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quinta-feira, 16 de julho de 2020

Ártemes e Apolo - Aula 9 - Mitologia Grega e Psicologia Analítica


- Ártemis, do grego Ártemis, personifica a Grane Mãe; sanguinária/ Independência, autonomia, Virgem, deusa da lua e dos partos.
- Meta de acertar o alvo sem se desviar do caminho.

É a irmã gêmea de Apolo, filhos de Zeus e letu, que é uma mortal, amante de Zeus. A esposa de Zeus, Héra, persegue Letu quando está para dar a luz, e impede Lítia a deusa dos partos, de comparecer na hora do parto. com isso, Letu acaba sofrendo dores terr[iveis em vários dias, e somente, após uma estratégia de Zeus e Hermes em que ambos enganaram Hera, Lítia a deusa dos partos consegue chegar a té Letu, e assim, nasce Ártemes e Apolo.

Esse tipo de situação configura experinecias fortes, traumáticas ue pdoem impactar a vida dessas crianças que acabam tendo uma leitura de que o relacionamento deve ser evitado, já que traz dor, angustia e sofrimento. É o que acontece com Ártemes, que procura Zeus seu pai e pede que continue virgem, sem relacionamento amoroso.
 Na terapia observa-se esse tipo de comportamento em crianças e adolescentes que participam por exemplo,d e brigas entre os pais, que se configuram com esse sofrimento, conflitos.

As características de Àrtemes são muito importantes para a conquista da autonomia, o desenvolvimento profissional, sobretudo, em termos decisivos na igualdade da mulher.  Em termos de inspiração é excelente para que a mulher tenha a sua inspiração e a sua autonomia. 

Por outro lado, Ártemes tem esse distanciamento em relação ao envolvimento amoroso, para ela é complicado aproximar-se do outro, o que pode prejudicar quando ocorre a indetificação com esse padrão arquetípico. Como todo mito, todos têm um lado favorável e outro desfavorável.

Um dia, Apolo descobriu que sua irmã Ártemes estava um pouco diferente do que era habitual. Ártemes começou a se apaixonar por um mortal, chamado órion, um caçador provocando ciumes em seu irmão, pois eram muito próximos. Apolo propôs um desafio... duvidou que ela acertasse um alvo bem longe dela, com seu arco e flexo. Ele instigou a autonomia dela, e acabou acertando Órion,

Esse padrão arquetípico favorece o desenvolvimento intelectual, a autonomia, a independência. porém, quando se trata de desenvolvimento emocional, corre o risco de matar  a parceira, matar a relação, passar por cima, eliminar do caminho caso se torne um alvo. Isso ocorre quando ocorre a identificação, daí a necessidade de criar recursos para lidar de forma equilibrada com esse lado negativo de Ártemis.


  • Apolo do grego Apóllon, personifica o deus do arco e da flecha. 
  • O indu europeu apelo, forte, portador de luz, lógica, razão, consciência.
Apolo assim com Ártemis tem um distanciamento maior em relação a ter contato com o outro, Assim como o sol que fica distante. esse padrão arquetípico está muito identificado com desenvolver o intelecto, estuda muito, marcado pelo distanciamento do relacionamento com o outro, distanciamento afetivo. Um pensador precisa estar mesmo distante de situações emocionais, já que tem mais facilidade para lidar com as coisas da inteligência e da razão. Porém, tem dificuldade de lidar com o emocional, porém, quando esta apaixonado, vai buscar essa relação com muita intensidade. Ele se apaixona por Darfini, uma mortal, que fica apavorada por conta dessa postura de Apolo, então começa a fugir pedindo uma intervenção, que vem em seu favor e ela é transformada num pé de loureiro.

Ao se relacionar com alguém que é muito pensamentos e a parte sentimental precária, acaba se transformando em um objeto que fica parado, estático. Tendo aí uma regressão em termos de desenvolvimento do indivíduo, vai renunciando de seu ponto de vista. Possui grande dificuldade de lidar com os sentimentos, questões mais subjetivas.

 Apolo traz dificuldade de manter relacionamentos, pois acaba tendo uma prepotência e arrogância despertando, e ao execê-las acabou provocando Eros o deu do amor, coisa que Apolo traz como dificuldade, sobre as questões afetivas e do relacionamento com o outro.

Apolo desafiou Eros: Disse que se garantia como arco e flecha, sendo melhor que Eros. Despreza o amor representado por Eros. Eros então disparou a flecha do amor e atingiu o coração de Apolo. E a ninfa Dáfini recebeu a flecha da rejeição. Com isso, Apolo foi com todo o seu amor e Dafini o rejeitou suplicando a seu pai Tenteu que a transformou num pé de loureiro.

Traz a ideia de ser mais pensamento, razão, objetividade, rejeitando a função sentimento, o que traz grandes prejuízos em termos de relacionamento. È preciso a fazer a relação entre esses opostos para que se mantenham em equilíbrio.

REFERÊNCIAS
Curso extracurricular de Mitologia e Psicologia Analítica
Instituto Freedom
Aula 9 - Ártemis e Apolo
Prof. Rangel Fabrete

quarta-feira, 15 de julho de 2020

Poseidon e Héstia - Aula 8 - Mitologia Grega e Psicologia Analítica


  • Posídon em grego Poseidon, senhor das águas e de tudo que elas geram.
  • Fertilizador, implacável, instintivo, emotivo.
Expressão da força do mar, das ondas, força da natureza implacável. Não há como parar a força do mar., É a expressão da natureza; Poseidon traz a representação do inconsciente, a matriz da vida psicológica. A consciência nasce do inconsciente, mas tudo está ali. 

