sábado, 20 de fevereiro de 2021

Psicologia Jurídica no Brasil

  • Já era praticada antes da regulamentação da Psicologia enquanto profissão.
  • Teve início na década de 1960
  • Área de especialidade da Psicologia.
  • Tem como objeto de estudo os comportamentos complexos de interesse jurídico compreendendo suas atividades nos tribunais e fora deles, dando suporte ao Direito (PUTHIN, 2018)
ATUAÇÃO DOS PSICÓLOGOS NA ÁREA CRIMINAL
  • Os primeiros trabalhos do psicólogo na área jurídica ocorreram na área criminal, como perito indicado para a realização dos diagnósticos psicológicos ( LAGO, 2009).
  • De acordo com Lago (2009) é importante ressaltar que no Sistema Penitenciário Brasileiro ocorre o trabalho do Psicólogo há mais de 40 anos, porém, somente com a promulgação da Lei de Execução Penal que o psicólogo passou a ser reconhecido legalmente pelas Instituições Penitenciárias.
ATUAÇÃO DOS PSICÓLOGOS NA ÁREA CÍVIL
  •  Poder Judiciário
  •  Teve início na década de 1980, como estagiário ou voluntário.
  •  Atuação  junto ao Juizado de Menores na área do Direito da Infância e do adolescente.
  • acompanharam a criação do Estatuto da Criança e do Adolescente ( ECA) e como consequência de algumas diretrizes preconizadas neste Estatuto, o atendimento à criança e ao adolescente foi reestruturado nos termos legais, face às entidades que abrigavam os menores culminando na extinção da conhecida Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (FEBEM)( PUTHIN, 2018)

A Psicologia Jurídica como um campo de atuação do psicólogo tem-se feito presente nas diversas instituições do direito, tais como (ROEHRIG et al, 2007):

● Sistema penitenciário;
● Varas de Família Varas da Infância e da Juventude;
● Juizados Especiais (Cível e Criminal);
● Varas de Penas Alternativas;
● Varas Cíveis em geral.

Áreas de atuação do psicólogo jurídico:
  • Psicologia e Direito - Interdisciplinaridade
  • Têm um objeto comum: a conduta humana
  • Estudo da personalidade e da conduta humana, quando o sujeito infringe  a lei.
CFP - Conselho Federal de Psicologia
  • Regulamenta o título de especialista em psicologia jurídica.
  • Promove concurso na área.
  • Pós graduações em outras instituições, reconhecido pelo MEC.

REFERÊNCIAS
LAGO, V de M. et al. Um breve histórico da Psicologia Jurídica no Brasil e seus campos de atuação. Estudos de Psicologia, Campinas, v. 26, nº4, p 483-491, out/dez 2009.
PUTHIN, S. R. et al. Psicologia Jurídica. Porto Alegre: SAFAH, 2018. RECURSO ONLINE.
ROEHRIG, L. D. et al. Caderno de psicologia jurídica. Curitiba: Unificado, 2007.

Fenomenologia e Gestalt-terapia

Nenhuma corrente filosófica possui originalidade plena, já que todo pensamento começa a partir dos que antecederam ao movimento ou assunto. Um filósofo se torna importante a partir da perspectiva nova que apresenta, envolvendo método, ideias, teorias, etc.

EDMUND HUSSERL 

  • Nascido em 08/04/1859, em Prosnitz, cidade da Morávia, atualmente República Tcheca.
  • De família judia
  • Estudou astronomia em Leipzig  e matemática em Berlim e Viena.
  • A obra de Husserl revolucionou todo o pensamentos das ciências humanas no século XX e da filosofia até a contemporaneidade.
  • Encantado com as ideias de Brentano, buscou a fundamentação das ciências colocando em questão seus pressupostos, objetos de estudo e metodologias, mostrando que não se podia pensar em um único método já que haviam várias ciências e não, apenas uma. Ao variar o objeto de ciência para ciência, varia-se inevitavelmente, o método e a metodologia.
  • Pretendia demonstrar que as ciências humanas não podiam ser medidas pelo rigor das ciências naturais, sendo ineficiente para explicar as ciências do espírito e ineficaz quando se trata de vivência humana.
  • Baseado nisso, o Psicólogo não pode se basear pelas leis da lógica.
  • Afirmou que:
    •  à ciência caberiam a objetividades, a substancialidade e a exterioridade. 
    • à filosofia e à psicologia caberia a subjetividade e a interioridade.
A REDUÇÃO FENOMENOLÓGICA OU EPOCHÉ

