Demanda crescente por trabalhos terapêuticos que sejam úteis em um tempo relativamente curto.
Atende demandas específicas, focadas em determinado objetivo.
Minimiza tempo e custo para o cliente.
se aplica a psicoterapia individual e de grupo.
se caracteriza por uma série de procedimentos e posturas bastante peculiares.
Tem como propriedades especiais:
Modelo eitológico
As relações entre psicopatologia, comportamentos e ajustamentos.
A atitude e a abordagem que o terapeuta utiliza para interagir com o cliente.
Necessita de um fundamento da teoria da personalidade, o que vai ajudar o cliente no autoconhecimento.
Deixa a sensação de incompletude.
A Gestalt-terapia enquanto teoria de personalidade e de psicoterapia...
Terceira força da Psicologia ou Corrente Humanista
Esta fundamentada em compreender o ser humano como:
uma totalidade integrada,
uma unidade indivíduo-meio
uma unidade de passado, presente e futuro, onde o "aqui e agora" é o tempo e o lugar onde as mudanças podem ocorrer.
Busca atenção aos processos a partir das relações que se estabelecem e não com as coisas mesmas. O que mais importa é o modo como a pessoa se relaciona com o objeto.
Sua dinâmica acontece sempre em determinado momento da vida da pessoa.
É mais importante "o como" do que o "o quê" e o "por quê".
Procura entender o ser humano como um ser em relação consigo e com o mundo que o rodeia, com suas possibilidades e potencialidades existenciais.
Um todo animo-biopsicossocial.
A Ótica da Gestalt-terapia...
O Gestalt-terapeuta é um ser humano em consciência e em interação: para ele não existe uma "clienticidade" pura.
O cliente está se relacionando com a sua cena social, procurando crescer através da integração de todos os seus aspectos.
Correntes filosóficas ou psicoterápicas da GT:
Psicologia Existencial
compreendendo o ser humano como possuidor de si, libre e responsável, capaz de ampliar sua consciência de s e de seu mundo de acordo com sua vivencia imediata e com a confiança na extensão dessa vivencia para o futuro
Crer sobretudo, na possibilidade humana de liberdade, de responsabilidade e escolha.
Acredita no homem com poder sobre si e sua existência.
filosofia do dualismo: essência e substância; corpo e alma.
Psicologia Fenomenológica
Psicologia Humanista, com ênfase no belo, no positivo do ser humano, no criativo que é transformador, convidando a pessoa a tomar consciência de suas potencialidades e se apropriar disso.
Psicanálise Freudiana e alguns discípulos
Perls e laura foram a princípio psicanalistas.
Respeito às diferenças e constante aprendizagem mútua.
Os trabalhos de Martin Buber com sua filosofia dialógica. Acreditava que a civilização moderna, não valorizava os aspectos relacionais da vida e com isso, ampliou o espaço para o narcisismo e para o isolamento do ser humano. Essa relação do inter-humano está presente no diálogo e dá sentido a ele, especialmente no fundamento relacional da existência humana. valorização do "entre" lugar onde acontece entre os homens.
Trabalhos de Kurt Lewin com a Teoria de Campo
O ser humano é responsável por seu destino e por sua liberdade, ele existe por conta própria, de modo que é possível acessar e explicar o comportamento humano tal qual ele se dá, sem a necessidade de metáforas, com base no sujeito e no meio no qual acontece, no momento em que ocorre. (RIBEIRO,1999, P.58 apud PINTO, 2016)
Trabalhos de Perls
preocupação com as relações entre a pessoa e o ambiente em que vive
procura compreender o ser humano por meio de uma sensível articulação entre os aspectos biológicos, espirituais, psicológicos e socioculturais presentes na vida humana.
Trabalhos de Reich
junto a Perls levanta a ideia da importância do corpo humano como totalidade, como manifestação humana e como história sempre reescrita
destaca que o ser humano sempre busca a sensação, o orgasmo, a riqueza da auto expressão imediata e não distorcida.
destaca a relação entre lembranças e afetos que acompanham essas lembranças.
fundamenta-se na influencia do Reich o trabalho gestáltico com as frustrações.
Psicologia da Gestalt
acredita que as pessoas podem organizar seu campo de existência em necessidades suficientemente bem definidas, que servem de referência quando organizam seu comportamento
traz o conceito de pregnância ou boa forma.
a diferenciação entre o meio comportamental e o meio geográfico
o ser humano como um todo a ser compreendido-Holismo
tem como valores relevantes a singularidade do ser humano e a responsabilidade de cada pessoa perante si, seu tempo e seu mundo.
Teoria organísmica de Goldstein
refere-se ao ser humano como organismo, uma concepção que não admite a dicotomia corpo-mente.
tem a vida como um processo de contínuo aprendizado que possibilita a esse ser humano, na medida em que se apropria de conhecimentos sobre si e sobre o mundo, o movimento de ininterruptamente se auto atualizar, em busca do equilíbrio como sinônimo de saúde.
A visão do homem como totalidade
Aspectos do Taoísmo
traz aspectos relacionados ao vazio fértil, o abandono de si, como melhor modo de ser criativo.
paradoxo de que "somente quando a pessoa se esvazia, ela pode se preencher"
Aspectos do Zen-Budismo
influência do pensamento oriental, em busca da ampliação da consciência e abertura para a sabedoria.
Visão do homem como totalidade
Possibilidade de contínua transformação do ser humano ao longo da vida, fruto da desapegada abertura ao novo.
Atitude fenomenológica-existencial...
Ponto em que se fundamenta a concepção de homem na abordagem gestáltica
tem suas bases...
no homem em relação
na sua forma de estar no mundo
na radical escolha de sua existência no tempo
sem escamotear a dor, o conflito, a contradição, o impasse
encarando o vazio, a culpa, a angústia, a morte
incessante busca de se achar e transcender
entende a consciência...
como consciência de alguma coisa
voltada para um objeto, o qual, seja um objeto voltado para a consciência
como meio de perceber como a pessoa produz sentido a cada fenômeno
Conceitos
de Campo..."a totalidade dos fatos coexistentes, em dado momento, e concebido em termos de mútua interdependência, cuja significação depende da percepção dessa correlação entre sujeito e objeto." (RIBEIRO, 1999, P.57 apud PINTO, 2016)
awareness... capacidade de aperceber-se do que se passa dentro e fora de si no momento presente, tanto em nível corporal quanto em nível mental e emocional. Segundo Cardella (1994,p,68 apud Pinto, 2016) "é o processo de estar em vigilante contato com o evento mais importante no campo indivíduo/meio, com suporte sensório-motor, cognitivo, emocional e energético. É o experienciar e saber o que (e como) estou fazendo agora".
Segundo Hyener (1997, p.29 apud PINTO, 2016)...
"aquilo que nos une como seres humanos não é, necessariamente, o visível e o palpável, mas sim, a dimensão invisível e impalpável "entre" nós. É o Espírito Humano que permeia qualquer interação nossa. É o "fundo numinoso" que nos envolve e interpenetra. A partir dele emergem nossa singularidade e individualidade, tornando-se figura. É a fonte da cura."
Referências: PINTO,Ênio Brito. Psicoterapia de Curta Duração na Abordagem gestáltica elementos para a prática clínica. 3 edição Summus editorial. São paulo, 2016.
pretende compreender a importância da awareness e o ciclo de contato na psicoterapia de orientação gestáltica.
apresenta a abordagem como meio de revelação durante o processo, através do envolvimento criativo, contribuindo para o desenvolvimento de mais awareness.
relevância do fechamento de uma gestalten.
visa identificar como a psicoterapia, pode contribuir para o desenvolvimento da paciente, com base na teoria de awareness e do ciclo de contato da Gestalt-terapia (GT)
parte do estudo de caso de bipolaridade na clínica.
Pinto (2015, p. 19) aponta que:
[...] em um processo psicoterapêutico a compreensão diagnóstica não pode ser apenas um diagnóstico do cliente: ela precisa envolver a situação terapêutica e a situação de vida do cliente como um todo, além, é claro, das disposições do terapeuta para aquele trabalho clínico.
