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segunda-feira, 20 de julho de 2020

Atena, Hermes e Dionisio - Aula 11 - Mitologia Grega e Psicologia Analítica


  • Hermes do grego Hermês, personifica o deus da comunicação, do ligar e desligar, do comércio, deus dos pastores e do rebanho, das almas.
  • Aquele que faz a mediação entre os deuses e os homens, criatividade.
Hermes é filho de Zeus e Maia. Logo ao nascer ele já consegue se desligar dos tecidos que envolviam o corpo da criança, o que um bebê não teria. Ele tem a capacidade de quebrar a lógica, paradigmas, aquilo que é considerado o comum, o certo, o lógico. Com isso, possui grandes habilidades em criar estratégias, criar planos. Hermes avista os rebanhos dos gados e quer para ele. Ele rouba os gados e amarra uma folha no rabo do gado, pois a medida que o gado ia andando iam apagando o rastro das pegadas. apolo deu falta das cabeças de gado e reclamou pra Zeus sobre o que tinha acontecido. Ele soube que Hermes teria roubado as cabeças de gado, que Apolo estaria tomando conta por uma punição. Zeus pergunta a Hermes se havia roubado e ele mente para Zeus dizendo que não roubou. Ele diz a Hermes para devolver as cabeças de gado e pede ao filho que nunca mais iria mentir. Ele devolve, promete que não vai emitir mas diz que não vai contar a verdade por inteiro.

O Tricster é o arquétipo do trapaceiro, promove  a quebra da logica, a ampliação da consciente, que acontece a partir de algo novo, contraditório, que possui um aspecto que deve ser rejeitado, desprezado e Hermes traz essa dinâmica consigo.

Na psicoterapia é necessário mediação no processo, na saúde, na saúde mental. o que envolve a capacidade de olhar para os opostos, o que é muito comum com aqueles que lidam com as coisas da psique. As coisas nem sempre são óbvias e lógicas, que as coisas precisam ser desse jeito ou daquele jeito. Na verdade é isso e aquilo e é preciso encontrar o meio de conviver com essas duas  realidades, e descobrir aquilo que ainda está oculto, subliminar, quando toda a verdade ainda não tiver sido revelada pelo cliente. É quando hermes fala que não é obrigado a dizer toda a verdade.

Ele quando nasceu Hermes criou a Lira a partir do casco de um tartaruga.Apolo ficou encantado com o som e da criação da lira. Isso traz a compensação do lado inferior de Apolo, que tem muita dificuldade de entrar em contato com a função sentimentos. Não sabia lidar com os pró´rios afetos e emoções, sobretudo, quando era contrariado. Tocado pelo som da lira, ele propôs a Hermes trocar as cabeças de gado com a lira. Com isso, Apolo começa a integrar os aspectos que estavam renegados ao seu inconsciente a partir do som da lira. Hermes carrega um caduceu, que pertencia a Apolo, e que foi trocado por uma flauta também criada por Hermes.

A capacidade de olhar para os opostos temos alteridade, que é a capacidade empática de me colocar no lugar do outro de maneira genuína, sentindo o que ele sente, percebendo as mesmas necessidades, não dizendo o que eu acho que é bom para ele. Quando dizemos o que achamos, sugerimos a partir de nosso narcisismo, de nossa visão de mundo.

Todos os deuses e deusas têm aspectos positivos e negativos. hermes tem a capacidade de fazer conexões, trazer coisas novas, quebrar paradigmas, sendo tão maleável, que não liga muito para as coisas, certas, as coisas que possuem regras, e acabar caindo no desvio do caminho reto, da corrupção, não cumprindo leis. Escândalos por desvios de toda ordem, política, sexual, moral. deve-se aí tem cuidado com a identificação inconsciente com esse padrão arquetípico.

Certa vez um palhaço veio a falecer e deixou algumas instruções certinhas para que seus companheiros seguissem no dia do seu enterro. pegaram o caixão e saíram andando, tiraram o corpo do caixão, num ambiente de comoção, e foram pro alto de um telhado. ambiente de sofrimento, dor e tristeza. No alto do telhado fizeram balança do corpo e jogaram o corpo do outro lado. Os palhaços com isso, queriam mostrar aquelas pessoas que não deviam levar a vida tão a serio, pois todos morrem. Isso motivou questionamentos a respeito dos padrões, o que é muito comum entre os adolescentes, que tem esse comportamento questionador. Mas quando na vida adulta, nos tornamos um questionador, enquanto estilo de vida, acabamos com dificuldade de seguir regras, normas, leis, rotinas, o que precisa ser respeito e seguido para se viver em sociedade.

Esse padrão de comportamento aparece muito nas psicoterapias, em que o adulto se comporta como um eterno adolescente, não cresce nunca. Sempre terá dificuldades com normas e valores, questionando sempre, tudo, todos,  não compreendendo as hierarquias, as normas e as regras.