  • Procurou a redução eidética e fenomenológica de chegar a um EU e a um Objeto puros em suas propriedades essenciais, retirando todas as qualidades circunstanciais ou acidentais com o fim de fundar uma nova teoria do conhecimento de modo sólido e inquestionável.
  • Consiste em pôr entre parêntese a realidade do senso comum. É preciso captar a "essência" ou o sentido das coisas, dando à intuição o qualificativo de eidética, ou seja, "visão das essências".
  • Husserl descobre que as qualidades circunstanciais ou acidentais são fundamentais, que não há objeto sem elas, que não há Eu sem o mundo nem mundo sem o Eu.
  • O modo de chegar "às coisas mesmas" prescinde de especulações, hipóteses e leis gerais para entrar em contato com a especificidade, a originalidade e a singularidade de cada fenômeno que se mostra.
    • FENOMENOLOGIA 
      • Consiste no estudo dos fenômenos, isto é, daquilo que é dado à consciência, onde se prende tudo que é conhecido.
      • Husserl vê a consciência como uma síntese em fluxo que não tem nenhuma substancialidade, sendo mais uma dinâmica entre o sujeito e objeto, onde todo ser recebe seu sentido e valor.
      • Nada tem valor se não tiver sentido para o sujeito, relação conhecedor e objeto que abrange variadas formas de apreensão do mundo, como: razão, pensamento, intuição, sensibilidade ,etc.
      • Pretende explorar esses dados intuitivos - relação pré-reflexiva - evitando estabelecer qualquer hipótese a seu respeito.
      • Tem a noção de recomeço, como retorno à coisas mesmas.
      "Toda e qualquer ciência deverá ser precedida de uma análise fenomenológica visando estabelecer a essência do objeto de seu estudo antes de formular hipóteses ou leis."
      • A perspectiva fenomenológica constata o caráter intencional da consciência.
      • Ocorre a superação da dicotomia sujeito-objeto - a velha questão da teoria do conhecimento - já que fora da correlação consciência-objeto não existiria nem um nem outro, cujos polos dessa correlação são:
        • NOESIS - ato da consciência visando o objeto
        • NOEMA - objeto visado pela consciência.
      • Outros meios da consciência se dirigir aos objetos, além da intuição e percepção são: imaginação, memória, sentimentos, sonho.
      • Concebe o homem como o ser do mundo, sendo a consciência também do mundo.
      • Toda consciência é absoluta, havendo somente exterioridades. 
      • Considera o Introspeccionismo uma especulação impossível. Para ele todo objeto é imanente à consciência, inclusive a transcendência.
      A fenomenologia elucida não o mundo e a realidade tomados em si mesmo, mas as relações vividas e efetivas que se estabelecem entre o homem e o mundo.

        • para que se faça fenomenologia é preciso suspender todo e qualquer posicionamento ontológico e toda "realidade empírica", onde tudo que for aparente, óbvio e preconcebido é colocado em questão.

        REFERÊNCIAS:
        Gestalt-terapia - fundamentos epistemológicos e influências filosóficas.
        Lilian Meyer Frazão e Karina Okajima Fukumitsu (orgs.)





        segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

        Palestra: Jung de férias. As viagens de Bollingen. Ana Maria Galrão Rios - Instituto Freedom

                                                                    

           1ª Palestra do Ciclo: 

        "JUNG DE FÉRIAS. AS VIAGENS DE BOLLINGEN

        Ana Maria Galrão Rios - Instituto Freedom


        A casa: Kusnacht

            

        Biblioteca da Casa de Jung






        A porta da Casa Kusnacht


        Jung em casa


        Emma Jung - esposa
        Família de Jung

        Bollingen: Um lugar para ser.

        "A torre dava-me a impressão de que eu renascia da pedra."
         A beira do lago Zurich, Jung construiu sua casa de pedra, onde vivenciava plenamente a natureza: fora e dentro de si. Lugar onde ele conseguia se afastar do ruído das cidades e das pessoas, para imersão em seu próprio inconsciente. A extroversão cansava Jung e a Introversão o descansava. Um entrega ao inconsciente a partir da vida consciente. 

        "Local no qual Jung ia em busca de solidão. "-nesse espaço fechado vivo só comigo mesmo. Guardo a chave e ninguém pode entrar lá sem a minha permissão. No correr dos anos pintei a parede deste quarto, exprimindo tudo o que me conduz da agitação do mundo à solidão, do presente ao intemporal. É um recanto da imaginação e da reflexão; as fantasias são muitas vezes desagradáveis e árduas; é um lugar de concentração espiritual." (JUNG, A TORRE, p.197)

        Jung dizia que com o trabalho, conseguiu ancorar no mundo seus mergulhos no inconsciente, mas que não era suficiente, não eram reais o bastante. Portanto, para ele era necessário representar seus pensamentos mais íntimos e seu saber na pedra, nela inscrevendo, de algum modo, uma profissão de fé: sem minha terra, sua obra não teria vindo a luz. Jung trabalhava com as pedras; fazia esculturas

        "-Invocado ou não, Deus está presente."

