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segunda-feira, 16 de novembro de 2020

Lesbofobia e Trabalho

  •   analisa  as violências simbólicas nas vivências de lésbicas com destaque para o trabalho.
  • discute  sobre a lesbofobia na sociedade e trabalho, bem como os estereótipos e a invisibilidade que envolvem essa identidade.
  • as violências simbólicas são extremamente sutis e ocorrem como no caso da internalização da heteronormatividade e do silêncio acerca da sexualidade, avisos com normas de comportamento, comentários e indiretas que remetem aos estigmas associados às lésbicas em seu cotidiano. 
Sexualidade...
  • A sexualidade é parte de um debate político que influencia a estruturação das hierarquias sociais. Ao longo da história, as sexualidades foram e ainda são objetos de disputa, meios de controle, de violência e de libertação (Prado & Machado, 2008).
  •  Considera-se a sexualidade no âmbito da cultura, não existindo uma sexualidade natural nem um meio de se praticar a sexualidade mais natural do que outro, existindo construções sociais e históricas dela que implicam em formas de poder e dominação (Adelman, 2000; Butler, 2003).
  •  Destarte, a experiência de mulheres lésbicas seria diferente pelas especificidades associadas ao machismo e ao heterossexismo, bem como devido aos estereótipos que são construídos em  torno delas (Leonel, 2011; Toledo & Teixeira, 2011; Heintz, 2012).
Homossexualismo...
  •   É evidente nas pesquisas as variadas dificuldades que homossexuais experimentam no trabalho relacionadas com a discriminação. 
  •   discussão acerca de mulheres lésbicas na sociedade, no trabalho e nas organizações, pela ótica da violência simbólica. 
Violência Simbólica e Lesbofobia...
  • Embora a violência sempre tenha estado presente, não se deve aceitá-la como um aspecto inevitável da humanidade (Dahlberg & Krug, 2006; Oliveira & Martins, 2007)
  •   esse tema se mostra complexo e amplo, alguns estudos voltados para as organizações e trabalho tratam da violência conforme o assédio moral (Hyrigoyen, 2005; Freitas, 2007), o assédio sexual (Freitas, 2001), a neurose narcisista (Paes de Paula, 2003) e até mesmo em suas variadas manifestações como a física, psíquica, social, estrutural e simbólica (Faria & Meneghetti, 2002).
  • A violência simbólica considerando que essa perpassa o cotidiano social e laboral de mulheres lésbicas (Bourdieu, 2003; Rosa & Brito, 2009; Carrieri, Aguiar & Diniz, 2013).
  • Essa violência é caracterizada por Bourdieu (2003:7) como uma violência “suave, insensível, invisível a suas próprias vítimas, que se exerce essencialmente pelas vias puramente simbólicas da comunicação e do conhecimento, ou mais precisamente, do desconhecimento, do reconhecimento, ou, em última estância, do sentimento”.
Relação entre violência simbóliuca e poder simbólico, segundo Bourdieu (2002:14)
  •  poder de construir o dado pela enunciação, de fazer ver e fazer crer, de confirmar ou de transformar a visão do mundo e, desse modo, a ação sobre o mundo, portanto o mundo, poder quase mágico que permite obter o equivalente daquilo que é obtido pela força (física ou econômica) graças ao efeito específico de mobilização, só se exerce se for reconhecido, quer dizer, ignorado como arbitrário.
Relação entre a violência simbólica e as estruturas de dominação
  • são historicamente construídas, assim agentes como as instituições, as famílias, a Igreja, a Escola, o Estado e os homens - por meio da violência física e simbólica - contribuem para a reprodução das estruturas de dominação, de tal modo que o dominado internaliza o ponto de vista do dominante, sendo essa relação de dominação naturalizada.
  • essa relação de dominação naturalizada como "quando os esquemas que ele põe em ação para se ver e se avaliar, ou para ver e avaliar os dominantes (elevado/baixo, masculino/feminino, branco/negro etc.) resultam da incorporação de classificações assim naturalizadas, de que seu ser social é produto" (Bourdieu, 2003:47).
Relação entre violência simbólica e minorias, segundo Rosa & Brito (2009:641)
  •  ressaltam que ela atua conservando os padrões dominantes e preservando a estabilidade do campo organizacional, posto que intenta garantir a dominação daqueles possuidores de posições de destaque nesse espaço e, assim, subjugar as minorias que se inserem no mesmo espaço.
  • a doxa, como cultura dominante, busca inculcar nas minorias como homossexuais a cultura oficial violentando seus habitus primários como um processo pedagógico e subjetivo legítimo "em prol de uma nova disposição durável, de um novo espírito, um novo modo de pensar (ethos) e agir (héxis), significa estar submetido à violência simbólica, subjacente à construção de um novo habitus" 
Relação à dominação simbólica e os homossexuais...
  • nota-se a discriminação sofrida pelos mesmos, além da estigmatização e a invisibilidade a que estão submetidos
  • Segundo Bicalho, Diniz, Carrieri e Souza (2011) em estudo com homossexuais masculinos, a violência simbólica atua no sentido de que a sexualidade seja um elemento desvalorizador de profissionais homossexuais que buscam inclusive esconder suas sexualidades para lidar e evitar a discriminação por se distanciarem de um modelo hegemônico.
  • quando o trabalhador homossexual busca sua expressão no trabalho, tem que lidar com a competitividade e produtividade, mas também com políticas que reafirmam padrões heteronormativos e desvalorizam a diferença, um contexto que pode gerar adoecimento e sofrimento psíquico (Carrieri, Aguiar & Diniz, 2013).
A Lesbofobia...
  • envolve considerar a dominação masculina na sociedade (Bourdieu, 2003)
  • pode assumir várias formas sutis ou não diretas, sendo seu extremo identificado nas agressões físicas ou como no crescimento do estupro corretivo, prática que ocorre para que "aprendam" a gostar de homens e se tornem "mulheres de verdade" (Leonel, 2011), adequadas ao contexto heteronormativo que presume que todos são ou deveriam ser heterossexuais (Miskolci, 2012).
  • Toledo e Teixeira (2011) notam que estigmas e estereótipos associados à lesbianidade a demonstram ora com o caráter de aberração ora com o de ilegitimidade, evidenciando uma perspectiva na qual são encaradas como espetáculos pornográficos ou as demonstrando como "machonas", ou ainda heterossexuais frustradas, que não desejadas por homens terminam se relacionando com mulheres como uma segunda alternativa.
  • A condição lesbiana pode ser considerada mais desfavorável ao ser comparada com outras formas de homossexualidade, pois "[...] mesmo dentro de um movimento que comporta 90% de gays e 10% de lésbicas e é ainda marcado por uma forte tradição masculinista" (Bourdieu, 2003:148). 
  •  Mello (2005) assinala que o surgimento de uma identidade lésbica, além de visar proporcionar às mulheres homossexuais melhor visibilidade, busca afirmar suas especificidades em relação aos homens homossexuais.
  • há lésbicas que buscam um movimento identitário próprio em decorrência do machismo de alguns gays, apesar de reconhecerem alianças com os mesmos.
lésbicas brasileiras começam um movimento independente de outras categorias LGBT's...
  • buscam discutir suas especificidades e também pelas desigualdades que estão dentro do próprio movimento como quanto ao machismo e racismo (Prado & Machado, 2008). 
Realidade das Lésbicas no Trabalho e nas Organizações...
  • não seria semelhante a de homossexuais masculinos pela questão do sexismo que tem beneficiado os homens em detrimentos das mulheres nas organizações.
  •  seriam diferentes daquelas das mulheres heterossexuais, haja vista o heterossexismo que assume a heterossexualidade como norma hegemônica (Butler, 2003; Irigaray & Freitas, 2011; Heintz, 2012)
  • e pode ir em direção à invisibilização e estigmatização dessas trabalhadoras como manifestação de violência simbólica.
  • No trabalho, elas se deparam com a lesbofobia e com a falta de apoio social e compreensão a respeito de suas sexualidades. 
  • muitas permanecem no armário e em uma situação de invisibilidade, tendo como conseqüência o isolamento social de muitas delas.
  •  mulheres lésbicas podem ser vítimas de violência simbólica pela relação desta com o gênero e a sexualidade na sociedade e no trabalho, e que esse tipo de violência pode se ocorrer em relação aos estereótipos e a invisibilidade que estão associadas à experiência dessas mulheres por se distanciarem de um modelo heteronormativo que pressupõe a coerência entre desejos, identidade de gênero, genitália e prática sexual (Butler, 2003, 2004)
Considerações finais...
  • Em um contexto amplo, as manifestações de violência simbólica estão associadas à uma ilusória aceitação da homossexualidade feminina ao mesmo tempo vista como objeto de fetiche masculino, pelo preconceito diante dos relacionamentos lésbicos, pela invisibilidade atribuída à vivência dessas mulheres e pela não aceitação daqueles que fogem ao padrão heterossexual valorizado.
  • as violências simbólicas experimentadas pelas trabalhadoras lésbicas são extremamente sutis, inclusive tendo em vista que a maioria delas diz não ter vivenciado nenhuma situação de discriminação direta ou cruel no trabalho. 
  • Esses estigmas demonstram a homossexualidade feminina associada ao que foge ao padrão heteronormativo socialmente estabelecido, também evidenciam as lésbicas como objetos do desejo masculino ou até mesmo como mulheres que não tiveram um contato profundo com algum homem.
  •  A invisibilidade e o silenciamento a que estão submetidas ou aos quais se submetem revelam uma realidade paradoxal, pois mesmo sendo concomitantemente uma estratégia para se lidar com a discriminação também é um meio de perpetuação do tabu e da negação das lesbianidades.
Referências:
BICALHO; NETO, Caproni, 2017. Holos. Violência Simbólica, Lesbofobia e Trabalho: um estudo em Juiz de Fora.17/04/2017.


 

quinta-feira, 9 de abril de 2020

Sexualidade

A forma como cada um vive a sua sexualidade e sua identidade de gênero faz parte da subjetividade do sujeito, a qual merece um olhar ampliado, na sua integralidade.

O Princípio Fundamental I do Código de Ética da Psicologia ordena que, no exercício profissional, nos balizemos pelos valores contidos na Declaração Universal dos Direitos Humanos. Assim, promover reflexões e ações no âmbito dos direitos sexuais e direitos reprodutivos é promover, na atuação cotidiana de cada psicólogo (a), a luta contra homofobia e preconceitos relacionados à autonomia do corpo, vivência da sexualidade e à construção das identidades de gênero de modo geral.

Há aí, nesse contexto, três coisas que precisam ser muito bem compreendidas:

  1. Sexo (órgãos genitais)
  2. Identidade de gênero (como me percebo)
  3. Orientação sexual ( por quem me sinto atraído sexualmente)

1. SEXO

Sexo está relacionado às distinções anatômicas e biológicas entre homens e mulheres. O que define o sexo de uma pessoa, são os órgãos sexuais e de reprodução da mesma. Portanto, sexo pode ser:

  • Feminino - quando se tem vagina.
  • Masculino - quando se tem pênis.
  • Intersexuais - quando acontece da pessoa nascer com ambos os sexos, ou ainda, sem nenhum sexo. 
2. IDENTIDADE DE GÊNERO

Identidade de Gênero: Independe do sexo da pessoa. É a experiência subjetiva da pessoa a respeito de si mesma. Uma construção social do sexo biológico, o que está associado à cultura (Gênero), que se refere à forma como o sujeito se organiza socialmente entre os sexos. Portanto, o gênero não tem a ver com o sexo, mas sim, como a pessoa se percebe.

