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domingo, 24 de janeiro de 2021

Psicodiagnóstico - O que é?

  Psicodiagnóstico...

  • Segundo Arseno (1995, p.5) apud HUTZ at al (2016, p.16),"... fazer um diagnóstico psicológico não significa necessariamente  o mesmo que fazer psicodiagnóstico."
  • Implica automaticamente em administrar Testes, portanto, não sendo necessário aplicar testes, deixa de ser um psicodiagnóstico.
  • Toda Avaliação Psicológica que não utilize testes não deve ser chamada de psicodiagnóstico.
  • Segundo Cunha (2000,p.23) apud HUTZ et al (2016, p.16) designa um tipo de Avaliação Psicológica com propósitos clínicos, em que "... há a utilização de testes e de outas estratégias, para avaliar o sujeito  de forma sistemática, científica,  orientada para a resolução de problemas." 
  • Cunha (2000) apud Hutz et al (2016) sugere a obrigatoriedade do uso de testes, para que o processo de avaliação clínica seja chamado de "psicodiagnóstico".
  • É realizado pelo psicoterapeuta, capacitado tecnicamente a aplicá-lo.
  • O campo e Arseno (1979/2009)  apud HUTZ et al (2016, p.17) trazem a ideia de que o processo psicodiagnóstico inclui, obrigatoriamente, uma etapa de:
    •  aplicação de testes
    • aplicação de técnicas projetivas
  • Trinca (1983) apud HUTZ et al (2016, p.17) afirmou que o uso de testes ou não depende do psicólogo em relação a cada paciene.
Definições segundo o CFP-Conselho Federal de Psicologia.

Avaliação Psicológica...
  •  engloba qualquer atividade com ou sem uso de testes psicológicos.
  • é compreendida como um amplo processo de investigação, no qual se conhece o avaliado e sua demanda, com o intuito de programar a tomada de decisão mais apropriada do psicólogo.
  • refere-se a coleta e interpretação de dados, obtidos por meio de  um conjunto de procedimentos confiáveis, entendidos como aqueles reconhecidos pela ciência psicológica.
  • Processo amplo que envolve a integração de informações proveniente de diversas fontes, dentre elas, testes, entrevistas, observações e análise de documentos.
  • Utilização de diversos recursos e estratégias (incluindo os testes psicológicos) para compreensão mais aprofundada as características de uma pessoa ou situação. 
Testagem Psicológica...
  • considera um processo diferente, cuja principal fonte de informação são os testes psicológicos de diferentes tipos.
  • Utilização de um teste psicológico ou uma bateria de instrumentos para fins de mensurar um traço ou uma habilidade. Procedimento de uso de ferramentas psicológicas, como testes por exemplo, para mensurar determinado(s) constructo(s).
  • Ver os  pilares da testagem: saber o que está testando; identificar os testes que medem o constructo; aplicar o teste e mesurar o resultado do teste.
Psicodiagnóstico (Cartilha  de 2013 (CFP,p.34) apud HUTZ et al (2016, p.16))
  • O Psicodiagnóstico é um processo de avaliação psicológica que só existe no contexto da clínica. Fora desse contexto, é uma Avaliação psicológica. Contempla sobretudo, o indivíduo. Psicodiagnóstico é um procedimento complexo, multifacetado, interventivo, baseado em varias informações e que permitem a elaboração embasada de um diagnostico.
  • O objetivo é se obter um diagnóstico clínico.
  • Para realizar um bom diagnóstico precisa ter domínio de base teórica sobre personalidade, inteligência, motivação e demais constructos. não é necessária uma base teórica de determinada abordagem, que se aplica na psicoterapia, por exemplo, que é uma prática interventiva.
  • Modalidade de avaliação psicológica, sem a especificação da necessidade ou não do uso de testes, como pode ser visto a seguir: "... no âmbito da intervenção profissional, os processos de investigação psicológica são denominados de avaliação psicológica, descrito em termos de suas modalidades - psicodiagnóstico, exame psicológico, psicotécnica ou perícia" (CFP, 2013, P.34, grifo nosso).
  • Segundo Wainstein (2011); Wainstein & Bandeira (2013) "...não é o uso ou não de testes ou de determinados tipos de testes, que configura a realização de um psicodiagnóstico.
  • De acordo com ARZENO (1995), Psicodiagnóstico é diferente de diagnóstico psicológico pelas seguintes razões:
    • todo psicodiagnóstico pressupõe a utilização de testes
    • O diagnóstico psicológico nem sempre os testes são instrumentos necessários ou pertinentes.  Inclui-se outras formas de diagnostico, como entrevistas, observação, por exemplo.

"PARECE NÃO HAVER UM CONSENSO A RESPEITO DA NOMENCLATURA UILIZADA PARA DESIGNAR O ENCAMINHAMENTO DE UM INDIVÍDUO PARA AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA."

Psicodiagnóstico segundo Hutz et al (2016)...
  • "...procedimento científico de investigação e intervenção clínica, limitado no tempo, que emprega técnicas e/ou testes  com o propósito de avaliar uma ou mais características psicológicas, visando um diagnóstico psicológico (descritivo e/ou dinâmico) construindo á luz de uma orientação teórica que subsidia a compreensão da situação avaliada, gerando uma ou mais indicações terapêuticas e encaminhamentos." (HUTZ et al., pg.27, 2016)

  • "...abrange qualquer tipo de avaliação psicológica de caráter clínico que se apoie em uma teoria psicológica de base e que adote uma ou mais técnicas (observação, entrevista, testes psicométricos, técnicas projetivas, etc.) reconhecidas pela ciência psicológica." (p;20)
Atualmente o psicodiagnóstico é considerado um Processo não interventivo, mas que, porém, em algum nível geral, ocorre um impacto de intervenção junto ao avaliado e avaliador.
  • É perigoso considerar as práticas avaliativas apenas em sua dimensão investigativa, excluindo aspectos interventivos e terapêuticos que lhes são inerentes.
  • O psicodiagnóstico precisa de uma teoria psicológica que o fundamente. 
  • Na atualidade, observa-se uma supervalorização de instrumentos psicométricos e projetivos em detrimento da escuta e da tarefa de síntese compreensiva que deve ser realizada pelo psicólogo a partir de todas as informações coletadas durante a avaliação.
  • Em alguns casos, a teoria psicológica tem cada vez menos influência no processo, seja por não orientar o próprio processo avaliativo, seja por não estar comtemplada na construção dos instrumentos que são utilizados de forma indiscriminada.

REFERÊNCIAS
HUTZ, C.S.; BANDEIRA, D.R.; TRENTINI, C.M.; KRUGM J.F. Psicodiagnóstico. Coleção Avaliação Psicológica, Artmed. Porto Alegre, 2016. 

quarta-feira, 30 de setembro de 2020

Entrevista psicológica no Psicodiagnóstico - Síntese

  O PSICODIAGNÓSTICO...

  • É um tipo de avaliação psicológica desenvolvida no âmbito clínico. 
  • Inicia-se a partir de uma demanda do cliente.
  • Tem foco específico, ou seja, o motivo da avaliação, que irá guiar todo o processo: escolha de técnicas e instrumentos a serem utilizados.
AS ENTREVISTAS INICIAIS...
  • É indispensável uma entrevista inicial, tanto com o profissional que solicitou o psicodiagnóstico, como com o cliente a ser avaliado. Além desses, pais, responsáveis, e outros profissionais se necessário.
  • Permite aprofundar as queixas ou motivos trazidos em um momento inicial.
  • têm como objetivos conhecer o paciente que chega para a avaliação e compreender o motivo do psicodiagnóstico.
  • Possibilita aos psicólogos avaliadores  se abastecer do maior número e das mais variadas fontes de informação.

CONTATO COM O PROFISSIONAL ENCAMINHADOR

  • Diversos profissionais, como psicoterapeutas, professores, médicos de diversas especialidades, fonoaudiólogos, nutricionistas, entre outros, podem encaminhar um paciente para esse tipo de avaliação.
  • O encaminhamento pode ser realizado tanto por meio de um contato pessoal entre os profissionais quanto por meio de uma solicitação por escrito.
  • o ideal é realizar um contato direto com a fonte do encaminhamento a fim de esclarecer dúvidas e certificar-se acerca do pedido.
  • questionar sobre o motivo pelo qual o profissional solicitou a avaliação e a percepção que ele tem do paciente e das queixas trazidas, assim como, o impacto delas na vida do paciente.
  • possibilita uma melhor compreensão dos objetivos do psicodiagnóstico do caso em questão, auxilia os avaliadores a dar início a um levantamento de hipóteses e a construir o plano de avaliação.

