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terça-feira, 21 de fevereiro de 2023

Aspectos Psicológicos da Obesidade e Emagrecimento

 NUTRIÇÃO E PSICOLOGIA

O que é a obesidade?

A obesidade é um problema complexo e multifatorial que envolve dimensões genéticas, comportamentais, socioeconômicas e ambientais, levando a um aumento do risco de morbimortalidade (HRUBY & HU, 2015). 

Influência sobre a Obesidade...

È influenciada por fatores psicoemocionais (AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION, 2014; FINGER & OLIVEIRA, 2016).

Prejuízos Psicológicos na Obesidade que  desempenham um papel na manutenção da compulsão alimentar, muitas vezes presente em indivíduos obesos (HILBERT, 2018).

  • prejuízos emocionais, 
  • prejuízos sociais 
  • prejuízos cognitivos  
A maioria das pessoas com Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica (TCAP)...

  •  tem um histórico de tentativas de dieta e falhas repetidas para perder e manter o peso. 
  • relatam que, quando param de fazer dieta, sentem que nunca conseguirão fazer nada certo (FINGER & OLIVEIRA, 2016).
O olhar da Psicologia ...
  • para o campo visível - comportamento
  • para o campo invisível - pensamentos e sentimentos
  • por uma maior qualidade de vida, por meio de abordagens individualizadas e coletivas de técnicas e práticas psicológicas, adaptadas às necessidades de cada indivíduo (AZEVEDO & CREPALDI, 2016
Atuação do Nutricionista...
  • contexto multiprofissional 
  • ênfase na alimentação saudável, além da prevenção e tratamento humanizado de doenças específicas por meio da dietoterapia, com foco na promoção da saúde. 
Portanto, as abordagens e a integração desses dois campos estão em consonância com os princípios do cuidado centrado no sujeito, exigindo o desenvolvimento de estratégias para atender às necessidades individuais de forma única e efetiva a partir de um diálogo mútuo (LANA & LANA, 2020).

Segundo Copetti & Queiroga, 2018...

Com o avanço contínuo da tecnologia, observa-se: o aumento da depressão, ansiedade e estresse devido ao cotidiano agitado e fatores socioculturais que impõem ideais de beleza, desencadeando a compulsão alimentar.

Fatores desencadeadores de problemas comportamentais e psicológicos:
  • Em decorrência das mudanças contemporâneas, a busca pelo corpo perfeito está diretamente relacionada à mídia, levando à insatisfação com o corpo, levando à adoção de uma alimentação extremamente restritiva, o que leva a problemas comportamentais e psicológicos (PEREIRA, 2013). 
  • Em geral, as redes sociais afetam a baixa autoestima das pessoas e a necessidade de cumprir as normas prescritas pela mídia (FREITAS et al., 2012).
Vários estudos têm demonstrado que os comportamentos alimentares estão associados a aspectos psicológicos da ingestão alimentar, pois esses aspectos psicológicos influenciam os hábitos alimentares (FRANÇA et al., 2012; SAVIOLI, 2019). 

Neste seguimento, Freitas et al., (2012) enfatizou a relação entre hábitos alimentares e percepções de alimentos em uma determinada condição social, com foco na experiência de vida de cada indivíduo.

Relação dos neurotransmissores com o prazer de comer:

Os neurotransmissores ...
  • são responsáveis pelos aspectos emocionais, como a serotonina e as endorfinas, 
  • são formados a partir dos alimentos e acredita-se que estejam envolvidos na regulação dos sentimentos e comportamentos alimentares, desempenhando papel fundamental nos sentimentos como felicidade, bom humor e na regulação da dor (GEUS et al., 2011). 
Badanai et al., (2019) observaram que indivíduos que aderiram mais a padrões alimentares saudáveis eram menos propensos a depressão e ansiedade. 

Equipe multidisciplinar na Obesidade:

Os campos da psicologia e da nutrição se unem na saúde integrada em ação conjunta. Ambos estão diretamente relacionados à qualidade de vida e visam promover o bem-estar individual e um estilo de vida saudável. 
  • O campo da nutrição enfatiza a terapia dietética, que facilita a alimentação saudável de acordo com cada disciplina.(NETO et al., 2016)
  • O campo da psicologia desempenha um papel fundamental no comportamento e na psicologia, visando melhorar a qualidade de vida (NETO et al., 2016)
Drewett (2010) afirma que...
  • as intervenções multiprofissionais dentro do espetro psicológico e nutricional promovem mudanças significativas no estilo de vida, resultando em aumento da atividade física e melhoria das condições alimentares, melhorando assim a qualidade de vida e o bem-estar pessoal. 
O trabalho em equipe multiprofissional ...
  • estimula a atuação integral a partir das necessidades específicas de cada indivíduo, levando em consideração suas particularidades, como crenças, costumes e preferências (MEDEIROS et al., 2011).
  • Por meio da escuta, os profissionais buscam se conectar com os sujeitos e identificar suas necessidades para desenvolver estratégias de intervenção adequadas a cada caso específico. Este modo de ação tem um impacto significativo no funcionamento psicológico do paciente, estimulando uma melhor qualidade de vida. 
  • Aspectos emocionais influenciam o comportamento alimentar, conforme explica França et al., (2012), observando que a psicologia e a nutrição precisam trabalhar juntas para ajudar a mudar o estilo de vida das pessoas.
  • No que diz respeito à educação alimentar, a avaliação psicológica é fundamental, pois fatores emocionais podem influenciar na resistência do indivíduo às mudanças no estilo de vida e nas relações com a comida (SAVIOLI, 2019).
Aspectos Psicológicos da Obesidade

A obesidade...
  • é um problema complexo e multifatorial que envolve dimensões genéticas, comportamentais, socioeconômicas e ambientais, levando a um aumento do risco de morbimortalidade (HRUBY & HU, 2015). 
  • é influenciado por fatores psicoemocionais (AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION, 2014; FINGER & OLIVEIRA, 2016).
  • A alimentação proporciona alívio imediato, mas uma vez que o indivíduo interrompe o comportamento, a culpa se desenvolve (LIMA & OLIVEIRA, 2016).
  • Mulheres obesas usam a compulsão alimentar como recurso compensatório para situações de tristeza, depressão, ansiedade e raiva(LIMA & OLIVEIRA, 2016).
  • A pressão da sociedade para perder peso incentiva o tratamento a todo custo, o que desencadeia respostas psicológicas e físicas que aumentam a obesidade (LIMA & OLIVEIRA, 2016).
Ciclo vicioso da compulsão alimentar...

