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segunda-feira, 1 de março de 2021

História da Terapia Cognitiva - Aaron Beck

  A terapia cognitiva foi desenvolvida por Aaron T. Beck, na Universidade da Pensilvânia no início da década de 60, como uma psicoterapia breve, estruturada, orientada ao presente, para depressão, direcionada a resolver problemas atuais e a modificar os pensamentos e os comportamentos disfuncionais (Beck, 1964).

  • Há muitas correntes de terapias cognitivas e não apenas uma.

O modelo cognitivo propõe que:
  •  o pensamento distorcido ou disfuncional (que influencia o humor e o comportamento do paciente) seja comum a todos os distúrbios psicológicos. 
  • A avaliação realista e a modificação no pensamento produzem uma melhora no humor e no comportamento. 
  • A melhora duradoura resulta da modificação das crenças disfuncionais básicas dos pacientes.
A terapia cognitiva de Aaron Beck
  • é singular no sentido de que é um sistema de psicoterapia com uma teoria da personalidade e da psicopatologia unificadas, apoiadas por evidências empíricas substanciais.
  • tem uma terapia operacionalizada com uma ampla gama de aplicações também apoiadas por dados empíricos, que são prontamente derivados da teoria.
  • foi extensamente testada desde a publicação do primeiro estudo de resultado, em 1977 (Rush, Beck, Kovacs & Hollon, 1977).
Estudos controlados demonstraram sua eficácia no tratamento:
  • do transtorno depressivo maior (ver Dobson, 1989, para uma meta-análise), 
  • transtorno de ansiedade generalizada (Butler,Fennell, Robson & Gelder, 1991), 
  • transtorno de pânico (Barlow, Craske, Cerney & Klosko, 1989; Beck, Sokol, Clark, Berchick & Wright, 1992; Clark, Salkovskis, Hackmann, Middleton & Gelder, 1992),
  • fobia social (Gelernter et al., 1991; Heimberg et al., 1990), 
  • abuso de substância (Woody et al., 1983), 
  • transtornos alimentares (Agras et al., 1992; Fairburn, Jones, Peveler, Hope & Doll, 1991; Garner et al., 1993),
  •  problemas de casais (Baucom, Sayers & Scher, 1990) 
  •  depressão de pacientes internados (Bowers, 1990; Miller, Norman, Keitner, Bishop & Dow, 1989; Thase, Bowler & Harden, 1991)
  • transtorno obsessivo-compulsivo (Salkovskis & Kirk, 1989), 
  • transtorno de estresse pós-traumático (Dancu & Foa 1992; Parrott & Howes, 1991), 
  • transtornos de personalidade (Beck et al., 1990; Layden, Newman, Freeman & Morse, 1993; Young, 1990), 
  • depressão recorrente (R. DeRubeis, comunicação pessoal, outubro 1993), 
  • dor crônica (Miller, 1991; Turk, Meichenbaum & Genest, 1983),
  •  hipocondríase (Warwick & Salkovskis, 1989) 
  • esquizofrenia (Chadwick & Lowe, 1990; Kingdon & Turknington,
  • 1994; Perris, Ingelson & Johnson, 1993).
    Persons, Burns e Perloff (1988) verificaram que a terapia cognitiva é efetiva para pacientes com diferentes níveis de educação, renda e background. Ela foi adaptada para trabalho com pacientes de todas as idades, da pré-escola (Knell, 1993) até os idosos (Casey & Grant, 1993; Thompson, Davies, Gallagher & Krantz, 1986).

    Abrange os tratamentos:
    • Individuais
    • terapia de grupo (Beutler et al., 1987; Freeman, Schrodt, Gilson,
    • & Ludgate, 1993), 
    • para problemas de casais (Baucom & Epstein, 1990; Dattilio &
    • Padesky, 1990) 
    •  para a terapia familiar (Bedrosian & Bozicas, 1994; Epstein, Schlesinger & Dryden, 1988).
    Nas formas de terapia cognitiva que foram derivadas do modelo Beck, o tratamento
    baseia-se:
    •  tanto em uma formulação cognitiva de um transtorno específico como em sua aplicação à conceituação ou entendimento do paciente individual. 
    • O terapeuta busca, de uma variedade de formas, produzir a mudança cognitiva – mudanças no pensamento e no sistema de crenças do paciente –, visando promover mudança emocional e comportamental duradoura.
    Desenvolvendo-se como Terapeuta Cognitivo
    • O modelo cognitivo, de que os nossos pensamentos influenciam as nossas emoções e  comportamento, é bastante direto.
    • Os terapeutas cognitivos experientes, realizam muitas tarefas ao mesmo tempo: 
      • conceituar o caso, 
      • estabelecer rapport, 
      • socializar e educar o paciente, 
      • identificar problemas, 
      • colher dados,
      • testar hipóteses e resumi-las.
    • Desenvolver competência como terapeuta cognitivo pode ser visto em três estágios.
      • No Estágio 1:
        • os terapeutas aprendem a estruturar a sessão e a utilizar técnicas básicas.
        •  Igualmente importante, eles aprendem habilidades básicas de conceituar um caso em termos cognitivos com base em uma avaliação inicial e na obtenção de informações na sessão.
      • No Estágio 2:
        • os terapeutas começam a integrar sua conceituação com seu conhecimento das técnicas. 
        • Eles fortalecem sua habilidade de entender o fluxo da terapia e são mais facilmente capazes de identificar metas críticas da terapia. 
        • Os terapeutas tornam-se mais hábeis em conceituar os pacientes, refinando sua conceituação durante a própria sessão de terapia e usando a conceituação para tomar decisões sobre intervenções. 
        • Expandem seu repertório de técnicas e tornam-se mais capacitados em selecionar, estabelecer a duração e implementar as técnicas apropriadas.
      • No Estágio 3:
        • integram mais automaticamente dados novos na conceituação. 
        • Refinam sua habilidade de formular hipóteses para confirmar ou desconfirmar sua visão do paciente.
        •  Variam a estrutura e as técnicas de terapia cognitiva básica conforme apropriado, particularmente para casos difíceis como transtornos de personalidade.
    BECK, Judith S. PH.D. Terapia Cognitiva Teoria e Prática. editora Artmed. RS, 1997. Cap 1 -História da Terapia Cognitiva.

