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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

O Reflexo Inato - Behaviorismo

Skinner explica os comportamentos à partir do modelo de seleção por consequência, que possui três níveis. Todo e qualquer comportamento precisa ser analisado pelo ótica dos três níveis.

  • Nível Filogenético - onde se encontram os COMPORTAMENTOS INATOS que dizem respeito à SOBREVIVÊNCIA e EVOLUÇÃO DA ESPÉCIE, na interação com o mundo. Os REFLEXOS INATOS são comportamentos necessários à sobrevivência da espécie, não são portanto, aprendidos. Dons inatos são COMPORTAMENTOS REFLEXOS.
  • Nível Ontogenético - Onde estão os COMPORTAMENTOS APRENDIDOS, ADQUIRIDOS durante a história de vida de cada indivíduo, na interação com o ambiente. Aí, o organismo se comporta, gerando consequências que irão controlar os comportamentos futuros ou posteriores, a depender dos reforçadores, que funcionam como instrumentos de seleção. O COMPORTAMENTO OPERANTE são os comportamentos aprendidos.
  • Nível Cultural - Possui um repertório comportamental instalado e mantido pela cultura do indivíduo, que para Skinner é um conjunto particular de condições em que grande número de pessoas se desenvolve e vive.
REFLEXOS INATOS:
  • São comportamentos importantes para a sobrevivência do organismo. sempre há uma alteração no ambiente que produz uma alteração no organismo. 
  • Não se trata de um comportamento aprendido, mas de um comportamento herdado da espécie.
  • COMPORTAMENTO REFLEXO é a relação entre o ESTÍMULO correspondente a uma alteração no ambiente e a RESPOSTA que vai provocar uma alteração no organismo., ou seja, uma mudança no ambiente produz uma mudança no organismo.
  • Exemplos de Reflexos: relação entre estímulo e resposta:
           ESTÍMULO  (S)           -     RESPOSTA  (R)
           Fogo próximo à mão     -    contração do braço
           Martelada no joelho      -    flexão de perna
           Alimento na boca           -    salivação
           Barulho estridente         -    sobressalto
                        !                                     !
           Mudança no Ambiente  -  Mudança no Organismo
           Obs.: Como se lê: O Estímulo PRODUZ ou ELICIA a Resposta.
  • CONCEITO de reflexo no senso comum é diferente do Behaviorismo.
  •  Quando todas as RESPOSTAS SÃO CONSTANTES,  sempre se repete, é um REFLEXO.
  • Quando as RESPOSTAS NÃO SÃO CONSTANTES, são aprendidas e não são reflexos.
Exemplos de Reflexos Inatos: ao bater o martelo no joelho, o músculo da coxa contrai.; quando a luz incide sobre a pupila, ela se contrai,barulho rápido e repentino faz o coração disparar. 
Esses exemplos trazem algo em comum: há sempre uma alteração no ambiente que produz uma alteração no organismo(corpo do indivíduo).
São necessários à sobrevivência: filogênese.
Fazem parte do repertório comportamental (comportamentos de um organismo)  desde a gestação até o fim de sua vida, por isso, são chamados Reflexos Inatos.

