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terça-feira, 8 de março de 2022

Estratégias Terapêuticas Básicas

A estratégia em um processo psicoterapêutico de curta duração fundamentado na abordagem gestáltica:

  • deve colocar ênfase em alguns pontos mais importantes para a aplicação dos recursos disponíveis na situação terapêutica.
Pontos mais importantes para aplicação dos recursos disponíveis na situação terapêutica:
  • Ênfase no olhar e do experienciar do terapeuta na situação;
  • Cuidado, ao olhar o ciente, quanto ao modelo de compreensão (se um modelo de psicopatologia de conflito e defesa ou um modelo desenvolvimentista); 
  • Orientação humanista do trabalho; 
  • Clareza quanto à visão de homem implícita na postura do terapeuta; 
  • Cuidado com o diagnóstico como indicador de caminho;
  •  Atenção a como delimitar o foco (definir o foco junto com o cliente após o diagnóstico, lembrando que o tempo é o tempo do cliente; 
  • A psicoterapia fora do consultório (tarefas para casa, manutenção do vínculo terapêutico)
A situação terapêutica:
  • É o primeiro e mais importante recurso de que dispõe o psicoterapeuta em um atendimento de curta duração 
  • Perls, Hefferline e Goodman descrevem a situação terapêutica como diretamente derivada da interação do organismo com o ambiente, tomados em separados. 
  • Para facilitar que o cliente recobre sua awareness total, a abordagem gestáltica toma a situação clínica como uma situação experimental. 
    • Isso quer dizer que é preciso que o terapeuta se engaje na situação terapêutica, que ele se lembre de que, se é a experiência de cada situação vital que possibilita o sentimento da própria existência do outro e do ambiente, isso igualmente é válido para a situação clínica.
  • A situação terapêutica existe antes mesmo que uma Gestalt comece a se formar na sessão de terapia, e será fundo para as figuras que virão. 
    • Apesar disso, Robine (2003, p. 3) lembra que o "neurótico age como se a novidade da situação aqui-e-agora não existisse (...), como se a situação fosse redutível a alguns de seus constituintes fixados, de uma vez por todas sob formas e esquemas de pensamento, de sentimento e de ação." 
"Atendi, certa vez, em psicoterapia de curta duração, um cliente de estilo obsessivo, que trazia, em determinada sessão depois de aproximadamente dois meses de terapia, a queixa de que tinha pouco espaço na vida, de que se continha muito. Explorávamos sua vivência e os significados dela, quando o cliente me disse: "Pois é, Ênio, é como se eu não usasse todo o espaço que tenho, como se eu ficasse sempre em um canto, oprimido..." Ao que lhe respondi: "Estou vendo". "Como assim? Está vendo?" "Estou vendo. Perceba como você está sentado na poltrona." A poltrona de meu consultório é de assento amplo, no qual uma pessoa pode senta-se confortavelmente; meu cliente estava sentado em um cantinho da poltrona, quase espremido no braço dela. Ele olhou para o imenso espaço vazio ao seu lado, olhou de novo, olhou para mim, moveu-se em direção ao centro da poltrona, experimentou-se nessa posição, respirou profundamente e abriu um dos mais infantis e lindos sorrisos que eu já vi na vida!" 
  • A postura do terapeuta diante da situação clínica, a atenção, como se desenrola o encontro terapêutico a cada sessão, leva a uma percepção mais acurada do que está ali, em detrimento do que não está.
  • A percepção da situação tem estreita correlação com as possibilidades de ação presentes a cada momento.
  • Um terapeuta, em um trabalho de curta duração, deve estar presente ao máximo, mais ativo que em uma psicoterapia de lona duração, mais entregue à situação terapêutica e mais aware ainda.
A compreensão do cliente:
  • demanda um cuidadoso e curioso olhar para o cliente, um  olhar o mais amplo possível, levando em contas os aspectos intrapsíquicos e relacionais, na terapia e no dia-a-dia
  • Robine (2003, p. 30), afirma que pode-se fazer a localização do trabalho terapêutico em, fundamentalmente, um de dois lugares: 
    • Ou a psicoterapia se apoia em um modelo de psicologia baseado em uma única pessoa, como por exemplo, o modelo da psicanálise clássica, em que o terapeuta tem um certo tipo de presença e função; 
    • Ou ela se inscreve em uma psicologia que compreende duas pessoas, como o modelo proposto por Ferenczi e adotado por Blint, Winniicott e outros mais, no qual o terapeuta não é mais estranho ao campo da experiência
  • Jacobs (1997, p.147) complementa e destaca a existência de uma mudança interessante e relativamente recente no campo da psicoterapia: a mudança de um modelo que ela chama de "psicopatologia de conflito e defesa", para um modelo desenvolvimentista.
    • A Gestalt-terapia de curta duração, embora não possa negar importância ao modelo de conflito e defesa, tem sua estratégia clínica fundamentada principalmente no modelo desenvolvimentista, uma vez que, esse é o campo por excelência de uma psicoterapia humanista.
    • Todo o olhar e toda a presença do terapeuta na situação terapêutica dependem de como ele compreende o ser humano.
  • "A influência de Goodman se exerce através de sua abordagem do contato, considerado como ajustamento criativo, como construção de sentido da experiência em um campo organismo/meio. 
A visão de homem na psicoterapia:

O propósito não é reconstruir personalidades como as teorias dinâmicas propõem.
  • A psicologia Humanista...
    •  tem como propósito libertar as personalidades potencialmente realizáveis e que estão presentes no sujeito.
    • pretende desvelar essa personalidade, conhecê-las e levar o indivíduo a se apropriar dela.
    • sua visão de homem se sustenta em um conceito esperançoso das pessoas e de sua capacidade para viver plenamente a vida, ainda que isso implique fazer mudanças, as vezes, dolorosas, em crenças e condutas mantidas durante muito tempo.
  • A finalidade prioritária da Gestalt-terapia de curta duração pretende...
    • desvelar e liberar as potencialidades pouco aproveitadas da personalidade, integrando-as com as potencialidades  mais à mão, e não só debelar os sintomas.
    • facilitar ao cliente as possibilidades de que ele reencontre e confie em sua espontaneidade , sua autonomia, sua capacidade de se autorrealizar, a cada situação existencial, integrando-se com o ambiente.
Um primeiro contato com o diagnóstico em Gestalt-terapia de curta duração:
  • Estratégia terapêutica
    • Diagnóstico como indicador de caminho; 
      • este não pode ser apenas um diagnóstico do cliente
      • é preciso desenvolver o diagnóstico da situação terapêutica e da situação de vida do cliente como um todo.
      • não deve se esgotar no sintoma, abrangendo o estilo de ser do cliente, o que se configura como fundo de onde emergirão as figuras.
      • deve levar em contas aspectos intrapsíquicos com ênfase maior em aspectos relacionais
    • Foco - Linhas mestras de uma compreensão diagnóstica.
Compreensão Diagnóstica baseada em 4 pontos fundamentais proposta por Pinto (2016), para que se possa determinar o foco da psicoterapia de curta duração:
  1. O fundo, o estilo de personalidade que se dá sustentação à queixa, ao sintoma; 
  2. A figura trazida pelo cliente, sua dor, sua queixa, seu sintoma identificado, o que inclui um cuidadoso olhar para seu ponto de interrupção mais importante no ciclo de contato; 
  3. A situação terapêutica, a cada sessão, nos moldes já discutidos anteriormente; 
  4. O campo existencial do cliente
Referências: PINTO, Ênio Brito. Psicoterapia de Curta Duração na Abordagem gestáltica elementos para a prática clínica. 3 edição  Summus editorial. São Paulo, 2016.

terça-feira, 17 de agosto de 2021

A psicologia humanista e a abordagem gestáltica

  •  Na década de 1960 surgiu, na psicologia americana, o movimento chamado de “terceira força em psicologia”, a Gestalt-terapia.
  • visava humanizar a atividade psicológica sem se limitar a ser apenas mais uma revisão da teoria de outras abordagens, mas questionar algumas teses psicológicas da psicanálise e do behaviorismo, sistemas dominantes na época.
  • Os psicólogos humanistas eram contrários a essas duas correntes, psicanálise(foco no inconsciente) e behaviorismo(foco no comportamento),  por considerar que ambas concentravam-se apenas em partes do ser humano, desatentos à complexidade da pessoa pela ênfase nas partes (um, no comportamento observável a outra, na dimensão inconsciente.)
"Assim, afirma Holanda (1997, p. 16), “a psicologia humanista nasce, pois, da necessidade de ampliar a visão do homem, que se achava limitada e restrita a apenas alguns aspectos, a alguns elementos, segundo as perspectivas behaviorista e psicanalítica”. (Frazão; Fukumtsu, 2013)
  • Tributária do pensamento holístico
  • consideração pela dimensão consciente do homem retomou a questão da liberdade e do presente e foi muito influenciada pela contribuição filosófica da fenomenologia e do existencialismo.
  • passoua observar o lado saudável do indivíduo e não apenas o lado neurótico e psicótico como na psicanálise.
  • Acrditavam que quando se abria mão dos aspectos positivos do ser humano, focando apenas lado obscuro da personalidade, a psicologia ignorava forças e potencialidades da pessoa que os humanistas se empenharam cm recuperar em conceitos como tendência à autorrealização,status de homem consciente e — ao retomar a questão da liberdade como extensão conceitual —importância do momento presente. 
  • Seus maiores representantes foram Abraham Maslow, Clark Moustakas e Carl Rogers, entre outros.
Maslow...

