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domingo, 22 de setembro de 2019

Envelhecimento x Erik Erikson / Henri Wallon

Processo de envelhecimento na transição adulto/idoso.

Implicações dos processos cognitivos na passagem adulto-idoso:

  • Os processos cognitivos envolvem a inteligência e habilidades de processamento, e algumas dessas habilidades, a velocidade de processamento mental e o raciocínio abstrato podem declinar com a idade, pois estes podem refletir uma degeneração neurológica. Entretanto, o declínio dessas funções não é inevitável e pode ser prevenido. O impacto das alterações cognitivas é influenciado pelas habilidades cognitivas anteriores, NSE (Nível Sócio-Econômico) e nível Educacional (PAPALIA,2013), portanto,  as habilidades cognitivas do idoso, vão ser influenciadas pelas habilidades cognitivas, não só de sua fase adulta, mas desde a infância e adolescência. Verifica-se uma diferença, sobretudo, na velocidade de processamento e no desempenho não-verbal na transição do adulto para o idoso.
  • Um estudo sobre Inteligência Adulta foram medidas as 6 principais habilidades mentais: significados verbais, fluência verbal,números (habilidade computacional) , orientação espacial, raciocínio indutivo e velocidade perceptual. A velocidade perceptual declinou mais cedo, as outras funções foram declinando mais lentamente, e em alguns não houve declínio. Alguns possuem perdas rápidas de suas capacidades cognitivas, outros mais lentamente e outro até desenvolvem novas capacidades. Portanto, o treinamento cognitivo pode promover a retenção ou crescimento das habilidades cognitivas na transição adulto-idoso. A deterioração cognitiva pode estar relacionada ao desuso. Aqueles que recorrem a treinamento, prática e ajuda social parecem poder utilizar as reservas mentais, sendo capazes de manter o expandir tais reservas. 
Na terceira idade,  há uma diminuição geral na atividade do sistema nervoso central o que contribui para perdas de eficiência do processamento de informações e alterações nas habilidades cognitivas. Exemplos:
  • A velocidade de processamento, depende da saúde, equilíbrio e jeito de andar, além de desempenhos das atividades no dia a dia.
  • habilidades que tendem a se tornar mais lentas: facilidade de deslocar a atenção de uma tarefa para outra, dificultando por exemplo, dirigir.
  • Resolvem problemas práticos com mais eficácia quando estes têm relevância emocional para eles.
O treinamento e feedback podem ampliar as capacidades cognitivas no processo de envelhecimento e as vitaminas  B12 e D têm efeito facilitador em processos cognitivos, tais como: memória, velocidade de processamento e velocidade sensório-motora.
  • memória de curto prazo e memória de trabalho possuem suas capacidades diminuídas gradualmente com a idade. A memória pode ser melhorada pronunciando as palavras em voz alta ou mover os lábios sem emitir som.
  • memória sensorial, semântica e de procedimento parecem tão eficientes nos adultos como nos idoso-memoria de longo prazo.
  • Fala e memória:  adultos mais velhos têm um desempenho melhor na parte verbal.

Perdas e ganhos da terceira idade nas relações sócio-afetivas:

As relações sócio-afetivas se constituem desde as fases anteriores do desenvolvimento humano. Quando o indivíduo consegue manter essas relações com equilíbrio emocional, empatia, respeito, há uma perspectiva que essas relações permaneçam na terceira idade da mesma forma. Da mesma forma, quando o sujeito tem suas relações sócio-afetivas marcadas por conflitos constantes, desafetos, queixas, quando idoso, espera-se também, que essas relações permaneçam da mesma forma.  Há ganhos nas relações afetivas, quando se considera a experiência de vida, sabedoria, capacidade de lidar com os problemas, opinião formada, sensação de missão cumprida, etc. As perdas sócio-afetivas podem ser notadas nas relações de convivência social e familiar, quando o idoso já não é mais tão solicitado, nem tão engajado socialmente e nas relações familiares. A dificuldade de lidar com a possibilidade da morte, deixa-o emocionalmente fragilizado.

Breve resumo do que envolve o seu desenvolvimento adulto-idoso, na Teoria de Erikson.

As 8 idades do homem. Ao longo da vida enfrentamos conflitos psíquicos específicos que ajudam no desenvolvimento de nossa personalidade. Erik Erikson descreveu o desenvolvimento em 8 estágios, e cada estágio dele, traz o nome desses conflitos.

1-    CONFIANÇA X DESCONFIANÇA  (0 ao 1 ano de idade)

bebê terá experiências que o levará a confiar ou não, em sua mãe, e outras pessoas.
É preciso desenvolver tanto a confiança como a desconfiança.

2-    AUTONOMIA X VERGONHA  (2 ao 3 anos)

   O conflito psíquico importante onde a criança desmama por conta da maturação biológica. Aprende a se locomover e a controlar os esfíncteres. Processo gradual e liberação em relação a figura materna que proporciona a criança um sentimento progressivo de independência e autonomia. Quer fazer tudo sozinha e explorar o ambiente ao máximo, podem desenvolver a autonomia.

3-    INICIATIVA X CULPA  (3 aos 6 anos)

     Desenvolve sua identidade como menino ou menina, segundo Erikson. Nesse período a menina ou menino se identificara com seu progenitor do mesmo sexo, copiando aspectos do seu comportamento. A menina exibirá sua feminilidade e o menino sua masculinidade.  O menino tende a antagonizar  com o pai e a menina com a mãe. 