        Gostava de velejar, sempre viveu à beira da água em Zurich. Apresentava uma necessidade de busca pela natureza. Valorizava a vida natural, renunciando à eletricidade, acendia ele mesmo a lareira e o fogão. Não havia água corrente em Bollingen, era preciso tirar água do poço, e ele o fazia pessoalmente, acionando uma bomba natural. Rachava a lenha e cozinha para ele mesmo. Jung dizia que esses trabalhos simples tornam o homem simples, e é muito difícil ser simples (JUNG, A TORRE, p.198). Dizia viver em cada árvore, no sussurro das vagas, das nuvens, nos animais que vão e vêm e nos objetos. Uma verdadeira imersão.

        Incubação - Jung ficava sozinho permitindo que o seu inconsciente chegasse e permeasse. Ele fazia tudo, limpeza, comida, as panelas tinham nome. De onde Jung escrevia seus livros.  Se estamos conectados a nossa raiz mais profunda todos os nossos atos estão conectados com o mundo. (energia). O que o ego não dá conta acaba adoecendo no indivíduo.

        Jung fez muitas viagens em busca de si mesmo. 

        VIAGEM À ÁFRICA

        Em 1920 foi ao Norte da África, onde encontrou uma civilização árabe. Percebeu que o europeu não fazia parte daquele mundo. Podia sentir um cheiro de sangue que parecia embeber a terra, relacionada aos instintos mais primitivos dos povos que ali vivam e viveram. Teve uma impressão profunda, um ataque violente e inesperado de camadas histórias do inconsciente e dos afetos e sensorialidades, que ainda estava muito enraizada nos povos africanos. Sentiu um certo sentimento de superioridade. um desejo inconsciente de reencontrar a si mesmo , nessa camada primitiva e instintiva, cheia de afetos e inteireza da infância, assim como viviam os africanos. Isso causou um enorme conflito em Jung, entre sua razão e suas emoções que acabou adoecendo de enterite e foi embora, retornando cinco anos mais tarde à África.

        VIAGEM A PUEBLOS: NOVO MÉXICO

        Os índios acreditavam que os europeus eram loucos, pois pensavam com a cabeça. O índio Ochwiay Biano representava um sentido cosmológico, de dignidade, pois acreditava e agia todos os para evocar o sol. O índio que faz levantar o sol.

        VIAGEM A ÁFRICA DE NOVO: QUÊNIA E UGANDA 1925

        "Havia um silêncio do eterno começo, do mundo como sempre fora na condição do não-ser. A Europa, a mãe de todos os demônios, aqui não poderia me atingir - nem telegramas, nem chamados telefônicos, nem cartas, nem visitas; minha forças psíquicas libertas mergulhavam de novo, na felicidade, na imensidão do mundo original."(JUNG, A TORRE, p.233)

        "Tinha a impressão de estar completamente só. era o primeiro homem, que sabia ser este o mundo e que, atraves de seu conhecimento, acabara de criá-lo naquele instante."

        "Aqui não é o homem, mas Deus quem domina: não a vontade ou a intenção, mas um desígnio impenetrável."

        EXPERIÊNCIA DE QUASE-MORTE DE JUNG

        Jung teve uma experiência noturna da dança, durante a qual gritava em suiço-alemão e chicote de rinoceronte. Até o Nilo, para o Egito, Jung teve medo de "going black" queria fugir da África, pois devia conservar intacta, fossem quais fossem as circunstancias, a sua personalidade europeia. Estava tão imiscuído na cultura africana, que sonhou com barbeiro negro americano querendo que seus cabelos ficassem frisados, e então acorda assustado. Esses também foi um motivo de conflito para Jung, que acabou novamente adoecendo, com laringite e febre.

        ÍNDIA EM 1938

        Recebeu convite do governo e foi à Índia. Tiveram longas conversas a respeito de outra civilização altamente diferenciada. Evitou o contato com homens santos. Jung não se achava merecedor de contatar a sabedoria deles.

        "Bem e mal não como fenômeno moral, como europeus o encaram, mas como parte da natureza. O homem que não atravessa o inferno de suas paixões também não as supera" (p.243)

        O indiano não tinha como meta atingir a perfeição moral, mas sim o estado de Nirdvandba, ou seja, livrar-se da natureza e por conseguinte atingir pela meditação o estado sem imagens, o estado de vazio.

        Jung ao contrário, se mantinha em contemplação viva da natureza e das imagens psíquicas, não queria desembaraçar-se nem dos homens sem dele mesmo, sem da natureza, pois tudo isso, representava ao seus olhos uma indescritível maravilha. A natureza, a alma e a vida me aparecem como uma expansão do divino."

        Jung trabalhou até o final de sua vida. Sempre descansou em Bollingen até se despedir para ir viver o resto de seus dias em Zurich, onde veio a falecer. 

        Carl Gustav Jung nasceu na Turgóvia, Suíça, 26 de julho de 1875 e morreu em Küsnacht, em Zurique, Suíça, 6 de junho de 1961.

        REFERÊNCIAS: