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sexta-feira, 19 de agosto de 2022

Cirurgia Bariátrica - o que é preciso entender sobre o procedimento cirúrgico?

 SOBRE A CIRURGIA BARIÁTRICA

  • Vulgarmente conhecida como cirurgia da obesidade e cirurgia de redução do estômago.
  • Indicada quando a obesidade chegou a um nível crítico e as atividades físicas não causam efeito, com IMC (Índice de Massa Corpórea) maior que 40.
  • É considerado um tratamento clínico, requerendo do paciente a reeducação na forma física, psicológica e nutricional.
  • A Cirurgia bariátrica não tem fins estéticos.
  • Implica em alteração de hábitos e qualidade de vida do paciente, proporcionando uma vida mais saudável e longa.
  • Os métodos para o tratamento cirúrgico bariátrico são radicais, com indicação em situações e condições extremas.
  • A cirurgia tem dois tipos de abordagem:
    • Abordagem aberta- com incisão no abdômen 
    • Abordagem fechada - por laparoscopia, cirurgia feita por câmera e vídeo e menor sofrimento no pós-operatório para o paciente.
PRÉ-REQUISITOS PARA A CIRURGIA BARIÁTRICA

Há algumas condições para indicação da Bariátrica:
  • estar com 45kg acima do peso ideal ou IMC superior a 40.
  • IMC acima de 35 com problemas de saúde associados à obesidade.
  • faixa etária: 16 a 60 anos de idade.
  • Histórico de não conseguir perder peso.
  • Não ter doença contraindicada para cirurgia, como: cirrose hepática, problemas graves no pulmão, lesão no músculo cardíaco e insuficiência renal.
  • Fazer avaliação clínica completa e exames pré-operatórios.
TIPOS DE CIRURGIA BARIÁTRICA

Atualmente existem cinco técnicas conhecidas e reconhecidas pelo Conselho Federal de Medicina e Ministério da Saúde, porém, as mais realizadas são duas:
  1. Gastrectomia Vertical - Sleeve
  • Retira 2/3 do estômago, deixando um tubo afilado.
  • Se baseia em dois princípios:
    • restrição do volume alimentar ingerido
    • retirada da área do estômago onde é produzido o hormônio chamado grelina (hormônio responsável por gerar sensação de fome, produzido no estômago e outras partes do intestino delgado.
  • os pacientes quase não necessitam de suplementação vitamínica.
  • Indicado para pacientes com anemias crônicas, osteoporose grave , em condições clínicas que necessitem da primeira porção do intestino para absorção de medicamentos, para quem n]ao deseja perder tanto peso, indicada para adolescentes.
  • Não mexe no intestino e não causa problemas nutricionais.
  • Perde-se em média 20 a 25% do peso inicial e as tacas de reganho de peso são elevadas principalmente em mulheres.
  • Havendo reganho, é possível fazer outros procedimentos bariátricos.

2. Bypass Gástrico

  • Cirurgia mais realizada no mundo
  • Bypass significa desvio, pois desvia:
  •  desvia de uma grande parte do estômago através de grampeamento. O estômago é dividido em duas partes:
    •  uma menor que será por onde o alimento irá transitar 

    •  outra maior que ficará isolada.

  • desvio de uma pequena parte do intestino delgado
  •  

    • Pacientes perdem totalmente o apetite, que vai retornando com o tempo.
    • Perde-se entre 35 a 40% do peso inicial.
    • tem baixos índices de reganho de peso.

    Referências: A Cirurgia Bariátrica o psicólogo e a avaliação psicológica. Pós-Graduação latu-senso em Transtornos Alimentares, Obesidade e Cirurgia Bariátrica.

    quinta-feira, 3 de junho de 2021

    Genograma Familiar

     

  • O genograma como recurso avaliativo e interventivo surge como uma ferramenta bastante útil para acessar essas interações, e sua utilização encontra-se cada vez mais ampla na prática psicológica.
  • instrumento que permite organizar, de forma sintética e clara, inúmeras informações quanto à dinâmica familiar.
  • O genograma como modalidade técnica avaliativa da dinâmica transgeracional familiar.

  • é a representação gráfica das relações familiares
  • Contém informações sobre a estrutura, o funcionamento e a dinâmica de, ao menos, três gerações de um sistema familiar
  • Utiliza o suporte gráfico
  • ocorre por intermédio da linguagem verbal, ou, ainda, por intermédio das linguagens analógica, metafórica e representativa, que facilitam a aproximação às emoções e redescobertas de novos significados.
  • permite o acesso à dinâmica familiar de forma mais proeminente do que entrevistas centradas na realidade atual ou a livre narrativa sobre a história familiar
  • É construído em conjunto com o(s) paciente(s) e facilita o acesso às memórias e aos relatos do mundo relacional
  • Para sua construção, existem símbolos comumente utilizados que auxiliam na compreensão gráfica da dinâmica familiar
  • Sugere-se a utilização do genograma na etapa final do processo avaliativo, com o intuito de investigar hipóteses relacionais elaboradas durante etapas avaliativas anteriores.
  • Hutz et al (2016) propõe a construção do genograma em cinco etapas. Para isso, buscou-se a exemplificação da técnica na descrição de um caso modelo. A partir desse caso, serão retomados alguns pressupostos teóricos e técnicos indispensáveis para o uso do genograma como instrumento investigativo e avaliativo.

    As cinco etapas norteadoras são:

    1. Contextualização da estrutura familiar e avaliação da utilidade de uso do genograma

    2. Investigação relacional da família de origem de um dos membros do casal

    3. Investigação relacional da família de origem do outro membro do casal

    4. Investigação relacional da família atual

    5. Associações transgeracionais e conexão com a demanda/objetivo da avaliação

    "cabe ao avaliador ser habilidoso e criativo para dar conta das novas informações e registrá-las da forma que considerar mais adequada, descrevendo-as por meio de palavras ou símbolos. O mais importante é que as informações coletadas fiquem suficientemente claras para avaliador e avaliando."

    Referências:

    HUTZ et al, 2016. Cap. 11 - Mariana Gonçalves Boeckel e Laíssa Eschiletti Prati

    A influência do uso de fármacos no psicodiagnóstico

     "A avaliação psicológica de pacientes medicamente enfermos se torna um desafio de maior complexidade na medida em que muitas doenças e diversos fármacos frequentemente podem influenciar o estado mental, as funções do ego ou a motricidade"

  • Déficits cognitivos, alterações de atenção e de diversas funções mentais de natureza iatrogênica (induzida pelo médico) são comumente associados às terapias farmacológicas, tanto aos fármacos de uso geral quanto aos psiquiátricos.
  • Algumas drogas apresentam maior risco de efeitos mentais adversos.
  • O risco de alterações mentais causadas por fármacos é maior entre pacientes que usam muitos medicamentos e idosos, em especial se previamente portadores de quadro inicial de demência (Bowen & Larson, 1993).
  • Efeitos adversos de medicamentos sobre áreas como funcionamento intelectual, atenção, me mória, linguagem, funções visuoespacial, sen sória e motora, função executiva e esforço e motivação (volição)
  • fármacos que podem trazer maior risco para ideação suicida, delirium, virada maníaca ou quadros colinérgicos.

  • Importa, portanto, precisar detalhes tanto sobre o sinal/sintoma observado quanto sobre o fármaco em uso:
    •  Qual a conexão temporal entre a entrada do fármaco e o sintoma (p. ex., a sonolência aumentou com a entrada do escita lopram? 
    • A apatia/insônia se tornou pior com o estrógeno iniciado recentemente?). 
    • O fármaco em uso é de fabricante confiável ou de laboratório desconhecido? 
    • Quais as quantidades de álcool, tabaco, cafeí na e maconha de fato em uso? 
    • Ocorreu alguma descontinuidade recente nesse uso? 
    • Em que data teve início o tratamento? 
    • O uso é regular?
    Pode-se desconfiar de conexão causal entre um medicamento e determinado sintoma neuropsicológico quando for muito comum a ocorrência desse tipo de efeito colateral para aquele agente farmacológico

    Uma lista mais abrangente das drogas clínicas associadas com maior risco de efeitos adversos neuropsiquiátricos é apresentada por Turjanski e Lloyd (2005).

    Analgésicos e opiáceos

    "Os opiáceos podem produzir ansiedade e nervosismo em 5% dos pacientes. Até mesmo casos de aumento de ideação suicida foram descritos após poucas doses de analgésicos. A frequência de perdas cognitivas associadas a essa classe de medicamentos foi revisada em dois estudos (Ersek, Cherrier, Overman, & Irving, 2004; Kurita, Lundorff, Pimenta, & Sjøgren, 2009). 

    O tramadol, por sua ação noradrenérgica/serotonérgica, pode apresentar síndrome de retirada, com sintomatologia idêntica à da descontinuação de antidepressivos inibidores darecaptação de noradrenalina/serotonina. Doses mais elevadas se associam a maiorrisco de disfunção cognitiva, pelo menos na população de pacientes com câncer(Højsted et al., 2012). Esse fármaco também está associado à sintomatologia psiquiátrica de alucinação, agitação e depressão em 1 a 5% dos usuários (Goldberg & Ernest,2012). 

    Jamison descreve a importância da avaliação psicológica prévia em busca do perfil de paciente que melhor seria candidato ao uso de opiáceos tendo menos risco de abuso (Jamison & Edwards, 2013)."

    Anticolinérgicos

    "Fármacos de usos diversos em medicina podem ter efeitos ditos “anticolinérgicos”,  como butilbrometo de escopolamina (Buscopan®) e biperideno (Akineton®), entre outros. 