4-    DOMÍNIO X INFERIORIDADE  (7 aos 12 anos)

    Desenvolver habilidade dentro da escola e fora dela. Ler, escrever, calcular, aprender jogo, realizar atividades físicas, colecionar objetos, enfim, toda energia e motivação se referem ao desenvolvimento de competências.    As novas aprendizagens e ação sobre o mundo desenvolve na criança o sentimento de domínio.  Quando elas não são encorajadas a tomar parte nas atividades por outras pessoas, ou é  rejeitada, desenvolve o sentimento de inferioridade.

5-    IDENTIDADE X CONFUSÃO DE PAPÉIS. (12 aos 18 anos)

  Busca entender a si mesmo. Primeira crise de identidade. Na adolescência, ele abandonará algumas dessas características e fortalecerá outras, e  incansavelmente, tentará achar a si mesmo.   Raramente se identificam com os pais, não aceitam  intromissão, rejeitam seus valores. É um esforço de separar sua identidade da de seus pais.  O  adolescente tem uma grande necessidade de pertencer a um grupo social, formado por pessoas de
    sua idade.  Ser parte de tal grupo, ajuda o adolescente a encontrar sua identidade no contexto social. Ao conseguir definir sua identidade desenvolve o sentimento de coerência interna, se sentido uma pessoa integrada e única. Nem sempre o adolescente consegue alcançar essa tarefa, sofrendo a  chamada difusão de identidade quando ele não consegue encontrar a si mesmo.

É a partir do sexto estágio do desenvolvimento que Erikson trata do adulto até o idoso:

6-    INTIMIDADE X ISOLAMENTO  (18 aos 30 anos)

     O jovem-adulto tem interesse em fundir sua identidade com a de outras pessoas. Quer dizer entregar-se em relações de intimidade, as quais será fiel, se entregando a compromissos e sacrifícios. Está pronto para assumir uma relação sexual e afetiva duradoura. Pertencer inteiramente a um grupo religioso a um movimento político. Manter uma amizade profunda e sincera. Ele está pronto para doar-se, para sair de si mesmo sem medo de perder a própria identidade. Caso não tenha atingido essa condição de integridade do eu, terá dificuldade de envolver-se genuína  profundamente com outras pessoas, fugindo da intimidade, convivendo com uma profunda  sensação de isolamento e distanciamento.

7-    GENERATIVIDADE X AUTOABSORÇÃO      ( 30 aos 60 anos)
 
      O adulto interessa-se por criar, cuidar e orientar uma nova geração. É a generatividade.
     Erikson percebe que as pessoas maduras apresentam uma grande necessidade em se  sentirem  responsável por crianças e jovens. Aos se sentirem necessários, sentem-se estimulados. Quando não  ocorre, há um sentimento de estagnação e infecundidade.
     A generatividade pode se realizar pela procriação, mas também, pode se manifestar por atividades  relacionadas ao cuidado e a orientação da infância.

“- Eu penso que nesse estágio, que a ética, a ética madura, se torna possível. Porque agora você aprende a se tornar responsável pelo que está criando. Agora, eu evito o termo “criatividade”. Generatividade significa gerar, produzir algo. Com isso, me refiro a tudo que é gerador. Filhos, produtos, ideias, obas de arte. Com isso uma pessoa pode se realizar, mesmo não tendo sido reconhecida (EX: Picasso) , mesmo não tendo filhos já que generatividade também é ser útil a filhos dos outros, como fazem os professores por exemplo. Ou quando alguém se preocupa em gerar ideias. Não o fazer pode gerar frustrações, isso Freud sempre enfatizou.

8-     INTEGRIDADE DO EGO X DESESPERANÇA   ( 60 anos de idade, em diante)

    O adulto que tiver resolvido de forma satisfatória todos os conflitos dos estágios anteriores e desenvolvido a capacidade da solidariedade humana, terá condições psíquicas para lidar com a crise final ligada a desintegração e a morte. Aqueles que não tenham desenvolvido suficientemente a integração do ego, experimentarão sentimentos de desespero e que não há mais tempo para retornar  experimentar diferentes possibilidades da vida. A integridade do ego leva ao sentimento de união  com a humanidade, a sabedoria e a esperança. A falta de integridade do ego leva a desesperança e ao temor da morte.

Contribuições de Henri Wallon para a transição adulto-idoso:

HENRI WALLON ( 1879-1962) – Francês. Médico, Filósofo e Psicólogo. Se dedicou ao estudo da criança por acreditar que esse é o caminho para se compreender a origem dos processos psicológicos humanos.

AFETIVIDADE E INTELIGÊNCIA – TEORIA PSICOGENÉTICA

Estudou o desenvolvimento infantil a partir das dimensões cognitivas, afetivas e motora. Estudou o desenvolvimento de forma integral, recusando-se a estudar as partes isoladamente. Entretanto, não se estendeu até a idade adulta e idosa. Porém , do ponto de vista de sua Teoria Psicogenética, é do conflito dessas duas condições que emergem o pensamento e a inteligência. Logo conflitos e contradições não são problemas, mas fazem parte do desenvolvimento psíquico normal da criança. As crises muitas vezes são dinamizadoras do processo desenvolvimental, e portanto, benéficas. Nessa perspectiva, os adultos aprendem a lidar com conflitos e contradições, que demandam da vida adulta, fortalecendo as estruturas cognitivas já existentes de fases anteriores.

Para Wallon o desenvolvimento não se dá de forma linear, por isso ele rompe com visões lineares e positivas ao construir um modelo de investigação e interpretação próprio. Pois, percebe que o desenvolvimento humano é marcado por avanços, recuos e contradições; não há uma sucessão de estágios, mas sim, desenvolvimentos que ocorrem de forma simultânea, nas diferentes fases da vida, inclusive na transição adulto-idoso.

Afetividade, motricidade e inteligência.

A inteligência se desenvolve após a afetividade, contrariando outras teorias, sendo assim, no adulto e idoso as relações de afetividade já estão bem definidas. Assim, como afirma Wallon, a inteligência surge de dentro da afetividade e estabelece com ela certa relação de conflito, talvez seja por isso que nos interessamos em aprender as coisas que mais gostamos do que as que não gosta.

Afetividade estamos falando das coisas que nos afetam (ao olhar do outro, objeto, elementos internos como fome e lembranças) trata-se de eventos internos ou externos. É no contexto dessa interação emocional e social que se dá o desenvolvimento cognitivo da criança, e que são fortalecidos nas fases posteriores da vida.

 Wallon destaca a importância das atividades, motoras nesse processo, pois o bebe também expressa suas emotividades por gestos, expressões faciais. O ato motor é uma atividade expressiva que comunica os atos emocionais do bebe e ao mesmo tempo gera estados emocionais nos adultos. Esse aspecto do envelhecimento, a motricidade, pode ser afetada por diversos fatores no processo de envelhecimento.

Defende que o processo de evolução depende tanto da capacidade biológica do sujeito, quanto do ambiente que o afeta de alguma forma. É o meio que vai permitir que essas potencialidades se desenvolvam. Nesse contexto, das capacidades biológicas e do meio em que vive, o adulto e o idoso poderão reduzir ou expandir suas habilidades cognitivas no processo de envelhecimento.

Dentre as principais características dos 6 estágios de desenvolvimento infantil de Wallon, estão que, em cada um dos estágios a criança interage com seu ambiente de formas específicas enquanto busca construir sua própria identidade. Na idade adulta e idoso, onde a identidade do sujeito se encontra bem definida, a fase adulta irá dar o suporte para o estágio seguinte da fase idosa, já que cada estágio representa um tipo de preparação para o estágio seguinte mas revela a descontinuidade.  O desenvolvimento alterna fases de introspecção, voltar-se para si mesmo, e outras, de extroversão, nas quais o individuo se volta para o meio externo, em busca de autonomia.

domingo, 15 de setembro de 2019

Texto sobre Terceira Idade publicado na Revista Contexto & Saúde, Ijuí • v. 10 • n. 20 • Jan./Jun. 2011

  
INTRODUÇÃO
população idosa, a nível mundial, tem demonstrado crescimento expressivo nas últimas décadas, em virtude da expansão de sua expectativa de vida.

descoberta de novos  medicamentos possibilitou um amplo controle e tratamento eficiente de doenças infectocontagiosas e crônico-degenerativas, às  quais somadas às intervenções estratégicas modernas de diagnóstico e cirurgia proporcionaram uma elevação da vida média da população (ARAÚJO et al., 1999; HOFFMANN, 2002).

O avanço da expectativa de vida ocorreu originalmente em países desenvolvidos, porém, é nos países em desenvolvimento que tal processo tem ocorrido de forma mais maciça (COSTA; VERAS, 2003). O Brasil mesmo tendo iniciado seu processo de envelhecimento somente na década de 60, acompanha essa tendência mundial, com um envelhecimento rápido e intenso (CHAIMOWICZ, 1997).

dinâmica do envelhecimento da população mundial fez com que a ciência, os  pesquisadores e também a população buscassem formas para minimizar ou evitar os efeitos do envelhecimento, fato que proporcionou nos últimos anos um aumento de pesquisas voltadas para o envelhecimento humano, surgindo várias teorias com o propósito de explicar as causas desse fenômeno (BARROS NETO; MATSUDO; MATSUDO, 2000).

Dentre as inúmeras teorias que buscam apontar as causas do envelhecimento pode-se  destacar: a Teoria Genética, a Teoria Imunológica, a Teoria do Acúmulo de Danos, a Teoria das Mutações, a Teoria do Uso e Desgaste e a Teoria dos Radicais Livres (RLs), uma das teorias mais plausíveis até o momento. Essa teoria sustenta a ideia de que o envelhecimento celular normal seja desencadeado e acelerado pelos RLs, moléculas instáveis e reativas capazes de reagir com os constituintes do organismo em busca de uma maior estabilidade.
O presente estudo tem como objetivo a elaboração de uma revisão bibliográfica, abordando as principais teorias do envelhecimento humano, correlacionando com modificações que ocorrem no organismo.

PECULIARIDADES DO ENVELHECIMENTO

envelhecimento humano está sujeito a influências intrínsecas, como a constituição genética individual responsável pela longevidade máxima e os fatores extrínsecos condizentes às exposições ambientais a que o indivíduo sofreu (tipo de dieta, sedentarismo, poluição, entre outros), os quais proporcionam uma grande heterogenidade no envelhecimento. Além disso, o envelhecimento orgânico humano pode ser caracterizado como senescência, envelhecimento normal, ou como senilidade, envelhecimento patológico.A senescência é caracterizada como um processo fisiológico com transformações que ocorrem normalmente com o passar dos anos (sem distúrbios de conduta, amnésias, entre outros), enquanto que a senilidade significa a presença de doenças crônicas ou outras alterações que podem acometer a saúde do idoso (perda da capacidade de memorizar, prestar atenção, não conseguir se orientar, etc.) (BRINK, 2001; PAPALÉO NETTO, 2002).
Com o envelhecimento o ser humano sofre várias alterações marcantes, entre as quais pode-se citar: embranquecimento dos cabelos e calvíce (embora sejam características também vinculadas a aspectos étnicos, genéticos, sexuais e endócrinos); redução na estatura; aumento do diâmetro do crânio e aumento da amplitude do nariz e orelhas caracterizando a conformação facial do idoso. Também ocorre diminuição da espessura e perda da capacidade de sustentação da pele, o que leva ao surgimento de bolsas orbitais, enrugamento e aumento dos sulcos labiais; surgimento do arcus senilis (círculo branco em torno da córnea); alteração da cavidade bucal (perda da elasticidade da mucosa, queratinização e aumento da espessura do epitélio) com perda do paladar; desgaste dos dentes e modificação na língua que perde grande quantidade de suas papilas gustativas (BARROS NETO; MATSUDO; MATSUDO, 2000; BEATTIE; LOUIE, 2001; CARVALHO FILHO, 1996; FREITAS; MIRANDA; NERY, 2002).