  • ATENÁ do grego Athenâ, personifica a Grande Mãe.
  • Protetora da Pólis, sustentação das normas, medida, estratégia, justiça, filha do pai, deusa virgem, cultura e arte, democracia.
Atená  é aquela que é a filha do pai, nasce da cabeça de Zeus. A mãe de Atená é uma deusa sábia, deusa Nétis, e havia um profecia que dizia que o próximo filho que Zeus tivesse iria destroná-lo. Porém, Zeus se recusava a deixar seu cargo. Com isso, Zeus para impedir essa realidade, ele faz uma brincadeira a Nétis dizendo: duvido que você se transforme em um animal muito pequeno. Com isso Zeus começou a ter dores de cabeça, pediu ajuda a Hefesto, que pegou o machado e deu na cabeça de Zeus, e saiu Atená a deusa da sabedoria. Zeus ficou encantado com a filha que acabara de nascer de sua cabeça. 

No senso comum, observamos que certas filhas tem tudo a ver com a maneira de pensar do pai, da forma de ver a vida, relações calorosas, próximas, porém, essas filhas em alguns momentos, quando tem uma identificação inconsciente com a imagem arquetípica com Atená, vão ter muita dificuldade de relacionamento com outros homens. E Zeus pede a Atená que não tenha nenhum marido e ela atende ao pedido do pai. Acaba desenvolvendo o intelectual, acabam desenvolvendo a carreira, negócios, estudos, mas a vida afetiva, amorosa, pode acabar com problemas. Atená tem um predileção de estar com os homens, e o relacionamento com outras mulheres pode ficar complicado, pois tem um comportamento muito masculino. Sendo assim,  na psicoterapia, precisa ser olhado, esse lado mais sombrio, de expor sentimentos, do feminino, etc. Aspectos relacionados a ser frágil, demonstrar seus sentimentos talvez estejam por traz do ecudo de atená,

Atená ajuda Perseu a cortar a cabeça da medusa, que era uma mulher linda, maravilhosa que estava sendo perseguida por Poseidon. Medusa buscou o refúgio e socorro dentro do templo de Atená, que acabou ficando enojada por ela ter ido lá buscar socorro. Com isso, Medusa foi violentada dentro do templo de Atená, que pune Medusa transformando-a num mostro que petrifica as pessoas toda vez que alguém olhava para Medusa.

Isso mostra o que Atená faz com tudo o que envolve relacionamento, seja punido. Para ela se Medusa não tivesse entrado no templo dela, este não seria profanado. Ela não entende que Medusa na verdade foi violentada, sendo perseguida por Poseidon. Ela culpa e pune somente a mulher. Precisa ter um senso de justiça, de coerência, ao olhar para os fatos. Ela tem horror a relacionamento, a paixão, pois para isso, é preciso que ela baixe o escudo e abra espaço de intimidade para troca. Capacidade de tirar a persona no momento da intimidade.

Na sua busca pela górgona medusa, Perseu teve ajuda de Atená que lhe emprestou o cavalo alado Pergaso, teve as sandálias de Hermes para voar, o capacete de Ades que o tornaria invisível e a espada de Apolo. Com essas armas, o humano, o herói que nas céu da concepção entre o sagrado e o mortal, que tem a integração dos opostos em si, traz o aspecto simbólico da consciência e do inconsciente . Um ego que se submete ao caminho da individuação, dos desígnios propostos pelo self. quando o ego se abre para essa derrota moral, que diz não ter a capacidade moral, os aspectos compensatórios inconsciente poderá vir a seu favor. Com a ajuda dos deuses Perseu derrotou a medusa, olhou para os aspectos do monstro terrível, e assim verificou onde ela estava, fazendo uma manobra e cortando a cabeça da medusa, petrificando-a, e acabou se casando com a donzela Andrômeda. Levou a cabeça da medusa para Atená e colocou a cabeça da medusa em seu escudo, por isso ela passa uma visão terrível da sua imagem, correndo risco de ficar petrificado, rígido. É preciso ter a noção dos opostos  para não ficar paralisado.


  • Dionísio, do grego Diónysos, "estar em transe, ser tomado de um delírio sagrado", apreço pela experiência sensorial, intensidade passional, sexualidade, dança, teatro, agricultura, natureza, deus do vinho.
Ao olhar para a expressão êxtase e entusiasmos, pode-se pensar que acaba sendo a mesma coisa. Porém não é. Êxtase é um estado em que a consciência se rebaixa, o ego já não está tão presente, não sendo aquele que rege o comportamento. E os aspectos mais inconscientes ficam presente. E o entusiasmo é o deus que vem habitar dentro da gente. O texto bíblico diz que o cristão é templo do espírito santo. Ao olhar o aspecto dionisíaco que é o êxtase,  você sai de si e vem para dentro de você o deus. A expressão Namastê, diz que "o deus que habita em mim, saúda o deus que habita em você", que representa e reconhece o divino e o sagrado que habita cada um. Todas as concepções falam a mesma coisa, que existe um lado inconsciente que merece a devida importância, que deve ser reverenciado.

Dionísio nasce da relação entre Zeus e Sêmeni, que era uma mortal. Relacionamento fora do casamento, Hera perseguiu ambos também.  Hera vai até Sêmeni,  metamorfoseada numa velhinha acolhedora, prestativa, e conversa com Sêmeni, que na sua ingenuidade acaba falando e comentando sobre Zeus. 

Hera sabia que Zeus não poderia aparecer para uma mortal com todo o seu esplendor de sua glória, pois o mortal vendo o deus nessa situação ele poderia ser aniquilado. É a experiencia que a consciência  pode ter ao entrar em contato com o arquétipo, o ego pode entrar em dissolução uma fragmentação, caracterizado em surto, de esquizofrenia, psicose, problemas graves de saúde mental, pois lidar com o inconsciente é algo que precisa de muita cautela.

Hera convence a Sêmeni a pedir a Zeus para aparecer pra ela como ele aparece para sua esposa Hera. Zeus promete a Sêmeni que vai aparecer no esplendor de sua gloria, e ele olhou para ela e disse: peça qualquer coisa, eu não posso voltar ao meu juramento, e Zeus começou a se transformar, deus dos raios, luz com intensidade sobre uma mortal, virando cinzas Sêmeni.  Junto às cinzas de Sêmeni Zeus observa que ainda havia vida, pois ela estava grávida, havia um feto. Zeus recolhe o feto, coloca no interior de sua coxa, e foi onde ocorreu o resto da gestação de seu filho, deus Dionísio. Foi gestado na coxa de seu pai Zeus.

Hera também perseguia Dionísio,Chamou os Titãs para entreter dionísio quando criança ainda, que começaram a brincar com ele. Os titãs acabaram despedaçando e comeram o deus menino. Traz a ideia de fragmentação da consciência, fragmentação egoica, que foi o que aconteceu com Nietzch que desenvolveu uma esquizofrenia no final de sua vida, trazendo a identificação com o inconsciente, com o lado dionisíaco, em que NIetscz se intitulava como Zagreu, despedaçado, fragmentado. Zeus salvou o filho Dionísio, colhendo seu coração, e a partir daí, ressuscitou o Dionísio.  Zeus fulminou com seus raios os Titâs.
Da mesma forma no cristianismo, aquele que foi rejeitado e foi ressuscitado, traz a redenção para aqueles que rpecisavam de salvação, Dionisio traz a redenção para seu pai zeus que tinha uma postura relacionada ao poder, aprendendoa  acolher o menos, aquele que é considerado inferior, tendo a oportunidade de gerar a ressurreição e a transformação de nossa cosnciencia.

Dionisio reverencia o feminino, acolhe e se casa com Ariádne que ajudou Teseo a enfrentar o minotauro. O fio de Ariádne é o fio condutor que faz com que teseo possa entrar no labirindo e possa aniquilar o monstro e voltar em segurança. Porém, teseo acaba rejeitando Ariadne e Dionísio a acolhe e a transforma a sua esposa, dando muita importância para a ânima. Ele trasnforma sua mãe Semeni em uma deusa, e a ascendo ao Olimpo. Hestia numa postura humilde cede seu lugar a Dionísio, que possui um jeito que acolhe o feminino,  que e desprezado. 

Entre 35-40 anos de idade vamos precisa lidar com nossos aspectos inconscientes que acabamos deixando de lado na metade da vida. O fio condutor de Ariádne sendo aquilo que é rejeitado, chega o momento em que precisa ser olhado e vivenciado diversos aspectos que foram deixados para depois na vida, priorizando outros aspectos no momento.

dionísio é o lado da loucura, passional da intensidade, da sexualidade, deus do vinho trazendo experiências à dissolução da consciência, da fragmentação do Ego, sendo fácil, cairmos nas compulsões, no alcoolismo, disposições sombrias que acabam trazendo sofrimento e destruição para pessoas que vivenciam essas compulsões e não conseguem sair desse comportamento, e apara aqueles que estão ao redor, acabam sendo impactados por esse comportamento dionisíaco destrutivo. daí a importância de não se identificar com esse lado sombrio, olha-lo simultaneamente ao lado Apolino, que o equilibra nas polaridades, buscando aí o equilíbrio. 

Dionísio também traz como hermes o lado adolescente, a dificuldade de respeitar regras, de ter limites, podendo abrir portas para uma série de problemas.  Na psicoterapia não dá para saber qual o limite seguro entre o confronto do inconsciente com as coisas do Ego/ consciência. É importante observar o ego, a consciência que o cliente tem sobre a sua realidade pessoal, verificando aquilo que está em excesso e aquilo que esta faltando para trabalhar na relação entre os opostos de cada um. É a relação entre esses polos que vai determinar a minha saúde mental.


REFERÊNCIAS
Curso extracurricular de Mitologia e Psicologia Analítica
Instituto Freedom
Aula 11 - Atena, Hermes e Dionisio
Prof. Rangel Fabrete

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Linguagem e Pensamento


Formar conceitos é de grande importância para que possamos definir e identificar as coisas de um modo geral. A exemplo disso, pode-se pensar no conceito por exemplo de cadeira: assento com quatro pés e um encosto. Entretanto, existem diferentes tipos de cadeira, e daí a necessidade de categorizá-la para podermos identificar melhor qual a cadeira da qual se está falando, já que pode ser cadeira de alimentação, cadeira de plástico, cadeira de sala, cadeira do papai. 

Para isso, é preciso se utilizar dos recursos da  COGNIÇÃO, que  se concentra em atividades ligadas a PENSAR, CONHECER, LEMBRAR e  COMUNICAR as informações, portanto, cognição são atividades mentais associadas ao pensamento, ao conhecimento à lembrança e à comunicação.

A nossa COGNIÇÃO permite-nos criar estratégias para resolver problemas e identificar os problemas que nos atrapalham. A nossa capacidade de resolver problemas e lidar com novas situações, é atribuída à nossa RACIONALIDADE.

A solução de problemas pode ocorrer de diferentes maneiras:
  1. Método da tentativa e erro.
  2. Algoritmos - procedimento lógico e metódico que assegura a resolução de um problema específico.
  3. Heurística - estratégia simples de pensamento que nos permite fazer julgamentos  e resolver problemas com eficiência, porém é mais propensa a erros que o método dos algorítimos. A heurística é uma técnica de pensamento e comportamento praticamente automática nos humanos, que agem de modo intuitivo e inconsciente para achar prováveis respostas para aquilo que procuram.
  4. Insight - percepção súbita, inovadora para solucionar um problema. Aparecem na mente de maneira repentina.
Os cientistas cognitivos estão revelando os poderes da INTUIÇÃO, seus perigos e como nos afeta.(MYERS;DEWALL.2017.P.303). 
  • INTUIÇÃO é análise "congelada em hábito".(MYERS;DEWALL,2017.P.303)(SIMON, 2001), o conhecimento implícito ou seja, tudo o que aprendemos e gravamos em nosso cérebro, mas não conseguimos explicar plenamente. É reagir sem pensar. Não envolve o pensamento consciente. É adaptativa, permitindo uma reação rápida (heurística).
  • A FIXAÇÃO pode ser tornar um problema, por se tratar de uma incapacidade para ver novos problemas por um novo ângulo: foca o pensamento mas prejudica a resolução criativa do pensamento.
  • Os VIÉS DE CONFIRMAÇÃO que leva o sujeito a buscar apoio para as próprias opiniões e ignorar as evidências contraditórias.
  • A PERSEVERANÇA NA CRENÇA faz com que o indivíduo ignore as evidências que provam que as nossas crenças estão erradas, fecha a mente para novas ideias.
  • O EXCESSO DE CONFIANÇA permite que sejamos felizes e tomemos decisões com facilidade, mas, nos coloca em risco para cometermos erros.
PENSAMENTO pode apresentar dois tipos de raciocínio:
  1. RACIOCÍNIO CONVERGENTE - limita as possíveis soluções para os problemas, a fim de determinar a melhor solução.(MYERS;DEWALL,2017.P.305)
  2. RACIOCÍNIO DIVERGENTE - expansão do número de possíveis soluções para o problema: o pensamento criativo que diverge em diferentes direções.(MYERS;DEWALL,2017.P.305)
Muitas das habilidades cognitivas atribuídas aos humanos ( Homo Sapiens) também se apresentam em diferentes espécies, ou seja, em outros animais. Embora não sejam animais racionais, é claro e notório por exemplo, a inteligência nos animais. Isso ocorre por que todos os animais não humanos, incluindo todos os mamíferos e aves, possuem "redes neurais" que geram a consciência, portanto, seus cérebros conseguem fazer muitas das atividades que o humano também consegue. Entretanto, o Homo Sapiens, se diferencia pela sua capacidade de raciocinar e pela sua linguagem. Especialistas em Aprendizagem e cognição, atribuem ao Homo Sapiens, em termo de Aprendizagem e Linguagem um A+ em relação aos demais animais irracionais. (MYERS;DEWALL,2017.P.306)

LINGUAGEM são as nossas palavras faladas, escritas ou sinalizadas e a forma como a combinamos para comunicar significados. (MYERS;DEWALL,2017.P.307). Graças à linguagem transferimos significados de uma mente para outra.Quer seja FALADA, ESCRITA ou SINALIZADA, a linguagem nos possibilita não só nos comunicarmos, como transmitir o conhecimento acumulado da civilização ao longo das gerações. (MYERS;DEWALL,2017.P.307).

Para PINKER(1990) a Linguagem é a "joia da coroa da cognição".

Componentes estruturais da LINGUAGEM FALADA:
  • Fonemas - sons produzidos pela fala.
  • Morfenas - menor unidade da língua ( Ex: Eu; I (eu))
  • Gramática - sistema de regras de uma dada linguagem.
Desenvolvimento da Linguagem e como a adquirimos?
  1. ESTÁGIO DE BALBUCIO 
  • A partir dos 4 meses.
  • bebês emitem diversos sons espontaneamente, inicialmente sem relação com a linguagem doméstica.
  • Conseguem discriminar a fala, correspondendo aos sons.
  • A compreensão da linguagem nos bebês ocorrem antes da produção da linguagem. (Linguagem receptiva)
      2. ESTÁGIO DE UMA PALAVRA 
  • De 1 a 2 anos de idade
  • As crianças falam palavras isoladas. (LINGUAGEM PRODUTIVA, que é a capacidade de produzir sons e palavras, amadurece após a LINGUAGEM RECEPTIVA, que é a capacidade de compreender o que se fala para elas e à sua volta.)
  • Aprendem que os sons possuem significados, e se estimuladas, aprendem a associar o som ao objeto. Fala-se peixe, e ela olhará para o peixe. 
      3. ESTÁGIO DE DUAS PALAVRAS
  • A partir dos 2 anos.
  • As crianças falam frases de duas duas palavras.
      4. ESTÁGIO DA FALA TELEGRÁFICA
  • As crianças falam como um telegrama: ir carro, copo água.
  • Usa principalmente verbos e substantivos.      
Diferentes áreas do cérebro cumprem funções linguísticas diferentes. Ao processar a linguagem, assim como, em outras formas de processamento de informações, o cérebro opera dividindo suas funções mentais - falar, perceber, pensar, lembrar - em subfunções. 

Ao ler conscientemente um texto qualquer, o cérebro está computando a forma de cada palavra, som e significado usando diferentes redes neurais (Posner & Carr, 1992)(MYERS;DEWALL,2017.P.312). Diferentes áreas do cérebro também processa as informações de quem falou e o que foi dito. (Perrachione et.al.,2011) (MYERS;DEWALL,2017.P.312)

Há duas áreas no cérebro que se estiverem danificadas causam os seguintes problemas:
  • ÁREA DE  BROCA - região do lobo frontal, parte do cérebro que, quando danificada, pode prejudicar a capacidade de PRONUNCIAR as palavras.
  • ÁREA DE WERNICKE - região do lobo temporal, parte do cérebro que poderia prejudicar a nossa capacidade para COMPREENDER a linguagem.
Vale observar que os animais exibem uma capacidade linguística impressionante, pois demonstram compreensão e comunicação bem desenvolvidas.(MYERS;DEWALL,2017.P.313)

DETERMINISMO LINGUÍSTICO  é quando a linguagem determina a maneira de pensar. A linguagem é a expressão dos nossos pensamentos.

A RELAÇÃO ENTRE A LINGUAGEM E O PENSAMENTO

O linguista Benjamim Lee Whorf (1956) defendeu que a língua DETERMINA           o modo como pensamos.(MYERS;DEWALL,2017.P.314). As palavras podem não determinar o que pensamos mas influenciam nosso pensamento (Boroditsky,2011)(MYERS;DEWALL,2017.P.315).

Expandir a linguagem é expandir a habilidade de pensar. Vale a pena ampliar o poder verbal! 

O Determinismo linguístico de Benjamim sugere que não podemos pensar sobre coisas, a menos que tenhamos palavras para esses conceitos ou ideias.      

Entretanto,  é mais correto dizer que a linguagem INFLUENCIA o pensamento.                                                                                                 
Referências:
MYERS, D. G.; DEWALL, C. N. Psicologia. Rio de Janeiro, 2017. Editora gen LTC. 11ª edição.

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Existem dois tipos principais de linguagem: a linguagem verbal e a linguagem não verbal.
A linguagem é o código usado para estabelecer comunicação. É um sistema de signos e símbolos usados para transmitir pensamentos, ideias, opiniões, informações, sentimentos, desejos,…
É muito importante que esse código seja entendido por todos os intervenientes no processo comunicativo, podendo ser composto por palavras, gestos, sons, imagens, sinais,… 

Diferença entre linguagem verbal e linguagem não verbal

linguagem verbal utiliza palavras para estabelecer a comunicação, que são utilizadas tanto na escrita como na oralidade.
linguagem não verbal não utiliza palavras para estabelecer a comunicação, recorrendo a outras formas de comunicação, como gestos, sinais, símbolos, cores, luzes,…
  Linguagem verbal    Linguagem não verbal  
  bilhetes;
  cartas;
  conversas;
  decretos;
  diálogos;
  e-mails;
  entrevistas;
  filmes;
  jornais;
  literatura;
  livros;
  ofícios;
  poesias;
  prosas;
  reportagens;
  revistas;
  sites;
  telefonemas;
  …
  apitos;
  bandeiras;
  buzinas;
  cores;
  desenhos;
  expressões faciais;
  figuras;
  gestos;
  imagens;
  logotipos;
  luzes;
  pinturas;
  placas;
  posturas corporais;
  semáforos;
  sinais de trânsito;
  sinais;
  sirenes;
  …
Referências:
Tipos de linguagens. Disponível em https://www.normaculta.com.br/tipos-de-linguagem-linguagem-verbal-e-nao-verbal/. Acesso em 19/02/2019.

sábado, 6 de outubro de 2018

A árvore do conhecimento - Revolução Cognitiva

Especialistas especularem que a ESTRUTURA INTERNA DO CÉREBRO desses sapiens provavelmente era diferente da nossa. Eles se pareciam conosco, mas suas capacidades cognitivasAPRENDIZADO, MEMÓRIA E COMUNICAÇÃO– eram muito mais limitadas. 

