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segunda-feira, 16 de novembro de 2020

Intervenção em crise

  •  Protocolo - OMS
  • Ajuda prática (resposta) às pessoas afetadas por evento traumático: não invasiva, aaliar as necessidades e principais preocupações; aliviar as tensões e mitigar o impacto psicológico.
Objetivos...
  • suprir necessidades básicas de sobrevivência: alimento, abrigo, vestimentas, remédio, suporte médico...
  • oferecer escuta, segurança e proteção
  • Informar o que se sabe e o que não se sabe.
Primeiros cuidados psicológicos
Também é importante entender o que os PCP não são:
  • Não é algo que apenas profissionais podem fazer.
  • Não é um atendimento psicológico profissional
  • Não é um "debriefing psicológico"1, já que nãoe nvolve necessariamente uma discussão detalhada sobre o evento que causou o sofrimento.
  • Nos PCP não é solicitado que as pessoas analisem o que aconteceu ou que relatem os eventos ocorridos em ordem cronológica.
  • Os PCP pressupõem capacidade de ouvir as histórias das pessoas, mas isso não significa pressioná-las a falar sobre sentimetnos e reações que tiveram em relação a um evento (OMS,2011)

Psicologia nos desastres e emergências

Desafio profissão-Psicologia das emergências e desastres



Referências:
Aula de 16/11/2020
Youtube

domingo, 27 de setembro de 2020

O desastre na perspectiva sociológica e psicológica

 

  • o artigo tem por objetivo revisar e discutir conceitos de desastre na perspectiva de autores da Sociologia e da Psicologia.
  • No âmbito da Sociologia a palavra desastre abrange fenômenos delimitados no tempo e no espaço, capazes de causar danos físicos, perdas, rupturas sociais e mudanças no funcionamento da rotina diária. 
  •  No âmbito da Psicologia, o termo, que faz menção a eventos súbitos e com potencial traumático delimitados no tempo e no espaço, refere-se a fenômenos coletivos que geram alto grau de estresse e provocam consequências/reações psicológicas nos envolvidos. 
  • é fundamental compreender o desastre dentro do contexto social
DESASTRE NO ÂMBITO DA PSICOLOGIA
  • o interesse pelos desastres, segundo Puy e Romero (1998), foi suscitado no contexto da Segunda Guerra Mundial, em que os diversos organismos oficiais do governo norte-americano financiavam estudos em Psicologia do Trauma, com o objetivo de extrapolar os resultados obtidos em contextos de desastres, aplicando-os às situações bélicas. 
  • Na última década, o desenvolvimento da Psicologia no campo dos desastres tem dado ênfase à resiliência psicológica e aos comportamentos adaptativos diante dos novos cenários do pós-desastre. 
  • Atualmente o interesse tem se deslocado para as intervenções e avaliações com base na comunidade, dentro de princípios consistentes com os modelos públicos de saúde mental (Dodge, 2006; Reyes, 2006c).
  • A ênfase está no fortalecimento da resiliência comunitária, em consonância com as características culturais de cada contextono atendimento das necessidades psicossociais e no cuidado com a saúde mental tanto dos profissionais quanto dos seus beneficiários (Ager, 2006; Dass-Brailsford, 2010; Dodge, 2006)

A Psicologia dos Desastres ou Psicologia nas/em emergências e desastres:

  • a área ainda em desenvolvimento no Brasil e um campo ainda jovem, inclusive nos países desenvolvidos (Reyes, 2006a).
  • Na última década, como os deslizamentos no Rio de Janeiro, enchentes em Santa Catarina e o incêndio da Boate Kiss em Santa Maria, profissionais da Psicologia têm se mobilizado no sentido de oferecer apoio psicossocial às vítimas e aos familiares, porém não há formação específica na área e a Psicologia dos Desastres.
  • Recentemente (08/05/2013) o Conselho Federal de Psicologia publicou nota técnica sobre a atuação de psicólogos em situações de emergência e desastre relacionadas com a Política Nacional de Defesa Civil. A nota destaca que as situações de emergências e desastres têm implicado a mobilização de serviços públicos e iniciativas privadas e/ou complementares.
  •  segundo Reyes (2006b), é um campo da Psicologia que em situações de desastre atua de modo a oferecer respostas de curto prazo ao estresse agudo, enfatizando intervenções com base na comunidade. 
  • utiliza técnicas como as da intervenção em crise, visando o gerenciamento do estresse e com ênfase na diminuição da excitação emocional, na resolução de problemas e na adoção de estratégias de coping efetivas.
  • se aproxima da Psicologia do Trauma, a Psicologia dos Desastres dela também se distingue, de diferentes modos. 