LEI DO LIMIAR:
  • Esta lei estabelece que, para todo reflexo, existe uma intensidade mínima do estímulo necessária para que a resposta seja eliciada.
        Exemplo: Um choque elétrico é um estímulo que elicia a resposta de contração muscular.
        Segundo a lei do limiar, existe uma intensidade mínima do choque (de 5 a 10 volts, apenas como exemplo - esses valores são fictícios, e o valor do limiar é individual) que é necessária para que a resposta de contração muscular ocorra. Essa faixa de valores, no exemplo, que varia de 5 a 10 volts, é chamada limiar. 
  • LIMIAR - É o limite que cada pessoa suporta ou alcança.
  • Todo reflexo tem uma intensidade mínima de estímulo necessário, para que, a RESPOSTA seja eliciada. 
  • Isso varia de pessoa para pessoa. Não é igual para todos e não tem valor definido. Depende do limiar de cada um.
  • Quando o ESTÍMULO está ABAIXO DO LIMIAR do sujeito, a intensidade do estímulo é muito pequena para eliciar uma resposta.
LEI DE INTENSIDADE E MAGNITUDE
  • Tanto intensidade como magnitude referem-se ao "quanto de estímulo (intensidade) e ao "quanto de resposa", ou a "força do estímulo" e a "força da resposta".
  • A intensidade e a magnitude são diretamente proporcionais.
  • INTENSIDADE diz respeito ao ESTÍMULO, e mede quanto de estímulo.
  • MAGNITUDE diz respeito à RESPOSTA, e mede quanto de resposta.
  • Exemplo de Intensidade e Magnitude: calor excessivo faz o sujeito suar muito.  Calor excessivo é a intensidade do estímulo e suar muito é a magnitude da resposta.
LEI DE LATÊNCIA
  • Latência é o intervalo entre dois eventos ou ainda, o tempo entre a ocorrência do estímulo e a ocorrência da resposta.
  • São inversamente proporcionais. MAIOR INTENSIDADE  do ESTÍMULO, produz MENOR MAGNITUDE DA RESPOSTA. MENOR INTENSIDADE DO ESTÍMULO, produz MAIOR MAGNITUDE DA RESPOSTA. Tudo acontece em frações de segundos.
  • O Estímulo elicia a resposta ou a resposta é eliciada pelo estímulo.
  • Usa-se  ELICIAR para COMPORTAMENTOS REFLEXOS.
  • Usa-se EVOCAR para COMPORTAMENTOS APRENDIDOS.
  • Reflexo não é nem o estímulo, nem a resposta, mas a relação entre ambos.
  • A Latência da resposta é o tempo que transcorre entre o estímulo e a resposta.
FORÇA FRACA                    FORÇA FORTE
Latência longa                        Latência curta
Magnitude  pequena               Magnitude grande
Duração curta                         Duração longa

  • LATÊNCIA varia inversamente à intensidade do estímulo.
  • MAGNITUDE é a duração da resposta  e varia diretamente à intensidade da resposta. Pode-se dizer que, a força do reflexo quando aumenta, aumenta a intensidade do estímulo.
 HABITUAÇÃO E POTENCIAÇÃO.
  • São efeitos de eliciações sucessivas da resposta.
  • Quando um mesmo estímulo é apresentado várias vezes em curtos intervalos de tempo, na mesma intensidade, podemos observar um decréscimo na magnitude da resposta. 
  • São termos opostos. 
  • HABITUAÇÃO - o organismo vais e adaptando ao estímulo e sua resposta vai diminuindo de magnitude. Nesse caso, os ESTÍMULOS REFORÇADORES estão mais associados.
  • POTENCIAÇÃO - exposta ao estímulo diversas vezes, a resposta ao invés de se acostumar, pode potencializar. Está mais associada aos ESTÍMULOS AVERSIVOS ou PUNITIVOS.
REFLEXOS E ESTUDO DAS EMOÇÕES
  • Um aspecto extremamente relevante do comportamento humano são as emoções (medo, alegria, raiva, tristeza, excitação sexual, etc.). 
  • Muitas dessas emoções que sentimos são respostas reflexas a estímulos ambientais. Por esse motivo, é difícil controlar uma emoção.
  • Controlar as emoções é difícil, as vezes, impossível. São respostas reflexas a estímulos ambientais, quando alguém se emociona espontaneamente.
  • A espécie humana nasceu para ter algumas respostas emocionais, quando determinados estímulos surgem em nosso ambiente.
  • Os reflexos são involuntários, não tem como evitar. As emoções não são apenas reflexos, ora podem ser provocadas, ora podem ser espontâneas.
  • Exemplo: chegar num lugar alto, provoca medo, um frio espontâneo na barriga. Instinto de preservação da vida. Filogênese. É reflexo. Já medo de um animal por exemplo, é aprendido e não um reflexo. Pois, se colocar um bebê que ainda não aprendeu o que é medo, junto a uma barata, ele vai pegar, podendo até colocar na boca.
Principais conceitos apresentados neste capítulo

Estimulo:
  •  Qualquer alteração ou parte do ambiente que produza uma mudança no organismo.
  • Comida elicia (produz) salivação.
Resposta:
  •  Qualquer alteração no organismo produzida por uma alteração no ambiente (estímulo).
  • Saliva produzida pela colocação de comida na boca.
Reflexo:
  •  é uma relação entre um estímulo específico e uma resposta específica.
  • Contida colocada na boca faz o organismo salivar.
Intensidade do Estímulo:
  •  É a força (ou quantidade) de um do estimulo determinado estimulo.
  • Quantidade de comida colocada na boca (3 gramas, 7 gramas...).
Magnitude da resposta:
  •  É a força de uma determinada da resposta resposta
  • Quantidade de saliva produzida (2 gotas, 3 gotas, 2 mililitros, 4 mililitros...).
REFERÊNCIA:
MOREIRA, Márcio Borges; MEDEIROS, Carlos Augusto de. Princípios Básicos de Análise e do Comportamento. Editora Artmed. 2007.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Comportamentos Inatos, segundo Skinner.

A critica parece estar enfocando duas questões: 

1) todo comportamento, para um behaviorista radical, é um fenômeno aprendido durante a ontogênese 
2 ) o behaviorista, então, não acredita na possibilidade de alguns indivíduos nascerem com aptidões, por exemplo, para dança, música. literatura etc. 

Em relação à primeira questão, pode-se argumentar que não é verdadeira na medida em que Skinner explica os comportamentos a partir do modelo de seleção por conseqüências, que é constituído por três níveis de determinação (Andery, 1993). 

No primeiro nível, influenciado pela teoria darwinista. Skinner postula que existem respostas que são selecionadas pelas contingências de seleção natural, ou melhor, selecionadas filogenicamente. Deste processo surgiram os comportamentos ou dons inatos. eventos que foram selecionados a partir da evolução das espécies (Andery. 1993). 

“A corte, o acasalamento, a construção de ninhos e os cuidados com as crias são coisas que os organismos fazem e. mais uma vez. presume-se que fazem por causa da maneira porque evoluíram’’ (Skinner, 2003, p. 34). 

É importante ressaltar que os comportamentos selecionados por contingências de seleção filogenética permitem a interação da espécie humana com o mundo, garantindo sua sobrevivência (Andery, 1993). Sobre isto afirma Skinner (1998), Estas vantagens biológicas explicam certos reflexos em um sentido evolutivo: os indivíduos que provavelmente mais se comportarem de maneira semelhante. presumivelmente tiveram maiores probabilidades de sobreviver e transmitir a característica adaptativa ã prole (p.60). Mas a explicação Skinneriana para a aquisição dos comportamentos não se restringe ao primeiro nível de seleção. 

segundo nível opera sobre o conjunto de respostas no decorrer do período de vida de um indivíduo e o terceiro ocorre à medida que o comportamento é transmitido entre indivíduos (Andery, 1993). 

explicação de comportamentos adquiridos durante a história particular do indivíduo vem do segundo nível de seleção por conseqüência, postulado por Skinner - a ontogénese. Neste processo, a seleção opera sobre o comportamento (ação) do indivíduoO organismo se comporta gerando conseqüências, que por sua vez. controlarão a emissão do comportamento no futuro.

Skinner (1998) em seu livro Ciência e Comportamento Humano afirma: “As conseqüências do comportamento podem retroagir sobre o organismo. Quando isso acontece, podem alterar a probabilidade de o comportamento ocorrer novamente” (p. 65). Segundo Skinner (1998). o aumento na probabilidade de ocorrência do comportamento está relacionado cora a atuação de reforçadores, que por sua vez. funcionam como instrumento de seleção. 