  • É preciso quebrar o ciclo vicioso (estresse-comer-culpa-restringir-comer...) 
  •  avaliar as fortes demandas psicológicas causadas por um histórico de restrição alimentar e pressão social para emagrecer. 
  • essa restrição pode levar ao desejo de um indivíduo por comida, que é um fator de risco potencial para a compulsão alimentar e, 
  • em última análise, um gatilho para o desenvolvimento de comportamentos de compulsão alimentar (VERZIJL, AHLICH, SCHLAUCH, & RANCOURT, 2018)
  •  é importante entender quais fatores psicológicos estão envolvidos nesse desequilíbrio entre ingestão e gasto calórico, e quais desses fatores psicológicos contribuem ou não para a obesidade nos indivíduos (GONÇALVES; SILVA & ANTUNES, 2012).
Imagem corporal...
  • Indivíduos com sobrepeso e obesidade (especialmente mulheres) também relatam frequentemente insatisfação com a imagem corporal e estão associados a maiores taxas de depressão, baixa autoestima e perfeccionismo (WEINBERGER et al., 2014). 
  • Pesquisas mostram que a percepção da imagem corporal afeta a saúde mental e a capacidade de um indivíduo de manter a perda de peso, e as intervenções para perda de peso podem melhorar a imagem corporal em indivíduos obesos (CHAO, 2015)
Padrões alimentares disfuncionais...
  • a padrões alimentares disfuncionais, como avaliar e corrigir pensamentos inadequados, que podem auxiliar tanto para a etiologia quanto para a manutenção do excesso de peso. 
  • A avaliação desses pensamentos é um procedimento desencadeante durante a mudança comportamental bem como para a terapia de reestruturação cognitiva (LIMA & OLIVEIRA, 2016). 
O peso da Obesidade...
  • A valorização da beleza externa leva as pessoas a acreditarem que ela é a solução, a fórmula da felicidade e do sucesso de todos. 
  • Esses acontecimentos têm chamado a atenção por suas graves consequências no meio social, pela busca incansável de padrões sociais de beleza, tornando o indivíduo um verdadeiro refém do método dos milagres e da vontade de conquistar cirurgicamente essa beleza (GALASSI & YAMASHITA, 2015). 
  •  Os meios de comunicação são de grande importância para o desenvolvimento da sociedade porque, além de fornecerem informações cotidianas, também possuem uma poderosa capacidade de moldar a opinião pública. 
  • No entanto, a mídia também tem um lado negativo, pois as informações que publicam podem alienar uma parte da sociedade e abrir questões de qualquer forma.
  •  Indiscutivelmente, a mídia está de alguma forma cooperando, direta ou indiretamente, para excluir pessoas obesas. Vale ressaltar que essa forma de exclusão pode ter passado despercebida, mas, em geral, a forma como ela se espalha não foi percebida (GALASSI & YAMASHITA, 2015). 
  • A sociedade aceita pessoas obesas, mas com limitações. Sabe-se que existe preconceito e discriminação que faz com que as pessoas obesas tenham vergonha   de sua situação
  • A sociedade contemporânea impõe um padrão físico que deve ser seguido para que as pessoas o aceitem. Para que isso não seja tão dolorido para aqueles que não conseguem se enquadrar nesses biótipos é necessário que haja mudanças, no sentido de se rever alguns conceitos, como:
    •  demonstrar afetividade para com a pessoa obesa e não a tratas como doente ou excluído, não cooperando, assim, para que esse indivíduo seja esquecido dentro da própria sociedade (GONÇALVES, 2017). 
  • Atualmente, com a melhoria contínua dos padrões estéticos, é cada vez mais difícil se adaptar aos padrões de beleza, de modo que os indivíduos, principalmente as mulheres, buscam a cada dia uma figura esbelta, sucumbindo às exigências da estética e da sociedade.
  •  Notavelmente, os padrões de beleza e a composição corporal mudaram ao longo do tempo, à medida que novas necessidades humanas surgiram (SILVA & LANGE, 2010).
MOTTA (2017, p. 31) ensina que...
  • Essas considerações permitem estabelecer uma relação entre peso e características pessoais, pesquisas e estudos têm demonstrado que o preconceito e o estigma contra pessoas obesas são cada vez mais notórios. 
  • Essa atitude faz com que a pessoa não aceite o próprio corpo porque não atende aos padrões sociais de beleza.
  • a baixa autoestima pode ser acentuada pela culpa, raiva, tristeza, medo e até a recusa em ter um corpo descomunal, ressalta ainda   que esses sentimentos estão presentes na vida normal e que seriam mais bem enfrentados se não houvesse a obesidade nela para potencializar a piora e baixar a autoestima
 Macedo et al., (2015),  explica que...
  •  o fato de estar acima do peso pode levar à inibição e isolamento pessoal, afetar a qualidade de vida e de realizar atividades, comprar roupas e até sair de casa e conseguir se sentir bem no meio social. 
  • A imagem corporal deve ser entendida como um princípio único para cada pessoa, pois representa o processo de história de vida e identidade, com emoções, pensamentos e representações sobre os outros. Embora não haja imagem corporal coletiva, os humanos constroem sua própria imagem corporal por meio de interações contínuas com os outros.
  • contribuem para o sucesso pessoal e profissional ao retratar a busca da beleza e do corpo perfeito, pessoas que buscam desesperadamente o sucesso, sempre com o intuito de alcançar uma imagem corporal ideal, plenamente associada a uma sociedade de aparência aprovada.
  •  Essa necessidade de ser socialmente aceita e enquadrada nos padrões estéticos da sociedade, onde as mulheres são cobradas a terem um corpo magro e esbelto e os homens um corpo atlético e musculoso, pode influenciar a forma como a pessoa com sobrepeso ou obesidade se vê e o modo como age, podendo afastar-se do convívio social, em razão do “peso da obesidade”.
Nutrição Comportamental...
  • Na perspectiva de Alvarenga (2016), a nutrição comportamental não é propriamente uma profissão, é considerada uma abordagem inovadora que leva em consideração os aspectos sociológicos, sociais, culturais e emocionais da alimentação, abrindo as portas para os nutricionistas. 
  • Eles viram a necessidade de tratamento para pacientes com distúrbios alimentares e dificuldades em seguir dietas padrão ou diretrizes nutricionais tradicionais. 
  • PAsmudanças comportamentais realmente ocorrerão, esses pacientes se sentirão estimulados a continuar o tratamento e, assim, atingir seus objetivos. 
  • Como nutricionista, os autores ressaltam: “Estudamos alimentos, nutrientes e o corpo humano, mas raramente estudamos pessoas”. 
  • Kamil (2013) relata que “o comportamento alimentar vai além do ato de comer”. Nesse depoimento, nota-se que o comportamento alimentar envolve muitos outros fatores, como fatores emocionais e culturais, ao invés de apenas saciar a fome. 
    • Como nos sentimos durante nosso comportamento alimentar, 
    • onde comemos, 
    • o ambiente externo, 
    • por que comemos 
    • o que pensamos quando comemos podem influenciar esse comportamento
  • As técnicas utilizadas por este profissional incluem:
    • Entrevista Motivacional- Segundo Alvarenga et al., (2019), a Entrevista Motivacional (EM) é uma técnica utilizada na nutrição comportamental cujo principal objetivo é descobrir as verdadeiras motivações dos indivíduos para a mudança por meio da comunicação colaborativa em terapia nutricional
    • Alimentação Intuitiva, 
    • Alimentação Consciente 
    • Terapia Comportamental Cognitiva, para citar algumas. Usando todas essas ferramentas/técnicas, motivar os pacientes a mudarem seu comportamento alimentar (ALVARENGA et al., 2019). 
O Modelo Transteórico para o Processo de Mudança de Comportamento Alimentar, também conhecido como Modelo de Estágio de Mudança de Comportamento(CATÃO & TAVARES, 2020).
  •  é uma abordagem pela qual as mudanças relacionadas à saúde ocorrem por meio de cinco etapas distintas, a saber:
    •  pré-pensamento - indivíduo ainda não tem vontade de mudar.
    • contemplação -  indivíduo começa a pensar na mudança, mas não há prazo para começar;
    • tomada de decisão- prevê mudanças  recentes no comportamento
    •  ação - correspondentes às mudanças comportamentais exigem dedicação do indivíduo para evitar recaídas
    • manutenção -  o indivíduo muda o comportamento e consegue mantê-lo por mais de seis meses (
Cada passo mostra o momento da mudança e o nível de motivação para fazer a mudança. 

Comer Intuitivo...
  •  ensina as pessoas a ter uma boa relação com a comida e entender seu corpo.
  •  traz o indivíduo para a verdadeira harmonia com a comida, a mente e o corpo
  • Pilares dessa abordagem:
    •  permissão incondicional para comer;
    • comer para entender as necessidades físicas e não emocionais, 
    • confiar em sinais internos de fome e saciedade para decidir o que, quando e quanto comer.
  • O condicionamento mente-corpo fornece aos indivíduos uma ferramenta poderosa para identificar suas necessidades, tais como: letargia, bexiga cheia, fome, pois o corpo envia mensagens baseadas em necessidades físicas e psicológicas. Então, quando há regras, como fazer dieta, há caos na mente e no corpo (TRIBOLE et al., 2017)
  • Alvarenga et al., (2019) relatam que a alimentação intuitiva é uma abordagem baseada em evidências que ajuda as pessoas a seguir seus sinais internos de fome e comer o alimento de sua escolha sem se sentir culpado e julgador e, eticamente, contém 10 princípios. 
  • A ênfase está em "não fazer dieta" e deve ser vista como um plano no qual a ordem dos dez princípios estabelecidos não é fixa, mas deve ser adaptada a cada indivíduo.
Os dez princípios do comer intuitivo são: 