  • A PRIMEIRA ENTREVISTA...
    • pode ocorrer antes ou após o contato com outros familiares
    • crianças ou dependentes se realiza a entrevista com os pais.
    • permite conhecer as expectativas em relação à avaliação, obter informações acerca do motivo do encaminhamento e fazer esclarecimentos sobre o processo.
    • Inicia-se um vínculo e uma relação de confiança entre o profissional e os responsáveis pelo paciente que será avaliado.
    • o profissional deve se mostrar aberto para responder aos mais diversos questionamentos que podem ser trazidos por eles e estabelecer uma relação de confiança.
    • o ambiente deve ser acolhedor que possibilite ao paciente e a seus familiares sentirem-se seguros e confortáveis.
    • Possibilita a confirmação ou não daquelas primeiras impressões surgidas no momento do encaminhamento.
    • Questionar se eles sabem a razão da avaliação e como percebem as queixas relativas a seu(sua) filho(a).
    • Se conhecem o trabalho do psicólogo e se têm alguma ideia de como funciona um psicodiagnóstico. 
    • "Deve-se explicar, que o psicodiagnóstico ocorre dentro de um tempo limitado, que, durante esses encontros, tenta-se compreender a queixa trazida conversando com a criança, utilizando algumas técnicas que vão desde brincadeiras até a aplicação de instrumentos, e que, ao fim do processo, será dada uma devolução tanto para os pais como para o paciente e para o profissional que solicitou a avaliação." (ADRIANA) 
    • Começa a se formar uma imagem sobre o paciente, embora nem sempre as informações trazidas pelos pais ou responsáveis são a realidade.
    • coletar de informações relacionadas ao paciente que serão significativas para o delineamento de um plano de avaliação.
    O QUE DEVE SER QUESTIONADO OU EXPLICADO AO CLIENTE

    COM CRIANÇAS...
    • Se ele(a) sabe porque veio ao psicólogo.
    • Comunicar sobre os encontros que terão.
    • Informar sobre possíveis atividades.
    • falar sobre o objetivo dos encontros: conhecer melhor e entender as dificuldades do cliente.

    COM ADOLESCENTES...

    • É importante que o paciente sinta-se - responsável por seu processo de avaliação desde o início.
    • A primeira entrevista pode ocorrer com o adolescentes apenas, se os pais estiverem de acordo, autorizando-o, já que é menor de idade.
    • Pode-se conversar com o paciente adolescente incialmente, e em um segundo momento, com os pais ou responsáveis.
    • Ao longo do processo, os responsáveis deverão ser chamados para outras entrevistas, par coleta de dados de anamnese do paciente.
    COM ADULTOS...
    • O mesmo procedimento, exceto pela necessidade da presença dos pais.

    QUESTÕES RELEVENTES NA PRIMEIRA ENTREVISTA...
    • Desde quando os sintomas se manifestam? 
    • Existe algum fator desencadeante? 
    • Qual a intensidade? 
    • Em que ambientes eles ocorrem? 
    • Como o paciente percebe esses sintomas? 
    • Qual a influência dos sintomas na vida diária? 
    • Quais os prejuízos que eles vêm trazendo para a vida do paciente?
    •  Em que áreas da vida (social, familiar, educacional/laboral) os sintomas/problemas trazem prejuízos? 
    • Como a família, os amigos e outras pessoas que convivem com o paciente observam o problema?
    • Que tipo de suporte (social, familiar, financeiro) ele tem para lidar com o problema? 
    • Com quem vive e quem o auxilia em suas dificuldades?
    •  Ele já passou por algum tipo de atendimento profissional antes? 
    • Quais profissionais o acompanham?
    Questões importantes em relato de ideação suicida:
    • Escuta ativa, atenta, empática.
    • O paciente tem planos de suicídio? 
    • Já pensou de que forma e com que meios colocaria esses planos em prática? 
    • Existe alguma data prevista para isso? 
    • Já realizou tentativas anteriores?
    "Estudos demonstram que a presença de transtornos mentais, como os do humor e a esquizofrenia, e as tentativas prévias de suicídio estão entre os principais fatores de risco para o suicídio" (Brasil, 2006; Werlang, Borges, & Fensterseifer, 2005) apud Adriana.

    Na evidência de risco de suicídio...
    •  não se pode liberar um paciente para que saia sozinho do atendimento. 
    • É importante criar um espaço de escuta empática e atenta para as questões trazidas, a fim de que ele também consiga aliviar sua angústia. 
    • deve-se informar o paciente sobre a necessidade de entrar em contato com os familiares ou amigos mais próximos, que deverão ser orientados a não deixá-lo só em nenhum momento, em função do risco existente, e a impedir o acesso a meios que possibilitem o suicídio (medicamentos, armas, cordas, etc.). 
    •  paciente em acompanhamento psiquiátrico, deve-se contatar o profissional, também com a autorização do paciente e dos familiares, para que sejam adotadas as medidas necessárias.
    • paciente não está em acompanhamento psiquiátrico, dependendo da gravidade do risco, pode-se orientar a família para a busca de internação psiquiátrica do familiar. 

    ETAPAS DA ENTREVISTA INICIAL

    1ª Etapa - paciente encaminhado para avaliação
    • Contato com a fonte de encaminhamento para levantamento de informações.
    • Se aplica a crianças, adolescentes e adultos.
    2ª Etapa - Entrevista com paciente e responsáveis.
    • Paciente Adulto - a primeira entrevista geralmente é realizada com o próprio paciente.
    • Paciente Adolescente - A primeira entrevista pode ser realizada com o próprio adolescente, seguida por entrevista com os pais ou responsáveis.
    • Paciente criança - A primeira entrevista é realizada com os responsáveis. Posteriormente, marca-se com a criança.
    3ª Etapa - Entrevistas com outras fontes de informação
    • Sempre com a autorização do paciente e, se for o caso, de seus responsáveis, pode-se coletar informações de outras fontes, como familiares, professores, outros profissionais que acompanham o paciente.

    O PLANO DE AVALIAÇÃO...

    • Que técnicas e testes podem ser utilizados com esse paciente? 
    • Qual o seu nível de compreensão? 
    • Qual sua capacidade de comunicação?
    • O paciente faz uso de lentes ou de aparelho auditivo? 
    • Tem algum problema de visão ou alguma dificuldade motora? 
    • É destro ou canhoto? 
    • Qual sua escolaridade? 
    • É alfabetizado?

    Essas perguntas são importantes para definir o tipo de teste a ser aplicado de acordo com a dificuldade do paciente:

    •  um paciente com dificuldade para identificar cores, por exemplo, não se pode utilizar um teste como o Rorschach.
    •  avaliação da área cognitiva não poderia contemplar exercícios verbais, se a criança tem dificuldade de comunicação verbal.
    •  pacientes que utilizam lentes ou aparelho auditivo é importante lembrar que o uso do aparelho ou dos óculos será imprescindível para a realização dos testes.

    MODELOS DE ENTREVISTA INICIAL

    Livre 

    •  é mais aberta, podendo partir de uma pergunta mais generalista e seguir sendo construída ao longo do seu desenvolvimento. 
    • De acordo com Tavares (2003), em um contexto de avaliação, mesmo a entrevista livre deve ter algum tipo de direcionamento por parte do avaliador.
    • É importante ter em mente os temas que pretende abordar, mesmo não tendo nada elaborado, mantendo o foco de investigação.
    • investiga-se questões específicas aos sintomas apresentados e questões mais generalistas, como aquelas relativas aos marcos de desenvolvimento
    Semiestruturada 

    • Para Ocampo e Arzeno (2009), a entrevista inicial se caracterizaria como uma entrevista semidirigida. o paciente é quem constrói a forma como as informações serão trazidas. 
    • É ele quem irá definir quais dados relativos ao seu problema serão abordados primeiramente e que outros dados serão incluídos.
    • O avaliador poderá auxiliar na estruturação desse campo de informações questionando aquilo que pode ter se mostrado como contraditório, impreciso, ambíguo ou incompleto e assinalando algumas questões quando o paciente não souber como iniciar ou dar continuidade ao seu relato durante a entrevista.
    • Possuem perguntas pré-formuladas.
    • O avaliador segue um roteiro de perguntas.
    • Podem surgir novas perguntas.
    • São bem aplicadas para realização de anamnese.
    • Cada fase do desenvolvimento demanda perguntas específicas.