Quando temos de considerar o comportamento do organismo em toda sua complexidade da vida diária, necessitamos estar constantemente alertas para os reforços que prevalecem e que mantém o comportamento” (Skinner, 1998, p. 109). Isto quer dizer que, durante a vida do indivíduo, existem comportamentos que são fortalecidos por suas conseqüências, ou seja. são instalados e mantidos no repertório comportamental do indivíduo mediante a ação de reforços (Skinner, 2003). 

Além dos comportamentos inatos e dos comportamentos adquiridos pela ação do reforço sobre o comportamento do indivíduo, existem também repertórios comportamentais instalados e mantidos pelas práticas culturais (Andery, 1993; Skinner. 1998). Trata-se do terceiro nível de seleção por conseqüência, a cultura, que segundo Skinner (1998) vem a ser “um conjunto particular de condições no qual um grande número de pessoas se desenvolve e vive” (p. 468). Este grupo ou este conjunto de contingências sociais dispõe de costumes e relações que nunca foram experimentadas ou vistas pelo indivíduo, porém são eventos que o afetam, permitindo a aquisição de comportamentos, seja em nível privado (pensamentos e sentimentos) como também públicos, como, por exemplo, o manuseio de objetos e aprendizagem de habilidades sociais (Andery, 1993; Skinner, 1998). 

Vimos, portanto, que Skinner, respaldado pelo modelo de seleção por conseqüências. não explica a aquisição dos comportamentos partindo somente da história de vida particular do indivíduo, incluindo em sua análise tanto conseqüências filogenéticas quanto culturais. 

E no que se refere à negligência aos dons inatos? Skinner, na verdade, não negligencia aspectos inatos. Ele nega a existência de “dons”, equivalendo a comportamentos que independem da relação que cada pessoa estabelece com seu ambiente.

Para Skinner, como visto no primeiro nível de seleção, existem comportamentos os quais a espécie já traz em função de sua história filogenética. Deste modo, dons inatos são os que dizem respeito a aspectos genéticos, se referindo apenas a características anatômicas e atividades fisiológicas (respiração e digestão) presentes na espécie humana, como também comportamentos reflexos (Skinner, 2003).

Isso significa que. embora Skinner não desconsidere comportamentos inatos, ele não aceita a existência de dons inatos no sentido de aptidões que explicariam comportamentos como os de cantar, escrever, jogar futebol - a noção de que “a pessoa nasceu para isto”. É correto, então, afirmar que, para Skinner, não existem dons inatos que determinam comportamentos operantes, supondo que tais dons explicariam completamente o surgimento de alguns comportamentos. Concluindo, talvez em função de Skinner dar mais ênfase à história pessoal, e principalmente ao papel da cultura na instalação e manutenção dos comportamentos, é que se pense que Skinner negligencia o que é inato. No entanto, espera-se que os argumentos apresentados sejam suficientes para que a critica possa ser revista. 

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Capítulo III - O Behaviorismo apresenta o comportamento simplesmente como um conjunto de respostas a estímulos, descrevendo a pessoa como um autômato, um robô, um fantoche ou uma máquina? Nádia Prazeres Pinheiro

É comum nós, analistas do comportamento, escutarmos que a nossa teoria “reduz o homem a uma máquina'’, que afirmamos que todo e qualquer comportamento obedece à lógica estimulo-resposta - o que seria uma afronta aos seres humanos, animais superiores e racionais, dotados de vontade própria e de livre arbítrio. 



“Descartes deu um passo importante ao sugerir que parte da espontaneidade das criaturas vivas era apenas aparente e, que, às vezes, o comportamento podia ser iniciado por uma ação externa” (Skinner, 1998, p.51).







