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sábado, 21 de novembro de 2020

Transtorno Depressivo e Antidepressivo

 

  • Transtornos disruptivo da desregulação do humor
    • crianças até 12 anos, irritabilidade persistente e descontrole comportamental extremo. Padrão de sintomas: transtornos depressivos unipolares ou transtornos de ansiedade, em vez de transtornos bipolares, adolescência e na idade adulta.
  • Transtorno depressivo maior (TDM)( incluindo episódio depressivo maior)
    • episódios distintos de pelo menos 2 semanas, envolvendo alterações no afeto, cognição e em funções neurovegetativas, e remissões interepisódicas.
    • O diagnóstico : único episódico/ recorrente.
    • Diferenciação da tristeza e do luto
  • Transtorno depressivo persistente ( distimia)
    • dois anos em adultos e um ano em crianças
  • Transtorno disfórico pré-menstrual.
    • específico e responsivo a tratamento. Após a ovulação e remite poucos dias após a menstruação - impacto significativo no funcionamento.
    • Um grande número de substancias e abuso, alguns medicamentos e diversas condições medicas podem estar associadas a fenômenos semelhantes a depressão.
    • esse fato é reconhecido nos diagnósticos de transtornos depressivo induzido por substancia / medicamento e de transtorno depressivo devido a outra condição médica.

  • Transtorno depressivo induzido por substâncias / medicamentos.
  • Transtorno depressivo devido a outra condição médica.
  • Outro transtorno depressivo especificado e transtorno depressivo não especificado.
A característica comum desses transtornos é a presença de humor triste, vazio ou irritável, acompanhado de alterações somáticas e cognitivas que afetam significativamente a capacidade de funcionamento do indivíduo.
O que difere entre eles são os aspectos de duração, momento ou etiologia presumida.

Incidência e prevalência
  • O transtorno depressivo maior tem a prevalência mais alta ao longo da vida (17%) de todos os transtornos psiquiátricos.
Sexo
  • Prevalência 2 vezes maior de TDM em mulheres que em homens.
  • Hipóteses: diferenças hormonais, efeitos departo, estressores psicossociais diferentes para mulheres e para homens e modelos comportamentais de impotência aprendida.
  • O Transtorno Bipolar I tem prevalência igual entre homens e mulheres.
  • Episódios maníacos são mais comuns em homens, e episódios depressivos são mais comuns em mulheres.
  • Quando episódios maníacos ocorrem em mulheres, elas tem mais probabilidade que os homens de apresentar um quadro misto.
  • As mulheres também têm uma taxa mais rápida de ciclagem rápida.
Idade
  • Transtorno Bipolar I - Infância ( a partir de 5 a 6 anos de idade) aos 50 anos ou mais, média de 30 anos.
  • TDM - 40 anos (50% entre 20 e 50 anos - infância e velhice.
  • Incidência do TDM pode estar aumentando entre pessoas com menos de 20 anos - uso de álcool e abuso de drogas. 
Estado civil

TDM - sem relacionamentos interpessoais íntimos - divorciados ou separados.
O transtorno Bipolar I - ocorre mais em divorciados e solteiras do que entre as casadas. Além de início precoce e discórdia conjugal resultante característica do transtorno.

Fatores socioeconômicos e culturais
  • Não correlação com TDM
  • Transtorno bipolar I - grupos socioeconômicos mais altos, mais comum em pessoas que não tem curso superior do que naqueles com diploma universitário-início precoce par ao transtorno.
Comorbidade
  • Abuso ou dependência de álcool
  • Transtornos de pânico]Transtorno obsessivo compulsivo (TOC) 
  • Transtorno de ansiedade social.
  • Algumas substâncias piora o prognóstico da doença, aumentando de maneira acentuada o risco de suicídio entre indivíduos com depressão maior unipolar e bipolar.
Fatores biológicos e Aminas biogênicas

Os neurotransmissores monoaminérgicos  norepinefrina, dopamina, serotonina e histamina.

NOREPINEFRINA - age no sistema noradrenérgico da depressão.
SEROTONINA -     possui forte efeito inibidor seletivo da recaptação de serotonina, reduzindo alguns sintomas da depressão.
DOPAMINA - Sua atividade pode estar reduzida a depressão e aumentada na mania. Medicamentos como bupropriona reduzem os sintomas da depressão.