    "Diversas drogas de uso em medicina e em psiquiatria, como os antipsicóticos (Ogino, Miyamoto, Miyake, & Yamaguchi, 2014), podem ter efeitos “anti colinérgicos”, ainda que algumas com mais efeitos do que outras (Luukkanen et al., 2011). 

    Essas propriedades anticolinérgicas podem comprometer a cognição, causar sonolência e sedação, em particular em idosos (Campbell et al., 2009; Gerretsen & Pollock, 2011;Salahudeen, Duffull, & Nishtala, 2014) e em pacientes com perdas cognitivas leves ou franca demência estabelecida. 

    Em situações de mais gravidade, o paciente poderia evoluir para o delirium anticolinérgico, quadro mais grave e menos comum, que, além do comprometimento psiquiátrico do delirium, cursa com aumento da temperatura, retenção de urina, dilatação da pupila, boca e olhos secos e vermelhidão. 

    É interessante lembrar que uma parte das estratégias farmacológicas com pacientes com demência é a busca de um aumento colinérgico por meio de drogas pró-colinérgicas: fármacos com ação anticolinérgica, em sentido inverso, poderiam potencialmente diminuir ou anular esse tipo de estratégia para demência."

    Anticonvulsivantes

    São fármacos para epilepsia, mas também são usados largamente em psiquiatria, em especial no campo dos transtornos bipolares. Em ambas as indicações, é comum que sejam usados por longos períodos, ou mesmo por toda a vida, o que torna seus efeitos adversos de longo prazo sobre a cognição um ponto de importante destaque. 

    Os efeitos indesejáveis sobre o sistema nervoso central mais prevalentes são sedação, sonolência, distratibilidade, insônia e zumbido (Mula & Trimble, 2009). A sedação é associada com a maior parte dos agentes farmacológicos dessa classe, sendo, em geral, transitória e restrita às primeiras semanas de tratamento.

    Diversos aspectos metodológicos devem ser levados em conta no estudo da conexão entre efeitos cognitivos e uso de anticonvulsivantes. O transtorno bipolar e a epilepsia podem ter seu impacto específico sobre a cognição, tanto em um caso como no outro, em associação com a gravidade, o número de episódios (de humor e convulsivos) e o tempo de doença. 

    Queixas de memória na epilepsia podem refletir outros aspectos, como ansiedade e depressão (Brunbech & Sabers, 2002). Dodrill (1992) relatou interessantes problemas metodológicos dos estudos neuropsicológicos no campo do efeito cognitivo dos anticonvulsivantes. 

    O autor conclui que estudos mais recentes não mostram um tamanho de efeito significativo na cognição como se pensava em décadas anteriores. Em doses terapêuticas, os anticonvulsivantes causam pouco impacto, mas existe ampla variabilidade individual tanto na dose necessária para controle de convulsões quanto na dose necessária para causar impacto na função cognitiva (Devinsky, 1995).

    Há consenso de que polifarmácia e doses maiores podem aumentar o risco de efeitos adversos cognitivos. A idade do paciente é outro fator que pode aumentar o risco de efeitos cognitivos adversos, sendo que idosos e crianças são populações de risco (Ortinski & Meador, 2004). Boshuisen e colaboradores (2015)  conduziram um estudo de retirada de anticonvulsivantes em que os próprios pacientes eram seus controles, evidenciando melhora no QI de crianças após a remoção do anticonvulsivante em um grupo de operados para epilepsia.

    O impacto cognitivo pode ser minimizado pela titulação gradual da droga. Se observados os efeitos cognitivos, e a titulação lenta não for suficiente para resolver um quadro de efetiva disfunção, o descontinuar da droga costuma ser acompanhado da resolução do comprometimento intelectual (Mattson, 2004).

     A carbamazepina e o valproato são agentes relativamente de pouco risco de alteração cognitiva. Alamotrigina tem pouco efeito de sedação. Já o topiramato, em especial se iniciado diretamente com doses altas, associa-se com mais frequência com dificuldade de encontrar palavras (Post & Altshuler, 2009)."

    Agentes antiparkinsonianos

    "Agonistas dopaminérgicos usados na doença de Parkinson são conhecidos como agentes psicoticomiméticos (Goldberg & Ernest, 2012). Toda medicação em uso para doença de Parkinson envolve risco de causar confusão, alucinação e disfunção das funções superiores do ego, podendo repercutir em alteração do aprendizado e da capacidade de solução de problemas (Saint-Cyr, Taylor, & Lang, 1993). 

    Tratamentos com fármacos anticolinérgicos, como já revisado, podem trazer mais prejuízos cognitivos, em especial entre idosos e pacientes com algum nível de comprometimento demencial. Já o agonista dopaminérgico pramipexol, usado tanto no par kinsonismo quanto para pernas inquietas, po deria, inclusive, ser útil na melhora da função cognitiva. 

    O pramipexol, entretanto, não é destituído de efeitos adversos neuropsiquiátricos, tendo sido descritoo surgimento de jogo patológico, outros quadros impulsivos e compulsivos ou psicose associados a seu uso (Goldberg & Ernest, 2012)."

    Agentes antirretrovirais e farmacologia do HIV

    "O uso de antirretrovirais frequentemente se as socia a reações neuropsiquiátricas (Abers, Shandera, & Kass, 2014). Entre as descrições de eventos comportamentais com essa classe de medicamentos, a maior parte dos relatos descreve os efeitos neuropsiquiátricos do fármaco Efavirenz

    Com esse fármaco, os eventos adversos mais frequentes são alteração do sono, tontura, problemas vestibulares e, com menos frequência, alteração do humor. Muito raramente o seu uso pode estar associado a psicose e mania.

    Com o fármaco zidovudine, são descritos efeitos adversos de humor maníaco e de psicose. Os pacientes mais sensíveis seriam os com história familiar de transtorno do humor."

    Avaliação psicológica em cardiologia

    "Fármacos da classe inibidores da enzima de conversão da angiotensina, diuréticos tiazídicos e amiodarone são agentes cardiológicos associados a alterações do humor, os dois primeiros com descrição de elevação do humor (Sadock & Sadock, 2009).

    Amiodarone modificaria o humor por via de sua possível ação colateral sobre a tireoide. A ação da digoxina causando alucinações visuais poderia ser um dos sintomas precoces de intoxicação digitálica. 

    Outros sinais psiquiátricos desse tipo de intoxicação são mania, depressão ou alterações cognitivas súbitas sugestivas de delirium. Metanálises maiores e mais recentes estão contradizendo a impressãoanterior de que o propranolol tivesse marca do e frequente impacto tanto no humor quanto na sexualidade e na cognição (Pérez-Stable et al., 2000). Porém, ainda que síndromes depressi vas completas não sejam tão frequentes quanto se imaginava, é muito comum a ocorrência de quadros menores, com poucos sintomas isolados, como fadiga e disfunção sexual, em especial entre idosos (Goldberg & Ernest, 2012).

    Além dos fármacos, procedimentos cirúrgicos cardíacos extensos – como a revascularização do miocárdio – são descritos como de potencial risco para perdas cognitivas no pós-operatório. Em especial entre os mais velhos, está descrita no pósoperatório uma discreta, mas mensurável, disfunção cognitiva (Carrascal & Guerrero, 2010; Funder, Steinmetz, & Rasmussen, 2009; Symes, Maruff, Ajani, & Currie, 2000)."

    Agentes dermatológicos

    "O produto para acne isotretinoina está associado com sintomatologia depressiva e, inclusive, com risco de suicídio. Para alguns clínicos, contudo, a sintomatologia do humor é de fácil manejo quando o paciente está avisado e tem boa comunicação com o médico (Wolverton & Harper, 2013).

     Existem descrições do impacto da finasterida causando depressão (Singh & Avram, 2014) e, entre idosos, algum discreto prejuízo na testagem neuropsicológica (Borst et al., 2014), ainda que tais alterações não tenham impacto clínico maior, sendo mais anedótico que frequente."

    Agentes gastrintestinais

    "Existem relatos de efeitos neurológicos, como confusão, cefaleia e depressão, com antagonistas H2, como cimetidina e ranitidina, ainda que o risco desse tipo de efeito seja pequeno. 

    Drogas antidopaminérgicas pró-cinéticas gastrintestinais, como bromoprida, domperidona e metoclopramida, estão relacionadas com reações  extrapiramidais e hiperprolactinemia, quadros que potencialmente podem cursar com manifestações neuropsiquiátricas (Tonini et al., 2004), mas em geral não isoladas, com diversos outros comemorativos clínicos que facilitariam o diagnóstico diferencial da etiologia farmacológica do problema."

    Interferon-α

    "O interferon-α é usado no tratamento de hepatites virais, certos linfomas e leucemias e melanomas, com risco de causar depressão em mais de 30% dos que o utilizam, e, também, em percentuais menos comuns, mania e hipomania (Goldberg & Ernest, 2012a). 

    A frequência elevada de efeitos de humor com esse fármaco suscitou a proposta de uso profilático no tratamento antidepressivo, com alguns estudos mostrando resultados bem-sucedidos (Sarkar & Schaefer, 2014; Udina et al., 2014)"

    Hormônios: anticoncepcional oral, estrógeno e avaliação psicológica da endocrinologia

    ""A emergência ou a exacerbação de quadros de humor logo depois do início de um novo tipo de reposição hormonal ou um novo tipo de anticoncepcional oral (ACO) sugere uma relação de causa e efeito entre a mudança afetiva e o fármaco. 

    Formulações com progesterona estão descritas como de risco para disforia e irritabilidade. A bula sugere descontinuar o uso de pílulas hormonais em caso de depressão significativa. 

    História de humor deve ser investigada com atenção na avaliação pré-uso de ACO. Em pacientes pós-menopausa, o impacto da reposição hormonal no humor e no desempenho cognitivo é objeto de ampla investigação e controvérsia nas últimas décadas. 

    É possível que a reposição de estrógeno se associe a um risco menor de doença de Alzheimer (Maki, 2013). Nem toda revisão de metanálise, contudo, apoia essa conclusão (Hogervorst & Bandelow, 2010). A performance de memória verbal foi melhor em idosos recebendo estrógeno (Wroolie et al., 2011).

    O impacto da reposição de hormônio do crescimento em pacientes com comprovada deficiência tem sido estudado experimentalmente (Nyberg & Hallberg, 2013). Sua falta é associada com pequenas disfunções de memória, de velocidade de processamento e de atenção (van Dam, 2005).

     São clinicamente relevantes e conhecidas as disfunções de humor e de cognição tanto no excesso quanto na falta de hormônio da tireoide e da paratireoide. 

    A deficiência de hormônio masculino, muitas vezes provocada farmacologicamente para tratamento de neoplasias de próstata com bloqueadores hormonais, cursa com alterações cognitivas bem estabelecidas (McGinty et al., 2014).

    Pneumologia e fármacos contra o tabagismo

    O uso de vanericlina, fármaco empregado para ajudar na cessação do tabagismo, foi associado com diversas alterações comportamentais, como hostilidade, agitação, mudança de humor e pensamentos suicidas, sintomatologia que, inclusive, nos dias de hoje, limitou muito seu uso. Contudo, dois estudos sobre o tamanho do risco de mudanças comportamentais e de humor com o fármaco mostraram que esse risco poderia não ser grande (Goldberg & Ernest, 2012a).

    A síndrome da apneia obstrutiva do sono tem importante impacto na testagem cognitiva (Bucks, Olaithe, & Eastwood, 2013), em áreas de atenção, aprendizado, raciocínio e memória (Lal, Strange, & Bachman, 2012), sendo que seu efetivotratamento pode, em parte, resolver esse tipo de impacto (McMahon, Foresman, & Chisholm, 2003)."

    Esteroides

    "O uso de corticoides pode ser associado a alterações psiquiátricas, mais de humor que psicóticas. Essas alterações do humor mais frequentemente seriam mania ou hipomania do que depressão (Dubovsky, Arvikar, Stern, & Axelrod, 2012). 

    Existem revisões de alterações comportamentais específicas para idosos (Cerullo, 2008) e para crianças(Drozdowicz & Bostwick, 2014). Estima-se que as alterações emocionais sejam frequentes – em 2 a 20% dos pacientes que recebem corticoides , sendo o risco possivelmente proporcional a uma dose mais alta. Há estudos sugerindo profilaxia para evitar alterações comportamentais com uso de corticosteroides (West & Kenedi, 2014), que também está associado a mudanças na cognição (Heffelfinger & Newcomer, 2001; Lupien, Maheu, Tu, Fiocco, & Schramek, 2007)."

    Efeitos adversos psicológicos de medicações psiquiátricas

    Benzodiazepínicos e farmacologia da ansiedade

  • Estudosepidemiológicos recentes encontraram correlação entre uso de benzodiazepínicos e maior risco de doença de Alzheimer (Billioti de Gage et al., 2014)
  • Entre pacientes com pânico, é possível que o quadro psiquiátrico, e não o uso de benzodiazepínicos, de fato esteja mais correlacionado com alterações cognitivas discretas (Deckersbach, Moshier, Tuschen-Caffier, & Otto, 2011).
  • pode ter impacto na performance psicomotora
  • tem sido associado com comportamento desinibido e agressão pa radoxal em populações específicas, como pa cientes com lesão frontal, idosos ou pacientes com transtorno da personalidade borderline (Jones, Nielsen, Bruno, Frei, & Lubman, 2011).
  • Fármacos similares aos benzodiazepínicos e também indutores do sono, chamados medicamentos da linha Z – como o zolpidem –, podem causar disfunção de memória, ainda que restrita às horas seguintes ao uso.

  • Antidepressivos e farmacologia da depressão

  • fármacos dirigidos para controle do humor, da ansiedade e da depressão, os antidepressivos serotonérgicos não são inteiramente destituídos de efeitos adversos emocionais.
  • Adolescentes são propensos a efeitos emocionais indesejáveis com essa classe de medicamentos (Gordon & Melvin, 2013)
  • Três tipo de reações são possíveis: no grupo das reações tipo mania, são descritos mania, hipomania e humor elevado.
  • No grupo do espectro depressivo, é possível observar quadros de agravamento da depressão, choro, irritabilidade e emotividade.
  • Já no espectro da agitação, ocorrem efeitos do tipo inquietude, nervosismo e hiperatividade. Ainda podem ocorrer piora da ansiedade, sentimento de desorientação e atordoamento
  • Lítio e farmacologia da bipolaridade

    Três classes principais de fármacos são usadas para controle dos quadros de bipolaridade, sendo:

    •  os anticonvulsivantes 
    •  os antipsicóticos 
    •  o lítio, o terceiro tipo de medicação usada como estabilizador do humor, tem um possível efeito adverso cognitivo. Uma eventual ação sobre a memória declarativa e sobre o funcionamento executivo é descrita. Entre pacientes bipolares que usam lítio e apresentam essa disfunção cognitiva, a dificuldade maior reside em distinguir o que é alteração decorrente da doença e o que é impacto do lítio sobre a cognição. Uma metanálise recente identificou comprometimento leve da capacidade de aprendizagem verbal e memória, além da criativida de, sem impacto do fármaco sobre memória verbal ou visual, velocidade de processamento e performance psicomotora (A. P. Wingo, T. S. Wingo, Harvey, & Baldessarini, 2009). 

    Antipsicóticos e farmacologia da esquizofrenia

  • Na esquizofrenia, tanto sintomas negativos quanto cognitivos podem causar boa parte da disfunção social e laboral. 
  • Os sintomas negativos podem ser classificados em primários ou secundários, sendo que os secundários podem decorrer de depressão ou de efeitos colaterais extrapiramidais (ECE) dos antipsicóticos. 
  • Acinesia é, em geral, um ECE mais frequente com antipsicóticos de primeira geração (ou mais antigos) do que com antipsicóticos de segunda geração. A acinesia pode se manifestar como diminuição da fala, da motivação e de gestos espontâneos.
  • Ampliadores cognitivos, fármacos para Alzheimer e psicoestimulantes 

    Fármacos inicialmente desenvolvidos para doenças demenciais, seja da classe dos inibidores da colinesterase, seja a memantina, não causam prejuízos no desempenho cognitivo, mas poderiam melhorar os escores. 

    Esse efeito benéfico está sendo estudado tanto para pacientes com demência quanto para pacientes com perdas cognitivas secundárias a doenças do humor ou mesmo esquizofrenia. 

    Já as drogas estimulantes como o metilfenidato, também têm um potencial de benefício no desempenho na testagem, em particular e de forma mais pronunciada, em sujeitos que sofram de transtorno de déficit de atenção/hiperatividade. 

    Uma melhora de desempenho em funções cognitivas de pessoas sem essa patologia é menos documentada (Smith & Farah, 2011) e alvo de discussões éticas mais amplas (Forlini & Racine, 2009).

    "Em situações de testagem neuropsicológica e psicodiagnóstico, é essencial que o profissional colete uma história detalhada das comorbidades médicas, da utilização de medicamentos e de drogas lícitas e ilícitas. O conhecimento dessas variáveis deve ser levado em conta na discussão dos achados e no diagnóstico diferencial das causas de tais alterações."


    Referências:

    • HUTZ et al, 2016. Cap. 10 - Flávio Merino de Freitas Xavier  e Eduardo Chachamovich

    Entrevista Lúdica Diagnóstica

     A avaliação psicológica e o atendimento de crianças destacam-se como duas das principais atividades profissionais nesse contexto.

    Segundo pesquisadores (Hallberg & Ortiz, 2005)...

    •  o uso da entrevista lúdica diagnóstica se sobressai nessas práticas, sendo referida como uma técnica usada diariamente por psicólogos que trabalham com crianças.
    • Essa técnica de coleta e análise de informações tem como principal fundamentação teórica os estudos de Sigmund Freud, Melanie Klein e Anna Freud.

    Nos anos de 1930, Melanie Klein e Anna  Freud desenvolveram as primeiras sistematizações da técnica e do valor do jogo como instrumento de investigação clínica (Affonso, 2011a, 2012a; Hwang, 2011; Stürmer, 2009; Werlang, 2000). 
    • há muitas décadas passou-se a utilizar brinquedos, jogos e instrumentos lúdicos como mediadores da comunicação entre o avaliador e o avaliando para fins de diagnóstico psicológico.

    A entrevista lúdica...
    • e muito difundida e praticada por profissionais da área
    •  a entrevista lúdica diagnóstica ainda é um campo a ser investiga do devido à carência de definições mais claras sobre sua operacionalização (Kornblit, 1979/2009)
    • contempla uma série de técnicas ditas como mutáveis de acordo com os objetivos específicos do profissional que as utiliza.
    • A entrevista clínica realizada com crianças em um contexto psicodiagnóstico também pode ser chamada de entrevista lúdica diagnóstica, que se configura como um procedimento técnico utilizado a fim de conhecer e compreender a realidade da criança em processo de avaliação.
    • é uma entrevista inicial realizada com a criança, ou seja, refere-se à primeira etapa diagnóstica.
    • potencializa a análise dos resultados de outras técnicas co mumente empregadas durante o psicodiagnóstico com crianças, como a entrevista com pais ou responsáveis, a entrevista familiar e os testes projetivos e psicométricos, por exemplo (Affonso, 2011a; Castro et al., 2009).
    • permite compreender e formular hipóteses sobre a problemáti ca do paciente (Aberastury, 1962/1986; Efron et al., 1979/2009).
    • permite conceituar o principal conflito atual do paciente, evidenciar as principais defesas ante a ansiedade e sua qualidade, e tornar manifestas as fantasias da criança quanto à doença, à cura e ao tratamento.
    • não segue uma padronização rígida para todos os casos atendidos. Essa prática profissional mostra-se extremamente flexível, sem a existência de uma regra única para sua execução, sendo caracterizada por uma maleabilidade alicerçada no fato de que a decisão quanto aos procedimentos a serem seguidos é resultado do próprio processo avaliativo (Krug, 2014).

    Cuidados Técnicos no inicio do processo avaliativo de crianças:

    • A avaliaçaõ da criança começa no contato telefônico, perpassa pelos cuidados técnicos tomados na ocasião da marcação da primeira consulta.
    • Contato telefônico inicia a escuta diagnóstica.
    • o psicólogo deve refletir sobre quem está entrando em contato com ele, os motivos relatados para o contato, as perguntas feitas e a forma com que o interlocutor se coloca ao telefone
    • Embora a literatura (Krug, 2014; Ocampo & Arzeno, 1979/2009) indique que a maioria dos psicólogos opta por marcar as primeiras entrevistas apenas com os pais, juntos ou separados, para somente depois conhecer a criança pessoalmente, outros realizam os encontros iniciais de formas diversas.
    • Blinder e colaboradores (2011), assim como Ocampo e Arzeno (1979/2009), afirmam ser im prescindível o comparecimento dos pais às entrevistas, podendo ser separadamente ou com ambos, quando há cordialidade entre eles.
    Características do processo avaliativo de crianças...
    • Variabilidade e flexibilidade. Isso inclui a quantidade e a frequência dos encontros, a forma de pagamento e as avaliações concomitantes, além de sigilo.
    • Uma média de 4 a 7 encontros para realização de Psicodiagnóstico com crianças.
    • Os encontros devem ser semanais.
    • Horário, lugar, duração e honorários são elementos do enquadre que devem permanecer o mais estáveis possível (Blinder et al., 2011).
    • Avaliações comcomitantes ocorre quando a criança é encaminhada para outros tipos de avaliação.
    • Importante refletir sobre o que pode e não pode ser revelado à criança.

    Características da sala de atendimento da entrevista lúdica diagnóstica:

    • são necessárias algumas condições mínimas que possibilitem o desenvolvimento adequado da técnica. 
    • Segundo Efron e colaboradores (1979/2009), é importante refletir sobre o assunto, já que os aspectos formais da hora do jogo diagnóstica interferem em seu conteúdo. 
    • Essas condições incluem algumas características da sala de atendimento infantil.
    • Estrutura Física:  atualmente, uma diversidade de modelos utilizados pelos psicólogos (Krug, 2014). A sala de atendimento deve ter um tamanho razoável, isto é, não precisa ser muito grande, mas deve ser ampla, de maneira que a criança não se sinta limitada em suas possibilidades de movimento. Deve ter luminosidade e temperatura controladas pelo psicólogo. Isso permite maior conforto e segurança ao paciente e ao profissional.
    • A sala de atendimento deve possibilitar à criança uso pleno dos objetos nela dispostos, sem restrições. A estrutura deve permitir que ela brinque inclusive com materiais que possam sujar a sala. Além disso, o paciente deve sentir-se completamente livre, podendo movimentar-se no espaço e sentar-se no chão.
    • A segurança é requisito prioritário na confi gu ração do espaço de atendimento.
    Procedimentos de realização da entrevista lúdica diagnóstica:
    • é preciso refletir sobre a real necessidade desse procedimento.
    • Assim, é comum receber as crianças no con sultório apenas após conhecer um pouco sobre suas características, rotinas e vivências através dos pais e responsáveis.
    • Embora não exista um padrão único de condução da entrevista lúdica, o modelo de avaliação psicodiagnóstica orientado psicanaliticamente se baseia em algumas premissas técnicas compartilhadas pela maioria dos profissionais (Krug, 2014).
    • A comunicação deve ser feita com linguagem acessível à criança, mostrando respeito à sua expressão afetiva.
    • A entrada na sala de atendimento já é objeto de avaliação por parte do psicólogo.
    • O papel do psicólogo pode ser descrito à criança como o de alguém que quer conhecer, descobrir e compreender o que a está deixando triste, irritada, incomodada ou confusa, por exemplo. Affonso (2011a) recomenda que o es clarecimento à criança quanto ao papel do psi cólogo seja feito dessa forma.
    • A realização do contrato de trabalho com a criança é feita no início, durante ou no final da entrevista, dependendo dos primeiros movimentos do paciente. Assim, o psicólogo pode avaliar as condições da criança para compreen der as combinações a serem feitas.
    • O contrato inclui o estabelecimento de alguns limites que proporcionarão o enquadre ne cessário para o trabalho avaliativo. A partir de uma perspectiva winnicottiana, Blinder e colaboradores (2011) entendem que um enquadre bem  estruturado proporciona a possibilidade da análise da transferência, uma vez que ela costuma ocorrer antes sobre o enquadre do que sobre a pessoa do analista.
    Finalização do processo avaliativo:
    • agendar entrevistas devolutivas com os pais e com a criança.

    Referências:

    HUTZ et al, 2016. cap.8 -Jefferson Silva Krug,  Denise Ruschel Bandeira e Clarissa Marceli Trentini

    domingo, 24 de janeiro de 2021

    Psicodiagnóstico - O que é?

      Psicodiagnóstico...

    • Segundo Arseno (1995, p.5) apud HUTZ at al (2016, p.16),"... fazer um diagnóstico psicológico não significa necessariamente  o mesmo que fazer psicodiagnóstico."
    • Implica automaticamente em administrar Testes, portanto, não sendo necessário aplicar testes, deixa de ser um psicodiagnóstico.
    • Toda Avaliação Psicológica que não utilize testes não deve ser chamada de psicodiagnóstico.
    • Segundo Cunha (2000,p.23) apud HUTZ et al (2016, p.16) designa um tipo de Avaliação Psicológica com propósitos clínicos, em que "... há a utilização de testes e de outas estratégias, para avaliar o sujeito  de forma sistemática, científica,  orientada para a resolução de problemas." 
    • Cunha (2000) apud Hutz et al (2016) sugere a obrigatoriedade do uso de testes, para que o processo de avaliação clínica seja chamado de "psicodiagnóstico".
    • É realizado pelo psicoterapeuta, capacitado tecnicamente a aplicá-lo.
    • O campo e Arseno (1979/2009)  apud HUTZ et al (2016, p.17) trazem a ideia de que o processo psicodiagnóstico inclui, obrigatoriamente, uma etapa de:
      •  aplicação de testes
      • aplicação de técnicas projetivas
    • Trinca (1983) apud HUTZ et al (2016, p.17) afirmou que o uso de testes ou não depende do psicólogo em relação a cada paciene.
    Definições segundo o CFP-Conselho Federal de Psicologia.

    Avaliação Psicológica...
    •  engloba qualquer atividade com ou sem uso de testes psicológicos.
    • é compreendida como um amplo processo de investigação, no qual se conhece o avaliado e sua demanda, com o intuito de programar a tomada de decisão mais apropriada do psicólogo.
    • refere-se a coleta e interpretação de dados, obtidos por meio de  um conjunto de procedimentos confiáveis, entendidos como aqueles reconhecidos pela ciência psicológica.
    • Processo amplo que envolve a integração de informações proveniente de diversas fontes, dentre elas, testes, entrevistas, observações e análise de documentos.
    • Utilização de diversos recursos e estratégias (incluindo os testes psicológicos) para compreensão mais aprofundada as características de uma pessoa ou situação. 
    Testagem Psicológica...
    • considera um processo diferente, cuja principal fonte de informação são os testes psicológicos de diferentes tipos.
    • Utilização de um teste psicológico ou uma bateria de instrumentos para fins de mensurar um traço ou uma habilidade. Procedimento de uso de ferramentas psicológicas, como testes por exemplo, para mensurar determinado(s) constructo(s).
    • Ver os  pilares da testagem: saber o que está testando; identificar os testes que medem o constructo; aplicar o teste e mesurar o resultado do teste.
    Psicodiagnóstico (Cartilha  de 2013 (CFP,p.34) apud HUTZ et al (2016, p.16))
    • O Psicodiagnóstico é um processo de avaliação psicológica que só existe no contexto da clínica. Fora desse contexto, é uma Avaliação psicológica. Contempla sobretudo, o indivíduo. Psicodiagnóstico é um procedimento complexo, multifacetado, interventivo, baseado em varias informações e que permitem a elaboração embasada de um diagnostico.
    • O objetivo é se obter um diagnóstico clínico.
    • Para realizar um bom diagnóstico precisa ter domínio de base teórica sobre personalidade, inteligência, motivação e demais constructos. não é necessária uma base teórica de determinada abordagem, que se aplica na psicoterapia, por exemplo, que é uma prática interventiva.
    • Modalidade de avaliação psicológica, sem a especificação da necessidade ou não do uso de testes, como pode ser visto a seguir: "... no âmbito da intervenção profissional, os processos de investigação psicológica são denominados de avaliação psicológica, descrito em termos de suas modalidades - psicodiagnóstico, exame psicológico, psicotécnica ou perícia" (CFP, 2013, P.34, grifo nosso).
    • Segundo Wainstein (2011); Wainstein & Bandeira (2013) "...não é o uso ou não de testes ou de determinados tipos de testes, que configura a realização de um psicodiagnóstico.
    • De acordo com ARZENO (1995), Psicodiagnóstico é diferente de diagnóstico psicológico pelas seguintes razões:
      • todo psicodiagnóstico pressupõe a utilização de testes
      • O diagnóstico psicológico nem sempre os testes são instrumentos necessários ou pertinentes.  Inclui-se outras formas de diagnostico, como entrevistas, observação, por exemplo.

