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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

Vídeo-animação: Era uma vez uma outra Maria


"O curta-metragem “Era uma vez outra Maria” é um vídeo educativo que apresenta que discute a saúde e autonomia das mulheres jovens, para que aja uma conscientização do seu direito ao pleno desenvolvimento em todas as esferas de suas vidas. O vídeo conta a história da menina Maria, que percebe que meninas são criadas de maneira diferente dos meninos, e descobre que essa criação influencia seus desejos, comportamentos e atitudes, e passa a questionar o seu papel no mundo. Constitui em uma ferramenta de trabalho para assistentes sociais, professores e profissionais de saúde e de educação em geral, que procuram uma forma inovadora de incentivar a reflexão e a promover a autonomia."
Temas: saúde sexual e reprodutiva, violência, gravidez, maternidade e trabalho.
ECOS - Comunicação em Sexualidade Rua Araújo, 124 - Vila Buarque - 2º andar - CEP 01220-020 - São Paulo/SP - Brasil Tel. 11-3255-1238 - ecos@ecos.org.br

domingo, 23 de fevereiro de 2020

Capítulo II - Contexto do Adolescente - Marisa Lopes da Rocha

Marisa afirma ser "imprescindível falar em condição juvenil como ponto de partida, a fim de facultar a compreensão da heterogeneidade de situações e experiências que marcam a diversidade de modos de inserção social." 

Assim, questões como o que é ser criança e adolescente nessa comunidade, o que se constitui como questão para eles, o que vem servindo de elo entre eles, criando um código comum que serve de suporte para o enfrentamento dos conflitos atravessados nas suas vidas cotidianas, são importantes para o conhecimento da população com a qual trabalhamos, facultando a adequação do planejamento (Rocha, 2001). 

A contextualização da adolescência é fundamental,considerando que o processo de formação nos dias atuais se vê diante de fatores de diferentes ordens: a instantaneidade temporal provocada pela velocidade tecnológica, que acarreta uma certa superficialidade na aquisição de conhecimentos, a cultura do consumo, geradora de múltiplas necessidades rapidamente descartáveis, o quadro recessivo, que amplia a exclusão social, associado à pulverização das relações coletivas, levando à individualização e ao desinteresse na esfera pública e política. 

A partir desse panorama, ocorre o desmapeamento, ou seja, a perda de referenciais que se configuram, enquanto efeito, significando a fragilização frente à vulnerabilidade das referências e dos laços sócio-culturais (Castro, 1998). 

E novas questões se colocam para as diferentes instituições que trabalham com adolescentes como possibilidade de encontrar alternativas: o que favoreceria a experiência social dos adolescentes? Em torno de que interesses e práticas se viabilizaria a construção de grupos solidários com certa estabilização, desdobramento e avaliação de ações, possibilitando formas comuns de compreensão da realidade? A saída da infância ocorre na interação permanente entre agências socializadoras encarregadas de preparar o jovem para a vida adulta. 

A diversificação de laços e referências em contínua relação com o mundo familiar trará aos adolescentes a possibilidade de construir sua autonomia. Nesse sentido, o processo de singularização do sujeito se inscreve na relativização das referências familiares, o que implica que a instituição familiar não se constitua apenas como nós, mas também na presença do outro, condição indispensável da existência do nós. À família enquanto rede de proteção, de amparo, núcleo estruturante, cabe abrir espaço para o outro, acolhendo as novas experiências e a aceitação do conflito que se instala entre os vínculos de pertinência e relações de apego estabelecidas no espaço doméstico e as investidas para a construção da autonomia. 

Será criando oposições que, gradativamente, o adolescente se irá diferenciando, fazendo do conflito uma ferramenta indispensável para tornar-se sujeito (Ribeiro & Ribeiro, 1995).   Se é durante a adolescência que se intensificam as produções de projetos de vida e que se desenvolvem as estratégias e ações para que sonhos se transformem em realidade, como favorecer a expressão de ideais, de frustrações, considerando os limites e as possibilidades do contexto em que vive o jovem? O que se constitui para os adolescentes desafios e problemas na sociedade atual? Que diferenças trazem a partir das suas condições concretas de existência e das diversas experiências vividas no seu cotidiano em relação com a família, com os amigos e com a escola?    

As transformações aceleradas da vida contemporânea e a crescente complexidade social trazem como conseqüência as dificuldades de compreender a realidade na sua transformação e a diversidade de formas de existência que se atualizam nas múltiplas redes de valores, afetos, tradições e perspectivas. 

A fragilização dos espaços públicos pela violência, insegurança e pelo individualismo exacerbado, vem gerando a multiplicação das práticas de autodefesa, de desagregação social, reduzindo a oportunidade de intensificação da convivência, de trocas e de experiências. Do mesmo modo, o aumento das dificuldades econômicas e suas conseqüências sobre a inserção social e profissional de grande parcela da população atingem de forma dramática os jovens no meio urbano (Valla & Stotz, 1996).  

É nesse contexto que os serviços de atendimento à saúde e os especialistas passam a se constituir  uma escuta privilegiada dos jovens e famílias isolados de uma rede de solidariedade. Em meio à multiplicação das demandas por cuidados, questões essenciais precisam ser problematizadas nos serviços. As famílias, principalmente de classes populares, pela precarização de recursos e informações, pelo excesso de trabalho e escassez de tempo, vivem relações de abandono, de insegurança e de dúvidas no trato com os filhos. Para buscar modificações na situação dos adolescentes num mundo tão conturbado como o atual, é de fundamental importância pensar o adolescente na família e não isoladamente, o que aponta para uma atuação com o jovem e com o núcleo ao qual pertence, estabelecendo o que se constitui como vulnerabilidade e como possibilidades. 