Referências:
SAdock, Benjamim. Compêndio de Psiquiatria: cincia do comportamento e psiquiatria clínica.
Aula da Professora Me.Elisangela Cata Preta

Depressão e Suicídio: uma correlação

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Depressão e Suicídio: uma correlação
  • A influência da depressão no suicídio abrange diversos fatores (social, pessoa e psíquico), como os transtornos mentais.
  • Classificação do suicídio em dois momentos: 
    • primeiro quando o suicídio era considerado ilegal. 
    • O segundo momento a condenação do suicídio passa ser absoluta e sem exceção.
  • Sintomas característicos da Depressão:
    • tristeza, desesperança, falta de motivação e desinteresse pela vida, esses fatores são influenciadores no comportamento suicida.
Conceito de suicídio
  • A palavra suicídio tem origem no latim “sui caedere”; sui = si mesmo e caedes = ação de matar. Por vezes, o termo suicídio pode ser nomeado como morte voluntária, intencional ou auto infligida (FERREIRA, 2008).
  •  Na Língua portuguesa, “suicidar-se é dar a morte a si mesmo, matar-se”. Por vezes, “quando o indivíduo não consegue êxito em tal ação, é considerado como tentativa de suicídio”. Tanto a tentativa como o ato suicida em sim são motivados por ideação suicida, ou seja, “pensamentos que levam o indivíduo a planejar a própria morte” (CARDOSO, 2012, p. 43).
Conceito de Depressão

  • tem origem no latim depressus, ato de deprimir-se. 
  • Segundo Teodoro (2010), a depressão é classificada como transtorno mental, que envolve uma complexa interação entre fatores orgânicos, psicológicos e ambientais.
  •  São comuns na depressão sintomas de angústia, rebaixamento de humor, perda de interesse, apatia, choro persistente, sentimento de impotência, perda de prazer e energia frente à vida. 
  • De acordo com Barbosa, Macedo e Silveira (2011), a ideação suicida também é um sintoma da depressão. 
Estatísticas de Suicídio

  • anualmente um milhão de pessoas se suicidam no mundo;
  •  a cada 45 segundos uma pessoa se suicida em algum lugar do planeta.
  •  Os índices mais altos de suicídio são observados nos países da Europa Oriental, América Central e América do Sul. 
  • Quanto à tentativa de suicídio, segundo a Organização Mundial de saúde - OMS (2011), a tentativa supera o número de suicídio em pelo menos dez vezes, cerca de 15 a 25% das pessoas que tentam suicídio, tentarão se matar novamente. (BARBOSA; MACEDO; SILVEIRA, 2011).
  • A Associação Brasileira de Psiquiatria – ABP (2009) aponta um elo entre o comportamento suicida e os transtornos mentais. Os dados comprovam que de 15.629 pessoas que suicidaram, 90% dos casos enquadrariam em algum transtorno mental. 
  • A depressão maior se destaca com o índice de 35,8% dos casos de suicídio. 
  • Frente essas constatações, e por ser a depressão e o suicídio, problemas de saúde pública, tal estudo pode contribuir com novas pesquisas a cerca dessa temática e para os profissionais de saúde que constantemente lidam com essas situações.

Relatos sobre Depressão...