Quando se instala uma crise, inúmeras demandas podem surgir, como aquelas ligadas à sobrevivência humana, à infraestrutura, à moradia, à comunicação e outras:

  •  os desastres costumam ocasionar enormes perdas materiais e humanas, as quais, na maioria das vezes, tendem a ser rapidamente esquecidas.
  • pessoas afetadas podem ter perdido familiares, amigos, estrutura de apoio comunitário, trabalho e outros bens de valor para a sobrevivência.
  •  O psicólogo dos desastres necessita ser um expert não apenas em trauma, mas também em perdas e em mudança comunitária.
  • é preciso conhecer como trabalhar em e com comunidades de maneira coordenada e em colaboração com diferentes profissionais e organizações.
  • as consequências traumáticas deste tipo de evento ainda são muito enfatizadas por teóricos da Psicologia
  • McFarlane e Norris (2006) conceituaram desastre como “um evento com potencial traumático o qual é experimentado coletivamente, com início agudo e delimitado no tempo” (p. 04)
  • Cabe considerar que, além do potencial traumático, a exposição prolongada à ameaça de um desastre e a não previsibilidade do seu término - como ocorre com as secas - são situações geradoras de altos níveis de estresse, interferindo na saúde psicológica e influenciando a percepção de segurança quanto ao futuro (McFarlane & Norris, 2006)
  • Além das características físicas de um evento que estão relacionadas com as suas consequências, é preciso conhecer  o contexto em que ele ocorre.

DESASTRES, EMERGÊNCIAS E ACIDENTES

  • Quarantelli (1998) enfatizou que não existe consenso sobre o conceito de desastre.
  • Britton (1986) considerou desastres, emergências e acidentes como períodos de crise social, caracterizados por diferentes graus de estresse coletivo. 
GarciaRenedo (2008) sistematizou as ideias de Britton e acrescentou:
  •  o termo “catástrofe” como sendo o evento de maior grau de estresse coletivo; 
  • o acidente estaria no extremo de menor estresse coletivo, sendo um evento em que a ruptura aconteceria para um grupo muito específico de vítimas;
  • a  emergência uma situação de crise interferiria nas atividades realizadas por um determinado grupo de pessoas.
  •  O desastre implicaria num maior número de pessoas afetadas, assim como na ruptura da maioria das estruturas sociais e da infraestrutura comunitária, como acontece no caso dos terremotos.
  • catástrofes se referem  à ruptura de todas as estruturas sociais de uma sociedade, como, por exemplo, o que ocorreu no Tsunami do Sudeste Asiático e no contexto das bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki.

A diferenciação entre cada um desses eventos se daria em torno de três critérios, segundo (Garcia-Renedo, 2008):

  1.  número de pessoas implicadas
  2.  capacidade de resposta do sistema.
  3.  ruptura e danos nos sistemas sociais 

DEFINIÇÕES DE DESASTRE NA PERSPECTIVA DA SOCIOLOGIA E DA PSICOLOGIA 

Na Sociologia: 

  • Fritz (1961, p.312) "Eventos, observáveis no tempo e espaço, no qual as sociedades ou suas subunidades (comunidades ou regiões) sofrem danos físicos e perdas e/ou rupturas no funcionamento de sua rotina. Ambas, causas e consequências desses eventos estão relacionadas com as estruturas sociais e processos das sociedades ou suas subunidades."
  • Brittom (1989, p.254)  Um produto social como expressão da vulnerabilidade da sociedade humana que depende da interação entre os seres humanos e sua utilização do espaço físico e social.
Nenhuma dessas definições faz menção explícita às implicações psicológicas dos desastres. No tocante à Psicologia, foram selecionadas três definições:

  • Quarantelli(1985, p.50) Quando, numa ocasião de crise, a demanda por ação excede a capacidade de resposta. A ênfase está no esforço coletivo para dar conta da crise particular por meio da restauração das capacidades ao nível das demandas".
  • McFarlane e Norris (2006, p.04) "Um evento com potencial traumático o qual é experimentado coletivamente, com início agudo e delimitado no tempo. Desastres podem ser atribuídos a causas naturais, tecnológicas e humanas".
  • García-Renedo, Gil Beltrán e Valero Valero (2007, p. 40) "Uma situação traumática que gera um alto grau de estresse aos indivíduos de uma sociedade ou uma parte dela, devido à ação de um agente em uma comunidade vulnerável (natural, humano ou uma combinação de ambos), produzindo uma alteração no funcionamento, tanto em nível comunitário como individual, assim como uma série de reações e consequências psicológicas nas pessoas envolvidas. As demandas criadas excedem os recursos habituais de respostas disponíveis na comunidade."
CONSIDERAÇÕES SOBRE  DESASTRE
  • abrange diferentes eventos e/ou processos com características distintas.
  • não pode ser compreendido desvinculado do contexto no qual ele ocorre.
  • devem ser consideradas as variáveis físicas, sociais, políticas, econômicas e outras que possam estar implicadas.
  • o termo desastre como um processo que tem sua origem na interação entre seres humanos e seu contexto social (Britton, 1986)
  • é a expressão aguda da vulnerabilidade em suas diferentes dimensões (física, social, ambiental, etc.)
  • desafiam a capacidade humana de resposta (Quarantelli, 1985), podendo trazer consigo perdas (Fritz, 1961) repentinas e prolongadas no tempo.
  • os desastres são processos que, além de evidenciar a capacidade de enfrentamento de indivíduos e grupos, despertam para a necessidade de transformação da realidade social.

REFERÊNCIAS

O DESASTRE NA PERSPECTIVA SOCIOLÓGICA E PSICOLÓGICA1 Eveline Favero2 Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Cascavel-PR, Brasil Jorge Castellá Sarriera Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre-RS, Brasil Melina Carvalho Trindade Domus - Centro de Terapia de Casal e de Família, Porto Alegre-RS, Brasil

quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Estudo do Artigo: Intervenção em Crise

  • O artigo trata: do contexto de situações de emergência e catástrofes que causam crises e traumas, e proposta de intervenção apropriada.
  • Origem dos processos de crises podem ser:  de eventos catastróficos ou desastres produzidos por causas naturais; por acidentes ou, ainda, por situações diretamente provocadas pelo homem como nos casos de violência interpessoal.
  • Motivo para intervenção:  situações em que a integridade física e/ou emocional das pessoas está ameaçada.
  • Intervenção em crise: método de ajuda indicado para auxiliar uma pessoa, uma família ou um grupo, no enfrentamento de um evento traumático, amenizando os efeitos negativos, tais como danos físicos e psíquicos, incrementando a possibilidade do crescimento de novas habilidades de enfrentamento reforçando a busca de opções e perspectivas de vida.
INTRODUÇÃO

A tecnologia, a capacidade humana de construir e destruir, pode provocar sérias alterações na vida das pessoas que se vêem afetadas por uma situação de crise ou de emergência, podendo deixar no seu lastro perdas humanas, materiais e mudanças situacionais extremamente traumáticas.

Situações de Emergência:  situações catastróficas ou desastres produzidos por causas naturais como terremotos, erupções vulcânicas, secas, enchentes, tornados, furacões; por acidentes (incêndios); ou provocadas pelo homem como conflitos armados, ataques terroristas, sequestros relâmpagos, violência urbana, tráfico de drogas, entre outros.

Em situações catastróficas, os programas de saúde em Instituições Públicas e Privadas recorrem à Atenção básica Imediata, não estando preparada para uma assistência  mais abrangente, chegam a situação de calamidade pública.

Intervenção Psicossocial em casos de desastres de grande porte e eventos diários da violência urbana, começaram a ser feitos nos últimos anos devido aos impactos sobre a saúde mental das pessoas.

Propõe-se a abordagem precoce de qualquer problema de saúde mental é a maneira mais efetiva de prevenção de transtornos mais sérios que costumam aparecer, a médio e a longo prazo, após o evento traumático.

