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domingo, 20 de junho de 2021

As Técnicas da gestalt-terapia e seus fundamentos

 Três técnicas utilizdas pelos Terapeutas gesltálticos.

1. Técnica da Repetição ou Exagero

  • Quando o terapeuta percebe que o cliente falou ou expressou alguma fala muito importante, pede para o cliente repetir a frase para dar ênfase no que ele falou.
  • Exemplo: 
    • Cliente: ele poderiam ficar com medo de mim.
    • Terapeuta: Agora você pode mudar o eles para voces e dizer isso para plateia?
    • Cliente: Vocês poderiam ficar com medo de mim.
    • Terapeuta: Outra vez
    • Cliente: Vocês poderiam ficar com medo de mim.
    • terapeuta: Agora fique de pé, e diga esta frase como se fosse um gigante.
    • Cliente:  Vocçes teriam medo de mim. Vocês podem não esta com medo de mim. Vocês poderiam pensar que esta é um ideia idiota. Vocês poderiam rir de mim.
  • Quando o terapeuta entebnde que a fala é importante, procura dar ênfase ao que esta vivenciando.
  • Facilita o contato a awareness.
2.  Técnica do Monodrama
  • Consiste em o cliente desempenhar de maneira alternada os diferentes papeis da situação por ele evocadas no processo terapêutico. Para isso, o cliente precisa variar nas cadeiras como se alternasse a pessoa.
  • É possivel representar várias vivencias, pessoas, objetos, partes do corpo, etc.
  • Auxilia o cliente a ter mais cosciência sobre si, sobre seu comportamento no aqui e agora, na fronteira de contato com o meio.  Que ele perceba suas relações emocionais escondidas, mudanças na respiação, tom de voz, sorriso, gestos das mãos dos pés, qualquer alteração que ocorra.
3. Técnicas dos Sonhos.
  1. Cliente descreve um sonho qualquer.
  2. O trapeuta convida o cliente a reviver o sonho numa outra perpsectiva, como se fosse o sonho, ou parte dos sonho.
Video aula com exemplo das Técnicas




domingo, 13 de dezembro de 2020

Conceitos fundamentais da Psicanálise

 

RESISTÊNCIA

  • Pode-se dizer que o conceito de resistência foi introduzido cedo por Freud e que ele exerceu um papel decisivo no aparecimento da psicanálise, impulsionando-o a renunciar à hipnose e à sugestão, por causa da resistência que lhes apunham certos pacientes. Nesse sentido, a resistência corresponde a tudo o que, no decorrer do tratamento psicanalítico, nos atos e palavras do analisando, se opõe ao acesso deste ao seu inconsciente.
  • De acordo com Freud a resistência é uma manifestação própria do tratamento. Sobre os aspectos da resistência do paciente ao processo Psicanalítico...

  • Mantém o desejo em níveis inconscientes, evitando as fantasias perigosas e afetos desagradáveis, resistindo aos esforços de torná-los conscientes.
  • A resistência resulta da representação da neurose em procurar satisfação dos impulsos infantis.
  • A tentativa de encontrar novos padrões de adaptação é acompanhada de temor. 
FANTASIAS

  • No que se refere à Conferência de Freud sobre “Os caminhos da formação dos sintomas” (1917), pode-se afirmar que a fantasia se caracteriza por se diferenciar da realidade na perspectiva neurótica.

CHISTES

  • Já o "chiste" é um comentário cômico bem-sucedido, como uma piada, o trocadilho, a função de palavras e a anedota, na análise de Freud, e podem ser inocentes ou tendenciosos. 

MANIFESTAÇÕES DAS ESTRUTURAS PSÍQUICAS

  • Segundo a Psicanálise, as manifestações das estruturas psíquicas e os mecanismos que lhes são desencadeantes são:
    • Esquizofrenia
    • Foraclusão
    • Histeria
    • Recalque
    • fetichismo
    • Recusa
DELIRANTES

  • Freud (1924) apontou que a Psicose é um distúrbio entre o ego e mundo externo. Ele chamou de "Delirantes" a forma de psicose na qual os delírios é um remendo no lugar da fenda que aparece entre o ego com o mundo externo.

