na Alemanha e esperavam poder se manter com a psicanalise, formalmente no país, em detrimento daqueles que tiveram que deixar o país. Foram exilados para a América do Norte. A nomenclatura da psicanálise na Alemanha foi modificada, era muito rígida, era proibido falar em sexualidade e libido. Questiona-se aí, será que ainda se podia falar em Psicanálise?

O FIM 

Em 1938 Freud escreve para Jones na Alemanha falando sobre a situação política sombria de retaliação aos judeus e a interferência nazista, de Hittler na psicanálise. Freud retorna a Paris. Depois a Londres onde é acolhido calorosamente com a família, onde escreve sua ultima obra. Sem poder se locomover por causa do câncer, ele pede a sua filha para ler livros no Congresso de Paris em 1938, em que se reuniram pela última vez, antes do exílio, todos os psicanalistas europeus. em 21/09 pede ajuda a seu médico para ajudá-lo a morrer e pede que "Fale com Anna. Se ela achar justo acabe logo com isso." Em 23/09 seu médico aplica-lhe sua última dose de morfina.

Com a chegada dos Vienenses a Londres cria-se uma situação complexa: Acirra-se a competição em Anna Freud e Melanie Klein sobre a análise das crianças. Haviam muitas controversas, e com isso, haviam discussões sobre o modo como Freud deveria ou poderia ter interpretado.

Após a guerra, saem diferentes grupos de psicanalistas: Kleinianos, Annafreudianos, grupo freudiano contemporâneo.
  • 1945-Marie  Bonaparte da Sociedade Psicanalítica de Paris, não assume mais a posição de nova geração de psicanalistas.
  • A França começa a se fortalecer a partir de 1945 diante da Escola Inglesa, onde a França se torna o único país do continente a ter uma força psicanalítica diante das escolas inglesa e americana, conquistando o mundo latino-americano com 2 grandes personagens: Françoise Dolto que emerge a partir de 1938, e  Lacan a partir de 1932. Eles formaram a terceira geração de psicanalistas,que não conheceram Freud em vida.
Jacques Lacan foi psiquiatra de formação alemã, foi o último dos grandes intérpretes do pensamento Freudiano. Empírico, devolve na psicanálise seu ideal subversivo. Tornou o inconsciente um local de linguagem.

Fraçoise Dolto, brilhante clínica será uma pioneira original da analise infantil.

Atualmente, a Psicanálise perdeu seus mestres e discípulos dos tempos heroicos, mas se implantou em todos os países democráticos, embora ainda seja muito contestada. Foi adotada por mais de 25 mil analistas no mundo e milhares de pacientes.

REFERÊNCIAS:



quinta-feira, 7 de maio de 2020

Teoria Psicanalítica - Sigmund Freud



OS TRÊS NÍVEIS DA VIDA MENTAL SEGUNDO FREUD

·       INCONSCIENTE
Contém todos os impulsos, desejos ou instintos que estão além da consciência, mas que no entanto, motivam a maioria  de nossos sentimentos, ações e palavras. Ainda que estejamos conscientes de nossos comportamentos explícitos , não estamos conscientes dos processos mentais que estão por traz dele. O inconsciente era a explicação para o significado subjacente de sonhos, lapsos de linguagem, certos tipos de esquecimento, chamados de repressão.
·       PRÉ-CONSCIENTE
Contém todos os elementos da mente que não são conscientes, mas que podem se tornar conscientes, prontamente ou com alguma dificuldade. (Freud, 1933/1964 apud Feist at all, 2015). Essas ideias são provenientes de duas fontes: da percepção consciente  e do Inconsciente, embora algumas dessas ideias possam não se tornar conscientes.
·       CONSCIENTE
Único nível mental que está disponível para nós. As ideias chegam a consciência por dois caminhos:
o   A partir do sistema consciente perceptivo – o que está voltado para o mundo exterior, estímulos externos, o que percebemos pelos nossos órgãos dos sentidos (Freud, 1933/1964).
o   A partir da estrutura mental, incluindo ideias não ameaçadoras do pré-consciente. Quando as imagens ou ideias são ameaçadoras, chegam distorcidas ou disfarçadas em nosso consciente assumindo comportamentos defensivos ou elementos oníricos (sonhos).

MODELO ESTRUTURAL DE PERSONALIDADE SEGUNDO FREUD:

“...personalidade é um padrão de traços relativamente permanente e características únicas, que dão consistência e individualidade ao comportamento de uma pessoa. (Roberts $Mroczec, 2008 apud Feist at all2015.)”

