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quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Primeira Conferência, Londres -1935 - Fundamentos da Psicologia Analítica- Carl G. Jung


Considerações feitas por Jung na Primeira Conferência de Tavistock, Londres, 1935: funções da psique humana - sentimento, pensamento, intuição e sensação.

Jung tinha o propósito de traçar um breve esboço de certos conceitos fundamentais da psicologia. Ele parte da ideia de que o processo em que se daria o trabalho, estava pautado em dois tópicos principais:

1. conceitos relativos à estrutura e conteúdo da vida inconsciente;
2. métodos usados na investigação dos elementos originários de processos psicológicos inconsciente. Este se divide em três partes:
  • método de associação de palavras.
  • método da análise de sonhos.
  • método da imaginação ativa.
Admite a impossibilidade de fazer um apanhado completo de tudo, porém ratifica  que as pesquisas históricas e mitológicas são fatores básicos importantes, para o equilíbrio, controle e distúrbios da condição mental do indivíduo.

Jung reconhece que a Psicologia ainda está começando e que as grandes teorias ainda estão por vir, pois para ele, cada novo caso quase que consiste em uma nova teoria. A psicologia ainda se encontra no berço, e que ainda há muito o que se compreender sobre o porque da psique. Há aí, uma grande preocupação com o grande número de fatos, e não das teorias em si, no que diz respeito as sutilezas de análise onírica, relacionadas aos sonhos e fantasias, e do método comparativa de investigação dos processos do inconsciente.

psicologia como ciência se relaciona inicialmente com a consciência, e a seguir com o inconsciente, já que este não pode ser diretamente explorado por ainda ser desconhecido. Tudo que se conhece sobre o inconsciente foi revelado pelo consciente. Nada se pode dizer sobre aquilo que ainda nada se sabe a respeito, portanto, inconsciente apenas sugere algo que existe, mas ainda desconhecemos a natureza desse inconsciente.

área do inconsciente é imensa e sempre contínua, entretanto, a da consciência é um campo restrito da visão momentânea, um produto da percepção e orientação do mundo externo, que provavelmente se localiza no cérebro, e sua origem é ectodérmica, ou seja, que trata das relações entre consciência e o meio externo.

Jung diverge de Freud no que diz respeito ao inconsciente e o consciente. Para Freud  o inconsciente deriva do consciente. Jung considera exatamente o contrário, que o inconsciente é o elemento natural, e que o consciente é que deriva do inconsciente.

Ao observar os primitivos, pode-se verificar que eles são atingidos apenas por pensamentos emocionais, mostrando que emoções e afetos são sempre acompanhados de enervações psíquicas.
Porém, Jung afirma que as atividades psíquicas nada representa, pois acredita que os SONHOS e as FANTASIAS estão num subnível, sobre o qual ainda desconhece.


CONSCIÊNCIA

Jung afirma não poder haver elemento consciente que não tenho EGO, para atingir a consciência é preciso se relacionar com o EGO. Portanto,a  consciência pe a relação dos fatos psíquicos com o ego.

O EGO é um dado complexo, uma percepção geral do nosso corpo e existência, e pelos registros de memória. É sempre o centro de nossas atenções e de nossos desejos. Todos de alguma maneira sabem que já vivemos em épocas passadas.  Esses dois fatores são os principais componentes do Ego, e é a força de atração do EGO que atai os conteúdos do inconsciente, daquela região obscura sobre a qual nada se conhece. Com isso, tudo o que emerge do inconsciente, torna-se consciente.


A CONSCIÊNCIA é dotada de um certo número de funções, que a orienta no campo dos fatos ectopsíquicos e endopsíquicos. 