  • Ao abordar sobre a depressão, é necessário inicialmente compreender que a depressão não é uma doença do século XXI. Apesar de que foi somente no século XIX que formou-se a depressão comum. Anteriormente a depressão era denominada de melancolia, ou seja, “Per-turbações há muito chamadas de melancolia são agora definidas como depressão” (GONÇALES; MACHADO, 2007, p. 298).
  • Hipócrates formulou a primeira classificação nosológica dos transtornos mentais, descrevendo e nomeando a melan-colia, mania e a paranoia (LACERDA; SOUZA, 2013)
  • Robert Burton (1621), estudou sobre as doenças mentais, ainda na modernidade publi-ca a obra “A anatomia da melancolia” defendendo a diferenciação dos quadros de melancolia e de loucura, atualmente popularizada pela nomenclatura de mania. Burton é pioneiro ao des-crever o quadro de síndrome que viria a ser explicado como transtorno bipolar, associando este transtorno à melancolia. Em sua obra, há referência à distinção de entre dois modos me-lancólicos, a positiva e o quadro de doença crônica (LACERDA; SOUZA, 2013).
  • Segundo Lacerda e Souza (2013), a termologia depressão ganha espaço a partir do sé-culo XIX, substituindo a expressão melancolia, juntamente com suas predileções, por uma entidade nosológica independente.
  • Conforme Solomon (2002), a primeira metade do século XIX foi profícuo nos estudos da depressão, em especial no território francês. Philippe Pinel e Jean-Etienne Dominique Esquirol induziram no tratamento, o caráter humanizado. 
  • Pinel define a melancolia ou, na terminologia usada por ele, de “delírio sobre um assunto exclusivo”, como uma caracterização parcial de insanidade composta de delírios que levam a apatia e a solidão, que tinham causas nas experiências de vidas, em configurações nervosas, ou em predisposições físicas e psicológicas do indivíduo.
  • Kraepelin propõe uma subdivisão das doenças em duas entidades, transtornos afetivos e psicoses esquizofrênicas, postulando de forma basilar a compreensão da doença mental por mais de um século. Neste ínterim, a depressão foi considerada como parte da psicose maníaco-depressiva, com atribuições hereditárias, com ênfase nos fatores internos, em detrimento dos externos.
  • Freud em 1917, com a publicação do artigo, “Luto e Melancolia”, destaca a extensa área clínica da melancolia, com as interferências somáticas e psicogênicas. Ele defende que na melancolia ocorre um empobrecimento e esvaziamento do próprio ego, propiciando um delí-rio de inferioridade, principalmente moral, agregando à insônia e a inibição de apetite. Freud também aponta, que na melancolia a tentativa ao suicídio, e que a melancolia se torne mania. (LOPES, 2005).
  • Atualmente, conforme o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM-V (2013, p. 255), o transtorno depressivo tem como características: “presença de humor triste, vazio ou irritável, acompanhado de alterações somáticas e cognitivas que afetam signi-ficativamente a capacidade de funcionamento do indivíduo”. Ainda segundo o DSM-V a depressão classifica em:
    • transtorno disruptivo da desregulação do humor, 
    • transtorno depressivo maior, 
    • transtorno depressivo persistente, 
    • transtorno disfórico pré-menstrual, 
    • transtorno depressivo induzido por substância/medicamento, 
    • transtorno depressivo devido á outra condição médica, 
    • outro transtorno depressivo especificado 
    • e transtorno depressivo não especificado

Segundo o Manual de DSM-V (2013, p. 162), o transtorno depressivo maior é caracterizado, por:

  • Humor deprimido deve estar presente na maior parte do dia, além de estar presente quase todos os dias.
  •  Insônia ou fadiga frequentemente são a queixa principal apresentada, e a falha em detectar sintomas depressivos associados resultará em sub diagnóstico. 
  • A tristeza pode ser negada inicialmente, mas pode ser revelada por meio de entrevista ou inferida pela expressão facial e por atitudes. 
  • Fadiga e perturbação do sono estão presentes em alta proporção de casos; 
  • perturbações psicomotoras são muito menos comuns, mas são indicativas de maior gravidade geral, assim como a presença de culpa delirante ou quase delirante.

No Transtorno disruptivo da desregulação do humor  (DSM-V, 2013)

  • tem como característica principal a irritabilidade crônica grave, ou seja, o indivíduo manifesta raiva e demonstram comportamentos de explosão ocasionados por frustrações. 
No transtorno depressivo persistente (DSM-V, 2013)

  •  o sujeito apresenta um humor depressivo crônico, pelo período mínimo de dois anos. Em crianças e adolescentes o humor pode ser irritável, com duração mínima de um ano. 
No transtorno disfórico pré-menstrual (DSM-V, 2013)

  •  é caracterizado pela alteração do humor, irritabilidade, disforia e ansiedade, durante a fase pré-menstrual. 
No transtorno depressivo induzido por substância/ medicamento (DSM-V, 2013)

  • está associado à ingestão, injeção ou inalação de uma substância, advinda de drogas, medicamentos, manifesta-se por efeitos fisiológicos, da intoxicação ou abstinência. 

Depressão na perspectiva psicanalítica (SAMPAIO apud SOUSA, 2015, p. 13)....

