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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

Referencial Teórico-Metodológico

  •  toma como modelo metodológico a fenomenologia social, assim como proposta por Peter Berger (Berger et al. 1979; Berger, 1994 e Berger & Luckmann, 1996) e Alfred Schutz (1972, 1974 e em Wagner, 1979), pela possibilidade que esta nos oferece de acesso e compreensão simultâneos da experiência humana individual e social, subjetiva e intersubjetiva, pessoal e coletiva.
  • O fenômeno...
    •  é aquilo que se mostra. Isso comporta uma afirmação tríplice: 
      • 1º - existe uma coisa; 
      • 2º - esta coisa se mostra; 
      • 3º - isto é um fenômeno pelo próprio fato de se mostrar. 
    • Acontece que o fato de se mostrar interessa tanto àquilo que se mostra, como àquele a quem é mostrado. ( Leeuw, 1970 p. 674). 
    • A realidade só pode ser conhecida se existir alguém.
    • a realidade aparece sempre para nós como realidade-apreendida-por-alguém, ou seja, fenômeno.
    • O fenômeno, portanto, não é nem a realidade em si mesma (a coisa em si mesma, objetiva por si mesma) nem uma criação subjetiva.
    • É justamente aquilo que se constitui quando me dirijo para essa coisa exterior a mim, que se mostra a mim, e que por isto só pode ser conhecida na sua relação comigo. Para a fenomenologia (Dartigues, 1973; Giles, 1975; Husserl, 1996; Zilles, 1994) o que me permite entrar em contato com a realidade, por meio dos fenômenos, é a consciência.
A consciência...
  • apresenta certas características que determinam nossa maneira de conhecer a realidade. 
  • A característica fundamental da consciência é a intencionalidade. 
  • A intencionalidade é justamente a capacidade da  consciência de se dirigir para as coisas, de se dirigir para aquilo que se mostra. 
  •  Ao nos dirigirmos para o que se mostra apreendemos aquela realidade de uma maneira humana. 
  • Por meio dos fenômenos apreendemos aspectos desta, a conhecemos, parcial e progressivamente.
  • o conhecimento que vamos ter do fenômeno depende da maneira como o visamos.
A fenomenologia aponta então para uma ontologia regional...
  • implica na realidade  mais ampla do que aquilo que conhecemos dela. 
  • No intuito de aproximar melhor da essência de qualquer coisa, da essência do fenômeno que visamos, torna-se necessário, então, buscar conhecer como outras pessoas, outras consciências, visaram aquele mesmo fenômeno, ou seja, como aquele fenômeno se constituiu para essas outras pessoas. 
  • recolhendo visadas diferentes do mesmo fenômeno podemos conhecê-lo melhor, aproximando-nos de sua essência.
  •  cada um tem seu próprio jeito de se relacionar com o fenômeno e de se preocupar ou não em conhecê-lo mais.
Nossas experiências passadas e a cultura à qual pertencemos também vão formar a compreensão que temos de um dado fenômeno. 
  • O horizonte no qual estamos inseridos influi na nossa apreensão da realidade, porque nascemos em um mundo com o qual não temos apenas um contato direto, mas também um contato por intermédio do que outras pessoas já constituíram, significaram e conheceram deste mundo.
  •  Aqui se apresenta a importância da intersubjetividade para o conhecimento da realidade
    • não aprendemos somente por meio de nossas experiências diretas com a realidade, mas também com as experiências que outras pessoas tiveram com esta. 
    • A ideia que temos de um objeto depende então das diferentes perspectivas pelas quais já o visamos, incluídas nestas as perspectivas que pudemos visar a partir do que aprendemos com a experiência de outras pessoas. 
    • O que torna um grupo de pessoas um grupo cultural distinto de outro é justamente a maneira específica pela qual este grupo aprendeu a compreender e a manipular a realidade. 
    • Este conhecimento do mundo é passado adiante para as novas gerações que podem modificá-lo ou não, dependendo de como o conhecimento obtido é de fato eficiente para lidar com a realidade. 
    • Assim, culturas diferentes podem compreender aspectos da realidade de maneiras mais eficientes ou menos eficientes, mais precisas ou menos precisas, mais completas ou menos completas, de acordo com seus interesses, possibilidades e necessidades. 
    • Isso acontece justamente porque cada aspecto da realidade que uma dada cultura conhece pode ter sido apreendido de maneira diferente daquela que outra cultura utilizou para apreender o mesmo aspecto.

Husserl (1996) denominou de mundo-da-vida este mundo da vida cotidiana, pré-científico, pré-reflexivo e intuitivo, mundo da vida prática
  • O mundo-da-vida não é somente o conjunto das coisas físicas, mas é constituído por toda a bagagem de experiências vivenciais que cada ser humano possui e compartilha com o grupo ao qual pertence. Na verdade, representa a totalidade do mundo físico, intelectual e cultural no qual estamos mergulhados e que reconhecemos mais ou menos de forma consciente como sendo o nosso mundo. (Bello, 1998: 38)
  • o sujeito inserido no mundo-da-vida é um sujeito inserido em um mundo de fenômenos já apreendidos pela sua consciência
  • é um sujeito inserido em um mundo de coisas que ele, até um certo ponto, já conhece. 
  • A importância do mundo-da-vida para o sujeito é justamente a de possibilitar-lhe estar presente na realidade, ao organizá-la de maneira que esta não seja caótica demais.
  •  O mundo-da-vida é a realidade ordenada que dá sentido à nossa vida (Berger et al., 1979)
  • O mundo-da-vida é formulado a partir de significados compartilhados coletivamente. 
  • Sujeitos que compreendem a realidade de maneira similar são, assim, habitantes do mesmo mundo-da-vida. Outros sujeitos que a compreendam de outra maneira habitam outro mundo-da-vida. 
  • O que vai fazer com que uma cultura ou outra mantenha ou não sua maneira de compreender e atuar frente à realidade é a capacidade que os instrumentos e significados culturais presentes nesta tenham de, no concreto da vida, ser suficientemente eficientes para dar conta da realidade, e a capacidade destes serem mantidos coletivamente.

Psicologia Social Fenomenológica

 A Fenomenologia...

  • é a resposta encontrada por Edmund Husserl, na primeira década do século XX para compreender como nós, humanos, podemos conhecer uma realidade que é exterior a nós e que é diferente de nós, chegando a um conhecimento absoluto do que estamos conhecendo?
  •  para chegarmos aos fundamentos verdadeiros do  conhecimento, nos questionarmos primeiro sobre como concebemos este mundo, inclusive porque esta concepção é um conhecimento. Assim começa a crítica de Husserl a este tipo de ciência: ela seria incapaz de alcançar aquilo a que se propõe, que é conhecer de fato a natureza, pois depende de algo anterior, mais radical, inclusive para que possa existir. 
  • Ao reduzir o todo às partes, por exemplo, perde-se o todo, cujas propriedades são diferentes. 
  • Para adaptar o mundo ao método científico fazemos as coisas deixarem de ser o que são para nós.
  •  O mundo como aparece na nossa experiência cotidiana, ou como o chama Husserl, o mundo-da-vida (ver abaixo) é transformado e colocado em oposição ao mundo físico, que seria na lógica objetiva, o verdadeiro mundo.
  • Husserl propõe então a fenomenologia, buscando uma filosofia sem pressuposições. Mas como isto seria possível? Através do retorno à consciência que temos das nossas próprias experiências e da consciência que temos de ter uma consciência.
  • A realidade “eu penso” é inegável. O trabalho da fenomenologia, a possibilidade de uma ciência verdadeira seria então partir desta consciência para conhecer o mundo
  • Na verdade, sem a consciência, não perceberíamos nada do mundo; o mundo não existiria para nós e não o conheceríamos.
  •  Husserl não está negando a existência de um mundo real, mas afirmando que as coisas deste mundo só existem para mim e tem significado porque minha consciência se dirige a estas. Aqui surge uma noção fundamental da fenomenologia, que é a noção de intencionalidade, que permite a integração sujeito-objeto.  
Noções Fundamentais...

1. A Intencionalidade 
  •  A consciência é sempre ‘consciência de’, é sempre uma consciência que se dirige para as coisas. 
  • é uma estrutura básica da consciência que possibilita a relação entre esta e o objeto, entre o sujeito e o mundo.
  • Através dela doamos ativamente sentido ao mundo, que supera a si mesmo enquanto coisa, transcendendo sua existência real, justamente por ser apreendido em sua relação com a consciência. O mundo é então, para nós, fenômeno, assim como tudo mais. 
  • A própria consciência é para nós um fenômeno e não uma coisa. 
  •  Sujeito e objetos ficam inseparáveis. Sem qualquer um destes a consciência e o mundo seriam incompreensíveis (Gilles, 1975). 
  • Nessa perspectiva já não interessa mais saber o quanto nossa visão do mundo é verdadeira ou falsa, ou seja, corresponde ou não ao mundo real, fora de nós.
  •  O mundo que nos interessa é o mundo enquanto fenômeno, intencionado, pois se é este o mundo com o qual temos contato, é ele que precisamos conhecer. 
 2. O critério de verdade 
  •  Se, como coloca Gilles (1975:145), “...descobrirmos a realidade como esta se apresenta para nós humanos, aonde esta se encontra, ou seja, na nossa consciência intencional, chegando à essência da maneira humana de dar significado às coisas e conhecer seu mundo, conhecemos a realidade de uma forma totalmente verdadeira, suficiente e necessária para nós.” 
  • Ou seja, atingimos os critérios necessários para uma verdadeira ciência, chegamos a um conhecimento absoluto.
  •  Teremos uma descrição pura. É o retorno às coisas mesmas, ou seja, às coisas intencionadas, os fenômenos, pois são estes que têm sentido para nós.
  • Diferentemente da lógica objetiva ou naturalista não nos fundamentamos no a priori universal que é o mundo-da-vida mas partimos de algo mais radical que o possibilita. 

 3. A ontologia regional 
  •  Podemos considerar a consciência como lidando com os objetos empiricamente mas também a consciência como algo anterior, transcendental, que constitui estes objetos.
  •  Aqui cabe distinguir noesis e noemas. 
    • As noesis são os atos com os quais a consciência visa algo, através da intencionalidade. Estes atos são a percepção, a imaginação, a especulação, dentre outros. O que é visado por estes atos são os noemas. 
    • “No nível empírico, as noesis são atos psicológicos e individuais para conhecer um significado independente deles. 
    • No nível transcendental, as noesis são os atos do sujeito constituinte que cria os noemas enquanto puras idealidades ou significações. 
    • As noesis empíricas são passivas pois visam uma significação pré-existente; 
    • as noesis transcendentais são ativas porque constituem as próprias significações ideais (Chauí, 1991)”. 
    • Assim sendo, quando o psicólogo naturalista reduz a ideia de um objeto à associação de percepções e sensações, ele está confundindo noema e noesis. Confunde os atos empíricos que o sujeito realiza para alcançar tal ideia com a própria ideia. 
    • Um noema qualquer, como por exemplo um cubo, pode ser visado por noesis diferentes, como pela percepção ou pela imaginação. 
    • Cada ato intencional vai me revelar uma parte da realidade deste cubo, uma região do ser deste. E o sentido que vou atribuir a este objeto, vai depender de como este foi visado. 
  • A fenomenologia é então uma ontologia regional pois o ser é estruturado diferentemente, de acordo com a maneira pela qual é visado pela consciência. 
  •  Viso cada objeto de maneira diferente, de acordo com o contexto ou horizonte no qual este se encontra, e também porque este objeto se apresenta a nós com suas características próprias, sua essência, que o faz diferente dos outros, único, reconhecível como aquele objeto e não como um outro. 
  • Podemos dizer que a ideia que temos de um objeto sintetiza as diferentes perspectivas que já visei deste. 
  • Na atitude natural nós acreditamos que esta ideia é idêntica ao objeto. Ele aparece para nós como algo total e fechado, o que permite sua imanência na nossa consciência. Mas este objeto, justamente por poder ser visado por outras noesis, tem sempre algo de inacabado e de desconhecido. 
  • Se podemos perceber uma mesma coisa de maneiras diferentes, a percepção, neste sentido, é sempre incompleta. Mas já que cada percepção tem o seu horizonte aperceptivo ou seja, é completada por nós com outros conteúdos que já apreendemos ou por pistas do contexto, sempre temos uma noção do objeto, da realidade, do nosso mundo, que é para nós total e completa, até que algo em nossa vivência do mundo venha nos mostrar outras perspectivas ou colocar em cheque nosso conhecimento deste mundo. 
  •  A fenomenologia, para chegar ao conhecimento do mundo, da essência dos fenômenos, parte do nosso mundo cotidiano de experiências, ou mundo-da-vida e o questiona através de uma redução bem diferente daquela do reducionismo mecanicista, que é chamada de redução fenomenológica da qual trataremos mais adiante. 
4. A atitude natural e o mundo da vida 
  • Como dissemos, Husserl parte da nossa própria experiência de existir, da evidência de que temos consciência de nós pelo próprio fluxo da nossa consciência, do qual não podemos duvidar (e mesmo se duvidarmos ainda assim estaremos ‘sendo’, teremos evidência, pois estaremos pensando) para construir uma ciência verdadeira.
  •  É a partir do estudo da nossa experiência cotidiana e do trabalho que nossa consciência faz para nos possibilitar lidar com o mundo, através da intencionalidade, que podemos conhecer o mundo enquanto mundo que faz sentido para nós.
  •  Mas quando estamos no nosso dia-a-dia, não ficamos pensando na nossa consciência como doadora de sentido ou questionando os objetos para encontrarmos sua essência. Admitimos o mundo como se apresenta a nós. Acordamos, trabalhamos, estudamos, namoramos, agimos como agimos porque agimos... Vivemos na chamada atitude natural, que é pragmática, utilitária e supostamente realista (Wagner, 1979). 
  • Vivemos em um mundo intuitivo cuja realidade, como aponta Berger (1979) é ordenada e dá sentido à nossa existência. É o mundo-da-vida, onde lidamos com pessoas, com nossos interesses, onde realizamos planos e temos nossas experiências cotidianas. 
  •  O mundo-da-vida é o mundo da cultura e o mundo da intersubjetividade. 
 5. A intersubjetividade e a cultura 
  •  O mundo-da-vida é um mundo ao mesmo tempo pessoal e coletivo. É um mundo que compartilho com os meus semelhantes. 
  • Ao nascer já entro em contato com um mundo que existia antes de mim, cujos habitantes, em sua história, desenvolveram seu modo particular de manipular a realidade e construíram nesta um certo sentido para sua existência, sentido este que os orienta em relação a seus projetos, dá finalidade a seus objetos e se relaciona com o significado dado a vários fenômenos com os quais convivem. Entro em contato com um mundo que já é um mundo da cultura. 
  • Minha consciência, ao trabalhar para constituir o mundo para mim, apreende esta cultura, através da intencionalidade e não mecanicamente. 
  • “O indivíduo faz esforços para compreender este mundo e como foi preestruturado cognitivamente” (Wagner, 1979) e utiliza este conhecimento para continuar se relacionando com o mundo. 
  •  “Essa visão do mundo contém não só a interpretação mais geral do lugar da comunidade entre outras comunidades humanas, e com relação aos reinos da natureza, do cosmo e do sobrenatural, como também a dos muitos costumes e normas que regulam a conduta humana e mais as muitas receitas de comportamento prático nos campos sociais e também nos técnicos.” 
  • Essa cultura passa a ter para mim um significado. E se torna então uma cultura compartilhada, constituída por minhas experiências vivenciais e também pelas experiências vivenciais do meu grupo, o que Husserl chamou de mundo circunstante. Cada cultura é uma cultura diferente da outra pois tem um mundo-da-vida que lhe é próprio. 
  • Podemos encontrar as especificidades de cada cultura, a estrutura global de significação que a fundamenta e é compartilhada por seus membros, ou então localizar estruturas semelhantes em culturas diferentes, sendo que as duas maneiras se complementam para que possamos compreender o mundo-da-vida na sua essencialidade.
  •  Constituo então, o meu mundo-da-vida, através do “...intercâmbio entre a pluralidade de constituições dos vários sujeitos existentes no mundo, realizado através do encontro que se estabelece entre eles.” (Husserl, citado por Gilles, 1975) 
  •  Reconhecemos o outro pelos seus movimentos, pelos sons de sua fala, pela sua semelhança com a percepção que temos de nós mesmo. 
  • A intersubjetividade
    •  se torna então algo fundamental para o meu próprio contato com o mundo. 
    • o contato com o outro, o compartilhar uma visão comum do mundo é possível pela significação coletiva atribuída ao mundo, mantida na história deste grupo e retomada por cada novo membro. É assim que se criam e se mantêm as tradições. 
    • A tradição tem seu sentido resinificado no presente, o que diminui a distância entre passado e o presente.
    •  Duas pessoas nunca vivenciam uma situação de uma mesma forma porque cada uma vive em sua própria situação histórica determinada. 
  • Cada situação com a qual nos deparamos está inserida em um contexto histórico e é me aparece com um sentido ‘x’ ou ‘y’ justamente porque minha maneira de constituir o mundo me faz vê-la assim. 
  • O presente depende do passado, pois é este que me coloca no presente e me permite lidar com ele, mas também depende do futuro, pois visando alcançar um certo futuro, um objetivo, também oriento minhas ações presentes. Mesmo o que planejo para o futuro depende de meu passado. Assim nossa experiência vai sempre estar inserida em um horizonte, que se estende ao passado e ao futuro. 
  •  Como diz Ricouer, o horizonte de espera: “...inclui a esperança, o medo, o desejo e o querer, a preocupação, o cálculo racional, a curiosidade, todas as manifestações privadas ou comuns que miram o futuro.
  •  A experiência de espera em relação ao futuro está inscrita no presente. É o futuro feito presente.”. (Ricouer, 1995:941) Os acontecimentos do passado não são simples fatos. Fazem parte de uma vivência que tem um significado e é esta vivência, com seu sentido, que determina o presente e o futuro. 
  •  Nos orientamos no mundo “...a partir da experiência que armazenamos e do estoque de conhecimentos que temos à mão” (Wagner, 1979). O mundo-da-vida é então coerente e me permite lidar com a realidade até que surjam contradições neste estoque. Quando estas se evidenciam me mobilizo para diminuí-las, eliminando-as ou ampliando meu mundo-da-vida para abarcá-las. 
  • A atitude natural é tipificada e nela nosso conhecimento dos objetos é parcial. Para chegarmos a essência destes precisamos refletir sobre este conhecimento. A fenomenologia faz isto através da redução fenomenológica.
6. Redução fenomenológica eidética e transcendental
  •  A redução fenomenológica, ou epoquê, e o recurso da fenomenologia para chegar ao fenômeno como tal ou à sua essência. 
  • Ela é uma suspensão da tese natural do mundo. 
  • É a colocação da existência efetiva do mundo exterior ou do entendimento do fenômeno dado pelo mundo da vida entre parênteses. Nos voltamos para o fenômeno deixando de lado qualquer concepção anterior que possamos ter sobre este, como preconceitos, na tentativa de compreendê-lo assim como é.
  • Podemos diferenciar dois tipos de redução fenomenológica: a eidética e a transcendental. 
  •  Na redução eidética...
    •  buscamos o significado ou a essência do objeto que estudamos.
    •  Podemos buscar por exemplo a essência do fenômeno amizade, a essência do que seja um livro, a essência do que vem a ser o psíquico, a essência de uma cultura, ou seja, a estrutura de sentido a partir do qual esta se constitui.
    •  É uma redução voltada para os objetos já intencionados pela consciência. 
  •  Na redução transcendental...
    •  visamos a essência da própria consciência e de seus atos, enquanto consciência que constitui o mundo. 
    • E enquanto consciência que se percebe, ou melhor, se constitui enquanto consciência. “Mediante sucessivas reduções, manifesta-se a intencionalidade psicológica com seus objetos, a intencionalidade transcendental, que pensa o mundo e o sentido do mundo, e, por fim, a intencionalidade criadora (idêntica ao movimento de redução), que faz o mundo aparecer” (pensadores). 
REFERENCIAS:
MONOGRAFIA: PSICOLOGIA SOCIAL FENOMENOLÓGICA: UM CAMINHO PARA O CONHECIMENTO RIGOROSO DAS RELAÇÕES ENTRE OS HOMENS E DESTES COM O MUNDO DANIEL MARINHO DRUMMOND

terça-feira, 14 de julho de 2020

Zeus e Hera - Aula 6 - Mitologia Grega e Psicologia Analítica

PADRÕES MITOLÓGICO ARQUETÍPICOS
  • Se são padrões vamos encontrar em todos os lugares do mundo, em todas as culturas.
  • Tudo o que é arquetípico encontramos em todas as partes do coletivo, por isso, estará em todas as partes independentemente da época da humanidade.
  • São padrões que regem a nossa funcionalidade, influenciam direta ou indiretamente na nossa maneia de pensar, de agir, de como sentimos. Estão em nosso inconsciente.
  • Na perspectiva da mitologia grega, as deusas e deuses são modelos de inspiração, mas jamais deverá ser um modelo de identificação, o qual deve ser seguido como o é.
  • estudar mitologia é oportunidade de fazer consciente, esses padrões incosncientes.
  • ZEUS, em grego Zeús,  divindade suprema. O Deus luminoso do céu, dos raios e do poder. Fecundador.
  • Figura heroica, promove a transformação sistêmica da humanidade.
Zeus transmite a expressão de um patriarca, de um líder, de que sempre estará ali no topo, alguém irá ditar as regras, as normas, os padrões a serem seguidos. trata-se um padrão de liderança e de comando. Isso não tem relação com a questão de gênero, feminino e masculino. Tanto homens como mulheres poder ter uma identificação arquetípica com o padrão de Zeus.

DIFERENÇA ENTRE ARQUÉTIPO E IMAGEM ARQUETÍPICA.
  • Arquétipo é o padrão, as características, o que define a imagem arquetípica.
  • Imagem Arquetípica é o simbolo: Zeus.
Tem pessoas que trazem em sua personalidade características desse arquétipo que a imagem arquetípica de Zeus traz em si. 

Zeus é um deus fecundador, ele dita as regras mas não necessariamente as segue. Ele não tem a ser um deus monogâmico, tendo uma abertura maior a relações extraconjugais. Esse padrão arquetípico mitológico de Zeus significa que há uma inclinação maior em ter esse tipo de comportamento, o que não quer dizer que, pessoas que carregam consigo esse arquétipo, terão esse tipo de comportamento poligâmico. Se identificar com o padrão não significa cumprir a risca.

DIAGNÓSTICO E PROGNÓSTICO AO OLHAR PARA O MITO

Olhar para a narrativa histórica que tem começo, meio e fim, vai se desencadear de determinada maneira, sendo um padrão arquetípico, universal, com garantia de que aquele padrão vai se repetir em algum momento de sua vida. 

O problema do arquétipo é que ao se identificar de forma acentuada com um arquétipo, pode ocorrer relações abusivas, ditatoriais, composta de soberba, coisas que permeiam as relações de poder nos meios sociais, política, se sobrepondo sobre outros que não carregam consigo esse mesmo padrão. Aí há uma grande dificuldade de abrir mão desse jeito de ser, sem ter consciência do quanto esse jeito de ser dominam sua personalidade,  é algo inconsciente, acaba se apoderando do livre arbítrio.

A análise terapêutica pode ajudar a essas pessoas na tomada de consciência sobre esse jeito que domina o indivíduo enquanto ele ainda permanece inconsciente, o que afeta ele e aqueles que estão a sua volta. Quando as pessoas ao redor também carregam esse padrão de ditar as regras, as normas, gera conflitos graves nas relações interpessoais.

GAIA DEUSA DA TERRA X ZEUS

Na última tentativa de tomar o pode das mãos de Zeus, para tomar o poder do Universo para suas mãos, ela cria um mostro chamado Tifão. O monstro vai contra Zeus e ele arranca os tendões de Zeus, que perdeu sua força, foi preso. Os deuses se reuniram, roubaram os tendões e levaram para Zeus, que acabou recuperando sua força, enfrentou o monstro tifão, e recuperou a sua força, a regência do Universo.

Numa relação em que a pessoa tem poder, dita regras, e tem relações extraconjugais, se identifica com os padrões mitológicos arquetípicos de Zeus, ao lidar com pessoas de mesma identificação inconsciente, entram sempre em conflitos.

A IDENTIFICAÇÃO  aprisiona a personalidade e restringe a expansão da consciência, 
A INSPIRAÇÃO com a consciência em relação a esses padrões, vai conferir uma força de ampliação da consciência e desenvolvimento da individuação.


DEUSA HERA
  • Irmã e esposa de Zeus, Hera, em grego Héra, significa a protetora, guardiã, conservar, velar sobre, julgadora de padrões e costumes, valores da consciência.
  • Parceria, encontro, vínculo, conhecer com (conhecimento), formar consciência.
Esse é um padrão arquetípico muito importante na construção e fortalecimento dos vínculos. defende o casamento, sempre dedicada, cúmplice, parceira de Zeus. 

Há coisas construtivas e fantásticas no desenvolvimento da personalidade, quando identificada por exemplo com os padrões de Zeus. Porém se a pessoa permanecer identificada apenas com o padrão arquetípico de Hera, e vivem exclusivamente para o outro, para a relação,  acaba tendo consequências prejudiciais no desenvolvimento da personalidade. Deixam de lado suas aspirações individuais, seus sonhos enquanto individuo, e passam a  viver o sonho da relação, do outro para o outro se anulando.Vive a vida do outro, prejudicando a saúde mental, física, emocional, minando a autonomia, a independência da pessoa enquanto indivíduo.

Hera acaba direcionando seu ciúmes, suas vinganças nunca para o próprio Zeus, mas sim, para as amantes, e filhos de Zeus, de fora do casamento. Hera tem uma tendência de nunca confrontar o parceiro. E as relações que não  constroem um dialogo aberto, em que parte dela acaba se calando, "engolindo sapo", acaba sendo uma relação prejudicial.

Hera desvia seu olhar da situação real, não enxergando a responsabilidade de Zeus, então culpa as amantes e os filhos fora do casamento. Pode ser uma excelente esposa, mas não necessariamente ser  uma boa mãe para seus filhos. Um jeito inconsciente de ser, o que pode tornar consciente quando a pessoa na análise percebe esse padrão.

Esse padrão mitológico arquetípico de Hera podemos ter uma fonte de inspiração em termos de relacionamento, de olhar para o outro, de considerar e velar a respeito da relação, como fonte de inspiração, jamais de identificação.


REFERÊNCIAS
Curso extracurricular de Mitologia e Psicologia Analítica
Instituto Freedom
Aula 6 - Zeus e Hera
Prof. Rangel Fabrete

domingo, 12 de julho de 2020

Mito: Eco e Narciso - ECOISMO - Parte II - Aula 5 - Mitologia Grega e Psicologia Analítica

ECOISMO

O perigo de se perder no outro.

Narciso mostra o perigo de se perder em si mesmo. Ecoismo é o perigo de se perder no outro. traz a ideia de que o outro é importante, de que devemos prestar atenção no outro o que seria importante, mas pode se tornar muito perigoso, quando a pessoa se dedica demais ao outro, observar e cuidar muito do outro, pessoas que vivem de viver a própria vida para viver a vida do outro, do parceiro. deixa de se desenvolver em detrimento da vida do outro. vai abrindo mão das coisas que dizem respeito a ela enquanto pessoa, abandonando seus projetos individuais, seus sonhos, etc.

Há aí uma relação de co-dependência em que as pessoas acabam se dedicando e cultivando a dependência em relação ao outro, acabando em relacionamentos tóxicos, autodestrutivos.  tornam-se adictos, escravos de padrões, vícios, que regem a vida da pessoa, sem ter autonomia sobre si sobre sua vontade.

Poeta Ovídio, Obra Metamorfoses III, Ano 8 D.C, escreveu o relato narcisista.

Em sua ingenuidade deseja a si mesmo,
A si próprio exalta e louva. 
Inspira ele mesmo os ardores sente.
É uma chama que a si própria alimenta.
Quantos beijos lançados às ondas enganadoras!
Para sustentar o pescoço ali refletido, quantas vezes
Mergulhou inutilmente suas mãos nas águas.
O mesmo erro que lhe engana os olhos, acende-lhe a paixão.
Crédulo menino, por que buscas, em vão, uma imagem fugitiva?
O que procuras não existe. Não olhes e desaparecerá o objeto de teu amor.

A IMPORTÂNCIA DA RELAÇÃO

  • Narciso comete violência contra Eros, Hamartia, passa por cima do métron, hybris, desmedida.
  • Formação de consciência, estar com. 

Hamartia esta no novo testamento que dá origem ao termo pecado, Em grego significa desvio de alvo , de meta, quando você desvia desse alvo desse objetivo, você cai e comete Hamartia(pecado).

O princípio do deus Eros é o estar junto, no relacionamento. Narciso despreza esse princípio. É na relação com o outro que adquirimos a consciência. Negar isso cai em Hamartia, cai em Hybris e passa a se achar e se sentir além daquilo que você é. Cai em desmedida. Ultrapassa os limites saudáveis da consciência.

CONHECE-TE A TI MESMO

 Tomar consciência é " conhecer com", um processo que envolve o dinamismo da vinculação e o princípio da relação. (Edinger,1989)

conhece quem você é em seus aspectos de luz e sombra. Para e presta atenção no seu jeito de ser. 

A vida é tão corrida, que andamos no piloto automático, permanecendo inconsciente sobre tudo que fazemos correndo no dia a dia. A correria não favorece ao desenvolvimento da consciência, estando com o outro na relação. formar consciência envolve a relação, o vínculo com o outro.

"O encontro de duas personalidades é como a mistura de duas substâncias químicas diferentes: no caso de se dar uma realçai, ambas se transformam." (Jung, OC XVI , 2012)

Jung fala que é na relação que ampliamos a consciência, é na relação com o outro que vamos desenvolver o processo de individuação. Isso se dá para todo e qualquer relacionamento.

"A nossa essência mais autêntica, a nossa dimensão interior emergem na sua máxima inteireza, com todas as sombras e luzes, justamente no âmbito de uma relação." (Aldo Carotenuto, 2005)

REFERÊNCIAS
Curso extracurricular de Mitologia e Psicologia Analítica
Instituto Freedom
Aula 5 - Mito: Eco e Narciso - parte II
Prof. Rangel Fabrete

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Capítulo I- O Behaviorismo ignora a consciência, os sentimentos e o estados mentais, não atribindo qualquer papel ao eu ou a consciência do eu? Luciane da Costa Barros

O Behaviorismo é comumente mal interpretado devido à sua preocupação com o rigor científico. Um dos maiores equívocos está na falsa concepção de que o Behaviorismo ignora os sentimentos, a consciência e os estados mentais (Skinner, 2003)

Inicialmente, entre os anos de 1930 e 1944, os estudos de Skinner estavam voltados para os comportamentos publicamente observáveis. Foi em 1945, ano que é considerado o marco de inicio do Behaviorismo Radical, que Skinner incluiu a análise da subjetividade em seus trabalhos (Costa. 2002). 

Para explicar a subjetividade. Skinner (1990) recorre às contingências ambientais que, segundo ele, atuam nos níveis filogenético. ontogenético e cultural - níveis de determinação do comportamento que serão abordados nos capítulos 2 e 3. 

A subjetividade é denominada, por Skinner, de eventos privados que, além de cnglobar os comportamentos encobertos (acessíveis diretamente apenas ao próprio indivíduo), inclui os estímulos internos (condição corporal e resposta emocional) (Skinner, 1998). 

Skinner trata a subjetividade ou eventos privados do mesmo modo que os comportamentos públicos, pois, para os behavioristas, cognição, estados mentais e emoção são comportamentos e, como tais, são funções do ambiente - sendo ambiente entendido como tudo que ocorre no universo que é capaz de afetar o organismo (Skinner, 1998). 

A condição corporal (dor, frio, fome) e a resposta emocional (raiva, tristeza, alegria) são partes do universo que afetam o indivíduo. Entretanto, os estímulos internos não são autônomos, pois estão sempre atrelados a um evento externo antecedenteO Behaviorismo Radical recorre sempre ao ambiente externo para explicar o comportamento, rejeitando as concepções internalistas que recorrem ao próprio indivíduo como tentativa de explicar o comportamento (Tourinho, 1997).