Pela sua função de núcleo socializador da prole, o exercício da autoridade dos pais comporta tanto relações assimétricas, quanto complementares, e nem sempre tem se mostrado uma tarefa fácil estabelecer os limites do que é ou não negociável nas relações domésticas. Nesse sentido, atuar junto à família é favorecer o conhecimento sobre os recursos de que dispõe para ajudar os adolescentes e a si própria (Ribeiro & Ribeiro, 1993).  

 A sociedade contemporânea apresenta questões que não podem ser desprezadas para a compreensão do que se passa na vida privada, e aqui podemos ressaltar as relações entre gênero, entre gerações, as influências dos meios de comunicação, dos discursos e práticas médicas, pedagógicas, jurídicas. 

Assim, a família  constitui um espaço de complexidade e não pode ser pensada de forma isolada e nem descontextualizada, na medida em que outras esferas intervêm na sua intimidade, retirando muitas de suas funções e impondo modelos de funcionamento normatizados e normalizadores. É importante perceber que tendemos a reconhecer como núcleo doméstico aquilo que nos é familiar, fruto de nossas experiências, o que inviabiliza o reconhecimento de referenciais diversos advindos de outros modos de existência. Naturalizamos modelos de relações e passamos a classificar o que se apresenta diante de nós como normal ou patológico, não levando em conta que a família se define pelas relações de sentido que consegue estabelecer entre seus membros (Szymanski, 1992). A questão é: o quanto potencializam ações que compatibilizam o reconhecimento de cada um e a existência do próprio núcleo? 

O conjunto de profissionais que atua com famílias precisa ter em mente que o discurso que fazemos sobre essa instituição, o modo como a encaramos, estabelece o sentido de nossa ação. Esse é o caminho para que possamos potencializá-la a enfrentar suas vulnerabilidades, sem reforçar os dispositivos de poder que atuam sobre elas, culpando-as. 

A questão está em como ouvimos os anseios e necessidades dos adolescentes em suas relações com os pais, levando em conta o mundo em que se situam, seus compromissos e responsabilidades. 

O desenvolvimento de práticas com famílias envolve não só as questões sobre a ampliação de suas condições concretas de existência, como a representação que temos delas e o modo como elas próprias se vêem. Elas constroem uma ideia de si, no enfrentamento de suas experiências, mas também a partir de como delas se falam. 

A expressiva desigualdade social produz marcas profundas na auto-imagem de grande parte da população que se apresenta nos serviços públicos, isto porque a inferioridade naturalizada, a imagem de núcleo doméstico incompetente, incompleto, faz com que acreditem menos nas possibilidades de contribuir para criar saídas, ficando mais fragilizadas frente aos discursos instituídos sobre elas.

 Direitos e afetos compõem uma noção de família, que possibilita pensar em um projeto mais democrático de sociedade, implicando serviços que têm como desafio a construção de uma cidadania ativa, em que reivindicações de si e dos outros estão em pauta, produzindo alternativas compartilhadas entre profissionais e comunidade assistida. Assim, interessa-nos indagar em relação às famílias: quais suas questões e que iniciativas vêm adotando para o enfrentamento das problemáticas que surgem no dia-a-dia? Que experiências vêm fortalecendo os seus vínculos internos e com a comunidade, auxiliando na formação de redes solidárias? 

A educação escolar, para grande parte da população brasileira, produz um conjunto de relações marcadas pela tensão, descontinuidade e desvalorização das crianças e dos adolescentes que nela ingressam. O que ocorre é um desencontro entre as esperanças construídas pelas famílias em torno do valor da escola e as aspirações juvenis – ascensão social, melhoria das condições de vida. Para o jovem, o desencontro das expectativas iniciais gestadas na família e a experiência cotidiana vivida nas escolas, que nega essas aspirações, pode gerar desinteresse, indisciplina e violência, na medida em que a trajetória na escolarização gera insucesso e exclusão. Dependendo do seu modo de funcionamento, a escola pode ou não vir a contribuir para a estruturação efetiva de referências e a questão está na sua capacidade de propiciar arranjos que assegurem um conjunto de relações sociais significativas para os adolescentes e suas famílias (Patto, 1993). 

Em sua forma de funcionamento tradicional, a escola não vem agenciando uma ação socializadora sobre grande parte de seus alunos, crianças ou adolescentes, que mantêm, antes, uma relação hierárquica de distanciamento construída na condição de aluno. Porém, é importante evidenciar que tal perspectiva não incide somente sobre o aluno, pois o modo de gestão e a organização do processo de trabalho escolar estão atravessados pela exclusão do próprio professor, que não interfere nas regras de seu próprio ofício. Se está na relação professor-aluno grande parte das expectativas de inserção do aluno e de mudanças no processo de ensino-aprendizagem, é de fundamental importância que o professor possa conquistar um outro lugar no interior da escola (Machado & Souza, 1997). 

A questão não se reduz, então, a sugerir um novo/velho aparato técnico para o cotidiano educacional. O desafio é a gestão coletiva do sentido da vida escolar, ou seja, da política que orientará aquela comunidade e o processo de ensino-aprendizagem a partir do qual serão estabelecidos os objetivos do trabalho, o modo de funcionamento dos dispositivos criados e a dinâmica de relação e intervenção dos diferentes segmentos. A mudança no sistema educacional tem que partir da ressignificação de conceitos como cooperação, autonomia e eficiência, que hoje estão baseados em concepções imediatistas vinculadas à lógica empresarial. Tais conceitos são utilizados para acelerar processos de mudança, mas trazem como correlato a segregação, o desprestígio e a precarização da tarefa docente. O ato de cooperar, que deveria estar ligado a uma prática coletiva construída através da análise da realidade, de seus conflitos e
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da elaboração de alternativas, está vinculado à execução de tarefas. A autonomia dos indivíduos é uma construção que tem início no processo de autonomização dos grupos que, pelo exercício ético-político de suas práticas, criam sentidos comuns para seu fazer. A eficiência esperada a partir da burocracia funcional não está na qualidade do processo, mas vinculada à competitividade  e  à racionalização que, na prática, se traduzem pelo menor tempo e menor custo em obter o máximo de resultados, sendo que estes se referem às estatísticas de aprovação. Desse modo, a mudança da realidade escolar está implicada com a possibilidade de um trabalho institucional na escola, cuja meta está na organização de processos de análise e discussão com os diferentes segmentos, sobre as condições de trabalho, seus efeitos para a saúde/adoecimento, constituição de projetos, contextualização das práticas, emfin, no estabelecimento de um processo de gestão coletiva, que articule direitos e afetos da comunidade envolvida (Rocha, 2001). Para falarmos de saúde de educadores, de alunos e de familiares, é fundamental mapear a noção de saúde de forma mais aprofundada. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a saúde não se caracteriza unicamente pela ausência de doença, mas implica um estado de bem-estar físico, mental e social integral. A partir dessa perspectiva, Dejours, Dessors e Desriaux (1993) questionam o que seria um estado de completo bem-estar, tendo em vista ser humanamente impossível atingir tal ponto de plenitude. Mais fecundo seria pensar a saúde como um objetivo a ser atingido. Dejours e colaboradores ressaltam a
variância a que estão submetidos os organismos humanos e, portanto, que não há nada de fixo ou de constante em um organismo vivendo normalmente, mas um constante movimento. A saúde não pode ser descrita como um estado ideal, uniforme, mas como a busca permanente de mobilização das forças ativas, das energias necessárias para viver. Desse modo, falar em saúde é falar de uma sucessão de compromissos que assumimos com a realidade, e que se alteram, que se reconquistam, se definem a cada momento. Saúde é um campo de negociação cotidiana para tornar a vida viável. Se a promoção de saúde dos educadores está diretamente ligada à organização do trabalho, pois dela dependem a viabilização das alternativas de atuação dos trabalhadores e a reapropriação do saber e do poder decisório do trabalho, isso não é diferente para os trabalhadores dos serviços de saúde.
Reconstruindo modos de funcionamento na saúde
A construção de relações entre os membros de um serviço tem início no estabelecimento dos problemas comuns, na aglutinação de profissionais e de idéias e na análise coletiva do cotidiano. É com a perspectiva de conhecer e articular novas
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questões que se consolidam vínculos que possibilitam buscar outras vias de ação. Assim, a problematização coletiva das questões deve nortear as práticas da equipe multidisciplinar (incluindo também os profissionais de nível médio e elementar) frente às diferentes demandas individualizadas ou institucionais, norteando novas relações com a família, com a escola e com outros grupos institucionais. Não se trata somente de conhecimentos e habilidades a dominar, ou seja, de competências específicas a desenvolver, mas, antes de tudo, de viabilizar um trabalho de equipe que possibilite uma metodologia de ação que permita ao grupo estabelecer metas, buscar novas informações, análises e soluções para as problemáticas permanentemente construídas (Núcleo de Estudos da Saúde do Adolescente, 1999, 2000). Alguns fatores ajudam na organização dessa metodologia:       - compreender a dimensão ampliada do conceito de saúde e o da origem multifatorial dos agravos à saúde;       - identificar as principais problemáticas de saúde na região, buscando informações sobre seus determinantes e agentes possíveis de saúde. Todos os trabalhos realizados com adolescentes precisam ter uma extensão do projeto aos familiares. A organização de grupos de discussão com famílias atingidas pelas problemáticas em análise favorece as trocas de experiência e a organização de redes solidárias que, em muitos casos, passam a recorrer aos especialistas apenas como suporte para as ações e não mais como intermediadores permanentes de relações;        -  considerar a diversidade sociocultural dos adolescentes
e de suas famílias no desenvolvimento das ações. Isso é conseguido muito mais facilmente pela organização de grupos de trabalho e discussão, abordando as diferentes questões atravessadas nas vidas dos jovens e focalizando os modos singulares de viver e lidar com as experiências;       -   criar mecanismos de capacitação continuada da equipe, visando ao aperfeiçoamento das práticas, favorecendo as trocas de experiências e conhecimentos entre serviços e regiões;    - desenvolver propostas para a formação de multiplicadores, ou seja, informar-se para informar, aprender a prevenir para ensinar a prevenção, abrindo espaço para a formação de novas redes. Essa é uma necessidade devido ao acúmulo de trabalho delegado aos serviços de saúde. Quando uma escola, por exemplo, faz solicitações pontuais, como atendimentos ou palestras, seria importante, a partir dessas demandas, constituir, com os educadores da região, uma formação operativa (oficinas, estágios, trabalhos coletivos teórico-práticos) que permita a multiplicação de agentes na consolidação de mecanismos propiciadores de saúde. Quando os profissionais do serviço não têm os recursos humanos e materiais para o desenvolvimento de ações multiplicadoras, é fundamental o estabelecimento de parcerias com secretarias municipais e estaduais, com organizações não-governamentais e grupos organizados como estratégias pertinentes para o desenvolvimento da ação;        - desenvolvimento de uma política de atendimento com critérios visíveis, estabelecidos coletivamente por todos os que
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fazem parte do processo;           - finalmente, o estabelecimento de processos avaliativos periódicos é de importância vital para a qualidade de vida nos próprios serviços. Questões como: O que vem funcionando como potencializador do trabalho articulado? O que faz com que muitos projetos fracassem? Quais as ressonâncias importantes dos diferentes projetos de ação no serviço e de intervenção em outras instituições? Nas experiências em curso em diversos serviços, tem sido por intermédio da construção de redes de multiplicadores– adolescentes, familiares, escolas e profissionais de diferentes qualificações e funções, o que mais vem constituindo uma solução para o acúmulo de trabalho e os agendamentos infindáveis de cuidados. O que pudemos verificar é que a mola propulsora dessas iniciativas está na fala, na socialização de informações, na circulação das ações e das emoções. A possibilidade do exercício permanente de práticas solidárias, na construção de parcerias, na saída do isolamento e da fragmentação intra e extra muros, possibilita a ampliação de recursos materiais e humanos para o enfrentamento das adversidades presentes na vida contemporânea. Para o trabalho com os adolescentes, nada mais
importante do que uma ação cuja base real é uma rede de ações integradas. A constituição de várias iniciativas cidadãs que pressupõem uma participação ativa politicamente, ou seja, que atuam na definição do sentido das práticas e não somente na execução de atividades, criando redes interpessoais e interorganizacionais, é o palco fecundo para a gênese, difusão e fortalecimento de novos valores.

