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sábado, 23 de maio de 2020

Psicologia e Desigualdade - Ana Bock - Síntese

O ARTIGO:

  • debate a desigualdade social como a grande questão brasileira.
  •  a Psicologia tem desvalorizado ou ignorado a desigualdade social como um aspecto determinante da constituição das subjetividades.
  •  é uma questão epistemológica que deve ser enfrentada e superada (transformada) na Psicologia ATRAVÉS  da adoção de uma visão de sujeito e de sua relação com o mundo que adota como categoria fundamental a historicidade, afirmando a subjetividade como aspecto da realidade que se constitui como uma dimensão do real. 
  • Afirma que Subjetividade e objetividade são uma relação dialética de constituição mutua. Ignorar esta relação leva e tem levado à psicologia a se constituir como ideologia que oculta a produção social da desigualdade.
SÍNTESE DO ARTIGO
  •  tese defendida neste artigo é a de que a desigualdade social, maior problema vivido pelo Brasil, é ignorada pela psicologia e isto torna o discurso desta ciência ideológico.
  • defende a importância deste tema e dizer de sua relação com a constituição da subjetividade.
SOBRE A DESIGUALDADE NO BRASIL
  • A história brasileira, em seus mais de 300 anos de escravidão, é marcada pela presença de uma elite política e econômica que sempre privilegiou seus interesses em detrimento das necessidades da maioria da população, e que se perpetua até os dias atuais.
  • Aspectos importantes a serem considerados:
primeiro é que o padrão de desigualdade/ igualdade social é construído histórica e culturalmente em uma dada sociedade.
segundo, a desigualdade social faz referência a distribuição da riqueza e às condições desiguais de acesso e bem-esta

BRASIL:
  •  é caracterizado por uma população que tem acesso desigual à riqueza produzida coletivamente e usufrui de condições de vida também desiguais.
  • desigualdades que têm a característica étnico-racial como seu crivo; ou ainda aquelas que marcam as diferentes regiões do país; ou ainda de gênero.
  • a desigualdade no país é bastante profunda e permanente.
  • A estrutura de relações que acompanha e marca o fenômeno da desigualdade social é caracterizada por redes invisíveis e objetivas que qualificam e desqualificam indivíduos e grupos, distinguindo-os, marcando com este forte termo um grupo social que tem acesso a pequena parte da riqueza, vive sob condições precárias e é desvalorizado na hierarquia social.
Por que a Psicologia ignorou a  desigualdade social? 
  • questão mais importante de ser abordada
  • os aspectos da psicologia que a levariam a estar de costas para a realidade social, segundo Bock, é uma  questão é epistemológica, ou seja, localiza-se na concepção de sujeito na qual a psicologia se baseou.
  • Século XIX, ênfase na razão, Psicologia enquanto ciência, nasce uma ciência racional, empírica, positivista, experimental, quantitativa e determinista.
  • Dicotomia da Psicologia em sua epistemologia.: 
"O esforço racional para garantir um saber objetivo sobre a realidade, incluída a subjetividadefoi separar estes dois âmbitos: subjetividade e objetividade, que “passam a ser vistos como autônomos, com movimento próprio e natural. Caberia à Psicologia estabelecer, da melhor maneira possível, os mecanismos de interação entre os aspectos subjetivos e os aspectos objetivo”"

Críticas à Psicologia: a psicologia ignorou a desigualdade social por uma questão epistemológica, ou seja, pela concepção de sujeito hegemônica
  • A realidade social, a sociedade, as condições de vida e a desigualdade social ficaram do lado de fora das explicações e compreensões da psicologia.
  • As razões estavam no âmbito “interno” dos indivíduos, podendo-se falar das situações de vida como experiências, vivências ou influências. 
  • O fenômeno psicológico, seja qual for sua conceituação, aparece descolado da realidade na qual o indivíduo se insere e, mais ainda, descolado do próprio indivíduo que o abriga.
  • A relação com o mundo social e cultural, apesar de considerada importante por todos os psicólogos, é vista como uma relação de exterioridade. “O mundo social é um mundo estranho ao nosso eu”
Análises que prescindem da realidade social para explicar o humano e sua subjetividade:
  • Tudo que puder indicar relação com a realidade social será lido e compreendido a partir do indivíduo e suas características ou potencialidades.
  • A desigualdade social pertencente ao mundo exterior, influencia os indivíduos.
  • Suas potencialidades que deverão se atualizar ou se revelar conforme forem sendo estimulados pelo meio. 
Psicologia enquanto Ideologia:
  •  passou a ocultar ou contribuir para ocultar a desigualdade social, que como afirmamos estaria considerada como o principal problema de nossa sociedade.
  • Nada oferece para evidenciar e dar visibilidade à desigualdade.
  • Suas concepções de diferenças individuais, de potencialidades, capacidades, inteligência, motivação, estruturação familiar, preconceito têm servido apenas para reduzir ao individual o que é social.
  • Encobre  parte da realidade, da relação do que está constituído (seja o psicológico) com a realidade social e material onde essa constituição tem lugar.
Aspectos que permitem dar visibilidade à dimensão subjetiva da desigualdade social:
Perguntou-se sobre a vida, as explicações para a desigualdade, sua gênese, as responsabilidades, as condições de vida e os sentimentos que acompanham esta vivência.
  •  o significado do esforço pessoal como responsável pelo sucesso das pessoas e, portanto, justificativa para a desigualdade.
  • moradores das regiões com menor índice de exclusão trazem a ideia mais frequente é a importância de ter bons contatos na vida para ter sucesso;
  • moradores das regiões mais pobres a ideia que aparece é a importância de começar cedo a trabalhar e batalhar por uma vida melhor.
  • O argumento da meritocracia aparece em todas as regiões para justificar a classificação de uma escola como boa; sempre alguém é responsável por sito, sejam professores, direção, alunos.
  • A população mais rica considera natural ter direito a, enquanto a população mais pobre não se vê como sujeito de direitos e entende que o que recebe do Estado são dádivas e é grata por isto.
  • A apropriação da cidade e o “sentir-se bem nela” demonstram formas diferentes de ver a cidade e se relacionar com ela. 
Compreensão de como a escola está sendo significada por estes diferentes (e desiguais) alunos:
  • A escola pertence aos ricos; a escola é estranha para os pobres.
  • Para os ricos é continuidade de uma vida familiar, com cultura muito semelhante; para s pobres é ruptura da vida em família, onde o trabalho é aspecto central. 
  • O conhecimento é valorizado pelos alunos da camada rica, mas pouco ou nada destacado, pelos alunos pobres, como objeto da escolarização.
  • A escola como a possibilidade de sair do lugar onde estão e ter um futuro melhor; um futuro pouco descrito, mas que é sinônimo de deixar este lugar onde se encontram hoje. Para a camada rica a escola é necessária para aprenderem o que precisam para estar em uma profissão no futuro; mas o futuro é a continuidade do que se tem hoje.
Lane afirmava em seu texto emblemático “Uma nova concepção de homem na Psicologia” que “toda a psicologia é social”
  • não será possível falarmos de nossa gente e sua subjetividade se não incluirmos definitivamente, em nossas reflexões, uma nova concepção de humano
  • é preciso fazer uma revisão epistemológica na Psicologia, inserindo a sociedade e combatendo a desigualdade social.

FONTE:
Artigo Psicologia e Desigualdade Social - Ana Mercês Maria Bock

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Epistemologia - Não se faz nenhum ciência sem Epistemologia.

Não existe um método lógico de conceber ideias novas ou de reconstruir logicamente esse processo. A fórmula da criatividade, a busca do novo é uma aventura pelo desconhecido. Como procurar o que não se conhece? Se alguém sabe o que procura, então não é novo. E se novo é, não se tem como saber o que se procura. Mas como buscar, o que não se sabe direito o que é e nem onde está?"
- Trecho de Filosofia da ciência, de Alberto Oliva

O TERMO EPISTEMOLOGIA - FILOSOFIA DA CIÊNCIA

De origem grega, o termo Epistemologia é composto das palavras "episteme" e "logos".
Episteme significa "conhecimento teórico"
logos significa "palavra", embora seja mais usado no sentido de "estudo" ou "ciência.