  • A depressão deve-se a perda real ou imaginária, do objeto amado. 
  • Após a perda desse objeto, sensações mistas de amor e ódio são vivenciadas, mas não há a exteriorização dessas hostilidades, voltando-se contra ao próprio indivíduo. 
  • É por “receio da repetição de uma nova perda semelhante, a pessoa fecha-se em sim mesma” 
Depressão na Teoria Cognitiva (SAMPAIO; BECK apud SOUSA, 2015)...
  • a depressão é considerada como uma perturbação dos processos cognitivos que estão ligados ao comportamento. 
  • Três fatores desencadeiam a depressão: 
    • sendo os esquemas cognitivos disfuncionais; 
    • tríade cognitiva 
    • erros cognitivos. 
  • Os esquemas cognitivos disfuncionais são construídos na infância frente vivencias de eventos traumatizantes, perda ou insucesso. 
  • A tríade cognitiva refere-se visão pessimista que o indivíduo tem de si próprio, do mundo e do futuro. 
  • E os erros cognitivos, consistem numa interpretação errônea da realidade, enquadrando na visão negativa.
Estatísticas da Depressão...
  • a depressão atinge cerca 121 milhões de pessoas em todo globo. Estimam-se que, 5% a 10% da população sofrerá com a doença ao longo da vida. Hoje, a depressão representa a terceira causa de doença mundial e em países desenvolvidos está em primeiro lugar. Além disso, os transtornos mentais representam-se 12% das doenças em todo mundo. Em países desenvolvidos os índices são elevados, 23%, na Europa destaca-se com um índice de 26,6%. Assim, calcula-se que a depressão estará em primeiro lugar como “doença mundial” até em 2030 (LOPES, 2005).
  • Em relação ao gênero, a incidência é de 10% para o sexo feminino e 5% para o sexo masculino de desenvolver a doença. As diferenças apresentadas entre homens e mulheres, justificam-se pelos aspectos fisiológicos, o papel social desempenhado gênero, e pela maior sensibilidade emocional das mulheres. Quando a classificação, a depressão maior apresenta um índice alarmante, pois afeta em todo o mundo, 50 milhões de pessoas (SOUSA, 2015).
Suicídio segundo (DURKHEIM, 2000, p. XXV)...
  • considera que: “a unidade de análise é a sociedade e não o indivíduo”
  • “vulgarmente, o suicídio é, antes de tudo, o ato de desespero de um homem que não faz mais questão de viver.”
  • “chama-se suicídio todo caso de morte que resulta direta ou indiretamente de um ato, positivo ou negativo, realizado pela própria vítima e que ela sabia que produziria esse resultado."(DURKHEIM, 2000, p. 11-14).
  • no século XIX, o suicídio passa a ser uma manifestação da doença mental, considerando um problema de ordem moral. Também no século XIX, em 1897, que Durkheim na obra “O suicídio: estudo Sociológico”
  • Durkheim (2000) nesse distingue o suicídio em três tipos:
    • o suicídio egoísta, 
    • suicídio altruísta 
    • suicídio anômico, a partir das influências do meio social, religiosidade, família, sociedade, política, grupos profissionais e a própria relação indivíduo/sociedade.
Fatores que levam o sujeito a cometer suicídio segundo a OMS(2011):
  • os transtornos mentais, 
  • relações familiares, 
  • gênero sexual, 
  • faixa etária de vulnerabilidade, 
  • abuso de álcool, 
  • drogas ou fármacos 
  • situações sociais desfavoráveis, como pobreza e desemprego.
Para Krüger e Werlang (2010) a prática suicida ganha força em situação complexa no contexto familiar, que envolvem:
  •  a perda do emprego, 
  • rompimento do namoro,
  • matrimonio, 
  • saída dos filhos de casa, 
  • a falta de ocupação, 
  • agregados pelas expectativas construídas em histórias passadas, 
  • presentes em torno do futuro.
  • condições socioeconômicas 
  • padrão de possibilidades de consumo de roupas, alimentos, lazer, entre outros, interligados aos contextos biopsíquico, podem motivar as pessoas cometerem o suicídio. (ABREU et al 2010).
Influências da depressão no ato suicida
  • Deve-se considerar a existência de vulnerabilidade, fatores de riscos propensos a influenciar os indivíduos a cometerem o suicido.
  • 30% dos casos de suicídio praticados no mundo  tem como destaque os transtornos mentais com destaque os transtornos depressivos.
  • O suicídio associado a depressão vitima cerca de 850 mil pessoas por ano (OMS, 2006, p.24)
O suicídio, nessa ótica, não pode ser diagnosticado como um sintoma da depressão, mas como um recurso que incide sobre as pessoas deprimidas, já que, “só se pode considerar todos os suicidas deprimidos se a tendência ao suicídio for estipulada como uma condição por si só suficiente para o diagnóstico da depressão” (SOLOMON, 2002, p. 226).