TRANSFERÊNCIA

  • Freud em 1913 nos disse que como no Jogo do Xadrez uma análise encontra-se sujeita a regras semelhantes . Portanto, sobre o tratamento de ensaio ou entrevistas preliminares, é diretriz do início do tratamento psicanalítico o "Manejo da Transferência".

  • “A dinâmica da transferência” (1912), Sigmund Freud apresenta o conceito de transferência sob várias facetas. Na experiência de análise, a ideia transferencial penetrou na consciência à frente de quaisquer outras associações possíveis, porque ela satisfaz a resistência.
  • Na psicanálise, pode ocorrer na entrevista inicial um fenômeno conhecido como "transferência", que pode ser caracterizado como uma atualização de sentimentos, atitudes e condutas inconscientes, por parte do entrevistado, que correspondem a modelos que se estabeleceu no curso do desenvolvimento, especialmente na relação interpessoal com seu meio familiar.
  • A transferência pode ser definida como uma série de experiências psíquicas que são revividas, não como algo do passado, no vínculo atual com a pessoa do terapeuta.
  • A transferência pode ser considerada como uma resistência à recordação. Uma vez que a resistência é aquela parte da função  psíquica que se rebela ativamente ao trabalho terapêutico de trazer à consciência material inconsciente.
  • A transferência para o médico é apropriada para a resistência ao tratamento apenas na medida em que se tratar de transferência negativa ou de transferência positiva de impulsos eróticos reprimidos.
  • Devido à ambivalência dos neuróticos, a transferência negativa é amiúde encontrada ao lado da transferência afetuosa, e pode ser dirigida simultaneamente para a figura do médico.
  • tudo que perturba a continuação do trabalho é uma resistência e o método analítico que torna possível a elucidação ou superação da resistência é a transferência.
  • No campo da clínica psicanalítica, Freud identificou certo fenômeno no qual os sentimentos do paciente para com o analista seriam manifestações de uma relação recalcada com imagos parentais. Tal fenômeno foi inicialmente concebido como uma resistência ao tratamento, para depois ser visto como sua principal força motriz, inscrevendo-se no centro da direção da cura
TRATAMENTO DE ENSAIO

  • Sigmund Freud recomenda em um tratamento psicanalítico a realização de  um procedimento prévio, chamado de "Tratamento de Ensaio", a fim de verificar as condições do paciente para a análise.

SONHOS

  • Segundo Freud (1916) o sonho constitui uma realização de um desejo reprimido. Para Freud uma das evidências essenciais do sonho é que há vida mental durante o sono.
  • Freud (1916) acreditava que os sonhos representavam uma satisfação disfarçada de desejos e anseios reprimidos. Freud destacou várias diferenças dos sonhos em todos os aspectos. O sonho de modo geral nos deixa livre para realizar desejos ocultos e obscuros.

PARAPRAXIAS

  • São fenômenos muito comuns e muito conhecidos, observados em qualquer pessoa sadia. São atos psíquicos e surgem das mútuas interferências entre duas intenções. Um tipo de formação inconsciente.

RECALQUE

  • Segundo Freud (1923) o mecanismo da psicose, tal como a repressão na neurose deve abranger uma retirada da catexia enviada pelo ego. Esse mecanismo da Psicose foi chamado por Freud de "Recalque". Recalque é ainda na Neurose, o material reprimido que luta contra esse destino, criando a representação substitutiva.

SINTOMA

  • Para a Psicanálise o conceito de sintoma é fundamental.  
  • Segundo Freud (1917) o sintoma  aparece como expressão de um conflito psíquico, em decorrência da força psíquica do Ego e do Superego.
  • No que se refere à Conferência de Freud sobre “Os caminhos da formação dos sintomas” (1917) são a Introversão que denota o desvio da libido das possibilidades de satisfação real e a hipercatexia das fantasias.
  • é o resultado de um conflito entre o Ego  e o Id (FREUD, 1923)

NEUROSE

  • Na neurose o ego segue as ordens de qual instância psíquica, originadas da influência da consciência.