Poseidon traz a ideia da força do mar, da força fertilizadora, da fecundidade, trata-se do campo dos afetos,d as emoções, dos complexos. Segundo Jung todos temos os complexos, a grande questão é como você lida com esses complexos ou o que esses complexos fazem com você.

Jung traz o conceito de POSSESSÃO DOS COMPLEXOS: quando você acorda amuado ou cheio de energia e não sabe explicar, acorda com dor de cabeça, desconforto físico,aí a maré vai mudando, vai mudando o clima, e aquilo que você deseja já não é a mesma coisa. Nesses casos, é preciso buscar entender o que o inconsciente está trazendo a tona, para entender o que seria esses movimentos dos mares, porque ficamos tão preocupados com o que acontece na vida da gente.

A consciência muitas vezes nos ilude achando que podemos fazer o que queremos, mas não é bem assim.  Há situações que tem repercussão negativa ou positiva. Poseidon traz a impulsividade emocional, algo eletroquímico muito rápido assim como a onde se forma e vem rapidamente. Assim, podem ser as nossas emoções. Essa questão de tempo espaço é algo muito sutil, estar bem ou estar mal basta uma introdução de algo inesperado, que afeta a nossa disposição, a nossa vontade, tanto para coisas boas como para coisas ruins. Aí é preciso prestar atenção para os mares do inconsciente, no todo, analisando o estado afetivo que será expresso através do corpo.

Poseidon é a força dos mares, implacável instintivo, impulsivos e emotivos. Quando temos essa identificação podemos tomar decisões catastróficas em nossas vidas.

Poseidon era o pai de Teseo, grande herói grego que casou-se com Fedra que tiveram um filho Hypólito, que era seguidor da deusa Ártemes, que traz em seu culto a castidade, a virgindade.  Essa devoção por ela acabou irritando a deusa Afrodite que é a deusa do amor, da paixão. Afrodite então suscitou, provocou a ´paixão em Fedra pelo próprio entiado Hypólito.  Fedra tenta ter um envolvimento com Hypólito e ele nega porque prioriza a castidade, a virgindade. Fedra escreve uma carta dizendo que ele tinha se apaixonado por ela e que ela decidiu se matar para não ter que vivenciar aquela paixão. Ela escreve a carta e se mata, deixando-a para o marido ver. Teseo filho de Poseidon possesso, tomado pela raiva ao ler a carta, não se deu o cuidado de verificar se era verdade aquelo dito na carta. Era apenas um lado da história, não procurou daber a verdade. Pede ao pai Poseidon para fazer justiça, e ele coloca os cavalos para psiotear Hypólito, morrendo, ele foisalvo pela deusa Ártemes.

Priorizar uma coisa e deixar a outra de lado implica em arrumar confusão e problema para a sua vida. È preciso averiguar os lados que compõem a história. nenhuma história é unilateral. Muitas vezes matamos simbolicamente nossos filhos, quando não nos dispomos a conhecer as verdades.

HÉSTIA: DEUSA DA LAREIRA

Héstia do grego Hestía,  significa aconchego, acolhimento; virgem, ávida de pureza, ela assegura a  vida nutriente sem ser ela própria fecundante.
Protetora do lar dos homens e círculo familiar, reflexão, espiritualidade.

Traz a referência de alguém de grande espiritualidade. Tem uma representação oposta de Poseidon, pois consegue ter um distanciamento maior, controlando os impulsos da afetividade, emoções, complexos, conseguindo lidar com os aspectos inconscientes de maneira que a consciência, consegue observar, lidar sem julgar, não reagir de forma identificada.

Traz o aspecto do eixo EGO sendo vivenciado em sua plenitude, que ocorre quando o ego presta atenção sobre o inconsciente, sobre o si-mesmo.

Analisar inspirado com o jeito que a Héstia propõe, enquanto reflexão, consegue-se se afastar um pouco dos problemas que o ego em Poseidon te traz, que são angustias, ansiedade, quando na identificação com esse padrão.

Hestia tem uma postura de humildade, de integridade no sentido de totalidade, e isso possibilita um afastamento consciente das emoções.

Apolo se apaixona por Héstia e tenta possuí-la com muita força, muita intensidade, das paixões, que Héstia não carrega consigo essa energia, então, ela tenta se afastar, não desejando manter esse tipo de relação. Não tem postura empática, mas sim,a  realização de um desejo.

Dionísio, deus do êxtase, do entusiasmo, também vai pra cima de Hèstia, e da mesma forma, Héstia se afasta e aforma não querer esse tipo de relação.

Héstia carrega uma força consciente extraordinária para perceber que não vai se envolver com esse tipo de relacionamento.  Porém, Héstia não deve ser vista como modelo de identificação, mas apenas de inspiração, pois enquanto identificação Héstia acabaria se afastando do convívio com o outro,  o que pode ser bom para ela, mas não necessariamente para o outro, que muitas vezes, importa mais a convivência, a experiência. com o outro, inspirados e não identificados.

REFERÊNCIAS
Curso extracurricular de Mitologia e Psicologia Analítica
Instituto Freedom
Aula 8 - Posídon e Héstia
Prof. Rangel Fabrete

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Primeira Conferência, Londres -1935 - Fundamentos da Psicologia Analítica- Carl G. Jung


Considerações feitas por Jung na Primeira Conferência de Tavistock, Londres, 1935: funções da psique humana - sentimento, pensamento, intuição e sensação.

Jung tinha o propósito de traçar um breve esboço de certos conceitos fundamentais da psicologia. Ele parte da ideia de que o processo em que se daria o trabalho, estava pautado em dois tópicos principais:

1. conceitos relativos à estrutura e conteúdo da vida inconsciente;
2. métodos usados na investigação dos elementos originários de processos psicológicos inconsciente. Este se divide em três partes:
  • método de associação de palavras.
  • método da análise de sonhos.
  • método da imaginação ativa.
Admite a impossibilidade de fazer um apanhado completo de tudo, porém ratifica  que as pesquisas históricas e mitológicas são fatores básicos importantes, para o equilíbrio, controle e distúrbios da condição mental do indivíduo.

Jung reconhece que a Psicologia ainda está começando e que as grandes teorias ainda estão por vir, pois para ele, cada novo caso quase que consiste em uma nova teoria. A psicologia ainda se encontra no berço, e que ainda há muito o que se compreender sobre o porque da psique. Há aí, uma grande preocupação com o grande número de fatos, e não das teorias em si, no que diz respeito as sutilezas de análise onírica, relacionadas aos sonhos e fantasias, e do método comparativa de investigação dos processos do inconsciente.

psicologia como ciência se relaciona inicialmente com a consciência, e a seguir com o inconsciente, já que este não pode ser diretamente explorado por ainda ser desconhecido. Tudo que se conhece sobre o inconsciente foi revelado pelo consciente. Nada se pode dizer sobre aquilo que ainda nada se sabe a respeito, portanto, inconsciente apenas sugere algo que existe, mas ainda desconhecemos a natureza desse inconsciente.

área do inconsciente é imensa e sempre contínua, entretanto, a da consciência é um campo restrito da visão momentânea, um produto da percepção e orientação do mundo externo, que provavelmente se localiza no cérebro, e sua origem é ectodérmica, ou seja, que trata das relações entre consciência e o meio externo.

Jung diverge de Freud no que diz respeito ao inconsciente e o consciente. Para Freud  o inconsciente deriva do consciente. Jung considera exatamente o contrário, que o inconsciente é o elemento natural, e que o consciente é que deriva do inconsciente.

Ao observar os primitivos, pode-se verificar que eles são atingidos apenas por pensamentos emocionais, mostrando que emoções e afetos são sempre acompanhados de enervações psíquicas.
Porém, Jung afirma que as atividades psíquicas nada representa, pois acredita que os SONHOS e as FANTASIAS estão num subnível, sobre o qual ainda desconhece.


CONSCIÊNCIA

Jung afirma não poder haver elemento consciente que não tenho EGO, para atingir a consciência é preciso se relacionar com o EGO. Portanto,a  consciência pe a relação dos fatos psíquicos com o ego.

O EGO é um dado complexo, uma percepção geral do nosso corpo e existência, e pelos registros de memória. É sempre o centro de nossas atenções e de nossos desejos. Todos de alguma maneira sabem que já vivemos em épocas passadas.  Esses dois fatores são os principais componentes do Ego, e é a força de atração do EGO que atai os conteúdos do inconsciente, daquela região obscura sobre a qual nada se conhece. Com isso, tudo o que emerge do inconsciente, torna-se consciente.


A CONSCIÊNCIA é dotada de um certo número de funções, que a orienta no campo dos fatos ectopsíquicos e endopsíquicos. 

  • A ECTOPSIQUE é um sistema de relacionamento dos conteúdos da consciência com os fatos e dados originários do meio-ambiente, um sistema de orientação que concerne à minha manipulação dos fatos exteriores, com os quais entro em contacto através das funções sensoriais. 
          As funções ectopsíquicas são quatro:
  1. SENSAÇÃO - função dos sentidos. A soma total de minhas percepções de fatos externos, percebidas pelos sentidos. A sensação diz que alguma coisa é, não exprime o que é, nem qualquer particularidade da coisa em questão. A sensa~]ao diz que alguma coisa é.
  2. PENSAMENTO - exprime o que uma coisa é. Dá nome a essa coisa e junta-lhe um conceito, pois pensar é perceber e julgar (apercepção). Jung considera o pensamento uma função racional. O pensamento exprime o que ela é. É inerente ao sujeito.
  3. SENTIMENTO - Informa através de percepções que lhe são inerentes acerca do valor das coisas. É ele que diz por exemplo, se uma coisa é boa ou não, etc. assim como o pensamento, Jung considera o sentimento uma função racional. Os valores desempenham aí um papel fundamental. O fato das pessoas racionalizarem e controlarem seus sentimentos, não quer dizer que os sentimentos deixam de existir, elas o controlam, porém, ele está ali perturbando a pessoa. O sentimento exprime o valor dessa coisa. É inerente ao individuo.
  4. TEMPO - Tudo tem passado e futuro; tudo procede de algum lugar. 
A ideia de que alo pode ou não ser bom, como um palpite, Jung chamou de INTUIÇÃO, uma espécie de faculdade mágica, coisa próxima da adivinhação. Sempre que tiver de lidar com condições para as quais nãoi haverá valores preestabelecidos ou conceitos já firmados, esta função será o único guia.

Segundo Jung a INTUIÇÃO é um tipo de percepção que não passa exatamente pelos sentidos; registra-se ao nível do inconsciente, e é onde abandono toda tentativa de explicação dizendo-lhes: 

"Não sei como isso se processa”. Não sei o que se .passa quando um homem se inteira de fatos como ele, em absoluto, não tem meios de conhecer. Não consigo dizer como coisas acontecem, entretanto a realidade aí está, e tais fenômenos são comprovados.Sonhos premonitórios, comunicações telepáticas, são propriedades da intuição... Eventualmente seu afloramento adquire características de revelação." 

Para Jung pensamento e sentimento não podem coexistir, Quando o pensamento é uma função superior, o sentimento é uma função inferior, e vice-versa. Ao pensar, o sujeito exclui o sentimento. Quando o pensamento é altamente diferenciado, o sentimento é altamente indiferenciado, e vice-versa. 





Jung afirma que:
  • pessoas do tipo pensamento - afirmam ter sentimentos fortes, e que são muito emocionais ou temperamentais.
  • pessoas do tipo sentimental - se agir com naturalidade não se aborrece com pensamentos e sentimentos ou raciocínios.  O pensamento surge de maneira compulsório não consegue se livrar dele.
  • pessoas do tipo intelectual, afirma que sente assim, e pronto. Não raciocina sobre seus sentimentos.
  • pessoas do tipo intuitiva , sempre se irrita quando colocado frente a realidade concreta.
Essa definição  em tipos de pessoas, só serve para a psicologia prática. Jung deixa claro que não se pode colocar pessoas em padrões, até porque somos dotados dessa ambiguidade, ora somos de um jeito, ora somos de outro.
  • A ENDOPSIQUE, por outro lado, é o sistema de relação entre os conteúdos da consciência e os processos desenrolados no inconsciente. 

Os pontos relacionados a função ectopsiquica, regem ou auxiliam nossa orientação consciente no relacionamento com o ambiente, mas não se aplicam às coisas situadas, por assim dizer, abaixo do ego, que é apenas um segmento de consciência flutuando num oceano de coisas obscuras, as coisas interiores sobre as quais nada sabemos.

Para Jung a personalidade que irá surgir, dentro de um ano, já existe em nós, porém no lado obscuro e que desconhecemos.

As funções endopsiquicas são quatro:

  1. MEMÓRIA OU REPRODUÇÃO -  nos liga aos fatos enfraquecidos na consciência. ou que se tornaram subliminares ou que foram reprimidos. A memória é a faculdade de reproduzir conteúdos inconscientes e que distingue as relações entre a nossa consciência e os conteúdos que naos e encontram visíveis.
  2. COMPONENTES SUBJETIVOS DAS FUNÇÕES CONSCIENTES -  são águas profundas, onde se começa a entrar na escuridão. Ninguém gosta de entrar num mundo sombrio e admitir seu próprio lado de sombras. O tipo de pessoa que vive entrando em tudo com o pé esquerdo, sempre em complicações, é porque vivem a sua própria sombra, sua negação.
  3. MEMÓRIA - Cheia de componentes subjetivos, é controlável ou voluntária, e ainda se recusa a funcionar. Quando tomada de EMOÇÕES E AFETOS, nos empurra a ação, onde o ego decente se anula, e somos arremessados. Faz aflorar o primitivo no indivíduo. Quando se diz, Ele esta possuído, muitas vezes tornando-o irreconhecíveis e sem autocontrole.
  4. INVASÃO - Quando o lado obscuro, o inconsciente tem domínio completo e irrompe na consciência. Nessa situação, o indivíduo é tomado pelo inconsciente, podendo-se esperar dele qualquer coisa inabitual. Os primitivos, atribuem esse estado ao demônio, pois em certos dias, se perdem, ficando sob influência estranho.



Referências:

FUNDAMENTOS DE PSICOLOGIA ANALÍTICA AS CONFERÊNCIAS DE TAVISTOCK, LONDRES-1935.
 PRIMEIRA CONFERÊNCIA
(JUNG, C.G. Fundamentos de Psicologia Analítica. Petrópolis: Vozes, 2001, volume XVIII/1).
Apresentação feita pelo Dr. H. Crichton-Miller, presidente da mesa
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sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Teoria Psicogenética de Henri Wallon na perspectiva do envelhecimento.


HENRI WALLON ( 1879-1962) – Francês (Médico, Filósofo e Psicólogo).

Embora se saiba que Wallon se dedicou ao estudo da criança por acreditar que esse era o caminho para se compreender a origem dos processos psicológicos humanos, a seguir uma análise de sua teoria na perspectiva do envelhecimento humano


AFETIVIDADE E INTELIGÊNCIA – TEORIA PSICOGENÉTICA

Estudou o desenvolvimento infantil a partir das dimensões cognitivas, afetivas e motora. Estudou o desenvolvimento de forma integral, recusando-se a estudar as partes isoladamente. Nessa perspectiva, sabe-se que o desenvolvimento humano na velhice é impactado de forma significativa nessas dimensões estudadas por Wallon (cognição, afetividade e motricidade).

A Psicologia genética está mais interessada em compreender quais as origens dos processos psíquicos.
Entendia que os processos psicológicos têm origem orgânica biológica, mas que só podem ser entendidos quando consideramos as maneiras pelas quais as influencias socioambientais interagem com esses processos. Portanto, considera tanto as condições orgânicas quanto as exigências sociais que influenciam o desenvolvimento psíquico.  O idoso chega na sua última fase, conforme essas influências socioambientais agiram em sua vida, durante todo o processo de desenvolvimento do sujeito, e são essas influências junto a sua história de vida que irão determinar de este terá uma vida de qualidade na terceira idade ou não, e ainda, como este se comportará no enfrentamento da última fase de sua vida.

Wallon entende que a estrutura biológica é a primeira condição para a atividade psíquica. Não pode haver atividade psíquica sem uma estrutura biológica. A mente opera com os estímulos que são recebidos do meio externo e do mundo são as grandes mantenedoras da existência e do desenvolvimento humano. Desenvolvemo-nos, na interdependência entre fatores biológicos e sociais. Desta forma, pode-se perceber que as condições biológicas do indivíduo irão influenciar no padrão de vida que idoso terá, pois as perdas e incapacidades da velhice, podem impor limitações da atividade psíquica do indivíduo.

O desenvolvimento do pensamento infantil não ocorre de forma contínua, marcado por crises e conflitos, resultado do amadurecimento dos sistema nervoso que traz novas possibilidades orgânicas para o exercício  do pensamento e alterações do meio social que traz novas situações e estímulos diferenciados. É do conflito dessas duas condições que emergem o pensamento e a inteligência. Logo conflitos e contradições não são problemas, mas fazem parte do desenvolvimento psíquico normal da criança. As crises muitas vezes são dinamizadoras do processo desenvolvimental, e portanto, benéficas. Sendo assim, o idoso que passou pelas fases anteriores do seu desenvolvimento, enfrentando positivamente os problemas, e aprendendo com eles, chega na velhice com pensamentos e inteligência bem estruturados para lidar com a última fase de sua vida.

Para ele o desenvolvimento não se dá de forma linear, por isso ele rompe com visões lineares e positivas ao construir um modelo de investigação e interpretação próprio. Pois, percebe que o desenvolvimento humano é marcado por avanços, recuos e contradições; não há uma sucessão de estágios, mas sim, desenvolvimentos que ocorrem de forma simultânea. Essa afirmativa de Wallon demonstra que ainda na velhice, é possível haver desenvolvimento na vida do idoso, tantos nos aspectos cognitivos quando bem estimulados, quanto nos aspectos psicológicos, mesmo havendo declínio das condições biológicas ou físicas.

Afetividade, motricidade e inteligência.

A inteligência se desenvolve após a afetividade, contrariando outras teorias. A inteligência surge de dentro da afetividade e estabelece com ela certa relação de conflito, talvez seja por isso que nos interessamos em aprender as coisas que mais gostamos do que as que não gosta. Ao nascer somos frágeis seres orgânicos e dependemos de outros para cuidar de nós, desenvolvendo uma absoluta dependência até os dois primeiros anos, e por isso, nos tornamos seres afetivos, a emotividade do bebe expressa no choro e no grito garante que o adulto se mobilizara para atender suas necessidades. Logo a expressão emocional assim é uma linguagem e sua função é social usada para comunicar necessidades. Não se deve confundir afetividade com amor e carinho. Afetividade estamos falando das coisas que nos afetam (ao olhar do outro, objeto, elementos internos como fome e lembranças) trata-se de eventos internos ou externos.

O choro afeta o adulto que cuida dela. O choro é culturalmente interpretado pelo adulto e é a partir daí age para atender a crianças. É no contexto dessa interação emocional e social que se dá o desenvolvimento cognitivo da criança. Wallon destaca a importância das atividades, motoras nesse processo, pois o bebe também expressa suas emotividades por gestos, expressões faciais. O ato motor é uma atividade expressiva que comunica os atos emocionais do bebe e ao mesmo tempo gera estados emocionais nos adultos.

Na medida em que a função simbólica se desenvolve, ou seja, que a criança se torna capaz de pensar sobre coisas que não estão presentes, como ver o desenho e associar a algo real, essa capacitação cognitiva permite a internalização de atos motores  quer dizer, os atos motores vão diminuindo porque as crianças desenvolvem outros recursos para se comunicar, como as palavras; além disso adquire maior controle e refino sobre o ato motor.

Ele não coloca a inteligência como o principal componente do desenvolvimento, mas defende que a vida psíquica é formada por três dimensões: motora, afetiva e cognitiva, e que essas dimensões coexistem e atuam de forma integrada.  Essas três dimensões afetam diretamente a vida do sujeito no processo de envelhecimento, quando as limitações motoras começam a surgir, afetando emocionalmente e cognitivamente a vida do idoso.
Defende que o processo de evolução depende tanto da capacidade biológica do sujeito, quanto do ambiente que o afeta de alguma forma. É o meio que vai permitir que essas potencialidades se desenvolvam. Dessa forma, pode-se pensar que havendo cuidados biológicos satisfatórios com a saúde física, e vivendo num ambiente que estimule e incentive o idoso a atividades cognitivas, certamente poderão se manter ativos e atuantes na velhice.

Principais características dos 6 estágios de desenvolvimento infantil de Wallon:
Em cada um dos estágios a criança interage com seu ambiente de formas específicas enquanto busca construir sua própria identidade.

Cada estágio representa um tipo de preparação para o estágio seguinte mas revela a descontinuidade.  O desenvolvimento alterna fases de introspecção, voltar-se para si mesmo, e outras, de extroversão, nas quais o individuo se volta para o meio externo, em busca de autonomia.

As idades e o tempo de duração de cada estágio variam de criança para crianças, por conta das características individuais e suas relações.

ESTÁGIO IMPULSIVO-EMOCIONAL (0 A 1 ANO)

  •  Realiza movimentos reflexos involuntários e impulsivos.
  •  Aos poucos vai respondendo afetivamente aos adultos que são seus intermediários entre ele e a realidade externa, nessa relação passa a usar gestos para se comunicar.
  • Aos 3 meses consegue sorrir para as pessoas, fortalecendo só vínculos coma s pessoas, e é através da afetividade que se estabelece os mais fortes vínculos com as pessoas.
  •  A função inicial da emotividade é mobilizar a mãe que irá atender as suas necessidades. É pela emoção expressiva, choro, grito, etc., que o bebe comunica as suas necessidades.
  • Até aproximadamente 1 ano o bebê está concluindo o processo de socialização com as pessoas que o cercam, fase em que ainda é totalmente dependente.
  • Se interessam por objetos a medida em que estes são apresentados pelos adultos. Com o avançar do desenvolvimento a criança vai aprendendo a agir diretamente com seu meio, em um processo crescente de individuação; torna-se mais autônoma.

ESTÁGIO SENSÓRIO-MOTOR E PROJETIVO ( 1 A 3 ANOS)
  • A EXPLORAÇÃO DO ambiente físico se se acentua na medida em que a criança aprende a segurar coisas e a se deslocar.
  • O desenvolvimento das capacidades cognitivas das crianças está em pleno desenvolvimento, explorando o mundo através dos sentidos e habilidades motoras. Tudo deve ser tocado e sentido.
  • Pouco a pouco o ato motor vai diminuindo e cedendo lugar ao ato mental, ao pensamento, como o desenvolvimento da fala o pensamento também ganha impulso.
  •  A aquisição da linguagem permite que o pensamento se manifeste através da fala, o que rompe com a manifestação motora do pensamento, e isso representa um salto qualitativo no desenvolvimento infantil.
  •  É necessário que a vivência sensória motora do mundo seja inibida pela criança para que a sua vida mental floresça.
ESTÁGIO DO PERSONALISMO (3 A 6 ANOS)
·       Há um conflito entre seu desejo pela autonomia e o fortalecimento do vínculo com a família.
·       Como o processo de formação da personalidade é a tarefa psíquica mais importante desse estágio, a criança nega os adultos, muitas vezes se opondo a eles. Seu pensamento volta-se quase que exclusivamente para si. Ela precisa adquirir consciência de si mesma em suas relações com o mundo.
·       Inicio da vida escolar, o vínculo familiar se flexibiliza e a criança se direciona para a autonomia uma vez que a vida escolar  exige que tome decisões sozinhas, realize escolhas, concorde ou descorde, enfim, se vendo em situações conflituosas.
·       Ao mesmo tempo em que caminha para autonomia, se desenvolve a imitação dos adultos que convive, modo de ser e pensar porque admiram.
·       Afetividade se manifesta de modo mais simbólico, por palavras e ideias

ESTÁGIO CATEGORIAL ( 7 A 12 ANOS)
·       A criança utiliza cada vez mais a inteligência para explorar e conhecer os objetos no meio físico e social, que podem ser transformadas e remanejadas dando margem a criatividade.
·       \a inteligência e o interesse pelo mundo externo predominam.  A criança avança para o pensamento abstrato, ganha maior controle de habilidade como a memória voluntaria (capacidade de memorizar coisas voluntariamente), obtém maior controle da atenção.

ESTÁGIO DA ADOLESCÊNCIA ( A PARTIR DOS 12 ANOS)
·       As modificações corporais que resultam da ação dos hormônios sexual, levam ao adolescente a buscar uma nova personalidade.
·       Há uma ruptura do equilíbrio afetivo, deseja compreender suas inquietações, seus desejos, sua sexualidade e sua real identidade., sendo importante que o adulto ao perceber essas necessidades ofereçam diálogo e apoio aos adolescentes.
·       O adolescente deseja diferenciar-se do adulto. Apresenta contornos mais racionais, criando teorias sobre seus relacionamentos com as pessoas.
·       Os conflitos internos e externos fazem com que o adolescente se volte para si mesmo, a fim de buscar sua autoafirmação, como forma de lidar com as transformações corporais e psíquicas impulsionadas pela maturação sexual.
·       O desenvolvimento permanece por toda a vida e não se encerra na adolescência. A afetividade e a cognição sempre estarão em movimento, em interação entre as inúmeras atividades que desenvolvemos ao longo da vida.

domingo, 22 de setembro de 2019

Escola Intergeracional de Bowen (1990,1991)



Murray Bowen (1913-1990) foi um psiquiatra americano e professor de psiquiatria na Universidade de Georgetown. Bowen estava entre os pioneiros da terapia familiar e um notável fundador da terapia sistêmica. A partir da década de 1950, ele desenvolveu uma teoria de sistemas da família.

Murray Bowen (1990,1991) criou a Teoria Boweniana, que fundamenta a Terapia Sistêmica.

TEORIA BOWENIANA
  • Seu objeto de estudo é a FAMÍLIA NUCLEAR, 
  • Recorre à FAMÍLIA DE ORIGEM como ferramenta para ajudar a reduzir a tensão familiar, ou seja, recorre ao HISTÓRICO GERACIONAL dessa família nuclear.
  • Primeiro, sempre olha o NÚCLEO FAMILIAR, depois recorre à FAMÍLIA DE ORIGEM.
  • Objetivo da Teoria: Identificar a DIFERENCIAÇÃO do indivíduo em relação à família, e é essa CAPACIDADE DE DIFERENCIAÇÃO que vai implicar na saúde mental do individuo.
ENTENDENDO  INDIFERENCIAÇÃO /DIFERENCIAÇÃO  

Massa Indiferenciada do Ego
  • Conceito central da Teoria de Bowen
  • Significa fusão ou aglutinação, quando o sentimento de pertença requer do indivíduo máxima renúncia de sua autonomia.
  • A criança ao nascer está totalmente indiferenciada (dependente) da família, e esta passará a vida construindo tentando se diferenciar (ganhar autonomia) desta, e é essa autonomia que vai fazê-la alcançar seu grau de diferenciação em relação à sua família de origem.
  • DIFERENCIAÇÃO - MAIS AUTONOMIA - INDIVIDUALIDADE
  • INDIFERENCIAÇÃO - MAIS DEPENDÊNCIA - PROXIMIDADE
No CONTEXTO FAMILIAR encontra-se três sentimentos: 
  • de pertença
  • de diferenciação
  • de individuação
Quanto mais acolhido o indivíduo no contexto familiar, maior a liberdade para buscar sua individualidade, subjetividade, singularidade, que implica na busca de sua INDEPENDÊNCIA EMOCIONAL: capacidade de PENSAR, AGIR e SENTIR por si só.

Há  dois TIPOS DE DIFERENCIAÇÃO:

DIFERENCIAÇÃO INTRAPSÍQUICA
  • Capacidade de separa PENSAMENTO de SENTIMENTO.
  • Pessoas pouco diferenciadasdificilmente fazem essa diferença, pois não conseguem pensar com objetividade.
  • Pessoas muito diferenciadasfacilmente distinguem pensamento de sentimento, pois conseguem pensar objetivamente.
DIFERENCIAÇÃO INTERPESSOAL
  • Diz respeito às pessoas com as quais nos relacionamos.
  • Pessoas madurastendem a aumentar o nível de diferenciação interpessoal.
  • Pessoas imaturas, tendem a diminuir o nível de diferenciação interpessoal.

PESSOAS REBELDES/ REATIVIDADE

Bowen chama de REAÇÃO as respostas dadas de forma IMPULSIVA. O ideal é que se consiga RESPONDER SEM REAGIR, conseguindo conter a própria REATIVIDADE diante do outro.
  • Pessoas rebeldes são altamente reativas e o self é pobremente desenvolvido. Tem seus valores e crenças formados em oposição aos pais, e acabam desenvolvendo um PSEUDO-SELF.
PADRÕES REATIVOS, segundo Bowen:
  1. CONDESCENDENTE- evitar sempre conflitos, procura acertar tudo, pseudo Self. No 2º quadrante. 
  2. REBELDE - Sempre do contra, opositor, sempre contraria uma figura de referência. Padrão reativo, rebelde. Não sabe o que quer, mas só sabe que quer contrariar. No 2º quadrante.
  3. ATACANTE - diante de situação de ansiedade, acaba atacando. Alto padrão reativo. Baixa autoestima. Diminui o outro para se sustentar ou ignora o outro me achando melhor que ele. No 1º quadrante.
  4. DESERTOR - Quando acha que não vai dar conta de um briga acaba fugindo, muda de assunto, deserta porque acha que não dá conta. 2º quadrante.
PSEUDO-SELF ocorre quando a pessoa vive em função desagradar para atender às expectativas dos outros, e pode se formar pelo pensamento grupal, influenciável. Ou quando constroem seus valores e crenças em oposição aos pais, não importando se fazem sentido para o indivíduo.

EU-SÓLIDO é contrário ao PSEUDO-SELF, onde as crenças e valores são consistentes. O indivíduo resiste a pensamentos grupais e não tenta influenciar nem mudar ninguém.


O GRAU DE INDEPENDÊNCIA EMOCIONAL 

Varia entre duas pessoas, e envolve o HISTÓRICO GERACIONAL, daí a necessidade de analisar os seguintes aspectos:
  1. O grau que os pais alcançaram em relação às suas famílias de origem.
  2. A relação dos pais com os filhos.
Quando emaranhado  nessas relações, a autonomia e a individuação varia de pessoa e fica preso ao campo emocional familiar.