  • A ECTOPSIQUE é um sistema de relacionamento dos conteúdos da consciência com os fatos e dados originários do meio-ambiente, um sistema de orientação que concerne à minha manipulação dos fatos exteriores, com os quais entro em contacto através das funções sensoriais. 
          As funções ectopsíquicas são quatro:
  1. SENSAÇÃO - função dos sentidos. A soma total de minhas percepções de fatos externos, percebidas pelos sentidos. A sensação diz que alguma coisa é, não exprime o que é, nem qualquer particularidade da coisa em questão. A sensa~]ao diz que alguma coisa é.
  2. PENSAMENTO - exprime o que uma coisa é. Dá nome a essa coisa e junta-lhe um conceito, pois pensar é perceber e julgar (apercepção). Jung considera o pensamento uma função racional. O pensamento exprime o que ela é. É inerente ao sujeito.
  3. SENTIMENTO - Informa através de percepções que lhe são inerentes acerca do valor das coisas. É ele que diz por exemplo, se uma coisa é boa ou não, etc. assim como o pensamento, Jung considera o sentimento uma função racional. Os valores desempenham aí um papel fundamental. O fato das pessoas racionalizarem e controlarem seus sentimentos, não quer dizer que os sentimentos deixam de existir, elas o controlam, porém, ele está ali perturbando a pessoa. O sentimento exprime o valor dessa coisa. É inerente ao individuo.
  4. TEMPO - Tudo tem passado e futuro; tudo procede de algum lugar. 
A ideia de que alo pode ou não ser bom, como um palpite, Jung chamou de INTUIÇÃO, uma espécie de faculdade mágica, coisa próxima da adivinhação. Sempre que tiver de lidar com condições para as quais nãoi haverá valores preestabelecidos ou conceitos já firmados, esta função será o único guia.

Segundo Jung a INTUIÇÃO é um tipo de percepção que não passa exatamente pelos sentidos; registra-se ao nível do inconsciente, e é onde abandono toda tentativa de explicação dizendo-lhes: 

"Não sei como isso se processa”. Não sei o que se .passa quando um homem se inteira de fatos como ele, em absoluto, não tem meios de conhecer. Não consigo dizer como coisas acontecem, entretanto a realidade aí está, e tais fenômenos são comprovados.Sonhos premonitórios, comunicações telepáticas, são propriedades da intuição... Eventualmente seu afloramento adquire características de revelação." 

Para Jung pensamento e sentimento não podem coexistir, Quando o pensamento é uma função superior, o sentimento é uma função inferior, e vice-versa. Ao pensar, o sujeito exclui o sentimento. Quando o pensamento é altamente diferenciado, o sentimento é altamente indiferenciado, e vice-versa. 





Jung afirma que:
  • pessoas do tipo pensamento - afirmam ter sentimentos fortes, e que são muito emocionais ou temperamentais.
  • pessoas do tipo sentimental - se agir com naturalidade não se aborrece com pensamentos e sentimentos ou raciocínios.  O pensamento surge de maneira compulsório não consegue se livrar dele.
  • pessoas do tipo intelectual, afirma que sente assim, e pronto. Não raciocina sobre seus sentimentos.
  • pessoas do tipo intuitiva , sempre se irrita quando colocado frente a realidade concreta.
Essa definição  em tipos de pessoas, só serve para a psicologia prática. Jung deixa claro que não se pode colocar pessoas em padrões, até porque somos dotados dessa ambiguidade, ora somos de um jeito, ora somos de outro.
  • A ENDOPSIQUE, por outro lado, é o sistema de relação entre os conteúdos da consciência e os processos desenrolados no inconsciente. 

Os pontos relacionados a função ectopsiquica, regem ou auxiliam nossa orientação consciente no relacionamento com o ambiente, mas não se aplicam às coisas situadas, por assim dizer, abaixo do ego, que é apenas um segmento de consciência flutuando num oceano de coisas obscuras, as coisas interiores sobre as quais nada sabemos.

Para Jung a personalidade que irá surgir, dentro de um ano, já existe em nós, porém no lado obscuro e que desconhecemos.

As funções endopsiquicas são quatro:

  1. MEMÓRIA OU REPRODUÇÃO -  nos liga aos fatos enfraquecidos na consciência. ou que se tornaram subliminares ou que foram reprimidos. A memória é a faculdade de reproduzir conteúdos inconscientes e que distingue as relações entre a nossa consciência e os conteúdos que naos e encontram visíveis.
  2. COMPONENTES SUBJETIVOS DAS FUNÇÕES CONSCIENTES -  são águas profundas, onde se começa a entrar na escuridão. Ninguém gosta de entrar num mundo sombrio e admitir seu próprio lado de sombras. O tipo de pessoa que vive entrando em tudo com o pé esquerdo, sempre em complicações, é porque vivem a sua própria sombra, sua negação.
  3. MEMÓRIA - Cheia de componentes subjetivos, é controlável ou voluntária, e ainda se recusa a funcionar. Quando tomada de EMOÇÕES E AFETOS, nos empurra a ação, onde o ego decente se anula, e somos arremessados. Faz aflorar o primitivo no indivíduo. Quando se diz, Ele esta possuído, muitas vezes tornando-o irreconhecíveis e sem autocontrole.
  4. INVASÃO - Quando o lado obscuro, o inconsciente tem domínio completo e irrompe na consciência. Nessa situação, o indivíduo é tomado pelo inconsciente, podendo-se esperar dele qualquer coisa inabitual. Os primitivos, atribuem esse estado ao demônio, pois em certos dias, se perdem, ficando sob influência estranho.



Referências:

FUNDAMENTOS DE PSICOLOGIA ANALÍTICA AS CONFERÊNCIAS DE TAVISTOCK, LONDRES-1935.
 PRIMEIRA CONFERÊNCIA
(JUNG, C.G. Fundamentos de Psicologia Analítica. Petrópolis: Vozes, 2001, volume XVIII/1).
Apresentação feita pelo Dr. H. Crichton-Miller, presidente da mesa
Google Imagens



sábado, 24 de agosto de 2019

CONCEPÇÃO DO ENVELHECIMENTO


Segundo Fontaine (1999/2000), envelhecer implica num conjunto de processos dinâmicos que ocorre no organismo, após  sua fase de desenvolvimento e que se relacionam com mudanças de ordem psicológicas e sociais, no decorrer do tempo. Portanto, o ser humano envelhece de forma lenta e gradual, conforme o tempo vai passando.  Se caracteriza por  mudanças adaptativas e sofre influências de determinados contextos sociais.

Embora a OMS considere idosa a pessoa acima de 65 anos de idade, o autor considera que o processo de envelhecimento deveria ser visto diferencialmente, já que cada indivíduo envelhece de uma forma muito particular, devido a uma combinação de fatores genéticos, o estilo de vida, a dimensão biológica, etc., que envolve sua vida.

Fontainne (1999/2000), considera tipos diferentes de idade, tais como:

  • Idade cronológica -mede o tempo desde o nascimento até o presente. Não informa sobre o estado de evolução do sujeito.
  • Idade Biológica - diz respeito ao envelhecimento orgânico, e o estado funcional dos órgãos e das funções vitais.
  • Idade Psicológica - dada em função da personalidade e as emoções do sujeito, capacidades comportamentais que possui na interação com o meio, incluindo as capacidades mnêmicas e intelectuais, motivações e autoestima a nível de autonomia e controle.
  • Idade Social - papéis, estatutos e hábitos do indivíduo na sociedade.
O envelhecimento é multidimensional, e muitas vezes, é descrito à partir de uma conotação negativa, quando se fala em:
  • perda gradativa das funções biológicas
  • aumento da probabilidade de morte
  • associação de velhice à doenças
  • se reflete no comportamento
  • se reflete na habilidade intelectual
  • se reflete na atividade física
  • se reflete nas interações sociais.


Segundo Reis (1995) esta redução progressiva do metabolismo inicia-se a partir da década dos 20 anos e vai declinando lenta e progressivamente ao longo de toda a vida.

ENVELHECIMENTO BIOLÓGICO
  • altera as funções biológicas, influenciando na saúde (funcionamento físico, cognitivo, psicológico e social)
  • perde a capacidade de manutenção do equilíbrio homeostático
  • declínio das funções fisiológicas
  • reduz o metabolismo
Muitas Teorias do Envelhecimento foram construídas na tentativa de explicar como se dá o envelhecimento. Entretanto, segundo Botelho (2000), apesar das diferenças existentes entre as diversas teorias, percebe-se que o declínio do funcionamento biológico é inevitável, e nunca se deve esquecer que o decréscimo funcional é diferente na própria pessoa e de indivíduo para indivíduo, vários órgãos e sistemas poderão refletir alterações subjacentes a um estado de diminuição das reservas homeostáticas do organismo.

ENVELHECIMENTO COGNITIVO

Aptidões cognitivas implicam em:
  • capacidade de planejamento
  • atenção e vigilância
  • funções minêmicas
  • funções intelectuais
  • funções sensório-motores
De acordo com Reis (1995) essas funções alcançam sua melhor performance entre 20 e 30 anos de idade, ficam estáveis até a década de 50, quando começam a declinar lentamente.  Muito dessas perdas cognitivas estão associadas à falta de uso e estímulos, daí a necessidade de fazê-lo.

Segundo Spar&La Rue(2002/2005) as variáveis que influenciam o grau de alteração cognitiva que as pessoas manifestam com a idade:
  • Fatores Genéticos
  • saúde
  • nível de instrução
  • atividade mental
  • atividade física
  • personalidade
  • humor
Consideram que a  INTELIGÊNCIA  tende a se manter estável durante a vida, embora se verifique declínio nas tarefas perceptivo-motoras. Esta pode se apresentar de duas formas:
  • Inteligência cristalizada - relaciona-se com a cultura, vocabulário, competências numéricas e fluidez verbal.
"atividades associadas à profundidade do saber e da experiência, do julgamento, da compreensão das relações sociais e das convenções" (Fontaine, 1999/2000, pp. 85-86)
  • Inteligência Fluida - relaciona-se com capacidades de natureza espacial e de raciocínio indutivo 
"prende-se com uma aptidão universal independente dos contextos socioculturais e da aprendizagem prévia"(Fontaine, 1999/2000).

CAPACIDADE DE MEMÓRIA

No idoso é mais acentuado o esquecimento, portando, todos os componentes das memórias são afetadas pelo envelhecimento:
  • "memória imediata (onde se inclui a memória de trabalho) é possível dizer que o envelhecimento parece estar associado a um ligeiro declínio destas aptidões mnésicas" (Spar & La Rue, 2002/2005). 
  • memória remota diz respeito a informações armazenadas e consolidadas há bastante tempo e aparenta manter-se conservada independentemente da idade (Fontainc, 1999/2000; Vaz Serra, 2006).
Importante salientar que a capacidade de se comunicar permanece estável ao longo da vida, embora possam apresentar maior dificuldade de compreensão de mensagens longas ou complexas, além de esquecer nomes. Continuam com  a mesma capacidade de manutenção da atenção, e com o declínio das funções executivas, compromete comportamentos complexos.

PERSPECTIVA PSICOLÓGICA DO ENVELHECIMENTO

Envolve os seguintes fenômenos:
  • reações emocionais
  • personalidade
  • controle
  • autoconceito
  • estilo de coping (competir em pé de igualdade, superando dificuldades)
ALTERAÇÕES AFETIVAS RELACIONADAS COM O ENVELHECIMENTO

INCONTINÊNCIA EMOCIONAL - produz intensas reações afetivas e incapacidade de controle. Essa instabilidade emocional diz respeito a súbitas mudanças emocionais.(Ballone,2004)

FORMA DE LIDAR COM DIFICULDADES -envelhecer exige reordenamento de prioridades pessoais, mudança de estilos de coping. 

Tipos de coping que mantém no idoso o sentimento de autoeficácia e controle de sua vida, segundo Paul (2006):

COPING ASSIMILATIVO - "finalidade de diminuir as perdas através de esforços compensatórios, ou seja, os indivíduos procuram transformar uma situação menos positiva, numa situação mais adequada aos seus objetivos".

COPING ACOMODATIVO - " diminuem o nível de aspirações de desempenho pessoal, adaptando os novos objetivo às suas limitações."

Outro aspecto que aparentemente se mantém constante é o AUTOCONCEITO, a concepção que a pessoa tem de si mesma.

DEPRESSÃO no idoso é comum em função da tendência em se centrar muito no seu passado, acaba sentindo angústia em relação ao presente, e medo em relação ao futuro. Esta pode ser ampliar a incapacidade do sujeito, quando associada a perturbações de foro físico e cognitivo.

DIMENSÃO PSICOLÓGICA DO ENVELHECIMENTO (NERI)

Perspectiva do Ciclo de Vida: que adota o critério de estágios como principio organizador do desenvolvimento, estando nos estágios mais avançados contidos os anteriores, pressupondo uma coordenação entre o desenvolvimento individual e a história das instituições sociais. 

ENVELHECIMENTO SOCIAL se dá a partir das relações interpessoais ( famílias, trabalho, amigos, etc), que vai impactar em alterações em diversos níveis do desenvolvimento. O idoso além de passar pela mudança de papéis também acaba perdendo outros, em função da idade.

"A qualidade de vida, o bem-estar subjetivo e a satisfação de viver dependem, então, da manutenção das relações sociais e da prática de atividades produtivas (Fontaine, 1999/2000). Várias investigações realizadas concluíram que o isolamento é um fator de risco para a saúde e, por consequência, os apoios sociais de natureza emocional ou instrumental podem ser uma mais valia para a manutenção do equilíbrio psicossocial do indivíduo (Fontaine, 1999/2000)."

Embora os idosos tenham poucas relações interpessoais no âmbito das redes sociais, quando comparados a pessoas mais jovens, atribuem maior valor a família, aos amigos de longa data.

"Na realidade, os sentimentos de felicidade e de bem-estar subjetivo não se degradam com a idade e os idosos têm tanta satisfação em viver como os jovens (Fontaine, 1999/2000). O idoso saudável revela-se uma pessoa ativa e envolvida nos seus interesses que, neste sentido, pouco se diferencia do adulto de meia-idade, podendo o envelhecimento transformar-se numa época em que se descobrem novos aspectos da vida e em que os acontecimentos são analisados numa perspectiva diferente e mais equilibrada (Vaz Serra, 2006)."

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Memória

GRATIDÃO À NOSSA MEMÓRIA!



É responsável pelo tempo.
Define o tempo em que se vive.
Somos em parte, aquilo que lembramos.
Armazém de aprendizagem tanto das coisas boas como das coisas ruins.
Graças a ela atividades cotidianas podem ser lembradas, tais como, simplesmente  vestir-se, cozinhar, andar de bicicleta, etc.
Permite o autoconhecimento.

MEMÓRIA É...

Aprendizagem que persiste através do tempo. Persistência do aprendizado ao longo do tempo por intermédio do armazenamento e da recuperação das informações."

RETENÇÃO DA MEMÓRIA

A aprendizagem possui três  medidas de retenção:

  • RECORDAÇÃO- recupera informações  que foram aprendidas antes, mas que, não estão mais no consciente da pessoa. Teste para a recordação- uma pergunta para preencher lacunas.



  • RECONHECIMENTO- identifica itens aprendidos anteriormente. Teste de reconhecimento: pergunta de múltipla escolha. A memória de reconhecimento é muito rápida e vasta, ou seja, determinadas perguntas, a mente já sabe que sabe a resposta, antes que a resposta se forme em nossa boca.

  • REAPRENDIZAGEM- aprender algo mais rapidamente quando já aprendeu antes, está reaprendendo em outro momento. A velocidade de reaprendizagem também revela a memória. O ensaio adicional (super aprendizagem) baseado na repetição, aumenta a retenção do conteúdo na memória. Logo, na reaprendizagem nós lembramos mais do que podemos recordar.
Para os psicólogos, o sistema de memória humano é descrito a partir da criação de modelos de memória que ajuda a entender como o nosso cérebro forma e recupera memórias.



PROCESSO OCORRIDO NA LEMBRANÇA DE UM EVENTO QUALQUER:


CODIFICAÇÃO - Conduz a informação ao cérebro. Nesse ocorre o processamento da informação dentro do sistema de memória.

ARMAZENAMENTO - Retém a informação  codificadas ao longo do tempo.

RECUPERAÇÃO - Processo de regate da informação que está armazenada na memória.



TIPOS DE PROCESSAMENTO DA MEMÓRIA:

No PROCESSAMENTO PARALELO ocorre o processamento de muitos problemas simultaneamente,o cérebro processa informações em muitas funções. Parte dessas informações são processadas inconscientemente. O processamento simultâneo de informações da memória ocorrem por meio das redes neurais interconectadas. Toda vez que você aprende algo novo as conexões neurais mudam, permitindo a interação com o meio que sofre constantes mutações.

No PROCESSAMENTO EMPENHADO (EFFORTFUL ocorre uma codificação que exige  atenção e esforço consciente.

No PROCESSAMENTO AUTOMÁTICO codificação inconsciente de informações incidentais como espaço, tempo, frequência e de informações bem aprendidas como significado de palavras.



DIFERENTES ESTÁGIOS DA MEMÓRIA (Richard Atkinson e Richard Shiffrin, 1988).


MEMÓRIA SENSORIAL - lembrança imediata e muito fugaz de informações sensoriais no sistema de memória. Onde registramos as informações  a serem lembradas. É ela que alimenta a memória de trabalho ativa, registrando IMAGENS MOMENTÂNEAS OU ECO DOS SONS.


MEMÓRIA DE CURTO PRAZO - Memória que retém pouca coisa em pouco tempo. Ex.: gravar um número para discar na hora. A informação é processada  na MCP, onde será CODIFICADA por REITERAÇÃO.


MEMÓRIA DE LONGO PRAZO - Armazenamento relativamente permanente e limitado  de memória, incluindo HABILIDADES do CONHECIMENTO e EXPERIÊNCIAS. São armazenadas para serem lembradas posteriormente. Ocorre com CONCENTRAÇÃO FOCADA, ATENÇÃO CONCENTRADA.




ESTÁGIOS DA MEMÓRIA acrescentados por Barroulillet; Engle; Alan Baddeley:


MEMÓRIA DE TRABALHO - Trata-se de um entendimento mais recente da memória de curto prazo, cujo foco é o PROCESSAMENTO ATIVO E CONSCINETE onde as informações são recebidas pela audição ou pela percepção visual e espacial e das informações recuperadas da memória de longo prazo.

MEMÓRIA EXPLÍCITA - quando a pessoa lembra da informação CONSCIENTEMENTE e CONSEGUE DECLARAR.  São codificadas através do PROCESSAMENTO EMPENHADO CONSCIENTE, que ocorre SEM ESFORÇO você consegue ler  frases escritas de trás para frente. No início exige esforço mas a prática o tornará um processamento automático.

Exemplos: 
  • ocitámotua ranrot es edop oçrofse moc otnemassecorp o
  • etneicsnoc odahnepme otnemassecorp iussop aticilpxe airómem a
  • etneicsnocni odahnepme otnemassecorp iussop aticílpmi airómem a
  • etneicsnoc e oticílpmi otnemassecorp iussop ohlabart ed  airómem a


MEMÓRIA IMPLÍCITA - a pessoa retém habilidades aprendidas, associações condicionadas, independente de ter consciência. É uma memória NÃO DECLARATIVA. São codificadas por meio do PROCESSAMENTO AUTOMÁTICO INCONSCIENTE.
Inclui a MEMÓRIA PROCEDURAL para HABILIDADES AUTOMÁTICAS como andar de bicicleta por exemplo. SEM ESFORÇO CONSCIENTE, processamos automaticamente informações sobre:

  • ESPAÇO - codificar o local da página do livro onde se encontra o conteúdo e mais tarde acha-lo.
  • TEMPO - No decorrer do dia, involuntariamente percebe-se a sequencia dos acontecimentos.
  • FREQUÊNCIA - Sem muito esforço, consegue acompanhar quantas vezes aconteceu algo.







quarta-feira, 10 de outubro de 2018

OS ESTRANHOS segundo Zygmunt Bauman - Mal estar na pós modernidade

O SONHO DA PUREZA
OS LOUCOS ERAM “A QUESTÃO SOCIAL”, A “QUESTÃO DA POLUIÇÃO”, PESSOAS QUE NÃO SE AJUDATAVAM, QUE ESTAVAM FORA DO LUGAR, QUE ESTRAGAVAM O QUADRO, QUE OFENDIAM O SENSO DE ESTÉTICA AGRADÁCVEL E MOTALMENTE TRANQUILIZADOR DA HARMONIO.
Os loucos eram jogados ao mar, representavam uma obscura desordem, um caos movediço, que se opõe a estabilidade a falta e luminosa da mente.
A pureza é um ideal, uma visão da condição que ainda precisa ser criada.
A intervenção humana não suja a natureza, mas a torna imunda. A pureza é uma visão das coisas colocadas em lugares diferentes, dos que elas ocupariam, se não fossem levadas a se mudar para outros lugares. A pureza está associada à ordem.
Os loucos acima definidos, são como coisas fora do lugar. Não são as características mas a posição que ela ocupa que a faz parecer suja.
As coisas que não tem lugar definido, sem lugar certo,  ficam fora do lugar.
Humanos são dotados de MEMÓRIA e CAPACIDADE DE APRENDER, daí os benefícios de uma boa organização no mundo.
A sujeira está associada a desordem, e necessariamente não são sujas. A sujeira transgride a ordem e elimina-la é uma tentativa de ordenar o que está fora dos padrões.
Quanto as pessoas, uma certa categoria de pessoas que se torna sujeita e é tratada como tal.

PERMUTABILIDADEDE PONTOS DE VISTA
Capacidade de se colocar no lugar de outra pessoa, empatia.
Só posso compreender os atos de uma outra pessoa se ei imaginar que eu mesma poderia fazer o mesmo, regulada pelos mesmos porquês e para quê.
As atividades de rotina oferecem um guia de segurança. Porém a chegada de um estranho tem o impacto de um terremoto, acaba om a segurança da vida diária. O cuidado com estranhos envolveu cuidados diários de puraza, de renovação de um mundo habitável e organizado, através da colocação em ordem de forma consciente e intencional. O objetivo de limpar, tronou-se o mesmo que mudar a maneira como as coisas costumam ser, criar uma nova ordem, constituindo um novo começo. Essa mudança coincidiu com o advento da era moderna, um novo começo.
Definir a modernidade como a época, ou estilo d vida, é desmantelar a ordem tradicional, herdada e recebida em que o ser significa um novo começo. Quando pertencente a rotina, tendem a ficar monótonas.
 COLOCAR EM ORDEM implica um novo começo, um estado de começo permanente. Se estabelece uma nova ordem, aparecem estranhos aterrorizantes, com novos vizinhos. Os estranhos já não são mais rotina.
Para Bauman, os estranhos são as impurezas representativas daqueles que se encontram fora do padrão ideal social e econômico, como moradores de rua, vagabundos e indolentes, etc.