Há pessoas que se identificam com o gênero imposto pelo sexo de seu nascimento (chamadas CISGÊNERO), por outro lado, há aquelas pessoas que não se identificam com o gênero imposto pelo seu sexo de nascimento (chamadas TRANSGÊNERO).

Dentro dos Cisgênero estão: 
  • Heterossexuais  que se identificam com o gênero imposto pelo seu sexo, mas sente atração sexual pelo sexo oposto.
  • Homossexuais que se identificam com o  gênero imposto pelo seu sexo, ou seja, homens que se identificam como homens, mas tem interesse sexual por pessoas do sexo masculino, e mulheres que se identificam como mulheres, mas tem interesse sexual por pessoas do sexo feminino.

Dentro dos Transgêneros estão:
  • Homossexuais que não se identificam com o gênero imposto pelo seu sexo, ou seja, homens que  se identificam como mulher, mas que tem atração sexual por homens, e mulheres que se identificam como homens, mas que tem atração sexual por mulheres.
  • Transexuais - homens ou mulheres que se identificam com o gênero oposto. Sentem como se tivessem nascido no corpo errado, e buscam tratamentos hormonais para alcançar a aparência desejada, modificar a voz, realizar cirurgia de redesignação sexual e outras intervenções cirúrgicas, mediante acompanhamento psiquiátrico. Uma mulher que faz redesignação para o sexo masculino, pode se relacionar com mulheres e serem consideradas heterossexual. É o caso de Thammy Miranda, filho da cantora Gretchen, que é um transexual com características masculinas e mantém um relacionamento com uma mulher, portanto é heterossexual. Por outro lado, um homem que faz redesignação para os sexo feminino, assume postura feminina e pode se relacionar com homens, sexo oposto, portanto, pode ser heterossexual. Entretanto, nada impede que em algum momento de suas vidas, possam se comportar como homossexuais, podendo vir a ter interesse por pessoas do mesmo sexo.
  • Travesti - Nasce no corpo masculino mas se identifica e se reconhece na figura feminina. Costumam adotar o visual feminino em seu cotidiano, e nem sempre fazem cirurgia de redesignação sexual. 
Travestis se diferem dos transexuais pela forma como encaram seu sexo biológico durante a vida. Transexuais sentem psicologicamente insatisfeitos com a genitália  com a qual nasceram e com os padrões impostos pela sociedade. Travesti, não se sentem necessariamente, incomodados com o seu sexo, tanto que muitos optam por permanecer com o mesmo sexo.


3. ORIENTAÇÃO SEXUAL

Orientação Sexual refere-se à direção ou à inclinação do desejo afetivo e erótico de cada pessoa nas suas relações com outros gêneros. Podem ser:

  • Heterossexual - sente atração sexual por pessoas do sexo oposto.
  • Homossexual ou Homoafetivosente atração sexual por pessoas do mesmo sexo.  
A maneira como se comportam no meio social em que vive, os distingue entre Homossexual feminino (Gays,Bicha) termos estigmatizados e preconceituoso para designar o perfil do sujeito, inclusive no que diz respeito a atividades de trabalho também estigmatizadas como femininas, como: cozinheiro, garçom, cabeleireiro, etc. Do ponto de vista do sexo feminino, as mulheres masculinizadas, com posturas e comportamentos masculinos, inclusive de aparência masculinizada. Por outro lado, há os Homossexuais masculinos, procuram romper com a cultura do homossexual feminino, estabelecendo relações igualitárias, sem relação de subordinação em relação ao outro, cujos signos da masculinidade estão presentes: corpo musculoso, bigode, barba, etc. Do ponto de vista do sexo feminino, vê-se as mulheres lindas, femininas na sua essência, com posturas e comportamentos essencialmente femininos.
  • Bissexual ou biafetivo  - Sentem atração sexual por pessoas de ambos os sexos: feminino e masculino.
  • Assexual - não sentem atração por nenhum gênero sexual.




REFERÊNCIAS: