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sábado, 23 de maio de 2020

Estágios do Desenvolvimento segundo Erick Erikson.





Erick Erikson ( 1902-1994)
Discípulo de Freud. Nasceu no sul da Alemanha e faleceu no Canadá. Sem formação acadêmica. Psicanalista, se destacou também em antropológica e educação.  Criou a Teoria Psicossocial – Teoria pós-freudiana. E teria ampliado em vários aspectos a teoria original de Freud.
Freud deu especial atenção ao estudo do desenvolvimento psíquico da criança e do adolescente descrevendo 5 fases do desenvolvimento psicossocial. Erikson partindo dessa teoria, procurou investigar como se dá o desenvolvimento psíquico humano ao longo da vida. Sistematizou uma teoria da personalidade que abarca 8 estágios do desenvolvimento.
Em cada um dos 8 estágios do desenvolvimento, vivenciamos conflitos psíquicos que contribuem para formação da nossa personalidade. A partir da adolescência tais conflitos recebem o nome de crise de identidade.  Erikson criou esse termo, para se referir a momentos de intensa transformação aos quais passamos ao alongo da vida. Momentos de virada, nos quais a identidade pode sair fortalecida ou enfraquecida.
Ele considerava que sua teoria era uma extensão da teoria da psicanálise freudiana. Além disso, Erikson diverge de Freud em pontos importantes. Além disse entende que as influencias culturais e históricas tem um papel muito mais importante no desenvolvimento da personalidade, do que Freud percebia.
Na Teoria Freudiana, Freud retrata a relação entre o ID o EGO e o SUPEREGO como uma relação conflituosa.
·       ID é a estrutura totalmente inconsciente da psique, que vive em busca do prazer e da liberação de tensões. 
·       O Ego surge para controlar as exigências cegas do ID considerando os limites impostos pela realidade.
·       O superego é o juízo implacável que tenta a todo custo reprimir os desejos do ID e orientar a psique na direção dos ideais e dos valores morais dentro dos quais os individuo foi criado.
Assim Freud viu o ego como uma estrutura, que tenta fazer o meio de campo entre a impulsividade do ID, a tirania do superego e as pressões do mundo externo. Por isso o ego que é o centro da personalidade é uma estrutura psíquica sobrecarregada e vulnerável, mesmo nas pessoas psicologicamente saudáveis.
Erikson percebe o ego um pouco diferente de Freud. Para ele o ego é uma força positiva geradora de auto identidade, do autoconceito, da sensação de eu.
É uma estrutura que favorece nossa adaptação aos vários conflitos e crises ,que possamos ao longo da vida, impedindo que percamos a nossa individualidade frente as pressões sociais.
Na infância o ego é frágil e maleável. Na adolescência começa a ganhar força e forma. Ao longo da vida ele unifica a personalidade e mantém a sua integralidade.
O ego segundo Erikson é uma agenda psíquica parcialmente consciente e, parcialmente inconsciente, que organiza e sintetiza nossa experiencia fazendo uma relação entre o que vivenciamos hoje, o que vivemos no passado, e o que projetamos para nossa identidade futura.
O Ego é nossa habilidade de unificar experiencias e ações de maneira a gerar equilíbrio psíquico e garantir nossa adaptabilidade ao mundo em que estamos.
Segundo Erikson, o EGO se constitui de 3 aspectos inter-relacionados:
·       Ego corporal – refere-se as experiências ligadas ao nosso corpo. A forma de como diferenciamos o nosso corpo físico das outras pessoas., nosso eu físico. Podemos estar satisfeitos ou não com as aparências de nosso corpo, mas todos diferenciam e reconhecem seu próprio corpo dos demais.
·       Ideal do Ego – representa a imagem que fazemos de nós em comparação a um eu, que idealizamos. Essa comparação entre a imagem que fazemos de nós e a imagem ideal é o responsável pela nossa realização ou não, satisfação ou não, não apenas no aspecto físico, mas de uma forma integral. Todos idealizamos um corpo e uma personalidade que gostaríamos de ter, o ideal do ego é uma espécie de comparação entre o que gostaríamos de ser e aquilo que acreditamos ser.
·       Identidade do Ego – é a imagem que temos a respeito de nós mesmos no que se refere aos diversos papéis que representamos. É como nos vemos enquanto filhos, profissionais amigos, enfim, todos os papéis sociais que desempenhamos cotidianamente.
Os três aspectos acima, experimentam rápidas alterações durante a adolescência, mas modificações ocorrem em todos esses aspectos durante toda a vida. Erikson afirma que, as capacidades com as quais nascemos são importantes par ao desenvolvimento da personalidade, mas o ego em grande parte emerge a partir da sociedade e é por ela, modelado, o que vai de encontro a teoria de Freud, que enfatiza mais os fatores biológicos.
Segundo Erikson, o ego existe enquanto potencial ao nascer mas, ele precisa emergir num ambiente cultural, onde as variações de cultura para cultura, tendem a modelar as personalidades  de maneira que elas se encaixem aos valores e necessidade de cada sociedade. Isso começa acontecer nas formas nas quais as crianças vão sendo criadas em cada lugar.
OS 8 ESTÁGIOS DO DESENVOLVIMENTO DE ERICK ERIKSON.
As 8 idades do homem.
Ao longo da vida enfrentamos conflitos psíquicos específicos que ajudam no desenvolvimento de nossa personalidade. Cada estágio dele traz o nome desses conflitos.
1-    CONFIANÇA X DESCONFIANÇA

·       0 ao 1 ano de idade.
·        Equivale a fase oral descrita por Freud.
·       Durante os primeiros 18 meses de vida o bebê terá experiências que o levará a confiar ou não, em sua mãe, e outras pessoas.
o   Se o bebê é alimentado, higienizado e acariciado de forma adequado desenvolverá a confiança.
o   Se o bebê vivencia isso de forma inadequada vai desenvolver a desconfiança
o   É preciso desenvolver tanto a confiança como a desconfiança.
“– Eu sinto que a primeira atitude psicossocial básica a se aprender é a que pode confiar em sua mãe, de que ela voltará e te alimentará, que pode confiar que ela te dará a coisa certa, na quantidade certa, na hora certa. Saber que quando estiver desconfortável ela virá e te deixará confortável. Isso é confiança básica. Os homens precisam aprender isso, diferente dos animais que fazem isso instintivamente. A mãe tem que ensinar. Então, nas diferentes culturas e classes, as formas de criar criança ,ensinam por diferentes modos. Mas a desconfiança é igualmente importante. Queira perdoar minha contradição por um momento. Acontece tão fácil de as pessoas excluírem a desconfiança, a dúvida, a vergonha e todas essas coisas, estabelecendo meramente uma escala de virtudes. Como se a confiança viesse primeiro, mas a confiança e a desconfiança são nossas atitudes sociais básicas. As usamos constantemente. Quando se está numa situação, temos que saber diferencias se podemos confiar ou desconfiar. A desconfiança significa reconhecer o perigo, antecipar desconfortos e por aí vai.”(Entrevista com Erick Erikson, June 1964 com Richard Evans – Universidade de Houston.)