Abraham Harold Maslow (1 de Abril de 1908Nova Iorque — 8 de Junho de 1970Califórnia) foi um psicólogo americano, conhecido pela proposta Hierarquia de necessidades de Maslow




  • considerado o pai espiritual da psicologia humanista
  • foi quem mais contribuiu para incentivar o desenvolvimento dessa vertente e conferir-lhe certo grau de respeitabilidade acadêmica. 
  • Acreditava que todos os indivíduos tinham uma força inata que os conduzia à autorrealização, característica usada de forma ativa em todas as suas habilidades na aplicação plena do potencial.
Carl Rogers...

Carl Ransom Rogers (Oak ParkIllinois8 de janeiro de 1902 – La JollaCalifórnia4 de fevereiro de 1987) foi um psicólogo estadunidense atuante na terceira força da psicologia e desenvolvedor da Abordagem Centrada na Pessoa






  • conhecido por sua abordagem de psicoterapia chamada de abordagem centrada na pessoa. 
  • Ele também utilizou um conceito semelhante ao da autorrealização de Maslow; porém, diferentemente deste, as idéias de Rogers não resultaram do estudo de pessoas emocionalmente saudáveis, e sim da aplicação da terapia centrada nos seus pacientes: 
  • Sua experiência clínica o convenceu de que as pessoas seriam capazes de mudar pensamentos e comportamentos do indesejável para o desejável de forma consciente e racional, desde que encontrassem um campo propício, principalmente a aceitação incondicional pelo terapeuta Rogers acreditava que a personalidade é constituída no presente, pela maneira como o indivíduo percebe as circunstâncias; assim, a qualidade da ambiência relacional terapêutica ganhou enorme importância.
  • A Gestalt-terapia...
    • Suas origens são fenomenológico-existenciais e holísticas
    • chegou ao Brasil somente no final dos anos 1960
    • chamadas de terceira força em psicologia, já bebiam da fonte do existencialismo e do humanismo.
    • A visão fenomenológico-existencial traz um extenso modelo de idéias em especial...
      •  o valor do mundo vivido como fonte do conhecimento e da consciência 
      • a concepção de ser humano como detentor de liberdade de escolha, processo que acontece a cada momento. 
      • A volta à experiência presente e imediata, tão cara à Gestalt-terapia, tem também sua ancoragem no preceito fenomenológico de voltar às coisas mesmas — o que, no âmbito terapêutico, se refere ao vivido pelo cliente.
    • Nada de julgamentos apriorísticos na abordagem gestáltica
    • Associada a visão humanista pela sua visão holística do homem...
      • entende o homem como um ser inteiro, embora, como diz a fenomenologia, ele se apresente por perfis
      •  Acreditar que existe na pessoa um potencial que ultrapassa sua existência presente, que é o impulso para o crescimento, para o processo de atualização como um todo cada vez mais integrado, é a contrapartida psicológica do vir a ser existencial.
      •  Esse preceito positivo é o que move o esforço dessa abordagem. 
      • A autonomia do espírito humano, capaz de encontrar por si mesmo a melhor alternativa para suas dificuldades, é o ponto de encontro entre o humanismo e a Gestalt-terapia. 
      • Ambos veem o homem como possuidorde um valor positivo, capaz de se autogerir e de se autorregular sem a tutela de autoridadeexterna, inclusive a do terapeuta.

  • A escuta não judicativa, curiosa, investigativa, sintonizada e confirmadora é a awareness fundamental exigida do terapeuta para promover a abertura do cliente às suas próprias possibilidades dialógicas,abrangentes e centradas na sua convivência inter-humana. 
  • A compreensão dos motivos geradores da existência egocentrada do cliente é tributária da compaixão humana do terapeuta. Mas essa mesma compaixão vai se esforçar para que ele não fique ai.
  • A teoria organísmica ou holística gestáltica traz a noção de que a preocupação do sujeito lhe pertence e tem sua razão de ser na totalidade mais ampla de suas motivações existenciais presentes, estando Vinculadas a si mesmo e não alheias ao seu ser, como a questão sugere.
  • Teorias herdeiras do pensamento holístico:
  • a psicologia da Gestalt, 
  • a teoria organísmica, 
  • a teoria de campo,
  • fenomenologia,
  • o existencialismo heideggeriano e sartreano,
  • a dialógica,
  • o zen-budismo 
  • "Não é a dimensão do espaço em que atuamos que dá sentido à nossa ação. É a atitude para com as coisas do mundo que lhe confere o sinal de um ou outro modelo de homem e de humanidade."

  • mesmo que nossa ação, como terapeutas e como clientes, aconteça no limitado terreno de nossa sessão, de nossas famílias, de nossas parcerias e de nosso grupo social ela se reveste de uma significação comunitária.
  • É a atitude para com as coisas do mundo que lhe confere o sinal de um ou outro modelo de homem e de humanidade.

  • Vetores norteadores da ética humanista no âmbito da clínica psicoterápica....

    1. A reverência fenomenológica do terapeuta pela experiência do cliente...
    •  seja ela qual for encantamento com aquilo que é, abrindo mão da arrogância cientificista de alterar “a natureza” das coisas do espírito, acreditando firmemente que aquilo que está sendo é o que tem de ser.
    • encontro criador do inter-humano terapeuta/cliente
    • o que tem de ser, o que está exigindo ser, não é a essência ou forma prévia da vivência interrompida, mas possibilidades expressivas ou de manifestação da vivência que, no encontro terapêutico, no momento criador do “entre”, se atualizam pela mobilização energética dos parceiros.
    • a natureza do encontro direciona para uma das awareness possíveis.
    • o encontro é permissivo e sintônico com a meta teleológica do ser do cliente, a possibilidade de completude na direção do crescimento e evolução do ser é aquela que será realizada.
    2. A preocupação do terapeuta com a comunidade próxima do cliente.
    • A compreensão da experiência vivida pode se tornar inadvertidamente a aprovação de uma existência autocentrada.
    • A ética humanista, herdeira também do existencialismo, nos atribui a condição de ser com.
    • a ética humanista da sua abordagem obriga o terapeuta gestáltico a ultrapassar a tarefa inicial e essencial de compreender o cliente e suas razões.
    • A profunda empatia e a compaixão para com a dor e a situação da pessoa, condição necessária ao espírito humanista do terapeuta, quando autenticamente sentidas e não meramente funcionais, compõem um modelo humano poderoso, que tende a promover no cliente um novo olhar para o outro.
    • Ser consciente é saber distinguir entre a limitação psicológica atual do outro e a atitude intencionada de prejudicar, utilizar ou ignorar os demais pelo individualismo egoísta de poder ou de sucesso, tão vigente nas nossas instituições.
    • Empatia como a mais poderosa via de acesso ao conhecimento do homem

    O projeto terapêutico , genuinamente humanista, deve também ser guiado pelo propósito de promover duas dimensões da cura existencial:

    1. A permissão dada pela pessoa do cliente de deixar ser aquilo que está sendo, permitindo que emerjam as Gestalten que estão sendo interrompidas, não no sentido do pragmatismo imediato de fazer algo com aquilo que emergiu, mas no sentido dado pela nossa visão de awareness, como um processo vivencial da consciência em que é alterada a visão de si mesmo e do mundo próprio, na direção de uma das perspectivas possíveis de ajustamento criativo à realidade. A
    Gestalt que emerge é atualizada e transformada no encontro terapêutico;

    2. O acesso do cliente à capacidade de estabelecer relações de intimidade — ou dialogais — no espaço próximo da convivência, onde a primeira dimensão evolui necessariamente para a segunda, desde que não tenha sido uma simples simulação, ratificando a awareness como uma experiência transformadora. E ambas só podem ser conseguidas na tarefa terapêutica da nossa abordagem se for criada entre nós e nosso cliente uma autêntica relação de sintonia e intimidade, ou seja, o “entre” dialógico.

    O humanismo gestáltico...

  • preserva a dignidade do paciente numa ação terapêutica isenta de todo uso ou exploração da sua pessoa.
  • respeita a sua dignidade aparece ainda no nosso esforço para que ele alcance o máximo de suas possibilidades humanas, que são inseparáveis da consciência da sua interdependência socioambienta.


  • Nesse esforço de ampliar a consciência das possibilidades de ser com, vemos uma vertente da poética humanista da Gestalt, de natureza similar ao valor desempenhado pela criação artística, conforme Ricoeur (1977, p. 57): “Pela ficção, pela poesia, abrem-se novas possibilidades de ser no mundo na realidade cotidiana. Ficção e poesia visam ao ser, não mais sob o modo de ser dado, mas sob a maneira do poder ser”.

    Buber (1982, p. 44) assegura...

  • ante o apelo do “incurável” abrimos mão das certezas para operar com a esperança.
  • ao encontrar o outro à sua frente, não se pergunta como fazer para tratá-lo, e sim como recebê-lo sem rótulos, como escutar a voz do seu silêncio, como reconhecer nele a mesma humanidade que me atormenta, me eleva e me permite seguir confiante na evidência da nossa identidade...
  • diante da singularidade do cliente, faz que se calem e se recolham todas as vozes da minha ciência, na escuta reverente do mistério que se anuncia.

  • O Humanismo e Psicologia Humanista são diferentes.

    De forma genérica, a expressão “humanismo” pode ser definida como um  conjunto de princípios que estabelecem a valorização e a dignidade inerentes à pessoa, independentemente de qual seja a sua condição atual no mundo, prescrevendo que cada homem deve ser tratado por qualquer outro homem e por todas as instituições sociais sob a regência de valores morais como respeito, justiça, honra, amor, liberdade, solidariedade etc.

    • Humanismo Antigo
      • Humanismo Greco-latino
      • Humanismo renascentista
      • Humanismo iluminista
      • Humanismo positivista
      • Humanismo contemporêneo que se divide em:
        • Humanismo marxista
        • Humanismo existencialista
        • Humanismo secular ou laico
        • Humanismo ético-sociológico
    O humanismo vinculado à Gestalt-terapia é...
    • o humanismo antropocêntrico individualista — centrado no Eu, ainda completamente vigente nas ciências, na psicologia, na educação e nas igrejas — 
    •  inclui a awareness da identidade essencial da condição humana, awareness capaz de ultrapassar a categorização do nosso cliente mesmo quando d utilidade prática para nosso fazer terapêutico, vendo nessa categorização apenas um esforço precário da ciência humana busca de entendimento do ser. 
    • Entendimento inevitavelmente provisório e parcial ao extremo, embora necessário quando ainda lhe escapa a apreensão amorosa da sua totalidade. 
    • pretende libertar o ser humano das tendências antropocentradas e individualistas, 
    • nasce da expansão da consciência empática que, de forma vigorosa, nos impulsiona à aceitação de todos, homens, animais e plantas, como membros de uma única família universal, tratando com compaixão as diferentes espécies e buscando a fraternidade entre elas.

    Referência:
    FRAZÃO, Lilian Meyer; FUKUMITSU, Karina Okajima. Gestalt-terapia fundamentos epistemológicos e influÊncias filosóficas. Coleção Gestalt-terapua fundamentos e práticas. Summus Editorial. São Paulo, 2013. Capítulo 5 : A Psicologia Humanista e a Abordagem Gestáltica
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    sábado, 14 de agosto de 2021

    Fenomenologia e Gestalt-terapia

     EDMUND HUSSERL

    • (08/04/1859 Tchéquia - 27/04/1938 Freiburg/Alemanha)
    • Estudou Astronomia em Leipzing, Matemática em berlim e Viena.
    Influências e pretensões...
    • Influenciado por Franz Brentano (1884) passou a pensar sobre a Teoria do Conhecimento e Filosofia da Ciência, afim de criar um método que fundamentasse as ciências,  questionando seus pressupostos, sua metodologia e objeto de estudo.
    • Sua obra revolucionou todo o pensamento das ciências humanas do século XX, e da prórpia filosofia até o presente.
    • Concluiu que não se podia pensar em apenas um método para a ciência e que este iria variar de acordo com o objeto de estudo das diferentes ciências.
    • Demonstrou que as ciências humanas não poderia  ser medida pelo rigor das ciências naturais, concluindo ser ineficiente para as ciências do espírito e completamente ineficaz quando se trata de vivência humana.
    • Pretendia desvelar a tentativa husserliana de propor a fundação de uma nova ciência  rigorosa com base na regionalidade de cada uma das ciências.
    • Procurou a princípio pela epoqué (redução eidética e fenomenológica) chegar a um EU e a um OBJETO PUROS  em suas propriedades essenciais, retirando todas as qualidades circunstanciais, ou acidentais, com o fim de, estando de posse de um EU e de um OBJETO PUROS, fundar uma nova teoria  do conhecimento de modo sólido e inquestionável.
    "A redução fenomenológica ou epoqué vai consistir a "por em parênteses"  a realidade do senso comum. Não se deve permanecer ao nível das percepções sensíveis, mas sim, captar a "essência" ou o "sentido das coisas"." (FRAZÃO;FUKUMITSU,2013)

    • Criou um modo de chegar "às coisas mesmas" buscando prescindir das especulações, hipóteses e leis gerais para entrar em contato com a especificidade, a originalidade e a ssingularidade de cada fenômeno que se mostra.
    • Fenomenologia = Estudo dos Fenômenos, isto é, daquilo que é dado à consciência.
    "Husserl vê a consciência como uma síntese em fluxo que não tem nenhuma substancialidade, sendo mais uma dinâmica entre sujeito e objeto, onde todo ser recebe seu sentido e valor."(FRAZÃO;FUKUMITSU,2013)

    • As coisas só tem valor se fizerem sentido para o indivíduo.
    • A relação conhecedor e objeto é possível conhecer uma série de formas de apreensão do mundo, para além da razão e do pensamento, como também, pela intuição, sensibilidade, relação pré-reflexiva, etc.
    • Noção da fenomenologia como recomeço, retorno às coisas mesmas, a partir da exploração de dados intuitivos e relação pré-reflexiva,sem estabelecer quaisquer hipótese a respeito.
    "A perspectiva fenomenológica constata o caráter intencional da consciência." (FRAZÃO;FUKUMITSU,2013)
    • É sempre consciência de alguma coisa.
    • Toda e qualquer ciência deverá ser precedida de uma análise fenomenológica visando estabelecer a essência do objeto de estudo antes de formular hipóteses ou leis.
    • Noesis: ato da consciência visando o objeto. (gerúndio, o que se está fazendo no momento)
    • Noema: objeto visado pela consciência. (passado, o que tornou-se consciente, visado)
      • Exemplo: observe uma bolha de sabão. 
        • Noema é a bolha de sabão porque a bolha é o objeto visado pela nossa consciência.
        • Noesis é o ato em si de observar a bolha, que é o objeto.
    • A fenomenologia concebe o homem como ser no mundo.
    "A consciência é, então, consciência no mundo  e vincula-se a ele por meio do corpo. Com efeito é pela mediação desse mesmo corpo que podemos nos relacionar com as coisas e com os outros seres humanos."(FRAZÃO;FUKUMITSU,2013)
    • A existência só pode ser entendida como  no mundo e com o outro.
    • A fenomenologia tem como tarefa elucidar as relações vividas e efetivas que se estabelecem, ao mesmo tempo necessária e livremente, entre homem e mundo.
    "Para Husserl não se pode conhecer jamais aquilo que se dá por si mesmo, a coisa em si." (FRAZÃO;FUKUMITSU,2013)
    • Na fenomenologia 
      • não se pode especular ou pressupor nada, caso contrário, deixa de ser fenomenologia.
      • é preciso suspender todo e qualquer psicionamento ontológico e toda "realidade empírica", colocando em questão tudo que for óbvio, aparente e preconcebido.
    O FAZER FENOMENOLÓGICO DA GESTALT-TERAPIA

    -Como apreender o homem que está à sua frente, com toda a sua singularidade, unicidade e originalidade?
    • Se despindo do pré-conceito, da pré-reflexão, da pré-definição, de qualquer pré-visão a respeito do mesmo.
    • Suspendendo o senso comum, as estruturas prévias de interpretação e a tradição sedimentada.
    • Compreender que é bem diferente da passividade de um sujeito ao contemplar sua vivência, mas se esforçar para apreender a significação de sua experiência.
    • Intervir procurando compreender e não interpretar.
    • Valoriza o experimento em detrimento da técnica.
    • No experimento cliente e terapeuta caminham juntos em direção ao novo, novo para os dois.
    • A busca do novo leva a outras possibilidades de perceber o mundo com novas significações e sentido.
    "...na fenomenologia, a consciência é "síntese em fluxo", é dinâmica e não tem substancialidade."(FRAZÃO;FUKUMITSU,2013)
    • Amplia-se o mundo, a consciência.
    • Um dos principais pilares do trabalho clínico fenomenológico e gestáltico é a awareness (consciência em fluxo)






    Referências:
    • FRAZÃO, Lilian Meyer; FUKUMITSU, Karina Okajima. Gestalt-terapia fundamentos epistemológicos e influÊncias filosóficas. Coleção Gestalt-terapua fundamentos e práticas. Summus Editorial. São Paulo, 2013. Capítulo 2: Fenomenologia e Gestalt-terapia.
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    terça-feira, 18 de maio de 2021

    Mecanismos de interrupção de contato - Gesltalt-Terapia

    A Gestalt-terapia o homem é visto como potencialmente saudável. Assim sendo, aquilo que se entende usualmente por mecanismos de defesa neuróticos, o gestalt-terapeuta  compreende como formas de evitação do contato. E isto não significa apenas uma mudança de nomenclatura. A evitação de contato pode ser saudável ou patológica, conforme ¨ sua intensidade, sua maleabilidade, o momento em que intervêm e, de uma maneira mais geral, sua oportunidade.¨ (GINGER, GINGER, 1995).