  1. Rejeitar a mentalidade da dieta - Retirar todas as informações que contenham informações dietéticas e medidas que prometam emagrecimento rápido, como livros, revistas, não seguir as redes sociais, não permitir que outros determinem o que, quanto e quando comer (ALVARENGA et al., 2019). Os estilos de vida atuais levam a uma necessidade de praticidade no dia a dia, o que abre espaço para que as estruturas alimentares sejam influenciadas pela mídia (MORAES, 2014). 
  2.  Honrar a fome - Para que se honre a fome, é preciso ficar atento aos sinais de fome e padronizar o horário. É importante não passar fome e ter acesso a alimentos para lidar com a fome quando estiver com fome. Alguns exercícios podem ser aplicados na percepção da fome, como o odômetro da fome, em que o paciente identifica sua fome e saciedade, que são inversamente proporcionais, ou seja, quando nossa fome é zero, a saciedade é próxima de dez e vice-versa. 
  3.  Fazer as pazes com a comida -Violar as regras alimentares pode fazer com que uma pessoa coma mais, independentemente da fome ou da saciedade. Isso não significa que a pessoa vai comer o quanto quiser a qualquer momento, mas sim fazer perguntas como:
    1.  "Eu realmente quero comer isso?", 
    2. "Eu preciso comer isso agora?". 
    3. Essa permissão incondicional tem que acontecer com base em dicas internas que ajudam as pessoas a comer intuitivamente, não necessariamente seguindo regras.
    4.  Em geral, trata-se de conseguir comer o que você gosta, sentir suas sensações corporais, especialmente fome e saciedade, sem o medo da restrição (ALVARENGA et al., 2019). 
  4.  Desafiar o policial alimentar -  Nesse princípio, os autores mostram que o indivíduo se sente constantemente sendo julgado pela polícia interna, e que o sentimento de roubar ou mentir sobre a alimentação pode gerar uma culpa que pode ter efeitos extremamente ruins. Para evitar que isso aconteça, é necessário mudar esse pensamento e abrir espaço para outras vozes internas não julgadoras que forneçam feedback positivo e ajudem a tomar decisões mais pacíficas sobre os alimentos (ALVARENGA et al., 2019) 
  5. Sentir a saciedade - A leptina e a insulina são hormônios conhecidos que interagem com receptores no hipotálamo para produzir saciedade. As concentrações séricas desses hormônios são maiores e a resistência a esses hormônios é maior em indivíduos obesos. Para se sentir satisfeito, você deve aprender a ouvir e entender os sinais internos. Como mencionado anteriormente, para fazer isso, você precisa respeitar a fome e comer incondicionalmente. Alguns exercícios de autoavaliação podem ajudá-lo a entender melhor seu corpo. Pessoas com certas condições médicas ficam confusas e muitas vezes se sentem culpadas quando o corpo sinaliza (ALVARENGA et al., 2019).
  6.  Descobrir o fator de satisfação - Saber quando está satisfeito é importante, pois assim o indivíduo pode comer menos e utilizar a comida como forma de satisfação, não apenas para saciar a fome, nutrir-se e satisfazer as necessidades físicas, pois a finalidade da alimentação inclui também questões socioculturais e emocionais. Um ambiente agradável, enfeitar os pratos e ter uma boa companhia pode ajudar muito no processo. (ALVARENGA et al., 2019). 
  7.  Lidar com as emoções sem usar a comida -Todo mundo tem a capacidade de comer qualquer coisa, o que significa que ele tem a chamada liberdade nas escolhas alimentares. No entanto, vários fatores envolvidos em sua história pessoal influenciarão essas escolhas (CATÃO & TAVARES, 2020). A alimentação vai muito além de suprir as necessidades físicas do corpo e, na maioria das vezes, a comida é utilizada como forma de recompensa, ou forma de expressar amor, e também é utilizada para reduzir emoções e sentimentos negativos e prolongar os positivos. Assim, os estados emocionais interferem completamente nos padrões alimentares, além de levar em conta crenças, medos e ansiedade. Exercícios de terapia cognitivo-comportamental podem ser muito úteis para lidar com essas emoções ao usar alimentos. Nessa abordagem, o TN deve esclarecer o comer desatento e o comer emocional e aplicar a atividade para ajudar os indivíduos a conscientizar-se sobre seu comportamento. No início, o NT pedia aos pacientes que se perguntassem: “Estou com fome?” antes de cada refeição. Se a resposta for “não” e o paciente ainda quiser comer, aplique uma série de sentimentos para que ele pare e pense nos sentimentos com os quais está lidando ao usar o alimento. Depois de identificar o sentimento, ele provavelmente não o servirá com comida, em vez de comida, TN o ajudará a encontrar uma atividade que o ajude com a dificuldade (ALVARENGA et al., 2019)
  8.  Respeitar o próprio corpo - Nos dias atuais, infelizmente o que predomina é a insatisfação corporal. As pessoas estão condicionadas a ter um corpo dito perfeito, configurando assim um distúrbio de imagem, principalmente entre as mulheres. A preocupação e valorização extrema do corpo, não valoriza as características naturais de cada pessoa, pois estas estão condicionadas a um padrão específico. É preciso exercitar o respeito ao corpo por meio de metas, incentivando o indivíduo a se cuidar, sem se comparar aos outros, mas sim, ser sua própria referência. O TN pode propor um exercício que tenha como objetivo incentivar o paciente a perceber seu corpo com compaixão, sem evidenciar as insatisfações. Nesse exercício, o paciente recebe uma lista de afirmações que devem ser lidas nos momentos em que começar a ter pensamentos negativos sobre o corpo. Essa lista contém algumas maneiras de amar o seu corpo, como por exemplo: “Seja consciente do que seu corpo faz todos os dias. Ele é o instrumento de sua vida, e não um ornamento de prazer para os outros”, “Curta seu corpo: estique-se, dance, caminhe, cante, tome um banho de espuma, faça massagem, faça as unhas...”, “Afirme-se que seu corpo é perfeito justamente do modo que ele é.”, “Conte suas vitórias e não suas falhas” (ALVARENGA et. al., 2019).
  9.  Exercitar-se - sentindo a diferença -  O exercício físico deve ser uma forma de prazer, por isso é importante que se busque algo que gosta de fazer, sendo essa prática de fundamental importância, tendo cuidado com as formas compensatórias, ou punitivas, pois a proposta do Comer Intuitivo é um exercício focado em bem-estar e saúde (ALVARENGA et. al., 2019). A mesma autora relata que o dia a dia é repleto de atribuições pessoais, mas que na maioria das vezes acontece de forma sedentária, como ficar sentado no carro, no sofá, no escritório. Para se trabalhar isso, é interessante começar pelo “monitoramento de tempo sedentário”, estimulando as pessoas a se mexerem mais ao longo do dia, fazendo isso de forma intuitiva. 
  10. Honrar a saúde – praticar uma “nutrição gentil” A nutrição gentil, segundo as autoras, nada mais é do que fazer com que as pessoas se sintam bem ao comer, o contrário da nutrição terrorista, mas respeitando as diretrizes nutricionais.
Estratégias da TCC- Terapia cognitivo comportamental  para tratar diferentes tipos de Transtornos Alimentares. 

Duchesne e Almeida (2002 apud CATÃO & TAVARES, 2020) relatam essas estratégias empregadas na Anorexia nervosa, Bulimia e TCAP. São elas:

Estratégias para tratamento da Anorexia Nervosa (AN): 
  •  Diminuição da restrição alimentar - Essa estratégia tem foco na normalização da alimentação. 
  •  Diminuição de frequência de atividade física - Incentiva o paciente a suspender gradativamente a rotina de exercícios extenuantes, incentivando a prática saudável da atividade física e de preferência, que permita relações interpessoais. 
  •  Abordagem do distúrbio da imagem corporal - Nessa abordagem, é trabalhada a imagem corporal, onde o paciente é levado a fazer uma percepção do seu corpo, como ele se vê e como realmente é. 
  •  Modificação do sistema de crenças - Pacientes que sofrem com transtornos alimentares apresentam crenças distorcidas principalmente em relação ao peso e imagem corporal, associando diretamente na autoestima. Para modificar esse sistema, o paciente precisa identificar os pensamentos que sofram distorção. Estratégias como desenhar sua imagem corporal ou expor gradativamente seu corpo, pode ajudar esses pacientes a modificarem suas crenças. 
  •  Abordagem da autoestima -  Nessa estratégia, trabalha-se a redução da expectativa do desempenho em pacientes com Anorexia nervosa. O terapeuta auxilia o indivíduo a se apoiar em outro tipo de atributos além da aparência e a melhorar em seus relacionamentos interpessoais, favorecendo a modificação do comportamento. 
  •  Avaliação da eficácia -  A eficácia do tratamento em pacientes com Anorexia nervosa se dá através da manutenção da mudança, com isso devem ser utilizadas técnicas para o controle de recaídas, planejando estratégias para o futuro aparecimento de dificuldades, e saber lidar com elas.
Estratégias para tratamento da Bulimia:
  •  Controle dos Episódios de Compulsão Alimentar (ECA) e da indução de vômito Segundo as autoras, nesse tipo de distúrbio, devem-se analisar todos os aspectos, em especial os métodos compensatórios e a ocorrência dos episódios. Nesses casos, o terapeuta ensina técnicas de autocontrole, como se expor gradualmente a condições que favoreçam o aparecimento dos episódios, com o intuito de reduzir os facilitadores (ansiedade, tristeza, etc.) de ECA e indução de vômito. 
  •  Eliminação do uso de laxantes e diuréticos A partir do momento que a alimentação de paciente com Bulimia vai se tornando mais regular, o uso de laxantes e diuréticos vão sendo diminuídos gradativamente. Modificação do sistema de crenças. Geralmente os pensamentos do paciente que sofre com Bulimia são extremistas, “tudo ou nada”. A terapia utilizada na modificação desse sistema segue o mesmo princípio utilizado na AN. 
  •  Avaliação da eficácia - Em associação com o tratamento farmacológico, esse tipo de terapia tem resultados satisfatórios no tratamento de pacientes com esse tipo de transtorno, favorecendo o aumento da autoestima e funcionamento social.
Estratégias para tratamento do Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica (TCAP): 