2-    AUTONOMIA X VERGONHA )

·       2 ao 3 anos
·       Equivale a fase anal da teoria freudiana.
·       O conflito psíquico importante é o que se dá entre a autonomia e a vergonha. A criança desmama por conta da maturação biológica. Aprende a se locomover e a controlar os esfíncteres.
·       Processo gradual e liberação em relação a figura materna que proporciona a criança um sentimento progressivo de independência e autonomia.
·       Surge forte desejo por auto direção. Quer fazer tudo sozinha e explorar o ambiente ao máximo. Quando os adultos permitem que a criança explore o ambiente e tenha a oportunidade de faze-las sozinha, sem censurá-las, quando comete erros, as necessidades de independência da criança são atendidas alimentando seu sentimento de autonomia.
·       Crianças que tem sua autonomia tolhida. Adultos que fazem tudo no lugar da criança por subestimar as capacidades dela, seja por quererem fazer as coisas do jeito adulto, e punindo a curiosidade da criança pelo ambiente ou sua incapacidade de controlar a evacuação por perfeição, instalam -se sentimentos de vergonha e demérito pessoal. A criança passa a duvidar de sua própria capacidade de poder dirigir seu próprio comportamento.

3-    INICIATIVA X CULPA

a.     3 aos 6 anos
b.     Equivale a fase fálica de Freud
c.     Desenvolve sua identidade como menino ou menina, segundo Erikson. Nesse período a menina ou menino se identificara com seu progenitor do mesmo sexo, copiando aspectos do seu comportamento. A menina exibirá sua feminilidade e o menino sua masculinidade.
d.     O menino tende a antagonizar com o pai e a menina com a mãe. Comportamentos naturais, passageiros e fundamentais para a formação da personalidade.
e.     A censura dos adultos seja pela punição, ridicularização ou sarcasmo, pode criar na criança, fortes sentimentos de diminuição e culpa, em reação a própria identidade. Ao expressar seus desejos as criança demonstra seu desejo de  vir  a ser um adulto completo. Desenvolver-se com segurança e propósito. É importante que ela não se sinta diminuída nem culpada por manifestar seus sentimentos.
“– Ele começa a imaginar objetivos. Isso tem a ver com iniciativa porque ele começa, por exemplo, a se identificar com pessoas cujo trabalho ou cuja personalidade ele pode apreciar. E ele começa a pensar em ser adulto. Tudo isso, acredito, começa pelo propósito. Quando ele brinca, não é só uma questão de diversão, ou de praticar sua vontade ou sua habilidade de manusear. Ele começa a ter projetos nesse estágio.” (Entrevista com Erick Erikson, June 1964 com Richard Evans – Universidade de Houston.)
Erikson considera que as crianças nesse estágio devem receber esclarecimentos sexuais, dentro das capacidades de compreensão e na medida em que, suas curiosidades forem surgindo.

4-    DOMÍNIO X INFERIORIDADE

·       7 aos 12 anos
·       Equivale a fase de latência de Freud.
·       Se interessa em desenvolver habilidade dentro da escola e fora dela. Ler, escrever, calcular, aprender jogo, realizar atividades físicas, colecionar objetos, enfim, toda energia e motivação se referem ao desenvolvimento de competências.
·       As novas aprendizagens e ação sobre o mundo desenvolve na criança o sentimento de domínio.  Quando elas não são encorajadas a tomar parte nas atividades por outras pessoas, ou é rejeitada, desenvolve o sentimento de inferioridade.

5-    IDENTIDADE X CONFUSÃO DE PAPÉIS.
·       12 aos 18 anos
·       Equivale a fase genital da teoria freudiana
·       Busca entender a si mesmo. Primeira crise de identidade.
·       Ao longo da infância, a criança conviveu com muitas pessoas, desenvolveu identificações com algumas delas, e em consequência foi adquirindo características de amigos pais e professores.
·       Na adolescência, ele abandonará algumas dessas características e fortalecerá outras, e incansavelmente, tentará achar a si mesmo.
·       Raramente se identificam com os pais, não aceitam intromissão, rejeitam seus valores. É um esforço de separar sua identidade da de seus pais.  O adolescente tem uma grande necessidade de pertencer a um grupo social, formado por pessoas de sua idade.  Ser parte de tal grupo, ajuda o adolescente a encontrar sua identidade no contexto social.
·       Ao conseguir definir sua identidade desenvolve o sentimento de coerência interna, se sentido uma pessoa integrada e única. Nem sempre o adolescente consegue alcançar essa tarefa, sofrendo a chamada difusão de identidade quando ele não consegue encontrar a si mesmo.
“- Sim, eu sugiro que nesse estágio ele tem capacidade cognitivas para buscar seus interesse sociais. Agora, ele quer saber onde se encaixa nessa cultura. Você encontra isso nas culturas primitivas, nos rituais da puberdade que lhe dizem primeiro qual o seu lugar. Que ele pertence a uma certa tribo, a um certo clã, e por aí vai. Claro que quanto mais temos escolhas livres em uma cultura, na qual um adolescente pode decidir quem será, você também tem mais conflitos em relação a isso. Quanto menos restrições numa sociedade livre, maiores conflitos terão, maiores os problemas com a identidade. Mas, claro, não defendo que as identidades devem sempre ser tão pré-determinadas que você não tenha escolha. Pois, se você tem que se conformar em papéis absolutos, algumas pessoas são postas de lado, e simplesmente, não sobrevivem em tribos primitivas por não se encaixarem nisso.,

6-    INTIMIDADE X ISOLAMENTO

·       18 aos 30 anos
·       Fase genital da teoria freudiana
·       O jovem tem interesse em fundir sua identidade com a de outras pessoas. Quer dizer entregar-se em relações de intimidade, as quais será fiel, se entregando a compromissos e sacrifícios. Está pronto para assumir uma relação sexual e afetiva duradoura. Pertencer inteiramente a um grupo religioso a um movimento político. Manter uma amizade profunda e sincera. Ele está pronto para doar-se, para sair de si mesmo sem medo de perder a própria identidade.
·       Caso não tenha atingido essa condição de integridade do eu, terá dificuldade de envolver-se genuína e profundamente com outras pessoas, fugindo da intimidade, convivendo com uma profunda sensação de isolamento e distanciamento.
“- A intimidade é realmente a habilidade de fundir sua identidade à de outro, sem o medo de que você perderá algo de si. É por isso, que nesse estágio, o casamento se torna possível. Quando o casamento não funciona é porque isso não se desenvolve. É uma das razões em que os casamentos entre pessoas muito jovens tendem a não dar certo. Porque algumas pessoas jovens casam para encontrar suas identidades através do casamento, ou encontrar suas identidades em outra pessoa, o que não é possível. Para ser realmente íntimo, você precisa ser capaz de ter uma identidade muito firme já desenvolvida.

7-    GENERATIVIDADE X AUTOABSORÇÃO

·       30 aos 60 anos
·       Fase genital da teoria freudiana
·       O adulto interessa-se por criar, cuidar e orientar uma nova geração. É a generatividade.
·       Erikson percebe que as pessoas maduras apresentam uma grande necessidade em se sentirem responsável por crianças e jovens.
·       Aos se sentirem necessários, sentem-se estimulados. Quando não ocorre, há um sentimento de estagnação e infecundidade.
·       A generatividade pode se realizar pela procriação, mas também, pode se manifestar por atividades relacionadas ao cuidado e a orientação da infância.
“- Eu penso que nesse estágio, que a ética, a ética madura, se torna possível. Porque agora você aprende a se tornar responsável pelo que está criando. Agora, eu evito o termo “criatividade”. Generatividade significa gerar, produzir algo. Com isso, me refiro a tudo que é gerador. Filhos, produtos, ideias, obas de arte. Com isso uma pessoa pode se realizar, mesmo não tendo sido reconhecida (EX: Picasso) , mesmo não tendo filhos já que generatividade também é ser útil a filhos dos outros, como fazem os professores por exemplo. Ou quando alguém se preocupa em gerar ideias. Não o fazer pode gerar frustrações, isso Freud sempre enfatizou.

8-     INTEGRIDADE DO EGO X DESESPERANÇA

·       60 anos de idade, em diante.
·       Fase genital da teoria freudiana
·       O adulto que tiver resolvido de forma satisfatória todos os conflitos dos estágios anteriores e desenvolvido a capacidade da solidariedade humana, terá condições psíquicas para lidar com a crise final ligada a desintegração e a morte. Aqueles que não tenham desenvolvido suficientemente a integração do ego, experimentarão sentimentos de desespero e que não há mais tempo para retornar e experimentar diferentes possibilidades da vida.
·       A integridade do ego leva ao sentimento de união com a humanidade, a sabedoria e a esperança. A falta de integridade do ego leva a desesperança e ao temor da morte.

segunda-feira, 6 de abril de 2020

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ADOLESCÊNCIA


Quer saber de algumas DICAS sobre como melhorar essa relação entre pais e filhos adolescentes?
Só pra adiantar... essa é uma relação de mão dupla! Fique atento!

- Sabe aquele momento em que você está de mal-humor e não quer falar com ninguém, a não ser com seus pensamentos? O mal-humor é normal na adolescência devido às alterações hormonais, à instabilidade, e por isso mesmo, não precisa ser motivo de conflitos. 

Dica no.1: Os pais devem respeitar o momento de introspecção do adolescente, sem pressioná-lo para que tenha um tempo de processar suas emoções. Por outro lado, os jovens precisam saber, que os pais não têm bola de crista, e desejam apenas saber se estão bem. Não custa pedir aos pais um tempinho pra você, e as coisas logo ficarão bem. Diálogo - empatia - compreensão e entendimento mútuo.
- Quando o seu filho for introspectivo, comece falando de você, como foi seu dia,  o que aconteceu de curioso que possa conquistar a atenção e confiança dele para se estabelecer o diálogo.

Dica no.2:  Os jovens introspectivos precisam se sentir a vontade para entrar no diálogo, e sentir-se seguro para falar de si em família. Iniciar o diálogo falando de si, de como se sente, de seu dia a dia pode ser um caminho para fortalecer os vínculos entre ambos.Diálogo - empatia - compreensão e entendimento mútuo.
- Respeitar a intimidade dos filhos é condição elementar para formação e fortalecimento de vínculos relacionados diretamente à confiança.

Dica no.2:  Os adolescentes devem entender que é dever dos pais, com sua permissão,  ver suas redes, por uma questão de cuidado e zelo. Para isso, é preciso que ambos dialoguem sobre as concessões, buscando um entendimento mútuo. Por outro lado, os pais precisam respeitar a intimidade e a privacidade de seus filhos. Diálogo - empatia - compreensão e entendimento mútuo.

- Os adolescentes geralmente, têm uma ampla rede de relacionamentos, e portanto, muitos amigos. seus pais devem ter um olhar acolhedor para seus amigos, a fim de conhecê-los melhor. 

Dica no. 3: Os pais devem ter uma boa relação com os amigos de seus filhos, longe de críticas e ao mesmo tempo, tendo o cuidado de não trata-los como seus amigos. por outro lado, os adolescentes devem buscar uma relação dialógica com seus pais, quando estão com seus amigos, com os quais se identificam. Diálogo - empatia - compreensão e entendimento mútuo.

- É natural que os adolescentes tenham comportamentos intensos e instintivos, e se expressem por imagens, até que consigam encontrar a sua própria identidade

Dica no. 4:  Nessa relação, os adolescentes devem procurar ter um pouco mais de bom-senso e moderação para que não se comportem muitas vezes de forma rebelde e agressiva, e posteriormente, se sintam culpados. Por outro lado, os pais devem ter uma maior compreensão com essa inabilidade de moderação, que se dá em função de diversas questões biológicas que ainda estão em formação. 
Diálogo - empatia - compreensão e entendimento mútuo.

- Com a correria do dia-a-dia, e frente aos desafios de viver num mundo globalizado, é importante que ambos, pais e filhos, disponham de tempo um para o outro.

Dica no. 5: Planejem momentos especiais, de descontração, em que possam conversar despretensiosamente, sem nenhum motivo específico para que o diálogo se estabeleça. Não espere que os pais ou os filhos criem esse momento. Tome a inciativa!
Diálogo - empatia - compreensão e entendimento mútuo.


Referências;
Google Imagens.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Adolescência: uma perspectiva critica - Texto do CFP

Capítulo I
Adolescência: Uma perspectiva crítica
Sergio Ozella

"A concepção vigente na psicologia sobre adolescência está fortemente ligada a estereótipos e estigmas, desde que Stanley Hall a identificou como uma etapa marcada por tormentos e conturbações vinculadas à emergência da sexualidade. "

"Essa concepção foi reforçada por algumas abordagens psicanalistas que a caracterizaram como uma etapa de confusões, estresse e luto também causados pelos impulsos sexuais que emergem nessa fase do desenvolvimento. "

"Erikson (1976) foi o grande responsável pela institucionalização da adolescência como uma fase especial no processo de desenvolvimento ao introduzir o conceito de moratória, identificando essa fase com confusão de papéis e dificuldades de estabelecer uma identidade própria, e como um período que passou a “ser quase um modo de vida entre a infância e a idade adulta” (p. 128). A partir dessas fontes, instalou-se uma concepção naturalista e universal sobre o adolescente que passou a ser compartilhada pela psicologia, incorporada pela cultura ocidental e assimilada pela homem comum, muitas vezes através dos meios de comunicação de massa." 

Debesse (1946) é um dos autores que mais claramente marca essa posição naturalista e universal ao propor uma essência adolescente. Para o autor, a adolescência não é uma simples transição entre a infância e a idade adulta; ela possui uma mentalidade própria com um psiquismo característico dessa fase. Chega a afirmar que é “erro pensar que a juventude muda conforme as épocas ... acreditar que ela se identifica com sucessivos vestuários de empréstimo e que cada geração tem sua juventude é uma ilusão de moralista amador e apressado ... por detrás do aspecto da juventude existe a juventude eterna, notavelmente idêntica a si própria no decurso dos séculos ...” (pp.15-16). 