As contribuições de Freud para a teoria da personalidade são a exploração do inconsciente  e a insistência de que as pessoas são motivadas, primariamente, por impulsos dos quais elas têm pouca ou nenhuma consciência.


Estrutura da Personalidade segundo Freud:

ID – Parte mais primitiva da mente: Inconsciente.
·       Não tem contato com a realidade, embora se esforce para reduzir a atenção, satisfazendo desejos básicos.
·       Abriga impulsos básicos (processo primário)
·       Sua única função é buscar o prazer – Id serve ao princípio do prazer. Depende do EGO para ter contato com o mundo real, e o prazer tornar-se realidade (processo secundário).
EGO –o “eu”. Transita entre o consciente, pré-consciente e o inconsciente.
·       Única região da mente em contato com a realidade.
·       Governado pelo Princípio da realidade, que tenta substituir o princípio do prazer do Id.
·       Ramo executivo da personalidade, aquele que toma as decisões.
·       As decisões podem partir  dos três níveis: consciente, pré-consciente e inconsciente.
SUPEREGO – superego ou acima do eu.
·       Representa os aspectos morais e ideais da personalidade e é guiado por princípios moralistas ou idealistas.
·       Se desenvolve a partir do ego, não possui energia própria.
·       Não tem contato com o mundo externo, sendo irrealista em suas demandas por perfeição.
·       Possui dois subsistemas:
o   Consciência – o que não se deve fazer, comportamentos inadequados
o   Ideal de ego – o que devemos fazer, compensação por comportamento inadequado.
·       Superego bem desenvolvido atua para controlar os impulsos sexuais e agressivos por meio da repressão.
·       Vigia o ego julgando suas ações e intenções.
·       A culpa é o resultado da atuação ou pretensa atuação que contraria os padrões morais do superego.

DINÂMICA DA PERSONALIDADE SEGUNDO FREUD

Para Freud as pessoas são motivadas a buscar o prazer e a reduzir a tensão e a ansiedade. E essa motivação é derivada da energia física e psíquica, que brota de seus instintos básicos.

IMPULSOS
·       Segundo Freud (1933/1964), os impulsos podem ser agrupados em dois títulos:
o   Sexo ou Eros
o   Agressividade, destruição ou Tanatos.
·       Os impulsos se originam no Id, mas ficam sob controle do Ego.
·       Freud chamou de “libido” para o impulso sexual.

SEXO

·       Sua finalidade é o prazer, mas esse prazer não se limita ao ato sexual. Freud acreditava que todo o corpo é investido de libido, especialmente, além dos genitais, a boca e o ânus produzem prazer (zonas erógenas).
·       Para Freud toda atividade prazerosa é rastreável para o impulso sexual.
·       O sexo pode assumir muitas formas, incluindo o narcisismo, amor, sadismo e masoquismo(impulsos agressivos).
o   Amor -O primeiro interesse sexual da criança é pela pessoa que cuida delas.(mãe, etc.)
o   Sadismos – necessidade de prazer sexual por meio do ato de infligir dor ou humilhação a outra pessoa. Considerado uma Perversão Sexual quando em graus extremos. Quando em graus moderados, é comum e existe em quase todos os relacionamentos sexuais. Precisam de outra pessoa para lhes infligir dor.
o   Masoquismo – é uma necessidade comum, mas se transforma em Perversão Sexual quando Eros se torna subserviente ao impulso destrutivo. Os masoquistas experimentam prazer sexual ao sofrerem dor e humilhação infligida por eles mesmos ou por outros. Não precisam de outra pessoa para se infligir dor.

AGRESSIVIDADE

·       Agressividade - Freud escreveu o livro Além do princípio do prazer, livro que elevou a AGRESSIVIDADE ao nível do impulso sexual.

ANSIEDADE

·       Ansiedade – está relacionada ao sexo e à agressividade. Freud (1933/1964) enfatizou que a ansiedade é um estado afetivo desagradável acompanhado por uma sensação física que alerta a pessoa contra um perigo iminente. Há três tipos de ansiedade para Freud:
o   Ansiedade neurótica – apreensão ante um perigo desconhecido.
o   Ansiedade moral – provém do conflito entre o ego (realidade) e o superego (moralidade e ideais)
o   Ansiedade realista – está relacionada ao medo, como sentimento desagradável não específico que envolve um perigo.
A ansiedade serve como mecanismo de preservação do ego porque sinaliza que algum perigo está rondando (Freud, 1933/1964).
  