A compreensão diagnóstica em Gestalt-terapia ainda deve levar em conta tanto os aspectos intrapsíquicos quando os relacionais, embora de ênfase maior aos aspectos referentes a intersubjetividade.
O processo terapêutico na perspectiva da Gestalt-terapia
De acordo com Perls (1988) a palavra Gestalt é de origem alemã e não possui tradução equivalente. Conceituada como um modo particular de organização entre as partes individuais que se compõem.
Influências intelectuais de Frederick S. Perls no desenvolvimento da GT:
a psicanálise,
a psicologia da Gestalt,
o existencialismo
e a fenomenologia,
incorporando também ideias de Jacob Levi Moreno, como a importância da definição de papéis.
Perls e a Gestalt se importam com o “como”, ou seja, os processos vivenciados e o sentido que eles têm para a pessoa. O indivíduo é entendido na sua interação e relação com o meio (ANDRADE, 2007).
Alvim (2014) aponta que...
para a GT, awareness tem um sentido próprio que é o saber da experiência, considerando o movimento entre contato, organismo e meio, onde o indivíduo percebe o sentido e significado de si e do mundo.
O organismo tende a buscar um equilíbrio. Quando não há o equilíbrio gera-se uma neurose.
A conscientização só pode acontecer no aqui-agora e quando se mexe em uma parte deve-se ter consciência de que o todo será alterado.
A formação espontânea de Gestalten é por nós compreendida como configuração de sentido que emana da interação entre o organismo e o ambiente;
Concebemos a awareness como o fluxo da experiência aqui- agora que, a partir do sentir e do excitamento presentes no campo, orientando a formação de Gestalten.
Ao ouvir um indivíduo em psicoterapia, o psicoterapeuta deve abdicar
de suas crenças, apenas acompanhar a fala do paciente, deixando que a
experiência do outro se revele como fenômeno
Na Gestalt-Terapia...
contato é o entregar-se ao encontro, um encontro
pleno, tendo como sinônimo o cuidado (Ribeiro, 2007)
Para a GT o contato está ligado às
relações do indivíduo consigo mesmo e com o meio. (Ribeiro,2007)
A forma de contato revela
o grau de individuação, maturidade e auto entrega. (Ribeiro,2007)
Ao ouvir um indivíduo em psicoterapia, o psicoterapeuta deve abdicar de suas crenças, apenas acompanhar a fala do paciente, deixando que a experiência do outro se revele como fenômeno (Alvim, 2014)
o processo de psicoterapia visa o envolvimento
criativo e na medida em que avança, flui mais confortavelmente. Zinker (2007)
é essencial aprender a lidar de forma criativa com os sentimentos conflitantes, em vez de lutar contra seus próprios sentimentos ou
polarizar o comportamento.
Crescimento e desenvolvimento implicam trocas entre o indivíduo e
seu meio, surgindo por meio dessas trocas a possibilidade de entrar
em contato com o novo e com o diferente. A essas trocas damos o
nome de contato. (Salomão, Frazão, Fukumitsu, 2014)
é de suma importância que ocorra o
desbloqueio da awareness e da energia. Na GT a passagem ao ato é realizada
através da experiência controlada, no consultório, um ambiente seguro onde o
paciente pode experienciar a energia com a qual entrou em contato. Então o
paciente pode passar a experimentar em seu cotidiano fazendo com que se
prolongue a manifestação física concreta, contribuindo para a mudança.(Zinker, 2007)
o experimento em psicoterapia é um convite ao
paciente para reconstruir algo. ( Rodrigues, 2009)
a GT visa restaurar a fluidez
do processo de desenvolvimento da figura e do fundo através da análise das
estruturas internas que o paciente apresenta diante da experiência (D’Acri, Lima e Orgler (2007)
tem como objetivo principal desfazer as
interrupções no ciclo de awareness-excitação-contato de acordo com a
personalidade apresentada pelo paciente durante o processo, podendo
relacionar psicopatologias descritas pela nomenclatura psiquiátrica. Zinker (2007)
Ginger e Ginger (1995) afirmam que as subdivisões do ciclo de
contato-retração não são tão relevantes para a prática clínica. Identificar e
localizar a fase do ciclo onde acontece a interrupção ou qualquer perturbação é
o principal interesse. A pessoa não consegue agir com base em seus impulsos.
Indivíduo tem o desejo de se movimentar, mas não tem energia para agir. (Zinker, 2007)
O limite no qual o indivíduo e o meio se tocam é denominado pela
Gestalt-terapia de fronteira de contato. Só quando o indivíduo alcança
a sua fronteira de contato e experiencia ao mesmo tempo está ligado
ao meio e estar separado dele – estando aberto ao novo, exposto a
coisas ameaçadoras – ocorrem contato e possibilidade de
modificação. É nos limites, nos pontos de contato, que a awareness
se dá e determina os limites do campo pessoal (PINTO, 2015, p. 50).
“A terapia é um processo de mudança da awareness e do
comportamento. O sine qua non do processo criativo é a mudança: a
conversão de uma forma em outra” (ZINKER, 2007, p. 17).
Na Neurose...
o organismo e o meio estão
doentes. O meio tem a mesma dinâmica do organismo, buscando responder às
necessidades predominantes em primeiro lugar. (Perls, 1988)
o indivíduo neurótico
não tem condições de perceber suas necessidades e tão pouco de supri-las
A neurose, pelo contrário, seria uma perda da função “ego” ou da
função “personalidade”: a escolha da atitude adequada é difícil ou
desadaptada (GINGER E GINGER, 1995).
O Ciclo de Contato
O ciclo é uma expressão do que fizemos ao afirmar que a pessoa
humana é, essencialmente, um ser de relação. (RIBEIRO, 2006 p. 89).
Quando afirmamos
que o universo procede em ciclos, também estamos dizendo que as
pessoas repetem o mesmo movimento em escala micro, pois ciclo
significa que o presente é o repasse do passado transformado e a
projeção do futuro por meio das estruturas já presentes nele. (Padrões de repetição) (RIBEIRO, 2006 p. 89).
Essa
circularidade nos torna essencialmente seres de relação em
permanente mudança, ou seja, seres à busca de si mesmos. Isso é
contato (RIBEIRO, 2006 p. 89).
[...] as funções de contato são fundamentais à medida que se
transformam em suporte e facilitam o processo de contato. O
contrário também acontece, isto é, as funções de contato funcionam
como resistência se bloqueiam o contato desejado ou impedem a
satisfação das necessidades. (D’ACRI, 2014, p. 43).
Para Ribeiro (2007), em psicoterapia o ciclo de contato funciona como
um paradigma, um modelo que permite ler o indivíduo, além de permitir o
encontro e se deparar com novas possibilidades.
D’Acri, Lima e Orgler (2007) afirmam que contato é um processo
profundo que transforma, muda e cura, é um dar-se conta de si, através do
cognitivo, emocional, motor, o contínuo expressado através do corpo.
Para Ribeiro (2007, p. 59), “O ciclo é o espaço vital total de uma
pessoa, de um grupo, de um lugar, de uma empresa. Ele revela as mil
possibilidades dentro das quais a realidade, a pessoa ou a coisa se
expressam”.
Zinker (2007) expõe o ciclo de consciência-excitação-contato que é representado por sete fases, sendo elas:
sensação,
consciência,
mobilização de energia,
excitação,
ação,
contato
retraimento.
Ribeiro (2006) apresenta o ciclo de contato da saúde com nove fases:
a fluidez,
a sensação,
a consciência,
a mobilização,
a ação,
a interação,
o
contato final,
a satisfação
a retirada.
O autor ainda apresenta os
bloqueios que correspondem a cada mecanismo de saúde sendo eles:
a
fixação,
dessensibilização,
introjeção,
projeção,
deflexão,
retroflexão,
egotismo
confluência.
