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domingo, 18 de agosto de 2019

A transformação do Hospital em Instituição Médica.

A ORIGEM DO HOSPITAL

Muito se fala sobre medicina, saúde e doença, entretanto, pouco se fala sobre os hospitais, onde se exerce as atividades médicas, e de onde se extrai o saber da medicina moderna.

Final do Império Romano e boa parte do período medieval:

  • Hospitais são Instituições Religiosas e filantrópicas.
  • Igreja Católica constrói hospitais como meio de praticar a caridade cristã. Séc. IV surge o primeiro hospital na Capadócia, para a prática da caridade. Outras surgiram posteriormente.
  • A finalidade desses hospitais era assistencialista, e não destinada à cura de paciente. Pretendia-se dar assistência aos pobres e desamparados.
  • Tinha como missão praticar a caridade, prover um teto, roupas, alimento, acolher quem nada tinha, mas sobretudo, pregar a palavra de Deus.
  • Os hóspedes do hospital religioso eram devassos, prostitutas, delinquentes, venéreos, pobres, desabrigados, doentes, loucos. Funcionava como depósito de minorias e desfavorecidos seguindo a lógica da exclusão. A maioria destes, ia ao hospital para esperar a morte num ambiente de acolhimento cristão, e não para cuidar da saúde.
1656 - Criou-se o Hospital Geral de Paris, França, fins do século XVIII:
  • Deixa de ser filantrópico e religioso e passa a ser Instituição Médica de caráter público e Estatal.
  • Dá início à medicina do espaço urbano por toda Europa, especialmente na Alemanha, França e Inglaterra.
  • Passou a ser responsável pela internação de todos os pobres, tanto os válidos(que podiam trabalhar) como os inválidos (não podiam trabalhar).
  • Unidade de internação destinada exclusivamente a mulheres, homens, crianças e adultos válidos e inválidos. Uma Instituição de Internação Geral. A única coisa que teriam em comum as pessoas encarnadas era a condição de pobreza e desamparo.
  • Internação podia ser voluntária ou involuntária, porém, era determinada pelas autoridades públicas.
  • O Diretor tinha todos os poderes de autoridade: direção, administração, correção e punição, não só sobre os internos para sobre os pobres. Internava quando achasse que devia, quem quer que fosse, sob o regime Absolutista de poder.
  • OS doentes quando eram internados não era exatamente para cuidar da saúde, mas para serem separados da sociedade a qual poderiam contagiar,  ou morrer num ambiente protegido, com uma assistência religiosa e médica.
  • Michel Foucault chamou essas intervenções de Grande Intervenção ou Grande Enclausuramento, por sua natureza semijurídica de controle e segregação. Além disse considerava o Hospital a Terceira Ordem de Repressão, já que sua estrutura de poder se situava entre Polícia e a justiça.
  • Com a Revolução Industrial, houve muitas migrações do campo para as cidades, urbanização, e com o crescimento da pobreza, surgem muitas doenças. havia a necessidade de  uma Medicina Urbana, com instituições sobre as quais o Estado pudesse intervir. Assim, os Hospitais Gerais auxiliavam a ordem pública, excluindo do meio urbano os inimigos do rei e do Estado, e eram destinados àqueles cujos crimes não os levavam à prisão, aos calabouços, aos suplícios públicos.
FINAL DO SÉCULO XVIII- Hospital passa a ser visto como instrumento terapêutico:
  • Surgem as primeiras observações sobre o hospital como Instituição de cura e tratamento de doenças.
  • Tenon, por solicitação da academia de ciências,  visita a medicina social com o objetivo de reestruturar o Hospital Geral de Paris.
  • Observou os tipos de doentes existentes nos hospitais, como eram distribuídos e tratados. Sua preocupação era descobrir como poderiam ser melhor tratados, melhor distribuídos, como poderiam contaminas uns aos outros ou aos trabalhadores dos hospitais, ou a população. Seu objetivo era organizar os hospitais.
  • Nos presídios também haviam médicos, embora não fosse uma Instituição Médica. da mesma forma, haviam médicos nas escolas, fábricas, etc.
  • O hospital passou a ser medicalizado, isto é, tornou-se uma instituição médica especializada, devido ao seu estado insalubre e de desordem, devendo ser um espaço higienizado pela medicina social.
  • O hospital torna-se instituição médica e a medicina, um saber e uma prática hospitalar.
  • As doenças passam a ser agrupadas, com base no modelo epistemológico das ciências naturais. Os médicos isolavam o objeto de estudo para não prejudicar a observação. Afastava e agrupava os objetos de acordo com características semelhantes e diferentes, conseguindo classificar em famílias, gêneros e espécies. Com isso o Hospital passa a ser um lugar de exame, laboratório fundamentado em método científico, mas sobretudo, lugar de propósito de cura e não mais de morte.
  • A ideia inicial da cura surgia em decorrência de anular os efeitos negativos e nocivos do hospital no espaço urbano, e não de reduzir o sofrimento humano.
  • Medicalização do hospital surge a partir de uma nova tecnologia política chamada por Michel Foucault (1977) de DISCIPLINA.
TECNOLOGIA POLÍTICA SEGUNDO MICHEL FOUCAULT:
  • Arte de distribuição espacial dos indivíduos.
  • Exercício de um controle sobre desenvolvimento de uma ação
  • Vigilância constante e permanente dos indivíduos.
  • Registro de tudo que ocorria na instituição.
MODIFICAM OS PAPÉIS DO CLERO, ESTADO, POVO E CIÊNCIA - PRINCÍPIOS INTEGRADOS AOS HOSPITAIS
  • Clero e Estado - deia de ter o privilégio da lei.
  • Povo - podia escolher, decidir, construir a nova sociedade
  • Ciência - assumia a palavra da verdade da objetividade, da ordem e da moral. Única possibilidade de se chegar à verdade das coisas e dos fatos.
PRINCIPIO DO ISOLAMENTO
  • Isolar para observar
  • Observar para conhecer
  • Conhecer para administrar

Referências: Saúde Mental - Políticas e Instituições - Módulo 2

quarta-feira, 3 de abril de 2019

História do SUS no Brasil

A Saúde abrange diferentes setores como: economia ( bens e serviços), hospitais (consultórios, laboratórios, centros de saúde, serviços de saúde e realizam ações de saúde), ações individuais e coletivas.