E Skinner vai além... Para responder a esta critica, devemos primeiramente ter claro o que são comportamento reflexo e comportamento operante

No caso do reflexo, os estímulos seriam algum tipo de mudança externa que causaria estimulação orgânica que, por sua vez. provocaria uma resposta orgânica

Suas características são: ser inconsciente, ou seja. ocorre mesmo quando o sujeito não está percebendo; involuntário, ocorre independente da vontade do organismo, não há como controlá-lo ou evitar sua ocorrência por vontade própria e; pode ser previsto com grande precisão, considerando que, na presença do estímulo, a resposta sempre ocorrerá (Skinner, 1998)

São exemplos de comportamento reflexo, os casos da contração pupilar frente a um estimulo luminoso, da salivação frente a um prato de comida aparentemente apetitoso e do piscar quando algum objeto é passado na frente de nosso rosto ou olhos

"Os reflexos são produtos da seleção natural. Invariavelmente parecem estar envolvidos na manutenção da saúde e na promoção da sobrevivência e da reprodução” (Baum. 1999. p. 72). 

Os padrões de comportamentos reflexos são comuns a todos os membros de uma espécie e. por isso. podemos dizer que estão relacionados com a filogênese. Tais padrões começaram a se modificar e a evoluir na medida em que o organismo precisava se adaptar às mudanças do meio, já que. “só o processo evolutivo pode fornecer um mecanismo, pelo qual o indivíduo possa adquirir respostas a configurações particulares de um dado ambiente’' (Skinner, 1998. p. 60). 

Ora, se o ambiente no qual os organismos estavam inseridos sofreram modificações, eles, os organismos, também precisariam evoluir para permitir a sua sobrevivência e a manutenção de sua espécie. 

Os camaleões, por exemplo, quando em contato com um estimulo de perigo, mudam sua cor para se esconderem e serem confundidos com o seu esconderijo. Se isso não ocorresse, se esse reflexo não estivesse presente nesse animal, ele seria presa fácil e sua espécie poderia estar extinta. 

Da mesma maneira nós, os seres humanos, quando lacrimejamos para expulsar uma partícula de poeira é uma questão de sobrevivência para manutenção da espécie (Skinner, 1998). 

Se todos os nossos comportamentos se restringissem aos reflexos, poderíamos ser comparados às máquinas, pois nossos comportamentos sempre corresponderiam à relação causa e efeito. Entretanto, como afirma Skinner (1998). “A maior parte do comportamento do organismo intacto não está sob esse tipo de controle primário” (p. 54); a maioria dos nossos comportamentos são operantes. 

O comportamento denominado operante é aquele que opera sobre o meio, produzindo modificações no ambiente físico (natural) e no ambiente social (homens) (Skinner, 1998). Este comportamento é explicado pelo paradigma da tríplice contingência:

 S* - R - Sr. 
  • Onde Sd é o estimulo discriminativo.
  • R é a resposta 
  • Sr é o estímulo reforçador. 

Explicando cada um: Sd é um estimulo que sinaliza a possibilidade de reforçamento. Distinguindo-se do estimulo antecedente do reflexo, ele “não elicia a resposta, simplesmente altera sua probabilidade de ocorrência” (Skinner, 1998. p. 122). Com isso, pode-se concluir o porquê de não falarmos de certezas, e sim de probabilidades em comportamentos operantes, e que, portanto, não somos seres autômatos pois as respostas automáticas não são maioria em nosso repertório comportamental

Assim, podemos alterar a probabilidade de emissão de uma resposta modificando o estimulo discriminativo com o qual o organismo entrará em contato (Skinner, 1998). R é a resposta, a ação em si mesma. E S' é um estimulo conseqüente à resposta que determina a futura freqüência de emissão da mesma (Skinner, 1998). 

Quando a conseqüência é um Sr. a resposta tem uma maior probabilidade de voltar a acontecer, se não for reforçadora, ela (a resposta) terá sua probabilidade de ocorrência diminuída. Deste modo. o reforço cumpre a função de fortalecer uma determinada resposta e aumentar a eficiência da mesma: e é por isso que dizemos que o comportamento é selecionado pelas suas conseqüências, elas "podem retroagir sobre o organismo” (Skinner. 1998, p. 65).

 Ilustrando o paradigma operante. podemos recorrer ao comportamento de lavar as mãos quando estas estão sujas. Neste caso o Sc é "as mãos sujas”, R é “lavar as mãos” e Sr é “ter as mãos limpas”. 