Em Ciência e Comportamento Humano (1998), Skinner fala da vida privada como aquela que é construída na relação do individuo com a comunidade verbal pertencente ao seu meio cultural. Por isso. para compreender e analisar a subjetividade é preciso investigar o contexto ao qual está relacionada. 

No processo de instalação dos eventos privados no repertório comportamental do indivíduo, é preciso que ele se comporte publicamente e que a comunidade verbal o ensine a discriminar e nomear o evento privado. Por exemplo, uma criança que está com dor de barriga provavelmente colocará a mão na barriga com expressões faciais de dor (rosto franzido). Isso permitirá que outra pessoa responda discriminativamente e diga para ela que, o que está sentindo é dor de barriga. Nesse sentido. Skinner, 1998) argumenta que todo comportamento antes de ser privado, deve ser apresentado publicamente. 

Contudo, com palavras que designam sentimentos, o aprendizado não ocorre de maneira tão fácil, pois os comportamentos que são expressos publicamente quase nunca coincidem com o que se passa no mundo privado. As palavras que uma pessoa utiliza para responder o que está sentindo foram adquiridas através da comunidade verbal, e esta não sabia exatamente o que ela estava sentindo (Skinner. 2002). 

Skinner (2002) mostrou que as palavras aprendidas para expressar sentimentos começaram com metáforas, como uma forma de mostrar o que se passava internamente através de algo público que fosse semelhante; por exemplo, uma pessoa que se sente traída compara tal sentimento com um punhal enfiado no peito. Houve uma transferência do público para o privado. 

Numa análise do comportamento, segundo Skinner (2002), não precisamos utilizar os nomes que designam sentimentos se pudermos acessar diretamente os eventos públicos que causaram tais eventos privados. 

Ao invés de dizer que alguém está deprimido, podemos dizer que não existe nada de reforçador no ambiente desse indivíduo. Isso não significa que o Behaviorismo não leva em consideração os sentimentos. O que o Behaviorismo não aceita são os eventos privados como determinantes do comportamento; eles não são aceitos como causa pois, como foi afirmado anteriormente, existe sempre um evento externo antecedente (Skinner, 2003). 

Para ilustrar, costumamos dizer que a raiva é o que nos motiva a “brigar” com alguém, mas ninguém fica com raiva sem que algo externo ao sujeito tenha ocorrido antes de tal evento privado, como uma batida de carro, uma ofensa proferida ou um dia com temperatura excessivamente elevada. 

É fácil atribuir a causa do comportamento aos sentimentos porque estes ocorrem ao mesmo tempo em que estamos nos comportando ou mesmo antes de nos comportarmos,. formando um elo na cadeia comportamental (Skinner, 2 0 0 2 ). 

Skinner (2002) esclarece outro ponto que facilita esse engano - o fato de, na maioria das vezes, as pessoas não estarem conscientes das contingências ambientais que estão controlando seus comportamentos.

Considerando que a crítica inclui a não-atribuição de papel à consciência, faz-se necessário elucidar de um modo mais especifico como a consciência é vista pelo Behaviorismo Radical.

Skinner (1998) aborda a consciência como a capacidade que o ser humano tem de descrever seu comportamento, identificando a sua relação com as variáveis que o determinam.Ter consciência ou estar consciente refere-se então ao mesmo fenômeno - a capacidade que uma pessoa tem de falar sobre o seu comportamento. Quando isso é possível, podemos dizer que tais atos ou comportamentos são conscientes (Baum. 1999). 

O comportamento de falar também pode ser consciente ou não. Será consciente quando a pessoa que se comportou for capaz de repetir o que foi dito (Baum. 1999). Entretanto. Skinner (1998) revela que, na maioria das vezes, o homem é incapaz de reconhecer tais variáveis, pois estas podem ser sutis a ponto de não despertarem a atenção do indivíduo. Da mesma forma, pode não haver uma razão específica para que este indivíduo se comporte discriminativamente a ponto de tomar consciência daquela relação. Além disso, as variáveis que nos afetam são muitas e discriminar sob controle de qual delas estamos nos comportando não é uma tarefa fácil. 

Em síntese, quando nos comportamos ou quando estamos aprendendo um comportamento, não nos damos conta do processo como um todo, o que tem como conseqüência a atribuição da função de originador do comportamento a um agente interno - o EU - referindo-se ao próprio homem como responsável pelo comportamento (Skinner, 1998). 

Quando as concepções internalistas, referem-se a um EU como o causador de uma ação, esse EU não coincide com o organismo físico. É como se o corpo apenas se comportasse, mas quem o dirige é o EU, e não importa se esse EU é inconsistente (que muda de um momento pra outro), pois um único EU é capaz de comportar diferentes ações (Skinner, 1998).

Para Skinner (1998), o conceito de EU não é essencial em uma análise do comportamento porque ele se baseia nas variáveis ambientais. Considera o EU um mero artifício para simplificar a relação funcional “causa e efeito’', já que trabalhar com os dados ambientais exige uma explicação de como se dá as relações entre eles. 

concepção behaviorista de EU, que nada se assemelha às concepções internalistas. revela que o EU está relacionado com a cultura na qual os repertórios comportamentais vão ser instalados em cada indivíduo a partir da sua interação com o ambiente. 

De acordo com as variáveis ambientais, o indivíduo aprenderá a se comportar de diferentes maneiras em diferentes situações (Skinner, 1998). O que se tomará próprio de cada indivíduo será a forma como se comportará diante de uma dada situação, visto que a história de reforçamento se diferencia de pessoa para pessoa. 

Em suma. o EU não é um agente interno ao homem e causador de uma ação, mas sim comportamentos instalados a partir da história de reforçamento do indivíduo em interação com o meio cultural. 