Referências:

Depressão e suicídio: uma correlação.Gláucia Lopes Silva Assumpção1, Luciele Aparecida de Oliveira2, Mayra Fernanda Silva de Souza3. disponível em: file:///C:/Users/lecou/Downloads/15973-Texto%20do%20artigo-61061-1-10-20180309.pdf

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segunda-feira, 2 de novembro de 2020

Transtorno do Espectro Autista (TEA)


O termo “autismo” foi utilizado pela primeira vez, em 1906 pelo psiquiatra Plouller, para descrever o isolamento frequente em alguns de seus pacientes.


Contudo, a palavra “autismo” foi criada por Eugênio Bleuler, em 1911, para descrever um sintoma de esquizofrenia, o qual chamou de “fuga da realidade”. (AUTISMO)


Somente a partir de 1940 que o transtorno ganhou maior atenção, quando o médico austríaco Leo Kanner, teve contato nos Estados Unidos com um grupo de crianças (11), que tinham em comum, a característica de isolamento extremo desde o início da vida e um instinto de preservação da mesmice, chamada de autismo. (AUTISMO..., 2019, pg.7)

Em 1944, o pediatra alemão Hans Asperger desenvolveu uma tese, na qual expõe um conjunto de sinais semelhantes aos descritos por Kanner em crianças na idade de três anos. “Parece que para o sucesso da ciência e da arte, um traço de autismo é essencial. (ARPERGER,1944)


A palavra “Autismo” é de origem grega (autós), que significa “por si mesmo”, designando comportamentos que centralizam em si, ou seja, voltado para o próprio sujeito. O transtorno do Espectro Autista (TEA) é considerado um transtorno do neurodesenvolvimento. É no início do desenvolvimento infantil, geralmente antes da criança ir à escola, que ela apresenta um grupo de condições de ordem socioemocional e comportamental, que caracterizam o TEA. (DSN-V, pg.91). O conceito de espectro reflete a ampla gama de desafios que podem vir a afetar as pessoas. (FONTES, 2014).


O Dia Mundial da Conscientização do Autismo foi criado com a finalidade de chamar atenção para a inclusão social das pessoas portadoras do espectro.


Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU) mais de 70 milhões de pessoas no mundo, possuem TEA – Transtorno do Espectro Autista.

No Brasil, também é comemorado o Dia Nacional de Conscientização sobre o Autismo, instituído pela Lei 13.652, de 2018, aprovada pelo Congresso Nacional Brasileiro. (ALVES; ASSUNÇÃO, 2020)

Sabe-se que, com o avanço da ciência e das pesquisas sobre o Autismo, novas hipóteses e descobertas permitiram que diversas áreas do saber aprendessem mais sobre o espectro, porém, segundo a especialista e pesquisadora Patrícia Braga (2019), do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, ainda há questões complexas sobre o autismo,  que não possuem respostas definidas, tais como: Qual a causa? Como se manifesta? Existe melhor maneira de lidar?


Ela explica que é preciso considerar que, “Cada autista é um autista” e que “São muitos autismos, então é difícil generalizar”, havendo ainda, muitas lacunas a serem descobertas.  Portanto, conforme afirma Klin (2006) apud (GUEDES; TADA, 2015), o autismo tem permanecido em um conceito heterogêneo, que inclui múltiplos sintomas e uma variedade de manifestações clínicas, de níveis, de desenvolvimento e funcionamento.

 Há três níveis de intensidade no Autismo:

Trata-se do nível mais suave, no qual a criança apresenta sintomas leves ou sutis e que não afetam tanto o desenvolvimento escolar, o trabalho na vida adulta e as relações interpessoais. Não necessita de tanto apoio, mas apenas de auxílio. (GAIATO, 2016)

Nesse grupo, o autista necessita de maior apoio, com psicoterapia para trabalhar habilidades psicossociais e redução do estereótipo, além da fonoaudiologia para trabalhar a linguagem da criança. (GAIATO, 2016)

Esse nível representa a condição mais crítica do autismo, no qual a pessoa depende muito do auxílio para realizar suas tarefas, necessitando alguém em tempo integral para auxiliá-lo. Vale ressaltar que as estereotipias e o prejuízo da linguagem são muito grandes. (GAIATO, 2016)

A fisiopatologia do Autismo se ocupa das funções anormais ou patológicas do organismo do indivíduo, sendo necessário compreender como essas alterações influenciam o funcionamento normal do mesmo, bem como, determinam as características clínicas que compõe o TEA.  Entretanto é importante ressaltar que o autista não apresenta anomalias físicas não sendo possível identifica-lo pela sua aparência. (AUTISMO..., 2019, pg. 9).