A  partir de 70 mil anos atrás, o Homo sapiens bandos de sapiens deixaram a África pela segunda vez, expulsaram os neandertais e todas as outras espécies humanas não só do Oriente Médio como também da face da Terra. 

Em um período incrivelmente curto, os sapiens chegaram à Europa e ao leste da Ásia. Há aproximadamente 45 mil anos, conseguiram atravessar o mar aberto e chegaram à Austrália – um continente até então intocado por humanos. 

O período de 70 mil anos atrás a 30 mil anos atrás testemunhou a invenção de barcos, lâmpadas a óleo, arcos e flechas e agulhas (essenciais para costurar roupas quentes). Os primeiros objetos que podem ser chamados de arte e joalheria datam dessa era, assim como os primeiros indícios incontestáveis de religião, comércio e estratificação social.

 Estatueta em marfim de um “homem-leão” (ou “mulher-leoa”) da caverna de Stadel, na Alemanha (c. 32 mil anos atrás).

 O corpo é humano, mas a cabeça é leonina. Este é um dos primeiros exemplos indiscutíveis de arte, e provavelmente de religião e da capacidade da mente humana de imaginar coisas que não existem de fato, produto de uma revolução nas habilidades cognitivas dos sapiens.

SURGEM NOVAS FORMAS DE PENSAR E SE COMUNICAR

O surgimento de novas formas de pensar e se comunicar, entre 70 mil anos atrás a 30 mil anos atrás, constitui a Revolução Cognitiva, a teoria mais aceita afirma que MUTAÇÕES GENÉTICAS acidentais MUDARAM AS CONECXÕES INTERNA DOS SAPIENS, possibilitando que PENSASSEM de uma maneira sem precedentes e se COMUNICASSEM usando um TIPO DE LINGUAGEM totalmente novo. Poderíamos chamá-las de mutações da árvore do conhecimento.

"Todos os animais têm alguma forma de linguagem." 

Mas a linguagem é incrivelmente versátil. Podemos conectar uma série limitada de sons e sinais para produzir um número infinito de frases, cada uma delas com um significado diferente. Podemos, assim, consumir, armazenar e comunicar uma quantidade extraordinária de informação sobre o mundo à nossa volta. 

NOSSA LINGUAGEM evoluiu como uma forma de FOFOCA. De acordo com essa teoria, o Homo sapiens é antes de mais nada um animal social. A cooperação social é essencial para a sobrevivência e a reprodução.

Para o sapiens é importante saber quem em seu bando odeia quem, quem está dormindo com quem, quem é honesto e quem é trapaceiro. A quantidade de informações que é preciso obter e armazenar a fim de rastrear as relações sempre cambiantes até mesmo de umas poucas dezenas de indivíduos é assombrosa. (Em um bando de cinquenta indivíduos, há 1.225 relações de um para um, e incontáveis combinações sociais mais complexas.)  Eles provavelmente também tiveram dificuldade para falar pelas costas uns dos outros – uma habilidade muito difamada que, na verdade, é essencial para a cooperação em grande número.

 As novas habilidades linguísticas que os sapiens modernos adquiriram há cerca de 70 milênios permitiram que fofocassem por horas a fio.

 Graças a informações precisas sobre quem era digno de confiança, pequenos grupos puderam se expandir para bandos maiores, e os sapiens puderam desenvolver tipos de cooperação mais sólidos e mais sofisticados.

Ainda hoje, a maior parte da comunicação humana – seja na forma de e-mails, telefonemas ou colunas nos jornais – é fofoca. É tão natural para nós que é como se nossa linguagem tivesse evoluído exatamente com esse propósito. 

A fofoca normalmente gira em torno de comportamentos inadequados. 

 Mas a característica verdadeiramente única da nossa linguagem não é sua capacidade de transmitir informações sobre homens e leões. É a capacidade de transmitir informações sobre coisas que não existem

 A FICÇÃO - HABILIDADE DO HOMO SAPIENS

Até onde sabemos, só os sapiens podem falar sobre tipos e mais tipos de entidades que nunca viram, tocaram ou cheiraram. Lendas, mitos, deuses e religiões apareceram pela primeira vez com a Revolução Cognitiva. 

Antes disso, muitas espécies animais e humanas foram capazes de dizer: “Cuidado! Um leão!”. Graças à Revolução Cognitiva, o Homo sapiens adquiriu a capacidade de dizer: “O leão é o espírito guardião da nossa tribo”. 

Essa capacidade de falar sobre ficções é a característica mais singular da linguagem dos sapiens. A ficção pode ser perigosamente enganosa ou confusa. A ficção nos permitiu não só imaginar coisas como também fazer isso coletivamente. Podemos tecer MITOS PARTILHADOS, tais como a história bíblica da criação, os mitos do Tempo do Sonho dos aborígenes australianos e os mitos nacionalistas dos Estados modernos. 

A LENDA DE PEUGEOT

Nossos primos chimpanzés normalmente vivem em pequenos bandos de várias dezenas de indivíduos. Eles formam fortes laços de amizade, caçam juntos e lutam lado a lado contra babuínos, guepardos e chimpanzés inimigos. Sua estrutura social tende a ser hierárquica. O membro dominante, que quase sempre é um macho, é denominado “macho alfa”. Outros machos e fêmeas demonstram sua submissão ao macho alfa curvando-se diante dele enquanto emitem grunhidos, de modo não muito diferente de súditos humanos se ajoelhando diante de um rei. O macho alfa se esforça para manter a harmonia social em seu bando. Quando dois indivíduos brigam, ele intervém e impede a
violência. Em uma atitude menos benevolente, ele pode monopolizar alimentos particularmente cobiçados e evitar que machos de postos inferiores na hierarquia acasalem com as fêmeas. Quando dois machos estão disputando a posição de alfa, eles normalmente fazem isso formando grandes coalizões de apoiadores, tanto machos quanto fêmeas, dentro do grupo. Os laços entre os membros da coalizão se baseiam em contato íntimo diário – abraçar, tocar, beijar, alisar e fazer favores mútuos. 

Assim como os políticos humanos em campanha eleitoral saem por aí distribuindo apertos de mão e beijando bebês, também os aspirantes à posição superior em um grupo de chimpanzés passam muito tempo abraçando, dando tapinhas nas costas e beijando filhotes. 

O macho alfa normalmente conquista essa posição não porque seja fisicamente mais forte, mas porque lidera uma coalizão grande e estável. Essas coalizões exercem um papel central não só durante as lutas pela posição de alfa como também em quase todas as atividades cotidianas. 

Membros de uma mesma coalizão passam mais tempo juntos, partilham alimentos e ajudam uns aos outros em momentos de dificuldade. Há limites claros ao tamanho dos grupos que podem ser formados e mantidos de tal forma. Para funcionar, todos os membros de um grupo devem conhecer uns aos outros intimamente. Dois chimpanzés que nunca se encontraram, nunca lutaram e nunca se alisaram mutuamente não saberão se podem confiar um no outro, se valerá a pena ajudar um ao outro nem qual deles é superior na hierarquia. Em condições normais, um típico bando de chimpanzés consiste de 20 a 50 indivíduos.

 À medida que o número em um bando de chimpanzés aumenta, a ordem social se desestabiliza, levando enfim à ruptura e à formação de um novo bando por alguns dos animais. Apenas em alguns casos os zoólogos observaram grupos maiores que cem. Grupos separados raramente cooperam e tendem a competir por território e por alimentos. Os pesquisadores documentaram guerras prolongadas entre grupos, e até mesmo um caso de atividade “genocida” em que um bando assassinou sistematicamente a maioria dos membros de um bando vizinho.

 Padrões similares provavelmente dominaram a vida social dos primeiros humanos, incluindo o Homo sapiens arcaico. Os humanos, como os chimpanzés, têm instintos sociais que possibilitaram aos nossos ancestrais construir amizades e hierarquias e caçar ou lutar juntos. No entanto, como os instintos sociais dos chimpanzés, os dos humanos só eram adaptados para pequenos grupos íntimos. Quando o grupo ficava grande demais, sua ordem social se desestabilizava, e o bando se dividia. Mesmo se um vale particularmente fértil pudesse alimentar 500 sapiens arcaicos, não havia jeito de tantos estranhos conseguirem viver juntos. Como poderiam concordar sobre quem deveria ser o líder, quem deveria caçar onde, ou quem deveria acasalar com quem? 

Após a Revolução Cognitiva, a fofoca ajudou o Homo sapiens a formar bandos maiores e mais estáveis. Mas até mesmo a fofoca tem seus limites. Pesquisas sociológicas demonstraram que o tamanho máximo “natural” de um grupo unido por fofoca é de cerca de 150 indivíduos. A maioria das pessoas não consegue nem conhecer intimamente, nem fofocar efetivamente sobre mais de 150 seres humanos.

 Mas, quando o limite de 150 indivíduos é ultrapassado, as coisas já não podem funcionar tão bem. Como o Homo sapiens conseguiu ultrapassar esse limite crítico, fundando cidades com dezenas de milhares de habitantes e impérios que governam centenas de milhões? O segredo foi provavelmente o surgimento da ficção. Um grande número de estranhos pode cooperar de maneira eficaz se acreditar nos mesmos mitos. Toda cooperação humana em grande escala – seja um Estado moderno, uma igreja medieval, uma cidade antiga ou uma tribo arcaica – se baseia em mitos partilhados que só existem na imaginação coletiva das pessoas. 