  1.  Modificação de hábitos alimentares - Para ter êxito na mudança de hábitos alimentares em pacientes com TCAP, este é incentivado a se manter distante de alimentos que devem ser consumidos em pequenas quantidades, lembrando que dietas restritivas são contraindicadas nesses casos. A melhor estratégia é o controle de estímulos e a mudança gradual dos hábitos alimentares. 
  2.  Aumento da atividade física - São utilizadas estratégias para adesão da atividade física, podendo esta ser flexível e dinâmica, podendo até envolver outras pessoas, auxiliando assim no processo.
  3. Abordagem da autoestima - Quem sofre com esse tipo de transtorno, dá atenção excessiva à imagem corporal, associado a padrões corporais impostos pela sociedade. O terapeuta auxilia o paciente a buscar um equilíbrio entre a auto aceitação e a mudança. 
  4. Avaliação de eficácia - Geralmente se obtém resultados a curtos prazos, mas ainda há dificuldades quanto a manutenção a longo prazo. Medicamentos associados a terapia parecem surtir um efeito melhor.
Tratamento psicológico:
  • A psicoterapia é considerada uma das etapas mais importantes, e é a base de sustentação da terapia, pois está inserida no controle dos sintomas. 
  • Esse tratamento vai além do paciente, incluindo sua família e amigos, pois a vida de um paciente com anorexia nervosa é muito limitada, por isso o terapeuta precisa buscar mais elementos para auxiliar o sujeito. 
  • O indivíduo tem fala limitada, relacionada à alimentação e peso, o que provoca mudanças em seu comportamento, pois quando come, está ocupado por um forte sentimento de frustração, sente culpa e medo de ganhar peso, ou seja, a pessoa anoréxica enxerga-se gorda, se vê de maneira distorcida. Diante dessa confusão, busca compensar, através da restrição alimentar, ou ainda vômitos auto induzidos ou processos purgativos. Em seguida, ele será tomado por uma breve sensação de alívio (DALTROSO, 2018).
  • Segundo Daltroso (2018)...
    •  a principal tarefa do terapeuta é trabalhar com outros profissionais para ajustar as metas e objetivos da terapia para atingir o objetivo de reduzir os sintomas e estabilizar o indivíduo no menor tempo possível.
    •  Indivíduos com anorexia experimentam graus variados de fragilidade, comorbidades que podem estar relacionadas ao distúrbio, também as dificuldades no trabalho que o psicólogo desenvolverá, aumentando ainda mais esta dificuldade se houver o uso ou dependência de substâncias químicas ou psicoativas.
    •  Para cada situação, o psicólogo precisa fazer alguns ajustes, e a escolha da melhor abordagem teórica também é fundamental para o sucesso do tratamento.
    •  Deve-se ter cautela em pacientes com transtornos de personalidade e/ou depressão, e atenção à ideação suicida, que é muito comum na fala de pacientes com anorexia. 
    • Por se tratar de uma clínica multidisciplinar, envolvendo vários profissionais de diferentes áreas no processo, a terapia familiar e de grupo também se faz necessária. 
    •  As famílias, por desempenharem um papel central na terapia, estarão procurando conflitos nas interações, relacionamentos disfuncionais, dificuldades de comunicação, como cada pessoa expressa suas emoções, possíveis abusos físicos ou sexuais, en fim, tudo o que envolve todo o relacionamento dentro do grupo familiar, que podem ser gatilhos para episódios de anorexia nervosa (DALTROSO, 2018). 
    • Na terapia de grupo, mais comumente na psicoeducação, por meio de sessões públicas, todos podem expor seus conflitos, ver e ser visto, ouvido e ouvido. 
    • Os mediadores profissionais iniciam um fio que permite que aqueles que estão confortáveis com o processo interajam. 
    • Esse processo funciona bem para os pacientes e especialmente para as famílias, por serem encontros benéficos ao acolhimento familiar e ocasionar a melhorar a compreensão dos transtornos alimentares. 
    • A terapia de grupo pode ajudar os pacientes a perceberem que não são os únicos com transtorno alimentar e facilita o compartilhamento do aprendizado terapêutico a partir de diferentes experiências. 
    • Existem muitas abordagens em grupo, as mais utilizadas são as seguintes: (ARATANGY E BUONFIGLIO, 2017).
      • grupo de habilidades sociais, 
      • grupo de imagem corporal, 
      • eutonia, 
      • psicodrama, 
      • grupo de meditação, 
      • terapia ocupacional, t
      • erapia psicodinâmica breve, 
      • arteterapia, 
      • grupos de culinária e nutrição, 
      • grupo de sexualidade, 
      • grupos de atividades físicas orientadas, 
      • grupos de reinserção profissional 
      • grupos diversos 
CIRURGIA BARIÁTRICA E FATORES PSICOLÓGICOS

Avaliação para saber se pode ser submetido a Cirurgia Bariátrica:

  • A forma de avaliar se um paciente será submetido à cirurgia é pelo cálculo do índice de massa corporal (IMC). 
  • O IMC é uma medida do risco de morbidade e mortalidade por obesidade conforme definido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), por isso é dividido em cinco estágios: normal, sobrepeso e obesidade, I II e III.
  •  As indicações para cirurgia começam no Nível II, porém, outro problema de saúde, como problemas na coluna, diabetes, etc., deve ser demonstrado para que a cirurgia seja aprovada. 
  • O cálculo do resultado do IMC é obtido pela divisão do peso pela altura ao quadrado (CUNHA et al., 2020).
  •  A perspectiva multidisciplinar também ganhou maior relevância, pois a obesidade possui uma estrutura complexa, multifacetada e requer compreensão de diferentes áreas do conhecimento. 
  • A necessidade de um psicólogo e um psiquiatra na equipe de cirurgia bariátrica é formalmente determinada por resolução do Conselho Federal de Medicina n° 1.766/5, afirmando que, a equipe deve ter além do cirurgião com a formação específica, a presença de clínico, nutrólogo ou nutricionista, psiquiatria e ou psicólogo, fisioterapeuta, anestesiologista, enfermeiro e profissionais familiarizados com condutas específicas em obesidade mórbida (CUNHA et al., 2020
Papel do psicólogo...
  • O psicólogo ajudará a informar e orientar os pacientes, ajudar a entender a doença da obesidade, como ela se desenvolve, seus sintomas, ajudar a desenvolver novas habilidades, ajudá-lo a mudar sua mente, controlar suas emoções e promover mudanças efetivas em seu comportamento, resultando na promoção de saúde (LOPES, 2017).
  •  Após a cirurgia bariátrica, o acompanhamento do tratamento torna-se relevante porque o estômago foi operado, mas, a mente não. Essa diferença é fundamental para os resultados tardios no tratamento multidisciplinar que os pacientes recebem. 
  • Além disso, a fonte de prazer que antes era comer começa a mudar de foco, direção e pode mudar para outras fontes de prazer, continuando assim a usar vários recursos para satisfazer sua ansiedade.
Impactos psicológicos em indivíduos submetidos à cirurgia bariátrica...
  • Pesquisa realizada por Marchesine (2010) destacou que os pacientes submetidos à cirurgia bariátrica eram mais suscetíveis aos efeitos do uso de álcool, mostrando também que 54,3% dos pacientes pesquisados foram operados por discriminação social e estética. 
  • Considerando que 56,5% das pessoas substituíram a compulsão alimentar por outros comportamentos após a cirurgia, os autores recomendam a intervenção profissional, ressaltando que esse número elevado se deve à falta de acompanhamento psicológico após a cirurgia. 
  • Na perspectiva de Gordon et al., (2011), os pacientes submetidos à cirurgia bariátrica são mais propensos a usar e tornar-se dependentes de álcool e outras substâncias aditivas em média 12 meses após a cirurgia, ressaltando em seu trabalho que os pacientes acabam substituindo a alimentação pelo álcool, a denominada Síndrome da Deficiência de Recompensa
  • Com base em Méa et al., (2017) e Marchesini (2010), parte dos submetidos à cirurgia bariátrica realizou essa intervenção por se sentirem compelidos a se adequarem aos padrões de beleza impostos pela sociedade.
  • Fagundes et al., (2016) mostraram que quando os pacientes começaram a perder peso, atividades cotidianas simples, como: 
    • passar em uma catraca de ônibus, 
    • subir escadas entre outras atividades, acabam se tornando uma ação de vitória, que os pacientes trazem em seus relatos no pós-operatório.
Acompanhamento Psicológico no pré e pós-operatório

Existem basicamente dois princípios fundamentais para a atuação do psicólogo antes e após a cirurgia bariátrica: 
  • o primeiro é avaliar, diagnosticar e orientar o trata mento das doenças relacionadas, a fim de reduzir possíveis complicações e riscos cirúrgicos; 
  • o segundo é focar nos hábitos e mudanças de estilo de vida necessários para o preparo do paciente e orientação para os cuidados e tratamento pós-operatórios (BRASIL, 2013).
 No entanto, também é preciso levar em consideração que nem todo paciente que passa por avaliação psicológica é automaticamente elegível para a cirurgia bariátrica
  • Justamente porque durante a avaliação psicológica são levantadas todas as possibilidades que possam interferir em uma boa recuperação. 
  • doenças mentais anteriores, como depressão, ansiedade, transtornos de personalidade, dependên cia de drogas de qualquer tipo ou até mesmo excessos alimentares. 
  • Se constatado durante a avaliação, é necessário realizar um processo psicoterapêutico prévio à cirurgia bariátrica, levando em consideração os problemas que podem surgir com a cirurgia. 
  •  Segundo Guerra (2019), os transtornos psiquiátricos são frequentes e prolongados em pacientes pré-bariátricos, transtornos como ansiedade, transtornos do humor e transtornos alimentares são características de alta morbidade em pacientes obesos que procuram tratamento. Isso requer uma avaliação criteriosa antes da próxima etapa, neste caso, a própria cirurgia. 
  • Portanto, os candidatos à cirurgia bariátrica são submetidos a diversas etapas durante a avaliação psicológica. 
  • Levando em consideração as recomendações do CFP, (2013) para realizar uma avaliação psicológica de forma correta, primeiro é preciso ter um objetivo (neste caso, a capacidade, de realizar a cirurgia bariátrica) para que a ferramenta psicológica mais adequada para a situação seja escolhida.
Uma vez estabelecido isso, é hora de coletar informações sobre a história pregressa do paciente:
  • histórico médico, 
  • possíveis transtornos mentais, e para isso é importante utilizar mais de um instrumento, geralmente é realizada uma entrevista clínica e podem ser usadas dinâmicas e observações, assim como testes psicológicos. 
  • De acordo com Bordignon, Bertoletti e Trentini (2019), a psicoeducação dos pacientes e seus familiares é importante, pois formam uma rede de apoio aos pacientes.
  •  É importante explicar a todos as consequências da cirurgia a curto, médio e longo prazo, bem como promover o autoconhecimento sobre a forma de alimentação do paciente. Todo o processo é minucioso e discreto, levando em consideração todos os procedimentos éticos prescritos pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP). 
  •  Conforme destacado por Joaquim et al., (2019) o objetivo primordial da avaliação psicológica deve ser indicar se a cirurgia bariátrica é realmente um procedimento que beneficia o paciente, garantindo a segurança do paciente. 
  • Ao realizar avaliações psicológicas, os psicólogos devem observar as respostas dos candidatos em relação ao estresse e à tensão e especialmente seus hábitos alimentares.
  •  O psicólogo também deve explicar ao paciente todas as mudanças que a cirurgia bariátrica trará, isso é necessário para atestar se o paciente está realmente preparado para lidar com todas as novas situações que surgirão. 
  • Se, por algum motivo, alguma condição de cirurgia bariátrica que possa ser prejudicial ao paciente for identificada por um profissional psicólogo por meio de avaliação psicológica, se justifica o encaminhamento psiquiátrico, segundo Bordignon, Bertoletti e Trentini (2019). Principalmente quando há uma doença mental grave como: depressão, psicose, alimentação, abuso ou dependência de substâncias, e quando há alguma limitação intelectual que impeça o paciente de compreender plenamente o procedimento a ser realizado. 
  • Em alguns casos, a psicoterapia também pode ser necessária. Para Gordon (2014), os sintomas depressivos ainda na fase pré-operatória indicam a necessidade de intervenção terapêutica, pois esses sintomas podem inferir um pior prognóstico geral e, portanto, também são necessários cuidados intensivos na fase pós-operatória para melhorar os resultados e garantir a qualidade de vida.
  • Pode-se supor erroneamente que o maior problema para os pacientes após a cirurgia é a recuperação, quando, na verdade, o maior obstáculo é muitas vezes os próprios pensamentos e comportamentos do paciente. 
  • A cirurgia bariátrica, por mais bem-sucedida que seja, produz mudanças puramente físicas, mas o psicológico e a maneira como a pessoa se relaciona com a comida, a maneira como ela se vê, pode permanecer o mesmo, isso sem contar em transtorno mentais, como depressão e ansiedade, já pré-estabelecidos, e por isso deve ser trabalhado por meio da psicoterapia com psicólogo e em alguns casos até mesmo com o psiquiatra.
  •  Além disso, muitos pacientes ainda precisam lidar com todas as mudanças físicas que ocorrem no corpo, a cirurgia traz saúde, porém, ela também pode trazer complicações (CASTELLO BRANCO, 2021). 
  • Para Camargo (2013), a cirurgia bariátrica pode causar efeitos fisiológicos duradouros como engasgos, vômitos, desconforto, etc. Esses efeitos podem dificultar, mas não necessariamente impedir um bom ajuste psicossocial. Mas para que esse processo seja bem-sucedido, mudanças comportamentais devem ser feitas, principalmente no que diz respeito aos hábitos alimentares. 
  • Além disso, fatores psicológicos também podem afetar a capacidade do paciente de se adaptar às condições necessárias para manter o peso. 
  • Segundo Méa e Peccin (2017), sem um acompanhamento satisfatório do tratamento, cerca de um ano ou mais após a cirurgia, o paciente pode começar a buscar novas formas de suprir suas necessidades, o que pode ser alcançado de duas formas:
    •  sentir-se vazio, perder o interesse pelo que antes era agradável, mau desempenho no trabalho e angústia. 
    • Por outro lado, existem compulsões, onde o indivíduo responde gradualmente ao desejo de buscar comida. Podendo haver um descuido e o indivíduo começa a avançar novamente. 
  • Isso reflete que pacientes com perda de peso não precisam apenas de apoio psicológico, mas também de um bom apoio psicológico. 
  • Na psicologia, existem várias abordagens, com níveis de evidência variados, sendo necessário que esse paciente obtenha um método que garanta maior chance de sucesso em pacientes obesos, bariátricos e com compulsão alimentar. 
  • Permitir que a condição do paciente encontre uma boa evolução e alcance uma qualidade de vida satisfatória. 
  • Méa e Peccin (2017) também identificaram dois caminhos adicionais que pacientes com perda de peso podem seguir sem o devido apoio psicológico
    • Uma delas  são os transtornos de ansiedade, que podem até ser mais prevalentes nesses casos do que a depressão, já que pessoas com transtornos de ansiedade têm maior necessidade de se alimentar, o que afetará diretamente o ganho de peso. 
    • Outra via possível é o abuso de substâncias psicoativas, sendo o uso de álcool a substância com maior prevalência. 
  • No entanto, isso não significa que a cirurgia bariátrica seja a principal causa de distúrbios psicológicos graves. Longe disso, a cirurgia bariátrica é um procedimento que traz inúmeras melhorias para a saúde e a vida do paciente. Meghelli (2018) chegou a observar em seu estudo que pacientes com perda de peso melhoraram a cognição, achado relacionado à cirurgia. Embora essa melhora não seja suficiente para atingir a média populacional. No estudo realizado por Méa e Peccin (2017), não foram encontrados altos níveis de ansiedade e depressão, embora a prevalência de consumo de álcool tenha sido maior. Por isso, a psicoterapia é necessária, pois o trabalho realizado deve ser preventivo. Além de evitar que esses sintomas apareçam, permite que o paciente tenha uma maior aceitação do seu corpo, o que pode ajudar na manutenção do peso e mudanças no estilo de vida. No entanto, por um lado, se a ansiedade e a depressão não são altamente prevalentes em pacientes com perda de peso, considere que são mais comuns em pacientes que já apresentavam tais sintomas antes da cirurgia. 
  • Outras comorbidades,..
    • como a compulsão alimentar, têm alta incidência e, portanto, podem enviar sinais de alerta durante o pós-operatório. 
    • Em consonância com Venzon e Alchieri (2014), a presença de compulsão alimentar pós-operatória esteve diretamente associada ao ganho de peso. 
    • Novamente, a cirurgia bariátrica consiste em apenas uma fase do tratamento da obesidade, ou seja, o tratamento não termina após a cirurgia, ele continua, e continuará por muito tempo, tendo em vista que a manutenção do peso dependerá de vários fatores, a partir de então proceder à avaliação, que em longo prazo ajudará a desenvolver um plano de tratamento.
    •  Dada à natureza de longo prazo da obesidade, entende-se que o tratamento deve ser contínuo e deve envolver uma série de fatores, como: 
      • mudanças na alimentação e no comportamento, como o desenvolvimento do hábito de atividade física, 
      • prevenção e apoio psicológico durante o tratamento e durante o pós-operatório, respeitando sempre as vicissitudes e idiossincrasias de cada paciente, levando em consideração a complexidade da pessoa.
      •  Dessa forma, a psicoterapia não é uma estratégia emergencial, mas preventiva, pois considerando todas as mudanças, e sabendo que o ser humano é um ser biopsicossocial, é fundamental que esse paciente pós-bariátrica tenha um acompanhamento não apenas para lidar com todas as mudanças físicas, mas principalmente para lidar com as mudanças psicológicas que ele está exposto (CASTELLO BRANCO, 2021)
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terça-feira, 20 de setembro de 2022

Bulimia Nervosa (BN)

 Características da Bulimia Nervosa

  •  períodos de grande ingestão alimentar (episódios bulímicos), durante os quais são consumidos uma grande quantidade de alimentos, variando de 1.436 a 25.755 Kcal, em um curto período de tempo, 
  • sentimento de descontrole sobre o comportamento alimentar e preocupação excessiva com o controle do peso corporal. Tal preocupação faz com que o paciente adote medidas compensativas, a fim de evitar o ganho de peso.
  •  O vômito autoinduzido ocorre em cerca de 90% dos casos, sendo o principal método compensatório utilizado. 
    • O efeito imediato provocado pelo vômito é o alívio do desconforto físico secundário à hiperalimentação e a redução do medo de ganhar peso. 
  • uso inadequado de laxantes, diuréticos, hormônios tireoidianos, agentes anorexígenos e enemas. 
  • Jejuns prolongados e exercícios físicos exagerados são também formas de controle do peso. 
  • A distorção da imagem corporal, quando existe é menos acentuada. 
  • As características de personalidade das bulímicas são sociabilidade, comportamentos de risco e impulsividade, traços que são coerentes com o descontrole e a purgação. 
Quando geralmente ocorre?
  • O início dos sintomas ocorre nos últimos anos da adolescência ou até os 40 anos, com idade média de início por volta dos 20 anos de idade (CÂNDIDO et al 2014).
Critérios diagnósticos 

 A. Episódios recorrentes de compulsão alimentar de acordo com o (DSM-5, 2013)
  • Um episódio de compulsão alimentar é caracterizado pelos seguintes aspectos: 
    • 1. Ingestão, em um período de tempo determinado (por exemplo, dentro de cada período de duas horas), de uma quantidade de alimento definitivamente maior do que a maioria dos indivíduos consumiria no mesmo período sob circunstâncias semelhantes. 
    • 2. Sensação de falta de controle sobre a ingestão durante o episódio (por exemplo, sentimento de não conseguir parar de comer ou controlar o que e o quanto se está ingerindo). 
B. Comportamentos compensatórios inapropriados recorrentes a fim de impedir o ganho de peso, como vômitos autoinduzidos; 
  • uso indevido de laxantes, diuréticos ou outros medicamentos; jejum; ou exercício em excesso. 
C. A compulsão alimentar e os comportamentos compensatórios inapropriados ocorrem, em média, no mínimo uma vez por semana durante três meses.

