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quinta-feira, 6 de junho de 2019

Emoções


"As emoções são respostas adaptativas do nosso corpo. Elas dão suporte à nossa sobrevivência. Quando enfrentamos desafios, as emoções põem nossa atenção em foco e energizam nossas ações." (Cyders & Smith, 2008 apud Myers & Dewall, 2017, p.375)

As emoções são subjetivas e reais, pois são respostas fisiológicas do nosso corpo. E,  assim como todos os fenômenos fisiológicos, tais com o visão, sono, memória, sexo, etc, pode ser abordados sob três perspectivas:
  • Fisiologicamente
  • Comportamentalmente
  • Cognitivamente
Os psicólogos tentam entender como esses três aspectos interagem no contexto das emoções. E é através das teorias históricas das emoções que tem se buscado essa resposta.

A Teoria de James-Lange, afirma que a excitação precede a emoção. A excitação em verdade é o estímulo fisiológico que vai desencadear a emoção.  De acordo com Willian James e Carl Lange:
  • Quando CHORAMOS(estímulo ou excitação) ficamos TRISTES (emoção).
  • Quando BRIGAMOS (estímulo ou excitação), ficamos TRISTES (emoção)
Já a Teoria de Canon-Bard, afirma que o coração começa a disparar quando começamos a sentir o medo. O estímulo viajou pelo sistema nervoso simpático e provocou a excitação. Ao mesmo tempo, seguiu para o córtex cerebral despertando a consciência para a emoção. Para Canon e Bard as respostas fisiológicas e a emoção ocorrem simultaneamente.

Por outro lado, a Teoria dos dois fatores de Schachter e Singer propõe que a excitação + rotulação geram a emoção, onde para se experimentar uma emoção é preciso estar fisicamente desperto e rotular cognitivamente a excitação.

Os neurocientistas estão traçando os caminhos neurais das emoções, para tanto, sabe-se que nossas emoções podem seguir duas vias cerebrais diferentes:

1) Os estímulos sensoriais podem ser roteados para o córtex, via o tálamo, para análise e depois transmitidos para a amídala
2) ou ainda, diretamente para a amídala ( via o tálamo) quando houver uma reação emocional instantânea.

MEDO, ESTRESSE E ANSIEDADE
  • O medo seria uma reação intensa a algum estímulo aversivo, repentino que desaparece depois de algum tempo e, em seguida, o medo cessa.
  • As vezes o medo pode ser crônico.
  • Quando há algum estímulo que chamamos de aversivo, chamamos o estado emocional de ansiedade.
  • O termo estresse é usado quando se pode identificar a causa geradora.
AMÍDALA 
  • Responsável pelo processamento de todos os sistemas sensoriais.
  • envia mais projeções neurais para o córtex do que recebe, facilitando que os sentimentos tomem conta dos pensamentos, mais facilmente.
  • Se ativa mais , diante de estímulos aversivos aprendidos.
  • Responsável pela aprendizagem do medo.
  • Sua remoção influencia profundamente a emoção de medo:
          a) redução do medo com lobotomia da amídala.
          b) redução da raiva
          c) sua estimulação aumenta essas expressões.

REAÇÃO AFETIVA
  • Sintonização ou irradiação afetiva ocorre quando sintonizamos a nossa emoção com a emoção do outro.
  • Rigidez afetiva ocorre quando a pessoa tem dificuldade de sintonizar com a emoção do outro.
REFERÊNCIAS
MYERS, D.G., DEWALL, C.N. Psicologia. 11ª edição. Editora LTC. Rio de Janeiro. 2017. 

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Leitura do Documentário: Muito Além do Peso


O documentário se passa em diversas comunidades pobres do Brasil e faz um paralelo com os problemas da obesidade enfrentados nos EUA, como alerta para um problema que já necessita de intervenção social a fim de conscientizar a população da necessidade de se mudar hábitos.

Crianças entre 6 meses e 9 anos já apresentam problemas de saúde causados pela obesidade como cardiopatias, diabetes, pressão alta, trombose, problema de pulmão, dores nas pernas, depressão, ausência de sentido na vida, etc. Isso tudo em função da má alimentação da qual se tem acesso nos locais onde se vive.

Observa-se que como toda criança, a reação frente aos pais em dizer não aos seus filhos,é de malcriação, se esperneando no chão, e os pais ignorantes acabam cedendo às chantagens de seus filhos.

A expectativa de vida dos jovens obesos de hoje é de 10 anos a menos que a de adultos atualmente saudáveis. O Brasil já atinge 33, 5% das crianças com obesidade.

Percebe-se que essas populações mais pobres não têm acesso a uma alimentação saudável, nem modos de vida mais ativos em função de problemas sociais de segurança pública, que acabam fazendo os pais manterem seus filhos em casa. Além disso, a dificuldade de transporte público, mas sobretudo, de renda que possibilite essas famílias a manterem uma vida saudável.

Nota-se também, o nível de ignorância que os pais veem transferindo a seus filhos em relação à alimentação, quando por exemplo, se observa uma criança dizendo que a batatinha é a batata industrializada e não consegue identificar o que é uma batata de verdade.

56% dos bebês já toma refrigerantes antes de completar 1 ano de idade.
O brasileiro consome em média 56 kg de açúcar por ano, em médica 4kg por pessoa.

Chama-se atenção para o poder das mídias, o poder econômico das grandes marcas de fastfood que investem pesado em marketing infantis, vendendo seus produtos como melhor coisa do mundo, cheios de gorduras e açúcares adicionados, com brinquedos que em verdade, tem a proposta de comprar as crianças para o consumo de seus produtos.

