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quinta-feira, 29 de fevereiro de 2024

A Criança que Fui Chora na Estrada - Fernando Pessoa

 

A criança que fui chora na estrada.
Deixei-a ali quando vim ser quem sou;
Mas hoje, vendo que o que sou é nada,
Quero ir buscar quem fui onde ficou.

Ah, como hei-de encontrá-lo? Quem errou
A vinda tem a regressão errada.
Já não sei de onde vim nem onde estou.
De o não saber, minha alma está parada.

Se ao menos atingir neste lugar
Um alto monte, de onde possa enfim
O que esqueci, olhando-o, relembrar,

Na ausência, ao menos, saberei de mim,
E, ao ver-me tal qual fui ao longe, achar
Em mim um pouco de quando era assim.

segunda-feira, 25 de abril de 2022

Gestalt terapia com Crianças | Profª Sheila Antony

GT terapia da totalidade, do contato, do aqui-agora, da consciência.

Conceitos pilares: contato e consciência.

Terapia da Totalidade - princípio do todo e parte.

  • A criança é um todo inserida em outro todo que é a sua família, que também é um todo inserida na sua cultura.
  • Para entender um comportamento, a personalidade a GT prima pelo que acontece no mundo relacional da criança: organismo-ambiente.
  • Atender criança ou adolescente é preciso ter o olhar para os pais.
  • A criança como um todo é uma Gestalt neuro-psico-motora em desenvolvimento. Tudo está conectado, nada se torna importante isoladamente. Inter-relação entre os sistemas neurológicos, psicológicos, motor e ambiental, um vai se sobrepondo ao outro em diferentes períodos.
  • É o sistema neurológico que vai dando forma aos demais sistemas.
  • Uma das atribuições do terapeuta é levar a criança a dar importância à sua relação com os outros, com o terapeuta: contato/relação, contato/capacidade e habilidade de engajamento da criança.
  • Contato na GT: ficar com - estar plenamente envolvido com o que faz, engajado, inteiro na relação.
Consciência
  • necessidade que se torna figura revela um aspecto, uma parte de um todo.
  • falar em escolha requer consciência.
  • requer autorregulação enquanto processo inato, de busca pela manutenção do equilíbrio, bem-estar e harmonia entre o organismo e o ambiente e consigo
  • na autorregulação a criança identifica sua necessidade (passa por um nível de consciência), e vai levá-la a uma ação, um comportamento para satisfazer essa necessidade, e assim, restaurar seu bem-estar pessoal nas relações e no ambiente.
  • a criança identifica um objeto no ambiente(organismo--meio) age em relação aquilo(ajustamento criativo) e cria um comportamento para satisfazer essa necessidade.(autorregualçaõ/homeostase)
A GT tem conceitos que permite criar noções do desenvolvimento da criança:
  • em cada idade surgem necessidades diferentes.
  • de acordo com suas habilidades motoras e níveis cognitivos diferentes e compatíveis com cada idade.
  • autorregulação envolve também a sabedoria organismo, é falar de corpo também, que é onde estão as nossas sensações, emoções.
  • o bebê é sensorial, tudo fica registrado no corpo. Há pais e mães que têm muita dificuldade em lidar com o bebê, tem pais que não toleram a dependência. Todo um contato corporal que afeta, cria reações sensoriais.
  • Criança começa a andar, falar e vai provocando outros tipos de reações emocionais e sensoriais.
Para o terapeuta de crianças:
  • Noções de desenvolvimento
  • Ler sobre psicomotricidade
  • Teorias construtivistas de Winnicote, Vigotsky
  • compreender a criança na sua habilidade motora, no seu equilíbrio, fazer leitura da brincadeira da criança, ver na sua totalidade, como segura um lápis, como e sua letra, na sua capacidade criativa, seu nível de desenvolvimento cognitivo (percepção, atenção, memória, linguagem)
  • Adolescentes dificilmente chegam a terapia por problemas cognitivos, geralmente, por questões comportamentais, emocionais, aprendizagem.
  • entender como vai sendo construído a culpa, o medo, a vergonha. Não nascemos com isso. Vamos construindo nas relações, seu senso de identidade.
  • O primeiro reconhecimento do eu é aos 3 anos de idade quando acriança deixa de usar seu nome, para usar o eu. Passa a se reconhecer e negar o outro.
  • Quando a criança sabe dizer eu quero, eu não quero, é um processo de formação do seu campo de subjetividade, que vai interferir no senso de identidade.
  • Criança de 8 anos já faz a distinção EU_TU / distinção de fronteiras. Ex. Eu gosto disso, meu irmão gosta daquilo, meu pai disso, minha mãe daquilo.
  • Importante que os pais validem a prática das próprias escolhas, porém, nem tudo se deve deixar a encargo  da criança. 
  • Dizer sim e não na hora certa é muito importante na relação pais e filhos.
  • 3-4 anos criança já não é mais pra usar fraldas. Crianças mais velhas que ainda usam fraldas, descartado qualquer problema médico, apresenta sintomas regressivos, requerendo cuidados ainda dos pais.
  • Observar seu corpo, sistema cognitivo, capacidade de contato, nível de consciência sensorial, emocional e corporal, como lida com suas emoções.
  • Grande principio na terapia com crianças é Incentivo rumo a autonomia, autorregulação e autorrealização.
  • O terapeuta deve ter conhecimento de sua criança interior, suas memorias afetivas em relação aos pai, quem foi a criança lá atrás, para que o terapeuta não efetue transferências ao cliente.