OUTROS NOMES DADOS À EPISTEMOLOGIA:
TEORIA DO CONHECIMENTO (PELOS ALEMÃES E ITALIANOS)
     GNOSEOLOGIA (PELOS FRANCESES)
     FILOSOFIA DA CIÊNCIA (NAS ÚLTIMAS DÉCADAS)

O QUE É EPISTEMOLOGIA?
Ramo da Filosofia que se ocupa de três etapas importantes para as ciências, do ponto de vista do conhecimento lógico e racional:
VALIDAÇÃO 
ESTRUTURAÇÃO
SUSTENTAÇÃO
Esta ciência se ocupa de uma determinada parte da realidade para explicá-la, usando de uma série de métodos para isso.

OBJETIVO DA EPISTEMOLOGIA
Diferenciar a ciência autêntica da pseudociência,
a investigação mais conscienciosa de uma investigação superficial, a busca da verdade de um único valor estabelecido.
Criticar programas e resultados errôneos.
 Sugerir novos enfoques promissores para os fenômenos da vida humana.
OBJETO DE ESTUDO DA EPISTEMOLOGIA
Estuda a natureza do conhecimento obtido nas diversas ciências, daí ser considerada a ciência das ciências, com a finalidade de distinguir a ciência fática, realística e autêntica da pseudociência.
A Epistemologia é relativa a teoria do conhecimento.

O PROBLEMA CENTRAL DA EPISTEMOLOGIA
Estudar a relação sujeito-objeto, onde:
Sujeito: aquele que vem a conhecer a partir da ciência.
Objeto: todo processo ou fenômeno que pode ser conhecido, sobre o qual o sujeito desenvolve a sua atividade.
O PROBLEMA DA EPISTEMOLOGIA É A RELAÇÃO ENTRE O QUE SE CONHECE E O QUE PODE SER CONHECIDO.

O QUE É A CIÊNCIA?
SCIENTIA = CONHECIMENTO = EPSTEME
Em sentido estrito (stricto senso) é um conhecimento sistemático, seguro, sólido e bem fundamentado.

RESPONSABILIDADE DA EPISTEMOLOGIA 
ENQUANTO CIÊNCIAS DAS CIÊNCIAS
DIZER se o que sabemos é válido ou não
SE UTILIZAR de distintos pressupostos lógicos.
VERIFICAR se um conhecimento é real ou fictício.
epistemologia, é um ramo da filosofia necessário para a Psicologia, na medida em que a última se serve da primeira, para afirmar sua identidade enquanto conjunto de saberes científicos.

TRIPÉ DE SUSTENTAÇÃO FILOSÓFICA DE UMA TEORIA 
1.EPISTEMOLOGIA - ciência da VALIDAÇÃO do conhecimentoresponde o PORQUÊ das coisas.
2.METODOLOGIA - ciência dos MEIOS para alcançar o conhecimento, responde COMO acontecem as coisas.
3.ONTOLOGIA - ciência da ESSÊNCIA do conhecimento, explica O QUE é a coisa. 

O ENCONTRO ENTRE FILOSOFIA E PSICOLOGIA
Demanda o tripé de sustentação bem definido:
O quê? Porquê? Como?
A Psicologia se ocupa muito da Filosofia para  validar-se, em virtude de sua NATUREZA CONTRADITÓRIA, tendo em vista as DIVERSAS CORRENTES TEÓRICAS que dizem DIFERENTES COISAS sobre DIFERENTES OBJETOS DE ESTUDOS, dando origem às DIVERSAS ABORDAGENS existentes na Psicologia.
 Cada área da Psicologia possui a própria epistemologia, logo, a Psicanálise, por exemplo, não possui a mesma epistemologia, ontologia nem metodologia do behaviorismo, assim como a Gestalt não possui a mesma do psicodrama.
O MÉTODO CIENTÍFICO
Método = meta (através) e hodos (caminho)
ESTRUTURA LÓGICA
Enunciado de um problema – observação dos fatos
Formulação de uma hipótese – proposta ou possibilidade para ser testada e comprovada ou não.
Testes experimentais da hipótese – testar para ter certeza
Conclusão – Resultado dos experimentos.

Fontes: 
HTTPS://UNIVERSORACIONALISTA.ORG/O-QUE-E-EPISTEMOLOGIA-SCIFILO/