Em situações de emergência, em caráter de urgência, é preciso uma intervenção externa de ajuda, visando a auxiliar, aliviar ou resolver os efeitos produzidos por tais anomalias, restabelecendo-se, assim, a normalidade. 

Preocupação em situação de emergência:  saúde física, às perdas materiais, entender a aflição e as conseqüências psicológicas decorrentes dessas situações.

ENTENDENDO O QUE É UMA CRISE
  • Um estado de desequilíbrio emocional do qual uma pessoa que se vê incapaz de sair com os recursos de afrontamento que habitualmente costuma empregar em situações que a afetam emocionalmente (Parada, 2004). 
  • Todas as pessoas vivenciam crises.
  • Vivenciar uma crise é uma experiência normal de vida, que reflete oscilações do indivíduo na tentativa de buscar um equilíbrio entre si mesmo e o seu entorno
  • Crise é uma manifestação violenta e repentina de ruptura de equilíbrio, que pode causar sentimentos de desorganização, desesperança, tristeza, confusão e pânico, uma desordem emocional.
  • O estado de crise é limitado no tempo, quase sempre se manifestando por um evento desencadeador, e a solução depende da gravidade do evento e dos recursos pessoais e sociais que a pessoa tem para lidar com a crise.
  • O processo de crise pode ser negativo ou positivo, podendo ser um "perigo" ou uma "oportunidade", ou servir para "adoecer" ou "sanar"
  • Quando a crise é resolvida satisfatoriamente, ela pode auxiliar o desenvolvimento do indivíduo; crise sem solução satisfatória,  poderá constituir-se em um risco, aumentando a vulnerabilidade da pessoa para transtornos mentais. 
  • Quando o indivíduo presenta sinais e sintomas clínicos em resposta ao estado provocado pela crise, necessita, de alguma intervenção para a sua resolução. 
  • Modelo de etapas da crise: primeiro, desordem decorrente das reações iniciais diante do impacto. Segundo,  etapa da negação, tentativa de amortecer o impacto. Terceiro, intrusão  que consiste no surgimento de idéias involuntárias de dor pelo evento verificado, podendo ter  pesadelos recorrentes, imagens e outras preocupações são características desta etapa. Quarto,  o indivíduo evolui para a elaboração, fase em que a pessoa começa a expressar, identificar e comunicar os seus pensamentos, imagens e sentimentos experimentados pela situação de crise, alguns conseguem elaborar sentimentos e pensamentos identificados, por fim, a reorganização.
  • Levar em conta a percepção do indivíduo: significado que o indivíduo possa vir a dar aos fatos pode ser determinante na crise. Um evento causador de desordem para uma pessoa, pode não o ser para outra. 
  • Sintomas do Transtorno de Estresse Pós-Traumático:  revivência persistente do evento traumático, esquiva sistemática de estímulos associados com o trauma e sintomas de excitação aumentada.
  • Crises evolutivas: dizem respeito à realização não satisfatória das passagens do desenvolvimento do indivíduo. Podem ser previsíveis e ocorre com a maioria das pessoas. 
  • Crises circunstanciais: decorrentes de situações encontradas principalmente no ambiente. Surgem a partir de eventos raros e extraordinários, que o indivíduo não pode prever ou controlar, como a perda de uma fonte de satisfação básica, o desemprego, a morte abrupta, a perda da integridade corporal, as enfermidades, os desastres naturais, as violações e os acidentes.
  • Caracterização de um trauma: Não é um fenômeno Universal. Um evento traumático é algo especialmente destrutivo na vida do indivíduo, família e comunidade afetada. Como um forte abalo emocional ou moral, uma desorganização mental, choque ou transtorno de onde se desenvolveu ou se pode desenvolver um quadro psicopatológico; ou seja, trauma é uma ferida.
  • Trauma Natural:  pode se constituir em uma ocorrência isolada ou múltiplas ocorrências em um breve período, como por exemplo, no caso de terremotos.
  • Trauma Acidental: induzido pelo ser humano, pode atingir uma ou várias pessoas (Ex: incêndios, acidentes,tiroteio,etc)
  • Trauma Intencional: induzido pelo ser humano (violência deliberada) (homicídios,violência comunitária, etc,
INTERVENÇÃO EM CRISE
  • A intervenção em crise é um procedimento para exercer influência no funcionamento psicológico do indivíduo durante o período de desequilíbrio, aliviando o impacto direto do evento traumático. 
  • O objetivo é ajudar a acionar a parte saudável preservada da pessoa, assim como seus recursos sociais, enfrentando de maneira adaptativa os efeitos do estresse, devendo aí,  facilitar as condições necessárias para que se estabeleça na pessoa, por sua própria ação, um novo modo de funcionamento psicológico, interpessoal e social, diante da nova situação.
  • A meta principal da intervenção é ajudar a pessoa a recuperar o nível de funcionamento que possuía antes do evento desencadeante da crise. 
  • As fases de Intervenção:
Fonte: Moreno et al., (2003); Raffo (2005)

Slaikeu (1996) postula três princípios clínicos para a prática da intervenção em crise
  1.  “oportunidade” em que o objetivo é calcular e reduzir o perigo, avaliando também a motivação do paciente para encontrar uma nova estratégia de enfrentamento com as circunstâncias atuais de vida. 
  2. “meta”, que consiste em ajudar o indivíduo a recuperar o nível de equilíbrio que tinha antes ou a atingir um nível que permita superar o momento crítico. 
  3. “aspectos fortes”, como as “debilidades” de cada um dos sistemas implicados na crise, bem como informações do que está funcional e disfuncional na vida do indivíduo. 
Esse autor ainda propõe um modelo amplo de intervenção, ddividido em instâncias:
  • A intervenção de primeira instância refere-se aos primeiros auxílios psicológicos, ou seja, a assistência imediata, que em geral leva uma sessão que pode durar de minutos a horas. Os principais objetivos destes primeiros auxílios são proporcionar apoio, reduzir o perigo de morte e aliar a pessoa em crise com os recursos de ajuda disponíveis. Pode ser realizada no momento e lugar em que surge a necessidade: em ambientes comunitários, hospitais, igrejas, escolas, ambientes de trabalho, linhas telefônicas de urgência. Policiais, assistentes sociais, padres, enfermeiras, médicos, advogados, são alguns dos profissionais habilitados a realizar esta primeira parte, além de psicólogos e psiquiatras. 
  • A intervenção de segunda instância diz respeito à terapia para a crise. Também é um processo terapêutico breve, mas vai além da restauração do enfrentamento imediato, encaminhando-se, assim, para a resolução da crise, que pode durar de semanas a meses e tem como meta assistir a pessoa de maneira que o evento que suscitou a crise se integre à trama da vida, com melhores recursos e disposição para encarar o futuro. Esta intervenção requer maior preparo de quem irá aplicá-la, por isso, os mais indicados são os psicoterapeutas em geral, psicólogos e psiquiatras (Slaikeu, 1996).
A intervenção em crise é uma estratégia de ajuda indicada para auxiliar uma pessoa e/ou família ou grupo, no enfrentamento de um evento traumático, amenizando os efeitos negativos, tais como danos físicos e psíquicos e incrementando a possibilidade de crescimento de novas habilidades de enfretamento e opções e perspectivas de vida.

As metas durante a superação da crise devem ser focadas em ajudar as pessoas a lidar com o evento traumático, a ajustar-se à nova situação, a devolver-lhe seu nível anterior de funcionamento, diferente do tratamento na psicologia clínica que enfoca uma mudança profunda do paciente ou uma revisão da origem dos seus conflitos infantis. 

Atuação do Psi na intervenção para realização das metas:  Estas metas são desenvolvidas através de um convite ao indivíduo para que fale de sua experiência, fazendo com que observe o evento à distância ou perspectiva, ajudando-o a ordenar e reconhecer seus sentimentos associados; e, também, ajudar na resolução de problemas, começando pelas metas mais práticas e imediatas. Ajude a organizar melhor pensamentos e sentimentos.

Atuar na crise pode prevenir problemas de Saúde Mental futuro, afinal é preciso encontrar resoluções para as reações das pessoas envolvidas na crise, isto é, considerar os aspectos afetivo, cognitivo e comportamental.