    Estruturada

    • são mais raras no contexto clínico. 
    • a limita o avaliador tanto no que se refere às perguntas que podem ser feitas quanto no tipo de resposta que pode ser obtida
    • seguem um roteiro bastante rígido, contendo perguntas e alternativas de respostas determinadas (Laville & Dionne, 1999)
    • Não existe liberdade para que se acrescentem novas questões nem a possibilidade de o paciente trazer respostas diferentes daquelas preestabelecidas.
    • servem para algum tipo de protocolo de avaliação ou em situações de pesquisa


    REFERÊNCIAS.

    HUTZ, C.S.; BANDEIRA, D. R.; TRENTINI, C.M.; KRUG, J.S. Psicodiagnóstico.  Coleção avaliação psicológica. Artmed. São Paulo, 2016. Cap.5 - A entrevista psicológica no Psicodiagnóstico.

    domingo, 27 de setembro de 2020

    O Estudo das diferenças individuais no Brasil

      A psicologia brasileira na primeira metade do século passado; 

    •  buscava conhecer o sujeito bem, sobretudo do ponto de vista de sua capacidade física e mental e, mais ainda, de suas aptidões e tendências.
    • Havia uma contínua preocupação em conhecer a realidade psíquica do cidadão brasileiro a partir do seu perfil intelectual, motivacional e comportamental
    • foram produzidos numerosos estudos sobre inteligência, aptidão, prontidão, interesses e, em menor extensão, sobre personalidade.

    A Psicologia na segunda metade do século passado:

    •  décadas de 1970 e 1980, as pesquisas sobre diferenças individuais sob a perspectiva fatorial reduziram-se drasticamente.
    • novos paradigmas de investigação ganharam destaque, especialmente o cognitivismo-construtivismo e o cognitivismo-processamento de informação.
    • 1990, ressurge o interesse na mensuração de fenômenos psicológicos.
    •  a Psicologia no Brasil, o início do terceiro milênio se caracteriza pelo esforço técnico-acadêmico de profissionais e pesquisadores em melhorar os instrumentos psicológicos já existentes.
    • Surgem novas informações sobre o desempenho mental de crianças, de adolescentes e de adultos brasileiros

    1900 A 1960: INÍCIO E DESENVOLVIMENTO DO ESTUDO DAS DIFERENÇAS INDIVIDUAIS

    • Brasil no início do século XX - assistia a passagem do capital  escravagista para o capital industrial.
    • o estudo psicológico do comportamento humano era efetuado por médicos, educadores, engenheiros e administradores do serviço público.
    • Na década de 1930, os médicos foram os primeiros a criar laboratórios experimentais de psicologia para o estudo do comportamento humano, principalmente da conduta anormal, com o auxílio de especialistas estrangeiros. 
    • Um dos poucos médicos que se aproximou do estudo das diferenças individuais foi o psiquiatra Ulisses Pernambuco que, em 1925, criou o Instituto de Seleção e Orientação Profissional de Pernambuco.
    • o governo estadual de Pernambuco passa a exigir dos candidatos ao exame de seleção da Escola Normal e similares uma certidão de idade mental
    • Em 1925, enquanto o Laboratório de Pizzoli se aprofundava no estudo da aprendizagem utilizando testes de nível mental, a direção da Escola Normal de São Paulo passa a fazer  avaliação da maturidade na leitura e na escrita.
    • Em 1931, Lourenço Filho iniciou o processo de padronização do Teste ABC com 15.605 crianças do Estado de São Paulo e, posteriormente, com 24.500 crianças do Estado do Rio de Janeiro.
    •  Ignorava-se na época, que as diferenças individuais em inteligência são mais acentuadas no estágio da compreensão da leitura (ler para aprender) do que na fase de decodificação (aprendendo a ler). 
    • 1920, na cidade de Belo Horizonte, o governo estadual contratou estrangeiros, principalmente suíços e franceses, para impulsionar a recém-criada Escola de Aperfeiçoamento Pedagógico de Minas Gerais.
    • 1929, Antipoff iniciou uma série de investigações em crianças mineiras sobre desenvolvimento da inteligência, psicomotricidade, interesses e outros aspectos psicológicos.
    O estudo das diferenças individuais alcançou seu ápice nos anos de 1930 graças aos trabalhos administrativos e acadêmicos em psicologia educacional de Lourenço Filho.

    • preocupação constante em aplicar princípios e métodos da mensuração psicológica ao sistema educacional brasileiro. 
    • 1930 e 1940, o cenário econômico do Brasil caracterizava-se pelo rápido crescimento industrial e, com ele, a necessidade de identificar pessoas aptas a assumirem postos de administração e do setor operário.
    • necessidade de implantar um sistema de avaliação psicológica no Estado de São Paulo provinha dos trabalhos das estradas de ferro, em que era necessário selecionar aprendizes, motoristas e despachantes. 
    •  1930, ocorrendo, a partir daí, um significativo aumento das avaliações psicológicas.
    •  1936 a 1940, ao criar-se o primeiro Gabinete de Psicotécnica da Escola Técnica Getúlio Vargas, a seleção de pessoal, inicialmente restrito à área industrial, estendeu-se também ao serviço público.
    •  1940 e 1945, com a crescente aceleração da industrialização do Estado de São Paulo, observou-se uma grande demanda para formação de especialistas sobre testes e medidas psicológicas, e criaram-se diversos cursos e centros que, de forma isolada, trabalhavam em objetivos estabelecidos pelas instituições requerentes. 
    • No período entre 1945 a 1950, iniciaram-se os concursos públicos, incorporando técnicas de avaliação psicológica e trabalhos de orientação profissional em escolas técnicas como o SENAI (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) e o SENAC (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial). 
    • Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, viu a necessidade de criar um instituto que cuidasse do fator humano no trabalho.
    • 1940 e 1960, uma fase de desenvolvimento e de aplicação de técnicas psicológicas, sendo considerada como referência exemplar na área da psicologia psicométrica (Sparta, 2003)
    • O postulado básico da orientação profissional era a identificação das diferenças individuais nas pessoas e nas ocupações. 

     Estudos sobre inteligência:

    • A mensuração da inteligência no Brasil, na primeira metade do século passado, acompanhava aquela praticada em países mais desenvolvidos, adaptando-as a realidade do país.
    • A pesquisa de Antipoff com o Desenho da Figura Humana aplicado a 500 crianças de 7 a 11 anos evidenciou um menor desempenho das crianças brasileiras com relação às crianças americanas.
    • s. O teste solicitava, entre outras coisas, cópia de figuras, reconhecimento de figuras, resolução de problemas e cálculo.
    • Segundo a  Teoria Desenvolvimental das Diferenças Cognitivas de Gênero existem taxas diferentes de amadurecimento físico e mental.
    • as diferenças intelectuais considerando a região geográfica também foram estudados por Ginsberg (1951), que analisou os dados de desempenho intelectual de 4.610 crianças de cinco Estados do Brasil. 
    • Os dados novamente apontavam uma relação entre o nível socioeconômico e o desempenho das crianças em testes de nível mental. 
    •  Em nível internacional, alguns estudos mostram que as diferenças cognitivas entre os sexos são reais (Lynn, 1999), porém,  há ainda um terceiro grupo de estudos que mostra que as diferenças estão estreitando-se com o passar do tempo (Feingold, 1988).
    • 1950, a força preditiva da inteligência no setor laboral foi prontamente investigada nas escolas técnicas
    •  teste das Matrizes Progressivas de Raven e as notas escolares não era o instrumento forte o suficiente  para prever o aproveitamento escolar.
    • 1953 a 1958 surge o  o teste INV, do psicólogo Pierre Weil, cujo manual alerta  para a simplicidade do tratamento estatístico em função do tempo disponível para a apresentação do relatório final pela comissão encarregada da análise quantitativa.
    • Estudos apontam que as diferenças regionais, a região Sul apresenta resultados médios mais elevados do que as regiões menos desenvolvidas
    Estudos sobre personalidade

    • os estudos na área da personalidade estavam vinculados à área psiquiátrica.
    • a maioria das investigações sobre personalidade adotava ou a explicação biológica para os aspectos anormais, ou a explicação mais compreensiva, individual e clínica para os aspectos normais da personalidade.
    •  pouco se aplicavam os princípios de mensuração psicológica ao estudo da personalidade.
    •  A explicação predominante baseava-se em pressupostos psicodinâmicos.
    • final da década de 1940, a vinda do Prof. Mira y Lopez ao Brasil, e com ele a prova miocinética PMK, permitiu a investigação sistemática dos traços normais e anormais da personalidade.
    • 1950 e 1960 se caracterizam pela intensificação dos estudos da personalidade com base em resultados de testes chamados projetivos, como o Rorschach e o TAT e em menor proporção o Teste Zulliger.
    • Os estudos na área da personalidade geralmente eram feitos em pequenos grupos e sem preocupação com a questão da representatividade amostral. 
    1970 – 1980: EMERGÊNCIA DE OUTROS PARADIGMAS DE INVESTIGAÇÃO