    Psicologia Cognitiva - Aaron Beck

      

    • Filho de Judeus russos imigrantes.
    • Especializou-se em psiquiatria em 1953
    • Desiludido com a abordagem psicanalítica  da psicologia clínica, desenvolveu a terapia cognitiva.
    • Fundou o Beck Institute for Cognitive Therapy and Research na Filadélfia, hoje dirigido por sua filha Judith Beck

    A TERAPIA COGNITIVA
    • Beck estava cético quanto a eficácia da psicanálise, chegando a achar que se tratava de fé, por se tratar de uma teoria baseada em relatos.
    • enfatiza a importância de examinar a percepção das pessoas sobre suas experiências, suas crenças, na maneira como a pessoa percebe seu mundo. A interpretação que cada um faz de si.
    • há provas empíricas contundentes sobre a eficácia da terapia cognitiva.
    • a chave para um tratamento eficaz não é o inconsciente, mas a observação de como um distúrbio se manifesta na percepção do paciente.
    • Há mais na superfície do que nosso olhar alcança.
    • Conduziu uma série de experimentos sobre a depressão.
      • Ao descrever a depressão, os pacientes de Beck quase sempre externavam ideias negativas sobre si mesmos, o futuro e a sociedade em geral, de forma involuntária, como pensamentos automáticos.
      • Beck Percebeu que a maneira pela qual seus pacientes percebiam suas experiências - a cognição que tinham delas - não era um mero sintoma da depressão, mas o caminho para se chegar a uma terapia eficiente. (Ideia de Beck, 1960)
    • Primeiro passo para vencer a depressão: auxiliar seus clientes a reconhecer e avaliar em que medida suas percepções era realistas e distorcidas.
    • A percepção do paciente deve ser considerada como verdadeira.
    • Manifestações imediatas da depressão-pensamentos automáticos negativos - forneciam toda a informação necessária para a terapia.
    • Reestruturação dos 3 níveis de cognição:
      • pensamentos automáticos - mais superficiais
      • crenças intermediárias - menos profundas
      • crenças nucleares - muito profundas.
    • Exemplo: Um paciente recebe uma promoção no trabalho e pode expressar pensamentos negativos a respeito: "muito difícil novo trabalho, falharei" - uma percepção que produz angústia e infelicidade quando deveria ser uma coisa boa. Não é a situação que causa sofrimento ao paciente, mas sim, a forma como ele percebe e interpreta a situação. A TCC tem a função de ajuda-lo reconhecer que sua percepção está distorcida e ajuda-lo a encontrar uma forma mais realista  ou abrangente de pensar sobre os fatos.
    • Percebeu p´[os resultados positivos com a depressão que a  TCC poderia auxiliar a superar outras condições, como distúrbios de personalidade e esquizofrenia.
    • Beck dizia aos seus pacientes: Não confie em mim, teste-me.
    • desenvolveu vários métodos para avaliar  a natureza e a severidade da depressão como:
      • Escala de Depressão de Beck (BDI)
      • Escala de Desesperança de Beck
      • Escala de Ideação Suicida de Beck (BSS)
      • Escala de Ansiedade de Beck (BAI)
    • a terapia cognitiva de Beck ajuda os pacientes a questionarem suas percepções, conduzindo-os para uma visão mais positiva.
    REFERÊNCIAS
    COLLIN, Catherine et al. O Livro da Psicologia. Editora Globo. São Paulo, 2016

    segunda-feira, 24 de agosto de 2020

    Conceitos de Crise


    • Todos enfrentamos crises individuais ou coletivas ao longo da vida.
    • Qualquer evento que afeta o equilíbrio, seja causado por alguém ou naturalmente, pode levar a crise.
    • A crise afeta a nossa segurança, nos colocam em situações de violência, etc., retirando o sujeito da sua homeostase, condição de equilíbrio.
    • Intervenção em situações de crise pode mitigar a situação emocional das pessoas que estãoi envolvidas na situação, já que muito problemas mentais podem ser causados em virtude dessas crises.
    • Isso pode acontecer n~]ao só com pessoas que vivenciaram a crise enquanto vítimas, mas também aquelas pessoas que estão trabalhando com essas pessoas diretamente.
    • Falar de crise é falar de algo que nos afeta na esfera da emoção, afetando também o cognivo na forma de processar , bem como, o comportamento que é como eu ajo.
    • A crise está relacionada com a percepção do evento, de modo que tem tanta dificuldade que se torna insuportável. Vai além dos recursos disponíveis na pessoa, é a forma como ela percebe e reconhece a crise. Nem todo problema se torna uma crise, depende da forma como a pessoa percebe a dificuldade para que ela se torne uma crise,
    • Há dois tipos de crises: crises situacionais (são crises imprevistas que o homem não tem nem como prever nem como controlar, tendo que lidar com a crise e seus impactos, ex. impactos ambientais, desastres causados por erro humano, não se tem controle, atua-se nas consequências) e as crises evolutivas (são as crises da evolução do desenvolvimento biopsicossocial do indivíduo, ao longo da vida.)
    • Ambas as crises demandam do sujeito uma adaptação para lidar com a crise, a partir da forma como ele percebe a crise.
    A CRISE pode ser de URGÊNCIA OU EMERGÊNCIA.

    Urgência - a ocorrência imprevista de agravo à saúde com ou sem risco potencial de vida, cujo portador necessita de assistência médica imediata. Uma urgência pode se tornar uma emergência.

    Emergência - Constatação médica de condições de agravo à saúde que impliquem em risco iminente de vida ou sofrimento intenso, exigindo, portanto, o tratamento médico imediato. Nessas circunstâncias pode se esperar reações emocionais muito intensas e a grande maioria dessas manifestações podem ser consideradas como compatíveis  com o momento traumático.

    CRISES EVOLUTIVAS
    • Previsíveis - etapas do crescimento e os momentos decisivos em cada uma delas  são conhecidos e ocorrem com a maioria das pessoas.
    CRISES CIRCUNSTANCIAIS 
    • Imprevistas, comovedoras, intensas e catastróficas.
    • O indivíduo não pode prever ou controlar: ambiente, desastres da natureza, perda do emprego, perda da integridade física...

    CONCEITO

    Mudança abrupta, que pode ser evolutiva ou circunstancial, e que vai promover um desequilíbrio emocional, fisiológico, econômico, financeiro, a partir de determinado evento.

    SABER SE A CRISE é positiva ou negativa depende da natureza, se ela é circunstancial ou evolutiva. A crise é um fenômeno em si mesmo, de duração limitada, com resultados não predeterminado em seu início. (FERREIRA, SANTOS,2013).