Fonte:
https://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2008/01/adolescencia1.pdf

quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Terapia Estrutural de Minuchin

ESTRUTURA FAMILIAR
  • Conjunto invisível de exigências funcionais que organiza as maneiras pelas quais os membros da família interagem.
  • Quando essas transações se repetem estabelecem padrões de como, quando e com quem se relacionar, e esses padrões reforçam o sistema.
  • O sistema familiar diferencia e leva a cabo suas funções através dos subsistemas, sendo cada indivíduo um subsistema  dentro da família. 
  • Subsistemas são formados por geração, sexo, interesse ou por função.
  • Fronteiras de um subsistemas são as regras que definem quem participa e como.

OBJETO DE ESTUDO 


Minuchin foca na família nuclear e na estrutura do sistema familiar em análise, observando os seguintes aspectos:
  • as regras da família
  • como as regras são comunicadas entre os membros da família
  •  como os papéis estão definidos no sistema
  • relaciona as normas e os papéis no sistema.
As intervenções são centradas no problema do sistema. Quando o sistema está homeostático, ou seja, não há disposição dos membros para buscar elementos externos de mudança do sistema,  Minuchin intervém com maior ênfase no sistema.

ALIANÇA TERAPÊUTICA

Criada por Minuchin, ocorre quando o terapeuta se alia ao PI, problema identificado do sistema,  fazendo com que o PI se sinta a vontade, com apoio para falar.

CONCEITOS IMPORTANTES
  • Diagnóstico estrutural - leva em conta como essa pessoa se organiza.
  • Estrutura do sistema familiar: FRONTEIRAS;SUBSISTEMAS;SISTEMA DE REPRESSÃO E ESTRESSES.
1. FRONTEIRAS

São as regras que definem  QUEM PARTICIPA de cada subsistema e COMO PARTICIPA.

Determinam quem são os participantes de cada subsistema da família e garantem sua particularidade, possibilitando o funcionamento eficaz do sistema familiar.

Essas fronteiras estão entre um subsistema e outro, como uma linha tênue e invisível entre um subsistema e outro. 

Há três tipos de fronteiras:
  • Fronteiras nítidas - responsável pela construção das relações esclarecidas, onde as pessoas dizem sim ou não objetivamente. Nítida é uma família funcional, tem fronteira mas é acessível, flexível.
  • Fronteiras difusas - quando as relações são complexas e os papéis confusos. Não está clara a função de cada membro da família, havendo um excesso de preocupação e comunicação entre eles. Nesse caso, um subsistema invade outro subsistema. São famílias emaranhadas, sem limites, onde todos fazem tudo.
  • Fronteiras rígidas - as relações são distantes e as pessoas  não se conhecem bem. Excesso de limites. família desligada uns dos outros. Foco na regra e não no afeto.

2. SUBSISTEMAS

É a partir da identificação desses subsistemas que o psicólogo consegue identificar se o sistema está funcional ou não.

Exemplos: 
  • Relação entre pais e filhos, o papel de parentalidade é um subsistema.
  • Relação entre irmãos, o papel fraternal é um subsistema.
  • Relação entre marido e mulher, o papel conjugal é um subsistema.
Cada membro tem o seu subsistema. Analisa-se as conexões entre os membros da família para identificar os subsistemas, ou seja, analisa os papéis de cada um para identificá-lo no sistema.
Há famílias que não têm todos os 4 subsistemas: 
  • CONJUGAL - prevê uma reciprocidade, uma conexão, sempre juntos, apoio mútuo.Ocorre entre marido e mulher. Está disfuncional quando deixam de compactuar desses mesmos objetivos.
  • PARENTAL - proteção, limite,  intuição, nutrição (alimentação e abrigo) e socialização (relação com outras pessoas). Sempre ocorre do pai para o filho ou da mãe para o filhoEstá disfuncional quando os pais não conseguem prover esses objetivos.
  • FRATERNAL - Primeiro laboratório social, ter um irmão, com o qual aprende a competir e dividir. Ocorre entre irmãos. Está disfuncional quando os irmãos não conseguem resolver entre si, nada.
  • EXECUTIVO - pode ser composto por qualquer membro da família. Para identificá-lo é preciso observar: quem paga as contas; quem são os provedores da famíliaEsse subsistema interfere em todos os outros subsistemas da família.