quarta-feira, 23 de março de 2022

Recurso para situar o cliente adolescente, na sua fase do desenvolvimento.




  • Tem como objetivo primeiro, facilitar o contato do cliente, com o modo de ser e estar no mundo, estimulando a relação dialógica para que se possa chegar a awareness.
  • Situando o Adolescente para identificar os aspectos fenomenológicos que está vivenciando e com os quais se identifica.

quinta-feira, 3 de junho de 2021

Entrevista Lúdica Diagnóstica

 A avaliação psicológica e o atendimento de crianças destacam-se como duas das principais atividades profissionais nesse contexto.

Segundo pesquisadores (Hallberg & Ortiz, 2005)...

  •  o uso da entrevista lúdica diagnóstica se sobressai nessas práticas, sendo referida como uma técnica usada diariamente por psicólogos que trabalham com crianças.
  • Essa técnica de coleta e análise de informações tem como principal fundamentação teórica os estudos de Sigmund Freud, Melanie Klein e Anna Freud.

Nos anos de 1930, Melanie Klein e Anna  Freud desenvolveram as primeiras sistematizações da técnica e do valor do jogo como instrumento de investigação clínica (Affonso, 2011a, 2012a; Hwang, 2011; Stürmer, 2009; Werlang, 2000). 
  • há muitas décadas passou-se a utilizar brinquedos, jogos e instrumentos lúdicos como mediadores da comunicação entre o avaliador e o avaliando para fins de diagnóstico psicológico.

A entrevista lúdica...
  • e muito difundida e praticada por profissionais da área
  •  a entrevista lúdica diagnóstica ainda é um campo a ser investiga do devido à carência de definições mais claras sobre sua operacionalização (Kornblit, 1979/2009)
  • contempla uma série de técnicas ditas como mutáveis de acordo com os objetivos específicos do profissional que as utiliza.
  • A entrevista clínica realizada com crianças em um contexto psicodiagnóstico também pode ser chamada de entrevista lúdica diagnóstica, que se configura como um procedimento técnico utilizado a fim de conhecer e compreender a realidade da criança em processo de avaliação.
  • é uma entrevista inicial realizada com a criança, ou seja, refere-se à primeira etapa diagnóstica.
  • potencializa a análise dos resultados de outras técnicas co mumente empregadas durante o psicodiagnóstico com crianças, como a entrevista com pais ou responsáveis, a entrevista familiar e os testes projetivos e psicométricos, por exemplo (Affonso, 2011a; Castro et al., 2009).
  • permite compreender e formular hipóteses sobre a problemáti ca do paciente (Aberastury, 1962/1986; Efron et al., 1979/2009).
  • permite conceituar o principal conflito atual do paciente, evidenciar as principais defesas ante a ansiedade e sua qualidade, e tornar manifestas as fantasias da criança quanto à doença, à cura e ao tratamento.
  • não segue uma padronização rígida para todos os casos atendidos. Essa prática profissional mostra-se extremamente flexível, sem a existência de uma regra única para sua execução, sendo caracterizada por uma maleabilidade alicerçada no fato de que a decisão quanto aos procedimentos a serem seguidos é resultado do próprio processo avaliativo (Krug, 2014).

Cuidados Técnicos no inicio do processo avaliativo de crianças:

  • A avaliaçaõ da criança começa no contato telefônico, perpassa pelos cuidados técnicos tomados na ocasião da marcação da primeira consulta.
  • Contato telefônico inicia a escuta diagnóstica.
  • o psicólogo deve refletir sobre quem está entrando em contato com ele, os motivos relatados para o contato, as perguntas feitas e a forma com que o interlocutor se coloca ao telefone
  • Embora a literatura (Krug, 2014; Ocampo & Arzeno, 1979/2009) indique que a maioria dos psicólogos opta por marcar as primeiras entrevistas apenas com os pais, juntos ou separados, para somente depois conhecer a criança pessoalmente, outros realizam os encontros iniciais de formas diversas.
  • Blinder e colaboradores (2011), assim como Ocampo e Arzeno (1979/2009), afirmam ser im prescindível o comparecimento dos pais às entrevistas, podendo ser separadamente ou com ambos, quando há cordialidade entre eles.
Características do processo avaliativo de crianças...
  • Variabilidade e flexibilidade. Isso inclui a quantidade e a frequência dos encontros, a forma de pagamento e as avaliações concomitantes, além de sigilo.
  • Uma média de 4 a 7 encontros para realização de Psicodiagnóstico com crianças.
  • Os encontros devem ser semanais.
  • Horário, lugar, duração e honorários são elementos do enquadre que devem permanecer o mais estáveis possível (Blinder et al., 2011).
  • Avaliações comcomitantes ocorre quando a criança é encaminhada para outros tipos de avaliação.
  • Importante refletir sobre o que pode e não pode ser revelado à criança.

Características da sala de atendimento da entrevista lúdica diagnóstica:

  • são necessárias algumas condições mínimas que possibilitem o desenvolvimento adequado da técnica. 
  • Segundo Efron e colaboradores (1979/2009), é importante refletir sobre o assunto, já que os aspectos formais da hora do jogo diagnóstica interferem em seu conteúdo. 
  • Essas condições incluem algumas características da sala de atendimento infantil.
  • Estrutura Física:  atualmente, uma diversidade de modelos utilizados pelos psicólogos (Krug, 2014). A sala de atendimento deve ter um tamanho razoável, isto é, não precisa ser muito grande, mas deve ser ampla, de maneira que a criança não se sinta limitada em suas possibilidades de movimento. Deve ter luminosidade e temperatura controladas pelo psicólogo. Isso permite maior conforto e segurança ao paciente e ao profissional.
  • A sala de atendimento deve possibilitar à criança uso pleno dos objetos nela dispostos, sem restrições. A estrutura deve permitir que ela brinque inclusive com materiais que possam sujar a sala. Além disso, o paciente deve sentir-se completamente livre, podendo movimentar-se no espaço e sentar-se no chão.
  • A segurança é requisito prioritário na confi gu ração do espaço de atendimento.
Procedimentos de realização da entrevista lúdica diagnóstica:
  • é preciso refletir sobre a real necessidade desse procedimento.
  • Assim, é comum receber as crianças no con sultório apenas após conhecer um pouco sobre suas características, rotinas e vivências através dos pais e responsáveis.
  • Embora não exista um padrão único de condução da entrevista lúdica, o modelo de avaliação psicodiagnóstica orientado psicanaliticamente se baseia em algumas premissas técnicas compartilhadas pela maioria dos profissionais (Krug, 2014).
  • A comunicação deve ser feita com linguagem acessível à criança, mostrando respeito à sua expressão afetiva.
  • A entrada na sala de atendimento já é objeto de avaliação por parte do psicólogo.
  • O papel do psicólogo pode ser descrito à criança como o de alguém que quer conhecer, descobrir e compreender o que a está deixando triste, irritada, incomodada ou confusa, por exemplo. Affonso (2011a) recomenda que o es clarecimento à criança quanto ao papel do psi cólogo seja feito dessa forma.
  • A realização do contrato de trabalho com a criança é feita no início, durante ou no final da entrevista, dependendo dos primeiros movimentos do paciente. Assim, o psicólogo pode avaliar as condições da criança para compreen der as combinações a serem feitas.
  • O contrato inclui o estabelecimento de alguns limites que proporcionarão o enquadre ne cessário para o trabalho avaliativo. A partir de uma perspectiva winnicottiana, Blinder e colaboradores (2011) entendem que um enquadre bem  estruturado proporciona a possibilidade da análise da transferência, uma vez que ela costuma ocorrer antes sobre o enquadre do que sobre a pessoa do analista.
Finalização do processo avaliativo:
  • agendar entrevistas devolutivas com os pais e com a criança.

Referências:

HUTZ et al, 2016. cap.8 -Jefferson Silva Krug,  Denise Ruschel Bandeira e Clarissa Marceli Trentini

A Entrevista de Anamnese

 

  • coleta de informações aprofundadas sobre o avaliando, focando as áreas mais importantes de sua vida e os motivos que o levaram a buscar atendimento.
  •  essas informações  que irão fundamentar a formulação das hipóteses diagnósticas iniciais e, consequentemente, a escolha de instrumentos e técnicas a serem utilizados no psicodiagnóstico, os psicólogos, em geral, realizam uma extensa entrevista sobre a história de vida da pessoa.
  • A Entrevista de Anamnese...

  • é um tipo de entrevista realizada para investigar a história do examinando, ou seja, os aspectos de sua vida considerados relevantes para o entendimento da queixa.
  • anamnese significa trazer à consciência os fatos relacionados à queixa e à história do avaliando.
  • Em caso de crianças a anamnese é feita com pais ou responsáveis.
  • A anamnese é um tipo de entrevista clínica direcionada a investigar fatos e, por isso, o psicólogo tem uma posição mais ativa nos questionamentos.
  • é o momento de coletar informações, devendo evitar posicionamentos a respeito.
  • A entrevista de anamnese tem caráter investigativo, priorizando o levantamento de informações cronologicamente organizadas e que guiam a tomada de decisão sobre como prosseguir com a avaliação (Cunha, 2000)
  • geralmente é feita em forma de entrevista semiestruturada, ou seja, há um roteiro prévio contendo aspectos essenciais a serem abordados para orientar algumas pergun tas, e esse roteiro vai sofrendo adaptações durante a entrevista.
  • Antes de iniciar a anamnese, é necessário estabelecer um rapport adequado com o informante, explicando os objetivos gerais da entrevista, bem como sua duração e seu papel no processo de psicodiagnóstico.
  • Durante a entrevista de anamnese, vamos construindo imagens e percepções sobre o avaliando, estando ele presente ou não.
  • é um recurso limitado
  • O psicólogo precisa ter habilidades para perguntar, escutar, prestar atenção no informante e anotar o que ele diz. As respostas do entrevistado devem ser anotadas com exatidão e, preferencialmente, nas palavras dele, a fim de se evitar interferências da interpretação do psicólogo no registro.
  • Pode-se gravar audio na anamnese 
  • Deve-se sempre informar e pedir a autorização do avaliando ou do informante para todas as formas de registro.

  • Anamnese com crianças...
    • a avaliação da história pré e perinatal e o alcance dos marcos do desenvolvimento têm uma importância central
    • condições de saúde física e mental da mãe durante a gravidez e após o nascimento do bebê, sobre a realização de acompanhamento pré-natal e sobre possíveis intercorrências na gravidez (quedas,
    • acidentes e outros eventos significativos). 
    • Também devem ser registrados detalhes sobre o parto, sobre as condições emocionais e de saúde da mãe neste momento, sobre as condições da criança ao nascer, sobre o índice Apgar no primeiro e no quinto minuto, sobre as características e capacidades iniciais do bebê, sobre a reação dos pais, sobre a ocorrência de conflitos familiares na época, entre outros.
    • deve-se explorar os indicadores  esperados para a idade, envolvendo o período de alcance de um marco do desenvolvimento específico e a qualida de com que a criança passou a desempenhar aquela habilidade.
    Anamnese com Adolescentes.
    • deve considerar as diversas mudanças que ocorrem nessa fase, especialmente as hormonais, físicas e relacionadas à formação da identidade.
    • Deve-se dar atenção especial à socialização, ao interesse em relacionamentos íntimos, às questões relacionadas à sexualidade, ao histórico escolar e aos problemas específicos dessa fase da vida.
    • Erickson (1976) caracterizou a adolescência como uma fase especial no processo do desenvolvimento, em que a confusão de papéis e as dificuldades para estabelecer uma identidade própria marcam a transição entre a infância e a vida adulta.
    • Quanto à socialização, as relações na adolescência tendem a se tornar mais amplas e importantes
    • Comportamentos opositores podem surgir ou se acentuar nessa fase da vida
    • investigar as relações do adolescente com os pais, irmãos, amigos, colegas, figuras de autoridade e de identificação (Cunha, 2000).
    • Investigar sobre a sexualidade, a vida escolar,
    Anamnese com adultos...
    • o desenvolvimento nas fases anteriores da vida é investigado em termos da possível ocorrência de problemas pregressos relevantes, sem grande detalhamento.
    • As questões mais importantes referem-se às de mandas desenvolvimentais esperadas nos âm bitos sexual, familiar, social, ocupacional e físico. 
    • Hutteman, Hennecke, Orth, Reitz e Specht (2014)propõem que os aspectos mais centrais da vida dos adultos podem ser organizados em cinco domínios:
      •  (1) relacionamento íntimo, 
      • (2) vida familiar, 
      • (3) vida profissional, 
      • (4) vida social e 
      • (5) alterações físicas
    • avaliar a qualidade das relações com o parceiro ou cônjuge, envolvendo a satisfação geral com a relação, a área sexual, os padrões comportamentais do casal, os pontos positivos e possíveis problemas enfrentados.
    • Quanto ao domínio da vida familiar, deve-se enfocar a qualidade das relações e de tarefas como administrar o lar e dividir responsabilidades com os demais membros da família.
    • Em relação à vida profissional, que tem papel central na vida do adulto, merecem atenção a situação ocupacional, a satisfação com o próprio desempenho na carreira, a concretização ou não de planos e metas de vida, a satisfação com o trabalho e com as condições financeiras, e os relacionamentos com a chefia, colegas e subordinados.
    • Quanto à vida social, deve-se buscar informações sobre a rede de contatos do adulto e a importância que ele atribui aos seus relacionamentos
    Anamnese com Idosos...
    • Além do que foi dito, é importante considerar aspectos do envelhecimento e perdas ocorridas ao longo da vida que possam estar relacionadas à queixa.