    Ansiedade -o resultado da situação de conflito instalada.

    Luto - se manifesta no indivíduo, mas quando se trata de desastres, temos o luto coletivo.

    Apesar de desafiante esta fase, de enfrentamento da Pandemia, que se constitui uma crise, ela pode gerar também a oportunidade do estudo em rede e abrir novas possibilidades de aprendizado. Reconhecer que há uma crise pode contribuir para prevenir problemas de saúde mental. A crise sempre traz reações que variam de pessoa para pessoa.

    Distorção cognitiva diz respeito a forma como as pessoas as vezes distorcem a realidade dos fatos no momento da crise, o que muitas vezes se sentem incapazes de resolvê-las.

    Professora Renata (Tita)


    sexta-feira, 4 de outubro de 2019

    Capítulo IV - O Behaviorismo não tenta explicar os processos cognitivos? Viviane Pereira dos Santos

    Como discutido anteriormente, o Behaviorismo ignora a consciência, os sentimentos c os estados mentais como iniciadores do comportamento, excluindo qualquer explicação interna como causa do mesmo.  O Behaviorismo, em especial o skinneriano, recebeu severas críticas por ter adotado o recorte externalista, para explicar os comportamentos, abolindo da Psicologia o termo mente e seus correlatos. 

    Posteriormente ocorreram movimentos para trazer a mente de volta, dentre eles o Cognitivismo: “A mente que a revolução cognitiva colocou em evidência é igualmente a executora das coisas. É a executora dos processos cognitivos. Ela percebe o mundo, organiza os dados sensoriais em todos significantes e processa a informação” (Skinner, 2002. p. 39). 

    Vale ressaltar que o termo mente utilizado pelos psicólogos cognitivos difere daquele utilizado pelos filósofos antigos e pelos psicólogos estruturalistas e funcionalistas. por não ter como ser estudada pela introspecção, uma vez que não pode ser observada, apenas inferida. “Não vemos a nós próprios, por exemplo, processando a informação. Vemos os materiais que processamos e o produto, mas não a produção” (Skinner, 2002. p. 40). 

    Atualmente, tem-se usado a palavra cognição ou a expressão processo cognitivo em lugar de mente. Conforme Stemberg (2002) o termo cognição, refere-se ao modo como as pessoas pensam. Neste sentido, a Psicologia Cognitiva estuda a forma das pessoas perceberem, aprenderem, recordarem e pensarem sobre as informações, isto é, busca-se compreender como se dá o processo do conhecimento no indivíduo. 

    Para os behavioristas radicais, pensar é comportamento privado determinado por algum evento externo, logo a mente não executa nenhum papel no processo de pensar. Na verdade, o pensamento não está contido na mente nem em lugar nenhum, ele simplesmente ocorre. O fato de o pensar ser um comportamento encoberto dificulta a identificação das reais causas do comportamento como exteriores ao indivíduo 

    Na teoria cognitiva, o desenvolvimento do mundo no qual o indivíduo está exposto é pouco valorizado. Tal aspecto pode ser observado na área educacional na qual professores lançam mão dos mais variados métodos e instrumentos para promover o desenvolvimento cognitivo das crianças. Eles são instruídos para trabalharem o intelecto dos alunos, tomando-o mais receptivo e ágil ao processar as novas informações.

    Já na teoria skinneriana, é o ambiente externo que assume papel central e não as cognições. A cognição é um processo mental e por isso é rejeitado por Skinner como agente que determina o comportamento. “Os processos cognitivos são processos comportamentais; são coisas que as pessoas fazem” (Skinner, 2002. p. 39) e como tais são estudados pelo Behaviorismo. 

    Os cognitivistas aproximaram o conceito de mente ao de cérebro e buscam compreender fenômenos cognitivos que nele ocorrem utilizando, como analogia, programas de computador. No entanto, nem o mais avançado dos computadores poderá explicar o comportamento humano, porque o homem não é uma máquina que pode ser programada para realizar ações. A própria estrutura cerebral também foi selecionada e cabe a outras ciências e não à Psicologia saber como e porque foi selecionada (Skinner, 1990). 

    Não restam dúvidas que a Psicologia Cognitiva é uma abordagem que vem conquistando cada vez mais adeptos em virtude de sua linguagem ser de fácil entendimento para o público em geral, enquanto a linguagem skinneriana. por apresentar caráter cientifico, é freqüentemente rejeitada.

    O extraordinário atrativo das causas internas e a conseqüente negligência das histórias ambientais  do cenário atual se devem a algo mais do que a una prática linguística. Sugiro que tem o encanto do arcanjo, do oculto, do hermético, do mágico - esses mistérios que mantiveram posição tão importante na história do pensamento humano. É o atrativo de um poder aparentemente inexplicável, num mundo que parece situar-se alem dos sentidos e do alcance da razão (Skinner. 2003. p. 140).

    O que se deve deixar claro é que Skinner procurou explicar os processos cognitivos a partir de um recorte externalista. Eis o ponto de divergência com as ciências cognitivas que sustentam a ideia de que tais processos podem determinar o comportamento. 

    Desse modo. a distinção entre a Análise do Comportamento e o Cognitivismo torna-se importante para que se compreenda que se tratam de enfoques distintos cujas diferenças aparecem desde o plano filosófico, passam pelo teórico e se evidenciam na prática clínica. Por isso, a integração entre os modelos cognitivista e behaviorista vem sendo cada vez mais discutida e questionada, visto que tal união resultaria em uma incoerência teórica (Costa, 2002).


    Capítulo I- O Behaviorismo ignora a consciência, os sentimentos e o estados mentais, não atribindo qualquer papel ao eu ou a consciência do eu? Luciane da Costa Barros

    O Behaviorismo é comumente mal interpretado devido à sua preocupação com o rigor científico. Um dos maiores equívocos está na falsa concepção de que o Behaviorismo ignora os sentimentos, a consciência e os estados mentais (Skinner, 2003)

    Inicialmente, entre os anos de 1930 e 1944, os estudos de Skinner estavam voltados para os comportamentos publicamente observáveis. Foi em 1945, ano que é considerado o marco de inicio do Behaviorismo Radical, que Skinner incluiu a análise da subjetividade em seus trabalhos (Costa. 2002). 

    Para explicar a subjetividade. Skinner (1990) recorre às contingências ambientais que, segundo ele, atuam nos níveis filogenético. ontogenético e cultural - níveis de determinação do comportamento que serão abordados nos capítulos 2 e 3. 

    A subjetividade é denominada, por Skinner, de eventos privados que, além de cnglobar os comportamentos encobertos (acessíveis diretamente apenas ao próprio indivíduo), inclui os estímulos internos (condição corporal e resposta emocional) (Skinner, 1998). 

    Skinner trata a subjetividade ou eventos privados do mesmo modo que os comportamentos públicos, pois, para os behavioristas, cognição, estados mentais e emoção são comportamentos e, como tais, são funções do ambiente - sendo ambiente entendido como tudo que ocorre no universo que é capaz de afetar o organismo (Skinner, 1998). 

    A condição corporal (dor, frio, fome) e a resposta emocional (raiva, tristeza, alegria) são partes do universo que afetam o indivíduo. Entretanto, os estímulos internos não são autônomos, pois estão sempre atrelados a um evento externo antecedenteO Behaviorismo Radical recorre sempre ao ambiente externo para explicar o comportamento, rejeitando as concepções internalistas que recorrem ao próprio indivíduo como tentativa de explicar o comportamento (Tourinho, 1997).

    Em Ciência e Comportamento Humano (1998), Skinner fala da vida privada como aquela que é construída na relação do individuo com a comunidade verbal pertencente ao seu meio cultural. Por isso. para compreender e analisar a subjetividade é preciso investigar o contexto ao qual está relacionada. 

    No processo de instalação dos eventos privados no repertório comportamental do indivíduo, é preciso que ele se comporte publicamente e que a comunidade verbal o ensine a discriminar e nomear o evento privado. Por exemplo, uma criança que está com dor de barriga provavelmente colocará a mão na barriga com expressões faciais de dor (rosto franzido). Isso permitirá que outra pessoa responda discriminativamente e diga para ela que, o que está sentindo é dor de barriga. Nesse sentido. Skinner, 1998) argumenta que todo comportamento antes de ser privado, deve ser apresentado publicamente. 

    Contudo, com palavras que designam sentimentos, o aprendizado não ocorre de maneira tão fácil, pois os comportamentos que são expressos publicamente quase nunca coincidem com o que se passa no mundo privado. As palavras que uma pessoa utiliza para responder o que está sentindo foram adquiridas através da comunidade verbal, e esta não sabia exatamente o que ela estava sentindo (Skinner. 2002). 

    Skinner (2002) mostrou que as palavras aprendidas para expressar sentimentos começaram com metáforas, como uma forma de mostrar o que se passava internamente através de algo público que fosse semelhante; por exemplo, uma pessoa que se sente traída compara tal sentimento com um punhal enfiado no peito. Houve uma transferência do público para o privado. 

    Numa análise do comportamento, segundo Skinner (2002), não precisamos utilizar os nomes que designam sentimentos se pudermos acessar diretamente os eventos públicos que causaram tais eventos privados. 

    Ao invés de dizer que alguém está deprimido, podemos dizer que não existe nada de reforçador no ambiente desse indivíduo. Isso não significa que o Behaviorismo não leva em consideração os sentimentos. O que o Behaviorismo não aceita são os eventos privados como determinantes do comportamento; eles não são aceitos como causa pois, como foi afirmado anteriormente, existe sempre um evento externo antecedente (Skinner, 2003). 

    Para ilustrar, costumamos dizer que a raiva é o que nos motiva a “brigar” com alguém, mas ninguém fica com raiva sem que algo externo ao sujeito tenha ocorrido antes de tal evento privado, como uma batida de carro, uma ofensa proferida ou um dia com temperatura excessivamente elevada. 

    É fácil atribuir a causa do comportamento aos sentimentos porque estes ocorrem ao mesmo tempo em que estamos nos comportando ou mesmo antes de nos comportarmos,. formando um elo na cadeia comportamental (Skinner, 2 0 0 2 ). 

    Skinner (2002) esclarece outro ponto que facilita esse engano - o fato de, na maioria das vezes, as pessoas não estarem conscientes das contingências ambientais que estão controlando seus comportamentos.

    Considerando que a crítica inclui a não-atribuição de papel à consciência, faz-se necessário elucidar de um modo mais especifico como a consciência é vista pelo Behaviorismo Radical.

    Skinner (1998) aborda a consciência como a capacidade que o ser humano tem de descrever seu comportamento, identificando a sua relação com as variáveis que o determinam.Ter consciência ou estar consciente refere-se então ao mesmo fenômeno - a capacidade que uma pessoa tem de falar sobre o seu comportamento. Quando isso é possível, podemos dizer que tais atos ou comportamentos são conscientes (Baum. 1999). 

    O comportamento de falar também pode ser consciente ou não. Será consciente quando a pessoa que se comportou for capaz de repetir o que foi dito (Baum. 1999). Entretanto. Skinner (1998) revela que, na maioria das vezes, o homem é incapaz de reconhecer tais variáveis, pois estas podem ser sutis a ponto de não despertarem a atenção do indivíduo. Da mesma forma, pode não haver uma razão específica para que este indivíduo se comporte discriminativamente a ponto de tomar consciência daquela relação. Além disso, as variáveis que nos afetam são muitas e discriminar sob controle de qual delas estamos nos comportando não é uma tarefa fácil. 

    Em síntese, quando nos comportamos ou quando estamos aprendendo um comportamento, não nos damos conta do processo como um todo, o que tem como conseqüência a atribuição da função de originador do comportamento a um agente interno - o EU - referindo-se ao próprio homem como responsável pelo comportamento (Skinner, 1998). 

    Quando as concepções internalistas, referem-se a um EU como o causador de uma ação, esse EU não coincide com o organismo físico. É como se o corpo apenas se comportasse, mas quem o dirige é o EU, e não importa se esse EU é inconsistente (que muda de um momento pra outro), pois um único EU é capaz de comportar diferentes ações (Skinner, 1998).

    Para Skinner (1998), o conceito de EU não é essencial em uma análise do comportamento porque ele se baseia nas variáveis ambientais. Considera o EU um mero artifício para simplificar a relação funcional “causa e efeito’', já que trabalhar com os dados ambientais exige uma explicação de como se dá as relações entre eles. 

    concepção behaviorista de EU, que nada se assemelha às concepções internalistas. revela que o EU está relacionado com a cultura na qual os repertórios comportamentais vão ser instalados em cada indivíduo a partir da sua interação com o ambiente. 