O envelhecimento também ocasiona mudanças na composição corpórea com, geralmente, ganho de peso, devido ao aumento do tecido adiposo e redução de tecidos muscular e ósseo. A deposição do tecido adiposo ocorre em maior concentração no tronco e ao redor de vísceras como rins e coração (CARVALHO FILHO, 1996; FREITAS; MIRANDA;
NERY, 2002).

Segundo Cunha e Jeckel-Neto (2002), pode-se caracterizar o envelhecimento como uma das etapas sequenciais da vida, apresentando-se como um processo lento, progressivo e inevitável, caracterizado por diversas modificações morfológicas, funcionais, bioquímicas e psicológicas, que contribuem para o aumento da vulnerabilidade e incidência dos processos patológicos no organismo.

AS TEORIAS DO ENVELHECIMENTO

Atualmente várias teorias são propostas para explicar a origem do fenômeno do  envelhecimento, cada qual com um conjunto de conceitos, fatos e indicadores. Esta variedade de teorias provém dos vários pontos de controvérsia que surgem no momento de estabelecer os fatores envolvidas no processo do envelhecimento, bem como, do próprio entendimento desse fenômeno complexo, uma vez que muitas teorias formuladas apoiam-se somente numa alteração biológica isolada, sem considerar a noção de complexidade e integridade, condições que caracterizam o envelhecimento (CUNHA; JECKEL- NETO, 2002).

Teoria Genética defende a ideia de que o envelhecimento é resultado de alterações bioquímicas programadas pelo próprio genoma, o qual poderia regular a expectativa de vida por meio de diferentes genes, dessa forma, cada ser vivo apresentaria uma duração de vida estipulada pelo seu padrão genético, algo que tenta ser comprovado pela realização de várias pesquisas acerca da longevidade, somadas às constatações na prática clínica dos  envelhecimentos precoces (progeria infantil ou síndrome de Hutchinson-Gilford e progeria do adulto ou síndrome de Werner) doenças que estariam relacionados à deficiências de enzimas controlados por genes autossômicos recessivos (BORGONOVI; PAPALÉO NETTO, 1996; TORRES, 2002). Outro mecanismo genético considerado seria o encurtamento do telômero, estrutura localizada no final dos cromossomos de células eucarióticas, como fator determinante no desencadeamento do envelhecimento, uma vez que é responsável ela proteção dos cromossomos e replicação do DNA cromossomal (TORRES, 2002).
Segundo Cunha e Jeckel-Neto (2002), o encurtamento dos telômeros também traria como consequência perdas de informações genéticas e instabilidades genômicas no decorrer da vida. Contudo, a avaliação experimental desta teoria é lenta pelo fato da existência de grande número de variáveis e à limitação dos métodos experimentais.

O sistema imune é constituído por dois mecanismos: o celular, representado pelos Linfócitos T (células timo dependentes), responsáveis pela manutenção da estabilidade homeostática e vigilância imunológica do indivíduo; e o humoral representado pelas imunoglobulinas originárias dos Linfócitos B, e que permanecem aderidos à sua membrana (BORGONOVI;PAPALÉO NETTO, 1996).  A função imunológica decai com o avanço dos anos, motivo pelo qual a hipótese básica da teoria imunológica seja a de que a redução da eficácia do sistema imune, mantido pela interação entre linfócitos e macrófagos no organismo, ao longo dos anos tornaria as pessoas mais susceptíveis contra as agressões, provocando assim, o envelhecimento. Tal teoria postula que a diminuição da resposta imune estaria relacionada ao envelhecimento do timo, órgão central no desenvolvimento e diferenciação de Linfócitos T (CUNHA; JECKEL-NETO, 2002).

Um conhecimento mais abrangente acerca dos Linfócitos T auxiliaria na compreensão do envelhecimento, além da necessidade de haver mais pesquisas para a confirmação dessa teoria, uma vez que as alterações imunitárias podem ser conseqüências e não causas do envelhecimento (BORGONOVI; PAPALÉO NETTO, 1996).

Segundo a Teoria do Acúmulo de Danos ou também denominada Erro Catástrofe, a principal causa do envelhecimento seria o acúmulo de moléculas defeituosas provenientes de falhas no reparo e na síntese de moléculas intracelulares com o avanço da idade, o que repercutiria na perda progressiva da função do organismo. As falhas de reparo e síntese seriam oriundas de erros na transcrição do RNA e sua tradução em proteínas, gerando uma elevação na concentração de proteínas modificadas e não funcionais (TORRES, 2002).

Segundo Orgel (1963 apud BORGONOVI; PAPALÉO NETTO, 1996), o motivo pelo quais essas proteínas inativas surgem é devido a erros na síntese enzimática principalmente de polimerases, responsáveis pela síntese de RNA a partir da transcrição do DNA. Dessa forma, a transcrição de uma enzima modificada pode ocasionar elevação de uma ou mais bases  púricas ou pirimídicas do código genético, provocando a formação de sequências errôneas
de aminoácidos, que por sua vez leva a síntese de proteínas não funcionais.

Os erros sendo acumulativos e transmissíveis atingiriam uma elevada ocorrência, provocando o efeito chamado de erro catástrofe, onde a célula sofreria uma ineficiência letal,  ocasionando sua morte e por consequência, a redução da capacidade funcional, fato que caracterizaria o envelhecimento  (CUNHA; JECKEL-NETO, 2002).

Evidências em pesquisas contradizem a Teoria do Erro Catástrofe quanto a transcrição e tradução, pois nestes estudos esses dois processos relacionados à síntese de proteínas se mantiveram estáveis com o aumento da idade, além disso, outras pesquisas revelaram que a sequência de aminoácidos de inúmeras proteínas importantes ao organismo mantivera-se constantes ao longo dos anos (BORGONOVI; PAPALÉO NETTO, 1996), portanto, até hoje não há evidências suficientemente concretas que sustentem esta hipótese.

A Teoria das Mutações pressupõe que as sucessivas alterações que ocorrem nas células somáticas (46 cromossomos), ao transcorrer dos anos, produziriam células mutantes incapazes de cumprir suas funções biológicas, o que provocaria um declínio progressivo dos órgãos e tecidos, com instalação do envelhecimento (CUNHA; JECKEL-NETO, 2002). As mutações podem ter origem das transformações do mecanismo de reparo da molécula de DNA, sendo possível que sejam repassadas para as células filhas (BORGONOVI; PAPALÉO NETTO, 1996). Segundo Schimke e colaboradores (1986 apud BORGONOVI; PAPALÉO NETTO, 1996), as mutações são ocasionadas pela existência de inúmeras áreas de replicação do DNA no cromossomo, o que desencadeia um número alto de replicação de determinados segmentos do DNA e por consequência inúmeros rearranjos e mutações. Esse acúmulo de células heterogêneas durante os anos seria a explicação de doenças de fundo clonal como câncer e arteriosclerose. Várias informações acerca das mutações cromossômicas em células somáticas relacionadas à idade estão sendo difundidas, principalmente como respostas à radiação ou mutagênicos, porém analisando o envelhecimento como um processo uniforme, existem poucas pesquisas para a fundamentação dessa teoria (CUNHA; JECKEL-NETO, 2002).

A Teoria do Uso e Desgaste baseia-se na ideia de que o envelhecimento seja o resultado do acúmulo de agressões ambientais do dia-a-dia, as quais ocasionariam a diminuição da capacidade do organismo em recuperar-se totalmente. Onde, os ferimentos, infecções, inflamações e outras formas de agressões sejam eles, ferimentos ou patógenos, se somariam ao longo dos anos no indivíduo e dessa forma, as lesões ocasionadas provocariam alterações nas células, tecidos e órgãos desencadeando o envelhecimento (CUNHA; JECKEL-NETO, 2002).

Atualmente essa teoria encontra-se desacreditada, apesar de defender danos que são dependentes do tempo e podem aumentar a possibilidade de morte do indivíduo, sem, no entanto, atuarem como causadores do processo do envelhecimento. Além do que, pode-se considerar a Teoria do Uso e Desgaste  não como uma teoria, mas um aspecto relevante para auxiliar outras teorias no que diz respeito ao desgaste de um órgão ou área do Organismo relacionando- o com a idade, sem se transformar em um fato causal do envelhecimento (CUNHA; JECKEL- NETO, 2002).

A Teoria dos RLs foi introduzida pela primeira vez em 1956 pelo médico norte-americano Denham Harman e adquirindo somente a partir da década de 80, maior importância no meio científico quando inúmeros trabalhos foram desenvolvidos em relação aos RLs e suas conseqüências ao organismo. Esta teoria propunha que o envelhecimento normal seria resultado de danos intracelulares aleatórios provocados pelos RLs, moléculas instáveis e reativas, que atacariam as diferentes biomoléculas do organismo em busca de estabilidade (OLSZEWER, 1994; TORRES, 2002). Esta teoria vem recebendo uma atenção especial de diversos estudiosos e pesquisadores do assunto, em virtude de seus efeitos sobre o metabolismo explicarem os processos de envelhecimento, assim como as doenças relacionadas (LANE, 2003). Os RLs são espécies químicas que podem ser átomos, moléculas ou fragmentos de moléculas (OLIVEIRA, 2002). São espécies químicas contendo um ou mais elétrons não pareados no orbital externo da camada de valência (a última camada de elétrons) sendo mais reativos que as espécies com elétrons pareados. Devido a sua alta reatividade os RLs, buscam, rapidamente, extrair um elétron de qualquer partícula, molécula ou átomo em sua vizinhança, a fim de recuperar a pariedade, e em decorrência, a estabilidade (ABDALLA; LIMA, 2001; DUARTE,2003; LEITE; OLIVEIRA, 2002; SARNI, 2003). Os RLs podem ser eletricamente neutros, terem carga positiva ou negativa (LEITE; SARNI, 2003). Essas espécies químicas incluem as espécies reativas do oxigênio (EROS) e as espécies reativas de nitrogênio (ERNS). As EROS são representadas por todos os radicais do oxigênio, como o ânion radical superóxido (O2 .), radical hidroxila (HO.), radical alquila (L.), alcoxila (LO.) e peroxila (LOO.). Enquanto que as ERNS são representadas pelo peroxinitrito (ONOO-), o óxido nítrico (.NO) e o radical dióxido de nitrogênio (.NO2). No entanto, o ânion peroxinitrito (ONOO-), o ácido hipocloroso (HOCl), o peróxido de hidrogênio (H2O2), o oxigênio singlet (1O2) e o ozônio (O3) não são RLs mas podem provocar reações radicalares no organismo, fato que os levam a serem considerados como espécies reativas (ABDALLA; LIMA, 2001). A formação de RLs pode ocorrer tanto no citoplasma, nas mitocôndrias como na membrana celular (MOREIRA; SHAMI, 2004), e em diferentes situações metabólicas, como por exemplo, na cadeia transportadora de elétrons, na peroxidação lipídica, nos processos NADPH – oxidase dos fagócitos e xantina desidrogenase/oxidase da isquemia/ reperfusão (TORRES, 2002; OLIVEIRA, 1999), como também, na via das Reações de Fenton e Haber-Weiss (FERREIRA; MATSUBARA, 1997). Em contrapartida, as fontes exógenas de RLs são representadas pelas radiações gama e ultravioleta, os medicamentos, as bebidas alcoólicas, a dieta, o cigarro e os poluentes ambientais (BUCHLI, 2002; MOREIRA; SHAMI, 2004). Os RLs são oriundos em grande parte da respiração  celular, que ocorre no interior da mitocôndria na presença de oxigênio, o qual sofre um desvio em seu metabolismo normal, recebendo um elétron extra o que lhe confere atividade e capacidade para induzir a formação dos demais RLs, demonstrando que a mitocôndria seria o principal constituinte do organismo responsável pelo envelhecimento (ALI; ASHOK, 1999; BALU et al., 2003; BENETT Jr.; CASSARINO, 1999). Paralelamente o organismo desenvolveu mecanismos de proteção antioxidante que são formados por um sistema endógeno enzimático e um sistema exógeno não enzimático. Ambos os sistemas são os responsáveis pela manutenção do equilíbrio entre a produção e neutralização dos RLs, contudo, quando esse equilíbrio é alterado, tem-se uma situação metabólica denominada estresse oxidativo (MATTAR, 2000; OLSZEWER, 1994). Com o estresse oxidativo, a elevada produção dos RLs e sua grande capacidade reativa ocasionariam não somente reações com os componentes nucleares e citoplasmáticos das células (principalmente DNA e RNA) com diminuição de suas funções, como também, reações com proteínas, lipídios, enzimas, colágenos e hormônios induzindo modificações orgânicas que justificariam o envelhecimento (BORGONOVI; PAPALÉO NETTO, 1996). Portanto, o envelhecimento seria um fenômeno secundário ao estresse oxidativo, em que ocorrem reações de oxidação lipídica, protéica e reações com o DNA o que provocaria modificações dos tecidos e código genético, e por conseqüência ocasionariam as deficiências fisiológicas características do avançar da idade e provenientes desses danos intracelulares provocados pelos RLs (ALMADA FILHO, 2002; FERREIRA; MATSUBARA, 1997).

Segundo Cunha e Jeckel-Neto (2002), os danos estariam relacionados ao tipo de radical presente, sua taxa de produção, a integridade estrutural das células e aos diferentes sistemas antioxidantes do organismo. Segundo Capote et al. (2000), várias pesquisas científicas evidenciam que as EROs geradas na mitocôndria podem produzir danos em sua membrana interna, nos constituintes de sua cadeia respiratória, além de afetar o DNA mitocondrial. Portanto, os danos cumulativos do oxigênio sobre a mitocôndria (lesões no DNA mitocondrial e declínio nas atividades dos transportadores de elétrons), seriam os responsáveis pela diminuição no desempenho fisiológico das células e pelo envelhecimento, hipótese sustentada pela Teoria dos RLs (CUNHA; JECKEL- NETO, 2002). Segundo Almada Filho (2002), diversos estudos documentaram a presença do estresse oxidativo sistêmico no envelhecimento e em doenças relacionadas. Diversos procedimentos experimentais foram e estão sendo realizados com o intuito de comprovar a relação real dos RLs com o envelhecimento, mas o que se constata é um grande número de contradições
acerca dos resultados das pesquisas, o que evidencia a necessidade de maiores estudos sobre os danos moleculares ocasionados pelos RLs no organismo e o modo como estes,  contribuem para o processo do envelhecimento (ALI; ASHOK, 1999). Portanto, o envelhecimento do organismo é um processo complexo, onde os danos provocados pelos RLs são possivelmente expressivos, mas, contudo, não sejam os únicos mecanismos envolvidos no declínio fisiológico. Uma conclusão absoluta a cerca do tema torna-se difícil, uma vez que essas espécies reativas apresentam meia-vida extremamente curta, dificultando sua mensuração in vivo, além disso, apesar dos RLs poderem deixar resquícios de sua atividade e produtos de seu metabolismo não necessariamente comprova que estes sejam os fatores causais do envelhecimento. A dificuldade se encontra em estabelecer se os RLs são a causa do envelhecimento ou simplesmente ocorrem durante o processo de envelhecimento. Apesar disso, a tarefa de desvendar tais questionamentos é importante, pois conhecendo as causas do envelhecimento e sua base molecular permitirá desenvolver meios efetivos para reduzir as perdas orgânicas associadas ao envelhecimento e a muitas doenças associadas (OLSZWER, 1994; WICKENS, 2001).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O envelhecimento é um fenômeno complexo que envolve inúmeros fatores, o que consequentemente, provoca a elaboração de várias hipóteses e teorias voltadas para explicar esse processo. Pela variedade de teorias fica evidente a falta de um consenso sobre os conceitos básicos que poderiam explicar o fenômeno biológico do envelhecimento, apesar de ser um processo palpável e visível.  Dentre as várias teorias do envelhecimento, nos últimas décadas, tem-se dado maior atenção à Teoria dos RLs, isto é, sobre a atuação destas espécies reativas e seus efeitos nocivos no organismo, enfocando principalmente a ação destes, no envelhecimento. De acordo com esta teoria, o comprometimento fisiológico desencadeado com o passar dos anos, seria em sua grande maioria oriundos da ação dos RLs sobre os constituintes orgânicos, em detrimento a uma menor atividade do sistema antioxidante. Tendo como base esses argumentos, pode-se considerar a Teoria dos RLs, viável e plausível, uma vez que, estudos comprovam a existência real dessas espécies no organismo e a sua atuação. Possivelmente a ação dos RLs, apesar de apresentar efeitos marcantes sobre o organismo, explique parte do fenômeno biológico do envelhecimento, somando-se às outras teorias, para que juntas, possam formar uma  teoria fundamental que esclareça, defina e interprete todas as modificações que ocorrem ao longo da vida e que repercutem no envelhecimento. Para isso, ainda será necessário uma série de pesquisas, para que se obtenha um amplo esclarecimento sobre esse processo instigante, chamado envelhecimento.