Atualmente o Autismo é descrito por dois principais esquemas, o Manual de Diagnóstico Estatístico (DSM-IV) da Associação Americana de Psiquiatria, e a Classificação Internacional de Doenças (CID-10) da Organização Mundial de Saúde. Ambos classificam o Autismo como um Transtorno Invasivo do Desenvolvimento (TID). (SIQUEIRA et al, 2016).

 

 


A ciência ainda não descobriu a causa e nem mesmo a cura para o autismo. Contudo, os cientistas, através de um estudo do Rady Children´s Institute for Genomic Medicine, na Califórnia EUA (2017) têm defendido a importância do sequenciamento do genoma ou exoma para o diagnóstico de crianças com suspeita de doença genética, como é o caso do TEA.

A neurocientista Dra. Patrícia Braga (2019) explica que dentre a diversidade de características que torna cada autista singular, há algumas características que todo autista apresenta: 


Dificuldade de comunicação, em que a criança pode não conseguir falar ou apresentar um atraso na aquisição da fala; dificuldade de sustentar uma conversa.



Pode ainda ter dificuldade em reconhecer emoções, alegria e tristeza através da face; Dificuldade de comunicação não verbal; reciprocidade afetiva prejudicada.



Dificuldade de interação social e interesses, em que a criança apresenta dificuldade de ter e manter um relacionamento de amizade; isolamento.

Comportamentos restritos ou estereotipados ou repetitivos, que estabelecem um padrão restrito e repetitivo de interesses e de atividades, podendo passar horas em apenas uma atividade. Podem usar sempre uma mesma roupa, abanar as mãos ou verbalizar algo e repetir por diversas vezes. (AUTISMO..., 2019, pg. 9). Essas características e outras variam de acordo com o nível do autismo.

Moraes (2014) apud Siqueira at al (2016), descreve as principais alterações no cérebro autista. Siqueira et al (2016), relacionou os sintomas clínicos observados no Transtorno Autista com as áreas cerebrais afetas.  Segundo ela, o cérebro autista apresenta falha de comunicação entre os neurônios, dificultando o processamento de informações, apresentando como principais alterações:

 CÓRTEX PRÉ-FRONTAL

Responsável pelas funções executivas como planejar, raciocinar e julgar. Está envolvido no desenvolvimento da personalidade, nas emoções e na capacidade de exercer avaliação e controle adequado dos comportamentos sociais (Fuster,2008)

Os padrões de maturação do córtex pré-frontal em crianças autistas são mais lentos, o que é consistente com o desempenho cognitivo dos mesmos (Zilbovicius, Garreau, Samson, Remy, Barthelemy, Syrota&Lelord, 1995 apud Moraes, 2014, p.5).

AMÍGDALAS
Responsáveis pelo comportamento social e emocional. Processa emoções e o medo, além de coordenar respostas fisiológicas com nase nas informaç~eos cognitivas. s (Maren, 1996). A amigdala em crianças com autismo é inicialmente maior, entretanto, não continua a crescer com o desenvolvimento da idade, como é com os não autistas. Foi encontrado também correlação entre o volume da amigdala e a gravidade do quadro clínico (Nacewicz, Dalton, Johnstone, Long, McAuliff, Oakes& Davidson, 2006; POLŠEK ET AL., 2011 apud Moraes, 2014, p.5).

HIPOCAMPO
As regiões associativas temporais estão estreitamente conectadas aos sistemas sensoriais associativos frontais, parietais e límbico. (...) O lobo temporal é também fundamental para o processamento dos estímulos, dando origem às experiências vivenciadas em nosso mundo., O lobo temporal também está associado a organização cerebral da linguagem. “Esta ativação anormal do hemisfério esquerdo pode estar envolvida, nos prejuízos de linguagem e na resposta comportamental inadequada aos sons dos autistas”. (VILELA; DIOGO; SEQUEIRA, 2009) apud Siqueira et al (2016).

O comportamento autista tem sido relatado nas patologias clínicas do lobo temporal. As disfunções das regiões temporais podem explicar grande parte dos sintomas clínicos (déficit perceptivo, emocional e cognitivo) observados no autismo.