    De acordo com as variáveis ambientais, o indivíduo aprenderá a se comportar de diferentes maneiras em diferentes situações (Skinner, 1998). O que se tomará próprio de cada indivíduo será a forma como se comportará diante de uma dada situação, visto que a história de reforçamento se diferencia de pessoa para pessoa. 

    Em suma. o EU não é um agente interno ao homem e causador de uma ação, mas sim comportamentos instalados a partir da história de reforçamento do indivíduo em interação com o meio cultural. 

    Podemos perceber claramente, ao longo de todo o capitulo, a ênfase que o Behaviorismo dá ao ambiente, mas isso não torna as criticas dirigidas a ele pertinentes

    O Behaviorismo Radical atribui ao EU e a subjetividade (eventos privados) o lugar de ser efeito do ambiente e dos comportamentos que ele produz, e não o de ser causa

    Os eventos privados podem fazer parte de uma cadeia de comportamento, mas não o determinam. O estimulo que produz o comportamento é sempre ambiental externo. Logo, não há gravidade alguma em deixar de atribuir ao EU, ou aos eventos privados, o papel de causador do comportamento já que somos a todo o momento afetados pelo ambiente.

    Teoria Psicogenética de Henri Wallon na perspectiva do envelhecimento.


    HENRI WALLON ( 1879-1962) – Francês (Médico, Filósofo e Psicólogo).

    Embora se saiba que Wallon se dedicou ao estudo da criança por acreditar que esse era o caminho para se compreender a origem dos processos psicológicos humanos, a seguir uma análise de sua teoria na perspectiva do envelhecimento humano


    AFETIVIDADE E INTELIGÊNCIA – TEORIA PSICOGENÉTICA

    Estudou o desenvolvimento infantil a partir das dimensões cognitivas, afetivas e motora. Estudou o desenvolvimento de forma integral, recusando-se a estudar as partes isoladamente. Nessa perspectiva, sabe-se que o desenvolvimento humano na velhice é impactado de forma significativa nessas dimensões estudadas por Wallon (cognição, afetividade e motricidade).

    A Psicologia genética está mais interessada em compreender quais as origens dos processos psíquicos.
    Entendia que os processos psicológicos têm origem orgânica biológica, mas que só podem ser entendidos quando consideramos as maneiras pelas quais as influencias socioambientais interagem com esses processos. Portanto, considera tanto as condições orgânicas quanto as exigências sociais que influenciam o desenvolvimento psíquico.  O idoso chega na sua última fase, conforme essas influências socioambientais agiram em sua vida, durante todo o processo de desenvolvimento do sujeito, e são essas influências junto a sua história de vida que irão determinar de este terá uma vida de qualidade na terceira idade ou não, e ainda, como este se comportará no enfrentamento da última fase de sua vida.

    Wallon entende que a estrutura biológica é a primeira condição para a atividade psíquica. Não pode haver atividade psíquica sem uma estrutura biológica. A mente opera com os estímulos que são recebidos do meio externo e do mundo são as grandes mantenedoras da existência e do desenvolvimento humano. Desenvolvemo-nos, na interdependência entre fatores biológicos e sociais. Desta forma, pode-se perceber que as condições biológicas do indivíduo irão influenciar no padrão de vida que idoso terá, pois as perdas e incapacidades da velhice, podem impor limitações da atividade psíquica do indivíduo.

    O desenvolvimento do pensamento infantil não ocorre de forma contínua, marcado por crises e conflitos, resultado do amadurecimento dos sistema nervoso que traz novas possibilidades orgânicas para o exercício  do pensamento e alterações do meio social que traz novas situações e estímulos diferenciados. É do conflito dessas duas condições que emergem o pensamento e a inteligência. Logo conflitos e contradições não são problemas, mas fazem parte do desenvolvimento psíquico normal da criança. As crises muitas vezes são dinamizadoras do processo desenvolvimental, e portanto, benéficas. Sendo assim, o idoso que passou pelas fases anteriores do seu desenvolvimento, enfrentando positivamente os problemas, e aprendendo com eles, chega na velhice com pensamentos e inteligência bem estruturados para lidar com a última fase de sua vida.

    Para ele o desenvolvimento não se dá de forma linear, por isso ele rompe com visões lineares e positivas ao construir um modelo de investigação e interpretação próprio. Pois, percebe que o desenvolvimento humano é marcado por avanços, recuos e contradições; não há uma sucessão de estágios, mas sim, desenvolvimentos que ocorrem de forma simultânea. Essa afirmativa de Wallon demonstra que ainda na velhice, é possível haver desenvolvimento na vida do idoso, tantos nos aspectos cognitivos quando bem estimulados, quanto nos aspectos psicológicos, mesmo havendo declínio das condições biológicas ou físicas.

    Afetividade, motricidade e inteligência.

    A inteligência se desenvolve após a afetividade, contrariando outras teorias. A inteligência surge de dentro da afetividade e estabelece com ela certa relação de conflito, talvez seja por isso que nos interessamos em aprender as coisas que mais gostamos do que as que não gosta. Ao nascer somos frágeis seres orgânicos e dependemos de outros para cuidar de nós, desenvolvendo uma absoluta dependência até os dois primeiros anos, e por isso, nos tornamos seres afetivos, a emotividade do bebe expressa no choro e no grito garante que o adulto se mobilizara para atender suas necessidades. Logo a expressão emocional assim é uma linguagem e sua função é social usada para comunicar necessidades. Não se deve confundir afetividade com amor e carinho. Afetividade estamos falando das coisas que nos afetam (ao olhar do outro, objeto, elementos internos como fome e lembranças) trata-se de eventos internos ou externos.

    O choro afeta o adulto que cuida dela. O choro é culturalmente interpretado pelo adulto e é a partir daí age para atender a crianças. É no contexto dessa interação emocional e social que se dá o desenvolvimento cognitivo da criança. Wallon destaca a importância das atividades, motoras nesse processo, pois o bebe também expressa suas emotividades por gestos, expressões faciais. O ato motor é uma atividade expressiva que comunica os atos emocionais do bebe e ao mesmo tempo gera estados emocionais nos adultos.

    Na medida em que a função simbólica se desenvolve, ou seja, que a criança se torna capaz de pensar sobre coisas que não estão presentes, como ver o desenho e associar a algo real, essa capacitação cognitiva permite a internalização de atos motores  quer dizer, os atos motores vão diminuindo porque as crianças desenvolvem outros recursos para se comunicar, como as palavras; além disso adquire maior controle e refino sobre o ato motor.