Podemos perceber claramente, ao longo de todo o capitulo, a ênfase que o Behaviorismo dá ao ambiente, mas isso não torna as criticas dirigidas a ele pertinentes

O Behaviorismo Radical atribui ao EU e a subjetividade (eventos privados) o lugar de ser efeito do ambiente e dos comportamentos que ele produz, e não o de ser causa

Os eventos privados podem fazer parte de uma cadeia de comportamento, mas não o determinam. O estimulo que produz o comportamento é sempre ambiental externo. Logo, não há gravidade alguma em deixar de atribuir ao EU, ou aos eventos privados, o papel de causador do comportamento já que somos a todo o momento afetados pelo ambiente.

sábado, 23 de fevereiro de 2019

O homem como ser social - Fichamento

Língua e Linguagem
  • Cada povo se torna sociável na medida em que desenvolve uma língua  que viabilize essa comunicação. 
  • O homem é produtor de cultura, e também, um produto dela.
  • Os processos linguísticos possibilitam as múltiplas diversidade de leituras e de reinterpretação da vida.
  • As diversas formas de linguagens possibilitam que o homem possa interagir com o ambiente, edificar relações sociais, e tornar-se um ser político.
  •  O homem é o principal produtor de cultura já que a comunicação é o principal construtuo da produção da língua e das linguagens.
Concepções de Roland Barthes em relação à língua e seus elementos estruturantes:
  • Vê a linguagem numa visão eminentemente social
  • Entende a linguagem (língua) como expressão de puro poder social a que todos estamos submetidos.
  •  Vê na língua um objeto de submissão e, fatalmente, de alienação, colocando o homem como escravo da língua, já que este tem que se adequar aos padrões.
  • A língua é considerada fascista, já que não é reacionária nem progressista, já que somos obrigado a falar como a língua impõe.

Concepções de Karl Marx e Engels sobre o ser social e sua linguagem

  • Baseia-se na metodologia do materialismo histórico-dialético
  • Argumenta que investigações profundas e honestas da sociabilidade humana deve-se partir dos "indivíduos reais, sua ação e suas condições materiais da vida, tanto aquelas por eles já encontradas, como as produzidas por sua própria ação." (MARX & ENGELS, 1987:26)
  • Marx afirma que as diversas formas de expressão da linguagem, repercutem diretamente a partir das relações entre os homens.
  • O representar, o pensar e o intercambio espiritual dos homens decorem de seu comportamento material. Portanto, a linguagem em si, autônoma não existe, é sempre ela uma emanação da consciência e as condições materiais de seu desenvolvimento.,
  • Para Marx a linguagem nasce do processo histórico de criação e reprodução da vida;
  • Na medida em que se altera a base material de uma sociedade, pode-se alterar os diversos modos de representação da linguagem, tida como instrumento de simbolização e comunicação entre os seres humanos.
  • Para Marx, a linguagem é a consciência real, e nasce como a consciência, da carência e da necessidade e de intercâmbio com outros homens, portanto, a linguagem surge da interação social dos homens;
  • A linguagem representa o que há na consciência dos homens. Mediadora Universal nos diversos tipos de relações, sofre influência do meio em que vivem.
  • O aumento da população e a elevação das necessidades materiais dos indivíduos contribuem para o desenvolvimento de aspectos conscientes e linguísticos dos seres humanos.
  • A consciência permite a modificação da linguagem, bem como sua elaboração como síntese social.
Concepções de Nietzsche sobre o ser social e sua linguagem
  • Linguagem como caminho onde os seres humanos começam a pensar o mundo, porta de entrada para o conjunto de todos os problemas.
  • A linguagem possibilitou que o homem, ao se considerar acima de todos os animais, levasse à crença de que os seus conceitos sobre todas as coisas eram verdades eternas. "o homem pensava ter efetivamente através da linguagem o conhecimento do mundo.
  • Linguagem possibilitou dar significados a diferentes coisas, gerando o equívoco da crença na verdade encontrada.
  • Desenvolvimento da razão eleva a importância da linguagem, para construção da ciência.
  • As verdades passam a ser estipuladas e fixadas pela linguagem quando se deu o movimento do Estado de abandonar as práticas nômades e sair doe estado de guerra, criando as convenções e o contrato social.
  • Surge o contraste de verdade e mentira na linguagem.
  • A linguagem edificou uma ordenação piramidal de castas e graus, criou um mundo de leis, privilégios, subordinações, limites, etc., dando a linguagem a qualidade de onipotente.
  • A linguagem passou a ser utilizada para demonstrar a verdade, e também as mentiras. Logo, conclui que é impossível o homem alcançar a verdade, já a linguagem permite as manipulação.
  • Para Nietz deve-se aceitar a verdade descoberta como um simples processo, no qual se repete as mesmas ideias, portanto, as verdades são apenas diferentes formas de apresentação linguísticas.
  • A linguagem é algo subjetivo e as diferentes formas linguísticas inviabiliza a verdade.
Minha própria concepção sobre o ser social e sua linguagem
  • A língua e as linguagens são os meios pelos quais torna possível o homem enquanto ser social, acertar o caminho para o exercício das relações interpessoais, que permite uma convivência social possível.
  • É através da língua que o homem se expressa e consegue comunicar seus pensamentos, sentimentos e atitudes.
  • A linguagem teve papel importantíssimo no desenvolvimento das sociedades, como meio de se estabelecer regras e encaminhar o homem para um convívio racional.
  • As linguagens tem importância ou funcionalidade,  na medida em que há a  necessidade de se convencionar as coisas, a fim de manter um funcionalidade social capaz de viabilizar as relações de convivência com o crescimento das populações.
  • As condições sociais do homem influencia a sua forma de linguagem sim, já que o acesso aos meios que possibilitam o desenvolvimento intelectual não são os mesmos para todas as classes.
  • As condições regionais influenciam a linguagem de seu povo, produzindo uma cultura local.
  • A medida em que vai se tomando consciência, a linguagem vai se modernizando e se adaptando à realidade atual. 
  • A linguagem e as diferentes línguas são o único meio que possibilita a convivência civilizada entre homens e países de diferentes culturas, permitindo uma interlocução racionalista que expresse seus respectivos valores, e portanto, suas próprias culturas.

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

A EPIFANIA HUMANA


O homo sapiens é a espécie mais poderosa do mundo, e por isso, gosta de usufruir de um status moral superior, já que o valor de sua vida se sobrepõe a vida de outros animais. Queremos acreditar que a vida humana é superior em algum aspecto fundamental e essa superioridade que Harari, chama de Epifania humana.

A alma humana é uma das vertentes que buscam justificar a epifania humana. Acredita-se em almas eternas, que o corpo se decompõe e se degenera mas a alma permanece na direção da eternidade.

A crença de que os seres humanos tem alma eterna e que os animais não teria alma, continua sendo a forma de pensar de nossos sistemas legais, políticos e econômicos.

As ciências biológicas duvidam da existência da alma humana, já que os conceitos de alma contradiz os princípios fundamentais da evolução.

A TEORIA DA EVOLUÇÃO

Apoia-se no princípio da sobrevivência do mais apto, o que é uma ideia clara e simples.
Para compreender a teoria da evolução é preciso aceitar que não existe alma. Ideia muito difícil de aceitar no âmbito do cristianismo, já que este acredita que cada ser humano possui uma essência individual eterna que permanece imutável no decorrer da vida, e que pode sobreviver, intacta, após a morte.