PROCESSO DE PROJEÇÃO FAMILIAR  
  • Caracteriza-se pela transmissão da IMATURIDADE ou BAIXO GRAU DE DIFERENCIAÇÃO dos pais para com os filhos.
  • filho que é objeto de projeção dos pais, fica mais unido a eles, positiva ou negativamente,  apresentando menor grau de diferenciação do self.
  • TRANSMISSÃO MULTIGERACIONAL identifica o problema da pessoa como produto do relacionamento dos pais dela. Daí a necessidade de se analisar o histórico geracional do indivíduo.
Independência emocional bem diferenciada, a emotividade e a subjetividade não são influências fortes entre os pais, e entre eles e os filhos.
  • Baixa emotividade e pressãopermite ao filho, crescer PENSANDO, SENTINDO e AGINDO por SI MESMO.
  • Alta emotividade e pressãonão permite ao filho, crescer PENSANDO, SENTINDO e AGINDO por SI MESMO.
CORTE OU ROMPIMENTO EMOCIONAL 
  • Os membros familiares são "obrigados" a seguir os passos da família de origem, como uma exigência intransponível. 
  • Aquele que sai dessa regra, ou aquele que permanece na casa dos pais, estão da mesma forma ligados emocionalmente a eles.
CERCA DE BORRACHA DE BOWEN
  • Serve para manter os membros da família juntos. Na medida em que o indivíduo vai se diferenciando, não há rompimento com a família, porque o sentimento de pertença àquela família de origem se fortalece, junto com a conquista da autonomia.
ESCALAS DE DIFERENCIAÇÃO DO SELF
  • Instrumento para avaliar o GRAU VARIADO DE INDEPENDÊNCIA EMOCIONAL  do indivíduo, em relação à sua família.
  • A independência emocional do indivíduo dependerá de quanto seus pais são independentes emocionalmente em relação à suas famílias.
O PROCESSO DE DIFERENCIAÇÃO DO SELF mede o nível de diferenciação funcional ou relacional que é influenciável pela ANSIEDADE. Essa ansiedade é apenas usentimento do sistema, e não uma patologia do indivíduo, como se entende a ansiedade. 
  • ANSIEDADE BAIXA - pessoas menos reativas; pessoas mais responsivasmaior diferenciação do self.
  • ANSIEDADE ALTA -  pessoas mais reativas; pessoas menos responsivasmenor diferenciação dos self.
O  nível de DIFERENCIAÇÃO INTRAPSÍQUICA de Bowen, se reporta à sua ESCALA, que vai desde o mais baixo grau de diferenciação até o mais alto grau de diferenciação, considerado por ele impossível de se atingir. Essa escala mostra o quanto se distancia e se aproxima o indivíduo, da diferenciação. 

QUADRANTES DA ESCALA DE BOWEN

1º QUADRANTE ( Nível de diferenciação de 0 à 25)
  • pessoas sentimentais, extremamente reativas, dificuldade de manter relações duradouras, faz pouco uso da razão, submissas, comportamentos controversos. 
  • Pouco maduras emocionalmente, alta ansiedade, indiferenciadas de seu sistema familiar. Alta emotividade, não pensa, age ou sente por si só; dependentes emocionalmente. Pseudo-self. Indiferenciação do self (proximidade)
2º QUADRANTE (Nível de diferenciação entre 25-50)
  • Self pobremente definido, com alguma mas não expressiva, capacidade para diferenciar-se. Personalidades mutáveis, carentes de opiniões e convicções próprias. Falso eu. Sofre influências externas. Pessoas adaptáveis, sentem necessidade de aceitação, sempre havendo uma necessidade de referência.
  • Imaturas emocionalmente, alta ansiedade ainda e reativa, indiferenciadas de seu sistema familiar, principalmente em relação a uma figura que ele segue como exemplo, embora já apresente alguma capacidade de diferenciação. Alta emotividade, dependência emocional. Pseudo-self. Indiferenciação do self (proximidade).
3º QUADRANTE  (Nível de diferenciação entre 50-75)
  • Possui opinião bem definida. Desenvolvem sintomas físicos, emocionais e sociais severos, porém, momentâneos, já que se recuperam rápido (Resilientes). Enfrenta os problemas com mais calma, pouca ansiedade, equilíbrio, evitando crises. Possui a falsa impressão que sabem distinguir, ordenar as emoções quando pressionados.
  • Quando a pessoa chega nesse quadrante, ela tem alta terapêutica.
  • Maduras emocionalmente, baixa ansiedade, responsiva, diferenciadas de seus sistema familiar,individualidade. Eu-sólido. Independência emocional.
4º QUADRANTE (Nível de diferenciação entre 75-95)
  • Pessoas bem diferenciadas. Segue seus princípios, seguras, capaz de ouvir os outros, avaliar seus pontos de vista, modificar suas crenças. São surpreendidos por respostas emocionais frente às pressões.
  • Bowen acha impossível chegar nesse quadrante. Que nem Jesus teria chegado. Esse quadrante existe como inspiração para se chegar a ele.
O trabalho terapêutico de família, trabalha o indivíduo para alcançar maior capacidade de pensar, sentir e agir por si só, autonomamente, deixando de estar suscetível ao desequilíbrio, frente às situações tensas.
  • Quanto maior a consciência de si, maior autonomia, maior diferenciação.
  • Quanto menor a consciência de si, menor autonomia, menos diferenciação.
Fontes: Autoridade e autonomia em tempos líquidos: A teoria sistêmica na contemporaneidade.Nina Guimarães, 2014. Editora Rachel Kopit. Google Imagens