    Ele não coloca a inteligência como o principal componente do desenvolvimento, mas defende que a vida psíquica é formada por três dimensões: motora, afetiva e cognitiva, e que essas dimensões coexistem e atuam de forma integrada.  Essas três dimensões afetam diretamente a vida do sujeito no processo de envelhecimento, quando as limitações motoras começam a surgir, afetando emocionalmente e cognitivamente a vida do idoso.
    Defende que o processo de evolução depende tanto da capacidade biológica do sujeito, quanto do ambiente que o afeta de alguma forma. É o meio que vai permitir que essas potencialidades se desenvolvam. Dessa forma, pode-se pensar que havendo cuidados biológicos satisfatórios com a saúde física, e vivendo num ambiente que estimule e incentive o idoso a atividades cognitivas, certamente poderão se manter ativos e atuantes na velhice.

    Principais características dos 6 estágios de desenvolvimento infantil de Wallon:
    Em cada um dos estágios a criança interage com seu ambiente de formas específicas enquanto busca construir sua própria identidade.

    Cada estágio representa um tipo de preparação para o estágio seguinte mas revela a descontinuidade.  O desenvolvimento alterna fases de introspecção, voltar-se para si mesmo, e outras, de extroversão, nas quais o individuo se volta para o meio externo, em busca de autonomia.

    As idades e o tempo de duração de cada estágio variam de criança para crianças, por conta das características individuais e suas relações.

    ESTÁGIO IMPULSIVO-EMOCIONAL (0 A 1 ANO)

    •  Realiza movimentos reflexos involuntários e impulsivos.
    •  Aos poucos vai respondendo afetivamente aos adultos que são seus intermediários entre ele e a realidade externa, nessa relação passa a usar gestos para se comunicar.
    • Aos 3 meses consegue sorrir para as pessoas, fortalecendo só vínculos coma s pessoas, e é através da afetividade que se estabelece os mais fortes vínculos com as pessoas.
    •  A função inicial da emotividade é mobilizar a mãe que irá atender as suas necessidades. É pela emoção expressiva, choro, grito, etc., que o bebe comunica as suas necessidades.
    • Até aproximadamente 1 ano o bebê está concluindo o processo de socialização com as pessoas que o cercam, fase em que ainda é totalmente dependente.
    • Se interessam por objetos a medida em que estes são apresentados pelos adultos. Com o avançar do desenvolvimento a criança vai aprendendo a agir diretamente com seu meio, em um processo crescente de individuação; torna-se mais autônoma.

    ESTÁGIO SENSÓRIO-MOTOR E PROJETIVO ( 1 A 3 ANOS)
    • A EXPLORAÇÃO DO ambiente físico se se acentua na medida em que a criança aprende a segurar coisas e a se deslocar.
    • O desenvolvimento das capacidades cognitivas das crianças está em pleno desenvolvimento, explorando o mundo através dos sentidos e habilidades motoras. Tudo deve ser tocado e sentido.
    • Pouco a pouco o ato motor vai diminuindo e cedendo lugar ao ato mental, ao pensamento, como o desenvolvimento da fala o pensamento também ganha impulso.
    •  A aquisição da linguagem permite que o pensamento se manifeste através da fala, o que rompe com a manifestação motora do pensamento, e isso representa um salto qualitativo no desenvolvimento infantil.
    •  É necessário que a vivência sensória motora do mundo seja inibida pela criança para que a sua vida mental floresça.
    ESTÁGIO DO PERSONALISMO (3 A 6 ANOS)
    ·       Há um conflito entre seu desejo pela autonomia e o fortalecimento do vínculo com a família.
    ·       Como o processo de formação da personalidade é a tarefa psíquica mais importante desse estágio, a criança nega os adultos, muitas vezes se opondo a eles. Seu pensamento volta-se quase que exclusivamente para si. Ela precisa adquirir consciência de si mesma em suas relações com o mundo.
    ·       Inicio da vida escolar, o vínculo familiar se flexibiliza e a criança se direciona para a autonomia uma vez que a vida escolar  exige que tome decisões sozinhas, realize escolhas, concorde ou descorde, enfim, se vendo em situações conflituosas.
    ·       Ao mesmo tempo em que caminha para autonomia, se desenvolve a imitação dos adultos que convive, modo de ser e pensar porque admiram.
    ·       Afetividade se manifesta de modo mais simbólico, por palavras e ideias

    ESTÁGIO CATEGORIAL ( 7 A 12 ANOS)
    ·       A criança utiliza cada vez mais a inteligência para explorar e conhecer os objetos no meio físico e social, que podem ser transformadas e remanejadas dando margem a criatividade.
    ·       \a inteligência e o interesse pelo mundo externo predominam.  A criança avança para o pensamento abstrato, ganha maior controle de habilidade como a memória voluntaria (capacidade de memorizar coisas voluntariamente), obtém maior controle da atenção.

    ESTÁGIO DA ADOLESCÊNCIA ( A PARTIR DOS 12 ANOS)
    ·       As modificações corporais que resultam da ação dos hormônios sexual, levam ao adolescente a buscar uma nova personalidade.
    ·       Há uma ruptura do equilíbrio afetivo, deseja compreender suas inquietações, seus desejos, sua sexualidade e sua real identidade., sendo importante que o adulto ao perceber essas necessidades ofereçam diálogo e apoio aos adolescentes.
    ·       O adolescente deseja diferenciar-se do adulto. Apresenta contornos mais racionais, criando teorias sobre seus relacionamentos com as pessoas.
    ·       Os conflitos internos e externos fazem com que o adolescente se volte para si mesmo, a fim de buscar sua autoafirmação, como forma de lidar com as transformações corporais e psíquicas impulsionadas pela maturação sexual.
    ·       O desenvolvimento permanece por toda a vida e não se encerra na adolescência. A afetividade e a cognição sempre estarão em movimento, em interação entre as inúmeras atividades que desenvolvemos ao longo da vida.

    domingo, 22 de setembro de 2019

    Envelhecimento x Erik Erikson / Henri Wallon

    Processo de envelhecimento na transição adulto/idoso.