     A ação do gestalt-terapeuta não deve objetivar atacar, vencer ou superar as resistências quando o cliente está evitando o contato, mas, principalmente, torná-las mais conscientes ou figurais, favorecendo seu uso adaptado à situação do momento.

    Um mecanismo de defesa por si só não é bom nem ruim. O uso que o cliente faz dele, o seu funcionamento, é o que caracteriza sua "patologia".

    Os mecanismos mais citados pelos diferentes autores da Gestalt-terapia são:

    1. Confluência (Perls) - É um estado de não-contato, por fusão ou ausência de fronteira de contato. O self (si mesmo) não pode ser identificado, ausência de discriminação eu/meio.
    O individuo confluente tem uma necessidade muito grande de reduzir as diferenças. Algum tipo de singularidade pode gerar nesse individuo algum tipo de ansiedade. Tem fronteiras frouxas ou vive sem fronteiras. É difícil de saber o que é dele e do outro. Cria vínculos exagerados, apego excessivo, necessita estar em grupo e na relação com o outro. Nem sempre a cofluência é patológica, tem dificuldade em lidar com sua individualidade, singularidade, querendo sempre viver no social, evitando qualquer tipo de conflito, diferenciação. Não sabe lidar com novidades também. Na terapia ele precisa reencontrar a si mesmo e sua propria identidade. Tem dificuldade de fazer escolhas acaba decidindo o que o mundo decide.

    1. Introjeção (Perls) - Significa a incorporação de elementos do meio, de ideias a sentimentos, relações, valores etc. Não confundir com o conceito de introjeção da Psicanálise, pois no conceito de Perls há a implicação de um elemento que não foi assimilado. Outros autores de GT (Ginger) referem que a introjeção só é patológica quando não permite a assimilação.
    Comportamento inibido, obediente, engole as coisas sem dificuldade de discriminar o que é dela  e o que é do mundo. Falta uma certa mastigação para digerir o que vem do mundo. O mundo existe mas a pessoa não. Precisa discriminar o que é dele, reproduz muito o que é do outro para ter contato. Ex: Fulano falou, segundo sicrano, essa é a forma de contato que consegue ter.

    1. Projeção (Perls) - Significa atribuir ao meio elementos fantasiados pelo próprio indivíduo. Para Perls, há aqui um deslocamento da responsabilidade do indivíduo para o meio. A projeção não patológica é o que permite, por exemplo, a empatia entre os indivíduos.
    Ele é o contrário da Introjeção, onde o suejito acredita que pe invadido pelo mundo. Na Projeção o sujeito invade o mundo. Atribuindo ao meio o que é proprio de seu self. Percebe-se nele uma grande dificudlade de reconhecer e aceitar parte de sua personalidade. Projeta no mundo seu fracasso, desejos, carregando um traço paranóico e acaba achando que o mundo esta contra ele. Dificuldade de reconhecer-se e atribui ao mundo. Frases como: ninguem me intende, ninguém me escuta, como se o mundo não estivesse disponível para ele. Vida de ilusões e agressividade. O terapeuta precisa tentar reintegrar as partes alienadas e rejeitadas pelo sujeito, reassumindo a responsabilidade sobre seus atos de self. Pode trazer reclamação de terapeutas anterioriores. É preciso acolher e faze-lo entrar em contato consigo mesmo.

    1. 2. Retroflexão (Perls) - Consiste em voltar para si mesmo a energia mobilizada, fazer a si aquilo que gostaria de fazer aos outros ou que os outros lhe fizessem. São exemplos de retroflexão (tanto patológica como saudável): morder os dentes ou cerrar os punhos para não agredir; a masturbação; o sadismo e o masoquismo; a fala mental etc.
    O sujeito é alguem que de alguma maneira caba sendo inimigo de si mesmo. Como impulso que o sujeito que deveria colocar no mundo acaba dirigindo pra si mesmo, gerando casos de psicossomatizações. Exemplo: tem raiva, mas não consegue expressão, guarda para si. Não pderia sentir raiva de determinada pessoa, se sente culpado e dirige essa energia apra si somatizando. Tem dificuldade de dizer não. Ele deveria buscar uma forma de expressar mais as suas emoções. Um tratamento terapéutico é direcionado para coloca-la em contato com o mundo. Fazer exercicio de falar com o mundo de uma maneira mais direta e poder ter uma fonte de prazer consigo mesmo.

    1. Deflexão (Polster) - Permite evitar o contato direto, desviando a energia de seu objeto primitivo.São exemplos: desviar o olhar; "falar sobre"; usar termos técnicos etc.
    Há comportamentos especificos do sujeito deflexivo. Ele esta sempre criando muita dificuldade com o terapeuta, principalemtne quando o terapeuta é iniciante. Discurso político, filosífico vago. Tem dificuldade de entrar em contato com o mundo e nem se escuta. Precisa falar, falar e falar para não fazer contato.Pensa-se que é uma pessoa comunicativa e sociável, mas é o contrário. Tudo nela é apenas uma forma de não entrar em contato com o mundo. É preciso fazer uma boa intervenção. Precisa conduzir o cliente a entrar em contato com suas emoções, com o que sente naquele momento. Em casos extremos pode até trazer algum tipo de psicose.

    1. Proflexão (Sylvia Croker) - Uma combinação de projeção e retroflexão, consiste em fazer ao outro aquilo que gostaríamos que o outro nos fizesse.
    O sujeito que faz proflexão, faz ao mundo o que gostaria que fizesse com ele, Ele ama paraser amado, cria manobras para conseguir tocar a outra pessoa e de qlguma forma ser reconhecido por ela. Ele não consegue ser a sua propria fonte de prazer. Precisa projetar no outro e que esse reconheça quem ele é. Reclamações como sempre fiz tanto pelas pessoas, não sou reconhecido por essa pessoa. O terapeuta precisa buscar entender as suas reais necessidade e de maneira direta ele aprenda a buscar o que deseja sem buscar por intermedio de outras pessoas. Única forma de se relacionar com o mundo. Nem sempre consegue se reconhecer, precisa agradar o outro, e manipular o meio para que o outro faça como ele. Processo terapêutico deve ensinar a fazer por ele mesmo.

    1. Egotismo (Goodman) - Consiste em um reforço deliberado nas fronteiras de contato, devido a um reinvestimento de energia no ego, uma hipertrofia narcísica; geralmente é uma etapa do processo terapêutico, mas enquanto um estado crônico se torna uma patologia.
    O sujeito é alguém que possui um ego exagerado, artificial. Gosta de ter uma grande independecia, grande dificuldade de dar e receber, se sente o centro do universo, como se só ela existisse. Não é facil atender um egotista, há pessoas que podem apresentar esse tipo de comportamento no início, o que pode passar à medida que a pessoa pode comear a entrar em contato com ela. Comportamento narcisista, com excesso de controle sobre o futuro, sempre vigilante, a questão central é a pessoa queredo aniquilar o inesperado, não quer ter surpresa sobre o futuro, por isso quer controlar tudo. O terapeuta deve conduzir a pessoa a entrar em contato consigo mesmo e com o mundo começando a aprender a dvidir com o mundo.

    1. Dessensibilização 
    A pessoa que possui esse tipo de bloqueio de contato nao entra em contato nem com ela nem com o mundo, como se tivesse desintegrada. Como se parasse de existir, não tem awareness. Parece que falta alfabetização emocional, que o terapeuta é responsável pelo início dessa reeducação emocional. Não tem contato e tem dificuldade de responder às perguntas. Sugere que algo importante aconteceu na vida da pessoa, como trauma, depressão, etc. Há uma disfunção relacional, necessitando do trabalho de contato por parte do terapeuta, buscando sair dessa frieza emocional.

    1. Fixação
    Se apega de maneira excessiva a ideias, pessoas e coisas. Padrões cristalizados, ideias fixas e dificuldade de lidar com o novo, com o ajustamento criativo. Vida empobrecida e se sente incapaz de lidar com a impermanência da vida, sempre está procurando certezas. O trabalho terapeutico vai em aprender a lidar com as incertezas e riscos da vida.