    • O brasil com população dobrada, e inúmeras diferenças regionais, sociais, econômicas e políticas.
    • Na mobilização por explicações acadêmicas para o fenômeno, abandonou-se a produção sobre diferenças individuais na perspectiva psicométrica e ganharam força outros paradigmas de investigação quais sejam, na área da inteligência, o sociocognitivismo, o cognitivismo-construtivismo e o processamento de informação. Queriam saber por que havia expressiva evasão escolar entre as crianças.
    Estudos sobre inteligência

    • décadas de 1970 e 1980 caracterizam-se pelas frequentes discussões a respeito dos parcos resultados acadêmicos e cognitivos de indivíduos de baixo nível socioeconômico, principalmente de crianças escolares.
    • Muitos trabalhos foram publicados em resvistas de Psicologia.'
    • Poppovic inaugurou, no Brasil, o conceito de “marginalização cultural”, equivalente a “privação cultural”, “carência cultural”, “deficiência cultural”, termos que vigoravam na década de 1960 nos EUA para explicar as diferenças de desempenho cognitivo e acadêmico entre crianças de baixo e alto nível socioeconômico. 
    • As diferenças de desempenho cognitivo e escolar entre as crianças de classes econômicas alta e baixa apareciam em quase todos os estudos. 
    • Em 1970 a desnutrição passa a ser vista como uma das causas ambientais pelo fracasso cognitivo e escolar. Alimentação é determinante no nível de inteligência.
    •  A aplicação de um instrumento cognitivo, elaborado por Poppovic, mostrou diferenças significativas entre os grupos com relação a três das sete áreas contempladas pelo instrumento: funções psiconeurológicas, conceitos básicos e linguagem.
    • A polêmica acadêmica sobre déficit versus diferenças cognitivas das camadas de nível socioeconômico baixo era necessária para responder ao grave problema educacional da evasão e da repetência escolar.

    Aplicaram os seguintes testes:

    Teste do desenho da figura humana (teste de Goodenough)
    •  avalia a maturidade intelectual, nas suas funções  perceptivas, de abstração e generalização na criança e no adolescente de 03 à 15 anos de idade. 
    • Se caracteriza como um teste projetivo pois é através do desenho que a criança revelará características da sua personalidade, suas necessidades e emoções, mas também pode ter um propósito psicométrico já que ajuda na avaliação cognitiva dessa faixa etária. 
    • Observa-se variáveis como sexo, idade, cultua, nível social e escolar da criança.
    •  O teste avalia o desenvolvimento intelectual e o resultado varia conforme essa criança cresce.
    • É um teste não verbal, individual e de fácil aplicação, o qual as crianças se adéquam facilmente tendo a duração de aproximadamente 15 minutos. 
    • A tarefa da criança consiste na execução de três desenhos: um de si próprio, um de um homem e outro de uma mulher. 
    • O teste tem como material o manual técnico, a folha de registro e a prancha com exemplos de desenhos.

    Matrizes Progressivas de Raven

    •  É um teste psicométrico que tem como objetivo principal medir o nível de inteligência, também conhecido como fator G. 
    • Esse exame foi desenvolvido por John C. Raven e administrado pela primeira vez em 1938. 
    • O teste psicológico se baseia em averiguar que elemento falta nas matrizes.
    • Os resultados do teste de Raven podem ser empregados para um exame psicotécnico, um teste psicológico ou para o processo de seleção de um empresa.
    • Possui uma ficha técnica para que você possa se preparar para realizar esse teste psicométrico.
    Prova Psicomotora de Bender
    • O teste Bender é um instrumento psicotécnico de avaliação psicológica que se usa para avaliar o funcionamento visomotor e a percepção visual, tanto em crianças como em adultos.
    • O teste de Bender consiste na cópia de uma série de figuras e, por isso, requer habilidades motoras finas, a habilidade de discriminar entre estímulos visuais, a capacidade para integrar habilidades visuais com motoras e a habilidade de mudar a atenção do desenho original para a cópia.
    •  As pontuações do teste são usadas para identificar possíveis danos orgânicos cerebrais e o grau de maturação do sistema nervoso.
    • O objetivo desse teste é avaliar a maturidade visual, a integração visomotora, o estilo de resposta, a reação à frustração, a habilidade para corrigir erros, habilidades de planificação e organização, assim como a motivação.
    Teste Diagnóstico das Habilidades do Pré-Escolar (DHP)
    • é utilizado para medir o domínio dos conceitos básicos que a criança possui para aprendizagem e aquisição da linguagem, fornecendo subsídios quanto à maturidade para acompanhar os conteúdos programáticos da escola tradicional (formal).
    • teve como base as teorias da estrutura mental das habilidades humanas de Thurstone e visa detectar as habilidades do pré-escolar no início do Ensino Fundamental
    • fornece um perfil da estrutura mental que a criança apresenta no momento em que se submete ao aprendizado sistemático escolar, concretizando informações sobre seu amadurecimento global.
    • detecta desempenhos em cinco habilidades:verbal, perceptivo-espacial e lateralização. Vocabulário aritmétrico, Habilidade de raciocínio (do tipo análise e síntese) e Habilidade viso-motora.
    • O teste nãoe cxige conhecimento de leitura. 
    No período de 1970 a 1980, no que se refere ao estudo da inteligência, foi marcado pela mudança no paradigma de investigação:
    •  A mensuração, via testes de inteligência, foi substituída pela compreensão qualita A mensuração, via testes de inteligência, foi substituída pela compreensão qualitativa,  e em alguns casos intuitiva, de estágios ou etapas cognitivas.
    • Percebeu-se que, as diferenças no nível socioeconômico acompanham as diferenças no rendimento escolar e que  as diferenças de inteligência acompanham as diferenças de rendimento escolar.
    • a inteligência independentemente do nível socioeconômico correlaciona-se com o desempenho acadêmico duas vezes mais do que a variável social.
    • a década de 1970 caracterizava-se pela tendência de uso de testes, especialmente projetivos, no campo clínico (Curty-Rembowski, 1985)
    Estudos sobre personalidade
    • 1970 e 1980, continuava-se a pesquisar a personalidade no campo clínico utilizando-se técnicas projetivas.
    • a representatividade do estudo da personalidade na produção acadêmica nacional, quer pela via metodológica objetivo-quantitativa ou pela perspectiva subjetivo-qualitativa, foi muito pequena.
    DÉCADA DE 1990 E RESSURGIMENTO DA MENSURAÇÃO PSICOLÓGICA
    • 1990, observou-se um ressurgimento da atenção social e acadêmica para as medidas psicológicas, devido principalmente à antiguidade dos testes comercializados no país. 
    • diversos laboratórios de Avaliação Psicológica de universidades públicas e privadas surgiram em alguns Estados do País.
    • Surge o  Instituto Brasileiro de Avaliação e Pesquisa em Psicologia (IBAPP). O instituto teve o patrocínio do Conselho Federal de Psicologia e estabeleceu-se com um dos objetivos sendo o de verificar e fundamentar as bases técnico-científicas dos instrumentos psicológicos utilizados no país.
    • Havia uma falta de padronização, para o contexto nacional, de muitos instrumentos psicológicos existentes no mercado;  despreparo de profissionais em mensuração e avaliação psicológica; produção insuficiente de novos instrumentos psicológicos.
    • Conselho Federal de Psicologia (CFP), no início de 2002, forma uma Comissão Consultiva em Avaliação Psicológica. A tarefa era fazer uma análise técnica de todos os instrumentos comercializados no país, melhorando os instrumentos.
    •  o esforço em aumentar a qualidade dos testes psicológicos no Brasil tem permitido produzir novas informações sobre a inteligência e a personalidade do cidadão brasileiro.
    • Com o avanço da psicometria e dos recursos tecnológicos de registro e análise de dados, é possível analisar e acompanhar os fenômenos atualmente discutidos no cenário internacional.

    REFERÊNCIAS:

    MENDOZA, Carmem E. Flores. Psicologia das Diferenças Individuais. Capítulo 2: O estudo das diferenças individuais no Brasil.

    https://br.psicologia-online.com/teste-de-raven-o-que-e-e-como-interpretar-30.html

    http://www.psicocepa.com.br/Testes/Teste%2036.htm#:~:text=O%20DHP%20teve%20como%20base,ao%20aprendizado%20sistem%C3%A1tico%20escolar%2C%20concretizando

    quarta-feira, 16 de setembro de 2020

    Testagem e Avaliação Psicológica - Síntese capítulo 1

     Todos os campos de empreendimento humano usam medidas de alguma forma. O profissional de Psicologia "necessita de familiaridade operacional com algumas das unidades de medida que costumam ser usadas em psicologia, bem como de conhecimento sobre alguns dos muitos instrumentos de mensuração empregados." (COHEN et al, pg.1)

    Raízes da Testagem e Avaliação Psicológica:

    • França do início do século XX.
    • 1905- Alfred Binet e um colega publicaram um teste concebido para ajudar a colocar as crianças das escolas de Paris em classes apropriadas, expandindo até os EUA.
    • 1917 - A testagem fornece metodologia para aliviar problemas emocionais e intelectuais de soldados vindos da Primeira Guerra Mundial (1914-1918).
    • A testagem era usada para recrutar os soldados para a Segunda Guerra Mundial(1939-1945)
    • Pós-Guerra haviam testes para medir inteligência e personalidade, o funcionamento do cérebro, desempenho de trabalho e outros funcionamentos psicologicos e sociais.
    Testes e Avaliação:

    “Testagem” era o termo usado para referir-se a tudo, da administração de um teste (como em “Testagem em andamento”) à interpretação de seu escore (“A testagem indicou que...”). (COHEN et al, pg. 2). A testagem uma ferramenta da Avaliação psicológica.

    Aplicador de teste psicológico e avaliador psicológico

    Embora muitos outros profissionais apliquem testes  psicológicos, somente o profissional da Psicologia  tem as habilidades e capacidades necessárias à sua aplicação e avaliação.

    Testagem Psicológica

    • Definição: "o processo de medir variáveis relacionadas à psicologia por meio de instrumentos ou procedimentos projetados para obter uma amostra do comportamento.  (COHEN et al, pg. 3)
    • Objetivo: ..."obter alguma medida, em geral de natureza numérica, com relação a uma capacidade ou um atributo.
    • Processo: pode ser de natureza individual ou grupal
    • Papel do aplicador: não é fundamental  podendo ser substituído sem afetar o resultado.
    • Habilidade do aplicador:   requer habilidades técnicas em termos de administrar e pontuar um teste
    • Resultados: produz escores.

    Avaliação psicológica
    • Definição: "...a coleta e a integração de dados relacionados à psicologia com a finalidade de fazer uma estimação psicológica, que é realizada por meio de instrumentos como testes, entrevistas, estudos de caso, observação comportamental e aparatos e procedimentos de medida especialmente projetados."(COHEN et al, pg. 3)
    • Objetivo:..."responder a uma questão de encaminhamento, resolver um problema ou tomar uma decisão por meio do uso de instrumentos de avaliação. (COHEN et al, pg. 3)
    • Processo: A avaliação costuma ser individualizada; começa com um encaminhamento para avaliação a partir de outro profissional.

    • Papel do avaliador: é fundamental ao processo de seleção dos testes e/ou de outros instrumentos de avaliação
    • Habilidade do avaliador: requer uma seleção especializada dos instrumentos de avaliação, habilidade na avaliação e organização e integração criteriosas dos dados.
    • Resultados: envolve uma abordagem de resolução de problemas que mobiliza muitas fontes de dados visando esclarecer o motivo do encaminhamento

    Exemplo de “questões de avaliação” pessoais que os clientes desejam ver respondidas, tais como:

    “Por que é tão difícil para mim fazer contato visual?” ou “Por que nunca fui capaz de ter um relacionamento íntimo?”

    Na primeira sessão, deve-se perguntar: sobre preocupações refletidas nas perguntas do cliente; quando é mais difícil ou mais fácil para ele fazer contato visual; visual, quando esse problema começou e o que ele já tentou para tratá-lo; sobre tentativas anteriores de ter relacionamentos íntimos. Envolvemos os clientes como colaboradores e “coexperimentadores” durante as sessões de testagens.

    Sugestão de testes: MMPI-w-RF e o Rorschacha porque a combinação de um autorrelato e de um teste de personalidade baseado no desempenho é útil para nos ajudar a entender esses tipos de problemas.

    O TESTE 

    ..."pode ser definido simplesmente como um dispositivo ou procedimento de medida."
    ..."se refere a um dispositivo ou procedimento que visa medir uma variável relacionada àquele modificador."

    TESTE PSICOLÓGICO (PG.6)

    ..."refere-se a um dispositivo ou procedimento visando medir variáveis relacionadas à psicologia (p. ex.,inteligência, personalidade, aptidão, interesses, atitudes ou valores)."
    ..."podem diferir com respeito a uma série de variáveis, como conteúdo, formato, procedimentos de administração, procedimentos de pontuação e interpretação e qualidade técnica."


    O FORMATO (PG.7)
    ..."diz respeito à forma, ao plano, à estrutura, ao arranjo e ao leiaute dos itens do teste e, ainda, às considerações relacionadas, como limites de tempo."

    A ENTREVISTA
    • É um método de obter informação por intermédio da comunicação direta envolvendo troca recíproca.
    • a entrevista como um instrumento de avaliação psicológica em geral envolve mais do que conversa.
    • Observa-se o comportamento verbal e não verbal (linguagem corporal)
    • Pode ser conduzida face a face, por telefone.
    • podem ser usadas pelos psicólogos em várias áreas de especialidade para ajudar na realização de diagnóstico, tratamento, seleção e em outras decisões, além de ajudar os profissionais de recursos humanos a fazerem recomendações mais informadas sobre contratação, demissão e promoção.

    O PORTFÓLIO
    • Estudantes e profissionais em diferentes atividades, conservam suas produções, o que constitui um portfólio.
    • Pode ser usado como instrumento de avaliação, a partir de  decisões tomadas anteriormente, em parte com base em seus julgamentos de amostras de áudio de trabalhos anteriores do candidato.

    Observação comportamental
    • que saber como alguém se comporta em uma determinada situação, observe seu comportamento nessa situação.
    • é a monitoração das ações dos outros ou de si mesmo por meios visuais e eletrônicos ao mesmo tempo em que se registram as informações quantitativas e/ou qualitativas relativas a essas ações.
    • serve de auxílio para planejar a intervenção terapêutica provou ser extremamente útil em ambientes institucionais como escolas, hospitais, prisões e residências coletivas.
    Teste de Dramatização
    • É a encenação de um papel improvisado ou parcialmente improvisado em uma situação simulada.
    • É um instrumento de avaliação no qual os avaliandos são dirigidos a agir como se estivessem em uma determinada situação.
    • A dramatização como um instrumento de avaliação pode ser utilizada em vários contextos clínicos, e também como um instrumento de desfecho.

    REFERÊNCIAS

    COHEN; SWERDLIK/STURMAN. Testagem e Avaliação psicológica. 8ª edição.ABDR. RS, 2014
    Capítulo 1.




    Histórico da Testagem psicológica e seus Antecedentes

     Os testes psicológicos como os conhecemos surgiram no início do século XX. Porém, muito antes do século XX já existiam diversos precursores interessantes da moderna testagem psicológica em várias culturas e contextos.


    Antecedentes da testagem moderna no campo OCUPACIONAL

    - Como selecionar os melhores candidatos possíveis para um determinado emprego?
    • 200 a.C através do concurso público chinês, o Império Chinês aplicava  um sistema de exames competitivos para selecionar merecedores de posições governamentais.
    • Os concursos para serviço público Chinês envolviam demonstrações e proficiência em musica, uso de arco e habilidades em montaria, entre outra coisas, bem como exames escritos.
    Antecedentes da testagem moderna no campo da EDUCAÇÃO

    - Como determinar se os estudantes adquiriram o conhecimento ou as habilidades que seus professores tentaram lhes transmitir?
    • O 1º uso da testagem na educação ocorreu na Idade Média com o surgimento das primeiras Universidades europeias no séc. XIII.
    • Exames orais;
    • Certificação de qualidade.
    • Ao final do século XX tanto na Europa quanto nos Estados Unidos, estas provas já estavam bem estabelecidas como método para determinar quem deveria receber o diploma. (Alemanha)
    • Profissionais liberais.
    Antecedentes da testagem moderna na PSICOLOGIA CLÍNICA

    - Como diferenciar o "normal" do "anormal" nas áreas intelectual, emocional e comportamental?

    • Diversos antecedentes dos testes psicológicos se originaram no campo da psiquiatria (Bony, 1974).
    • Primeiros testes surgem no campo da psiquiatria na Alemanha – 2ª metade do séc. XIX;
    • Entre as amostras e comportamento usadas nestes primeiros testes haviam questões a respeito do sentido de provérbios e diferenças e semelhanças entre pares de palavras, bem como tarefas de memória .
    • Ex: Apresentação e séries de dígitos apresentadas oralmente.
    • As técnicas no sec. 19, eram engenhosas e foram incorporadas em testes modernos que ainda estão em uso.  Levam a Superstições e falta de padronização.
    • Psiquiatra francês chamado Esquirol sugeriu a capacidade de usar a Linguagem como critério mais confiável para estabelecer o nível de funcionamento mental de uma pessoa.
    • Na Psiquiatria – déc. 1890 - houveram avanços significativos na psiquiatria quando Emil Kraepelin- dedicou-se a classificar os transtornos mentais segundo suas causas, sintomas e cursos.
    • Queria aplicar o método cientifico à psiquiatria e sua contribuição foi vital para delinear os quadros clínicos da esquizofrenia e o transtorno bipolar.
    Antecedentes da testagem moderna na psicologia CIENTÍFICA

    As investigações dos psicofísicos alemães Weber e Fechner em meados do século XIX iniciaram uma série de avanços que culminaram na criação, por Wilhelm Wundt em 1879, do primeiro laboratório dedicado à pesquisa de natureza puramente psicológica, em Leipzig
    • Francis Galton (Inglês) interessou-se pela mensuração das funções psicológicas a partir de uma perspectiva inteiramente diferente.
    • Investigou a noção de que os dons intelectuais tendem a se transmitir de uma geração à outra -geração (Físicos e psicológicos).
    • Fez  contribuições significativas para o campo da estatística e da mensuração psicológica.
    • Foi o primeiro a utilizar o método de estudo com gêmeos que, depois de aperfeiçoado, viria a se tornar uma ferramenta de pesquisa primária em genética comportamental.
    • Como era aplicado a classes inteiras de crianças simultaneamente, o instrumento prenunciou o desenvolvimento dos testes em grupo.
    ALFRED BINET (FRANCÊS)
    • Foi inspirado a usar a técnica do completamento e outras tarefas mentais complexas para desenvolver a escala que se tornaria o primeiro teste de inteligência bem-sucedido (DuBois, 1970).
    • 1904 - foi indicado para uma comissão encarregada de criar um método para avaliar crianças que, devido ao retardo mental ou outros atrasos no desenvolvimento, não conseguiam se beneficiar das classes regulares do sistema educacional público e necessitavam de educação especial
    • 1905 - Binet e seu colaborador Theodore Simon publicaram o primeiro instrumento útil para a mensuração da capacidade cognitiva geral, ou inteligência global. A escala Binet-Simon de 1905, como passou a ser conhecida, era uma série de 30 testes ou tarefas de conteúdo e dificuldade variados com o objetivo principal de avaliar o julgamento e a capacidade de raciocínio independentemente da aprendizagem escolar. 
    • 1911 - Nascimento do QI - Quociente de inteligência. Pretendia determinar  quem está na média, abaixo da média ou acima da média em termos de inteligência. Significa que um indivíduo tem um desempenho acima, abaixo ou correspondente ao nível típico de sua faixa etária nos testes de inteligência

    A TESTAGEM EM GRUPO
    • Psicólogos nos EUA foram recrutados para desenvolver um teste grupal de inteligência que pudesse ser eficientemente administrado a todos os recrutas do exército dos Estados Unidos, para ajudar na alocação de pessoal.
    • Desenvolvimento de teste grupal de inteligência - todos os recrutados do exercito. (EUA)
    • Instrumento Army Alpha  - eram oito subtestes que mediam capacidades verbais, numéricas, raciocínio e julgamento práticos de informações gerais. Incluindo-se a escala de Binet.
    • Aplicado a mais de 1 milhão de recrutas.
    • O teste Army Alpha foi substituído pelo Army Beta, um teste supostamente equivalente, mas que não demandava leitura.
    • Mesmo com uma série de práticas de testagem impróprias, os erros cometidos no inicio da testagem moderna serviu como correção e o aperfeiçoamento das práticas no mundo real.
    OUTROS AVANÇOS NA TESTAGEM PSICOLÓGICA
      Testes de aptidões e habilidades especiais
      • O teste Army Alpha, contribuiu para o desenvolvimento de testes com objetivo de selecionar para diferentes ocupações.
      • Identifica as habilidades necessárias para um determinado papel ocupacional
      Testagem Padronizada no contexto educacional
      • Testes padronizados de realização acadêmica:
      • A escala de caligrafia de Thorndike, 1910:uma nova modalidade de testagem ao criar uma série de espécimes de caligrafia variando de muito ruim a excelente.
      Testes de aptidão escolar
      • Em 1920, exames objetivos começaram a ser usados,em conjunto com notas do ensino médio, para fins admissão em faculdades, etc.
      • 1926: Teste de Aptidão Escolar (SAT)- Instrumentos para selecionar candidatos para cursos de pós-graduação e formação profissional.
      Testagem de pessoal e orientação vocacional
      • Durante a adolescência, o inicio da vida adulta, e também cada vez mais na meia-idade, as decisões quanto à seleção e colocação de pessoal nas empresas, industrias e organizações, como militares precisam ser feitas de forma contínua.
      Baterias e aptidões múltiplas
      • Em 1940, os testes de aptidão foram substituídos pelas baterias de aptidões múltiplas, desenvolvidas por Spearman.
      • Inteligência não é um conceito unitário; as habilidades humanas englobam uma gama de componentes ou fatores separados.
      Mensuração de interesses
      • Foram criadas para fins de orientação vocacional e mais tarde, foram empregados na seleção de pessoal.
      • Itens relativos a preferências em materiais de leitura e atividades de lazer.
      • Inventário de Interesses de Strong (SVIB)
      Inventários de personalidade
      • 1º Lista de dados Pessoais Woodworth (P-D Sheet) desenvolvido na 1ª Guerra Mundial para triagem de recrutas que pudessem sofrer de doenças mentais.
      • O inventário Multifásico de Personalidade de Minnesota (MMPI) foi o mais bem sucedido.
      • http://www.mmpi.com.br/teste.html
            SIMULAÇÃO DE TESTE DE PERSONALIDADE MMPI
            FALSO (F) OU VERDADEIRO (V)

            - Eu não me canso rapidamente. 
            - Eu me preocupo com assuntos sexuais.
            - Quando me aborreço, gosto de procurar alguma excitação. 
          - Quase todas as pessoas preferem usar meios mais ou menos desonestos, para obter lucro ou vantagem, a perdê-los. 
            - Acredito que existe uma conspiração contra mim.

      Técnicas Projetivas (1920)
      • Os psiquiatras ainda sentiam necessidade de auxílio no diagnóstico e tratamento das doenças mentais.
      • São um novo gênero de ferramenta para avaliação da personalidade e da psicopatologia.
      • Tiveram suas raízes nos métodos de associação livre, induzidos inicialmente por Galton, Jung e Freud.
      • Em 1921, psiquiatra suiço Prancha Rorschach publicou o teste das manchas de tinta que refletia o modo singular do sujeito de perceber o mundo.
      Técnicas Projetivas (críticas)
      • Embora haja muita controvérsia a respeito de sua validade, basicamente porque costumam interpretar de modo qualitativo do sujeito, as técnicas projetivas ainda são parte significativa do repertório de muitos clínicos (Viglione e Rivera, 2003).
      Testes Neuropsicológicos
      • Disfunção cerebral nos transtornos emocionais, cognitivos e comportamentais Neuropsicologia
      • Goldstein- dificuldades observadas nos soldados com lesões cerebrais. Foram incluídos no termo de Organicidade : sinônimo de dano cerebral.
      • Muitos instrumentos foram desenvolvidos para detectar a organicidade de indivíduos com problemas na fala ou audição.
      • Entre os instrumentos: tabuleiros de formas, quebra-cabeças, blocos, tarefas com lápis e papel, etc.
      REFERÊNCIAS
      Urbina, Susana. Fundamentos da Testagem Psicológica. editora Artmed. Capítulo 1 - Introdução aos Testes psicológicos e seus usos.Páginas 8-20.

      sexta-feira, 4 de setembro de 2020

      Histórico da Testagem psicológica e seus Antecedentes

      Os testes psicológicos como os conhecemos surgiram no início do século XX. Porém, muito antes do século XX já existiam diversos precursores interessantes da moderna testagem psicológica em várias culturas e contextos.