ATOS FALHOS E LAPSOS

  • Os "atos falhos" é o resultado do compromisso entre uma intenção consciente e um desejo inconsciente ligado a ele apresentando assim uma dupla face.

Exemplo: Uma revista política, acusada de corrupção, se defende em um artigo cujo o clímax deveria ter sido: ‘Nossos leitores serão testemunhas do fato de que sempre agimos da maneira mais desinteressada, pelo bem da comunidade’. O editor a quem fora confiada a preparação do artigo, porém escreveu: ‘de maneira mais interesseira’’. Essa situação é chamada de Lapso de Escrita.

  • Em seus “Artigos sobre a técnica”, Freud recomenda aos praticantes da psicanálise a atenção flutuante que é a técnica empregada pelo psicanalista em consonância com a associação livre proposta ao paciente.

ASSOCIAÇÃO LIVRE

  • É um conjunto de regras técnicas desenvolvidas por Sigmund Freud que caracterizam o método psicanalítico. Dentre elas, há uma regra conhecida como regra fundamental do paciente.

DIAGNÓSTICO NA PSICANÁLISE

  • Com base no diagnóstico, o psicanalista pode operar sobre a transferência que seu paciente estabelece, uma vez que a relação transferencial do paciente com o analista passa pela sua estrutura psíquica, e é por meio desta que a análise se desenvolve.
Referências: Avaliações.

quinta-feira, 30 de julho de 2020

A função dos sonhos

A vida onírica, ou seja, os sonhos, se constitui o solo de onde, originalmente, nasce a maioria dos símbolos. Os sonhos têm uma textura diferente, no qual se acumulam imagens que parecem contraditórias e ridículas, perde-se a noção do tempo e as coisas mais banais podem se revestir de um aspecto fascinante ou aterrador, disse Jung.

Ele afirma que as ideias de que nos ocupamos na vida diurna e aparentemente disciplinada nem sempre é como que acreditamos que seja, pois qualquer coisa que tenhamos experienciado ou vivido pode se tornar subliminar, passando a fazer parte do inconsciente.

Jung concluiu que pessoas que vivem em níveis diferentes, experiências sociais,políticas, religiosas ou psicológicas dão a cada indivíduo uma noção individual e particular, no significado e sentido das coisas. E que, pessoas de mesmo nível cultura tendem a apresentar significados semelhantes. Com isso, Jung afirma que "todo conceito da nossa consciência tem suas associações psíquicas próprias." E à medida em que são impulsionadas abaixo do nível da consciência, o conceito das coisas podem ser bem diferentes.

Os sonhos apresentam imagens mais vigorosas e pitorescas do que quando estamos acordados, o que pode expressar o seu sentido inconsciente em relação a essas imagens ou ideias sonhadas. Os pensamentos racionais são controlados pelo nosso consciente. Os sonhos se apresentam de maneira simbólica, por meio, por exemplo, de metáforas as quais se diz ou escreve algo para designar outro objeto ou qualidade semelhante. Exemplos de metáforas:
  • você pode montar nas minhas costas, significa: pouco importa o que você fala de mim; 
  • ele tem vontade de ferro, significa: ele tem vontade firme.
Pode haver dificuldade de captar o conteúdo emocional da linguagem ilustrada nos sonhos, pois na vida cotidiana acabamos rejeitando os adornos da fantasia, nos distanciando da mentalidade instintiva e primitiva que há em todos os seres humanos. Esses fenômenos estão abaixo do limite da consciência e quando reaparecem, as pessoas tendem a dizer que algo vai errado com elas.

Jung chama atenção para os medos que surgem do inconsciente sem uma causa percebida ou identificada, e que acaba afetando o comportamento das pessoas na vida cotidiana. 

Ao comparar o homem moderno ao homem primitivo, Jung conseguiu perceber que se trata do mesmo homem de sempre mas que, porém, possui diferentes interpretações em função dos tempos em que viveu. essas comparações permitiu que ele compreendesse a tendência do homem em construir símbolos e a participação dos sonhos em expressá-los. Com isso, descobriu que muitos sonhos apresentam imagens análogas, ideias, mitos e ritos primitivos.