"Na América Latina e, particularmente, no Brasil, Aberastury (1980) e Aberastury e Knobel (1981) são um marco histórico no estudo da adolescência na perspectiva psicanalítica. Sem dúvida, influenciaram muito e são fontes de referência para todos os que se preocupam com esse tema. "

"Aberastury considera a adolescência como “um momento crucial na vida do homem e constitui a etapa decisiva de um processo de desprendimento” (1980, p. 15). Além disso, destaca esse período como de “contradições, confuso, doloroso” (p. 16). Ainda mais, afirma que a “adolescência é o momento mais difícil da vida do homem...” (p. 29). "

"Knobel, ao introduzir a “síndrome normal da adolescência”, traz uma grande contribuição dentro dessa perspectiva, mas que merece algumas considerações. Apesar de enfatizarem que “toda a adolescência leva, além do selo individual, o selo de meio cultural e histórico” (Aberastury, 1981, p. 28), ambos acabam incorrendo no artifício de condicionar a realidade biopsicossocial a circunstâncias interiores ao afirmarem uma “crise essencial da adolescência” (p.10). "

"Além disso, Knobel parte de pressupostos de que “o adolescente passa por desequilíbrios e instabilidades extremas” (p. 9) e que o “adolescente apresenta uma vulnerabilidade especial para assimilar os impactos projetivos de pais, irmãos, amigos e de toda a sociedade” (p. 11). Esses desequilíbrios e instabilidades extremas e essa vulnerabilidade especial é o que colocamos em dúvida. Essas características, colocadas como inerentes ao jovem, é que nos incomodam. Elas pressupõem uma crise preexistente no adolescente. Essa tradição que considera a adolescência como uma fase crítica é que colocamos em questão e que deveria ser mais bem discutida. Estaremos aqui refletindo sobre a concepção de adolescência da qual a psicologia tradicional se apropriou e que marca esse período de maneira universalizante, naturalizante e crítica. "

Santos (1996), em um estudo que mapeou historicamente as concepções de infância e adolescência incluindo a Teologia, a Filosofia, a Psicologia e as Ciências Sociais, identifica em Rousseau a invenção da adolescência como um período típico do desenvolvimento, marcado pela turbulência, no qual o jovem não é nem criança nem adulto."

 Também aqui estariam as raízes de uma visão naturalista, na medida em que a infância e a adolescência são vistas como um estado, e não como uma condição social. O autor destaca, também, o fato de haver uma tendência à formulação de grandes teorias que construiriam conceitos amplos que podem ser questionados em sua relevância social. Dentro dessa perspectiva, Santos cita como exemplos Freud e Piaget que, segundo ele, apresentam deficiências pelo fato de desprezarem o contexto social e cultural, tendendo a identificar bases universais em suas proposições. Apesar de mencionarem uma interrelação entre o biológico e o cultural, enfatizam as estruturas internas como propulsionadoras do desenvolvimento. 

"As crianças (e adolescentes) parecem nascer e viver em um vacuum sociocultural. Em estudo em fase de conclusão, que investiga as concepções dos profissionais de psicologia que trabalham com adolescentes sobre esta categoria, Ozella (1999) encontrou uma ênfase naturalizante caracterizada por uma visão da adolescência mais como uma fase inerente ao desenvolvimento do homem do que como um processo que se constrói historicamente."

 Apesar de estudos antropológicos que, desde Margareth Mead (1945), têm questionado a universalidade dos conflitos adolescentes, a psicologia convencional insiste em negligenciar a inserção histórica do jovem e suas condições objetivas de vida. Ao supor uma igualdade de oportunidades entre todos os adolescentes, a psicologia que se encontra presente nos manuais de Psicologia do Desenvolvimento, dissimula, oculta e legitima as desigualdades presentes nas relações sociais, situa a responsabilidade de suas ações no próprio jovem: se ideologiza (Bock, 1997; Climaco, 1991). Osório (1992), ao colocar a questão de a adolescência ter um caráter universal, responde afirmativamente, apesar de fazer algumas ressalvas, considerando que, ao se  referir à crise de identidade do adolescente, localiza-a naqueles jovens de classes sociais mais privilegiadas que não têm a preocupação com a luta pela sobrevivência. 

Entretanto, a seguir faz considerações que indicam alguma contradição. Afirma ele: “Mesmo em condições de vida extremamente adversas, desde que assegurada a satisfação das necessidades básicas de alimentação e agasalho, podemos encontrar a seqüência dos eventos psicodinâmicos que configuram o processo adolescente e a crise de identidade que o caracteriza” (p. 21). 

Peres (1998), ao investigar a concepção de adolescente/adolescência no discurso da Saúde Pública, identifica também a noção de universalidade do fenômeno, bem como a noção da adolescência como um período crítico no desenvolvimento humano. 

Da mesma forma, Bock (1997), considera que a universalidade “traz implícita a ideia de uma evolução natural do ser humano, linear, independente das condições concretas de sua existência” (p. 64). 

Por outro lado, Peres ressalta que a ideia da adolescência como um período de crise se sustenta pela concepção da ciência positiva que permeia a psicologia, que exclui a contradição, no sentido de que: “a noção de crise permite dar a ideia de um desarranjo, pois a “harmonia” é pressuposta como sendo de direito ... A “crise” serve, assim, para opor uma ordem ideal a uma desordem real, na qual a norma ou a lei é contrariada pelo acontecimento ... 

Na concepção de adolescência, essa leitura faz sentido, na medida em que, dentro da evolução referida, a crise é apresentada como um desvio ou perigo do curso natural do desenvolvimento, que deve ser cuidado para a retomada da ordem natural (social)” (p.72). Estudiosos na Espanha levantaram a questão da insistência em considerar a adolescência como um momento de crise. Herrán (1997) considera que haja alguma concordância entre autores e linhas teóricas sobre o fato de a adolescência ser um período de transição marcado por mudanças físicas e cognitivas. O mesmo ocorre no que diz respeito à construção de uma identidade nova (o que acontece durante toda a vida, pois a identidade está em constante transformação). 

O mesmo se dá quando se referem à adolescência como um prolongamento do período de aprendizagem que permitirá sua inserção no mundo adulto. Observa entretanto que esse período tem sido marcado por estereótipos que caracterizariam uma suposta síndrome normal da adolescência, na qual se enfatizam: a rebeldia, a instabilidade afetiva, a tendência grupal, as crises religiosas, as contradições, as crises de identidade (Knobel, 1981), para citar apenas algumas marcas da adolescência. Uma das marcas mais fortes nessa concepção de adolescência – a rebeldia – é enfatizada por Osório (1992) com a afirmação de que...“Sem rebeldia e sem contestação não há adolescência normal... O adolescente submisso é que é a exceção à normalidade” (p. 47). 

"Santos (1996) faz algumas reflexões interessantes sobre as implicações contemporâneas das concepções modernas de infância e adolescência que podem ser assim resumidas: 

1. Haveria uma desconexão e dessintonia entre os compromissos teóricos e os fatos, que têm como conseqüência uma dicotomização (inato x adquirido, universal x particular, racional x emocional, etc.) e uma tendência à ideologização;

2. Um presentismo caracterizado pela utilização de conceitos ou concepções do passado nas proposições atuais. 

3. Generalizações inconsistentes a partir de estudos sem rigor metodológico ou de concepções vigentes em todas as culturas ou com base em atitudes e comportamentos identificados nas relações pais-filhos;

4. Ligada ao aspecto anterior, a presença de uma relativização extremada no sentido de que os estudos sobre adolescência são fundamentados em um único tipo de jovem, isto é: homem-branco-burguês-racional-ocidental, oriundo, em geral, da Europa Centro-Ocidental ou dos Estados Unidos da América, nunca do Terceiro Mundo. Isto é, o adolescente estudado pertence à classe média/alta urbana e nunca a outras classes sociais, etnias, ou a outros contextos, como o rural, por exemplo; 

5. As concepções são marcadas pelo adultocentrismo, isto é, o parâmetro é sempre o adulto. Alves (1997), em sua tese de doutoramento, levantou alguns aspectos de profissionais variados que têm contato com os jovens e aqui destacamos pontos que marcam a sua visão sobre o mundo adolescente. Para eles, os jovens reproduzem os papéis sociais dos adultos, apesar de considerarem o mundo adulto muito distante deles e não os utilizarem como modelo; são pouco politizados e estão alienados das questões sociais; valorizam o estudo como forma de ascensão, mas não gostam de estudar; encaram o trabalho como outra forma de ascensão (particularmente os jovens de classe menos favorecida) e seguem uma ideologia do esforço pessoal, não tendo uma consciência muito crítica da sua condição social; são extremamente consumistas ou desejam consumir, mesmo quando não têm condições para isso e apresentam problemas, principalmente nas áreas e relações amorosas ou de outros vínculos, apresentando sinais de solidão. Apesar de algumas referências às condições socioeconômicas e de classe, os profissionais não enfatizam essas características ao falar sobre o mundo adolescente. Em contrapartida, ao trabalhar com a visão dos próprios adolescentes a condição de classe trabalhadora parece interferir de alguma forma. 

A maneira como encaram a escola é sintomática: os jovens trabalhadores fazem associação entre escola e trabalho como forma de adquirir autonomia, enquanto os jovens de classe mais elevada a consideram como útil, mas ligada a aspectos sociais e até de lazer. Quando são questionados sobre o seu projeto de futuro, os jovens de classe mais privilegiada apresentam menor preocupação, apesar de alguns já terem esboçado um objetivo a atingir. Por outro lado, os jovens trabalhadores encaram o futuro como um desafio que depende muito de seu esforço pessoal e de seu sucesso nos estudos. Em relação ao sentimento de solidão, ele aparece mais forte nos jovens de classe mais elevada (Alves, 1997). 

No mesmo estudo, surge um aspecto interessante no que se refere à concepção (mais geral) sobre os outros adolescentes e à própria auto-imagem. Grande parte dos jovens, independentemente da condição socioeconômica, tem uma visão estereotipada e negativa dos outros adolescentes (vândalos, drogados, rebeldes), mas, ao mesmo tempo, se definem como adolescente-padrão e este aspecto é bem marcado na classe trabalhadora. 

As concepções presentes nas vertentes teóricas da psicologia, apesar de considerarem a adolescência como um fenômeno biopsicossocial, ora enfatizam os aspectos biológicos, ora os aspectos ambientais e sociais, não conseguindo superar visões dicotomizantes ou fragmentadas. Dessa forma, os fatores sociais são encarados de forma abstrata e genérica, e a influência do meio torna-se difusa e descaracterizada contextualmente, agindo apenas como um pano de fundo no processo de desenvolvimento já previsto no adolescente. Essa situação é identificada por Bock dentro de uma concepção liberal, na qual o homem é concebido a partir da ideia de natureza humana: um homem apriorístico que tem seu desenvolvimento previsto pela sua própria condição de homem, livre e dotado de potencialidades (Bock, 1997). Temos buscado uma saída teórica que supere a visão naturalizante e patologizante da adolescência presente na Psicologia. Uma saída que supere a visão de homem, baseada na ideologia liberal, que vê o homem como autônomo, livre e capaz de se autodeterminar. Que, resumidamente, vê a adolescência como uma fase natural do desenvolvimento, apontando nela características naturais como rebeldia, desequilíbrios e instabilidades, lutos e crises de identidade, instabilidade de afetos, busca de si mesmo, tendência grupal, necessidade de fantasiar, crises religiosas, flutuações de humor e contradições sucessivas. Enfim, um conjunto de características que têm sido tomadas como uma síndrome normal da adolescência (Aberastury & Knobel, 1981). Dessa forma, consideramos que a adolescência é criada historicamente pelo homem, enquanto representação e enquanto fato social e psicológico. É constituída como significado na cultura, na linguagem que permeia as relações sociais. Fatos sociais surgem nas relações e os homens atribuem significados a esses fatos. Definem, criam conceitos que representam esses fatos. São marcas corporais, são necessidades que surgem, são novas formas de vida decorrentes de condições econômicas, são condições fisiológicas, são descobertas científicas, são instrumentos que trazem novas habilidades e capacidades para o homem. 

Quando definimos a adolescência como isto ou aquilo, estamos constituindo significações (interpretando a realidade), a partir de realidades sociais e de marcas que serão referências para a constituição dos sujeitos. A adolescência não é um período natural do desenvolvimento. É um momento significado e interpretado pelo homem. Há marcas que a sociedade destaca e significa. Mudanças no corpo e desenvolvimento cognitivo são marcas que a sociedade destacou. Muitas outras coisas podem estar acontecendo nessa época da vida no indivíduo e nós não as destacamos, assim como essas mesmas coisas podem estar acontecendo em outros períodos da vida e nós também não as marcamos, como por exemplo, as mudanças que vão acontecendo em nosso corpo com o envelhecimento.

Reconhecemos, no entanto, que há um corpo se desenvolvendo e que tem suas características próprias, mas, nenhum elemento biológico ou fisiológico tem expressão direta na subjetividade. As características fisiológicas aparecem e recebem significados dos adultos e da sociedade. A menina que tem os seios se desenvolvendo não os vê, sente e lhes atribui o significado de possibilidade de amamentar seus filhos no futuro. Com certeza, em algum tempo ou cultura isso já foi assim. Hoje, entre nós, os seios tornam as meninas sedutoras e sensuais. Esse é o significado atribuído em nosso tempo. A força muscular dos meninos já teve o significado de possibilidade de trabalhar, guerrear e caçar. Hoje é beleza, sensualidade e masculinidade. Da mesma forma, o jovem não é algo por natureza. São características que surgem nas relações sociais, em um processo no qual o jovem se coloca inteiro, com suas características pessoais e seu corpo. Como parceiro social, está ali, com suas características que são interpretadas nessas relações, tendo um modelo para sua construção pessoal. É importante frisar que o subjetivo não é igual ao social. Há um trabalho de construção realizado pelo indivíduo e há um mundo psíquico de origem social, mas que possui uma dinâmica e uma estrutura própria. Esse mundo psíquico está constituído por configura
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ções pessoais, nas quais significações e afetos se mesclam para dar um sentido às experiências do indivíduo. Os elementos desse mundo psíquico vêm do mundo social (atividades do homem e linguagem), mas não são idênticos a ele. Dentro de uma perspectiva sócio-histórica (Bock, 1997), só é possível compreender qualquer fato a partir de sua inserção na totalidade, na qual este fato foi produzido. Totalidade esta que o constitui e lhe dá sentido. Assim, a adolescência deve ser compreendida nessa inserção. É importante perceber que a totalidade social é constitutiva da adolescência, ou seja, sem as condições sociais, a adolescência não existiria ou não seria essa da qual falamos. Não estamos nos referindo, portanto, às condições sociais que facilitam, contribuem ou dificultam o desenvolvimento de determinadas características do jovem. Estamos falando de condições sociais que constróem uma determinada adolescência. E como foi construída historicamente a adolescência? Clímaco (1991), considera que, na sociedade moderna, o trabalho, com sua sofisticação tecnológica, passou a exigir um tempo prolongado de formação, adquirida na escola. Além disso, o desemprego crônico/estrutural da sociedade capitalista trouxe a exigência de retardar o ingresso dos jovens no mercado e aumentar os requisitos para esse ingresso. A ciência, por outro lado, resolveu muitos problemas do homem e ele teve a sua vida prolongada, o que trouxe desafios para a sociedade, em termos de mercado de trabalho e formas de sobrevivência. Estavam dadas as condições para que se mantivesse a criança mais tempo sob a tutela dos pais, sem ingressar no mercado de trabalho. Mantê-las na escola foi a solução. A extensão do período escolar, o distanciamento dos pais e da família, e a aproximação de um grupo de iguais foram as conseqüências dessas exigências sociais.

A sociedade assiste, então, à criação de um novo grupo social com padrão coletivo de comportamento – a juventude/a adolescência. Outro fator importante é que a adolescência pode ser entendida também como forma de justificativa da burguesia para manter seus filhos longe do trabalho. A adolescência refere-se, assim, a esse período de latência social constituída a partir da sociedade capitalista, gerada por questões de ingresso no mercado de trabalho e extensão do período escolar, da necessidade do preparo técnico e da necessidade de justificar o distanciamento do trabalho de um determinado grupo social. Essas questões sociais e históricas vão constituindo uma fase de afastamento do trabalho e de preparo para a vida adulta. 

As marcas do corpo e as possibilidades na relação com os adultos vão sendo pinçadas para a construção das significações, para a qual é básica a contradição, que se configura nesta vivência entre as necessidades dos jovens, as condições pessoais e as possibilidades sociais de satisfação delas. É dessa relação e de sua vivência, enquanto contradição, que se retirará grande parte das significações que compõem a adolescência: a rebeldia, a moratória, a instabilidade, a busca da identidade e os conflitos. Essas características, tão bem anotadas pela Psicologia, ao contrário da naturalidade que se lhes atribui, são históricas, isto é, foram geradas como características dessa adolescência que aí está. Entende-se, assim, a adolescência como constituída socialmente a partir de necessidades sociais e econômicas e de características que vão se constituindo no processo, nos meios de comunicação de massa  e a concepção de adolescente.

A partir dessa concepção de adolescência, entendida como uma construção histórica e não como uma fase natural do desenvolvimento, e considerando os meios de comunicação de massa como um determinante importante na construção de vários significados sociais, não podemos ignorar a participação da mídia nessa construção da concepção de adolescência nos próprios jovens imersos nesse caldo de informações transmitidos pela mídia. 

Isto é, um modelo de adolescente está sendo passado pelos meios de comunicação que permite ao adolescente a constituição de uma identidade própria, bem como contribui para um posicionamento dos pais na mesma direção. Se não veiculam uma definição única, fornecem ao menos uma contribuição para a manutenção de algumas noções do que seja o adolescente. Os meios de comunicação, portanto, desempenham um papel importante na veiculação dessas concepções, já que há um compartilhar pelos adolescentes dessas informações.

 Apesar de não haver um consenso na literatura a respeito do papel social dos meios de comunicação, há uma tendência geral de reconhecer que eles devem ser considerados. Intencionalmente ou não, as informações veiculadas afetam em algum grau a visão de mundo, e de si mesmo, que o jovem constrói. Gostaríamos de destacar que o fato de a mídia influenciar a audiência ou seus consumidores não significa que o adolescente esteja passivo diante dessa situação, apenas absorvendo o conteúdo transmitido. Entretanto, não podemos negar que a possibilidade de uma leitura crítica e de uma transformação do conteúdo recebido não são muito facilitadas, considerando a massificação de informações transmitidas por ela. 

O que gostaríamos de destacar é que os estudos sobre os efeitos dos meios de comunicação, particularmente, a televisão, dão pouca ênfase aos conteúdos transmitidos. Eles ficam mais no nível da freqüência em que as crianças (mais do que adolescentes) ficam expostas à televisão, características dos programas, ideologia das mensagens, etc. Sem dúvida, esses são pontos interessantes e importantes, mas  não avançam na questão específica da relação: conteúdo, adolescente, linguagem.

REFERÊNCIAS: Texto do CFP.
Aberastury, A. (1980). Adolescência. Porto Alegre. Artes Médicas. Aberastury, A. & Knobel, M. (1981). Adolescência normal. Porto Alegre. Artes Médicas. Alves, C. P. (1997). Eu nunca vou parar de buscar nada: emancipação frente à colonização e políticas de identidade na adolescência. Tese de Doutorado não publicada. Curso de Pós-Graduação em Psicologia Social. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. São Paulo - SP. Bock, A. M. B. (1997). As aventuras do Barão de Münchhausen na Psicologia: Um estudo sobre o significado do fenômeno psicológico na categoria dos psicólogos. Tese de Doutorado não publicada. Curso de Pós-Graduação em Psicologia Social. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. São Paulo - SP. Clímaco, A. A. de S. (1991). Repensando as concepções de adolescência. Dissertação de Mestrado não publicada. Curso de Pós-Graduação em Psicologia da Educação. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. São Paulo - SP. Debesse, M. (1946). A adolescência. São Paulo. Europa-América. Erikson, E. (1976). Identidade, juventude e crise. Rio de Janeiro. Zahar. Herrán, J. Ig. M. (1997, Maio). Quando hablamos de adolescencia, hablamos todos de lo mismo? Anais do VII Congresso INFAD (pp. 125-132). Oviedo - Espanha. Mead, M. (1945). Adolescencia y cultura en Samoa. Buenos Aires. Editorial Abril. Osório, L. C. (1992). Adolescente hoje. Porto Alegre. Artes Médicas. Ozella, S. (1999). Concepções de adolescente/adolescência: Os teóricos e os profissionais. Relatório apresentado para concurso de promoção na carreira docente não publicado. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. São Paulo - SP. Peres, F. & Rosenburg, C. P. (1998). Desvelando a concepção de adolescência/adolescente presente no discurso da saúde pública. Saúde e Sociedade, 7(1),53-86. Santos, B. R. dos (1996). A emergência da concepção moderna de infância e adolescência. Mapeamento, documentação e reflexão sobre as principais teorias. Dissertação de Mestrado não publicada. Curso de Pós-Graduação em Ciências Sociais (Antropologia). Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. São Paulo - SP.

domingo, 3 de novembro de 2019

Sexualidade na Terceira Idade: desmistificando preconceitos com Rádila Fabrícia Salles

Rádila realizou uma pesquisa com o objetivo de analisar as concepções sobre a atividade sexual dos idosos frente às mudanças no processo de envelhecimento.