      Antecedentes da testagem moderna no campo OCUPACIONAL

      - Como selecionar os melhores candidatos possíveis para um determinado emprego?
      • 200 a.C através do concurso público chinês, o Império Chinês aplicava  um sistema de exames competitivos para selecionar merecedores de posições governamentais.
      • Os concursos para serviço público Chinês envolviam demonstrações e proficiência em musica, uso de arco e habilidades em montaria, entre outra coisas, bem como exames escritos.
      Antecedentes da testagem moderna no campo da EDUCAÇÃO

      - Como determinar se os estudantes adquiriram o conhecimento ou as habilidades que seus professores tentaram lhes transmitir?
      • O 1º uso da testagem na educação ocorreu na Idade Média com o surgimento das primeiras Universidades europeias no séc. XIII.
      • Exames orais;
      • Certificação de qualidade.
      • Ao final do século XX tanto na Europa quanto nos Estados Unidos, estas provas já estavam bem estabelecidas como método para determinar quem deveria receber o diploma. (Alemanha)
      • Profissionais liberais.
      Antecedentes da testagem moderna na PSICOLOGIA CLÍNICA

      - Como diferenciar o "normal" do "anormal" nas áreas intelectual, emocional e comportamental?

      • Diversos antecedentes dos testes psicológicos se originaram no campo da psiquiatria (Bony, 1974).
      • Primeiros testes surgem no campo da psiquiatria na Alemanha – 2ª metade do séc. XIX;
      • Entre as amostras e comportamento usadas nestes primeiros testes haviam questões a respeito do sentido de provérbios e diferenças e semelhanças entre pares de palavras, bem como tarefas de memória .
      • Ex: Apresentação e séries de dígitos apresentadas oralmente.
      • As técnicas no sec. 19, eram engenhosas e foram incorporadas em testes modernos que ainda estão em uso.  Levam a Superstições e falta de padronização.
      • Psiquiatra francês chamado Esquirol sugeriu a capacidade de usar a Linguagem como critério mais confiável para estabelecer o nível de funcionamento mental de uma pessoa.
      • Na Psiquiatria – déc. 1890 - houveram avanços significativos na psiquiatria quando Emil Kraepelin- dedicou-se a classificar os transtornos mentais segundo suas causas, sintomas e cursos.
      • Queria aplicar o método cientifico à psiquiatria e sua contribuição foi vital para delinear os quadros clínicos da esquizofrenia e o transtorno bipolar.
      Antecedentes da testagem moderna na psicologia CIENTÍFICA

      As investigações dos psicofísicos alemães Weber e Fechner em meados do século XIX iniciaram uma série de avanços que culminaram na criação, por Wilhelm Wundt em 1879, do primeiro laboratório dedicado à pesquisa de natureza puramente psicológica, em Leipzig
      • Francis Galton (Inglês) interessou-se pela mensuração das funções psicológicas a partir de uma perspectiva inteiramente diferente.
      • Investigou a noção de que os dons intelectuais tendem a se transmitir de uma geração à outra -geração (Físicos e psicológicos).
      • Fez  contribuições significativas para o campo da estatística e da mensuração psicológica.
      • Foi o primeiro a utilizar o método de estudo com gêmeos que, depois de aperfeiçoado, viria a se tornar uma ferramenta de pesquisa primária em genética comportamental.
      • Como era aplicado a classes inteiras de crianças simultaneamente, o instrumento prenunciou o desenvolvimento dos testes em grupo.
      ALFRED BINET (FRANCÊS)
      • Foi inspirado a usar a técnica do completamento e outras tarefas mentais complexas para desenvolver a escala que se tornaria o primeiro teste de inteligência bem-sucedido (DuBois, 1970).
      • 1904 - foi indicado para uma comissão encarregada de criar um método para avaliar crianças que, devido ao retardo mental ou outros atrasos no desenvolvimento, não conseguiam se beneficiar das classes regulares do sistema educacional público e necessitavam de educação especial
      • 1905 - Binet e seu colaborador Theodore Simon publicaram o primeiro instrumento útil para a mensuração da capacidade cognitiva geral, ou inteligência global. A escala Binet-Simon de 1905, como passou a ser conhecida, era uma série de 30 testes ou tarefas de conteúdo e dificuldade variados com o objetivo principal de avaliar o julgamento e a capacidade de raciocínio independentemente da aprendizagem escolar. 
      • 1911 - Nascimento do QI - Quociente de inteligência. Pretendia determinar  quem está na média, abaixo da média ou acima da média em termos de inteligência. Significa que um indivíduo tem um desempenho acima, abaixo ou correspondente ao nível típico de sua faixa etária nos testes de inteligência

      A TESTAGEM EM GRUPO
      • Psicólogos nos EUA foram recrutados para desenvolver um teste grupal de inteligência que pudesse ser eficientemente administrado a todos os recrutas do exército dos Estados Unidos, para ajudar na alocação de pessoal.
      • Desenvolvimento de teste grupal de inteligência - todos os recrutados do exercito. (EUA)
      • Instrumento Army Alpha  - eram oito subtestes que mediam capacidades verbais, numéricas, raciocínio e julgamento práticos de informações gerais. Incluindo-se a escala de Binet.
      • Aplicado a mais de 1 milhão de recrutas.
      • O teste Army Alpha foi substituído pelo Army Beta, um teste supostamente equivalente, mas que não demandava leitura.
      • Mesmo com uma série de práticas de testagem impróprias, os erros cometidos no inicio da testagem moderna serviu como correção e o aperfeiçoamento das práticas no mundo real.
      OUTROS AVANÇOS NA TESTAGEM PSICOLÓGICA
        Testes de aptidões e habilidades especiais
        • O teste Army Alpha, contribuiu para o desenvolvimento de testes com objetivo de selecionar para diferentes ocupações.
        • Identifica as habilidades necessárias para um determinado papel ocupacional
        Testagem Padronizada no contexto educacional
        • Testes padronizados de realização acadêmica:
        • A escala de caligrafia de Thorndike, 1910:uma nova modalidade de testagem ao criar uma série de espécimes de caligrafia variando de muito ruim a excelente.
        Testes de aptidão escolar
        • Em 1920, exames objetivos começaram a ser usados,em conjunto com notas do ensino médio, para fins admissão em faculdades, etc.
        • 1926: Teste de Aptidão Escolar (SAT)- Instrumentos para selecionar candidatos para cursos de pós-graduação e formação profissional.
        Testagem de pessoal e orientação vocacional
        • Durante a adolescência, o inicio da vida adulta, e também cada vez mais na meia-idade, as decisões quanto à seleção e colocação de pessoal nas empresas, industrias e organizações, como militares precisam ser feitas de forma contínua.
        Baterias e aptidões múltiplas
        • Em 1940, os testes de aptidão foram substituídos pelas baterias de aptidões múltiplas, desenvolvidas por Spearman.
        • Inteligência não é um conceito unitário; as habilidades humanas englobam uma gama de componentes ou fatores separados.
        Mensuração de interesses
        • Foram criadas para fins de orientação vocacional e mais tarde, foram empregados na seleção de pessoal.
        • Itens relativos a preferências em materiais de leitura e atividades de lazer.
        • Inventário de Interesses de Strong (SVIB)
        Inventários de personalidade
        • 1º Lista de dados Pessoais Woodworth (P-D Sheet) desenvolvido na 1ª Guerra Mundial para triagem de recrutas que pudessem sofrer de doenças mentais.
        • O inventário Multifásico de Personalidade de Minnesota (MMPI) foi o mais bem sucedido.
        • http://www.mmpi.com.br/teste.html
              SIMULAÇÃO DE TESTE DE PERSONALIDADE MMPI
              FALSO (F) OU VERDADEIRO (V)

              - Eu não me canso rapidamente. 
              - Eu me preocupo com assuntos sexuais.
              - Quando me aborreço, gosto de procurar alguma excitação. 
            - Quase todas as pessoas preferem usar meios mais ou menos desonestos, para obter lucro ou vantagem, a perdê-los. 
              - Acredito que existe uma conspiração contra mim.