Nota-se que, em virtude das segurança pública, políticas públicas educacionais, as crianças brasileiras passam apenas 3 horas nas salas de aula e 5 horas na frente das televisões e celulares, aumentando o ócio e potencializando o desenvolvimento da obesidade infantil.

Cada 5 crianças obesas, haverá 4 adultos obesos.
O processo de conscientização demanda uma maturidade que muitas vezes nem a criança nem o adolescente e adultos relacionados, ainda não alcançaram, o que dificulta o despertar coletivo para a necessidade de mudar hábitos, e tornar-se uma pessoa mais saudável e feliz.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Adolescência e a Terapia Cognitivo Comportamental (TCC)


TIPOS DE DIFICULDADES

Além de levar em conta aspectos desenvolvimentais, cabe observar se as dificuldades dos adolescentes são do tipo INTERNALIZANTES (ansiedade e depressão) ou EXTERNALIZANTES (oposição, desafios e condutas antissociais), o que determinará a escolha de técnicas predominantemente cognitivas ou comportamentais, respectivamente (Fig. 1.1).

Comportamentos desafiadores
Infrações
Práticas sexuais de risco

Em função das modificações nos níveis cognitivo e afetivo durante a adolescência, a atenção a fatores como autoestima e capacidade de regulação ­emocional dos adolescentes também pode ser importante para profissionais comprometidos com a promoção da saúde. 

A testagem de um modelo preditivo sobre o impacto dessas variáveis para a satisfação global com a vida, compreendida como bem-estar subjetivo, níveis de felicidade e de atribuição de significado à experiência, ou bem-estar psicológico, apresentou correlações significativas.

 Tal associação é especialmente válida entre autoestima e bem-estar ­subjetivo. Quanto às estratégias de regulação emocional, observa-se que a reavaliação cognitiva, ou a mudança de significado da experiência, a fim de modificar seu impacto emocional, esteve positivamente correlacionada aos dois tipos de bem-estar (psicológico e subjetivo). 

A supressão emocional ou a inibição do comportamento emocional expressivo pareceram estar negativamente associadas às duas dimensões (Freire & Tavares, 2011). Dessa forma, compreende-se a importância de trabalhar os componentes da autoestima e da expressão/supressão de emoções para a promoção de contextos que estimulem a aquisição das habilidades exigidas para a consecução das tarefas desenvolvimentais da adolescência.

Nesse contexto do trabalho com as emoções e demais processos mentais, surge um novo ABC (Attention, Balance and Compassion). As terapias cognitivas de terceira onda baseadas em mindfulness passam a representar uma revolução importante em modelos, métodos e práticas terapêuticas. 

Os ­esforços não visam apenas minimizar o impacto da psicopatologia nas trajetórias em desenvolvimento, mas também promover resiliência. Busca-se, como foco primordial, agir sobre os processos metacognitivos e promover o sentido para a vida, revisitando atitudes humanas, como mente de principiante, não julgamento, paciência, não esforço, autodisciplina, confiança, abrir mão e aceitação. Essas atitudes levam à compaixão e à conexão (Goleman & Senge, 2014; Kabat Zinn, 2013). 

As habilidades sociais fluem com esse novo paradigma, já que compaixão inclui empatia e avança em direção à transformação. Compaixão pode ser definida como uma tomada de consciência do sofrimento, pela preocupação empática e pelo desejo de ver o alívio do mal em questão, bem como uma capacidade de resposta ou de prontidão para ajudar a aliviar esse sofrimento em si ou no outro. A consciência surge quando é gerada atenção de modo particular, com propósito, aqui e agora e sem julgamento. A consciência é cultivada pelo ato de prestar atenção (Kabat Zinn, 2013).
Nessa linha de raciocínio, a percepção de apoio da família e dos amigos e o domínio de habilidades sociais são considerados preditores do bem-estar psicológico dos adolescentes, independentemente da configuração familiar em que estejam inseridos (Leme, Del Prette, & Coimbra, 2015). 

A demonstração de habilidades sociais na adolescência permite a satisfação da necessidade de integração ao âmbito social dos indivíduos, e essa interação reforça o aprendizado de novos comportamentos e estratégias adaptativas (Caballo, 2003). 

As habilidades sociais definem o modo como os desafios e as oportunidades inerentes às interações sociais são manejados a fim de influenciar os níveis de satisfação com a vida dos adolescentes como pode ser visto a seguir:

Empatia
Autocontrole
Civilidade
Capacidade de demonstração de afeto
Desenvoltura social

Em contrapartida, baixos índices de habilidades sociais podem estar correlacionados a indicadores da presença de transtornos psicológicos, como DEPRESSÃO, TRANSTORNO DE ANSIEDADE E TRANSTORNOS RELACIONADOS AO USO DE SUBSTÂNCIAS (Wagner & Oliveira, 2007). 

Diferenças de contexto, como a frequência em escola pública ou particular, podem, contudo, mediar essa relação. Adolescentes de escola pública tendem a apresentar transtornos psicológicos associa­dos a baixos índices de habilidades sociais. Supõe-se que o contexto em que se encontram aqueles que frequentam escolas particulares apresenta recursos familiares e sociais que minoram essa limitação e provê condições para o desenvolvimento de comportamentos socialmente assertivos (Von Hohendorff, Couto, & Prati, 2013).