    Implicações dos processos cognitivos na passagem adulto-idoso:

    • Os processos cognitivos envolvem a inteligência e habilidades de processamento, e algumas dessas habilidades, a velocidade de processamento mental e o raciocínio abstrato podem declinar com a idade, pois estes podem refletir uma degeneração neurológica. Entretanto, o declínio dessas funções não é inevitável e pode ser prevenido. O impacto das alterações cognitivas é influenciado pelas habilidades cognitivas anteriores, NSE (Nível Sócio-Econômico) e nível Educacional (PAPALIA,2013), portanto,  as habilidades cognitivas do idoso, vão ser influenciadas pelas habilidades cognitivas, não só de sua fase adulta, mas desde a infância e adolescência. Verifica-se uma diferença, sobretudo, na velocidade de processamento e no desempenho não-verbal na transição do adulto para o idoso.
    • Um estudo sobre Inteligência Adulta foram medidas as 6 principais habilidades mentais: significados verbais, fluência verbal,números (habilidade computacional) , orientação espacial, raciocínio indutivo e velocidade perceptual. A velocidade perceptual declinou mais cedo, as outras funções foram declinando mais lentamente, e em alguns não houve declínio. Alguns possuem perdas rápidas de suas capacidades cognitivas, outros mais lentamente e outro até desenvolvem novas capacidades. Portanto, o treinamento cognitivo pode promover a retenção ou crescimento das habilidades cognitivas na transição adulto-idoso. A deterioração cognitiva pode estar relacionada ao desuso. Aqueles que recorrem a treinamento, prática e ajuda social parecem poder utilizar as reservas mentais, sendo capazes de manter o expandir tais reservas. 
    Na terceira idade,  há uma diminuição geral na atividade do sistema nervoso central o que contribui para perdas de eficiência do processamento de informações e alterações nas habilidades cognitivas. Exemplos:
    • A velocidade de processamento, depende da saúde, equilíbrio e jeito de andar, além de desempenhos das atividades no dia a dia.
    • habilidades que tendem a se tornar mais lentas: facilidade de deslocar a atenção de uma tarefa para outra, dificultando por exemplo, dirigir.
    • Resolvem problemas práticos com mais eficácia quando estes têm relevância emocional para eles.
    O treinamento e feedback podem ampliar as capacidades cognitivas no processo de envelhecimento e as vitaminas  B12 e D têm efeito facilitador em processos cognitivos, tais como: memória, velocidade de processamento e velocidade sensório-motora.
    • memória de curto prazo e memória de trabalho possuem suas capacidades diminuídas gradualmente com a idade. A memória pode ser melhorada pronunciando as palavras em voz alta ou mover os lábios sem emitir som.
    • memória sensorial, semântica e de procedimento parecem tão eficientes nos adultos como nos idoso-memoria de longo prazo.
    • Fala e memória:  adultos mais velhos têm um desempenho melhor na parte verbal.

    Perdas e ganhos da terceira idade nas relações sócio-afetivas:

    As relações sócio-afetivas se constituem desde as fases anteriores do desenvolvimento humano. Quando o indivíduo consegue manter essas relações com equilíbrio emocional, empatia, respeito, há uma perspectiva que essas relações permaneçam na terceira idade da mesma forma. Da mesma forma, quando o sujeito tem suas relações sócio-afetivas marcadas por conflitos constantes, desafetos, queixas, quando idoso, espera-se também, que essas relações permaneçam da mesma forma.  Há ganhos nas relações afetivas, quando se considera a experiência de vida, sabedoria, capacidade de lidar com os problemas, opinião formada, sensação de missão cumprida, etc. As perdas sócio-afetivas podem ser notadas nas relações de convivência social e familiar, quando o idoso já não é mais tão solicitado, nem tão engajado socialmente e nas relações familiares. A dificuldade de lidar com a possibilidade da morte, deixa-o emocionalmente fragilizado.

    Breve resumo do que envolve o seu desenvolvimento adulto-idoso, na Teoria de Erikson.

    As 8 idades do homem. Ao longo da vida enfrentamos conflitos psíquicos específicos que ajudam no desenvolvimento de nossa personalidade. Erik Erikson descreveu o desenvolvimento em 8 estágios, e cada estágio dele, traz o nome desses conflitos.

    1-    CONFIANÇA X DESCONFIANÇA  (0 ao 1 ano de idade)

    bebê terá experiências que o levará a confiar ou não, em sua mãe, e outras pessoas.
    É preciso desenvolver tanto a confiança como a desconfiança.

    2-    AUTONOMIA X VERGONHA  (2 ao 3 anos)

       O conflito psíquico importante onde a criança desmama por conta da maturação biológica. Aprende a se locomover e a controlar os esfíncteres. Processo gradual e liberação em relação a figura materna que proporciona a criança um sentimento progressivo de independência e autonomia. Quer fazer tudo sozinha e explorar o ambiente ao máximo, podem desenvolver a autonomia.

    3-    INICIATIVA X CULPA  (3 aos 6 anos)

         Desenvolve sua identidade como menino ou menina, segundo Erikson. Nesse período a menina ou menino se identificara com seu progenitor do mesmo sexo, copiando aspectos do seu comportamento. A menina exibirá sua feminilidade e o menino sua masculinidade.  O menino tende a antagonizar  com o pai e a menina com a mãe. 

    4-    DOMÍNIO X INFERIORIDADE  (7 aos 12 anos)

        Desenvolver habilidade dentro da escola e fora dela. Ler, escrever, calcular, aprender jogo, realizar atividades físicas, colecionar objetos, enfim, toda energia e motivação se referem ao desenvolvimento de competências.    As novas aprendizagens e ação sobre o mundo desenvolve na criança o sentimento de domínio.  Quando elas não são encorajadas a tomar parte nas atividades por outras pessoas, ou é  rejeitada, desenvolve o sentimento de inferioridade.

    5-    IDENTIDADE X CONFUSÃO DE PAPÉIS. (12 aos 18 anos)

      Busca entender a si mesmo. Primeira crise de identidade. Na adolescência, ele abandonará algumas dessas características e fortalecerá outras, e  incansavelmente, tentará achar a si mesmo.   Raramente se identificam com os pais, não aceitam  intromissão, rejeitam seus valores. É um esforço de separar sua identidade da de seus pais.  O  adolescente tem uma grande necessidade de pertencer a um grupo social, formado por pessoas de
        sua idade.  Ser parte de tal grupo, ajuda o adolescente a encontrar sua identidade no contexto social. Ao conseguir definir sua identidade desenvolve o sentimento de coerência interna, se sentido uma pessoa integrada e única. Nem sempre o adolescente consegue alcançar essa tarefa, sofrendo a  chamada difusão de identidade quando ele não consegue encontrar a si mesmo.