Referências:
FRONZA, Juliana Lomba
MALLMANN, Loivo José (Orientador). O CICLO DE CONTATO E A BUSCA DA AWARENESS NA
PSICOTERAPIA DE ORIENTAÇÃO GESTÁLTICA
parte de queixas dos clientes atendidos na clínica.
busca compreender ...
a existência o mundo contemporâneo.
como é vivenciado o contato com o outro na atualidade.
Revisa bibliografia a respeito do que a GT fala das relações e do homem.
Percepção de que os sofrimentos apontam para uma dificuldade de estabelecer diálogo, intimidade e entrega.
A Gestalt-terapia...
considera que o homem e todo organismo vivo está interligado com o resto do mundo;
só faz sentido falar do homem que vive em determinado meio que faz parte de sua existência e forma com ele uma totalidade.
tem foco nas relações organismo-ambiente, que o sujeito mantém consigo, com o outro e o meio em que vive.
se debruça no estudo do contato em si, ou seja, na forma como o indivíduo se relaciona consigo, com o outro e o meio, da fronteira que interconecta eu-mundo e eu-outro.
Considera o Self contato.
Self é definido como sistema de contatos em que o euse desloca do interior do psiquismo para o campo, como processo que se desenrola no tempo, espontaneamente, expressivamente e de forma criadora, segundo Alvim (2012).
A Fronteira de contato marca uma delimitação temporal - indica o momento em que nos deparamos com uma novidade que nos causa estranhamentoe nos faz partir em busca de um sentido para este encontro.
Esse novo encontro com a novidadegera uma certa tensão por esse encontro, logo, falar da experiência é falar de contato.
Ajustamento criativo é processo de encontro e assimilação de uma diferença, que implica se arriscar diante do novo e do desconhecido, ou seja, a forma como o cliente se autorregula diante da novidade. O ajustamento criativoimplica em uma ação espontânea no campo, podendo ser ativo (quando se quer realizar algo) ou passivo ( quando se espera que lhe façam algo) segundo Perls, Hefferline &Goodman (1651/11997)
As autoras...
sugerem que a possibilidade do contato pleno, da entrega, da abertura, da awareness se encontram em falência na contemporaneidade.
que a GT pode auxiliar o sujeito a olhar de forma mais crítica para os fenômenos trazidos à clínica pelos clientes.
pretendem compreender os valores da sociedade atual a partir de dilemas levados por esses clientes.
reafirma posição dialética fundada no diálogo e na relação, observando o ser integralmente.
1. A experiência do contato: do eu-outro, para o nós.
- É como se eu fosse vermelho e ele amarelo, eu só queria que de vez em quando virássemos laranja e depois voltássemos a ser vermelho e amarelo e assim por diante. (Stela)
Observa-se o desejo de fazer contato na relação com o outro, e seu sofrimento por não conseguir.
traz sentimento de solidão e frustração.
2. O processo de contato e suas interrupções
Na Gestalt-Terapia existem muitas formas de se olhar para o contato e suas interrupções.
A GT propõe 4 etapas para abordar o contato e a forma como ele acontece no tempo:
pré-contato
contato
contato final
pós-contato
As maiores demandas na clínica apontam para a dificuldade na experiência da alteridade (relação do que é o outro) e do diálogo.
Substituir o desconhecido e o diferente pelo conhecido em uma tentativa de evitar fazer contato com alfo que o ameaça acaba se tornando uma neurose.
A forma como se interrompe a dinâmica de contato fala da singularidade daquela pessoa e mostra o momento em que se bloqueia o fluxo da experiência, onde a dificuldade parece estar mais presente.
Destaca-se na clínica, como interrupções no momento do contato e do contato final a retroflexão, proflexão e egotismo.
2.1. Contato
Na etapa do contato a energia mobilizada já está comprometida, isto quer dizer que:
já houve a eleição de uma figura
o organismo já teve uma sensação
já se conscientizou de sua necessidade
já se mobilizou e agiu em direção a uma possível satisfação.
O momento é...
o da agressão,
de lidar com a diferença e com o outro,
envolve conflito,
destruição e assimilação do novo, dessa figura escolhida para a satisfação de uma necessidade.
O self...
frente ao conflito procura assimilar e se perceber no processo, bem como, estar mais aware de si.
quando a figura esta definida e a energia comprometida, o organismo se encontra na iminência da interação de si.
Bloqueando essa etapa de contato...
a energia que estava sendo direcionada retorna para si - retroflexão
ou a energia é direcionada para o outro, de forma enviesada, ocorrendo a proflexão.
Retroflexão e Proflexão...
falam da impossibilidade da pessoa expressar suas necessidade para o outro de forma direta,
impede o agir espontâneo frente ao outro, de encontrar e trocar com este diretamente, com confiança e coragem de assumir o risco que isso inclui.
evita-se aí o conflito direto
as formas disponíveis para tentar alguma satisfação nesses casos são:
ou satisfazer a si mesmo
ou uma tentativa de eliciar no outro uma resposta mais ou menos esperada.
na Retroflexão...
isolamento é marcado por uma autossuficiência, um fazer você mesmo, enrijecendo a fronteira de contato e cindindo-se do ambiente, do outro;
aqui há uma desistência do outro ou se entende que precisar dele é uma fraqueza, fazendo consigo mesmo aquilo que se precisa.
na Proflexão
no isolamento há uma espécie de “cegueira” e o outro passa a ser como uma tela de projeção, fantasiado, um espectro enevoado no qual se vê apenas uma idealidade.
proflexão, toma-se o outro como objeto, de modo a satisfazer a sua necessidade.
em ambos os casos
utiliza-se de manipulação, de comportamentos evocativos e indiretos, redobrando seus esforços quando encontra alguma resistência.
suas relações se mantêm empobrecidas, sem a sensação de estar satisfeito.
2. Contato final
é o ápice do processo do contato, porém, não chega a ser o seu final em si, já que este acontece no pós-contato, momento da assimilação e do crescimento.
Trata-se, então, do momento da união, do encontro eu-figura em si.
Segundo Clarkson (1989) esse é o momento do engajamento total, cheio e vibrante com a figura da ação escolhida.
o self está absorvido de maneira imediata e plena na figura que descobriu-e-inventou; no momento não há praticamente nenhum fundo.
A figura incorpora todo o interesse do self, e o self não é nada mais do que seu interesse presente, de modo que o self é a figura (Perls, Hefferline & Goodman, 1951/1997, p. 221).
O sentimento de ego ativo da etapa anterior do conflito e agressão abranda-se ou desaparece.
Dizer que o fundo está vazio é falar em ato de entrega total com a figura escolhida, com atenção plena.
No caso Stela esse é o momento em que ego e self se fundem formando uma só cor.
Momento derradeiro para se experienciar tanto o outro quanto a si mesmo, onde está presente a qualidade da totalidade campo-organismo-ambiente.
envolverenúncia de si, de entrega, onde o self se sente mais vivo:
Egotismo
impossibilidade de viver esse ato de entrega, em que figura e fundo se fundem em um só, de forma plena.
Segundo Perls, Hefferline & Goodman (1951/1997) consiste numa dificuldade em renunciar ao controle e à vigilância, numa ansiedade frente à indiferenciação, numa preocupação última com nossas próprias fronteiras, consigo ao invés de com aquilo que é contatado.
Há uma dificuldade em “relaxar o controle, soltar-se, ter a audácia de terminar a ação empreendida, abrir as fronteiras ao encontro” (Robine, 2006 p. 131).
O self, ao se enrijecer e evitando se entregar...
não consegue agir em sua dimensão de espontaneidade e criatividade.
se vê em uma situação de emergência em cada possibilidade de interação e por isso mesmo precisa se proteger.
não permite vivenciar plenamente o encontro, ficando o contato esquecido enquanto possibilidade.
3. A experiência na contemporaneidade...
Pode-se pensar em duas formas de existir no tempo presente:
uma alienada, acrítica, apartada de uma reflexão sobre o mundo atual,
e outra, a qual Agamben chama de contemporânea, que é a vivência daquele que “mantém fixo o olhar no seu tempo, para nele perceber não as luzes, mas o escuro” (2009, p. 62)
isso não significa de modo algum uma inércia, mas sim, como acrescenta ele, “uma habilidade particular, que nesse caso, equivalem a neutralizar as luzes que provêm da época para descobrir as suas trevas, o seu escuro especial, que não é, no entanto, separável daquelas luzes” (2009, p. 63).
3.1. Marcas da contemporaneidade
há um “mal-estar” na contemporaneidade (Freud)
perda das referências
referências,
o racionalismo
o cientificismo,
o incremento do individualismo,
a aceleração do tempo.
Com a fenomenologia...
Começa-se a pensar que consciência e mundo não são separados, mas aspectos de uma mesma realidade, na qual corpo e mente estão associados numa experiência intencional.
Franklin Leopoldo e Silva (2012) nos lembra de uma célebre frase de Jean Paul Sartre, em que este afirma que o inferno são os outros. Segundo o autor viver junto implica numa partilha de valores sobre a vida aspirações comuns, ou seja, um movimento em direção a uma vida comum, uma convivência.
A solidão numa sociedade massificada encoraja o indivíduo a buscar alívio e abrigo em grupos sectários, nos quais a homogeneidade representa a segurança que não está presente na experiência autêntica da diversidade.
Santos (2009, p. 18) afirma: “Temos direito a ser iguais quando a diferença nos inferioriza; temos direito a ser diferentes quando a igualdade nos descaracteriza”.
4. Entrecruzamentos...
como dizia Merleau-Ponty (1964/2000), a carne do mundo, se comungamos de um fundo comum, de uma generalidade, de uma cultura que nos atravessa a todos, podemos inferir que nãoé à toa que muitos estamos adoecidos.
Compartilhamos de uma teia também adoecida, de um fundo que não é favorável à experiência de alteridade, ao encontro, à intimidade, à singularidade, à criação de novos possíveis.
Segundo as autoras...
Vimos, em nossa clínica, que as pessoas têm tido cada vez mais dificuldade em lidar com o momento do conflito e da entrega.
A dificuldade do conflito é uma dificuldade do embate, da
agressão;
A da entrega diz respeito a abrir mão de uma atividade, de se lançar na experiência de união e dissolução das fronteiras.
Podemos estar em uma atividade mecânica, guiada pela pressa, que reflete uma lógica de produtividade e um medo de parar e encarar a ansiedade da incerteza frente ao desconhecido
Ou podemos estar também num modo de ser passivo, engolindo pronto aquilo que vem de fora.
Em ambos os casos alienados e acríticos, o que permeia esses dois modos de estar no mundo é uma alienação tanto pela atividade quanto pela passividade.
Os sujeitos em sua passividade introjetam esses valores como normas naturalizadas e não se questionam sobre eles, apenas os reproduzem.
A sociedade atual estipula normas gerais que indicam o que é certo/normal e o que está fora dessa margem, o errado/ anormal. Segue-se padrões sem questionamentos.
É preciso um gesto de interrupção para se perceber:
requer parar para pensar, parar para olhar, parar para escutar, pensar mais devagar, olhar mais devagar, e escutar mais devagar; parar para sentir, sentir mais devagar, demorar-se nos detalhes, suspender a opinião, suspender o juízo, suspender a vontade, suspender o automatismo da ação, cultivar a atenção e a delicadeza, abrir os olhos e os ouvidos, falar sobre o que nos acontece, aprender a lentidão, escutar aos outros, cultivar a arte do encontro, calar muito, ter paciência e dar-se tempo e espaço.
É justamente por estarmos apressados que nos distanciamos do que é da ordem da experiência, isolados uns dos outros, individualizados e numa constante competição nos afastamos da possibilidade de nos encontrarmos com o outro, de “estar com”.
"na rearticulação dos coletivos pela adoção de uma postura de diálogo e afirmação da alteridade, uma proposta de estabelecermos um espaço possível de esperança, em que sejam construídas relações onde haja espaço para o encontro, para a experiência de olhar e ser olhado, do reconhecimento, da empatia, do estar com, do reestabelecimento do vínculo. Com isso, vemos uma possibilidade de uma rearticulação entre as partes e o todo."
a clínica que se propõe e se estabelece dentro dessa lógica da alteridade restabelecida e forma dialética pode se configurar também enquanto um lugar que atua em prol da reversibilidade do quadro em que nos encontramos.
Criamos através da relação terapêutica, a possibilidade da pessoa resgatar a conexão primordial, religando-a a si mesma e aos demais, constituindo ou restaurando a sua própria humanidade”
A Gestalt-terapia...
busca recuperar o sentido da experiência concreta, do vivido e, para além disso, busca ampliar a awareness, ou seja, através da presentificação, restaurar nos sujeitos a dimensão do sensível e sua possibilidade criativa, de agressão.
traz uma proposta de saúde baseada na espontaneidade e na possibilidade de sermos no mundo de forma mais crítica, menos alienada.
sua terapia torna-se essa possibilidade de reconexão, que também encontramos na experiência do coletivo.
torna-se necessário que nos arrisquemos diante do novo, pois a experiência, como já dissemos, comporta uma dimensão de risco e de travessia, de coragem para enfrentar a dimensão do perigo, que abarca tanto o júbilo como o sofrimento em meio a uma sociedade que se é proibido sofrer.
Direcionados sempre para o fim, perdemos o meio, e com isso o espaço da experiência, do acontecimento e da transformação, lugares do qual se ocupa a GT.
Referências:
Pepsico. SILVA, Thatuana Caputo Domingues; BAPTISTA, Camilia Santos; ALVIM, Mônica Botelho. O contato na situação contemporânea: um olhar da clínica da Gesatlt-terapia.
discute o fenômeno da virtualidade no contexto do ciberespaço e o entendimento da Gestalt-terapia.
Teoria do Self traz noção de contato para ressaltar o caráter virtual da experiência.
Adentra no campo das relações interpessoais.
"Constatou-se o ciberespaço enquanto um campo onde coabitam implicações materiais e virtuais que fomentam uma nova configuração para experiência e consequentemente um campo de ajustamento criativo."
século XXI - permite se relacionar através de uma rede de comunicação simultânea e global, o que nos permite interação sem a necessidade de dividirmos o mesmo espaço-tempo.
O ciberespaço...
as estas transformações se estendem na formação de uma cultura própria da contemporaneidade
ocorre a interação humana via mídias digitais
ressalta uma nova interface para experiência humana, onde a crescente circulação desenfreada de informações infere um campo novo, desconhecido e exacerbado em possibilidades.
Segundo Lévy (1999) o ciberespaço pode ser entendido enquanto um espaço não físico pelo qual as informações circulam por meio de um conjunto deredes de computadores.
Lima (2009) traz que “o ciberespaço não é uma realidade a parte, ou um não-lugar desconectado da realidade, mas uma expansão e um complexificador do real” (p.5), ou seja, para além da noção espacial/material o ciberespaço se refere a um ambiente simulado onde é possível interagir transmitindo informações e conteúdos simbólicos, proporcionando uma experiência conjunta de interação, mesmo deslocada em um tempo-espaço diferente ( CAPANEMA e AVANZA, 2013).
A Cibercultura...
por Lévi (1999) como sendo “o conjunto de técnicas (materiais e intelectuais), de práticas, de atitudes, de modos de pensamento e de valores que se desenvolvem juntamente com o crescimento do ciberespaço” (p.16).
Santaella (2003) traz que o advento da cibercultura não tem mudado apenas a maneira como nos comunicamos, mas também a forma como produzimos, criamos, distribuímos e compartilhamos.
Bases teóricas para se pensar o contato neste novo campo virtualizado da experiência....
Obra Gestalt-terapia de Perls, Hefferline e Goodman (1997) e nos estudos de seus desdobramentos feitos por Müller-Granzotto e Müller-Granzotto (2004, 2007, 2012).
O que significa Gestalt...
Segundo Engelmann (2002): “O substantivo alemão ‘Gestalt’, desde a época de Goethe, apresenta dois significados diferentes:
(1) a forma;
(2) uma entidade concreta que possui entre seus vários atributos a forma” (p.2).