D. A autoavaliação é indevidamente influenciada pela forma e pelo peso corporais. 

E. A perturbação não ocorre exclusivamente durante episódios de anorexia nervosa.

Características diagnósticas 

Existem três aspectos essenciais na bulimia nervosa: 
  1. episódios recorrentes de compulsão alimentar (Critério A),
  2. comportamentos compensatórios inapropriados recorrentes para impedir o ganho de peso (Critério B) 
  3. autoavaliação indevidamente influenciada pela forma e pelo peso corporais (Critério D). 
  • Para se qualificar ao diagnóstico, a compulsão alimentar e os comportamentos compensatórios inapropriados devem ocorrer, em média, no mínimo uma vez por semana por três meses (Critério C) (DSM-5, 2013). 
  • Um “episódio de compulsão alimentar” é definido como a ingestão, em um período de tempo determinado, de uma quantidade de alimento definitivamente maior do que a maioria dos indivíduos comeria em um mesmo período de tempo em circunstâncias semelhantes (Critério A1). 
  • O contexto no qual a ingestão ocorre pode afetar a estimativa do clínico quanto à ingestão ser ou não excessiva. 
    • Por exemplo, uma quantidade de alimento que seria considerada excessiva para uma refeição típica poderia ser considerada normal durante uma refeição comemorativa ou nas festas de fim de ano. 
  • Um “período de tempo determinado” refere-se a um período limitado, normalmente menos de duas horas. 
  • Um único episódio de compulsão alimentar não precisa se restringir a um contexto. 
    • Por exemplo, um indivíduo pode iniciar um comportamento de compulsão alimentar no restaurante e depois continuar a comer ao voltar para casa. Lanches contínuos de pequenas quantidades de alimento ao longo do dia não seriam considerados compulsão alimentar (DSM-5, 2013). 
  • Uma ocorrência de consumo excessivo de alimento deve ser acompanhada por uma sensação de falta de controle (Critério A2) para ser considerada um episódio de compulsão alimentar. 
Um indicador de perda de controle 
  • é a incapacidade de abster-se de comer ou de parar de comer depois de começar. 
    • Alguns indivíduos descrevem uma qualidade dissociativa durante, ou em seguida a, episódios de compulsão alimentar. 
    • O prejuízo no controle associado à compulsão alimentar pode não ser absoluto; por exemplo, um indivíduo pode continuar a comer de forma compulsiva enquanto o telefone está tocando, mas vai parar se um amigo ou o cônjuge entrar inesperadamente no recinto. 
    • Alguns relatam que seus episódios de compulsão alimentar não são predominantemente caracterizados por um sentimento agudo de perda de controle, e sim por um padrão mais generalizado de ingestão descontrolada.
    • Se relatarem que desistiram de tentar controlar a ingestão, a perda de controle deverá ser considerada presente. 
  • A compulsão alimentar também pode ser planejada, em alguns casos. 
    • O tipo de alimento consumido durante episódios de compulsão alimentar varia tanto entre diferentes pessoas quanto em um mesmo indivíduo. 
    • A compulsão alimentar parece ser caracterizada mais por uma anormalidade na quantidade de alimento consumida do que por uma fissura por um nutriente específico. Entretanto, durante episódios de compulsão alimentar, os indivíduos tendem a consumir alimentos que evitariam em outras circunstâncias (DSM-5, 2013).
 Indivíduos com bulimia nervosa em geral sentem vergonha de seus problemas alimentares e tentam esconder os sintomas. 
  • A compulsão alimentar normalmente ocorre em segredo ou da maneira mais discreta possível. 
  • Com frequência continua até que o indivíduo esteja desconfortável ou até mesmo dolorosamente cheio.
  •  O antecedente mais comum da compulsão alimentar é o afeto negativo. 
  • Outros gatilhos incluem:
    •  fatores de estresse interpessoais; 
    • restrições dietéticas; 
    • sentimentos negativos relacionados ao peso corporal, à forma do corpo e a alimentos; 
    • e tédio. 
  • A compulsão alimentar pode minimizar ou aliviar fatores que precipitam o episódio a curto prazo, mas a autoavaliação negativa e a disforia com frequência são as consequências tardias (DSM-5, 2013). 
Outro aspecto essencial da bulimia nervosa é o uso recorrente de comportamentos compensatórios inapropriados para impedir o ganho de peso, conhecidos coletivamente como comportamentos purgativos, ou purgação (Critério B). 
  • Muitos indivíduos com bulimia nervosa empregam vários métodos para compensar a compulsão alimentar. 
  • Vomitar é o comportamento compensatório inapropriado mais comum.
  •  Os efeitos imediatos dos vômitos incluem alívio do desconforto físico e redução do medo de ganhar peso.
  •  Em alguns casos, vomitar torna-se um objetivo em si, e o indivíduo comerá excessiva e compulsivamente a fim de vomitar, ou vomitará depois de ingerir uma pequena quantidade de alimento. 
  • Indivíduos com bulimia nervosa podem usar uma variedade de métodos para induzir o vômito, incluindo o uso dos dedos ou instrumentos para estimular o reflexo do vômito.
  •  Geralmente se tornam peritos em induzir vômitos e acabam conseguindo vomitar quando querem. 
  •  Raramente, consomem xarope de ipeca para induzir o vômito. 
  • Outros comportamentos purgativos incluem o uso indevido de laxantes e diuréticos. 
  • Uma série de outros métodos compensatórios também podem ser usados em casos raros.
Indivíduos com bulimia nervosa podem:
  •  usar indevidamente enemas após episódios de compulsão alimentar, mas raramente este se trata do único mecanismo compensatório empregado. 
  •  podem tomar hormônio da tireoide em uma tentativa de evitar o ganho de peso. 
  • Aquelas com diabetes melito e bulimia nervosa podem omitir ou diminuir doses de insulina a fim de reduzir a metabolização do alimento consumido durante episódios de compulsão alimentar. 
  •  Indivíduos com o transtorno, ainda, podem jejuar por um dia ou mais ou se exercitar excessivamente na tentativa de impedir o ganho de peso. 
  • O exercício pode ser considerado excessivo quando interfere de maneira significativa em atividades importantes, quando ocorre em horas inapropriadas ou em contextos inapropriados ou quando o indivíduo continua a se exercitar a despeito de uma lesão ou outras complicações médicas (DSM-5, 2013).
Indivíduos com bulimia nervosa enfatizam de forma excessiva a forma ou o peso do corpo em sua autoavaliação, e esses fatores são extremamente importantes para determinar sua autoestima (Critério D)
  • Eles podem lembrar muito os portadores de anorexia nervosa pelo medo de ganhar peso, pelo desejo de perder peso e pelo nível de insatisfação com o próprio corpo.
  •  Entretanto, um diagnóstico de bulimia nervosa não deve ser dado quando a perturbação só ocorrer durante episódios de anorexia nervosa (Critério E) (DSM-5, 2013).
Marcadores diagnósticos da Bulimia Nervosa 
  • Não existe, atualmente, teste diagnóstico específico para bulimia nervosa. Entretanto, diversas anormalidades laboratoriais podem ocorrer em consequência da purgação e aumentar a certeza diagnóstica, incluindo anormalidades eletrolíticas, como hipocalemia (que pode provocar arritmias cardíacas), hipocloremia e hiponatremia. 
  • A perda de ácido gástrico pelo vômito pode produzir alcalose metabólica (nível sérico de bicarbonato elevado), e a indução frequente de diarreia ou desidratação devido a abuso de laxantes e diuréticos pode causar acidose metabólica.
  •  Alguns indivíduos com bulimia nervosa exibem níveis ligeiramente elevados de amilase sérica, provavelmente refletindo aumento na isoenzima salivar (DSM-5, 2013).
  • O exame físico geralmente não revela achados físicos. Entretanto, a inspeção da boca pode revelar perda significativa e permanente do esmalte dentário, em especial das superfícies linguais dos dentes da frente devido aos vômitos recorrentes. Esses dentes podem lascar ou parecer desgastados, corroídos e esburacados. 
  • A frequência de cáries dentárias também pode ser maior.
  •  Em alguns indivíduos, as glândulas salivares, sobretudo as glândulas parótidas, podem ficar hipertrofiadas. 
  • Indivíduos que induzem vômitos estimulando manualmente o reflexo de vômito podem desenvolver calos ou cicatrizes na superfície dorsal da mão pelo contato repetido com os dentes. 
  • Miopatias esqueléticas e cardíacas graves foram descritas entre pessoas depois do uso repetido de xarope de ipeca para induzir vômitos (DSM-5, 2013)
Referências:

Transtornos Alimentares

  •  há muito tempo, estão presentes em nossa história e em nossos estudos 
  • se apresentam como fatores de risco à vida humana. Dentre eles:
    •  a compulsão alimentar que pode levar à obesidade
    •  anorexia nervosa (AN) 
    •  bulimia nervosa (BN). 
Tais distúrbios, podem ser desencadeados e sustentados por diversos motivos.

  •   tendência contemporânea de que, o que dita a beleza e o sucesso são corpos modelados e esculturais, sinônimo de sucesso e desejo. 
  • Os padrões com corpos esguios, causam nos jovens, principalmente, uma confusão, entre o que realmente é belo e saudável e o que é patológico. 
  • temos também os conflitos psíquicos, os relacionamentos familiares, que por sua vez, assim como no primeiro caso, trazem à tona toda a problemática que estes transtornos causam nas pessoas, afetando sobremaneira a subjetividade do sujeito (DALTROSO, 2018) 
Os transtornos alimentares são caracterizados por:

  • uma perturbação persistente na alimentação ou no comportamento relacionado à alimentação que resulta no consumo ou na absorção alterada de alimentos e que compromete significativamente a saúde física ou o funcionamento psicossocial. 
  • São descritos critérios diagnósticos no DSM-5, 2013 para:
    •  pica, 
    • transtorno de ruminação, 
    • transtorno alimentar restritivo/evitativo, 
    • anorexia nervosa, 
    • bulimia nervosa, 
    • transtorno de compulsão alimentar. 
  • Esses critérios diagnósticos, com exceção do diagnóstico de pica, resultam de um esquema de classificação mutuamente excludente.
    • durante um único episódio, apenas um desses diagnósticos pode ser atribuído.
    • Somente o diagnóstico de pica pode ser atribuído na presença de qualquer outro transtorno alimentar.
Por que a obesidade não está inclusa no DSM-V?
  • A obesidade (excesso de gordura corporal) resulta do excesso prolongado de ingestão energética em relação ao gasto energético. Uma gama de fatores genéticos, fisiológicos, comportamentais e ambientais que variam entre os indivíduos contribui para o desenvolvimento da obesidade; dessa forma, ela não é considerada um transtorno mental. 
Associações entre obesidade e uma série de transtornos mentais
  •  transtorno de compulsão alimentar, 
  •  transtornos depressivos 
  • transtorno bipolar, 
  • esquizofrenia. 
Os efeitos colaterais de alguns medicamentos psicotrópicos, segundo o DSM-V (2013): 
  • contribuem de maneira importante para o desenvolvimento da obesidade, 
  • obesidade pode ser um fator de risco para o desenvolvimento de alguns transtornos mentais (por exemplo, transtornos depressivos)
Referências:

O Comportamento e os Hábitos Alimentares

 O aconselhamento ou educação alimentar

 Processo pelo qual os clientes, ou pacientes, são efetivamente auxiliados a selecionar e implementar comportamentos desejáveis de alimentação e estilo de vida.

O que se esperar com esse processo?

Mudança de comportamento, e não somente a melhora do conhecimento sobre nutrição.

Comportamentos que atrapalham na educação alimentar:

A depressão, a negação, a raiva ou a barganha. Não reconhecer que realmente precisa mudar os hábitos. O desejo interno de cada indivíduo é determinante no sucesso.

Quem é o educador alimentar e o que faz?

O educador alimentar é apenas um facilitador das mudanças de comportamento. 

Ele dá apoio emocional, auxilia na identificação de problemas alimentares e de estilo de vida, sugere comportamentos a serem modificados e facilita a compreensão e o controle do cliente (CUPPARI, 2014). 

Comportamento Alimentar

São todas as práticas relativas à alimentação, como seleção, aquisição, conservação, preparo e consumo de alimentos. 

É um componente da personalidade de um indivíduo e visa a satisfazer não apenas às necessidades nutricionais, como também às psicológicas, sociais e culturais. 

O processo de formação do comportamento alimentar 

Tem bases fixadas: na infância, nas crenças, nos valores e nos tabus - que passam por gerações. 

As práticas alimentares adquiridas na primeira infância, principalmente por imitação e condicionamento, ficam arraigadas no indivíduo e trazem uma forte carga emocional, difícil de modificar.

Como modificar o comportamento alimentar?

Pode se modificar espontaneamente em função de mudanças do meio, como poder aquisitivo e disponibilidade de alimentos, importância social deles, nível de escolaridade ou grau de exposição do indivíduo aos canais de comunicação. (CUPPARI, 2014).

Pode se modificar por causa de alterações relacionadas às necessidades psicológicas, como autoconceito, aprovação social e segurança (CUPPARI, 2014).

O que é preciso avaliar antes do planejamento, execução e avaliação de intervenções e de programas de educação alimentar?

O componente cognitivo 

  • corresponde àquilo que o indivíduo sabe sobre os alimentos e nutrição. 
  • influencia, em maior ou menor grau, o comportamento alimentar. 
  • Existem dois tipos básicos de conhecimento sobre nutrição:
    •  o científico não influencia consideravelmente o comportamento alimentar, pois nem sempre é compatível com as condições do meio em que o indivíduo vive.
    •  não científico (mitos, crenças ou tabus). 

O componente afetivo 

  •  corresponde àquilo que se sente sobre os alimentos e as práticas alimentares.
  • São as atitudes que predispõem cada indivíduo a determinado comportamento alimentar (CUPPARI, 2014). 
  • envolve todos os motivos intrínsecos relacionados aos valores sociais, culturais, religiosos e significados diversos que são atribuídos aos alimentos. 
  • diz respeito, exatamente, às outras necessidades que são satisfeitas pela alimentação, além das fisiológicas. 
  • Em geral, as necessidades fisiológicas, quando satisfeitas, têm importância relativamente pequena na determinação do comportamento humano. As psicológicas, por sua vez, nunca são inteiramente satisfeitas. Por isso, são determinantes importantes do comportamento, inclusive do alimentar (CUPPARI, 2014). 
Componente situacional 

  •  é determinado pelos fatores econômicos que limitam a adesão a uma prática alimentar correta. Isso quando ela depende do aumento dos gastos com alimentação, e não apenas de uma realocação de recursos. 
  • Os fatores situacionais, que podem se apresentar como facilitadores da prática desejada, ou como barreira para ela, são de três tipos, segundo Cuppari (2014): 
    • normas sociais e padrões culturais, 
    • apoios estruturais 
    •  coerção social 
Referências:

terça-feira, 23 de agosto de 2022

Como lidar com Cirurgias Reparadoras após a Bariátrica?

  A obesidade mórbida é doença classificada expressamente na Classificação Internacional de Doenças - CID, é reconhecida e catalogada no Ministério da Saúde como moléstia, e tem procedimentos cirúrgicos previstos na tabela da Associação Médica Brasileira, que são as as cirurgias bariátricas, contudo, implica em consequências, como a necessidade de fazer cirurgias reparadoras para retirada de excesso de peles. 

E como lidar com essa realidade com Saúde Mental?

A perda excessiva de peso, gera um excesso de pele que causa uma série de desconfortos do ponto de vista emocional e psicológico relacionados a autoimagem, nova imagem corporal, autoaceitação, autoestima, questões que afetam a saúde mental do paciente obeso. Além disso, patologias físicas como assaduras, micoses, dermatite, maceração de pele, etc., que demanda cuidados médicos específicos.

Tipos de Cirurgias Reparadoras:

  • Braquioplastia ou dermolipectomia braquial para retirada de excesso de pele embaixo do braço.
  • Mamoplastia - redução de mamas
  • Abdomioplastia - retirada excesso de pele da barriga
  • Dermolipectomia crural para coxas.
O Ministério da Saúde, ao estabelecer quais os procedimentos cobertos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), assegura o atendimento de Cirurgia Plástica Corretiva pós Gastroplastia, ou seja, garante o tratamento do obeso através de braquioplastia; mamoplastia; abdominoplastia; e/ou dermolipectomia crural, conforme o caso, após a cirurgia bariátrica.

Importante destacar que todas essas cirurgias reparadoras trazem um impacto psicoemocional e social sobre a vida do paciente, que precisa ser olhado, cuidado em acompanhamento psicológico.

Referências: A Cirurgia Bariátrica o psicólogo e a avaliação psicológica. Pós-Graduação latu-senso em Transtornos Alimentares, Obesidade e Cirurgia Bariátrica.

sábado, 20 de agosto de 2022

Atuação da Psicóloga no processo de Cirurgia Bariátrica

  Os fatores psicológicos podem influenciar negativamente no resultado do processo cirúrgico trazendo prejuízos ao tratamento

A psicóloga precisa...