PRINCIPAIS MECANISMOS DE DEFESA SEGUNDO SIGMUND FREUD

Todos os mecanismos de defesa protegem o Ego da Ansiedade, são universais já que todos os indivíduos se engajam em comportamento defensivo. Cada um se engaja na repressão e cada um pode ser desenvolvido até o ponto da psicopatologia. Em geral todos são benéficos para o indivíduo e inofensivos para a sociedade, exceto a sublimação que tende a beneficiar tanto o indivíduo quanto a sociedade.

·       REPRESSÃO
Mecanismos de defesa mais básico, porque está envolvido com cada um dos outros mecanismos. Sempre que o EGO é ameaçado pelos impulsos indesejáveis do Id, ele se protege reprimindo esses impulsos.
·       FORMAÇÃO REATIVA
Comportamento reativo pode ser identificado por seu caráter exagerado e sua forma obsessiva e compulsiva (Freud,1926/1959ª). Ocorre quando o impulso é reprimido por se tornar consciente e a pessoa adota um disfarce que contraria se jeito de ser.
Exemplo: uma pessoa odeia a mãe, sabe que a sociedade repugna esse comportamento, e ela excessivamente, demonstra que ama a mãe, contrariando o que realmente sente.
·       DESLOCAMENTO
Quando a pessoa redireciona seus impulsos inaceitáveis para vários indivíduos ou objetos, disfarçando o impulso original ou ocultando-o.
Exemplo: uma pessoa se irrita com o marido, e redireciona sua raiva para os filhos.
·       FIXAÇÃO
O crescimento físico e psicológico muitas vezes ocorre com momentos ansiosos e estressantes. Para fugir desse estresse e da ansiedade, o ego pode recorrer à estratégia de se manter no estágio psicológico anterior, por ser mais confortável (mudanças de fases no desenvolvimento humano), o que se constitui uma defesa, chamada fixação.
·       REGRESSÃO
Quando a libido passa por algumas fases do desenvolvimento, ela pode regredir a uma fase anterior, em momentos de estresse e ansiedade.
Exemplo: quando se tem um segundo bebê e o irmão mais velho pede mamadeira, chupeta, quando este já não usava mais.
·       PROJEÇÃO
Diante de um impulso interno de ansiedade excessiva, o ego pode reduzir essa ansiedade, atribuindo o impulso indesejado a um objeto externo. Enxerga nos outros sentimentos ou tendências inaceitáveis que estão em seu próprio inconsciente.
Exemplo: um homem interpreta consistentemente as ações de mulheres mais velhas como tentativa de sedução. Conscientemente, acredita que relações sexuais com mulheres mais velhas é repugnante, porém, em seu inconsciente, encontra forte atração sexual por elas.
A paranoia é um tipo extremo de projeção, transtorno mental caracterizado por fortes delírios de ciúmes e perseguição. Segundo Freud a diferença entre projeção e paranoia é que, esta última, vem sempre acompanhada de sentimentos homossexuais reprimidos em relação ao perseguidor.
·       INTROJEÇÃO
Mecanismos de defesa em que as pessoas incorporam qualidades positivas de outra pessoa em seu próprio ego. As pessoas introjetam características que as fazem se sentir valiosas e melhores consigo mesma.
Exemplo: adolescente que adota valores e estilos de vida de ídolos. Com isso, minimizam seu sentimento de inferioridade e sentem que sua autoestima se expandiu.
·       SUBLIMAÇÃO
Segundo Freud (1917/1963), a sublimação ajuda tanto o indivíduo quanto o grupo social. É a repressão do alvo genital de Eros, que é substituído por um propósito cultural ou social. A maioria das pessoas sublimam uma parte da libido em favor de valores culturais. Esse mecanismo tende a beneficiar tanto o indivíduo como a sociedade.

REFERÊNCIAS: 
FEIST;FEIST; ROBERTS. Teorias da Personalidade. 8ª edição. 2015.

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Primeira Conferência, Londres -1935 - Fundamentos da Psicologia Analítica- Carl G. Jung


Considerações feitas por Jung na Primeira Conferência de Tavistock, Londres, 1935: funções da psique humana - sentimento, pensamento, intuição e sensação.

Jung tinha o propósito de traçar um breve esboço de certos conceitos fundamentais da psicologia. Ele parte da ideia de que o processo em que se daria o trabalho, estava pautado em dois tópicos principais:

1. conceitos relativos à estrutura e conteúdo da vida inconsciente;
2. métodos usados na investigação dos elementos originários de processos psicológicos inconsciente. Este se divide em três partes:
  • método de associação de palavras.
  • método da análise de sonhos.
  • método da imaginação ativa.
Admite a impossibilidade de fazer um apanhado completo de tudo, porém ratifica  que as pesquisas históricas e mitológicas são fatores básicos importantes, para o equilíbrio, controle e distúrbios da condição mental do indivíduo.

Jung reconhece que a Psicologia ainda está começando e que as grandes teorias ainda estão por vir, pois para ele, cada novo caso quase que consiste em uma nova teoria. A psicologia ainda se encontra no berço, e que ainda há muito o que se compreender sobre o porque da psique. Há aí, uma grande preocupação com o grande número de fatos, e não das teorias em si, no que diz respeito as sutilezas de análise onírica, relacionadas aos sonhos e fantasias, e do método comparativa de investigação dos processos do inconsciente.

psicologia como ciência se relaciona inicialmente com a consciência, e a seguir com o inconsciente, já que este não pode ser diretamente explorado por ainda ser desconhecido. Tudo que se conhece sobre o inconsciente foi revelado pelo consciente. Nada se pode dizer sobre aquilo que ainda nada se sabe a respeito, portanto, inconsciente apenas sugere algo que existe, mas ainda desconhecemos a natureza desse inconsciente.

área do inconsciente é imensa e sempre contínua, entretanto, a da consciência é um campo restrito da visão momentânea, um produto da percepção e orientação do mundo externo, que provavelmente se localiza no cérebro, e sua origem é ectodérmica, ou seja, que trata das relações entre consciência e o meio externo.

Jung diverge de Freud no que diz respeito ao inconsciente e o consciente. Para Freud  o inconsciente deriva do consciente. Jung considera exatamente o contrário, que o inconsciente é o elemento natural, e que o consciente é que deriva do inconsciente.

Ao observar os primitivos, pode-se verificar que eles são atingidos apenas por pensamentos emocionais, mostrando que emoções e afetos são sempre acompanhados de enervações psíquicas.
Porém, Jung afirma que as atividades psíquicas nada representa, pois acredita que os SONHOS e as FANTASIAS estão num subnível, sobre o qual ainda desconhece.


CONSCIÊNCIA

Jung afirma não poder haver elemento consciente que não tenho EGO, para atingir a consciência é preciso se relacionar com o EGO. Portanto,a  consciência pe a relação dos fatos psíquicos com o ego.

O EGO é um dado complexo, uma percepção geral do nosso corpo e existência, e pelos registros de memória. É sempre o centro de nossas atenções e de nossos desejos. Todos de alguma maneira sabem que já vivemos em épocas passadas.  Esses dois fatores são os principais componentes do Ego, e é a força de atração do EGO que atai os conteúdos do inconsciente, daquela região obscura sobre a qual nada se conhece. Com isso, tudo o que emerge do inconsciente, torna-se consciente.


A CONSCIÊNCIA é dotada de um certo número de funções, que a orienta no campo dos fatos ectopsíquicos e endopsíquicos. 

  • A ECTOPSIQUE é um sistema de relacionamento dos conteúdos da consciência com os fatos e dados originários do meio-ambiente, um sistema de orientação que concerne à minha manipulação dos fatos exteriores, com os quais entro em contacto através das funções sensoriais. 
          As funções ectopsíquicas são quatro:
  1. SENSAÇÃO - função dos sentidos. A soma total de minhas percepções de fatos externos, percebidas pelos sentidos. A sensação diz que alguma coisa é, não exprime o que é, nem qualquer particularidade da coisa em questão. A sensa~]ao diz que alguma coisa é.
  2. PENSAMENTO - exprime o que uma coisa é. Dá nome a essa coisa e junta-lhe um conceito, pois pensar é perceber e julgar (apercepção). Jung considera o pensamento uma função racional. O pensamento exprime o que ela é. É inerente ao sujeito.
  3. SENTIMENTO - Informa através de percepções que lhe são inerentes acerca do valor das coisas. É ele que diz por exemplo, se uma coisa é boa ou não, etc. assim como o pensamento, Jung considera o sentimento uma função racional. Os valores desempenham aí um papel fundamental. O fato das pessoas racionalizarem e controlarem seus sentimentos, não quer dizer que os sentimentos deixam de existir, elas o controlam, porém, ele está ali perturbando a pessoa. O sentimento exprime o valor dessa coisa. É inerente ao individuo.
  4. TEMPO - Tudo tem passado e futuro; tudo procede de algum lugar. 
A ideia de que alo pode ou não ser bom, como um palpite, Jung chamou de INTUIÇÃO, uma espécie de faculdade mágica, coisa próxima da adivinhação. Sempre que tiver de lidar com condições para as quais nãoi haverá valores preestabelecidos ou conceitos já firmados, esta função será o único guia.

Segundo Jung a INTUIÇÃO é um tipo de percepção que não passa exatamente pelos sentidos; registra-se ao nível do inconsciente, e é onde abandono toda tentativa de explicação dizendo-lhes: 

"Não sei como isso se processa”. Não sei o que se .passa quando um homem se inteira de fatos como ele, em absoluto, não tem meios de conhecer. Não consigo dizer como coisas acontecem, entretanto a realidade aí está, e tais fenômenos são comprovados.Sonhos premonitórios, comunicações telepáticas, são propriedades da intuição... Eventualmente seu afloramento adquire características de revelação." 

Para Jung pensamento e sentimento não podem coexistir, Quando o pensamento é uma função superior, o sentimento é uma função inferior, e vice-versa. Ao pensar, o sujeito exclui o sentimento. Quando o pensamento é altamente diferenciado, o sentimento é altamente indiferenciado, e vice-versa. 





Jung afirma que:
  • pessoas do tipo pensamento - afirmam ter sentimentos fortes, e que são muito emocionais ou temperamentais.
  • pessoas do tipo sentimental - se agir com naturalidade não se aborrece com pensamentos e sentimentos ou raciocínios.  O pensamento surge de maneira compulsório não consegue se livrar dele.
  • pessoas do tipo intelectual, afirma que sente assim, e pronto. Não raciocina sobre seus sentimentos.
  • pessoas do tipo intuitiva , sempre se irrita quando colocado frente a realidade concreta.
Essa definição  em tipos de pessoas, só serve para a psicologia prática. Jung deixa claro que não se pode colocar pessoas em padrões, até porque somos dotados dessa ambiguidade, ora somos de um jeito, ora somos de outro.
  • A ENDOPSIQUE, por outro lado, é o sistema de relação entre os conteúdos da consciência e os processos desenrolados no inconsciente. 

Os pontos relacionados a função ectopsiquica, regem ou auxiliam nossa orientação consciente no relacionamento com o ambiente, mas não se aplicam às coisas situadas, por assim dizer, abaixo do ego, que é apenas um segmento de consciência flutuando num oceano de coisas obscuras, as coisas interiores sobre as quais nada sabemos.

Para Jung a personalidade que irá surgir, dentro de um ano, já existe em nós, porém no lado obscuro e que desconhecemos.

As funções endopsiquicas são quatro:

  1. MEMÓRIA OU REPRODUÇÃO -  nos liga aos fatos enfraquecidos na consciência. ou que se tornaram subliminares ou que foram reprimidos. A memória é a faculdade de reproduzir conteúdos inconscientes e que distingue as relações entre a nossa consciência e os conteúdos que naos e encontram visíveis.
  2. COMPONENTES SUBJETIVOS DAS FUNÇÕES CONSCIENTES -  são águas profundas, onde se começa a entrar na escuridão. Ninguém gosta de entrar num mundo sombrio e admitir seu próprio lado de sombras. O tipo de pessoa que vive entrando em tudo com o pé esquerdo, sempre em complicações, é porque vivem a sua própria sombra, sua negação.
  3. MEMÓRIA - Cheia de componentes subjetivos, é controlável ou voluntária, e ainda se recusa a funcionar. Quando tomada de EMOÇÕES E AFETOS, nos empurra a ação, onde o ego decente se anula, e somos arremessados. Faz aflorar o primitivo no indivíduo. Quando se diz, Ele esta possuído, muitas vezes tornando-o irreconhecíveis e sem autocontrole.
  4. INVASÃO - Quando o lado obscuro, o inconsciente tem domínio completo e irrompe na consciência. Nessa situação, o indivíduo é tomado pelo inconsciente, podendo-se esperar dele qualquer coisa inabitual. Os primitivos, atribuem esse estado ao demônio, pois em certos dias, se perdem, ficando sob influência estranho.



Referências:

FUNDAMENTOS DE PSICOLOGIA ANALÍTICA AS CONFERÊNCIAS DE TAVISTOCK, LONDRES-1935.
 PRIMEIRA CONFERÊNCIA
(JUNG, C.G. Fundamentos de Psicologia Analítica. Petrópolis: Vozes, 2001, volume XVIII/1).
Apresentação feita pelo Dr. H. Crichton-Miller, presidente da mesa
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