A sexualidade humana é um fenômeno complexo, onde estão presentes fatores biológicos, psicológicos e socioculturais. Ela chama atenção para o fato de que a sexualidade não se restringe ao ato sexual em si, mas está na maneira como se vive  e expressa, através de gestos, como se anda, se veste, etc. Envolve os fenômenos da vida sexual, sendo determinado por três aspectos biológicos, psicológicos e social.

Socialmente, a sexualidade do idoso acaba sendo restringida devido a ideia de que o idoso não sente desejo sexual,  o que Rádila chama a atenção para a necessidade de que a sociedade reveja seus conceitos e preconceitos, pois o idoso sente necessidade de troca afetiva por toda a vida. Isso pode levar o idoso a reprimir seus desejo a  enfrentar sentimentos de culpa e de vergonha.

Papaleo Netto (2007) chama atenção para os seguintes fatores:
  • a vida sexual deixou de ser meio de procriação e se tornou fonte de satisfação e realização pessoal.
  • As pessoas chegam a idades mais avançadas não dispostas a abandonar a vida sexual.
  • A AIDS obriga a todos repensar a sexualidade.
Outro fator que dificulta o dioso a enfrentar as mudanças ocorridas é a falta de comunicação, pois essa geração não tem o hábito de falar de suas dificuldades, nem de sexualidade.

Em sua pesquisa Rádila observou que 5% dos entrevistados  têm faixa etária acima de 80 anos, porém sua maioria 75% entre 60 e 69 anos. Observou-se que a grande maioria deles não busca informações sobre sexo, e que a escassez de informação sobre sexualidade é grade, não se sentem preparados para lidar com o assunto e se sentem excluídos do contexto.

Para os autores, o envelhecimento não é uma etapa somente de perdas mas também de aquisições como visão ampla da existência, e que embora, as relações sexuas aconteçam com menor frequência, ainda acontecem, dado as interferências biológicas, psicológicas e sociais. É necessário entender o significado do sexo nessa etapa da vida para o indivíduo, já que este enfrenta diversas dificuldades físicas e psicológicas provenientes da velhice. Vicente (2005) diz que a sexualidade é uma característica humana que não se perde com o tempo, mas se vai desenhando conforme a história vivenciada pelo corpo durante sua trajetória existencial, isso mostra que, a sexualidade do idoso é fruto da vida sexual que ele teve durante sua vida.

Rádila pode constatar que 51,7% dos idosos são ativos sexualmente, contrariando muitos dos valores sustentados pela sociedade atual, embora 95% tenham enfrentado alterações como indisposição, falta de interesse, problemas de saúde, privacidade e disponibilidade de companheiro(a). Contatou-se que não há idade para a prática do sexo, e que homens e mulheres saudáveis podem manter-se sexualmente ativos, independentemente da idade.

REFERÊNCIAS:
Congresso nacional de envelhecimento humano
Sexualidade na terceira idade: desmistificando preconceitos
Rádila Fabricia Salles
Fundação educacional de Fernandópolis - FEF.


sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Teoria Psicogenética de Henri Wallon na perspectiva do envelhecimento.


HENRI WALLON ( 1879-1962) – Francês (Médico, Filósofo e Psicólogo).

Embora se saiba que Wallon se dedicou ao estudo da criança por acreditar que esse era o caminho para se compreender a origem dos processos psicológicos humanos, a seguir uma análise de sua teoria na perspectiva do envelhecimento humano


AFETIVIDADE E INTELIGÊNCIA – TEORIA PSICOGENÉTICA

Estudou o desenvolvimento infantil a partir das dimensões cognitivas, afetivas e motora. Estudou o desenvolvimento de forma integral, recusando-se a estudar as partes isoladamente. Nessa perspectiva, sabe-se que o desenvolvimento humano na velhice é impactado de forma significativa nessas dimensões estudadas por Wallon (cognição, afetividade e motricidade).

A Psicologia genética está mais interessada em compreender quais as origens dos processos psíquicos.
Entendia que os processos psicológicos têm origem orgânica biológica, mas que só podem ser entendidos quando consideramos as maneiras pelas quais as influencias socioambientais interagem com esses processos. Portanto, considera tanto as condições orgânicas quanto as exigências sociais que influenciam o desenvolvimento psíquico.  O idoso chega na sua última fase, conforme essas influências socioambientais agiram em sua vida, durante todo o processo de desenvolvimento do sujeito, e são essas influências junto a sua história de vida que irão determinar de este terá uma vida de qualidade na terceira idade ou não, e ainda, como este se comportará no enfrentamento da última fase de sua vida.

Wallon entende que a estrutura biológica é a primeira condição para a atividade psíquica. Não pode haver atividade psíquica sem uma estrutura biológica. A mente opera com os estímulos que são recebidos do meio externo e do mundo são as grandes mantenedoras da existência e do desenvolvimento humano. Desenvolvemo-nos, na interdependência entre fatores biológicos e sociais. Desta forma, pode-se perceber que as condições biológicas do indivíduo irão influenciar no padrão de vida que idoso terá, pois as perdas e incapacidades da velhice, podem impor limitações da atividade psíquica do indivíduo.

O desenvolvimento do pensamento infantil não ocorre de forma contínua, marcado por crises e conflitos, resultado do amadurecimento dos sistema nervoso que traz novas possibilidades orgânicas para o exercício  do pensamento e alterações do meio social que traz novas situações e estímulos diferenciados. É do conflito dessas duas condições que emergem o pensamento e a inteligência. Logo conflitos e contradições não são problemas, mas fazem parte do desenvolvimento psíquico normal da criança. As crises muitas vezes são dinamizadoras do processo desenvolvimental, e portanto, benéficas. Sendo assim, o idoso que passou pelas fases anteriores do seu desenvolvimento, enfrentando positivamente os problemas, e aprendendo com eles, chega na velhice com pensamentos e inteligência bem estruturados para lidar com a última fase de sua vida.

Para ele o desenvolvimento não se dá de forma linear, por isso ele rompe com visões lineares e positivas ao construir um modelo de investigação e interpretação próprio. Pois, percebe que o desenvolvimento humano é marcado por avanços, recuos e contradições; não há uma sucessão de estágios, mas sim, desenvolvimentos que ocorrem de forma simultânea. Essa afirmativa de Wallon demonstra que ainda na velhice, é possível haver desenvolvimento na vida do idoso, tantos nos aspectos cognitivos quando bem estimulados, quanto nos aspectos psicológicos, mesmo havendo declínio das condições biológicas ou físicas.

Afetividade, motricidade e inteligência.

A inteligência se desenvolve após a afetividade, contrariando outras teorias. A inteligência surge de dentro da afetividade e estabelece com ela certa relação de conflito, talvez seja por isso que nos interessamos em aprender as coisas que mais gostamos do que as que não gosta. Ao nascer somos frágeis seres orgânicos e dependemos de outros para cuidar de nós, desenvolvendo uma absoluta dependência até os dois primeiros anos, e por isso, nos tornamos seres afetivos, a emotividade do bebe expressa no choro e no grito garante que o adulto se mobilizara para atender suas necessidades. Logo a expressão emocional assim é uma linguagem e sua função é social usada para comunicar necessidades. Não se deve confundir afetividade com amor e carinho. Afetividade estamos falando das coisas que nos afetam (ao olhar do outro, objeto, elementos internos como fome e lembranças) trata-se de eventos internos ou externos.

O choro afeta o adulto que cuida dela. O choro é culturalmente interpretado pelo adulto e é a partir daí age para atender a crianças. É no contexto dessa interação emocional e social que se dá o desenvolvimento cognitivo da criança. Wallon destaca a importância das atividades, motoras nesse processo, pois o bebe também expressa suas emotividades por gestos, expressões faciais. O ato motor é uma atividade expressiva que comunica os atos emocionais do bebe e ao mesmo tempo gera estados emocionais nos adultos.

Na medida em que a função simbólica se desenvolve, ou seja, que a criança se torna capaz de pensar sobre coisas que não estão presentes, como ver o desenho e associar a algo real, essa capacitação cognitiva permite a internalização de atos motores  quer dizer, os atos motores vão diminuindo porque as crianças desenvolvem outros recursos para se comunicar, como as palavras; além disso adquire maior controle e refino sobre o ato motor.

Ele não coloca a inteligência como o principal componente do desenvolvimento, mas defende que a vida psíquica é formada por três dimensões: motora, afetiva e cognitiva, e que essas dimensões coexistem e atuam de forma integrada.  Essas três dimensões afetam diretamente a vida do sujeito no processo de envelhecimento, quando as limitações motoras começam a surgir, afetando emocionalmente e cognitivamente a vida do idoso.
Defende que o processo de evolução depende tanto da capacidade biológica do sujeito, quanto do ambiente que o afeta de alguma forma. É o meio que vai permitir que essas potencialidades se desenvolvam. Dessa forma, pode-se pensar que havendo cuidados biológicos satisfatórios com a saúde física, e vivendo num ambiente que estimule e incentive o idoso a atividades cognitivas, certamente poderão se manter ativos e atuantes na velhice.

Principais características dos 6 estágios de desenvolvimento infantil de Wallon:
Em cada um dos estágios a criança interage com seu ambiente de formas específicas enquanto busca construir sua própria identidade.

Cada estágio representa um tipo de preparação para o estágio seguinte mas revela a descontinuidade.  O desenvolvimento alterna fases de introspecção, voltar-se para si mesmo, e outras, de extroversão, nas quais o individuo se volta para o meio externo, em busca de autonomia.

As idades e o tempo de duração de cada estágio variam de criança para crianças, por conta das características individuais e suas relações.

ESTÁGIO IMPULSIVO-EMOCIONAL (0 A 1 ANO)

  •  Realiza movimentos reflexos involuntários e impulsivos.
  •  Aos poucos vai respondendo afetivamente aos adultos que são seus intermediários entre ele e a realidade externa, nessa relação passa a usar gestos para se comunicar.
  • Aos 3 meses consegue sorrir para as pessoas, fortalecendo só vínculos coma s pessoas, e é através da afetividade que se estabelece os mais fortes vínculos com as pessoas.
  •  A função inicial da emotividade é mobilizar a mãe que irá atender as suas necessidades. É pela emoção expressiva, choro, grito, etc., que o bebe comunica as suas necessidades.
  • Até aproximadamente 1 ano o bebê está concluindo o processo de socialização com as pessoas que o cercam, fase em que ainda é totalmente dependente.
  • Se interessam por objetos a medida em que estes são apresentados pelos adultos. Com o avançar do desenvolvimento a criança vai aprendendo a agir diretamente com seu meio, em um processo crescente de individuação; torna-se mais autônoma.

ESTÁGIO SENSÓRIO-MOTOR E PROJETIVO ( 1 A 3 ANOS)
  • A EXPLORAÇÃO DO ambiente físico se se acentua na medida em que a criança aprende a segurar coisas e a se deslocar.
  • O desenvolvimento das capacidades cognitivas das crianças está em pleno desenvolvimento, explorando o mundo através dos sentidos e habilidades motoras. Tudo deve ser tocado e sentido.
  • Pouco a pouco o ato motor vai diminuindo e cedendo lugar ao ato mental, ao pensamento, como o desenvolvimento da fala o pensamento também ganha impulso.
  •  A aquisição da linguagem permite que o pensamento se manifeste através da fala, o que rompe com a manifestação motora do pensamento, e isso representa um salto qualitativo no desenvolvimento infantil.
  •  É necessário que a vivência sensória motora do mundo seja inibida pela criança para que a sua vida mental floresça.
ESTÁGIO DO PERSONALISMO (3 A 6 ANOS)
·       Há um conflito entre seu desejo pela autonomia e o fortalecimento do vínculo com a família.
·       Como o processo de formação da personalidade é a tarefa psíquica mais importante desse estágio, a criança nega os adultos, muitas vezes se opondo a eles. Seu pensamento volta-se quase que exclusivamente para si. Ela precisa adquirir consciência de si mesma em suas relações com o mundo.
·       Inicio da vida escolar, o vínculo familiar se flexibiliza e a criança se direciona para a autonomia uma vez que a vida escolar  exige que tome decisões sozinhas, realize escolhas, concorde ou descorde, enfim, se vendo em situações conflituosas.
·       Ao mesmo tempo em que caminha para autonomia, se desenvolve a imitação dos adultos que convive, modo de ser e pensar porque admiram.
·       Afetividade se manifesta de modo mais simbólico, por palavras e ideias

ESTÁGIO CATEGORIAL ( 7 A 12 ANOS)
·       A criança utiliza cada vez mais a inteligência para explorar e conhecer os objetos no meio físico e social, que podem ser transformadas e remanejadas dando margem a criatividade.
·       \a inteligência e o interesse pelo mundo externo predominam.  A criança avança para o pensamento abstrato, ganha maior controle de habilidade como a memória voluntaria (capacidade de memorizar coisas voluntariamente), obtém maior controle da atenção.

ESTÁGIO DA ADOLESCÊNCIA ( A PARTIR DOS 12 ANOS)
·       As modificações corporais que resultam da ação dos hormônios sexual, levam ao adolescente a buscar uma nova personalidade.
·       Há uma ruptura do equilíbrio afetivo, deseja compreender suas inquietações, seus desejos, sua sexualidade e sua real identidade., sendo importante que o adulto ao perceber essas necessidades ofereçam diálogo e apoio aos adolescentes.
·       O adolescente deseja diferenciar-se do adulto. Apresenta contornos mais racionais, criando teorias sobre seus relacionamentos com as pessoas.
·       Os conflitos internos e externos fazem com que o adolescente se volte para si mesmo, a fim de buscar sua autoafirmação, como forma de lidar com as transformações corporais e psíquicas impulsionadas pela maturação sexual.
·       O desenvolvimento permanece por toda a vida e não se encerra na adolescência. A afetividade e a cognição sempre estarão em movimento, em interação entre as inúmeras atividades que desenvolvemos ao longo da vida.