3. SISTEMA DE REPRESSÃO

Refere-se ao que reprime a família; o que organiza a família num determinado formato; as orientações são a forma de repressão.  

Há duas formas de SISTEMA DE REPRESSÃO:
  • GENÉRICO - estabelecido pela sociedade, porém cada contexto tem sua própria regra, levando-se em consideração as questões culturais. É generalista, universal, traz expectativas que não são  expectativas daquela família.  Exemplo: é genérico que o pai queira que o filho seja protegido pelos pais.
  • IDIOSSINCRÁTICO - os papéis são eleitos pelos próprios membros do sistema, envolvendo expectativas mútuas dos indivíduos da família, onde os padrões permanecem automaticamente, como uma acomodação mútua dada a eficácia funcional, ou seja, o conjunto das expectativas são compartilhadas com o sistema familiar. Exemplo:  Quando uma mãe espera que um filho resolva um problema emocional dela, é idiossincrático.
4. ESTRESSE

O estresse acontece quando se atribui ao problema uma origem, quando se sabe que, na CIRCULARIDADE o problema está em todas as partes do sistema, não apresentando uma causa específica. Contudo, a família identifica o problema (PI)  entre os membros da família.

Há 4 tipos de estresses: 

1º Contato com uma força externa

Pode ocorrer um EVENTO EXTERNO  com algum dos membros do sistema, e este acaba levando essa força externa para dentro do sistema. Exemplo: um dos membros perde o emprego. Ao levar para casa a notícia da perda do emprego, estará levando aos demais o problema do desemprego.

2º  Força externa em contato com toda a família

Um deslizamento de terra(força externa) impactando sobre toda a família.

3º Estresse de ponto de transição

Estressores relacionados ao ciclo vital. A família está transitando  no contexto de vida: mortes, nascimento, casamento, faixa-etária, fase adulto, divórcio, etc.

4º Estresse por questões idiossincráticas

Questões idiossincráticas: exemplo um filho autista. O estressor é criado pelo próprio sistema, pois tem família que não tem problemas em ter um filho autista, e outras tem, como a não aceitação.


ACOMODAÇÃO NO PROCESSO TERAPÊUTICO

É o início de qualquer terapia na sistêmica, onde o cliente entra, senta e o psicólogo se sente convidado a entrar no sistema. A família entende que o psi é parte do sistema, ou seja, uma forma de aliança que o psi faz com a família. O psi só faz parte do sistema, como membro, quando a família fala uns com os outros como se estivesse em casa. Nem sempre esse entrosamento acontece na primeira sessão, e se por ventura, não acontecer, o psi fica impossibilitada de atendê-los, devendo encaminhar para outro profissional. O espaço terapêutico é um campo de diagnóstico. Nunca sente primeiro que a família. Deixe-os sentar antes e observe os locais onde sentam, se sentam junto a alguém, se sentam separados de alguém, podendo verificar onde estão as alianças e os conflitos.

Após a acomodação, o psi inicia as alianças. O psi se alia ao PI para que ele se sinta apoiado, e livre para falar, devolvendo o que o psi diz para o sistema, a fim de atiçar o conflito, ou seja, causando estresse. A aliança com o PI traz estressores a forra e tira todos os membros da acomodação.

Minuchin sugere iniciar a aliança pelo PI, e depois tira o estresse do PI e joga no sistema, já que pertence a todos os membros, passando a compartilhar do estresse.  Ele chamou isso de escalonamento do estresse, que é necessário porque a maioria das pessoas chegam no consultório com o PI definido.

As TROCAS DE PAPÉIS possibilitam que um veja o outro como ele é, e se perceber através do outro.
As METÁFORAS ajudam quando fazem sentido pra a família.


Aula do dia 25/10/2019

domingo, 22 de setembro de 2019

Escola Intergeracional de Bowen (1990,1991)



Murray Bowen (1913-1990) foi um psiquiatra americano e professor de psiquiatria na Universidade de Georgetown. Bowen estava entre os pioneiros da terapia familiar e um notável fundador da terapia sistêmica. A partir da década de 1950, ele desenvolveu uma teoria de sistemas da família.

Murray Bowen (1990,1991) criou a Teoria Boweniana, que fundamenta a Terapia Sistêmica.