Sabe-se que o comportamento autista está associado a diversas disfunções cerebrais que atuam em diferentes regiões do mesmo, tais como a ativação anormal auditiva, que segundo os autores Vilela; Diogo; Sequeira (2009), está associada ao córtex temporal esquerdo. (Siqueira et al, 2016)

O DIAGNÓSTICO

De acordo com o DSM-V, para se diagnosticar o TEA é necessário identificar pelo menos, seis critérios comportamentais, sendo dois em um, e pelo menos em dois e três, nos “três agrupamentos de distúrbios na interação social, comunicação e padrões restritos de comportamento e interesses” (Klin, 2007 apud Siqueira et al, 2016)

Gadia et al, 2014 apud Siqueira et al, 2016, apresenta três critérios diagnósticos para o TEA, em conformidade com o DSM:

1) Déficits qualitativos na interação social, manifestados por: Dificuldades marcadas no uso de comunicação não-verbal; Falhas do desenvolvimento de 229 relações interpessoais apropriadas no nível de desenvolvimento; Falha em procurar, espontaneamente, compartir interesses ou atividades prazerosas com outros; Falta de reciprocidade social ou emocional.

2) Déficits qualitativos de comunicação, manifestados por: Falta ou atraso do desenvolvimento da linguagem, não compensada por outros meios (apontar, usar mímica); Déficit marcado na habilidade de iniciar ou manter conversação em indivíduos com linguagem adequada; Uso estereotipado, repetitivo ou idiossincrático de linguagem; Inabilidade de participar de brincadeiras de faz-de-conta ou imaginativas de forma variada e espontânea para o seu nível de desenvolvimento.

3) Padrões de comportamento, atividades e interesses restritos e estereotipados: Preocupação excessiva, em termos de intensidade ou de foco, com interesses restritos e estereotipados; Aderência inflexível a rotinas ou rituais; Maneirismos motores repetitivos e estereotipados; Preocupação persistente com partes de objetos

Tratamento

Segundo Bosa (2006) apud Siqueira et al (2016), para tratar crianças pequenas com autismo deve-se priorizar a terapia da fala, o estímulo na interação social e linguagem e a educação espacial. Já adolescentes autistas, “os alvos seriam os grupos de habilidades sociais, terapia ocupacional e sexualidade.” (Bosa, 2006). Na fase adulta do autista, o foco ´deve ser as questões de opções de moradia e a tutela. 

Contudo há os tratamentos não medicamentosos como a ludoterapia que se utiliza do lúdico como instrumento para a relação terapêutica, por meio de brinquedos e jogos. ((MARTELLI e COLS, 2000 apud SALIM, JUNQUEIRA, 2010, p.4) apud Siqueira et al (2016).


Barlotti (2007);Wernicke (2000) apud Siqueira et al (2016), afirmam que a estimulação precoce pode ser entendida como um conjunto de ações que visam proporcionar experiências sensoriais, motoras, cognitivas, sociais e afetivas, em crianças com algum atraso ou fatores de risco que poderão prejudicar o percurso normal do desenvolvimento, nos seus primeiros anos de vida. Dessa forma o terapeuta desenvolve de forma lúdica variados significados.

O tratamento medicamentoso tem a finalidade de reduzir sintomas de agitação, agressividade e irritabilidade muito presentes no autista. Sintomas estes que impedem que o indivíduo esteja inserido em programas de estimulação e educacionais


 




terça-feira, 24 de março de 2020

Esquizofrenia: Análise crítica sobre as principais características do transtorno e formas de cuidados


A esquizofrenia é um tipo de psicose, onde ocorre a desagregação psíquica da mente do indivíduo. A pessoa com o transtorno da esquizofrenia deve ser olhada e cuidada na perspectiva de sua interação com meio em que vive, a fim de manter a sua autonomia, funcionalidade social, que lhe permita interagir e se comunicar, garantindo-lhe uma vivência laborativa, acadêmica, familiar e afetiva. Entretanto, esse funcionamento social pode ser afetado  não só por um conjunto de sintomas oriundos da própria doença, mas também, a partir dos estigmas e preconceitos que a sociedade desinformada, ainda sustenta em relação a essas pessoas. As pessoas esquizofrênicas são ainda, muito estigmatizadas, marcadas por uma séria de preconceitos, que acabam isolando-as, socialmente.