REFERÊNCIAS
ABDALLA, D. S. P.; LIMA, E. S. Peroxidação Lipídica: mecanismos e avaliação em amostras biológicas. Revista Brasileira de Ciências Farmacêuticas,
São Paulo, v. 37, n. 3, set./dez. 2001.
ALI, R.; ASHOK, B. T. The aging paradox: free radical theory of aging. Experimental Gerontology, Elmford, v. 34, n. 3, p. 293-303, jun. 1999.
ALMADA FILHO, C. de M. Antioxidantes e Radicais Livres. In: CANÇADO, F. A. X.; FREITAS, E. V.; GORZONI, M. L.; PY, L.; NERI, A. L. Tratado de Geriatria e Gerontologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002. p. 744-748.
ARAÚJO, G. S. de; BAPTISTA, C. A.; BORGES, S. F.; CARVALHO, T.; DRUMMOND, F. A.; FREITAS, E. V.; HERNANDEZ, A. J.; LAZZOLI, J. K.; LEITE, N.; LEITÃO, M.; NAHAS, R. M.; NÓBREGA, A. C. L.; OLIVEIRA, M. A. B.; PEREIRA, J.; PINTO, M.; RADOMINSKI, R. B.; ROSE, E. H.; TEIXEIRA, J. A. C.; THIELE,
E. S. Posicionamento Oficial da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte e da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia: Atividade Física e Saúde no Idoso. Revista Medicina do Esporte, São Paulo, v. 5, n. 6, nov./dez. 1999. , nov. 2001.

sábado, 24 de agosto de 2019

CONCEPÇÃO DO ENVELHECIMENTO


Segundo Fontaine (1999/2000), envelhecer implica num conjunto de processos dinâmicos que ocorre no organismo, após  sua fase de desenvolvimento e que se relacionam com mudanças de ordem psicológicas e sociais, no decorrer do tempo. Portanto, o ser humano envelhece de forma lenta e gradual, conforme o tempo vai passando.  Se caracteriza por  mudanças adaptativas e sofre influências de determinados contextos sociais.

Embora a OMS considere idosa a pessoa acima de 65 anos de idade, o autor considera que o processo de envelhecimento deveria ser visto diferencialmente, já que cada indivíduo envelhece de uma forma muito particular, devido a uma combinação de fatores genéticos, o estilo de vida, a dimensão biológica, etc., que envolve sua vida.

Fontainne (1999/2000), considera tipos diferentes de idade, tais como:

  • Idade cronológica -mede o tempo desde o nascimento até o presente. Não informa sobre o estado de evolução do sujeito.
  • Idade Biológica - diz respeito ao envelhecimento orgânico, e o estado funcional dos órgãos e das funções vitais.
  • Idade Psicológica - dada em função da personalidade e as emoções do sujeito, capacidades comportamentais que possui na interação com o meio, incluindo as capacidades mnêmicas e intelectuais, motivações e autoestima a nível de autonomia e controle.
  • Idade Social - papéis, estatutos e hábitos do indivíduo na sociedade.
O envelhecimento é multidimensional, e muitas vezes, é descrito à partir de uma conotação negativa, quando se fala em:
  • perda gradativa das funções biológicas
  • aumento da probabilidade de morte
  • associação de velhice à doenças
  • se reflete no comportamento
  • se reflete na habilidade intelectual
  • se reflete na atividade física
  • se reflete nas interações sociais.


Segundo Reis (1995) esta redução progressiva do metabolismo inicia-se a partir da década dos 20 anos e vai declinando lenta e progressivamente ao longo de toda a vida.

ENVELHECIMENTO BIOLÓGICO
  • altera as funções biológicas, influenciando na saúde (funcionamento físico, cognitivo, psicológico e social)
  • perde a capacidade de manutenção do equilíbrio homeostático
  • declínio das funções fisiológicas
  • reduz o metabolismo
Muitas Teorias do Envelhecimento foram construídas na tentativa de explicar como se dá o envelhecimento. Entretanto, segundo Botelho (2000), apesar das diferenças existentes entre as diversas teorias, percebe-se que o declínio do funcionamento biológico é inevitável, e nunca se deve esquecer que o decréscimo funcional é diferente na própria pessoa e de indivíduo para indivíduo, vários órgãos e sistemas poderão refletir alterações subjacentes a um estado de diminuição das reservas homeostáticas do organismo.