Constatou que associações e imagens são parte integrante do inconsciente, e podem ser observadas em todo canto, no sonhador instruído ou analfabeto, inteligente ou obtuso. Essas associações históricas são o elo entre o mundo racional da consciência e o mundo do instinto.

Jung chama atenção do contraste entre o pensamento "controlado" que temos quando acordados e conscientes, e a riqueza das imagens produzidas pelos sonhos, que não temos controle e são inconscientes. Os pensamentos quando controlados nem sempre nos faz mudar de comportamento. Jung acreditava que era necessário haver alguma coisa mais eficaz para que se mude de comportamento ou de atitude, e que essa cosia estaria nos sonhos, com seu simbolismo, energia psíquica que nos obriga a dar-lhe atenção.

As mensagens do inconsciente têm uma importância bem maior do que imaginamos.

A vida consciente tem todo tipo de influência sobre as pessoas. As pessoas nos estimulam ou deprimem, ocorrências na vida profissional  ou social desviam a nossa atenção, e todas essas questões podem nos levar aos caminhos opostos e, portanto, à nossa Individuação. quanto mais influenciada por preconceitos, erros, fantasias e anseios infantis, mais a nossa consciência tende a se dissociar, distanciando-se dos instintos normais da natureza e da verdade. 

Jung acredita que os sonhos fornecem o material onírico capaz de restabelecer a nossa balança psicológica, afim de restabelecer o equilíbrio psíquico total, como uma função compensatória dos sonhos da constituição psíquica do sujeito. assim, os sonhos compensam as deficiências de suas personalidades e, ao mesmo tempo, previne-as dos perigos de seus rumos atuais. Por essa razão, não devem ser rejeitados, mas sim, notados, observados e analisados.

Segundo Jung os sonhos podem revelar certas situações muito antes de acontecerem, isso se explicaria, por aquilo que deixamos inconscientemente de ver, o nosso inconsciente registraria e transmitiria informações por meio dos sonhos, como uma advertência.

"Para benefício do equilíbrio mental e mesmo da saúde fisiológica, o consciente e o inconsciente devem estar completamente interligados, a fim de que possam se mover em linhas paralelas." Quando esses se separam ocorre a dissociação da personalidade  e os distúrbios psíquicos aparecem.

Jung considerava uma tolice guias pré-fabricados que interpretam sonhos. Para ele, nenhum símbolo onírico pode ser separado da pessoa que o sonhou, assim como não existem interpretações definidas e específicas para qualquer sonho.



O sonho recorrente é considerado um fenômeno digno de apreciação. Jung afirma que esse tipo de sonho é algum tipo de compensação para algum defeito particular que existe na atitude do sonhador em relação à vida, ou ainda, pode ser um trauma que tenha deixado marca, ou uma antecipação de algo que esteja por acontecer.


REFERÊNCIAS:
JUNG, Carl. G. O homem e seus Símbolos. Editora Harper Collins. Rio de Janeiro, 2020. Cap. 1 Chegando ao Inconsciente, p. 43-63

O passado e o futuro no inconsciente

Segundo Jung, os sonhos são materiais fundamentais para  investigar a faculdade humana de produzir símbolos, e considera dois pontos essenciais acerca dos sonhos:

  • só cabe a única suposição de que todo sonho tem um certo sentido.
  • aceitar o sonho como expressão do inconsciente.
Quando alguma coisa escapa da consciência , não significa que deixou de existir. Muitos pensamentos que temos podemos esquecê-lo, mas em algum momento ele vai reaparecer do inconsciente. da mesma, forma vamos pegar algo e no meio do caminho esquecemos o que fomos buscar. Em algum momento vamos lembra porque o nosso inconsciente trará a tona. Isso acontece quando fazemos coisas automaticamente, sem a consciência do que estamos fazendo no momento, como não ter consciência das ações que pratica: ouve mas está surda, vê mas esta cega. Esse é um processo normal quando certos pensamentos conscientes perdem sua energia, por desvio de atenção.

Aquilo que fica esquecido no inconsciente fica em estado subliminar, para além do limiar da memória, podem ressurgir espontaneamente a qualquer momento.

Aquelas recordações esquecidas, guardadas em estado subliminar que não podem ressurgir voluntariamente, são chamadas de conteúdos recalcados.

Podem ocorrer conteúdos intencionais e voluntários, que se originam do Ego, e conteúdos involuntários e espontâneos da mente do sujeito, que se originam do inconsciente, sendo muito importante fazer essa distinção.

Jung explica que o inconsciente não é apenas um simples depósito do passado, mas possui ideias novas e futuras, que nunca foram conscientes, e portanto, são desconhecidas.

Ele assinala que a capacidade da psique em produzir esse material novo é particularmente significativa quando se trata de simbolismo no sonho, e que as ideias contidas nos sonhos não podem ser vistas apenas em termos de memória, mas que expressam pensamentos que ainda não chegaram no limiar da consciência.





REFERÊNCIAS:
JUNG, Carl. G. O homem e seus Símbolos. Editora Harper Collins. Rio de Janeiro, 2020. Cap. 1 Chegando ao Inconsciente, p. 34-42.

A importância dos sonhos





A linguagem seja escrita ou falada, que o homem utiliza para se comunicar é cheia de símbolos.

"...símbolo é um termo, um nome ou mesmo uma imagem que nos pode ser familiar na vida cotidiana, embora possua conotações especiais além do seu significado evidente e convencional. Implica alguma coisa vaga, desconhecida ou oculta entre nós."(JUNG)



Considerações importantes acerca dos símbolos:
  • Geralmente conhecemos o objeto mas ignoramos suas implicações simbólicas. 
  • É preciso observar a mensagem subliminar que os símbolos trazem, para cada indivíduo.
  • Uma palavra ou imagem é simbólica quando implica alguma coisa além do seu significado manifesto e imediato.
  • Ao explorar um símbolo, a mente é condizida  a ideias que estão fora do alcance da nossa razão. (inconsciente).
  • O homem produz símbolos, inconsciente e espontaneamente, na forma de sonhos.
  • Os sentidos do homem limitam a percepção que este tem do mundo à sua volta. O conhecimento consciente tem seus limites, e não consegue transpor para além desse limite.
Toda experiência contém um número indefinido de fatores desconhecidos, por isso mesmo, a realidade concreta tem aspectos que ignoramos, e portanto, não temos consciência deles. Porém é preciso considerar que:
  • Eles são registrados inconscientemente.
  • Ficam abaixo do limiar da consciência.
  • Pode emergir por intuição ou autorreflexão.
  • Pode aparecer através de sonhos, revelando aspectos inconscientes, de forma simbólica.
Os psicólogos admitem a existência de uma psique consciente e outra psique inconsciente, como se fossem duas personalidades dentro de um mesmo indivíduo, o que é completamente normal, não tendo aí nada de patológico. 

A psique abrange o consciente e o inconsciente do indivíduo, e por esta razão, não se pode defini-la, da mesma forma que não se pode definir a natureza.

Os SONHOS  são o mais fecundo e acessível campo de exploração para quem deseja  investigar as formas de simbolização do homem.  

Sigmund Freud foi pioneiro no estudo dos sonhos, e chegou a conclusão de que não são produtos do acaso, mas que estão associados a pensamentos e  problemas conscientes. 

Jung cita como exemplos de sintomas físicos ocasionados na neurosa, que podem estar relacionadas a problemas enfrentados pelo sujeito:
  • não consegue engolir - pode não estar conseguindo engolir a situação que enfrenta.
  • ter acesso de asma - não consegue mais respirar a atmosfera de sua casa.
  • ter paralisia nas pernas - não pode andar ou continuar dessa forma.
  • sempre vomita quando come - não pode digerir determinado fato.
Os símbolos oníricos, ou seja, os símbolos que surgem nos sonhos, sempre aparecem com mais frequência do que as situações físicas. Os sonhos tem uma significação própria, variando de indivíduo a indivíduo, pois expressaria i que de específico o inconsciente do sujeito estaria tentando dizer. É preciso levar em conta que nos sonhos as dimensões de espaço e tempo são diferentes, e que os sonhos tem seus próprios limites, permitindo que se analise apenas a parte clara e visível deste. Jung afirma trabalhar apenas em torno da imagem do sonho, e por diversas vezes, repetiu a frase ao seu cliente: "Vamos voltar ao seu sonho. O que dizia o sonho?"