TEORIA BOWENIANA
  • Seu objeto de estudo é a FAMÍLIA NUCLEAR, 
  • Recorre à FAMÍLIA DE ORIGEM como ferramenta para ajudar a reduzir a tensão familiar, ou seja, recorre ao HISTÓRICO GERACIONAL dessa família nuclear.
  • Primeiro, sempre olha o NÚCLEO FAMILIAR, depois recorre à FAMÍLIA DE ORIGEM.
  • Objetivo da Teoria: Identificar a DIFERENCIAÇÃO do indivíduo em relação à família, e é essa CAPACIDADE DE DIFERENCIAÇÃO que vai implicar na saúde mental do individuo.
ENTENDENDO  INDIFERENCIAÇÃO /DIFERENCIAÇÃO  

Massa Indiferenciada do Ego
  • Conceito central da Teoria de Bowen
  • Significa fusão ou aglutinação, quando o sentimento de pertença requer do indivíduo máxima renúncia de sua autonomia.
  • A criança ao nascer está totalmente indiferenciada (dependente) da família, e esta passará a vida construindo tentando se diferenciar (ganhar autonomia) desta, e é essa autonomia que vai fazê-la alcançar seu grau de diferenciação em relação à sua família de origem.
  • DIFERENCIAÇÃO - MAIS AUTONOMIA - INDIVIDUALIDADE
  • INDIFERENCIAÇÃO - MAIS DEPENDÊNCIA - PROXIMIDADE
No CONTEXTO FAMILIAR encontra-se três sentimentos: 
  • de pertença
  • de diferenciação
  • de individuação
Quanto mais acolhido o indivíduo no contexto familiar, maior a liberdade para buscar sua individualidade, subjetividade, singularidade, que implica na busca de sua INDEPENDÊNCIA EMOCIONAL: capacidade de PENSAR, AGIR e SENTIR por si só.

Há  dois TIPOS DE DIFERENCIAÇÃO:

DIFERENCIAÇÃO INTRAPSÍQUICA
  • Capacidade de separa PENSAMENTO de SENTIMENTO.
  • Pessoas pouco diferenciadasdificilmente fazem essa diferença, pois não conseguem pensar com objetividade.
  • Pessoas muito diferenciadasfacilmente distinguem pensamento de sentimento, pois conseguem pensar objetivamente.
DIFERENCIAÇÃO INTERPESSOAL
  • Diz respeito às pessoas com as quais nos relacionamos.
  • Pessoas madurastendem a aumentar o nível de diferenciação interpessoal.
  • Pessoas imaturas, tendem a diminuir o nível de diferenciação interpessoal.

PESSOAS REBELDES/ REATIVIDADE

Bowen chama de REAÇÃO as respostas dadas de forma IMPULSIVA. O ideal é que se consiga RESPONDER SEM REAGIR, conseguindo conter a própria REATIVIDADE diante do outro.
  • Pessoas rebeldes são altamente reativas e o self é pobremente desenvolvido. Tem seus valores e crenças formados em oposição aos pais, e acabam desenvolvendo um PSEUDO-SELF.
PADRÕES REATIVOS, segundo Bowen:
  1. CONDESCENDENTE- evitar sempre conflitos, procura acertar tudo, pseudo Self. No 2º quadrante. 
  2. REBELDE - Sempre do contra, opositor, sempre contraria uma figura de referência. Padrão reativo, rebelde. Não sabe o que quer, mas só sabe que quer contrariar. No 2º quadrante.
  3. ATACANTE - diante de situação de ansiedade, acaba atacando. Alto padrão reativo. Baixa autoestima. Diminui o outro para se sustentar ou ignora o outro me achando melhor que ele. No 1º quadrante.
  4. DESERTOR - Quando acha que não vai dar conta de um briga acaba fugindo, muda de assunto, deserta porque acha que não dá conta. 2º quadrante.
PSEUDO-SELF ocorre quando a pessoa vive em função desagradar para atender às expectativas dos outros, e pode se formar pelo pensamento grupal, influenciável. Ou quando constroem seus valores e crenças em oposição aos pais, não importando se fazem sentido para o indivíduo.

EU-SÓLIDO é contrário ao PSEUDO-SELF, onde as crenças e valores são consistentes. O indivíduo resiste a pensamentos grupais e não tenta influenciar nem mudar ninguém.


O GRAU DE INDEPENDÊNCIA EMOCIONAL 

Varia entre duas pessoas, e envolve o HISTÓRICO GERACIONAL, daí a necessidade de analisar os seguintes aspectos:
  1. O grau que os pais alcançaram em relação às suas famílias de origem.
  2. A relação dos pais com os filhos.
Quando emaranhado  nessas relações, a autonomia e a individuação varia de pessoa e fica preso ao campo emocional familiar.

PROCESSO DE PROJEÇÃO FAMILIAR  
  • Caracteriza-se pela transmissão da IMATURIDADE ou BAIXO GRAU DE DIFERENCIAÇÃO dos pais para com os filhos.
  • filho que é objeto de projeção dos pais, fica mais unido a eles, positiva ou negativamente,  apresentando menor grau de diferenciação do self.
  • TRANSMISSÃO MULTIGERACIONAL identifica o problema da pessoa como produto do relacionamento dos pais dela. Daí a necessidade de se analisar o histórico geracional do indivíduo.
Independência emocional bem diferenciada, a emotividade e a subjetividade não são influências fortes entre os pais, e entre eles e os filhos.
  • Baixa emotividade e pressãopermite ao filho, crescer PENSANDO, SENTINDO e AGINDO por SI MESMO.
  • Alta emotividade e pressãonão permite ao filho, crescer PENSANDO, SENTINDO e AGINDO por SI MESMO.
CORTE OU ROMPIMENTO EMOCIONAL 
  • Os membros familiares são "obrigados" a seguir os passos da família de origem, como uma exigência intransponível. 
  • Aquele que sai dessa regra, ou aquele que permanece na casa dos pais, estão da mesma forma ligados emocionalmente a eles.
CERCA DE BORRACHA DE BOWEN
  • Serve para manter os membros da família juntos. Na medida em que o indivíduo vai se diferenciando, não há rompimento com a família, porque o sentimento de pertença àquela família de origem se fortalece, junto com a conquista da autonomia.
ESCALAS DE DIFERENCIAÇÃO DO SELF
  • Instrumento para avaliar o GRAU VARIADO DE INDEPENDÊNCIA EMOCIONAL  do indivíduo, em relação à sua família.
  • A independência emocional do indivíduo dependerá de quanto seus pais são independentes emocionalmente em relação à suas famílias.
O PROCESSO DE DIFERENCIAÇÃO DO SELF mede o nível de diferenciação funcional ou relacional que é influenciável pela ANSIEDADE. Essa ansiedade é apenas usentimento do sistema, e não uma patologia do indivíduo, como se entende a ansiedade. 
  • ANSIEDADE BAIXA - pessoas menos reativas; pessoas mais responsivasmaior diferenciação do self.
  • ANSIEDADE ALTA -  pessoas mais reativas; pessoas menos responsivasmenor diferenciação dos self.
O  nível de DIFERENCIAÇÃO INTRAPSÍQUICA de Bowen, se reporta à sua ESCALA, que vai desde o mais baixo grau de diferenciação até o mais alto grau de diferenciação, considerado por ele impossível de se atingir. Essa escala mostra o quanto se distancia e se aproxima o indivíduo, da diferenciação. 

QUADRANTES DA ESCALA DE BOWEN

1º QUADRANTE ( Nível de diferenciação de 0 à 25)
  • pessoas sentimentais, extremamente reativas, dificuldade de manter relações duradouras, faz pouco uso da razão, submissas, comportamentos controversos. 
  • Pouco maduras emocionalmente, alta ansiedade, indiferenciadas de seu sistema familiar. Alta emotividade, não pensa, age ou sente por si só; dependentes emocionalmente. Pseudo-self. Indiferenciação do self (proximidade)
2º QUADRANTE (Nível de diferenciação entre 25-50)
  • Self pobremente definido, com alguma mas não expressiva, capacidade para diferenciar-se. Personalidades mutáveis, carentes de opiniões e convicções próprias. Falso eu. Sofre influências externas. Pessoas adaptáveis, sentem necessidade de aceitação, sempre havendo uma necessidade de referência.
  • Imaturas emocionalmente, alta ansiedade ainda e reativa, indiferenciadas de seu sistema familiar, principalmente em relação a uma figura que ele segue como exemplo, embora já apresente alguma capacidade de diferenciação. Alta emotividade, dependência emocional. Pseudo-self. Indiferenciação do self (proximidade).
3º QUADRANTE  (Nível de diferenciação entre 50-75)
  • Possui opinião bem definida. Desenvolvem sintomas físicos, emocionais e sociais severos, porém, momentâneos, já que se recuperam rápido (Resilientes). Enfrenta os problemas com mais calma, pouca ansiedade, equilíbrio, evitando crises. Possui a falsa impressão que sabem distinguir, ordenar as emoções quando pressionados.
  • Quando a pessoa chega nesse quadrante, ela tem alta terapêutica.
  • Maduras emocionalmente, baixa ansiedade, responsiva, diferenciadas de seus sistema familiar,individualidade. Eu-sólido. Independência emocional.
4º QUADRANTE (Nível de diferenciação entre 75-95)
  • Pessoas bem diferenciadas. Segue seus princípios, seguras, capaz de ouvir os outros, avaliar seus pontos de vista, modificar suas crenças. São surpreendidos por respostas emocionais frente às pressões.
  • Bowen acha impossível chegar nesse quadrante. Que nem Jesus teria chegado. Esse quadrante existe como inspiração para se chegar a ele.
O trabalho terapêutico de família, trabalha o indivíduo para alcançar maior capacidade de pensar, sentir e agir por si só, autonomamente, deixando de estar suscetível ao desequilíbrio, frente às situações tensas.
  • Quanto maior a consciência de si, maior autonomia, maior diferenciação.
  • Quanto menor a consciência de si, menor autonomia, menos diferenciação.
Fontes: Autoridade e autonomia em tempos líquidos: A teoria sistêmica na contemporaneidade.Nina Guimarães, 2014. Editora Rachel Kopit. Google Imagens

quinta-feira, 6 de junho de 2019

Política Nacional de Atenção Básica do Brasil



ANEXO A – POLÍTICA NACIONAL DE ATENÇÃO BÁSICA DISPOSIÇÕES GERAIS 1 DOS PRINCÍPIOS E DIRETRIZES GERAIS DA ATENÇÃO BÁSICA 

A atenção básica se caracteriza por um conjunto de ações de saúde, no âmbito individual e coletivo, que abrange a promoção e a proteção da saúde, a prevenção de agravos, o diagnóstico, o tratamento, a reabilitação, a redução de danos e a manutenção da saúde com o objetivo de desenvolver uma atenção integral que impacte na situação de saúde e autonomia das pessoas e nos determinantes e condicionantes de saúde das coletividades.

É desenvolvida por meio do exercício de práticas de cuidado e gestão, democráticas e participativas, sob forma de trabalho em equipe, dirigidas a populações de territórios definidos, pelas quais assume a responsabilidade sanitária, considerando a dinamicidade existente no território em que vivem essas populações. 

Utiliza tecnologias de cuidado complexas e variadas que devem auxiliar no manejo das demandas e necessidades de saúde de maior frequência e relevância em seu território, observando critérios de risco, vulnerabilidade, resiliência e o imperativo ético de que toda demanda, necessidade de saúde ou sofrimento devem ser acolhidos. É desenvolvida com o mais alto grau de descentralização e capilaridade, próxima da vida das pessoas. 