A fase de apresentação de sintomas iniciais, chama-se PRÓDROMO ou SINAIS PRÉ-MÓRBIDOS. O início do transtorno pode ser confundido com depressão, pânico, Transtorno obsessivo Compulsivo, Ansiedade generalizada, etc., e por não serem sintomas específicos da doença, não permite diagnóstico precoce, pois o diagnóstico é clínico como uma investigação, pode durar  meses. 

Contudo, após o primeiro surto psicótico, pode surgir outros sintomas como: dificuldades de manter atividades cotidianas, dificuldade de manter relações sociais e familiares,afetando assim a sua autonomia. Os surtos psicóticos tem Sintomas Positivos e Sintomas Negativos.

SURTO PSICÓTICO (DELÍRIO/ALUCINAÇÃO) é um estado mental agudo, caracterizado por grave desorganização psíquica e fenômenos delirantes e/ou alucinatórios com perda do juízo crítico da realidade.

SINTOMAS POSITIVOS, são chamados positivos por que produz uma grande atividade cerebral com elevada produção de dopamina. Esses sintomas estão relacionados aos surtos psicóticos, aos delírios e as alucinações. No DELÍRIO pode criar uma realidade fantasiosa, na qual acredita plenamente,  que é real, ao ponto de duvidar da realidade do mundo; ideias de perseguição, de ser observado, etc. Provoca a sensação de fragmento a personalidade e causa sofrimento. Na ALUCINAÇÃO a pessoa ver e ouve coisas que não existem; ou que pessoas têm poderes paranormais. Nem sempre ocorrem em todos os esquizofrênicos, e quando presentes, variam de intensidade e qualidade dos sintomas.

A ocorrência de sintomas positivos, como delírio e alucinação causam forte impressão nas pessoas, sendo gatilho para a estigmatização, rotulando determinados comportamentos como se todos ocorressem com todas os esquizofrênicos, e preconceito por parte das pessoas desinformadas, ignorantes sobre a esquizofrenia.

SINTOMAS NEGATIVOS são negativos por produzirem baixa produção de dopamina no cérebro. Estão relacionados a fase mais crônica da esquizofrenia, se estendem por mais tempo,  são sintomas deficitários afetando a vontade e as atividades da pessoa, seja por falta de vontade, de inciativa ou persistência. Tendem a escolher atividades mais passivas,sem esforço físico nem cognitivo. Alguns possuem dificuldades de demonstrar afeto, mas continua tendo a capacidade de sentir emoções. A fala, pensamentos e ideias ficam mais lentos e desconectados, sem encadeamento logico, impactam em dificuldades sociais e laborativas.

Do ponto de vista DOS SINTOMAS DA COGNITIVO, ocorre falta de atenção, que interfere na capacidade de leitura escrita, afeta a concentração, prejuízo de memória, dificuldade de manter a atenção por um longo tempo, ficando distraído e disperso, comprometimento do aprendizado, impulsividade, disfunções executivos, como dificuldade de planejar tarefas, não consegue priorizar tarefas simples frente a tarefas complexas. Os sintomas da cognição acabam prejudicando os estudos, trabalho, relacionamento social e familiar.

Já os SINTOMAS NEUROLÓGICOS pode ocasionar tiques faciais, prejuízo dos movimentos mais finos, trejeitos, movimentos bruscos, desordenados, piscar de olhos com mais frequência, desorientação direita-esquerda. É importante observar que todos esses sintomas neurológicos por si só, não diagnosticam a esquizofrenia, por fazerem parte de outros transtornos.

O espectro da Esquizofrenia deve ser tratado com psiquiatra, com uso de medicamentos apropriados para a doença, como os antipsicóticos, que atuam no cérebro  sobre os neurotransmissores, na produção de dopamina,   a fim de mantê-lo fora das crises e surtos psicóticos, com autonomia, funcional em relação as suas atividades de rotina e se relacionando socialmente e com a família.
Para isso, a família é fundamental, devendo ser acolhida para informação e conhecimento da doença, para saber lidar com o problema.


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REFERÊNCIAS:
PALMEIRA/ GERALDES/BEZERRA. Entendendo a Esquizofrenia. Editora Inter ciência. Rio de Janeiro, 2009.
Entrevista sobre Esquizofrenia. Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=3iIGnQ5gf3g&t=41s. Acesso em 24/03/2020 às 20:27 hs.
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