 O Homo sapiens viveu sem propriedades por milênios. Durante a maior parte da história de que se tem registro, a propriedade só poderia pertencer a seres humanos de carne e osso, do tipo que anda sobre duas pernas e tem cérebro grande. Não havia propriedade jurídica.


Os tipos de coisa que as pessoas criam por meio dessa rede de histórias são conhecidos nos meios acadêmicos como “ficções”, “construtos sociais” ou “realidades imaginadas”.

 Uma realidade imaginada não é uma mentira. Eu minto se digo que há um leão perto do rio quando sei perfeitamente que não há leão algum. Não há nada de especial nas mentiras. Macacos-verdes e chimpanzés podem mentir. Já se observou, por exemplo, um macaco-verde gritando “Cuidado! Um leão!” quando não havia leão algum por perto.

 Ao contrário da mentira, uma realidade imaginada é algo em que todo mundo acredita e, enquanto essa crença partilhada persiste, a realidade imaginada exerce influência no mundo. 

Desde a Revolução Cognitiva, os sapiens vivem, portanto, em uma realidade dual. Por um lado, a realidade objetiva dos rios, das árvores e dos leões; por outro, a realidade imaginada de deuses, nações e corporações. Com o passar do tempo, a realidade imaginada se tornou ainda mais poderosa, de modo que hoje a própria sobrevivência de rios, árvores e leões depende da graça de entidades imaginadas, tais como deuses, nações e corporações.

SUPERANDO O GENOMA

A capacidade de criar uma realidade imaginada com palavras possibilitou que um grande número de estranhos coopere de maneira eficaz. Mas também fez algo mais. Uma vez que a cooperação humana em grande escala é baseada em mitos, a maneira como as pessoas cooperam pode ser alterada modificando-se os mitos – contando-se histórias diferentes.  Nas circunstâncias adequadas, os mitos podem mudar muito depressa

Em consequência, desde a Revolução Cognitiva o Homo sapiens tem sido capaz de revisar seu comportamento rapidamente de acordo com necessidades em constante transformação. Isso
abriu uma via expressa de evolução cultural, contornando os engarrafamentos da evolução genética. 

Acelerando por essa via expressa, o Homo sapiens logo ultrapassou todas as outras espécies humanas em sua capacidade de cooperar. Tais mudanças drásticas de comportamento só ocorreriam se algo mudasse no DNA.  Até onde sabemos, as mudanças nos padrões sociais, a invenção de novas tecnologias e a consolidação de novos hábitos decorreram mais de mutações genéticas e pressões ambientais do que de iniciativas culturais. 

Há 2 milhões de anos, mutações genéticas resultaram no surgimento de uma nova espécie humana chamada Homo erectus.  Por sua vez, desde a Revolução Cognitiva, os sapiens têm sido capazes de mudar seu comportamento rapidamente, transmitindo novos comportamentos a gerações futuras sem necessidade de qualquer mudança genética ou ambiental


O que aconteceu na Revolução Cognitiva?
História e biologia

A imensa diversidade de realidades imaginadas que os sapiens inventaram e a diversidade resultante de padrões de comportamento são os principais componentes do que chamamos “culturas”. Desde que apareceram, as culturas nunca cessaram de se transformar e se desenvolver, e essas alterações irrefreáveis são o que denominamos “história”.

 A Revolução Cognitiva é, portanto, o ponto em que a história declarou independência da biologia. Até a Revolução Cognitiva, os feitos de todas as espécies humanas pertenciam ao reino da biologia, ou, se quisermos, da pré-história (eu tendo a evitar o termo “préhistória” pois sugere, erroneamente, que até mesmo antes da Revolução Cognitiva os humanos constituíam uma categoria própria). A partir da Revolução Cognitiva, as narrativas históricas substituem as narrativas biológicas como nosso principal meio de explicar o desenvolvimento do Homo sapiens. 

Para entender a ascensão do cristianismo ou a Revolução Francesa, não basta compreender a interação entre genes, hormônios e organismos. É necessário, também, levar em consideração a interação entre ideias, imagens e fantasias. Isso não significa que o Homo sapiens e a cultura humana tenham se tornado isentos de leis biológicas

Ainda somos animais, e nossas capacidades físicas, emocionais e cognitivas continuam sendo moldadas por nosso DNA

Para resumir as relações entre a biologia e a história após a Revolução Cognitiva: 

a. A biologia estabelece os parâmetros básicos para o comportamento e as capacidades do Homo sapiens. Toda a história acontece dentro dos limites dessa arena biológica.
b. No entanto, essa arena é extraordinariamente grande, possibilitando que os sapiens joguem uma incrível variedade de jogos. Graças à sua habilidade de criar ficções, os sapiens inventam jogos cada vez mais complexos, que cada geração desenvolve e elabora ainda mais. 
c. Em consequência, a fim de entender como os sapiens se comportam, devemos descrever a evolução histórica de suas ações.