ENVELHECIMENTO COGNITIVO

Aptidões cognitivas implicam em:
  • capacidade de planejamento
  • atenção e vigilância
  • funções minêmicas
  • funções intelectuais
  • funções sensório-motores
De acordo com Reis (1995) essas funções alcançam sua melhor performance entre 20 e 30 anos de idade, ficam estáveis até a década de 50, quando começam a declinar lentamente.  Muito dessas perdas cognitivas estão associadas à falta de uso e estímulos, daí a necessidade de fazê-lo.

Segundo Spar&La Rue(2002/2005) as variáveis que influenciam o grau de alteração cognitiva que as pessoas manifestam com a idade:
  • Fatores Genéticos
  • saúde
  • nível de instrução
  • atividade mental
  • atividade física
  • personalidade
  • humor
Consideram que a  INTELIGÊNCIA  tende a se manter estável durante a vida, embora se verifique declínio nas tarefas perceptivo-motoras. Esta pode se apresentar de duas formas:
  • Inteligência cristalizada - relaciona-se com a cultura, vocabulário, competências numéricas e fluidez verbal.
"atividades associadas à profundidade do saber e da experiência, do julgamento, da compreensão das relações sociais e das convenções" (Fontaine, 1999/2000, pp. 85-86)
  • Inteligência Fluida - relaciona-se com capacidades de natureza espacial e de raciocínio indutivo 
"prende-se com uma aptidão universal independente dos contextos socioculturais e da aprendizagem prévia"(Fontaine, 1999/2000).

CAPACIDADE DE MEMÓRIA

No idoso é mais acentuado o esquecimento, portando, todos os componentes das memórias são afetadas pelo envelhecimento:
  • "memória imediata (onde se inclui a memória de trabalho) é possível dizer que o envelhecimento parece estar associado a um ligeiro declínio destas aptidões mnésicas" (Spar & La Rue, 2002/2005). 
  • memória remota diz respeito a informações armazenadas e consolidadas há bastante tempo e aparenta manter-se conservada independentemente da idade (Fontainc, 1999/2000; Vaz Serra, 2006).
Importante salientar que a capacidade de se comunicar permanece estável ao longo da vida, embora possam apresentar maior dificuldade de compreensão de mensagens longas ou complexas, além de esquecer nomes. Continuam com  a mesma capacidade de manutenção da atenção, e com o declínio das funções executivas, compromete comportamentos complexos.

PERSPECTIVA PSICOLÓGICA DO ENVELHECIMENTO

Envolve os seguintes fenômenos:
  • reações emocionais
  • personalidade
  • controle
  • autoconceito
  • estilo de coping (competir em pé de igualdade, superando dificuldades)
ALTERAÇÕES AFETIVAS RELACIONADAS COM O ENVELHECIMENTO

INCONTINÊNCIA EMOCIONAL - produz intensas reações afetivas e incapacidade de controle. Essa instabilidade emocional diz respeito a súbitas mudanças emocionais.(Ballone,2004)

FORMA DE LIDAR COM DIFICULDADES -envelhecer exige reordenamento de prioridades pessoais, mudança de estilos de coping. 

Tipos de coping que mantém no idoso o sentimento de autoeficácia e controle de sua vida, segundo Paul (2006):

COPING ASSIMILATIVO - "finalidade de diminuir as perdas através de esforços compensatórios, ou seja, os indivíduos procuram transformar uma situação menos positiva, numa situação mais adequada aos seus objetivos".

COPING ACOMODATIVO - " diminuem o nível de aspirações de desempenho pessoal, adaptando os novos objetivo às suas limitações."

Outro aspecto que aparentemente se mantém constante é o AUTOCONCEITO, a concepção que a pessoa tem de si mesma.

DEPRESSÃO no idoso é comum em função da tendência em se centrar muito no seu passado, acaba sentindo angústia em relação ao presente, e medo em relação ao futuro. Esta pode ser ampliar a incapacidade do sujeito, quando associada a perturbações de foro físico e cognitivo.

DIMENSÃO PSICOLÓGICA DO ENVELHECIMENTO (NERI)

Perspectiva do Ciclo de Vida: que adota o critério de estágios como principio organizador do desenvolvimento, estando nos estágios mais avançados contidos os anteriores, pressupondo uma coordenação entre o desenvolvimento individual e a história das instituições sociais. 

ENVELHECIMENTO SOCIAL se dá a partir das relações interpessoais ( famílias, trabalho, amigos, etc), que vai impactar em alterações em diversos níveis do desenvolvimento. O idoso além de passar pela mudança de papéis também acaba perdendo outros, em função da idade.

"A qualidade de vida, o bem-estar subjetivo e a satisfação de viver dependem, então, da manutenção das relações sociais e da prática de atividades produtivas (Fontaine, 1999/2000). Várias investigações realizadas concluíram que o isolamento é um fator de risco para a saúde e, por consequência, os apoios sociais de natureza emocional ou instrumental podem ser uma mais valia para a manutenção do equilíbrio psicossocial do indivíduo (Fontaine, 1999/2000)."

Embora os idosos tenham poucas relações interpessoais no âmbito das redes sociais, quando comparados a pessoas mais jovens, atribuem maior valor a família, aos amigos de longa data.

"Na realidade, os sentimentos de felicidade e de bem-estar subjetivo não se degradam com a idade e os idosos têm tanta satisfação em viver como os jovens (Fontaine, 1999/2000). O idoso saudável revela-se uma pessoa ativa e envolvida nos seus interesses que, neste sentido, pouco se diferencia do adulto de meia-idade, podendo o envelhecimento transformar-se numa época em que se descobrem novos aspectos da vida e em que os acontecimentos são analisados numa perspectiva diferente e mais equilibrada (Vaz Serra, 2006)."