Individual significa indivisível - que não pode ser dividido e isso implica numa visão  de entidade holística.  O corpo e o cérebro passam por mudanças constantes, movimentando neurônios, hormônios e músculos. A personalidade, desejos e relacionamentos transformam-se completamente durante anos.

A teoria da evolução rejeita a ideia de que meu EU verdadeiro seja uma essência indivisível, imutável, e potencialmente eterna. Todas as entidades biológicas, conforme a teoria da evolução, são compostas de partes menores e mais simples, que se combinam e se separam. Algo que não pode ser dividido não pode ter existido a partir da seleção natural.

A existência da alma não pode se encaixar na teoria da evolução, já que evolução quer dizer mudança e a alma é incapaz de produzir entidades perenes. Numa perspectiva evolutiva, o que mais se aproxima da alma humana é a molécula de DNA, como veículo de mutação e não como trono de eternidade.

A MENTE CONSCIENTE DO SAPIENS

A superioridade humana também se justifica pelo fato de que somente o homo sapiens tem uma mente consciente.

A mente e a alma são diferentes. A mente não é uma entidade mística e eterna como  a alma, mas também não é um órgão como um olho, ou o cérebro.

A mente é um fluxo de experiências subjetivas, como a dor, o prazer, a raiva e o amor. Essas experiências mentais são feitas de sensações, emoções e pensamentos interconectados, que podem surgir e desaparecer num breve momento.

Diferente da alma eterna, a mente tem muitas partes e muda constantemente, e não há motivos para se pensar que seja eterna.

ALMA - História ou mito que uns rejeitam e outros acreditam.
MENTE - possui um fluxo de consciência, que retrata a realidade concreta de cada momento experienciado. Não há dúvidas sobre sua existência.

EXPERIÊNCIAS CONSCIENTES QUE CONSTITUEM O FLUXO DA MENTAL

Toda experiência subjetiva apresenta  duas características fundamentais:
  • SENSAÇÃO
  • DESEJO
Exemplo: o ser humano sente fome (sensação) e quer comer (desejo).

Sabe-se que ao mamíferos têm emoções, e que portanto, também apresentam sensações. Máquinas e computadores processam informações sem nenhuma experiência subjetiva.

René Descartes (Séc.XVII) afirmou que somente os humanos sentiam e tinham anseios ou desejo; todos os outros animais seriam autômatos irracionais, semelhantes a máquinas, sem se dar conta da sensação sentida por um cão por exemplo, ao ser chutado por um sapiens. Com essa teoria de Descartes, muitos cães foram dissecados vivos sem nenhuma anestesia ou escrúpulos para apenas observar o funcionamento de seus órgãos internos. Não viam nada de errado nisso. Lamentável!

COMO  FUNCIONA A MENTE E QUAL SEU PAPEL.

Examinemos o que a ciência traz  sobre MENTES  e CONSICIÊNCIA.
  • A CONSCIENCIA é criada por reações eletroquímicas no cérebro.
  • AS EXPERIÊNCIAS MENTAIS realizam alguma função essencial de processamento de dados.
Não se sabe muito como as reações bioquímicas e correntes elétricas no cérebro criam a experiência subjetiva da dor, da raiva ou do amor. As ressonâncias magnéticas, tecnologia permitiram algumas descobertas de ligações causais entre correntes elétricas com experiências subjetivas. Só de olhar para a atividade cerebral, por meio de uma ressonância magnética, os cientistas podem dizer que você está acordado, sonhando ou em sono profundo. O cérebro é um sistema altamente complexo, com mais de 80 bilhões de neurônios conectados em numerosas e intricadas redes. E é essa interação que cria o fluir da consciência.

Os cientistas ainda não sabem como um conjunto de sinais elétricos cerebrais criam experiências subjetivas, nem sabem qual seria o benefício desse fenômeno.

Os biólogos afirmam que as experiências subjetivas são essenciais à nossa sobrevivência, pois se não sentirmos fome ou medo,  não nos preocuparíamos em caçar nem nos proteger. São as experiências subjetivas que explicam as ações dos homens. Porém, a ciência explica como se dá esse fenômeno biologicamente. 

Exemplo: ao ver um leão, sinais elétricos se movimentam para o cérebro que estimulam certos neurônios, que reage ou interpreta enviando um sinal que é percebido como medo. São os processos de sensação e percepção que tornam os sentimentos conscientes. 

O ARGUMENTO DE QUE PRECISAMOS DE UMA MENTE PORQUE NELA ARMAZENAMOS INFORMAÇÕES - MEMÓRIAS.

A mente não se limite a reagir automaticamente aos estímulos externo. O homem pensa, a partir de sua memória, em experiências anteriormente vividas que o remete a determinada situação. O estímulo pode ser interno, se não houver nenhuma situação externa estimulante, vem da memória da mente.

Segundo teorias biológicas atuais, nossas memórias, ideias e pensamentos não existem em algum campo imaterial e superior, mas se constituem de avalanches de sinais elétricos disparados entre bilhões de neurônios. Um neurônio envia sinais a outro através da sinapse ativando as conecções que o farão perceber as experiências conscientes da memória. É no cérebro que acontecem as interpretações dos sinais, e estes sinais enviam o sinal decodificado para ser percebido através dos órgãos dos sentidos.

Enquanto a experiência da dor é algo real e tangível , a existência da alma eterna, para a teoria da evolução é pura conjectura (Ledo engano!).

FREUD COMPARA A PSIQUÉ A UM MOTOR DE VAPOR

O acúmulo de vapor em recipiente fechado, acumula mais e mais pressão, até que sua válvula se abre e a pressão se liberta. Em analogia, Freud diz que o exército ao recrutar seus soldados em época de levada libido, e ficando impedidos de se relacionarem sexualmente, acabam direcionando essa energia na forma de agressão militar.

Atualmente, explica-se que a psique humana é como um computador processando dados, porém, não leva em conta o fato de um computador não ansiar por nada, o que não acontece com a mente humana.

Hoje é possível diferenciar experiências mentais conscientes de atividades não conscientes no cérebro.  Uma pessoa em coma, não podendo se comunicar foi submetida a ressonância magnética. Os médicos fizeram perguntas e através da observação do cérebro quando perguntaram se o paciente se imaginava jogando tênis, o córtex motor se acendeu, e quando não,  regiões cerebrais pela memória espacial se acendeu, Daí uma forma de saber se está consciente ou não. Fantástico!!!

Aceita-se que animais tenha consciência, mas que o homem somente, teria autoconsciência, ou seja, apenas os humanos  entendem  a si mesmo.