    Fontes complementares de informação...

    • Exames neurológicos, genéticos, psiquiátricos, fonoaudiológicos, entre outros, podem esclarecer muito sobre a queixa do paciente, direcionar hipóteses diagnósticas e melhorar a acurácia da avaliação.
    •  Os registros escolares, como cadernos, provas, boletins e documentos produzidos por professores, também podem ter muita relevância na avaliação. 
    • Os registros digitais, por meio de fotos e vídeos, também podem ser fontes preciosas de informação.

    Importância dos conhecimentos teóricos para a entrevista de anamnese

  • exige conhecimentos de áreas diversas, como desenvolvimento humano, técnicas de entrevista, processos psicológicos e psicopatologia.
  • O psicólogo deve ter conhecimentos suficientes sobre os fenômenos avaliados ou buscar esses conhecimentos para a compreensão posterior dos dados coletados.
  • ter  conhecimentos sobre eventos recorrentes na clínica, como a ação dos psicofármacos, seus efeitos colaterais e suas possíveis interferências no desempenho em testes ou na sintomatologia do paciente. 
  • conhecimento das características dessa síndrome e dos efeitos colaterais do medicamento permite descartar a hipótese de transtorno de tique

  • Importante observar...
    • Quando a anamnese é pouco informativa ou confusa, torna-se necessário recorrer a outras fontes de informação para tentar reconstituir a história do avaliando. 
    • Em caso de confusões, informações divergentes ou incompletas, uma estratégia bastante útil é perguntar a mesma questão de diferentes formas e em momentos diferentes da entrevista.
    • As perguntas que sugerem respostas diretas, do tipo sim ou não, devem ser evitadas na anamnese.
    • O conhecimento do vocabulário e o domínio da mesma língua do informante não impedem a ocorrência de dificuldades de compreensão da fala espontânea
    • Para a anamnese ser bem realizada, o psicólogo deve ter conhecimentos teóricos sobre o que pretende avaliar e estar atento a estratégias que otimizem a qualidade das informações coletadas.


    Referências:

    HUTZ et al, 2016. Cap.6 - Mônia Aparecida Silva e Denise Ruschel Bandeira

    sexta-feira, 16 de novembro de 2018

    Inocência Roubada: Os riscos da adultização infantil no Brasil - Aluna Itinerante

        Relatório como atividade de avaliação para obtenção de nota na disciplina de Socioantropologia, d do 2º semestre, do curso de Psicologia.



    Resumo
    Esse relatório trata das questões relacionadas à adultização erótica infantil, como motivo de grande preocupação sobre a saúde biopsicossocial da infância, no Brasil. Dentro desse contexto, que tem motivado profundas reflexões sobre as consequências da adultização como influência do comportamento infantil, faz-se necessário entender as causas e motivações que contribuíram para a banalização da erotização precoce nas crianças.
              Palavras-chave
              Criança; Adultização; Infância; Desenvolvimento; Inocência.

    Introdução

    As causas e motivações da adultização infantil, podem ser observadas nas relações de convivência do homem na sociedade em que vive, sobretudo, nos diferentes meios de acesso às informações, que as crianças da contemporaneidade vem dispondo, em seu cotidiano social.

    Daí a necessidade de se conhecer os fatores socioantropológicos que contribuíram para se chegar a esse panorama dramático da adultização infantil no Brasil, bem como, conhecer como a sociedade tem contribuído para amenizar os efeitos da erotização infantil através da saúde pública, com ênfase na prevenção e intervenção da criança erotizada.
    Esse relatório tem por finalidade, levantar o panorama da realidade brasileira, no que tange a adultização erótica infantil, elucidando os meios viáveis a proteção da criança, quando esta tem, a sua infância roubada.

    1.    Desenvolvimento
    Para se obter uma maior compreensão da criança em si, é preciso se reportar à Psicologia do Desenvolvimento que abrange o desenvolvimento físico, cognitivo, e social ao longo da vida, com ênfase no modo pelo qual a herança genética ou natureza interage com as experiências ou cultura da criança no meio em que vive, entendendo que “Natureza é tudo que um homem traz consigo para o mundo; cultura é qualquer influência que o afeta após seu nascimento. ” (Francis Galton, English Men os Science, 1874). (MYERS;DEWALL, 2017, pg.146).
    Sabe-se que há diferentes fases de desenvolvimento do homem, desde a sua concepção até a idade adulta. Entretanto, tendo como objeto de estudo a criança no processo de adultização erótica no âmbito social, torna-se importante compreender inicialmente, seu desenvolvimento para depois, mostrar como a sua interação com as diferentes culturas podem lhe roubar a infância.
    O desenvolvimento se dá em diferentes estágios, tanto no que diz respeito ao amadurecimento biológico como também, psicológico, e esses estágios de desenvolvimento podem se dar de forma estável como é o caso do temperamento das pessoas, como através de mudanças, o que acontece por meio da interação com diferentes culturas, ao longo da vida.
    Segundo Piaget, que estudou o desenvolvimento cognitivo das crianças (MYERS; DEWALL, 2017), a mente de uma criança se desenvolve através das atividades mentais ligadas a pensar, conhecer, lembrar e se comunicar, levando-o a concluir que a mente da criança não era igual a mente de um adulto em miniatura, cabendo aqui a reflexão sobre o comportamento adulto que vem roubando a infância da criança, na convivência da atual sociedade. Piaget sustentava que os estágios de desenvolvimento da mente, por exemplo, de uma criança de 8 anos eram diferentes da de 3 anos, uma não pensa nem aprende, da mesma forma que a outra, o que a de 8 anos já compreende, não é possível se compreender aos 3 anos de idade. Portanto, é através dessa interação com o mundo de diferentes culturas que as pessoas vão se ajustando, se adaptando ou ainda, se acomodando a diferentes mudanças de comportamentos.
    Na infância, entre os 2 e 7 anos de idade, a criança vivencia o estágio pré-operacional, no qual ocorrem as representações das coisas com palavras e imagens. Tudo que se fala e se vê acabam sendo reproduzidos pela criança, de tal sorte que os pais têm grande responsabilidade na conclusão desse estágio, onde os valores sólidos do exemplo, daquilo que se fala e como se fala, bem como, daquilo que se permite a criança assistir. É nesse contexto, que as diferentes culturas, expostas pelos diversos meios de comunicação, redes sociais, internet em geral, têm ganho papel de destaque na influência do comportamento infantil rumo à erotização com prejuízo da infância. Atualmente, é muito comum se ver crianças nessa faixa etária, assistindo programas inadequados, ouvindo músicas com palavras desapropriadas, e muitas vezes, incompreendidas pela criança. Por outro lado, os pais ignorantes, quanto ao processo de aprendizagem da faixa etária por meio das palavras e imagens, acabam permitindo a interação da criança com a cultura adulta, negligenciando a capacidade de aprendizado da mesma, por se ter pouca idade.
    Entre os 7 e 11 anos de idade a criança vivencia o estágio que Piaget chama de operacional concreto, no qual pensa logicamente a respeito de eventos concretos e entende analogias. Ai a criança começa a despertar para a  consciência dos fatos, e a raciocinar com coerência, podendo distinguir o certo do errado, o conveniente do inconveniente, a verdade da mentira, o que certamente, garante a ela a capacidade de compreender conteúdos adultos implícitos em insinuações musicais, programas inadequados a faixa etária, e obviamente, os conteúdos explícitos assistidos ou escutados, que irão corroborar para a adultização precoce da criança, entretanto, ainda não têm uma dimensão lógica, racional sobre o potencial moral maduro que lhe possibilite discernir coerentemente no contexto.  Contudo, a partir dos 12 anos de idade, inicia-se a fase da puberdade, na qual começa a refinar o gosto pelo que lhe agrada, a testar papéis, para posteriormente, formar a sua identidade, fase em que apresentam grande confusão sobre quem realmente são. E nessa fase, as diferentes formas de culturas com as quais interagem na família ou em sociedade, será determinante para leva-la a um comportamento erotizado ou não na infância.
    Karl Marx (1818-1883), muito preocupado em compreender a sociedade e a forma como o homem se comportava na sociedade, já afirmava que a Ideologia abrange o conjunto de ideias, pensamentos, doutrinas e visões de mundo numa sociedade, mas observou que essa ideologia era instrumento de dominação, quando impõe crenças falsas ou ilusórias, fazendo com que o indivíduo não perceba sua realidade pessoal, sem tomar consciência de sua realidade social. Portanto, influências culturais que fomentam a erotização infantil no Brasil, como os programas de televisão com conteúdo adulto, as redes sociais com facilidades múltiplas de acessos, as famosas séries disponíveis nos canais fechados, os diferentes gostos musicais que insinuam conteúdos sensuais, quando não eróticos, acompanhados de um ritmo e danças, igualmente sensuais e erotizados, certamente reproduzem o que Marx chamou de alienação, onde o sujeito alienado, nesse contexto, é a própria criança, que por si só, não tem ainda o discernimento para tomar consciência, dessa adultização, culminando para a  intitulada “infância roubada”.
    Com essa facilidade de acesso, se torna cada vez mais precoce, o despertar das crianças para conteúdos adultos, sobre os quais ainda não se encontram plenamente preparadas e desenvolvidas, para enfrentar os desafios de uma sexualidade precoce, o que tem trazido graves consequências para essas crianças, tanto no seu desenvolvimento infanto-juvenil quanto na idade adulta.
    Observa-se um processo crescente de adultização infantil, como forma de socialização de crianças para atender por exemplo, a um determinado mercado consumidor, como pode ser visto, na confecção de sutiãs com enchimento para crianças; batons produzidos especificamente para crianças, sapatinhos com saltos entre outros acessórios, e vestuário adulto, sensual reproduzido em miniaturas, direcionados a este público. Esse mercado consumidor em crescente e contínuo propósito de intensificar o consumo, culmina para o que Karl Marx, chamou de sociedade do ter, cujos valores estão pautados no consumo e nas trocas comerciais, e não na sociedade do ser, cujos valores estão pautados na dignidade humana.
    Importante ressaltar, a responsabilidade dos pais e ou responsáveis que contribuem, mesmo que inconscientemente, para a adultização infantil, sem a preocupação dos efeitos sociais que trarão consequências para a criança. E considerando que a criança é produto do meio em que vive, abrangendo as células da família e sociedade, pode-se considerar que seus responsáveis também se encontram envolvidos no processo de alienação, muitas vezes incapacitados de perceber as consequências negativas que a erotização infantil traz não só para a infância, também, por toda a vida da criança.
    Outro aspecto interessante de se observar, é que mesmo considerando a responsabilidade dos pais e ou responsáveis sobre a criança, existem os fatores sociais, cujo acesso cada vez mais amplo, vai influenciando as formas-pensamentos das crianças, repercutindo inevitavelmente em suas atitudes, nas quais buscam reproduzir o que admiram como modelo no adulto, o que se pode ver, através dos supostos ídolos, que influenciam num padrão de comportamento, estereotipado, até mesmo, estigmatizado, que irão culminar para criança adultizada, reproduzindo comportamentos, modo de se vestirem, maneira de falar. Para Marx, essa realidade mostrar que o indivíduo, no caso a criança, não pensa e faz aquilo que ela quer, até porque ainda não tem discernimento para tomar consciência do que faz, mas seria algo que alguém quer que ele pense e faça, e esse alguém se reflete numa sociedade de valores consumistas em detrimento de valores morais, com os quais deveriam seus pais e responsáveis estarem buscando. E, é claro que, como Marx bem afirmou, seus pensamentos e ações acabam se voltando contra a própria criança, no caso, já que se tornam alvo de uma erotização que potencializa as oportunidades de serem violentadas sexualmente.
    Skinner (MYERS; DEWALL, 2017), através de sua Teoria da Aprendizagem, tinha como preocupação principal o comportamento humano, sobre o qual observava, que reforços negativos contribuem para que o mal comportamento não volte a ocorrer; em contrapartida, o reforço positivo, deve ser dado ao comportamento positivo, para que este, volte a se repetir.  Muito oportuna, a questão dos estímulos que os pais e a sociedade disponibilizam no cotidiano infantil, para que comportamento adultos, se reproduzam em atitudes infantis inconscientes. Há, portanto, uma clara inversão de valores na sociedade contemporânea, que reforçam positivamente, comportamentos inadequados à faixa-etária infantil, roubando-lhe a sua inocência, e empurrando-lhe para a violência sexual iminente do mundo adulto, que corrobora para a gravidez precoce, aquisição de doenças sexualmente transmissíveis, estupros e consequentes abortos, sem aqui mencionar os profundos danos psicológicos, que irão permear a por toda a vida, dessa criança.

    2.    Apresentação do tema-eixo e problema (questão norteadora);
                Esse relatório tem como tema-eixo a Infância, cujo temaInocência Roubada – Os riscos da adultização erótica em crianças no Brasil”, propõe uma reflexão sobre os impactos da erotização precoce sobre a infância brasileira.
    Se, por um lado, a criança não é considerada socialmente um ser completo, por outro, na perspectiva de sua inserção na cultura, ela exerce grande influência no consumo daquilo que lhe é sugerido como opção. Deve-se, no entanto, atentar em sua entrada no mercado de consumo originalmente voltado para o público adulto. Antes dos 12 anos, os indivíduos não estão capacitados para distinguir no conteúdo com discernimento. As crianças acreditam que os conteúdos expostos são para a sua felicidade, por isso, vê-se crianças reproduzindo inocentemente, comportamentos adultos em danças (feet dance, funks, axés, etc.); vê-se crianças reagindo com palavras adultas, em contextos infantis, vê-se crianças reproduzindo atitudes erótica-adultas, sem muitas vezes, entender o seu sentido moral real.
    Todo esse panorama de desenvolvimento da infância, dentro de um contexto cultural pautado na inserção da criança no mundo adulto, traz expressivos impactos da erotização precoce, sobre a infância brasileira.
    Dentre as muitas consequências da infância roubada, em função da adultização erótica precoce no Brasil, observa-se um elevado índice de gravidez na infância, entre meninas de 10 a 19 anos; crescente número de vítimas de estupros; além das DST (doenças sexualmente transmitidas) que acabam roubando a infância de uma criança, potencialmente saudável, equilibrada e feliz.
    Fatores como baixa renda, baixa escolaridade, pouca perspectiva de futuro, falta de informação adequada e pontual, contribuem para o aumento da gravidez na adolescência.
    3.    Aprendizado alcançado
    Pôde-se compreender, ao longo dos estudos, as influências que uma sociedade pode ter sobre o comportamento das crianças, tanto em aspectos positivos como também, em aspectos negativos, como a exposição à erotização precoce, bem como, a alienação dos pais, contribuem para o incentivo a esse caminho, quando a infância se constitui em um momento da vida sócio histórica e cultural, interagindo na convivência individual e social, para que venha a ser o futuro adulto, reflexo de uma infância erotizada e adultizada.
     Estatísticas brasileiras mostram as consequências dessa adultização precoce em relação a elevado número de meninas e meninos que sofrem violência sexuais, tornando-se vulneráveis na sociedade, ratificando assim,  a importância de se instaurar junto a essas famílias, consideradas de maior risco para a adultização infantil, instituições sociais que possam viabilizar meios de instrução através da educação e da orientação social, que possam desestimular cada vez mais, a introdução da criança no mundo adulto, protegendo assim, a sua integridade física, moral, e psicológica fortalecendo cada vez mais os chamados valores morais e familiares, respeitando portanto, as devidas faixas de desenvolvimento que a criança necessita para se tornar um adulto mais equilibrado e feliz.