"Entende-se o modo pelo qual as sociedades identificam problemas e necessidades de saúde, influências econômicas, políticas e culturais. Assim, cada sociedade organiza o seu sistema de saúde de acordo com as suas crenças e valores, sob a influência de determinantes sociais." (PAIM,2009)

O que é o Sistema de Saúde?

Conjunto de AGÊNCIA e AGENTES que tem como principal objetivo assegurar a saúde das pessoas e da população.

  • Agência são instituições e empresas públicas ou privadas, governamentais ou não que visam promover, proteger, recuperar e reabilitar a saúde individual e coletiva. 
  • Agentes são os profissionais e trabalhadores de saúde.
O Sistema de Saúde se divide em:
  • Assistencialista (1920) - Atende quem não pode comprar nenhum serviço de saúde. São pessoas em situação de pobreza, com condição financeira e plano de saúde descobertos. O Estado tem restrições na intervenção à saúde de idosos e pessoas de baixa renda.
  • Seguro Social (1930) - Estado é meritocrático, seguro universal de saúde garantido a toda  população. Para acessar os serviços de saúde, contribuem para a previdência social. Têm  condição financeira para garantir atendimento particular.
  • Seguridade Social (1988), garante o direito à saúde pelo princípio da cidadania universal, concedido a toda população. A saúde é financiada pela sociedade através do pagamento de impostos e contribuições, conforme Constituição de 1988.
Evolução histórica do Sistema de Saúde no Brasil:

Brasil-Colônia (1530--sec XVII)
  • Colônia de Portugal, Capitanias Hereditárias. OS serviços de saúde era prestados pelo cirurgião mor do exército. Saneamento e profilaxia das doenças epidêmicas. Higiene controlada pelas autoridades locais. A população solicitava médicos. Em 1534 surge a Santa Casa.  Os pobres dependiam da caridade cristã. Militares pertenciam as famílias ricas. Em 1828 a responsabilidade da saúde pública passa a ser municipal. Os portos passam a ser inspecionados com relação à saúde; Inspetoria geral de higiene surge em 1822 e 1889, abrangendo as escolas, crianças e adolescentes nos trabalhos.
  • Brasil-Império o Sistema de Saúde era rudimentar, centralizado, incapaz de conter as epidemias e garantis assistência sem discriminação.
  • Brasil-República (1889-1929) política café com leite, surge o Estado liberal com foco no individual e na iniciativa privada. Ações de saúde púbica a assistência medico hospitalar, campanhas sanitárias e Reforma dos Órgãos Federais. Início da Pervidência Social no Brasil (segunda década do séc. XX)  - CAPs, trabalhadores vinculados às caixas recebem assistência médica. A saúde passa a ser uma questão social de interesse da sociedade e do poder público.
  • Brasil-República Velha -  Surge o Departamento Nacional de Saúde Pública, política Carlos Chagas, Estrutura dos serviços de saúde nas zonas rurais, Oswaldo Cruz, Carlos Chagas e Emílio Ribas como códigos sanitários. Ações pontuais de doenças específicas e formação do Ministério da Saúde.
O Sistema de Saúde se distribui por três viés:
  • Saúde Pública - 1930 surge o Ministério da Educação e Saúde. Em 1953 passa a ser Ministério da Saúde. Combate certas doenças e presta serviços específicos e centralizados, além de promover ações para prevenção, ambiente e coletividade.
  • Medicina do Trabalhador - Com a Industrialização a saúde do trabalhador passou a ser olhada. Surgem os CAPs, Caixas de aposentadoria e pensões, que dá acesso a assistência médica.  ministério do Trabalho, 1930, preocupação com saúde ocupacional e promover ações curativas e individuais.
  • Medicina Previdenciária-  IAPs Institutos de Aposentadorias e Pensão. EM 1966 surge o INPS - Instituto Nacional de Previdência Social. promove ações coletivas e individuais.
Sistema de Saúde em crise:

Descoordenado, inadequado, ineficiente, insuficiente, mal distribuído, ineficaz,  e com isso, passa a se pensar na Reforma Sanitária, a partir de 1970, motivada pelos movimentos sociais, democratização do país, políticas públicas, luta contra a ditadura e modelo de privatização da saúde.

Reforma Sanitária de 1980:

Novos Direitos garantidos a todos indistintamente. O Conselho de saúde atua como mediador da saúde. Consolida a cidadania no País. Ocorre a exclusão da maioria dos cidadãos À saúde com a criação  o INPS que servia aos trabalhadores. Direitos foram institucionalizados e as políticas públicas efetivas. A Saúde ganha um capítulo na Constituição de 1988 com as Leis 8.080 e 8.142 com a criação do SUS, propondo uma saúde como direito de todo cidadão. Ações preventivas e curativas propostas pelo sistema único e descentralização da gestão.