Deve ser o contato preferencial dos usuários, a principal porta de entrada e centro de comunicação da Rede de Atenção à Saúde. 

Orienta-se pelos princípios  da universalidade, da acessibilidade, do vínculo, da continuidade do cuidado, da integralidade da atenção, da responsabilização, da humanização, da equidade e da participação social. 

A atenção básica considera o sujeito em sua singularidade e inserção sociocultural, buscando produzir a atenção integral. A Atenção Básica tem como fundamentos e diretrizes:

I - Ter território adstrito sobre o mesmo, de forma a permitir o planejamento, a programação descentralizada e o desenvolvimento de ações setoriais e intersetoriais com impacto na situação, nos condicionantes e nos determinantes da saúde das coletividades que constituem aquele território, sempre em consonância com o princípio da equidade;

II - Possibilitar o acesso universal e contínuo a serviços de saúde de qualidade e resolutivos, caracterizados como a porta de entrada aberta e preferencial da rede de atenção, acolhendo os usuários e promovendo a vinculação e corresponsabilização pela atenção às suas necessidades de saúde.O estabelecimento de mecanismos que assegurem acessibilidade e acolhimento pressupõe uma lógica de organização e funcionamento do serviço de saúde que parte do princípio de que a unidade de saúde deva receber e ouvir todas as pessoas que procuram os seus serviços, de modo universal e sem diferenciações excludentes. O serviço de saúde deve se organizar para assumir sua função central de acolher, escutar e oferecer uma resposta positiva, capaz de resolver a grande maioria dos problemas de saúde da população e/ou de minorar danos e sofrimentos desta, ou ainda se responsabilizar pela resposta, ainda que esta seja ofertada em outros pontos de atenção da rede.  A proximidade e a capacidade de acolhimento, vinculação, responsabilização e resolutividade são fundamentais para a efetivação da atenção básica como contato e porta de entrada preferencial da rede de atenção; 

III - Adscrever os usuários e desenvolver relações de vínculo e responsabilização entre as equipes e a população adscrita, garantindo a continuidade das ações de saúde e a longitudinalidade do cuidado. A adscrição dos usuários é um processo de vinculação de pessoas e/ou famílias e grupos a profissionais/equipes, com o objetivo de ser referência para o seu cuidado. O vínculo, por sua vez, consiste na construção de relações de afetividade e confiança entre o usuário e o trabalhador da saúde, permitindo o aprofundamento do processo de corresponsabilização pela saúde, construído ao longo do tempo, além de carregar, em si, um potencial terapêutico. A longitudinalidade do cuidado pressupõe a continuidade da relação clínica, com construção de vínculo e responsabilização  vigilância à saúde, tratamento e reabilitação e manejo das diversas tecnologias de cuidado e de gestão necessárias a estes fins e à ampliação da autonomia dos usuários e coletividades; trabalhando de forma multiprofissional, interdisciplinar e em equipe; realizando a gestão do cuidado integral do usuário e coordenando-o no conjunto da rede de atenção. A presença de diferentes formações profissionais, assim como um alto grau de articulação entre os profissionais, é essencial, de forma que não só as ações sejam compartilhadas, mas também tenha lugar um processo interdisciplinar no qual progressivamente os núcleos de competência profissionais específicos vão enriquecendo o campo comum de competências, ampliando, assim, a capacidade de cuidado de toda a equipe. Essa organização pressupõe o deslocamento do processo de trabalho centrado em procedimentos, profissionais para um processo centrado no usuário, onde o cuidado do usuário é o imperativo ético-político que organiza a intervenção técnico-científica; e

IV - Coordenar a integralidade em seus vários aspectos, a saber: integrando as ações programáticas e demanda espontânea; articulando as ações de promoção à saúde, prevenção de agravos, vigilância à saúde, tratamento e reabilitação e manejo das diversas tecnologias de cuidado e de gestão necessárias a estes fins e à ampliação da autonomia dos usuários e coletividades; trabalhando de forma multiprofissional, interdisciplinar e em equipe; realizando a gestão do cuidado integral do usuário e coordenando-o no conjunto da rede de atenção. A presença de diferentes formações profissionais, assim como um alto grau de articulação entre os profissionais, é essencial, de forma que não só as ações sejam compartilhadas, mas também tenha lugar um processo interdisciplinar no qual progressivamente os núcleos de competência profissionais específicos vão enriquecendo o campo comum de competências, ampliando, assim, a capacidade de cuidado de toda a equipe. Essa organização pressupõe o deslocamento do processo de trabalho centrado em procedimentos, profissionais para um processo centrado no usuário, onde o cuidado do usuário é o imperativo ético-político que organiza a intervenção técnico-científica; 

 V - Estimular a participação dos usuários como forma de ampliar sua autonomia e capacidade na construção do cuidado à sua saúde e das pessoas e coletividades do território, no enfrentamento dos determinantes e condicionantes de saúde, na organização e orientação dos serviços de saúde a partir de lógicas mais centradas no usuário e no exercício do controle social. A Política Nacional de Atenção Básica considera os termos “atenção básica” e “Atenção Primária à Saúde”, nas atuais concepções, como termos equivalentes. Associa a ambos: os princípios e as diretrizes definidos neste documento. A Política Nacional de Atenção Básica tem na Saúde da Família sua estratégia prioritária para expansão e consolidação da atenção básica. A qualificação da Estratégia Saúde da Família e de outras estratégias de organização da atenção básica deverá seguir as diretrizes da atenção básica e do SUS, configurando um processo progressivo e singular que considera e inclui as especificidades locorregionais.