A opção majoritária de manter o termo original por parte dos
gestaltistas ressalta a importância estética que o mesmo tem para a teoria, utilizado pelo próprio Goethe para descrever a “[...] auto-organização, do sentido e a expressividade presentes nos fenômenos da natureza” (CHOLFE, 2009, p.30).
A Gestalt-terapia...
se estabelece como uma abordagem que possibilita uma análise holística do ser humano através de uma forte base epistemológica, que parte da relação entre organismo e o meio.
o homem passa a ser visto como parte atuante em um todo maior.
Um constante campo interacional entre o organismo e o ambiente, no qual a manifestação das experiências vividas no passado e as expectativas geradas frente às possibilidades de futuro se fazem presentes transientemente no aqui-e-agora (MÜLLER-GRANZOTTO & MÜLLER-GRANZOTTO, 2004).
Influências da Gestalt-terapia...
marca o abandono do método introspeccionista e dos conceitos clássicos de atenção, sensação e associação em valor do método fenomenológico, o que permitiu que Wertheimer e Köhler propusessem uma aproximação do pensamento em relação a uma experiência concreta (CHOLFE, 2009).
transcende o formato mentalista, até então predominante, de se fazer Psicologia.
Perls levantou duras críticas a este método, uma vez que se pautava na busca por leis estruturais universais.
Perls vai beber da teoria de Kurt Goldstein, trocando o dualismo entre mente e corpo (fenômenos psicológicos versus fenômenos físicos) pela compreensão descritiva de um processo de funcionamento organísmico (BELMINO, 2014).
"nenhum organismo é autossuficiente Requer o mundo para a satisfação de suas necessidades"
quebra de um pensamento dicotômico que separava o homem e a natureza em estâncias isoladas e o início de uma linguagem integradora pautada na compreensão de uma unidade do organismo e sua integração com o campo (unidade organismo/ambiente) (BELMINO, 2014).
Para Perls, Hefferline e Goodman (1997) o pensamento dicotômico proposto pelas teorias antropológicas anteriores na verdade são fragmentações da experiência, uma vez que não abarcam o “todo”, apesar de serem estruturas unificadas e definidas.
propõe a observação da experiência em si mesma, formulando assim uma noção de campo construído através de polaridades que nascem de noções contrárias (BELMINO, 2014).
segundo Perls (2002) ocorre uma diferenciação em opostos: "somos indiferentes a tudo que é ‘não diferenciado’ a partir de nosso ponto e vista subjetivo” (p.46).
O Ego...
passa a ser entendido como uma função seletiva do organismo no campo, pela qual ele identifica-se e aliena-se em sua interface com o ambiente (PERLS, 2002).
o ego enquanto função da experiência é ativado a partir do encontro com o “estranho”, exercendo a função de determinar os limites ou fronteiras entre o pessoal e o impessoal.
Assim como a respiração é uma função do pulmão o ego é a função seletiva do organismo, fundamental para compreender suas próprias fronteiras (PERLS, 2002).
A fluidez deste processo de diferenciação se dá por meio da dinâmica do contato/fuga, na qual o contato é o ato de identificação e alienação com o meio e a fuga o processo de retrair-se para que uma nova experiência possa emergir (BELMINO, 2014).
Ajustamento criativo ...
“o processo de contatar no campo organismo/ambiente [...]” (p.100), ou seja “[...] o processo de assimilação da novidade e a rejeição do inassimilável” (BELMINO, 2014, p. 99).
Teoria do Self...
discutida/lida através de “[...] três principais sistemas parciais –ego, id e personalidade -, que em circunstâncias específicas parecem ser o self”.
Através desses três sistemas é possível ler a experiência de um campo.
as funções id, ego e personalidade são entendidos enquanto ferramentas descritivas do processo temporal que é o “self” (MÜLLER-GRANZOTTO & MÜLLER-GRANZOTTO, 2004).
Id - surge como sendo passivo, disperso e irracional” (PERLS,HEFFERLINE E GOODMAN, 1997, p. 186), Ou seja, refere-se ao corpo ainda não representado frente a experiência, os tecidos e músculos que de tão integrados ao meio são indiferenciáveis, sendo “[...]vivido como volume, espessura, trânsito entre eu e o mundo” (MÜLLER-GRANZOTTO & MÜLLER-GRANZOTTO, 2004, p.3).
Ego - A função de ego, por sua vez remete a deliberação, decisão, ação. É a função pela qual o “self” polariza as trocas energéticas em uma extremidade da relação (MÜLLER-GRANZOTTO E MÜLLER-GRANZOTTO, 2004). Nesse momento “[...] um interesse assume a dominância e as forças se mobilizam de modo espontâneo, determinadas imagens se avivam e as respostas motoras são iniciadas” (PERLS, HEFFERLINE &GOODMAN, 1997, p.184).
Função Personalidade - é descrita por Perls, Hefferline e Goodman (1997) como sendo: [...]o sistema de atitudes adotadas nas relações interpessoais; é a admissão do que somos, que serve de fundamento pelo qual poderíamos explicar nosso comportamento, se nos pedissem uma explicação (p.187).
Self - “self” pode ser entendido enquanto “o sistema de contato no momento presente” (PERLS, GOODMAN, HEFFERLINE, 1997, p.10), e não meramente enquanto organismo em interação com ambiente como ocorreu em Perls (2002) e na teoria de Goldstein (BELMINO, 2017).
O Self enquanto rede temporal..
a fronteira de contato se evidencia como presente transiente, ou seja, se efetiva enquanto um campo de presença no qual coabitam nossas vivências passadas e expectativas de futuro (MÜLLER-GRANZOTTO & MÜLLER-GRANZOTTO, 2007).
o caráter virtual do self, onde “o passado sempre é fundo para que o agora possibilite um futuro como criação” (BELMINO, 2014, p. 131).
a fronteira de contato no campo se dá no limite virtual entre o organismo e o meio, onde o “self” é flexivelmente variável, alterando-se de acordo com as necessidades dominantes que emergem (PERLS, HEFFERLINE EGOODMAN, 1997).
Perls, Hefferline e Goodman (1997) descrevem a fisiologia enquanto um sistema de ajustamentos conservativos herdados na interação organismo/ambiente
o corpo passa a ser lido enquanto unidade integradora de sentido: “é nele que o sentido da experiência se expressa, e a expressão para Merleau-Ponty se define justamente por esse ato que institui concretude ou facticidade a uma virtualidade ou possibilidade” (ALVIM et al, 2012, p.176).
O virtual...
Virtual segundo Lévy (1999) remete a tradição filosófica definindo-se como aquilo que não é atual, que é possibilidade potencial.
Segundo Basso (2016) O virtual é aquilo que existe em potência e não em ato, sua tendência é atualizar-se. Por exemplo, uma árvore está virtualmente presente na semente. Virtual e atual não são contraditórios, mas sim modos diferentesde ser. Já o real é o que de fato existe (p.276).
Virtualidade, Corpo e Contato...
leitura do “self” do Gestalt- terapia (1997) caminham para a compreensão da dimensão virtual como intrínseca a experiência humana, sendo, portanto, exaltada pelo ciberespaço.
Basso (2016) traz que a internet nos colocou “[...] em atualização, reconfiguração de nossas fronteiras no campo organismo/ambiente” (p.294), sendo assim também se evidencia como um lugar de contato.
como trazem Perls, Hefferline e Goodman (1997) mesmo havendo contato, nem sempre há “awareness”, portanto, a cibercultura pode reservar em sua condição certas limitações.
Almeida e Santos (2017), Capanema e Avanza (2013) e Lima (2009) o ambiente virtual converge para uma exacerbação de representações, onde seus atores ao se enxergarem em um amplo campo de possibilidades trafegam em instabilidade e fluidez.
O virtual enquanto um aspecto presente na experiência humana parece assumir no ciberespaço o lugar de figura frente a um fundo de imprevisibilidade.
no ciberespaço o caráter virtual do “self” e da experiência se evidencia na explosão desenfreada de possibilidades, tornando a função de ego imersa em um circuito inassimilável e agigantado de informações.
REFERÊNCIAS
Artigo: Contato, Virtualidade e Ciberespaço: Uma reflexão à luz da Gestalt-terapia. Rodrigo Pinto Brasil e Marcus César de Borba Belmino
Na década de 1960 surgiu, na psicologia americana, o movimento chamado de “terceira força em psicologia”, a Gestalt-terapia.
visava humanizar a atividade psicológica sem se limitar a ser apenas mais uma revisão da teoria de outras abordagens, mas questionar algumas teses psicológicas da psicanálise e do behaviorismo, sistemas dominantes na época.
Os psicólogos humanistas eram contrários a essas duas correntes, psicanálise(foco no inconsciente) e behaviorismo(foco no comportamento), por considerar que ambas concentravam-se apenas em partes do ser humano, desatentos à complexidade da pessoa pela ênfase nas partes (um, no comportamento observável a outra, na dimensão inconsciente.)
"Assim, afirma Holanda (1997, p. 16), “a psicologia humanista nasce, pois, da necessidade de ampliar a visão do homem, que se achava limitada e restrita a apenas alguns aspectos, a alguns elementos, segundo as perspectivas behaviorista e psicanalítica”. (Frazão; Fukumtsu, 2013)
Tributária do pensamento holístico
consideração pela dimensão consciente do homem retomou a questão da liberdade e do presente e foi muito influenciada pela contribuição filosófica da fenomenologia e do existencialismo.
passoua observar o lado saudável do indivíduo e não apenas o lado neurótico e psicótico como na psicanálise.
Acrditavam que quando se abria mão dos aspectos positivos do ser humano, focando apenas lado obscuro da personalidade, a psicologia ignorava forças e potencialidades da pessoa que os humanistas se empenharam cm recuperar em conceitos como tendência à autorrealização,status de homem consciente e — ao retomar a questão da liberdade como extensão conceitual —importância do momento presente.
Seus maiores representantes foram Abraham Maslow, Clark Moustakas e Carl Rogers, entre outros.
considerado o pai espiritual da psicologia humanista
foi quem mais contribuiu para incentivar o desenvolvimento dessa vertente e conferir-lhe certo grau de respeitabilidade acadêmica.
Acreditava que todos os indivíduos tinham uma força inata que os conduzia à autorrealização, característica usada de forma ativa em todas as suas habilidades na aplicação plena do potencial.
conhecido por sua abordagem de psicoterapia chamada de abordagem centrada na pessoa.
Ele também utilizou um conceito semelhante ao da autorrealização de Maslow; porém, diferentemente deste, as idéias de Rogers não resultaram do estudo de pessoas emocionalmente saudáveis, e sim da aplicação da terapia centrada nos seus pacientes:
Sua experiência clínica o convenceu de que as pessoas seriam capazes de mudar pensamentos e comportamentos do indesejável para o desejável de forma consciente e racional, desde que encontrassem um campo propício, principalmente a aceitação incondicional pelo terapeuta Rogers acreditava que a personalidade é constituída no presente, pela maneira como o indivíduo percebe as circunstâncias; assim, a qualidade da ambiência relacional terapêutica ganhou enorme importância.
A Gestalt-terapia...
Suas origens são fenomenológico-existenciais e holísticas
chegou ao Brasil somente no final dos anos 1960
chamadas de terceira força em psicologia, já bebiam da fonte do existencialismo e do humanismo.
A visão fenomenológico-existencial traz um extenso modelo de idéias em especial...
o valor do mundo vivido como fonte do conhecimento e da consciência
a concepção de ser humano como detentor de liberdade de escolha, processo que acontece a cada momento.
A volta à experiência presente e imediata, tão cara à Gestalt-terapia, tem também sua ancoragem no preceito fenomenológico de voltar às coisas mesmas — o que, no âmbito terapêutico, se refere ao vivido pelo cliente.
Nada de julgamentos apriorísticos na abordagem gestáltica
Associada a visão humanista pela sua visão holística do homem...
entende o homem como um ser inteiro, embora, como diz a fenomenologia, ele se apresente por perfis
Acreditar que existe na pessoa um potencial que ultrapassa sua existência presente, que é o impulso para o crescimento, para o processo de atualização como um todo cada vez mais integrado, é a contrapartida psicológica do vir a ser existencial.
Esse preceito positivo é o que move o esforço dessa abordagem.
A autonomia do espírito humano, capaz de encontrar por si mesmo a melhor alternativa para suas dificuldades, é o ponto de encontro entre o humanismo e a Gestalt-terapia.
Ambos veem o homem como possuidorde um valor positivo, capaz de se autogerir e de se autorregular sem a tutela de autoridadeexterna, inclusive a do terapeuta.
A escuta não judicativa, curiosa, investigativa, sintonizada e confirmadora é a awareness fundamental exigida do terapeuta para promover a abertura do cliente às suas próprias possibilidades dialógicas,abrangentes e centradas na sua convivência inter-humana.
A compreensão dos motivos geradores da existência egocentrada do cliente é tributária da compaixão humana do terapeuta. Mas essa mesma compaixão vai se esforçar para que ele não fique ai.
A teoria organísmica ou holística gestáltica traz a noção de que a preocupação do sujeito lhe pertence e tem sua razão de ser na totalidade mais ampla de suas motivações existenciais presentes, estando Vinculadas a si mesmo e não alheias ao seu ser, como a questão sugere.
Teorias herdeiras do pensamento holístico:
a psicologia da Gestalt,
a teoria organísmica,
a teoria de campo,
fenomenologia,
o existencialismo heideggeriano e sartreano,
a dialógica,
o zen-budismo
"Não é a dimensão do espaço em que atuamos que dá sentido à nossa ação. É a atitude para com as coisas do mundo que lhe confere o sinal de um ou outro modelo de homem e de humanidade."
mesmo que nossa ação, como terapeutas e como clientes, aconteça no limitado terreno de nossa sessão, de nossas famílias, de nossas parcerias e de nosso grupo social ela se reveste de uma significação comunitária.
É a atitude para com as coisas do mundo que lhe confere o sinal de um ou outro modelo de homem e de humanidade.
Vetores norteadores da ética humanista no âmbito da clínica psicoterápica....
1. A reverência fenomenológica do terapeuta pela experiência do cliente...
seja ela qual for encantamento com aquilo que é, abrindo mão da arrogância cientificista de alterar “a natureza” das coisas do espírito, acreditando firmemente que aquilo que está sendo é o que tem de ser.
encontro criador do inter-humano terapeuta/cliente
o que tem de ser, o que está exigindo ser, não é a essência ou forma prévia da vivência interrompida, mas possibilidades expressivas ou de manifestação da vivência que, no encontro terapêutico, no momento criador do “entre”, se atualizam pela mobilização energética dos parceiros.
a natureza do encontro direciona para uma das awareness possíveis.
o encontro é permissivo e sintônico com a meta teleológica do ser do cliente, a possibilidade de completude na direção do crescimento e evolução do ser é aquela que será realizada.
2. A preocupação do terapeuta com a comunidade próxima do cliente.
A compreensão da experiência vivida pode se tornar inadvertidamente a aprovação de uma existência autocentrada.
A ética humanista, herdeira também do existencialismo, nos atribui a condição de ser com.
a ética humanista da sua abordagem obriga o terapeuta gestáltico a ultrapassar a tarefa inicial e essencial de compreender o cliente e suas razões.
A profunda empatia e a compaixão para com a dor e a situação da pessoa, condição necessária ao espírito humanista do terapeuta, quando autenticamente sentidas e não meramente funcionais, compõem um modelo humano poderoso, que tende a promover no cliente um novo olhar para o outro.
Ser consciente é saber distinguir entre a limitação psicológica atual do outro e a atitude intencionada de prejudicar, utilizar ou ignorar os demais pelo individualismo egoísta de poder ou de sucesso, tão vigente nas nossas instituições.
Empatia como a mais poderosa via de acesso ao conhecimento do homem
O projeto terapêutico , genuinamente humanista, deve também ser guiado pelo propósito de promover duas dimensões da cura existencial:
1. A permissão dada pela pessoa do cliente de deixar ser aquilo que está sendo, permitindo que emerjam as Gestalten que estão sendo interrompidas, não no sentido do pragmatismo imediato de fazer algo com aquilo que emergiu, mas no sentido dado pela nossa visão de awareness, como um processo vivencial da consciência em que é alterada a visão de si mesmo e do mundo próprio, na direção de uma das perspectivas possíveis de ajustamento criativo à realidade. A
Gestalt que emerge é atualizada e transformada no encontro terapêutico;
2. O acesso do cliente à capacidade de estabelecer relações de intimidade — ou dialogais — no espaço próximo da convivência, onde a primeira dimensão evolui necessariamente para a segunda, desde que não tenha sido uma simples simulação, ratificando a awareness como uma experiência transformadora. E ambas só podem ser conseguidas na tarefa terapêutica da nossa abordagem se for criada entre nós e nosso cliente uma autêntica relação de sintonia e intimidade, ou seja, o “entre” dialógico.
O humanismo gestáltico...
preserva a dignidade do paciente numa ação terapêutica isenta de todo uso ou exploração da sua pessoa.
respeita a sua dignidade aparece ainda no nosso esforço para que ele alcance o máximo de suas possibilidades humanas, que são inseparáveis da consciência da sua interdependência socioambienta.
Nesse esforço de ampliar a consciência das possibilidades de ser com, vemos uma vertente da poética humanista da Gestalt, de natureza similar ao valor desempenhado pela criação artística, conforme Ricoeur (1977, p. 57): “Pela ficção, pela poesia, abrem-se novas possibilidades de ser no mundo na realidade cotidiana. Ficção e poesia visam ao ser, não mais sob o modo de ser dado, mas sob a maneira do poder ser”.
Buber (1982, p. 44) assegura...
ante o apelo do “incurável” abrimos mão das certezas para operar com a esperança.
ao encontrar o outro à sua frente, não se pergunta como fazer para tratá-lo, e sim como recebê-lo sem rótulos, como escutar a voz do seu silêncio, como reconhecer nele a mesma humanidade que me atormenta, me eleva e me permite seguir confiante na evidência da nossa identidade...
diante da singularidade do cliente, faz que se calem e se recolham todas as vozes da minha ciência, na escuta reverente do mistério que se anuncia.
O Humanismo e Psicologia Humanista são diferentes.
De forma genérica, a expressão “humanismo” pode ser definida como um conjunto de princípios que estabelecem a valorização e a dignidade inerentes à pessoa, independentemente de qual seja a sua condição atual no mundo, prescrevendo que cada homem deve ser tratado por qualquer outro homem e por todas as instituições sociais sob a regência de valores morais como respeito, justiça, honra, amor, liberdade, solidariedade etc.
Humanismo Antigo
Humanismo Greco-latino
Humanismo renascentista
Humanismo iluminista
Humanismo positivista
Humanismo contemporêneo que se divide em:
Humanismo marxista
Humanismo existencialista
Humanismo secular ou laico
Humanismo ético-sociológico
O humanismo vinculado à Gestalt-terapia é...
o humanismo antropocêntrico individualista — centrado no Eu, ainda completamente vigente nas ciências, na psicologia, na educação e nas igrejas —
inclui a awareness da identidade essencial da condição humana, awareness capaz de ultrapassar a categorização do nosso cliente mesmo quando d utilidade prática para nosso fazer terapêutico, vendo nessa categorização apenas um esforço precário da ciência humana busca de entendimento do ser.
Entendimento inevitavelmente provisório e parcial ao extremo, embora necessário quando ainda lhe escapa a apreensão amorosa da sua totalidade.
pretende libertar o ser humano das tendências antropocentradas e individualistas,
nasce da expansão da consciência empática que, de forma vigorosa, nos impulsiona à aceitação de todos, homens, animais e plantas, como membros de uma única família universal, tratando com compaixão as diferentes espécies e buscando a fraternidade entre elas.
Referência:
FRAZÃO, Lilian Meyer; FUKUMITSU, Karina Okajima. Gestalt-terapia fundamentos epistemológicos e influÊncias filosóficas. Coleção Gestalt-terapua fundamentos e práticas. Summus Editorial. São Paulo, 2013. Capítulo 5 : A Psicologia Humanista e a Abordagem Gestáltica
Estudou Astronomia em Leipzing, Matemática em berlim e Viena.
Influências e pretensões...
Influenciado por Franz Brentano (1884) passou a pensar sobre a Teoria do Conhecimento e Filosofia da Ciência, afim de criar um método que fundamentasse as ciências, questionando seus pressupostos, sua metodologia e objeto de estudo.
Sua obra revolucionou todo o pensamento das ciências humanas do século XX, e da prórpia filosofia até o presente.
Concluiu que não se podia pensar em apenas um método para a ciência e que este iria variar de acordo com o objeto de estudo das diferentes ciências.
Demonstrou que as ciências humanas não poderia ser medida pelo rigor das ciências naturais, concluindo ser ineficiente para as ciências do espírito e completamente ineficaz quando se trata de vivência humana.
Pretendia desvelar a tentativa husserliana de propor a fundação de uma nova ciência rigorosa com base na regionalidade de cada uma das ciências.
Procurou a princípio pela epoqué (redução eidética e fenomenológica) chegar a um EU e a um OBJETO PUROS em suas propriedades essenciais, retirando todas as qualidades circunstanciais, ou acidentais, com o fim de, estando de posse de um EU e de um OBJETO PUROS, fundar uma nova teoria do conhecimento de modo sólido e inquestionável.
"A redução fenomenológica ou epoqué vai consistir a "por em parênteses" a realidade do senso comum. Não se deve permanecer ao nível das percepções sensíveis, mas sim, captar a "essência" ou o "sentido das coisas"." (FRAZÃO;FUKUMITSU,2013)
Criou um modo de chegar "às coisas mesmas" buscando prescindir das especulações, hipóteses e leis gerais para entrar em contato com a especificidade, a originalidade e a ssingularidade de cada fenômeno que se mostra.
Fenomenologia = Estudo dos Fenômenos, isto é, daquilo que é dado à consciência.
"Husserl vê a consciência como uma síntese em fluxo que não tem nenhuma substancialidade, sendo mais uma dinâmica entre sujeito e objeto, onde todo ser recebe seu sentido e valor."(FRAZÃO;FUKUMITSU,2013)
As coisas só tem valor se fizerem sentido para o indivíduo.
A relação conhecedor e objeto é possível conhecer uma série de formas de apreensão do mundo, para além da razão e do pensamento, como também, pela intuição, sensibilidade, relação pré-reflexiva, etc.
Noção da fenomenologia como recomeço, retorno às coisas mesmas, a partir da exploração de dados intuitivos e relação pré-reflexiva,sem estabelecer quaisquer hipótese a respeito.
"A perspectiva fenomenológica constata o caráter intencional da consciência."(FRAZÃO;FUKUMITSU,2013)
É sempre consciência de alguma coisa.
Toda e qualquer ciência deverá ser precedida de uma análise fenomenológica visando estabelecer a essência do objeto de estudo antes de formular hipóteses ou leis.
Noesis: ato da consciência visando o objeto. (gerúndio, o que se está fazendo no momento)
Noema: objeto visado pela consciência. (passado, o que tornou-se consciente, visado)
Exemplo: observe uma bolha de sabão.
O Noema é a bolha de sabão porque a bolha é o objeto visado pela nossa consciência.
O Noesisé o ato em si de observar a bolha, que é o objeto.
A fenomenologia concebe o homem como ser no mundo.
"A consciência é, então, consciência no mundo e vincula-se a ele por meio do corpo. Com efeito é pela mediação desse mesmo corpo que podemos nos relacionar com as coisas e com os outros seres humanos."(FRAZÃO;FUKUMITSU,2013)
A existência só pode ser entendida como no mundo e com o outro.
A fenomenologia tem como tarefa elucidar as relações vividas e efetivas que se estabelecem, ao mesmo tempo necessária e livremente, entre homem e mundo.
"Para Husserl não se pode conhecer jamais aquilo que se dá por si mesmo, a coisa em si." (FRAZÃO;FUKUMITSU,2013)
Na fenomenologia
não se pode especular ou pressupor nada, caso contrário, deixa de ser fenomenologia.
é preciso suspender todo e qualquer psicionamento ontológico e toda "realidade empírica", colocando em questão tudo que for óbvio, aparente e preconcebido.
O FAZER FENOMENOLÓGICO DA GESTALT-TERAPIA
-Como apreender o homem que está à sua frente, com toda a sua singularidade, unicidade e originalidade?
Se despindo do pré-conceito, da pré-reflexão, da pré-definição, de qualquer pré-visão a respeito do mesmo.
Suspendendo o senso comum, as estruturas prévias de interpretação e a tradição sedimentada.
Compreender que é bem diferente da passividade de um sujeito ao contemplar sua vivência, mas se esforçar para apreender a significação de sua experiência.
Intervir procurando compreender e não interpretar.
Valoriza o experimento em detrimento da técnica.
No experimento cliente e terapeuta caminham juntos em direção ao novo, novo para os dois.
A busca do novo leva a outras possibilidades de perceber o mundo com novas significações e sentido.
"...na fenomenologia, a consciência é "síntese em fluxo", é dinâmica e não tem substancialidade."(FRAZÃO;FUKUMITSU,2013)
Amplia-se o mundo, a consciência.
Um dos principais pilares do trabalho clínico fenomenológico e gestáltico é a awareness (consciência em fluxo)
Referências:
FRAZÃO, Lilian Meyer; FUKUMITSU, Karina Okajima. Gestalt-terapia fundamentos epistemológicos e influÊncias filosóficas. Coleção Gestalt-terapua fundamentos e práticas. Summus Editorial. São Paulo, 2013. Capítulo 2: Fenomenologia e Gestalt-terapia.
Segundo Persl , as diferentes tecnicas utilizadas na gestalt são importantes recursos terapêuticos. Tentam ajudar, e viabilizar, oferencendo ferramentas para que o cliente entre em contato com sua consciência, como gatilho para que o cliente entre em contato com o que está escondido, que não pode ser captada pela percepção. Recurso que possibilita a awareness, trazer consciência, luz ao cliente, sobre o aqui agora.
As técnicas devem ser utilizada em momentos específicos, devendo ter em mente a individualidade do cliente, com atenção para o aqui e agora.
Duas Técnicas utilizadas pelos gestalt-terapeutas, que levam o cliente a entrar em contato com suas recordações, possibilitando o cliente elevar sua cosnciência pra um outro nível de vivência.
Exemplo: quando ele revive a experiência passada podendo elaborar com mais riqueza a situação passada, podendo completar essa vivência com novos recursos que surgem com o uso da tecnica podendo dar novo sentido, novo signficado com o uso da tecnica.
1. Exercício da Awareness:
Objetivo de trazer para o aqui e agora e tornar presente, emoções, sentimentos e pensamentos do cliente. Tem o poder de reconexão consigo.
O terapeuta faz ao cliente 4 perguntas que ajudam a reconhecer situações inacabadas:
O que você está fazendo agora?
O que você sente neste momento?
O que você está evitando?
O que você espera de mim?
O cliente deve ser orientado a observar seus sentimentos, pensamenos e emoções, sensações físicas, naquele momento.
Esses pensamentos a Gestalt chama de figura que emerge sobre o fundo que é formado pelo conjunto das situações que está sendo formado pelo cliente.
2. Experimento da Cadeira vazia
Consiste em colocar o cliente frente a uma cadeira vazia onde o cliente vai projetar umm personagem real do dia a dia do cliente. Pode projetar a si próprio.
O cliente é orientado a dizer o que gostaria de dizer áquela pessao a qual projetou.
Proporciona a experiência de a cliente entrar em contato com a sensação de ferir a si mesma, e vivenciou esse contato com ela, o quanto ela fez mal a si e se depreciava. Ao se deparar com a criança ela experienciou a dor através de outro ponto de vista, percebendo o quanto esse comportamento de se depreciar é prejudicial para ela.
Pode ser usada em momentos em que o terpeuta quer intervir ao perceber que o cliente tem sentimentos que não são expressos e que o impedem de fechar uma gestalt, o ciclo, e se o cliente consegue fluir nessa tecnica trazendo aspectos dele à sua consciência, abrindo possibilidade de ressignificação.
Ao pé da letra significa consciência, implica ter conhecimento ou percepção de algo.
Significada a qualidade de estar vigilando percebendo tudo que está acontecendo a sua volta.
Na Psicologia, a awareness tem significado mais pronfundo. É ter consciêcia perceptiva de si mesma, vai além de cosnciência mental, como uma consciência global caraterizada pelo momento presente do aqui e agora, por uma percepção plena ao conjunto da percepção corporal, emocional, interior e ambiental.
Essa perspectiva da fenomenologia o conceito de awareness traduz a ideia de entendimento, de luz e conscinetização sobre o fenômeno. Torna-se portanto, fundamental ser compreendido pelo erapeuta mas também pelo cliente.
A awareness é apresentada como aquilo que se dá no contato, a partir de um sentir, em forma de excitamento em proveito da formação de Gestalt.
Contato: mostra as transformações que ocorrem na interação com o todo. Contatar é ligar-se a algo maior, se conectar ao todo.
Sentir: caracteriza-se por uma unidade de sensação e percepção de estímulos, ou ainda associação. Na visão fenomenológica o sentir tem um tipo de drenagem ou abertura de nossa historia para a possibilidades externas, clareando a noção de contato e pontuando as nossas transformações, nossos processos concretos junto ao meio ambiente.
Excitamento: é a nossa experiência com algo que está sempre em transformação, em transição. É a manifestação do nosso perceber e se relacionar com a awareness, indo além do fenômeno percebido.
É nesse momento que ocorre a formação da Gestalt como fluxo, figura, fundo. quando uma determinada configuração se apresenta como figura as demais se apresentam como fundo.
A awareness pode ser definida em dois níveis:
Tem-se a noção de intencionalidde operativa que Perls cehamou e awareness senso motor e que se desdobrava em awareness sensorial ou primária, awareness deliberada, também chamada de comportamento motor ou de resposta motórica. Dependendo do contexto em que é utilizada, enquanto a awareness sensorial designa o processo de abertura ao novo, ao sentir o contato, a awareness deliberada aponta para o excitamento, que implica na mobilização de nossa história, ação motivada em direção ao lugar do futuro.
Relacionado a intencionalidae encontra-se a awareness reflexiva ou conscinete. sua maior caracteristica é a fixação verbal da Gestalt vivida, que se transforma em demandas a serem trabalhadas. Nesse sentido, o tempo consciência limita-se a designar uma fixação por meio do qual se alcança a compreensão de cada vivência, provida de espontaneidade e que se manifesta enquanto mudança.
A proposta é fazer com que a pessoa entre em contato com aquilo que ela sente naquele exato momento, em seu estado presente e no aqui e agora. Na Gestalt existe a necessidade de concentração naquilo que se faz, nos atos, no que sente, nas emoções, o que e indispensável apra buscar equilíbrio e harmonia interna na busca por um self saudável.
Comentário do vídeo acima:
"Estamos usando a maior aprte de nossas energias para jogos autodestrutivos, para joos de autoproteção, fazemos isso e impedimos de crescer quando algo doloroso surge. Naquele momento, nos tornamos fóbicos, fugimos nos dessenssibilizamos, fazemos todo tipo de coisa para impedir o processo de crescimento. O sofrimento neurótico é o sofrimento na imaginação, na fantasia é o seu assim chamado ego. Vaidade que está ferida, trabalhamos na base fenomenológica ou seja, na consciência do processo em andamento."
Awareness na gestalt-terapia é falar de um acender das luzes, trabalhando a consciêcia para que consigamos digerir e processar a nossa relação como o nosso eu interno e o m,undo, em busca de uma regulação, equilíbrio e harmonização.