As pessoas ignoram os sonhos por se tratar de conteúdos dos quais sua consciência ainda não tem domínio, são conteúdos do inconsciente, e as pessoas tendem a desprezar tudo que é desconhecido, trazendo a tona o "misoneísmo" medo profundo e supersticioso do novo.

REFERÊNCIAS:
JUNG, Carl. G. O homem e seus Símbolos. Editora Harper Collins. Rio de Janeiro, 2020. Cap. 1 Chegando ao Inconsciente, p. 15-33

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Sonhos na Antiguidade - Sigmund Freud



“Quem quer que tenha falhado em explicar a origem das imagens oníricas dificilmente poderá esperar compreender as fobias, obsessões ou delírios, ou fazer com que uma influência terapêutica se faça sentir sobre eles. ” (FREUD, 1900, p.12).

Em seu livro Interpretação de sonhos I, Sigmund Freud afirma que para se compreender as FOBIAS, OBSESSÕES ou DELIRIOS é preciso explicar a origem das imagens oníricas que compõem os SONHOS.
Ele dizia que os únicos sonhos dentre os quais pode escolher foram os dele mesmo e os de seus pacientes em tratamento psicanalítico, entretanto, foi impedido de utilizar o de seus pacientes já que, os processos oníricos estavam sujeitos a compilação indesejável, com o adicional de características neuróticas. Contudo, se revelasse ao público os seus próprios sonhos, estaria revelando maior número de aspectos íntimos da vida mental dele.(FREUD, 1900, p.12).
Freud afirmou haver uma técnica psicológica que torna possível interpretar os sonhos, através da qual todo sonho se revela como uma estrutura psíquica que tem um sentido e pode ser inserida num ponto designável nas atividades mentais da vida de vigília. Buscou elucidar os processos a que se devem a estranheza e a obscuridade dos sonhos e por deduzir desses processos a natureza das forças psíquicas. (FREUD, 1900, p.13).
A visão pré-histórica dos sonhos eram aceitos como axiomático e estavam relacionados com o mundo dos seres sobre-humanos nos quais acreditavam, e que constituíam revelações de deuses e demônios. Para aquele que sonhava, os sonhos tinham uma finalidade importante, que era, via de regra, predizer o futuro. A posição adotada perante os sonhos por filósofos isolados na Antiguidade dependia, naturalmente, até certo ponto, da atitude destes em relação à adivinhação em geral. (FREUD, 1900, p.13).
VISÃO ARISTOTÉLICA SOBRE OS SONHOS
As duas obras de Aristóteles que versam sobre os sonhos, informa-nos as referidas obras que os sonhos não são enviados pelos deuses e não são de natureza divina, mas que são “demoníacos”, visto que a natureza é “demoníaca”, e não divina.
“Os sonhos, em outras palavras, não decorrem de manifestações sobrenaturais, mas seguem as leis do espírito humano, embora este, é verdade, seja afim do divino. ”
Definem-se os sonhos como a atividade mental de quem dorme, na medida em que esteja adormecido. (FREUD, 1900, p.14).
Aristóteles sabia que os sonhos dão uma construção ampliada aos pequenos estímulos que surgem durante o sono. A exemplo disso:
 “Os homens pensam estar caminhando no meio do fogo e sentem um calor enorme, quando há apenas um pequeno aquecimento em certas partes.”(ARISTÓTELES, FREU, 1900,p.15)
Aristóteles infere a conclusão de que os sonhos podem muito bem revelar a um médico os primeiros sinais de alguma alteração corporal que não tenha sido observada na vigília,
Antes da época de Aristóteles, considerava-se que os sonho não como um produto da mente que sonhava, mas como algo introduzido por uma instância divina.
Surgem duas correntes antagônicas sobre a vida onírica por meio da distinção entre:
·        Os sonhos verdadeiros e válidos, enviados ao indivíduo adormecido para adverti-lo ou predizer-lhe o futuro;
·        Os sonhos vãos, falazes e destituídos de valor, cuja finalidade era desorientá-lo ou destruí-lo.