    "PARECE NÃO HAVER UM CONSENSO A RESPEITO DA NOMENCLATURA UILIZADA PARA DESIGNAR O ENCAMINHAMENTO DE UM INDIVÍDUO PARA AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA."

    Psicodiagnóstico segundo Hutz et al (2016)...
    • "...procedimento científico de investigação e intervenção clínica, limitado no tempo, que emprega técnicas e/ou testes  com o propósito de avaliar uma ou mais características psicológicas, visando um diagnóstico psicológico (descritivo e/ou dinâmico) construindo á luz de uma orientação teórica que subsidia a compreensão da situação avaliada, gerando uma ou mais indicações terapêuticas e encaminhamentos." (HUTZ et al., pg.27, 2016)

    • "...abrange qualquer tipo de avaliação psicológica de caráter clínico que se apoie em uma teoria psicológica de base e que adote uma ou mais técnicas (observação, entrevista, testes psicométricos, técnicas projetivas, etc.) reconhecidas pela ciência psicológica." (p;20)
    Atualmente o psicodiagnóstico é considerado um Processo não interventivo, mas que, porém, em algum nível geral, ocorre um impacto de intervenção junto ao avaliado e avaliador.
    • É perigoso considerar as práticas avaliativas apenas em sua dimensão investigativa, excluindo aspectos interventivos e terapêuticos que lhes são inerentes.
    • O psicodiagnóstico precisa de uma teoria psicológica que o fundamente. 
    • Na atualidade, observa-se uma supervalorização de instrumentos psicométricos e projetivos em detrimento da escuta e da tarefa de síntese compreensiva que deve ser realizada pelo psicólogo a partir de todas as informações coletadas durante a avaliação.
    • Em alguns casos, a teoria psicológica tem cada vez menos influência no processo, seja por não orientar o próprio processo avaliativo, seja por não estar comtemplada na construção dos instrumentos que são utilizados de forma indiscriminada.

    REFERÊNCIAS
    HUTZ, C.S.; BANDEIRA, D.R.; TRENTINI, C.M.; KRUGM J.F. Psicodiagnóstico. Coleção Avaliação Psicológica, Artmed. Porto Alegre, 2016. 

    quarta-feira, 14 de outubro de 2020

    Avaliação Psicológica X Testagem Psicológica

    Um equívoco...

    Comumente os termos Avaliação Psicológica e Testagem Psicológica são utilizados como sinônimos, no entanto, são processos diferentes, mas complementares. Isso porque ao longo da história da testagem, os testes foram usados em larga escala para diversos fins e que muitas vezes sofreram alterações para atingir a meta desejada. 

    O termo “testagem” corresponde desde a administração até a interpretação do teste (CHAPMAN, 1921; HULL, 1922; SPEARMAN, 1927).

    Assim, mesmo sem estar correlacionada a demanda vigente, alguns testes foram utilizados e diante disso seu uso passou a ser mediante comprovação de habilidade para tal. Deste modo, a Associação Americana de Psicologia (APA) reconheceu a necessidade de criar critérios para cada modalidade de testagem. Nesse sentido, foram criados níveis de graduação para que o profissional adquirisse e utilizasse o referido material. 

    No Brasil, foi criado o código de Ética que contempla as diretrizes relacionadas ao campo da testagem e da Avaliação Psicológica, com fins de orientação aos profissionais, uma vez que, pelo uso desenfreado dos testes, as avaliações passaram a ser passiveis de reinvindicações e serem contrariadas (URBINA, 2007).

    A avaliação psicológica...

    No que tange ao campo de avaliação psicológica, diz-se que este é um processo sistemático e complexo e que diferente do teste. Não é possível obter uma avaliação apenas em um encontro com o candidato. Por ser estruturada e flexível, a avaliação engloba técnicas e instrumentos diversos que visam ampliar o conhecimento acerca da demanda e reunir o maior número de informações possíveis. 

    Os ambientes militar, clínico, educacional e comercial são alguns contextos em que é possível observar a integração de pontuações de testes e outros dados. Nessas situações, o termo avaliação pode ser substituído por testagem.

    Nessa perspectiva da avaliação psicológica, o teste pode entrar em cena. A palavra pode, indica possibilidade, e é este termo mesmo que nos referimos haja vista que o teste é uma ferramenta útil na avaliação, mas não é a única. Por si só, o teste psicológico não consegue abarcar a complexidade do individuo ou avaliá-lo na totalidade, mas consegue mensurar partes de seu comportamento, personalidade, afetividade ou cognição.

    Testes Psicológicos...

    Diante disso, os testes psicológicos conseguem trazer ou fornecer dados que podem levar a uma tomada de decisão a partir do resultado da avaliação e não apenas do teste em si. 

    Os testes são importantes porque além de corresponder a uma ferramenta privativa do psicólogo, são capazes de predizer comportamentos, classificar ou diferenciar questões nosológicas, entre outras situações.

    A testagem...

    De modo mais simples, a testagem é mais rápida, barata e pode ser utilizada em grupos ou individual, diferente da avaliação que geralmente envolve a coleta e a integração de dados relacionados à psicologia com a finalidade de fazer uma estimação psicológica, que é realizada por meio de instrumentos como testes, entrevistas, estudos de caso, observação comportamental e aparatos e procedimentos de medida especialmente projetados.

    Geralmente é feita ao longo de várias sessões mediante o levantamento prévio das informações que objetivam a demanda e são finalizadas mediante a entrevista devolutiva que descreve as conclusões e passos da referida avaliação.

    Por fim, pode-se dizer que a Avaliação Psicológica é um processo que possui uma finalidade específica e que para tal utiliza métodos, técnicas e instrumentos específicos para cada tipo de situação em questão.

    Referência: Aula de 28/09

    quarta-feira, 30 de setembro de 2020

    O ensino das avaliações psicológicas no Brasil - Síntese

      O QUE É...

    • a avaliação psicológica é um procedimento que está inserido em todas as áreas de atuação profissional do psicólogo.
    • antes da avaliação é necessário que se faça a análise do funcionamento dos indivíduos para atender adequadamente suas demandas.
    A IMPORTÂNCIA DA AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA PARA O PSICÓLOGO

    A AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA...
    •  deve ser componente curricular obrigatório
    •  está inserida em todas as áreas da Psicologia.
    • desenvolve a compreensão sobre técnicas de coleta de informações.
    • Permite integrar dados provenientes de diferentes fontes
    • Construção de relato de resultados
    • devolutiva de informações.
    • está relacionada a um conjunto de habilidades que todo psicólogo deve adquirir ao longo de sua formação, independentemente da área que irá atuar profissionalmente.
    • Ganha sentido quando associadas a outras áreas da Psicologia, como: Psicopatologia, Desenvolvimento Humano, Diferenças Individuais, Processos Básicos em Psicologia.
    • promove o desenvolvimento do raciocínio em Psicologia.
    • Não se restringe, portanto, ao ensino de técnicas isoladas de outros contextos da Psicologia.
    • Proporciona ao estudante experiências teórico-práticas resultando no desenvolvimento de competências para uma atuação autônoma e responsável.
    • A responsabilidade permeia o Código de Ética do Psicólogo, que proporciona um infindável processo de reflexão sobre as práticas psicológicas.
    Ao longo do processo de formação do psicólogo, espera-se que possam desenvolver 27 competências básicas, listadas a seguir:
    1. Conhecer os processos históricos da avaliação psicológica em âmbito nacional e internacional
    2. Conhecer a Legislação pertinente à avaliação Psicológica: 
    • Resoluções do CFP, 
    • Código de Ética Profissional do psicólogo, 
    • Histórico do Sistema de Avaliação dos Testes Psicológicos-SATEPSI)
          3. Considerar os aspectos éticos na realização da avaliação psicológica.
          4. Analisar se há condições de espaço físico adequados para a avaliação e estabelecer condições suficientes para tal.
          5. Ser capaz de compreender a avaliação psicológica enquanto processo, aluando seus conceitos às técnicas de avaliação.
          6. Ter conhecimento sobre funções, origem, natureza e uso dos testes de avaliação psicológica.
          7. Ter conhecimento sobre o processo de construção de instrumentos psicológicos.
          8. ter conhecimento sobre validade, precisão, normatização e padronização de instrumentos psicológicos.
          9. Escolher e interpretar tabelas normativas dos manuais de testes psicológicos.
         10. ter capacidade crítica para refletir sobre as consequências sociais da avaliação psicológica.
         11. Saber avaliar fenômenos humanos de ordem cognitiva, afetiva e comportamental em diferentes contextos.
         12. Ter conhecimento sobre a fundamentação teórica de testes psicométricos e do fenômeno avaliado.
         13, Saber administrar, corrigir, interpretar e redigir os resultados de testes psicológicos e outras técnicas de avaliação.
         14.Selecionar instrumentos e técnicas de avaliação de acordo com objetivos , público alvo e contexto.
         15. ter conhecimento sobre a fundamentação teórica de testes projetivos e/ou expressivos e do fenômeno avaliado.
         16.  saber planejar uma avaliação psicológica de acordo com objetivo, público alvo e contexto.
         17. Planejar processos avaliativos e agor de forma coerente com os referenciais teóricos adotados.
         18. Identificar e conhecer peculiaridades de diferentes contextos de aplicação da avaliação psicológica;
         19. Saber estabelecer rapport no momento da avaliação.
         20. Conhecer teorias sobre entrevista psicológica e conduzi-las com propriedade.
         21. Conhecer teorias sobre observação  do comportamento e conduzi-las adequadamente.
         22. Identificar as possibilidades de uso e limitações de diferentes técnicas de avaliação psicológica, analisando-as de forma crítica.
         23. Comparar e integrar informações de diferentes fontes obtidos na avaliação psicológica.
         24. Fundamentar teoricamente os resultados decorrentes da avaliação psicológica.
         25. Elaborar laudos e documentos psicológicos, bem como, ajustar sua linguagem e conteúdo de acordo com destinatário e contexto.
         26. Comunicar resultados decorrentes da avaliação psicológica aos envolvidos no processo, por meio de devolutiva verbal.
         27. Realizar encaminhamentos ou sugerir intervenções de acordo com os resultados obtidos no processo de avaliação psicológica.