"Intervir em uma crise significa introduzir-se de maneira ativa em uma situação vital para um indivíduo e auxiliá-lo a mobilizar seus próprios recursos para superar o problema, recuperando dessa forma, seu equilíbrio emocional (Raffo, 2005)."

REFERÊNCIAS:
Intervenção em crise - Samantha Dubugras Sá; Blanca Susana Guevara Werlang; Mariana Esteves Paranhos.

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

Conceitos de Crise


  • Todos enfrentamos crises individuais ou coletivas ao longo da vida.
  • Qualquer evento que afeta o equilíbrio, seja causado por alguém ou naturalmente, pode levar a crise.
  • A crise afeta a nossa segurança, nos colocam em situações de violência, etc., retirando o sujeito da sua homeostase, condição de equilíbrio.
  • Intervenção em situações de crise pode mitigar a situação emocional das pessoas que estãoi envolvidas na situação, já que muito problemas mentais podem ser causados em virtude dessas crises.
  • Isso pode acontecer n~]ao só com pessoas que vivenciaram a crise enquanto vítimas, mas também aquelas pessoas que estão trabalhando com essas pessoas diretamente.
  • Falar de crise é falar de algo que nos afeta na esfera da emoção, afetando também o cognivo na forma de processar , bem como, o comportamento que é como eu ajo.
  • A crise está relacionada com a percepção do evento, de modo que tem tanta dificuldade que se torna insuportável. Vai além dos recursos disponíveis na pessoa, é a forma como ela percebe e reconhece a crise. Nem todo problema se torna uma crise, depende da forma como a pessoa percebe a dificuldade para que ela se torne uma crise,
  • Há dois tipos de crises: crises situacionais (são crises imprevistas que o homem não tem nem como prever nem como controlar, tendo que lidar com a crise e seus impactos, ex. impactos ambientais, desastres causados por erro humano, não se tem controle, atua-se nas consequências) e as crises evolutivas (são as crises da evolução do desenvolvimento biopsicossocial do indivíduo, ao longo da vida.)
  • Ambas as crises demandam do sujeito uma adaptação para lidar com a crise, a partir da forma como ele percebe a crise.
A CRISE pode ser de URGÊNCIA OU EMERGÊNCIA.

Urgência - a ocorrência imprevista de agravo à saúde com ou sem risco potencial de vida, cujo portador necessita de assistência médica imediata. Uma urgência pode se tornar uma emergência.

Emergência - Constatação médica de condições de agravo à saúde que impliquem em risco iminente de vida ou sofrimento intenso, exigindo, portanto, o tratamento médico imediato. Nessas circunstâncias pode se esperar reações emocionais muito intensas e a grande maioria dessas manifestações podem ser consideradas como compatíveis  com o momento traumático.

CRISES EVOLUTIVAS
  • Previsíveis - etapas do crescimento e os momentos decisivos em cada uma delas  são conhecidos e ocorrem com a maioria das pessoas.
CRISES CIRCUNSTANCIAIS 
  • Imprevistas, comovedoras, intensas e catastróficas.
  • O indivíduo não pode prever ou controlar: ambiente, desastres da natureza, perda do emprego, perda da integridade física...

CONCEITO

Mudança abrupta, que pode ser evolutiva ou circunstancial, e que vai promover um desequilíbrio emocional, fisiológico, econômico, financeiro, a partir de determinado evento.

SABER SE A CRISE é positiva ou negativa depende da natureza, se ela é circunstancial ou evolutiva. A crise é um fenômeno em si mesmo, de duração limitada, com resultados não predeterminado em seu início. (FERREIRA, SANTOS,2013).

Ansiedade -o resultado da situação de conflito instalada.

Luto - se manifesta no indivíduo, mas quando se trata de desastres, temos o luto coletivo.

Apesar de desafiante esta fase, de enfrentamento da Pandemia, que se constitui uma crise, ela pode gerar também a oportunidade do estudo em rede e abrir novas possibilidades de aprendizado. Reconhecer que há uma crise pode contribuir para prevenir problemas de saúde mental. A crise sempre traz reações que variam de pessoa para pessoa.

Distorção cognitiva diz respeito a forma como as pessoas as vezes distorcem a realidade dos fatos no momento da crise, o que muitas vezes se sentem incapazes de resolvê-las.

Professora Renata (Tita)