    4.    Conclusão e recomendações
    Diante do exposto, percebe-se claramente, o quão prejudicial tem sido para a criança, vivenciar comportamentos adultos, trazendo consequências irreparáveis para toda a vida da mesma, cuja inocência roubada, lhe tira a pureza e o direito que viver cada etapa de seu desenvolvimento pessoal, sem os chamados conflitos de “gente grande”.
    Segundo a OMS, estima-se que, só no Brasil, 18 mil crianças são vítimas de espancamento e uma a cada minuto de algum tipo de violência: emocional, física ou sexual, e que cerca de 53 mil crianças mortas todos os anos por homicídio no mundo. Já a UNICEF, afirma que entre 133 milhões e 275 milhões de crianças são vítimas ou testemunhas de violência em casa, o que mostra que os estímulos dados às crianças, tornam-se uma arma letal para as próprias crianças, o que só poderia ser revertido através de cuidados redobrados,  com a educação das crianças, sobretudo, no fortalecimento de valores sólidos, éticos, morais, que possam culminar para um futuro adulto menos sofrido, mais equilibrado e feliz, nas suas relações de convivência e interação social.
     5.    Referências
    QUITANEIRO,T;BARBOSA, M.L.O; OLIVEIRA, M.G.M. Um toque de clássicos Marx, Durkheim, Weber. 2ª ed. Revista e ampliada. Editora UFMG. 2003.
    MYERS, D.G; DEWALL C.M. Psicologia. 11 ª Edição. Editora Gen Ltc.2017.
    Exame. A trágica realizada das crianças no Brasil e no mundo. Disponível em https://exame.abril.com.br/negocios/dino/a-tragica-realidade-da-infancia-no-brasil-e-no-mundo-dino89080130131/ Acesso em 31/10/2018.
    NETTO, C.F.S. BREI, V.A. FLORES-PEREIRA, M.T. O fim da infância? as ações de marketing e a “adultização” do consumidor infantil. 2010. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/ram/v11n5/a07v11n5.pdf> acesso em: 05/09/2018 ás 17h30 min.
    Crianças como Pequenos Adultos? Um Estudo Sobre a Percepção da Adultização na Comunicação de Marketing de Empresas de Vestuário Infantil. Disponível em: http://www.atena.org.br/revista/ojs-2.2.3-08/index.php/ufrj/article/view/1935/1769. Acesso em 19/10/2018 às 22.20 hs.
                       Gravidez na adolescência. Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/biologia/gravidez-adolescencia.htm. Acesso em 19/10/2018 às 23:15 hs.