    É a partir do sexto estágio do desenvolvimento que Erikson trata do adulto até o idoso:

    6-    INTIMIDADE X ISOLAMENTO  (18 aos 30 anos)

         O jovem-adulto tem interesse em fundir sua identidade com a de outras pessoas. Quer dizer entregar-se em relações de intimidade, as quais será fiel, se entregando a compromissos e sacrifícios. Está pronto para assumir uma relação sexual e afetiva duradoura. Pertencer inteiramente a um grupo religioso a um movimento político. Manter uma amizade profunda e sincera. Ele está pronto para doar-se, para sair de si mesmo sem medo de perder a própria identidade. Caso não tenha atingido essa condição de integridade do eu, terá dificuldade de envolver-se genuína  profundamente com outras pessoas, fugindo da intimidade, convivendo com uma profunda  sensação de isolamento e distanciamento.

    7-    GENERATIVIDADE X AUTOABSORÇÃO      ( 30 aos 60 anos)
     
          O adulto interessa-se por criar, cuidar e orientar uma nova geração. É a generatividade.
         Erikson percebe que as pessoas maduras apresentam uma grande necessidade em se  sentirem  responsável por crianças e jovens. Aos se sentirem necessários, sentem-se estimulados. Quando não  ocorre, há um sentimento de estagnação e infecundidade.
         A generatividade pode se realizar pela procriação, mas também, pode se manifestar por atividades  relacionadas ao cuidado e a orientação da infância.

    “- Eu penso que nesse estágio, que a ética, a ética madura, se torna possível. Porque agora você aprende a se tornar responsável pelo que está criando. Agora, eu evito o termo “criatividade”. Generatividade significa gerar, produzir algo. Com isso, me refiro a tudo que é gerador. Filhos, produtos, ideias, obas de arte. Com isso uma pessoa pode se realizar, mesmo não tendo sido reconhecida (EX: Picasso) , mesmo não tendo filhos já que generatividade também é ser útil a filhos dos outros, como fazem os professores por exemplo. Ou quando alguém se preocupa em gerar ideias. Não o fazer pode gerar frustrações, isso Freud sempre enfatizou.

    8-     INTEGRIDADE DO EGO X DESESPERANÇA   ( 60 anos de idade, em diante)

        O adulto que tiver resolvido de forma satisfatória todos os conflitos dos estágios anteriores e desenvolvido a capacidade da solidariedade humana, terá condições psíquicas para lidar com a crise final ligada a desintegração e a morte. Aqueles que não tenham desenvolvido suficientemente a integração do ego, experimentarão sentimentos de desespero e que não há mais tempo para retornar  experimentar diferentes possibilidades da vida. A integridade do ego leva ao sentimento de união  com a humanidade, a sabedoria e a esperança. A falta de integridade do ego leva a desesperança e ao temor da morte.

    Contribuições de Henri Wallon para a transição adulto-idoso:

    HENRI WALLON ( 1879-1962) – Francês. Médico, Filósofo e Psicólogo. Se dedicou ao estudo da criança por acreditar que esse é o caminho para se compreender a origem dos processos psicológicos humanos.

    AFETIVIDADE E INTELIGÊNCIA – TEORIA PSICOGENÉTICA

    Estudou o desenvolvimento infantil a partir das dimensões cognitivas, afetivas e motora. Estudou o desenvolvimento de forma integral, recusando-se a estudar as partes isoladamente. Entretanto, não se estendeu até a idade adulta e idosa. Porém , do ponto de vista de sua Teoria Psicogenética, é do conflito dessas duas condições que emergem o pensamento e a inteligência. Logo conflitos e contradições não são problemas, mas fazem parte do desenvolvimento psíquico normal da criança. As crises muitas vezes são dinamizadoras do processo desenvolvimental, e portanto, benéficas. Nessa perspectiva, os adultos aprendem a lidar com conflitos e contradições, que demandam da vida adulta, fortalecendo as estruturas cognitivas já existentes de fases anteriores.

    Para Wallon o desenvolvimento não se dá de forma linear, por isso ele rompe com visões lineares e positivas ao construir um modelo de investigação e interpretação próprio. Pois, percebe que o desenvolvimento humano é marcado por avanços, recuos e contradições; não há uma sucessão de estágios, mas sim, desenvolvimentos que ocorrem de forma simultânea, nas diferentes fases da vida, inclusive na transição adulto-idoso.

    Afetividade, motricidade e inteligência.

    A inteligência se desenvolve após a afetividade, contrariando outras teorias, sendo assim, no adulto e idoso as relações de afetividade já estão bem definidas. Assim, como afirma Wallon, a inteligência surge de dentro da afetividade e estabelece com ela certa relação de conflito, talvez seja por isso que nos interessamos em aprender as coisas que mais gostamos do que as que não gosta.

    Afetividade estamos falando das coisas que nos afetam (ao olhar do outro, objeto, elementos internos como fome e lembranças) trata-se de eventos internos ou externos. É no contexto dessa interação emocional e social que se dá o desenvolvimento cognitivo da criança, e que são fortalecidos nas fases posteriores da vida.

     Wallon destaca a importância das atividades, motoras nesse processo, pois o bebe também expressa suas emotividades por gestos, expressões faciais. O ato motor é uma atividade expressiva que comunica os atos emocionais do bebe e ao mesmo tempo gera estados emocionais nos adultos. Esse aspecto do envelhecimento, a motricidade, pode ser afetada por diversos fatores no processo de envelhecimento.

    Defende que o processo de evolução depende tanto da capacidade biológica do sujeito, quanto do ambiente que o afeta de alguma forma. É o meio que vai permitir que essas potencialidades se desenvolvam. Nesse contexto, das capacidades biológicas e do meio em que vive, o adulto e o idoso poderão reduzir ou expandir suas habilidades cognitivas no processo de envelhecimento.

    Dentre as principais características dos 6 estágios de desenvolvimento infantil de Wallon, estão que, em cada um dos estágios a criança interage com seu ambiente de formas específicas enquanto busca construir sua própria identidade. Na idade adulta e idoso, onde a identidade do sujeito se encontra bem definida, a fase adulta irá dar o suporte para o estágio seguinte da fase idosa, já que cada estágio representa um tipo de preparação para o estágio seguinte mas revela a descontinuidade.  O desenvolvimento alterna fases de introspecção, voltar-se para si mesmo, e outras, de extroversão, nas quais o individuo se volta para o meio externo, em busca de autonomia.