        Técnicas Projetivas (1920)
        • Os psiquiatras ainda sentiam necessidade de auxílio no diagnóstico e tratamento das doenças mentais.
        • São um novo gênero de ferramenta para avaliação da personalidade e da psicopatologia.
        • Tiveram suas raízes nos métodos de associação livre, induzidos inicialmente por Galton, Jung e Freud.
        • Em 1921, psiquiatra suiço Prancha Rorschach publicou o teste das manchas de tinta que refletia o modo singular do sujeito de perceber o mundo.
        Técnicas Projetivas (críticas)
        • Embora haja muita controvérsia a respeito de sua validade, basicamente porque costumam interpretar de modo qualitativo do sujeito, as técnicas projetivas ainda são parte significativa do repertório de muitos clínicos (Viglione e Rivera, 2003).
        Testes Neuropsicológicos
        • Disfunção cerebral nos transtornos emocionais, cognitivos e comportamentais Neuropsicologia
        • Goldstein- dificuldades observadas nos soldados com lesões cerebrais. Foram incluídos no termo de Organicidade : sinônimo de dano cerebral.
        • Muitos instrumentos foram desenvolvidos para detectar a organicidade de indivíduos com problemas na fala ou audição.
        • Entre os instrumentos: tabuleiros de formas, quebra-cabeças, blocos, tarefas com lápis e papel, etc.
        REFERÊNCIAS
        Urbina, Susana. Fundamentos da Testagem Psicológica. editora Artmed. Capítulo 1 - Introdução aos Testes psicológicos e seus usos.Páginas 8-20.

        Testes Psicológicos - conceitos, definição, fundamentos, usos.

        • Teste tem múltiplos sentidos.
        • Teste significa exame, observação ou avaliação crítica.
        • Teste Psicológicos são utilizados para avaliar indivíduos em algum ponto crítico ou circunstâncias significativa da vida.
        • É indispensável saber distinguir os primeiros dos segundos testes psicológicos, a partir das características definidoras que os testes psicológicos legítimos de todos os tipos têm em comum.
        • As características definem os testes psicológicos e os diferenciam de outros tipos de instrumentos.
        TESTES PSICOLÓGICOS
        • Possuem um sentido muito específico.
        • São procedimentos sistemáticos para obtenção de amostras de comportamentos relevantes para o funcionamento cognitivo ou afetivo e para a avaliação destas amostras de acordo com certos padrões.
        • Possui um sentido e um fundamento lógico de todos os elementos da definição de um teste psicológico, cujas condições devem ser satisfeitas integralmente, para que seja considerado um teste psicológico, caso contrário, se trata de inferências.
        • São descritos de forma padronizada, por dois motivos que contemplam a necessidade de objetividade no processo de testagem:
        1. Está ligado á uniformidade de procedimentos em todos os aspectos: administração, avaliação e interpretação dos testes. Esses aspectos podem afetar os resultados quando não são uniformes. padronizar o procedimento implica em uniformizar as variáveis que estão sob o controle do examinados, para que todos façam da mesma forma.
        2. É preciso usar padrões para a avaliação dos resultados, podendo ser normas, amostra normativa ou padronização no processo de desenvolvimento do teste.
        ELEMENTOS BÁSICOS DA DEFINIÇÃO DE TESTES PSICOLÓGICOS

        Os elementos a seguir devem estar presentes em todo teste psicológico, caso contrário, são apenas inferências. Portanto, para ser um TESTE PSICOLÓGICO deve haver:

        ELEMENTO DEFINIDOR

        • Os testes psicológicos são procedimentos sistemáticos. 
        • Os testes psicológicos são amostras de comportamento. 
        • Os comportamentos avaliados pelos testes são relevantes para o funcionamento cognitivo, afetivo ou ambos. 
        • Os resultados dos testes são avaliados e recebem escores. 
        • Para se avaliar resultados de testes, é necessário ter padrões baseados em dados empíricos.
        EXPLICAÇÃO
        • Caracterizam-se por planejamento, uniformidade e meticulosidade. 
        • São pequenos subconjuntos de um todo muito maior. 
        • As amostras são selecionadas por sua significância psicológica empírica ou prática. 
        • Algum sistema numérico ou categórico é aplicado aos resultados segundo regras preestabelecidas. 
        • Deve haver uma forma de aplicar um critério ou padrão de comparação comum aos resultados.
        FUNDAMENTOS
        • Para serem úteis, os testes devem ser objetivos e justos e passíveis de demonstração.
        • O uso de amostras de comportamento é eficiente porque o tempo disponível geralmente é limitado. 
        • Os testes, ao contrário dos jogos mentais, existem por sua utilidade; eles são ferramentas. 
        • Não deve haver dúvidas sobre quais são os resultados de um teste. 
        • Os padrões usados para avaliar os resultados de um teste devem indicar o único sentido dos mesmos.
        É importante fazer a seguinte distinção entre os testes:
        •  Os testes que avaliam habilidades, conhecimentos ou qualquer outra função cognitiva serão referidos como TESTES DE HABILIDADES.
        • Todos os outros serão denominados TESTES DE PERSONALIDADE.
        • Instrumentos cujas respostas não são avaliadas como certas ou erradas e cujos testandos não recebem escores de aprovação ou reprovação são denominados inventários, questionários, levantamentos, listas de verificação, esquemas ou técnicas projetivas, e geralmente são agrupados sob a rubrica de testes de personalidade. 
        PSICOMETRIA
        • Psicometria é a área da psicologia que trata do desenvolvimento e da aplicação de técnicas de medição aos fenômenos psíquicos - psicológicos (Pasquali, 2003).

        • psicometria é a parte da Psicologia que busca mensurar as características psicológicas dos indivíduos ou grupos, utilizando-se dos testes psicológicos.
        • É o campo da mensuração psicológica.
        • ESCALA na Psicometria refere-se a um grupo de itens que diz respeito a uma única variável e são dispostos em ordem de dificuldade e intensidade.
        • ESCALONAMENTO é o processo de se chegar ao sequenciamento de itens.
        • BATERIA é um termo usado para determinar um grupo de testes individuais selecionados especificamente por um psicólogo, para uso de um determinado cliente, afim de se obter determinado diagnóstico.
        TESTES PSICOLÓGICOS COMO FERRAMENTAS
        • Sendo uma ferramenta, os testes sempre são um meio para se alcançar um determinado objetivo.
        • Quando bem-aplicados podem ser úteis e insubstituíveis.
        • Quando mal aplicados, pode limitar ou anular sua utilidade fim.
        • "Os testes psicológicos são ferramentas criadas para ajudar na obtenção de inferências a respeito de indivíduos ou grupos, e, quando usados corretamente, podem ser componentes-chave na prática e na ciência da psicologia".
        • Também podem servir a outros fins além daqueles para os quais foram originalmente criados, como aumentar o autoconhecimento e a autocompreensão.
        •  Os resultados quando mal-interpretados ou mal-utilizados, podem prejudicar pessoas, rotulando-as de maneira injustificada, negando-lhes oportunidades injustamente ou simplesmente desencorajando-as
        Os testes psicológicos são avaliados em dois momentos distintos e de duas formas diferentes

        "1. Quando estão sendo considerados como ferramentas em potencial por possíveis usuários. Neste momento, suas qualidades técnicas são a principal preocupação."

        "2. Depois que são colocados em uso para um objetivo específico. Neste momento, a habilidade do usuário e o modo como os testes são usados são as principais considerações."

        TESTES PSICOLÓGICOS COMO PRODUTOS
        • Os testes são produtos comercializados e usados primariamente por psicólogos e educadores profissionais.
        • O público desconhece a natureza comercial dos testes uma vez que são publicados em catálogos voltados apenas para as categorias profissionais que o utilizam.
        • Os testes psicológicos são concebidos, desenvolvidos, anunciados e vendidos para fins aplicados no contexto da educação, administração ou saúde mental, e devem gerar lucros para as pessoas que os produzem
        Os principais participantes do processo de testagem e seus papéis:

        Autores e Criadores- Concebem, preparam e criam os testes. Também encontram formas de divulgar seu trabalho publicando os testes comercialmente ou por meio de publicações profissionais como livros e periódicos.
        Editoras - Publicam, anunciam e vendem os testes, controlando sua distribuição.
        Revisores - Preparam críticas e avaliações dos testes baseados em seus méritos técnicos e práticos
        Usuários - Selecionam ou decidem usar um teste específico para algum objetivo. Também podem desempenhar outros papéis, como, por exemplo, examinadores ou avaliadores.
        Examinadores ou administradores - Administram o teste individualmente ou em grupo.
        Testandos - Submetem-se ao teste por escolha ou necessidade.
        Avaliadores -  Computam as respostas do testando e as transformam em escores de teste por meios objetivos ou mecânicos ou aplicação de julgamentos de avaliação.
        Intérpretes de resultados - interpretam os resultados dos testes para seus consumidores finais, que podem ser testandos individuais ou seus parentes, outros profissionais ou organizações de vários tipos

        REFERÊNCIAS
        Urbina, Susana. Fundamentos da Testagem Psicológica. editora Artmed. Capítulo 1 - Introdução aos Testes psicológicos e seus usos.