    PARTE 2: DISCIPLINAS E CONTEÚDOS PROGRAMÁTICOS BÁSICOS.
    • Processos psicológicos básicos
    • Construção de Instrumentos psicológicos
    • Fundamentação teórica de testes psicométricos para avaliação cognitiva.
    • Administração, correção. interpretação, e redação dos resultados de testes psicológicos e outras técnicas de avaliação afetiva e comportamental.
    • Psicopatologias I, II, III
    • Estágio básico, obrigatório supervisionado em avaliação psicológica.


    REFERÊNCIAS

    Slide do professor Lucas Matias Félix

    Entrevista psicológica no Psicodiagnóstico - Síntese

      O PSICODIAGNÓSTICO...

    • É um tipo de avaliação psicológica desenvolvida no âmbito clínico. 
    • Inicia-se a partir de uma demanda do cliente.
    • Tem foco específico, ou seja, o motivo da avaliação, que irá guiar todo o processo: escolha de técnicas e instrumentos a serem utilizados.
    AS ENTREVISTAS INICIAIS...
    • É indispensável uma entrevista inicial, tanto com o profissional que solicitou o psicodiagnóstico, como com o cliente a ser avaliado. Além desses, pais, responsáveis, e outros profissionais se necessário.
    • Permite aprofundar as queixas ou motivos trazidos em um momento inicial.
    • têm como objetivos conhecer o paciente que chega para a avaliação e compreender o motivo do psicodiagnóstico.
    • Possibilita aos psicólogos avaliadores  se abastecer do maior número e das mais variadas fontes de informação.

    CONTATO COM O PROFISSIONAL ENCAMINHADOR

    • Diversos profissionais, como psicoterapeutas, professores, médicos de diversas especialidades, fonoaudiólogos, nutricionistas, entre outros, podem encaminhar um paciente para esse tipo de avaliação.
    • O encaminhamento pode ser realizado tanto por meio de um contato pessoal entre os profissionais quanto por meio de uma solicitação por escrito.
    • o ideal é realizar um contato direto com a fonte do encaminhamento a fim de esclarecer dúvidas e certificar-se acerca do pedido.
    • questionar sobre o motivo pelo qual o profissional solicitou a avaliação e a percepção que ele tem do paciente e das queixas trazidas, assim como, o impacto delas na vida do paciente.
    • possibilita uma melhor compreensão dos objetivos do psicodiagnóstico do caso em questão, auxilia os avaliadores a dar início a um levantamento de hipóteses e a construir o plano de avaliação.

    • A PRIMEIRA ENTREVISTA...
      • pode ocorrer antes ou após o contato com outros familiares
      • crianças ou dependentes se realiza a entrevista com os pais.
      • permite conhecer as expectativas em relação à avaliação, obter informações acerca do motivo do encaminhamento e fazer esclarecimentos sobre o processo.
      • Inicia-se um vínculo e uma relação de confiança entre o profissional e os responsáveis pelo paciente que será avaliado.
      • o profissional deve se mostrar aberto para responder aos mais diversos questionamentos que podem ser trazidos por eles e estabelecer uma relação de confiança.
      • o ambiente deve ser acolhedor que possibilite ao paciente e a seus familiares sentirem-se seguros e confortáveis.
      • Possibilita a confirmação ou não daquelas primeiras impressões surgidas no momento do encaminhamento.
      • Questionar se eles sabem a razão da avaliação e como percebem as queixas relativas a seu(sua) filho(a).
      • Se conhecem o trabalho do psicólogo e se têm alguma ideia de como funciona um psicodiagnóstico. 
      • "Deve-se explicar, que o psicodiagnóstico ocorre dentro de um tempo limitado, que, durante esses encontros, tenta-se compreender a queixa trazida conversando com a criança, utilizando algumas técnicas que vão desde brincadeiras até a aplicação de instrumentos, e que, ao fim do processo, será dada uma devolução tanto para os pais como para o paciente e para o profissional que solicitou a avaliação." (ADRIANA) 
      • Começa a se formar uma imagem sobre o paciente, embora nem sempre as informações trazidas pelos pais ou responsáveis são a realidade.
      • coletar de informações relacionadas ao paciente que serão significativas para o delineamento de um plano de avaliação.
      O QUE DEVE SER QUESTIONADO OU EXPLICADO AO CLIENTE

      COM CRIANÇAS...
      • Se ele(a) sabe porque veio ao psicólogo.
      • Comunicar sobre os encontros que terão.
      • Informar sobre possíveis atividades.
      • falar sobre o objetivo dos encontros: conhecer melhor e entender as dificuldades do cliente.

      COM ADOLESCENTES...

      • É importante que o paciente sinta-se - responsável por seu processo de avaliação desde o início.
      • A primeira entrevista pode ocorrer com o adolescentes apenas, se os pais estiverem de acordo, autorizando-o, já que é menor de idade.
      • Pode-se conversar com o paciente adolescente incialmente, e em um segundo momento, com os pais ou responsáveis.
      • Ao longo do processo, os responsáveis deverão ser chamados para outras entrevistas, par coleta de dados de anamnese do paciente.
      COM ADULTOS...
      • O mesmo procedimento, exceto pela necessidade da presença dos pais.

      QUESTÕES RELEVENTES NA PRIMEIRA ENTREVISTA...
      • Desde quando os sintomas se manifestam? 
      • Existe algum fator desencadeante? 
      • Qual a intensidade? 
      • Em que ambientes eles ocorrem? 
      • Como o paciente percebe esses sintomas? 
      • Qual a influência dos sintomas na vida diária? 
      • Quais os prejuízos que eles vêm trazendo para a vida do paciente?
      •  Em que áreas da vida (social, familiar, educacional/laboral) os sintomas/problemas trazem prejuízos? 
      • Como a família, os amigos e outras pessoas que convivem com o paciente observam o problema?
      • Que tipo de suporte (social, familiar, financeiro) ele tem para lidar com o problema? 
      • Com quem vive e quem o auxilia em suas dificuldades?
      •  Ele já passou por algum tipo de atendimento profissional antes? 
      • Quais profissionais o acompanham?
      Questões importantes em relato de ideação suicida:
      • Escuta ativa, atenta, empática.
      • O paciente tem planos de suicídio? 
      • Já pensou de que forma e com que meios colocaria esses planos em prática? 
      • Existe alguma data prevista para isso? 
      • Já realizou tentativas anteriores?
      "Estudos demonstram que a presença de transtornos mentais, como os do humor e a esquizofrenia, e as tentativas prévias de suicídio estão entre os principais fatores de risco para o suicídio" (Brasil, 2006; Werlang, Borges, & Fensterseifer, 2005) apud Adriana.

      Na evidência de risco de suicídio...
      •  não se pode liberar um paciente para que saia sozinho do atendimento. 
      • É importante criar um espaço de escuta empática e atenta para as questões trazidas, a fim de que ele também consiga aliviar sua angústia. 
      • deve-se informar o paciente sobre a necessidade de entrar em contato com os familiares ou amigos mais próximos, que deverão ser orientados a não deixá-lo só em nenhum momento, em função do risco existente, e a impedir o acesso a meios que possibilitem o suicídio (medicamentos, armas, cordas, etc.). 
      •  paciente em acompanhamento psiquiátrico, deve-se contatar o profissional, também com a autorização do paciente e dos familiares, para que sejam adotadas as medidas necessárias.
      • paciente não está em acompanhamento psiquiátrico, dependendo da gravidade do risco, pode-se orientar a família para a busca de internação psiquiátrica do familiar. 

      ETAPAS DA ENTREVISTA INICIAL

      1ª Etapa - paciente encaminhado para avaliação
      • Contato com a fonte de encaminhamento para levantamento de informações.
      • Se aplica a crianças, adolescentes e adultos.
      2ª Etapa - Entrevista com paciente e responsáveis.
      • Paciente Adulto - a primeira entrevista geralmente é realizada com o próprio paciente.
      • Paciente Adolescente - A primeira entrevista pode ser realizada com o próprio adolescente, seguida por entrevista com os pais ou responsáveis.
      • Paciente criança - A primeira entrevista é realizada com os responsáveis. Posteriormente, marca-se com a criança.
      3ª Etapa - Entrevistas com outras fontes de informação
      • Sempre com a autorização do paciente e, se for o caso, de seus responsáveis, pode-se coletar informações de outras fontes, como familiares, professores, outros profissionais que acompanham o paciente.

      O PLANO DE AVALIAÇÃO...

      • Que técnicas e testes podem ser utilizados com esse paciente? 
      • Qual o seu nível de compreensão? 
      • Qual sua capacidade de comunicação?
      • O paciente faz uso de lentes ou de aparelho auditivo? 
      • Tem algum problema de visão ou alguma dificuldade motora? 
      • É destro ou canhoto? 
      • Qual sua escolaridade? 
      • É alfabetizado?