    Disponível em: http://www.gestaltemfigura.com.br/gestalt-terapia/psicopatologia-mecanismos-defesa-resistencias#:~:text=Os%20mecanismos%20mais%20citados%20pelos,aus%C3%AAncia%20de%20discrimina%C3%A7%C3%A3o%20eu%2Fmeio.

    O Contato - Gestalt-Terapia

    •  Sem contato a pessoa se vê sujeita a desajustes marcantes da personalidade e, em casos extremos, à morte.
    • Contato pode ser definido como essa passagem que se estabelece entre a união e a separação: é o ponto exato em que passamos de uma situação de separação para a otra de união, e vice-versa.
    • O contato se estabelece pela vista, pelo ouvido, pelo olfato, pelo gosto e contato físico.(Órgãos sensoriais)
    • O ser humano se conecta e desconecta continuamente do meio.
    • Quando retira o contato, fica-se sozinho, e esse ritmo contato-retirada pe necessário para o bom funcionamenteo do organismmo.
    • Cada pessoa tem seu espaço vital que pode se abrir a determinadas pessoas, mas ninguém deve invadir esse espaço, afim de não ameaçar a integridade e individualidade da pessoa.
    Espaço Vital
    • Conceito psicofisiológico, um espaço territorial imaginário, que nos serve para definir a quantidade de contato, a qualidade e o tempo de duração desse contato e  a proximidade de que cada qual necessita para sentir-se seguro sem correr o perigo de sentir-se invadidio pelo outro ou outros.
    • Manter rigidamente esse espaço, pode reduzir o contato, levando-o a solidão.(Introversão)
    • Estar em continuo contato com o mundo, mostrando uma extroversão compulsiva, torna-se difícil distinguoir entre o ambiente e a pessoa.
    "O contato só pode dar-se entre pessoas que estão separadas, que necessitam de independência e que ao mesmo tempo precisam de contato, sem permanecer enganchadas nessa relação."
    • O contato é a base do crescimento e da maturação, possibilitando o intercâmbio de experiências ou da realização de algo novo junto. A mudança é o produto inevitável do contato.
    Tipos de Contato:
    • O contato só se estabelece pela maneira como se faz, ou seja, como a pessoa ver  outro.
    • O Contato começa a funcionar quando o si mesmo se encntra com o que é alheio (Perls, 1976)
    • O contato consigo mesmo também é uma forma de contato, devendo estar orientado para seu próprio crescimento. Deriva da capacidade que o ser humano tem de desdobrar-se, de converte-se em observador e observado de forma mais objetiva possível.
    • O contato é evitado em outras psicoterapias,
    • Em terapia gestáltica não só não evitamos os contatos diretos entre os pacientes dentro de um mesmo grupo, ou nosso próprio contato, mas procura-se fomentar esse contato, porque achamos que onde aparece a maioria das dificuldades dos apciente é no contato, e como consequencia disto nos intercambios que se fazem por falte ou por excesso.
    • Só a partir de dar-se conta do que é que interrompe um contato e como o interrompe pode mudar seu comportamento e aprender novas formas de atuar.
    Os limites ou as fronteiras do eu
    • Os limites marcam a capacidade - a quantidade e a qualidade - do contato que uma pessoa quer ou pode estabelecer com o mundo que o rodeia.
    • Os limites mudam ao longo da vida.
    • Até pessoas mais rígidas em seus limites, têm um mínimo de flexibilidade.
    • Há muitos jogos gestalticos para expandir e ampliar os limites do contato.
    • Marcam o ponto dentre aproximação e afastamento nas interrelações dos seres humanos.
    Tipos de Limites
    1. Limites relacionados com a grande variedade de ambientes, podendo ser mais ou menos abertos, estimulantes ou permissivos.
    2. Limites do corpo, relacionados a bloqueios que ocorreram em nível físico.
    3. Limites em função dos valores, o fanatismo e as crenças limitam as fronteiras do contato.
    4. Limites da familiaridade, condensado na frase mais vale o mau conhecido do que o bom por conhecer.
    5. Limites da expressividade, limites impostos como "não toque", "não mexa", "homens não choram".
    6. Limites da exposição, Medo de ser olhado, observado, reconhecido, de chamar atenção ou fazer papel de ridículo.
    Quatro tipos de expressão que podem compreender outras etapas evolutivas na expressividade:
    1. Etapa bloqueada - o indivíduo nem sequer sabe o que quer expressar. Predomínio da repressão.
    2. Etapa inibida - sabe o que quer expressar mas tem medo de fazê-lo.
    3. Etapa exibicionista - mostra o que quer, mas sua expressão pode ser pobre-inautêntica
    4. Etapa de expressão espontânea - É a etapa final onde o sujeito expressa o que quer, compromete-se plenamente na expressão de suas emoções, sentimentos, se comportando de acordo com seus desejos.
    Outra forma de classificar os tipos de contato:
    1. Contato como referência - ocorre sem emoção, comum na vida, sobretudo no mundo dos negócios, são frios e distantes.
    2. Olhar sem ver - também comum, quando a pessoa não é capaz de descrever detalhes de um contato feito.
    3. Cravar o olhar enrijecendo-o - parece a forma de olhar sem ver, porém, com rigidez. Geralmente acontece quando se associa a tarefa à obrigação de fazer de determinada maneira.
    Exercícios para restabelecer o contato:
    • Olhar intencionalmente e ver o que é que nos proibimos olhar - especialmente aquilo que não se olha.
    • Olhar e ser visto, olhar e deixar-se olhar - direcinar ao outro.
    • Elogiando da boca para fora - quando elogia alguém que considera indiferente ou desprezível.
    • Quando partimos de pontos de vista preestabelecidos - crenças, introjeções, não escutamos os pontos de vistas dos outros.
    • Quando estamos numa atitude de caçadores -para ver onde e em que o outro estpa equivocado, ao invez de dialogar para não se expor.
    • Quando escutamos ou recordamos apenas as críticas mas não os elogios - selecionamos uma parte da conversa em vez de estarmos atentos ao todo.
    • Os que ouvem só os detalhes - censuram o fundo em favor da estética e da perfeição.
    • Os que ouvem simplificando as coisas - os detalhes não tem importância.

    Conceitos Centrais em Gestalt-Terapia

     CONCEITOS CENTRAIS EM GESTALT-TERAPIA

    • Homeostase
    • Figura e Fundo
    • Awareness
    • Contato e FUga
    • Saúde e Doença
    • Ajustamento Criativo
    HOMEOSTASE
    • Busca do equilíbrio na relação campo-organismo-meio.
    • é a partir desse conceito que se fundamentam todos os outros.
    • Premissa: todos os comportamentos são governados pela Homeostase, e que os leigos chamam de adaptação.
    • Conceito (Perls,1973, pp.20-1): É o processo através do qual o organismo satisfaz suas necessidades.
      • Como as necessidades são muitas, cada necessidade perturba o equilíbrio, com isso, o processo homeostático perdura o tempo todo.
      • É um processo de autorregulação onde o organismo interage com seu meio.
      • Perls empresta o termo homeostase tanto para aspectos fisiológicos quanto para aspectos psicológicos, pressupondo a indivisibilidade do homem, visto holisticamente como ser integral.
      • É na relação com o mundo que o sujeito retira subsídios para atender Às suas demandas.
    • As necessidades podem ser:
      • Fixas: inerentes à manutenção de sobrevivência da espécie.
      • Rígidas: havendo aí uma infinidade de possibilidades.
    • Satisfação das necessidades:
      • há uma dinâmica que possibilita hierarquiza-la
      • só podem ser satisfeitas uma de cada vez
    • Há uma íntima relação entreos conceitos de homeostase, de figura e fundo e também de contato e fuga.
      • Figura: é a necessidade que emerge a cada momento a fim de ser satisfeita.
      • Fundo: é toda a gama infinita de possibilidades de outras vivências, necessidades e percepções que naquele instante cede lugar para o surgimento e configuração de uma necessidade dominante.
      • É pelo contato ou fuga do meio, dependendo da demanda, que o indivíduo pode obter a satisfação de suas necessidades.
    "Para a Gestalt-terapia pe do equilíbrio homeostático que depende a saúde do indivíduo."

    FIGURA E FUNDO
    • Quando o organismo se depara com várias necessidades simultâneas a serem satisfeitas (físicas ou emocionais) e tenta estabelecer um equilíbrio homeostático ocorre uma hierarquização.(Perls, 1973, p.25)
      • Procura atender primeiro as necessidades de sobrevivência, agindo primeiramente, a partir do princípio das coisas fundamentais.
      • A necessecidade dominante do organismo se torna figura do primeiro plano, deixando as outras necessidades para segundo plano, que são o Fundo.
    Gestalt-terapia fechada: "Para que o indivíduo satisfaça suas encessidades, feche a Gestalt, passe para outro assunto, deve ser capaz de manipular a si próprio e ao seu meio as necessidades puramente fisiológicas só podem ser satisfeitas, mediante a interação do organismo com o meio."(Perls, 1973,p.24)
    • è da plasticidade  da interação entre essa dinâmica FIGURA e FUNDO que o inDivíduo interage com o meio, constituindo aquilo que em Gestalt-terapia cham-se CICLO DE CONTATO.
    • "A figura não é uma parte isolada do fundo, ela existe no fundo. O fundo revela a figura, permite a figura surgir..." (1985, p.72)
    AWARENESS
    • Segundo Barros apud Stevens (1988,p.11), é uma palavra que não tem tradução para o português, pois possui um significado masi amplo que o sentido de "consciência".
    • A palavra transcende este sentido envolvendo um aspecto maior de "Consciência", "conhecimento", "ciência", "atenção", "percepção" ou "sensação da presença de algo".
    • Conceito: é um processo de contato na relação estabelecida entre campo, organismo e meio, com qualidade acentuada de atenção e sentido.
    Segundo Yontef Awareness...
    •  é uma forma de experienciar
    • é um processo de estar em vigilante contato com o evento mais importante do campo organismo meio, com pleno suporte sensório-motor-emocional-cognitivo-energético.
    • é fluido e não interrompido num continuo
    • leva a uma descoberta, apreensão imediata de elementos islados no campo.
    • Awareness ée sensorial e não mágica. Ela existe aqui e agora.
      • o passado existe agora sob a forma de memórias, remorsos, rancores, tensão corpol.
      • o futuro não existe, exceto agora, como fantasias, esperanças, expectativas.
    • Corolário I: 
      • Awareness só é eficiente quando fundamentada e energizada pela necessidade predominante presente no organismo.
      • Não basta estar em contato, pois o individuo pode realizar determinada tarefa mecanicamente, coma energia "pulverizada" em outra necessidade.
    • Corolário II:
      • Awareness não é completa sem o conhecmento direto da realidade da situação e de como se está nela.
      • Está conectado com o pressuposto da responsabilidade de cada um; estar numa situação sem reaponsabilidade ou envolvimento co aquilo que está fazendo, não significa estar aware.
    • Corolário III:
      • Awareness é sempre aqui e agora. É mutante, desdobrnado-se e transcendendo-se.
    Na Gestalt-terapia enfatizamos awareness ...
    • no sentido de saber o que estou fazendo agora, na situação que está sendo.
    • não se confunde o que está sendo com o que foi ou o que será ou poderia ser.
    • procedimentos são baseados na awareness do que é, energizando a  figura (necessidae de primeiro plano) em questão no presente e com vivo interesse.
    • O conteúdo de awareness é sempre aqui e agora, é experienciar  e saber como e o que eu estou fazendo agora.
    • Como o agora muda a cada momento, awareness é um processo dinâmico, em constante mutação. (Yontef, 1984, p.30-1)
    CONTATO E FUGA
    • Termo mais utilizado é contato/fuga (Perls)
    • Contato e fuga são opostos dialéticos.
    • São descrições dos caminhos pelos quais encontramos os fatos psicológicos.
    • No campo/organismo/meio as catexis positiva e negativa ( contato e fuga) se comportam de maneira muito semelhante às forças de atração e repulsão do magnetismo.
    • O campo total organismo/meio é uma unidade dialeticamente diferenciada:
      • É diferente biologicamene com organismo e meio;
      • É diferente psicologicamente em si mesmo e o outro;
      • É diferente moralmente em egoísmo e altruísmo;
      • É diferente cientificamente em subjetivo e objetivo, etc.
    • Gestalt-terapia fechada: quando o objeto catexial positivo ou negativo, for apropriado ou destru[ido, contatado ou dele se fugiu, ou relacionado de algum modo satisfatório com o indivíduo, tanto ele como a necessidade a que está associado desaparecem do meio; Contato e fuga num padrão rítmico, são nossos meios de satisfazer nossa necessidade d econtinuar os progressivos processos da vida (Persl, 1973, pp.36-7)
    Conceito de fuga na Gestalt-terapia:
    • Assume aspecto relativo pois fugir não significa necessariamente um comportamento defensivo neurótico.
    • O que determina a adequação e asserção desse comportamento está rlacionado com a aawareness envolvida na situação.
    Conceito de contato na Gestalt-terapia:
    • ocorre na fronteira entre o indivíduo e o mundo (fronteira de contato)
    • A fronteira é sentida como contato e isolamento.
    • é estabelecido para que a pessoa possa atender a uma necessidade ou fehar uma figura.Após isso, há uma retração para que surja nova necessidade, novo contato, formando o ciclo de contato,. assmilaçõa e retração.
    SAÚDE E DOENÇA
    • Saúde está longe de significar ausência de doença.
    • Engloba todos os aspectos do ser humano como um todo organizado: o físico, o psiquico e o espiriual, somando-se numa configuração indivisível em que o funcionamento é harmônico.
    • Em estado de equilíbrio o indivíduo de posse plena de suas potencialidades tem condições de interagir com o mundo, promovendo um fluxo constante de ssurgimento de siguras e seus fechamentos.
    • Segundo Perls a Gestalt-terapia serve a todas as pessoas e não apenas ao doente, devido ao desequlíbrio homeostático constante, que quando mantido permanece o estado de saúde, ainda que em condições adversas.
    "Toda a vida é caracterizada pelo jogo contínuo de estabilidade e desequilíbrio no organismo. Quando o processo homeostático falha, em alguma escala, quando o organismo se mantém num estado de desequilíbrio por muito tempo, e é incapaz de satisfazer suas necessidades, está doente. Quando falha o processo homeostático, o organismo morre."(Perls, 1973, p.20)

    Para gestalt-terapia o termo "saúde" pode ser substituido, a grosso modo, por "crescimento", não estando em acordo com o sentido comum do termo saúde. (anacronismo).

    Saúde segundo a OMS - Organização Mundial de Saúde: " A saúde não é a ausência de doença ou enfermidade, mas um estado de completo bem-estar físico, mental e social."(p.14)

    De acordo com Perls (1977) "saúde é um equilíbrio apropriado da coodenação de tudo aquilo que somos" (p.20)

    AJUSTAMENTO CRIATIVO
    • Conceito: Refere-se aos ajustamentos possíveis entre o indivíduo e o meio que possam promover de alguma forma o fechamento de figuras.
    • Fechamento de figura significa uma interação com o campo, na qual por meio do contato o indivíduo possa optar por uma decisão que lhe pareça a melhor no sentido de cumprir a demanda organísmica que se torna figura naquele momento.
    • Entende-se que esse processo demanda um ajuste naquele momento, porém, interagindo criatiovamente dentro do campo de interação.
    Segundo Perls, Hefferlue e Goodman (1997)...
    • Nenhum ajuste seria possível por autorregulação herdade ou conservativa, dada a novidade e variedade indefinida do ambiente.
    • o contato tem de ser uma transformação criativa.
    • a criatividade precia estar continuamente destruindo e assimilando o ambiente dado na percepção, e resistindo à manipulação, caso contrário, é inútil para o organismo.













    domingo, 7 de março de 2021

    A busca do significado - Gestalt-Terapia

    •  qualquer forma de psicoterapia oculta e revela, ao mesmo tempo, uma teoria do homem. Ela procura através do ser humano, do seu pensar, do seu agir, induzir um sistema de comportamento.
    •  Ciência e conduta andam juntas desde os primórdios da humanidade.
    •  muito antes que a ciência formal existisse, já os homens executavam tarefas com a segurança que seus próprios pensamentos e sentidos lhes ditavam.
    "...as coisas se auto-revelam, elas contêm um apelo interno de auto-revelação e de auto-realização: "a água diz: bebe-me"; "o fruto diz: come-me"; "a mulher diz: ame-me". As coisas em si não se autocomplicam, elas simplesmente são e se exibem, cristalinamente." (pg.17)
    • A natureza, no entanto, é mais complexa do que aquilo que a simples informação direta e sensorial pode informar.
     "O processo de pensar destruiu a unidade do mundo primitivo", e com isto a ciência formal começa a se implantar. A ciência passa a disciplinar a percepção, a disciplinar os desejos, a exigir uma maior exatidão no estabelecimento e compreensão dos fatos." (pg.17)

    "... no campo da psicologia, como ciência que estuda o comportamento dos seres vivos, ou seja, a relação entre natureza animada e inanimada, entre natureza, vida e mente. O homem é todo ele um ser de relação com. Imerso no universo, tudo diz respeito a ele e com tudo ele se encontra em relação, consciente ou inconsciente." (pg.17)
    • Surge a posição gestáltica, que propõe uma integração de quantidade, ordem e significado, como correspondendo àquela globalidade que define e caracteriza a relação homem-universo. 
    "A simples percepção do fenômeno não me coloca em contato direto com a realidade. É necessário que o fenômeno se desvele e que se note o como de seu desvelar." (pg.20)
    • fica mais clara a proposta da Gestalt-terapia em lidar prioritariamente com o quê e o como.
    • "o quê" me revela o fenômeno, "o como" o descreve, colocando o psicoterapeuta na condição de lidar com a qualidade do fenômeno real. 
    • Quanto mais o quê (quantum) se revela, mais se pode ter uma visão unitária do processo como um todo, o que equivale a dizer perceber sua qualidade. 
    • A emoção, por exemplo, tem um quantum, a percepção de sua intensidade, me revela a qualidade do que está acontecendo aqui e agora. 
    "...o discurso unitário de explicação das relações homem-mundo deve ser necessariamente holístico. As coisas estão presentes inteiras. O limite real das coisas é sua própria realidade, que pode ser incompleta, se vista dentro de um conceito de projeto, mas que será completa se vista atualizada aqui e agora."(pg.21)
    •  A ordem não é apenas uma propriedade da vida, mas também da natureza. 
    • Uma mesa com papéis amontoados por quem a utiliza pode significar a "ordem" melhor para esta pessoa. Se alguém a ordena, colocando as coisas em lugares diferentes, esta nova ordem pode dificultar o trabalho de quem utiliza a mesa.
    • A pergunta é: ordem com relação a quê. Uma pessoa dita "certinha" está em ordem; alguém, no entanto, livre, solto, espontâneo, pode ser chamado de "não em ordem". Se ambos estão bem consigo mesmos, podemos dizer que ambos estão em ordem? 
    "O processo psicoterapêutico visa a alcançar esta ordem, esta harmonia, não importando a quantidade com que se apresenta. Se existe ordem, existem também a quantidade e qualidade desejadas."
    • o mais fundamental destes conceitos é o de significado e valor, como pertencentes às ciências da mente. Aqui como diz Koffka, está uma das raízes mais profundas da Teoria da Gestalt. 
    • raciocínio para a psicoterapia: o cliente é entendido a partir do momento em que ele é visto como um todo, vindo de um todo e presente em um todo. 
    • O cliente é como uma sinfonia. É importante escutar cada uma de suas notas (seus problemas). que só se fazem inteligíveis quando vistas no seu todo, na sua relação dinâmica de parte para parte. 
    "...quando a ação psicoterapêutica é orientada para o todo do cliente, cada uma de suas partes está sendo mexida, considerada; quando é orientada para uma parte do cliente, p. ex., para uma energia localizada na respiração, toda a pessoa está sendo atingida, porque a relação não é apenas de causa e efeito, mas uma relação existencial entre as partes e o todo, entre cada nota e a sinfonia."(pg.23)
    • As coisas, entretanto, existem e co-existem conosco independentemente da existência que lhe queiramos atribuir.
    • As coisas têm um fluxo de energia que lhes é próprio e tendem a se autorrealizar da maneira mais perfeita, integrando elementos após elementos. 
    • As coisas e pessoas tentam se integralizar, se globalizar, se totalizar com um impulso que lhes é próprio. 
    Como diz Koffka: 
    "Aplicar a categoria de causa e efeito significa descobrir que partes da natureza se encontram nesta relação. Analogicamente, aplicar a categoria de Gestalt significa descobrir a que partes da natureza pertencem, como partes, a todos funcionais, descobrir suas respectivas posições nestes todos, seu grau de relativa independência e de articulação dos todos maiores em subtodos (1931b)."(4)
    • contém um apelo visível do significado que nasce da relação parte-todo, causa-efeito.
    • é a relação parte-todo, todo-parte que indicará o caminho a seguir.
    • O caminho inicial parece ser o da busca do significado e da ordem existentes no ser. 
    "O psicoterapeuta se encontra frequentemente diante de informações cuja quantidade (quantum) poderia levar a conclusões de compreensão de uma situação" (pg.25)
    • p. ex., um choro abundante e contínuo do cliente que fala da perda do pai.
      • Existe aí uma outra variável que é aquela da qualidade (qualitas) deste choro
      • Tem-se a sensação de que quanto maiores forem os pormenores deste choro mais sua qualidade poderá definir-se. 
        • A qualidade poderá ser boa ou má. 
        • O que irá definir esta qualidade é o significado do choro, que nasce não do choro em si, mas da relação entre choro e realidade total.
    PRESSUPOSTOS FILOSÓFICOS DA GESTALT-TERAPIA
    • A psicoterapia tem uma proposta de um ponto de vista psicodinâmico.
    • Deve-se refletir a  teoria da psicoterapia, sob o ponto de vista existencial-fenomenológico.
    • Uma reflexão filosófica a partir do sentido do homem no mundo, a partir de elementos onde teorias como a do Campo, a Holística, a Gestáltica, juntamente com a práxis psicoterapêutica, tentam iluminar esta vasta área do conhecimento humano, dificultado na compreensão pela própria reflexão do que é e de como se é, existindo. 
    • A proposta desta reflexão é precedida por uma reflexão humanista, existencial-fenomenológica
    GESTALT-TERAPIA EHUMANISMO
    • Humanismo...
      •  tem sido a grande tentativa do homem de compreender-se e de fazer-se compreendido.
      • o homem...
        • tem estado permanentemente em luta consigo e com outros homens, na eterna tentativa de se firmar e de ser reconhecido como pessoa.
        • busca a harmonização como centro de sua expectativa.
        •  Está permanentemente à procura da compreensão de seu próprio sentido. 
      • designa uma concepção do mundo e da existência, que tem o homem como centro. 
    " O homem é naturalmente o centro das coisas, do universo, porque, como diz Heidegger, só o homem existe, as coisas são. O homem é o único ser que tem uma maneira característica de se fazer, de se realizar." (pg. 28)

    " Pitágoras, cinco séculos antes de Cristo, dizia: "o homem é a medida de todas as coisas". Isto não significa ser o homem o senhor absoluto e prepotente do universo, mas que o universo deve ser pensado a partir do homem." (pg.28)

    "Falta ao homem uma reflexão profunda sobre si próprio. Nesta perspectiva, fica mais claro ainda o nístico de Sócrates: "Conhece-te a ti mesmo."
    • Conhecer a si próprio...
      •  é experimentar o próprio poder e os próprios limites; 
      • é a partir de si próprio que o homem caminha para compreender o mundo e utilizar o mundo na compreensão de si próprio. 
      • é uma proposta de se autogerir: de evoluir a partir de dentro, conscientizando-se, momento por momento. 
    "Não se pode negar que em toda forma de psicoterapia se esconde uma visão do homem. A Gestalt-terapia se coloca do lado das psicoterapias humanísticas, o que significa que contém e promove a ideia do homem como centro, como valor positivo, como capaz de se autogerir e regular-se."(pg.29)

    "O humanismo é uma teoria do homem...
    •  psicoterapia de base humanística é o homem criando a si mesmo, existindo, tomando posse de si e do mundo e não a aplicação de uma teoria no homem. 
    • Este homem transcende à teoria do homem. E só assim ele pode ser entendido como centro.
    Uma psicoterapia, preocupada com a valorização do humano...
    • procura diretamente lidar com o que de positivo tem a pessoa, procura lidar com seu potencial de vida (saúde, beleza, força, etc.), 
    • procura fazer com que o cliente tome, de fato, posse de si mesmo e do mundo.
    • Tal postura não significa que não se tente compreender o sentido das limitações, das fronteiras, da morte, no contexto da psicoterapia, pois, psicoterapia tem que ser expressão e compreensão  da própria vida. 
    • É a postura humanística que, sem esquecer os limites pessoais, os fracassos e impossibilidades de mudanças, aqui e agora, procura fazer uma reflexão a partir do positivo, do criativo, do que é ainda potencialmente transformador; enfim, daquilo que, talvez sem o perceber, o cliente tem à sua disposição, como principal e, às vezes, única porta de saída para sua recuperação e renascimento.  
    "Estamos ainda longe de pensar, com suficiente radicalidade, a essência do ser. Conhecemos o agir apenas como o produzir de um efeito. Sua realidade efetiva é avaliada segundo a utilidade que oferece. Mas a essência do agir é o consumar. Consumar significa: desdobrar alguma coisa até a plenitude de sua essência: levá-la à plenitude: producere. Por isto, apenas pode ser consumado, em sentido próprio, aquilo que já é. O que, todavia, já é, antes de tudo, é o ser."(3) (HEIDEGGER apud  RIBEIRO, pg.30).
    • A nossa proposta de psicoterapia da Gestalt com relação ao cliente....
      • é que ele aja com toda a sua radicalidade, longe de ser um mero produzir efeitos, conseguir resultados imediatos, supõe um consumar a essência. 
      • a essência significa um produzir existencial permanente, um fazer recurso a potencialidades desconhecidas ou não usadas, um desdobrar-se à procura da própria totalidade significativa.  
      • deve estar atenta à realização plena destes três momentos: agir, pensar e expressar-se (Heidegger)
      • A finalidade da psicoterapia é levar o cliente à sua consumação, isto e. a desdobrar-se até a plenitude de sua essência, ou seja, levá-lo à sua plenitude no agir, no pensar, no expressar-se pela linguagem.
      • o homem todo inteiro é o sujeito do processo psicoterapêutico. Não basta lidar ou com sua linguagem ou com o que ele faz ou pensa.
      • A Gestalt é. Tem um apelo interno de desvendar-se, de se deixar descobrir, tocar, analisar.
      •  Heidegger dizia que encarregar-se de alguma coisa, de uma pessoa, significa ouvi-la, querê-lo: ouvir o ser, querê-lo, penetrar no ser através da Gestalt que ele é.
     " dentro de uma visão humanística, ficam mais claras as relações do homem com Deus, com a lei, com o bem e o mal, com os valores. 

    Como diz Heidegger: "O único pensamento que se quer impor é que as mais altas determinações humanísticas da essência do homem ainda não experimentaram a dignidade propriamente dita do homem".(6) (pg. 31)
    •  uma reflexão existencialista...
      • como um modo característico de agir e reagir à realidade, nos dará elementos para um quadro referencial que se vai diferenciando cada vez melhor. 
      • Essa visão ajuda na compreensão de um  processo gestáltico psicoterapêutico
    Gestalt- terapia...
    • um caminho e uma forma de se expressar diante da vida, estudar e confrontar a filosofia existencialista 
    • permite uma reflexão aprofundada de sua proposta de compreensão do mundo visto por nós do ponto de vista psicológico. 
    • Seus princípios e pressupostos nos ajudam a fazer aquela transposição de mensagens que estão à base de nossa preocupação
    • um modo específico de estar no mundo e de lidar com ele.  
    • o homem como um ser particular, concreto, com vontade e liberdade pessoais, consciente e responsável.
    •  O existencialismo é a expressão de uma experiência individual, singular: trata diretamente da existência humana.
    •  significa a necessidade de se tentar compreender o indivíduo a partir de sua singularidade, de seu manifestar-se subjetivo. Conhecer é, portanto, fazer um apelo à existência, à subjetividade.
    •  ver o homem como um ser particularizado, singularizado no seu modo de ser e de agir, concebendo-se como único no universo e individualizando-se a partir do encontro verdadeiro entre sua subjetividade e sua singularidade
    "O homem é singular... Apenas ele tem consciência da sua singularidade. Portanto, o homem é a categoria central da existência. A existência individual, assim a concebe Kierkegaard, é para ser vivida... Kierkegaard exalta o concreto, o singular, o homem enquanto subjetividade."(8) (pg.32)
    • A consciência é...
      •  viva, livre, ela existe voltada para as coisas, ela existe orientada de forma imediata para as coisas. 
      • Ela sempre visa algo. 
      • Todo ato humano visa um objeto, não ocorre no vazio, por isto Husserl dizia: "Toda consciência é consciência de alguma coisa". 

    REFERENCIAS:
    RIBEIRO, jorge Ponciano. Gestalt-Terapia Refazendo um caminho. 8ª edição revisada. Summus editorial. 

    segunda-feira, 1 de abril de 2019

    Teoria da Personalidade segundo Sigmund Freud


    PERSONALIDADE

    O estudo da personalidade: principais conceitos na perspectiva histórica e contemporânea. Fatores determinantes da personalidade: Biológicos e socioculturais. Estrutura, dinâmica e desenvolvimento da personalidade nas diversas abordagens.

    PERSONALIDADE E PERSPECTIVA PSICODINÂMICA

    Nossa personalidade é o nosso padrão característico de pensar, sentir e agir.

    Duas perspectivas históricas, passaram a fazer parte do legado cultural para estudo da personalidade:

    ·       Perspectiva Humanista – focou nas capacidades internas de crescimento e autorrealização na qual quanto mais o ego (o que penso que sou) se aproxima do self( o que de fato sou) mais autorrealizados, serei.

    ·       Perspectiva Psicanalítia de Freud.

    Surgem então, teóricos posteriores que trouxeram:

    ·       A perspectiva  do traço  - examina padrões característicos de comportamento (traços).
    As perspectivas social-cognitivas, exploram a interação entre os traços das pessoas (incluindo seus pensamentos) e seu contexto social.



    PERSPECTIVA PSICANALÍTICA DE SIGMUND FREUD (1856-1939)

     Propôs que a sexualidade e as motivações inconscientes na infância influenciam a personalidade.
    o   A perspectiva psicodinâmica de Freud, encara a personalidade como um foco no inconsciente e na importância das experiências na infância, ou seja, encara o comportamento humano como uma interação dinâmica entre a mente consciente e a mente inconsciente, incluindo motivos e conflitos associados.

    o   Foi o primeiro a concentrar atenção clínica no inconsciente.

    o   Inconsciente segundo ele, é um reservatório de pensamentos, desejos, sentimentos e memórias inaceitáveis, na maioria dos casos. Psicólogos contemporâneos definem o inconsciente como processamento de informações sobre as quais não temos consciência.

    o   Associação livre em psicanálise, é um método de explorar o inconsciente em que a pessoa relaxa e diz o que lhe vem a mente, por mais trivial e constrangedor que seja.

    o   Ideia de Freud sobre a estrutura da mente consiste em dizer que a mente está escondida  por baixo da superfície consciente, e que o Id é totalmente inconsciente, mas o Ego e o superego, operam consciente e inconscientemente, porém, Id, Ego e Superego(ideias internalizadas), interagem entre si.
    o   Para ele, a personalidade se forma nos primeiros anos de vida, na qual a criança passa por uma série de fases psicossexuais.

     As fazes psicossexuais de Freud são:
    Fase
    Foco
    Oral ( 0-18 meses)

    Centros de prazer na boca-sugar, morder, mastigar
    Anal (18-36 meses)
    O prazer se concentra na eliminação pelo intestino e bexiga; lidar com a necessidade de controle.
    Fálica ( 3-6 anos)
    A zona de prazer está nos genitais: lidar com os sentimentos de prazer incestuosos.
    Latência (6 à puberdade)
    Uma fase de sentimentos sexuais dormentes
    Genital ( da puberdade em diante)
    Maturação do interesse sexual.

    ESTRUTURA TRIPARTITE DA PERSONALIDADE SEGUNDO FREUD

    A personalidade humana, incluindo emoções e seus esforços, origina-se de um conflito entre moção,(impulse) e restrição, ou seja, entre nossos impulsos biológicos agressivos em busca do prazer e nossos controles sociais internalizados sobre nossos impulsos. Logo, acreditava que a PERSONALIDADE era o resultado de nossos esforços em resolver esse conflito básico, a fim de expressas esses impulsos de modo a produzir satisfação sem trazer também culpa e punição.

    ·       Id (energia totalmente inconsciente)

    Id contém um reservatório de energia psíquica inconsciente que, de acordo com Freud luta para satisfazer os impulsos básicos, sexuais e agressivos básicos. O Id opera com base no princípio dos prazeres, exigindo gratificação imediata. Pessoas dominadas pelo Id geralmente fazem uso de tabaco, álcool, drogas, etc.
    As energias que buscam satisfazer o Id, concentram-se, segundo Freud, nas zonas erógenas distintas, as quais Freud chamou de fases psicossexuais no desenvolvimento infantil que são: oral, anal, fálica, latência e genital.

    ·       Ego (parte executiva e, principalmente consciente, mas as vezes inconsciente, é ele que harmoniza o Id e o Superego).

    Opera com base no princípio da realidade. Na medida em que a criança se desenvolve, a criança aprende a enfrentar o mundo real. O ego operando sobre o princípio da realidade, busca satisfazer os impulsos do Id, de maneiras realistas que trarão prazer a longo prazo, ao invés da dor. O ego contém nossas percepções, nossos pensamentos, nossos julgamentos e nossas memórias parcialmente conscientes. O ego considera não só o real, mas também, o ideal.

    ·       Superego ( Pré-consciente, está fora da consciência, mas é acessível a ela)

    Se concentra somente em como a pessoa deve se comportar. Luta pela perfeição, julgando ações e produzindo sentimentos positivos de orgulho ou sentimentos negativos de culpa. Representa ideais internalizados e fornece padrões para julgamento e futuras aspirações.

    Suas demandas quase sempre são opostas as demandas do Id, o Ego luta para conciliar os dois.

    Termos usados por Freud na perspectiva psicanalítica:

    IDENTIFICAÇÃO – as crianças incorporam os valores dos pais no desenvolvimento do superego.

    FIXAÇÃO – foco constante de energia em busca do prazer em uma fase psicossexual anterior, na qual os conflitos não foram resolvidos.

    MECANISMOS DE DEFESA – métodos de proteção do ego que reduzem a angústia distorcendo inconscientemente a realidade. O ego se protege com mecanismos de defesa.

    RECALQUE na perspectiva psicanalítica, o mecanismo de defesa básico, que tira da consciência pensamentos, sentimentos e memórias que geram angústia.


    EFERÊNCIAS
    MYERS, D.G. DEWALL, C.N. Psicologia11ª edição. Editora LTC. Rio Grande do Sul. 2017.