Assim, toda vez que estiver frente ao estímulo mãos sujas, a probabilidade de lavar as mãos é maior do que a de qualquer outra resposta, visto que tal resposta foi anteriormente reforçada. 

“A história de reforçamento é que determina os efeitos de um evento atual, as conseqüências recebidas no passado alteraram o organismo de forma a ele agir de uma dada maneira frente a um evento” (Micbeletto, 1997, p. 127).

A esta história que é construída ao longo da vida dos indivíduos e que consiste, na verdade, na aquisição de repertórios comportamentais por meio [principalmente] do condicionamento operante chamamos ontogênese.

Desta forma, a ontogênese diz respeito à história particular de cada indivíduo, na medida em que todo homem interage com o ambiente de maneira singular. Sendo o comportamento operante uma parte da ontogênese, talvez a maior parte dela (Costa, 1996, p. 7-8).

Desde esse nível de determinação podemos perceber o quão único é o ser humano (tema que será abordado no capitulo XIV), ninguém vai ter os mesmos comportamentos (mesmo que sejam topograficamente semelhantes, não o serão funcionalmente) de outra pessoa. 

Haverá sempre algo de novo,o que dará a dimensão de que não podemos ser máquinas - estas são pré-programadas: nós não. estamos em constantes mudanças (cf. Micheletto. 1997). 

Partindo da própria definição de operante como o comportamento que é selecionado por suas conseqüências, já é possível refutar a crítica de que a concepção de comportamento adotada por Skinner obedece a uma lógica mecanicista. Afinal, não se trata de uma análise causal, na qual se busca uma causa para um efeito. 

Nas palavras de Skinner (1998), os "termos 'causa' e 'efeito': já não são usados em larga escala na ciência. Uma “causa" vem a ser “uma mudança em uma variável independente" e um “efeito" uma “mudança em uma variável dependente''. A antiga “relação de causa c efeito" transforma-se em uma "relação funcional". Os novos termos não sugerem como uma causa produz o seu efeito, meramente afirmam que eventos diferentes tendem a ocorrer ao mesmo tempo, em uma certa ordem (p. 24).

Uma análise funcional avalia contingências e estas são definidas como “relações de dependência entre eventos. Elas prescrevem a probabilidade de ocorrência de um dado evento em função da ocorrência de um outro evento” (Barros, 19%. p. 8). Retomando o modelo de seleção por conseqüência, como foi visto no capitulo anterior, o comportamento humano também é controlado pela cultura, como enfatiza Skinner (2002),

Podemos atribuir uma pequena parte do comportamento humano (...) à seleção natural e à evolução das espécies, uma parte do comportamento humano deve ser atribuída a contingências de reforçamento, especialmente às contingências sociais verdadeiramente complexas a que chamamos cultura (p. 41).

E complementa: o homem “se encontra controlado por seu ambiente, porém não devemos esquecer que é um ambiente, construido em grande parte pelo próprio homem” (Skinner, 1983a. p. 160). Isso quer dizer que o homem é controlado pelo próprio homem: é a sociedade, a nossa própria comunidade, que seleciona os comportamentos que devem ser emitidos

E mais. como disse Micheletto (1997). tenho meu comportamento reforçado pelo sucesso do meu próprio comportamento, somos “agentes controlados pelo efeito de nossa própria ação” (p. 118). Logo, sou fantoche de mim mesmo? 

Com certeza não! Nem fantoche do ambiente, nem fantoche de si mesmo, pois a noção de comportamento implica relação. Todos os comportamentos têm uma história. A história de reforçamento de cada um de nós. as nossas historias de vida, inseridos em uma determinada sociedade. E é dependendo de como e quando os indivíduos desta sociedade nos oferecem reforçadores ou punidores que poderemos nos comportar em um determinado contexto. Dizer que o comportamento humano é controlado por eventos externos não significa dizer que o homem é um autômato, um robô. um fantoche ou uma máquina.