      Essas perguntas são importantes para definir o tipo de teste a ser aplicado de acordo com a dificuldade do paciente:

      •  um paciente com dificuldade para identificar cores, por exemplo, não se pode utilizar um teste como o Rorschach.
      •  avaliação da área cognitiva não poderia contemplar exercícios verbais, se a criança tem dificuldade de comunicação verbal.
      •  pacientes que utilizam lentes ou aparelho auditivo é importante lembrar que o uso do aparelho ou dos óculos será imprescindível para a realização dos testes.

      MODELOS DE ENTREVISTA INICIAL

      Livre 

      •  é mais aberta, podendo partir de uma pergunta mais generalista e seguir sendo construída ao longo do seu desenvolvimento. 
      • De acordo com Tavares (2003), em um contexto de avaliação, mesmo a entrevista livre deve ter algum tipo de direcionamento por parte do avaliador.
      • É importante ter em mente os temas que pretende abordar, mesmo não tendo nada elaborado, mantendo o foco de investigação.
      • investiga-se questões específicas aos sintomas apresentados e questões mais generalistas, como aquelas relativas aos marcos de desenvolvimento
      Semiestruturada 

      • Para Ocampo e Arzeno (2009), a entrevista inicial se caracterizaria como uma entrevista semidirigida. o paciente é quem constrói a forma como as informações serão trazidas. 
      • É ele quem irá definir quais dados relativos ao seu problema serão abordados primeiramente e que outros dados serão incluídos.
      • O avaliador poderá auxiliar na estruturação desse campo de informações questionando aquilo que pode ter se mostrado como contraditório, impreciso, ambíguo ou incompleto e assinalando algumas questões quando o paciente não souber como iniciar ou dar continuidade ao seu relato durante a entrevista.
      • Possuem perguntas pré-formuladas.
      • O avaliador segue um roteiro de perguntas.
      • Podem surgir novas perguntas.
      • São bem aplicadas para realização de anamnese.
      • Cada fase do desenvolvimento demanda perguntas específicas.

      Estruturada

      • são mais raras no contexto clínico. 
      • a limita o avaliador tanto no que se refere às perguntas que podem ser feitas quanto no tipo de resposta que pode ser obtida
      • seguem um roteiro bastante rígido, contendo perguntas e alternativas de respostas determinadas (Laville & Dionne, 1999)
      • Não existe liberdade para que se acrescentem novas questões nem a possibilidade de o paciente trazer respostas diferentes daquelas preestabelecidas.
      • servem para algum tipo de protocolo de avaliação ou em situações de pesquisa


      REFERÊNCIAS.

      HUTZ, C.S.; BANDEIRA, D. R.; TRENTINI, C.M.; KRUG, J.S. Psicodiagnóstico.  Coleção avaliação psicológica. Artmed. São Paulo, 2016. Cap.5 - A entrevista psicológica no Psicodiagnóstico.

      quarta-feira, 16 de setembro de 2020

      Testagem e Avaliação Psicológica - Síntese capítulo 1

       Todos os campos de empreendimento humano usam medidas de alguma forma. O profissional de Psicologia "necessita de familiaridade operacional com algumas das unidades de medida que costumam ser usadas em psicologia, bem como de conhecimento sobre alguns dos muitos instrumentos de mensuração empregados." (COHEN et al, pg.1)

      Raízes da Testagem e Avaliação Psicológica:

      • França do início do século XX.
      • 1905- Alfred Binet e um colega publicaram um teste concebido para ajudar a colocar as crianças das escolas de Paris em classes apropriadas, expandindo até os EUA.
      • 1917 - A testagem fornece metodologia para aliviar problemas emocionais e intelectuais de soldados vindos da Primeira Guerra Mundial (1914-1918).
      • A testagem era usada para recrutar os soldados para a Segunda Guerra Mundial(1939-1945)
      • Pós-Guerra haviam testes para medir inteligência e personalidade, o funcionamento do cérebro, desempenho de trabalho e outros funcionamentos psicologicos e sociais.
      Testes e Avaliação:

      “Testagem” era o termo usado para referir-se a tudo, da administração de um teste (como em “Testagem em andamento”) à interpretação de seu escore (“A testagem indicou que...”). (COHEN et al, pg. 2). A testagem uma ferramenta da Avaliação psicológica.

      Aplicador de teste psicológico e avaliador psicológico

      Embora muitos outros profissionais apliquem testes  psicológicos, somente o profissional da Psicologia  tem as habilidades e capacidades necessárias à sua aplicação e avaliação.

      Testagem Psicológica

      • Definição: "o processo de medir variáveis relacionadas à psicologia por meio de instrumentos ou procedimentos projetados para obter uma amostra do comportamento.  (COHEN et al, pg. 3)
      • Objetivo: ..."obter alguma medida, em geral de natureza numérica, com relação a uma capacidade ou um atributo.
      • Processo: pode ser de natureza individual ou grupal
      • Papel do aplicador: não é fundamental  podendo ser substituído sem afetar o resultado.
      • Habilidade do aplicador:   requer habilidades técnicas em termos de administrar e pontuar um teste
      • Resultados: produz escores.

      Avaliação psicológica
      • Definição: "...a coleta e a integração de dados relacionados à psicologia com a finalidade de fazer uma estimação psicológica, que é realizada por meio de instrumentos como testes, entrevistas, estudos de caso, observação comportamental e aparatos e procedimentos de medida especialmente projetados."(COHEN et al, pg. 3)
      • Objetivo:..."responder a uma questão de encaminhamento, resolver um problema ou tomar uma decisão por meio do uso de instrumentos de avaliação. (COHEN et al, pg. 3)
      • Processo: A avaliação costuma ser individualizada; começa com um encaminhamento para avaliação a partir de outro profissional.

      • Papel do avaliador: é fundamental ao processo de seleção dos testes e/ou de outros instrumentos de avaliação
      • Habilidade do avaliador: requer uma seleção especializada dos instrumentos de avaliação, habilidade na avaliação e organização e integração criteriosas dos dados.
      • Resultados: envolve uma abordagem de resolução de problemas que mobiliza muitas fontes de dados visando esclarecer o motivo do encaminhamento

      Exemplo de “questões de avaliação” pessoais que os clientes desejam ver respondidas, tais como:

      “Por que é tão difícil para mim fazer contato visual?” ou “Por que nunca fui capaz de ter um relacionamento íntimo?”

      Na primeira sessão, deve-se perguntar: sobre preocupações refletidas nas perguntas do cliente; quando é mais difícil ou mais fácil para ele fazer contato visual; visual, quando esse problema começou e o que ele já tentou para tratá-lo; sobre tentativas anteriores de ter relacionamentos íntimos. Envolvemos os clientes como colaboradores e “coexperimentadores” durante as sessões de testagens.

      Sugestão de testes: MMPI-w-RF e o Rorschacha porque a combinação de um autorrelato e de um teste de personalidade baseado no desempenho é útil para nos ajudar a entender esses tipos de problemas.

      O TESTE 

      ..."pode ser definido simplesmente como um dispositivo ou procedimento de medida."
      ..."se refere a um dispositivo ou procedimento que visa medir uma variável relacionada àquele modificador."

      TESTE PSICOLÓGICO (PG.6)

      ..."refere-se a um dispositivo ou procedimento visando medir variáveis relacionadas à psicologia (p. ex.,inteligência, personalidade, aptidão, interesses, atitudes ou valores)."
      ..."podem diferir com respeito a uma série de variáveis, como conteúdo, formato, procedimentos de administração, procedimentos de pontuação e interpretação e qualidade técnica."


      O FORMATO (PG.7)
      ..."diz respeito à forma, ao plano, à estrutura, ao arranjo e ao leiaute dos itens do teste e, ainda, às considerações relacionadas, como limites de tempo."

      A ENTREVISTA
      • É um método de obter informação por intermédio da comunicação direta envolvendo troca recíproca.
      • a entrevista como um instrumento de avaliação psicológica em geral envolve mais do que conversa.
      • Observa-se o comportamento verbal e não verbal (linguagem corporal)
      • Pode ser conduzida face a face, por telefone.
      • podem ser usadas pelos psicólogos em várias áreas de especialidade para ajudar na realização de diagnóstico, tratamento, seleção e em outras decisões, além de ajudar os profissionais de recursos humanos a fazerem recomendações mais informadas sobre contratação, demissão e promoção.

      O PORTFÓLIO
      • Estudantes e profissionais em diferentes atividades, conservam suas produções, o que constitui um portfólio.
      • Pode ser usado como instrumento de avaliação, a partir de  decisões tomadas anteriormente, em parte com base em seus julgamentos de amostras de áudio de trabalhos anteriores do candidato.

      Observação comportamental
      • que saber como alguém se comporta em uma determinada situação, observe seu comportamento nessa situação.
      • é a monitoração das ações dos outros ou de si mesmo por meios visuais e eletrônicos ao mesmo tempo em que se registram as informações quantitativas e/ou qualitativas relativas a essas ações.
      • serve de auxílio para planejar a intervenção terapêutica provou ser extremamente útil em ambientes institucionais como escolas, hospitais, prisões e residências coletivas.
      Teste de Dramatização
      • É a encenação de um papel improvisado ou parcialmente improvisado em uma situação simulada.
      • É um instrumento de avaliação no qual os avaliandos são dirigidos a agir como se estivessem em uma determinada situação.
      • A dramatização como um instrumento de avaliação pode ser utilizada em vários contextos clínicos, e também como um instrumento de desfecho.

      REFERÊNCIAS

      COHEN; SWERDLIK/STURMAN. Testagem e Avaliação psicológica. 8ª edição.ABDR. RS, 2014
      Capítulo 1.




      Histórico da Testagem psicológica e seus Antecedentes

       Os testes psicológicos como os conhecemos surgiram no início do século XX. Porém, muito antes do século XX já existiam diversos precursores interessantes da moderna testagem psicológica em várias culturas e contextos.


      Antecedentes da testagem moderna no campo OCUPACIONAL

      - Como selecionar os melhores candidatos possíveis para um determinado emprego?
      • 200 a.C através do concurso público chinês, o Império Chinês aplicava  um sistema de exames competitivos para selecionar merecedores de posições governamentais.
      • Os concursos para serviço público Chinês envolviam demonstrações e proficiência em musica, uso de arco e habilidades em montaria, entre outra coisas, bem como exames escritos.
      Antecedentes da testagem moderna no campo da EDUCAÇÃO

      - Como determinar se os estudantes adquiriram o conhecimento ou as habilidades que seus professores tentaram lhes transmitir?
      • O 1º uso da testagem na educação ocorreu na Idade Média com o surgimento das primeiras Universidades europeias no séc. XIII.
      • Exames orais;
      • Certificação de qualidade.
      • Ao final do século XX tanto na Europa quanto nos Estados Unidos, estas provas já estavam bem estabelecidas como método para determinar quem deveria receber o diploma. (Alemanha)
      • Profissionais liberais.
      Antecedentes da testagem moderna na PSICOLOGIA CLÍNICA

      - Como diferenciar o "normal" do "anormal" nas áreas intelectual, emocional e comportamental?

      • Diversos antecedentes dos testes psicológicos se originaram no campo da psiquiatria (Bony, 1974).
      • Primeiros testes surgem no campo da psiquiatria na Alemanha – 2ª metade do séc. XIX;
      • Entre as amostras e comportamento usadas nestes primeiros testes haviam questões a respeito do sentido de provérbios e diferenças e semelhanças entre pares de palavras, bem como tarefas de memória .
      • Ex: Apresentação e séries de dígitos apresentadas oralmente.
      • As técnicas no sec. 19, eram engenhosas e foram incorporadas em testes modernos que ainda estão em uso.  Levam a Superstições e falta de padronização.
      • Psiquiatra francês chamado Esquirol sugeriu a capacidade de usar a Linguagem como critério mais confiável para estabelecer o nível de funcionamento mental de uma pessoa.
      • Na Psiquiatria – déc. 1890 - houveram avanços significativos na psiquiatria quando Emil Kraepelin- dedicou-se a classificar os transtornos mentais segundo suas causas, sintomas e cursos.
      • Queria aplicar o método cientifico à psiquiatria e sua contribuição foi vital para delinear os quadros clínicos da esquizofrenia e o transtorno bipolar.
      Antecedentes da testagem moderna na psicologia CIENTÍFICA

      As investigações dos psicofísicos alemães Weber e Fechner em meados do século XIX iniciaram uma série de avanços que culminaram na criação, por Wilhelm Wundt em 1879, do primeiro laboratório dedicado à pesquisa de natureza puramente psicológica, em Leipzig
      • Francis Galton (Inglês) interessou-se pela mensuração das funções psicológicas a partir de uma perspectiva inteiramente diferente.
      • Investigou a noção de que os dons intelectuais tendem a se transmitir de uma geração à outra -geração (Físicos e psicológicos).
      • Fez  contribuições significativas para o campo da estatística e da mensuração psicológica.
      • Foi o primeiro a utilizar o método de estudo com gêmeos que, depois de aperfeiçoado, viria a se tornar uma ferramenta de pesquisa primária em genética comportamental.
      • Como era aplicado a classes inteiras de crianças simultaneamente, o instrumento prenunciou o desenvolvimento dos testes em grupo.
      ALFRED BINET (FRANCÊS)
      • Foi inspirado a usar a técnica do completamento e outras tarefas mentais complexas para desenvolver a escala que se tornaria o primeiro teste de inteligência bem-sucedido (DuBois, 1970).
      • 1904 - foi indicado para uma comissão encarregada de criar um método para avaliar crianças que, devido ao retardo mental ou outros atrasos no desenvolvimento, não conseguiam se beneficiar das classes regulares do sistema educacional público e necessitavam de educação especial
      • 1905 - Binet e seu colaborador Theodore Simon publicaram o primeiro instrumento útil para a mensuração da capacidade cognitiva geral, ou inteligência global. A escala Binet-Simon de 1905, como passou a ser conhecida, era uma série de 30 testes ou tarefas de conteúdo e dificuldade variados com o objetivo principal de avaliar o julgamento e a capacidade de raciocínio independentemente da aprendizagem escolar. 
      • 1911 - Nascimento do QI - Quociente de inteligência. Pretendia determinar  quem está na média, abaixo da média ou acima da média em termos de inteligência. Significa que um indivíduo tem um desempenho acima, abaixo ou correspondente ao nível típico de sua faixa etária nos testes de inteligência

      A TESTAGEM EM GRUPO
      • Psicólogos nos EUA foram recrutados para desenvolver um teste grupal de inteligência que pudesse ser eficientemente administrado a todos os recrutas do exército dos Estados Unidos, para ajudar na alocação de pessoal.
      • Desenvolvimento de teste grupal de inteligência - todos os recrutados do exercito. (EUA)
      • Instrumento Army Alpha  - eram oito subtestes que mediam capacidades verbais, numéricas, raciocínio e julgamento práticos de informações gerais. Incluindo-se a escala de Binet.
      • Aplicado a mais de 1 milhão de recrutas.
      • O teste Army Alpha foi substituído pelo Army Beta, um teste supostamente equivalente, mas que não demandava leitura.
      • Mesmo com uma série de práticas de testagem impróprias, os erros cometidos no inicio da testagem moderna serviu como correção e o aperfeiçoamento das práticas no mundo real.
      OUTROS AVANÇOS NA TESTAGEM PSICOLÓGICA
        Testes de aptidões e habilidades especiais
        • O teste Army Alpha, contribuiu para o desenvolvimento de testes com objetivo de selecionar para diferentes ocupações.
        • Identifica as habilidades necessárias para um determinado papel ocupacional
        Testagem Padronizada no contexto educacional
        • Testes padronizados de realização acadêmica:
        • A escala de caligrafia de Thorndike, 1910:uma nova modalidade de testagem ao criar uma série de espécimes de caligrafia variando de muito ruim a excelente.
        Testes de aptidão escolar
        • Em 1920, exames objetivos começaram a ser usados,em conjunto com notas do ensino médio, para fins admissão em faculdades, etc.
        • 1926: Teste de Aptidão Escolar (SAT)- Instrumentos para selecionar candidatos para cursos de pós-graduação e formação profissional.
        Testagem de pessoal e orientação vocacional
        • Durante a adolescência, o inicio da vida adulta, e também cada vez mais na meia-idade, as decisões quanto à seleção e colocação de pessoal nas empresas, industrias e organizações, como militares precisam ser feitas de forma contínua.
        Baterias e aptidões múltiplas
        • Em 1940, os testes de aptidão foram substituídos pelas baterias de aptidões múltiplas, desenvolvidas por Spearman.
        • Inteligência não é um conceito unitário; as habilidades humanas englobam uma gama de componentes ou fatores separados.
        Mensuração de interesses
        • Foram criadas para fins de orientação vocacional e mais tarde, foram empregados na seleção de pessoal.
        • Itens relativos a preferências em materiais de leitura e atividades de lazer.
        • Inventário de Interesses de Strong (SVIB)
        Inventários de personalidade
        • 1º Lista de dados Pessoais Woodworth (P-D Sheet) desenvolvido na 1ª Guerra Mundial para triagem de recrutas que pudessem sofrer de doenças mentais.
        • O inventário Multifásico de Personalidade de Minnesota (MMPI) foi o mais bem sucedido.
        • http://www.mmpi.com.br/teste.html
              SIMULAÇÃO DE TESTE DE PERSONALIDADE MMPI
              FALSO (F) OU VERDADEIRO (V)

              - Eu não me canso rapidamente. 
              - Eu me preocupo com assuntos sexuais.
              - Quando me aborreço, gosto de procurar alguma excitação. 
            - Quase todas as pessoas preferem usar meios mais ou menos desonestos, para obter lucro ou vantagem, a perdê-los. 
              - Acredito que existe uma conspiração contra mim.

        Técnicas Projetivas (1920)
        • Os psiquiatras ainda sentiam necessidade de auxílio no diagnóstico e tratamento das doenças mentais.
        • São um novo gênero de ferramenta para avaliação da personalidade e da psicopatologia.
        • Tiveram suas raízes nos métodos de associação livre, induzidos inicialmente por Galton, Jung e Freud.
        • Em 1921, psiquiatra suiço Prancha Rorschach publicou o teste das manchas de tinta que refletia o modo singular do sujeito de perceber o mundo.
        Técnicas Projetivas (críticas)
        • Embora haja muita controvérsia a respeito de sua validade, basicamente porque costumam interpretar de modo qualitativo do sujeito, as técnicas projetivas ainda são parte significativa do repertório de muitos clínicos (Viglione e Rivera, 2003).
        Testes Neuropsicológicos
        • Disfunção cerebral nos transtornos emocionais, cognitivos e comportamentais Neuropsicologia
        • Goldstein- dificuldades observadas nos soldados com lesões cerebrais. Foram incluídos no termo de Organicidade : sinônimo de dano cerebral.
        • Muitos instrumentos foram desenvolvidos para detectar a organicidade de indivíduos com problemas na fala ou audição.
        • Entre os instrumentos: tabuleiros de formas, quebra-cabeças, blocos, tarefas com lápis e papel, etc.
        REFERÊNCIAS
        Urbina, Susana. Fundamentos da Testagem Psicológica. editora Artmed. Capítulo 1 - Introdução aos Testes psicológicos e seus usos.Páginas 8-20.