...avaliar as condições emocionais do paciente para passar pelo procedimento bariátrico

...levar em conta todas as mudanças que irá enfrentar no pós-operatório.

...entender que o paciente traz consigo um histórico relacionado à obesidade e tentativas frustradas de emagrecimento.

...conhecer as dificuldades cotidianas ligadas ao excesso de peso

...investigar doenças associadas à obesidade

...saber se faz uso de fármacos

...saber se tem vícios 

... entender como o paciente lida com as pressões sociais

...conhecer seu nível autoaceitação

...autopercepção e autoimagem corporal

... autoestima, estado de humor

...se tem qualidade do sono

... conhecer vida social e profissional

...compreender o modo das relações consigo, com os outros e o meio em que vive.

... levantar a histórico clínica do paciente, como estilo de vida, hábitos, comportamentos, relacionamentos, sentimentos, pensamentos, atividades.

... investigar sobre início da obesidade e fenômenos associados ao contexto

...conhecer padrões familiares

... entender tentativas falhas de emagrecimento

 ...entender as expectativas e idealizações quanto ao procedimento cirúrgico.

...verificar existência de compulsões, crises transtornos, estresses, ansiedades, depressão, etc.

...identificar a capacidade de enfrentamento diante de estresse e tensão.

...entender a função do alimento na vida do paciente- se prazer, ansiedade, depressão, ou fome fisiológica.

...entender sentimentos relacionados como raiva, culpa, frustração, abandono, insegurança, angústia, arrependimento.

...investigar o comer compulsivamente, distorções de imagem corporal, bulimia nervosa, transtornos depressivos e ansiosos longos e repetitivos, para tratá-los antes da cirurgia.

...avaliar a capacidade do paciente de mudar de atitudes e hábitos

...entender como se ajusta diante de frustrações, desequilíbrios

... esclarecer que emagrecimento não é mágica e que precis a se responsabilizar e se comprometer pelo seu processo com a equipe.

... desmistificação a anestesia e cirurgia.

... enfatizar a importância do engajamento da familiar no processo

... trabalhar a desconstrução do corpo obeso, encoberto pela gordura. Desconstruir os ganhos que a obesidade lhe proporciona e reconstruir uma nova imagem que o leve ao peso ideal.

Posicionamento da Psicóloga após avaliação dos aspectos acima:

  • Indicação de acompanhamento anterior à cirurgia bariátrica, quando o paciente necessita de intervenções psicológicas antes de realizar o procedimento.
  • Indicação de acompanhamento psicológico no pós-bariátrica, voltado par adaptação ao novo estilo de vida e como isso afetas as relações consigo, sociais, familiares, profissionais, na autoimagem, na compreensão sobre si mesmo, expectativas sobre futuro, etc.

As mudanças para o paciente bariátrico...

  • ...vai além da condição estética
  • ...nova percepção sobre autoimagem corporal
  • O corpo ideal do paciente obeso, pode estar em desacordo com o seu corpo real e o desejável
O sucesso da Cirurgia bariátrica...
  • ocorre  quando o paciente consegue se comprometer não só as mudanças físicas em relação ao seu corpo, mas também às mudanças psíquicas (autoimagem, uma nova identidade que vai se estabelecendo aos poucos), resgate da autoestima, pois mente e corpo são inseparáveis e ajustar estes dois aspectos comporta um tratamento completo. A cabeça precisa acompanhar as  mudanças do corpo que a Bariátrica possibilita.
Pacientes contraindicados do ponto de vista emocional:
  • Alcoólatras
  • Risco de suicídio
  • Viciados em drogas ou com história importante de uso anterior.
  • Psicóticos sem tratamento medicamentoso.
  • História de Bulimia sem evolução
  • déficit intelectual sem ajuda adequada da família
  • depressão severa sem controle medicamentoso
Alguns meses após a Cirurgia bariátrica....
  • adaptação a novos hábitos é esperada
  • mudanças emocionais decorrentes das mudanças de hábitos é esperada.
  • serão submetidos constantemente a testes, exigindo novos esforços emocionais e comportamentais.
  • espera-se aceitação do novo estilo de vida.
  • superação de questões emocionais antigas
  • adesão total ao tratamento multidisciplinar, etc.
Referências: A Cirurgia Bariátrica o psicólogo e a avaliação psicológica. Pós-Graduação latu-senso em Transtornos Alimentares, Obesidade e Cirurgia Bariátrica.

Avaliação Psicológica para Cirurgia Bariátrica

  1. É preciso compreender as expectativas que a pessoa projeta sobre a Cirurgia Bariátrica e se são, funcionais ou disfuncionais.

Ao se submeter à Cirurgia Bariátrica ocorrem mudanças que exige preparo psicológico. A seguir alguns aspectos que precisam ser olhados cuidadosamente numa avaliação psicológica para a cirurgia bariátrica.

  • Como lida com o estresse do emagrecimento , devido a diversas tentativas frustradas de dietas médicas, de nutricionistas, das mídias e dos amigos?
  • Quais as expectativas sobre o procedimento cirúrgico, o que se espera do procedimento?
  • Existem Transtornos alimentares associados, como compulsão pela comida associada a cargas emocionais que afetam o obeso?
  • Existem questões emocionais mal resolvidas, na causa e nas consequências decorrentes da obesidade?
  •  Como são os conflitos com sua autopercepção, autoimagem e autoestima?
  • Existem Problemas físicos, comorbidades associada a obesidade?
  • Como lida com Pré-conceitos, não pertencimento, autoaceitação negada, como não sentar em determinadas cadeiras, não passar nas catracas de ônibus, etc?
  • Existem Transtornos de Saúde Mental pré-existentes? Como compulsões, crises de ansiedade, fantasias acerca do emagrecimento, relação com o alimento, depressão, etc.
  • Como vai lidar com o fato de não poder comer tudo o que gostaria, na quantidade e na hora que gostaria, e como isso afeta seu relacionamento pessoal e social?
  • História clínica do paciente: estilo de vida, hábitos, costumes, atividades, relacionamentos, pensamentos, sentimentos e comportamentos.
  • Investigar início da obesidade, padrões familiares, como lidam com a doença, prejuízos causados na sua vida, casos de obesidade na família, autoestima, autoimagem corporal, estado de humor, qualidade do sono, vida social,    vida profissional.
  • Capacidade de manutenção do controle frente a situações de estresse/tensão e aspectos psicossociais que podem comprometer os resultados.
EXPECTATIVAS DO PACIENTE SOBRE O PSICÓLOGO
  • Medo de que o psicólogo tente convencê-lo a não realizar a cirurgia bariátrica.
  • Pressa na avaliação, para conseguir o relatório de apto a realizar o procedimento cirúrgico.
  • "Preguiça" nessa etapa, por acreditar não ser necessário. Negligência com a Saúde Mental.
MISSÃO DA PSICÓLOGA NA AVALIAÇÃO PARA CIRURGIA BARIÁTRICA

Preparar a pessoa para um etapa importante em sua vida.
  • Mudanças no corpo físico - Saúde Física
  • Mudanças no comportamento relacional - Saúde Mental
  • Mudanças no comportamento alimentar - Saúde Nutricional 

PSICÓLOGA E EQUIPE MULTIDISCIPLINAR - REQUISITOS NECESSÁRIOS PARA UMA AVALIAÇÃO CRITERIOSA:

  • Entendimento sobre Obesidade, enquanto doença pandêmica, crônica, dispendiosa e multifatorial e com morbidades e mortalidades elevadas (OMS).
  • Percepção sobrea intervenção cirúrgica como uma das etapas do tratamento.
  • Conhecimento sobre critérios de indicação:
    • IMS-Índice de Massa Corpórea
    • Comorbidades
    • Insucesso de tratamentos anteriores
    • Apoio familiar
  • Pré-existência de transtornos psicológicos mais graves que podem inviabilizar o procedimento cirúrgico:
    • Transtorno Bipolar
    • Esquizofrenia 
    • Depressão maior sem tratamento adequado
    • Dependência Química
  • Percepção Social diferenciada, discriminação e exigência social.
  • Relação entre comer e fatores emocionais
  • Manutenção e cautela para encaminhamento para tratamento antes de realizar o procedimento cirúrgico, quando necessário.
  • Identificar preditores de sucesso pós-operatório
  • Investigar previsão e disponibilidade da pessoa para realização de monitoramento após-cirurgia, inclusive com acompanhamento psicológico pré e pós-operatório.
  • Conscientizar sobre implementação de mudanças nos hábitos da vida permanentes: ajustes no padrão alimentar, exercícios físico, etc.
  • Métodos e técnicas psicológicas mais utilizados:
    • Consulta Psicológica - entrevista inicial ampla e detalhada - anamnese
    • Aplicação de Testes psicológicos como os de personalidade, de inteligência para analisar habilidade intelectual do paciente.
    • Entrevista Devolutiva com entrega de Relatório Psicológico.
Referências: A Cirurgia Bariátrica o psicólogo e a avaliação psicológica. Pós-Graduação latu-senso em Transtornos Alimentares, Obesidade e Cirurgia Bariátrica.