sábado, 3 de abril de 2021

O Método Científico

 • O método científico é empírico e exige observação sistemática e controlada. 

• Os cientistas adquirem maior controle quando fazem um experimento; em um experimento, os pesquisadores manipulam variáveis independentes para determinar seu efeito sobre o comportamento.

• As variáveis dependentes são medidas do comportamento usadas para avaliar os efeitos de variáveis independentes.

• A publicação científica é imparcial e objetiva; a comunicação clara de construtos ocorre com o uso de definições operacionais. 

• Instrumentos científicos acurados e precisos; mensurações físicas e psicológicas devem ser válidas e fidedignas.

• Refere-se às maneiras como os cientistas fazem perguntas e à lógica e métodos usados para obter respostas. O método científico pode ser distinguido das outras abordagens, mas todas compartilham do mesmo objetivo – buscar a verdade.

  • Intuição...
    • pode ser valiosa quando não se tem muitas informações.
    • Distorce a percepção a respeito do fato.
    • Abre para julgamentos prévios, achismos e senso comum.
    • Vai na contra mão da ciência.
    • abordagem científica ao conhecimento é empírica, em vez de intuitiva.
    • abordagem empírica enfatiza a observação direta e a experimentação como um modo de responder questões.
  • Observação...
    • deve ser feita de forma cuidosa e sistemática
    • Não se deve fazer inferências a respeito de aspectos cognitivos- inteligência, sentimentos...
    • A comunicação científica deve ser imparcial, ou seja, se é possível de ser verificada, e objetiva.
  • Conceitos...
    • termo usado em referência a coisas (vi9vas e inanimadas), acontecimentos (coisas em ação) e relações entre coisas e acontecimentos.
    • O estudo dos “conceitos” é tão importante para a ciência psicológica que os pesquisadores
    • se referem a conceitos por um nome especial: construtos.
  • Construtos...
    • Um construto é um conceito ou ideia;
    •  exemplos de construtos psicológicos são:
      •  a inteligência,
      •  a depressão,
      • a agressividade 
      • a memória. 
    • Um modo de um cientista conferir significado a um construto é definindo-o operacionalmente.
  • Definição operacional...
    • explica um conceito unicamente em termos dos procedimentos observáveis usados para produzi-lo e mensurá-lo.
    • Alguns podem não gostar dessa definição operacional de inteligência, mas, uma vez que um determinado teste foi identificado, não pode haver discussão sobre o que a inteligência significa segundo essa definição. 
    • Para determinar se um procedimento ou teste diferente gera uma nova definição de inteligência, teríamos que buscar mais evidências.
    • as definições nem sempre são significativas. É significativo quando se pode fazer uso de outros tipos de evidência que corroborem par um mesmo resultado.
  • Instrumentos...
    • Indispenável para medir os fatos.
    • A acurácia de um instrumento...
      •  refere-se à diferença entre o que um instrumento diz ser verdade e o que se sabe ser verdade.
      • é determinada com calibração, ou confirmando a medida com outro instrumento que sabemos estar correto.
  • Medição...
    • Os cientistas usam dois tipos de medições para registrar as observações cuidadosas e controladas que caracterizam o método científico. 
    • Um tipo de medição científica, a medição física, envolve dimensões para as quais existe um padrão aceito e um instrumento para fazer a medição.
    • Na maior parte da pesquisa psicológica, as medições não envolvem dimensões físicas. 
    • Não existem réguas para medir construtos psicológicos como beleza, agressividade ou inteligência. Essas dimensões exigem um segundo tipo de medição – a medição psicológica.
    • De certo modo, o observador humano é o instrumento para a medição psicológica. Mais especificamente, a concordância entre diversos observadores proporciona a base para a medição psicológica.
  • As medições devem ser válidas e fidedignas...
    • validade...
      •  refere-se à “veracidade” de uma medida. Uma medida válida de um construto é aquelaque mede o que alega medir.
    • fidedignidade ou confiabilidade de uma medida...
      • é indicada por sua consistência. Podemos distinguir vários tipos de fidedignidade. Quando falamos de fidedignidade de um instrumento, estamos discutindose o instrumento funciona de maneira consistente.
      • Falar em fidedignidade é falar ..
        • se o instrumento funciona de maneira consistente
        • se as observações forem consistentes de um observador para outro
    • A validade e a fidedignidade de medidas são questões centrais na pesquisa psicológica.
  • Uma hipótese...
    • é uma explicação tentativa para algo. As hipóteses costumam tentar responder às questões “como?” e “por quê?” ou simplesmente sugerir como determinadas variáveis se relacionam.
    • é uma tentativa de explicar um fenômeno; as hipóteses testáveis têm conceitos (definições operacionais) definidos de forma clara, não são circulares e referem-se a conceitos que possam ser observados.
    • As hipóteses não serão testáveis...
      • se os conceitos a que se referem não forem definidos ou medidos adequadamente.
      • As hipóteses também não são testáveis se forem circulares. 
        • Uma hipótese circular ocorre quando um fato é usado como explicação para si mesmo (Kimble, 1989, p. 495)
      • Uma hipótese também pode não ser testável se interessar a ideias ou forças que a ciência não reconhece.
  • Objetivos do método científico...
    • visa cumprir quatro objetivos: 
    1. DESCRIÇÃO
      1. os psicólogos buscam descrever fatos e relações entre variáveis; com frequência, os pesquisadores usam a abordagem nomotética e análise quantitativa.
      2. refere-se aos procedimentos que os pesquisadores usam para definir, classificar, catalogar ou categorizar os fatos e suas relações.
    2. PREVISÃO
      • As relações correlacionais permitem que os psicólogos prevejam o comportamento ou os acontecimentos, mas não permitem que os psicólogos infiram o que causa essas relações
      • A descrição de fatos e suas relações proporciona a base para a previsão, o segundo objetivo do método científico.
3. EXPLICAÇÃO
      • Os psicólogos entendem a causa de um fenômeno quando são satisfeitas as três condições necessárias para a inferência causal: 
        • covariação,
        •  uma relação de ordem temporal 
        • exclusão de causas alternativas plausíveis.
4. APLICAÇÃO
    • Na pesquisa aplicada, os psicólogos aplicam seu conhecimento e métodos de pesquisa para melhorar as vidas das pessoas.
    • Os psicólogos fazem pesquisa básica para adquirir conhecimento sobre o comportamento e os processos mentais e para testar teorias.
    • Na pesquisa aplicada, os psicólogos fazem pesquisas para mudar as vidas das
    • pessoas para melhor.
      •  
  • geral, o método científico se caracteriza por ...
    • uma abordagem empírica, observação sistemática e controlada,divulgação imparcial e objetiva, definições operacionais claras de construtos, instrumentos acurados e precisos, medidas válidas e fidedignas e hipóteses testáveis.


Construção e testagem de teorias científicas...

• As teorias são explicações propostas para as causas de fenômenos, e variam em seu escopo e nível de explicação. 
• Uma teoria científica é um conjunto de proposições organizadas de forma lógica, que define fatos, descreve relações entre os fatos e explica a sua ocorrência.
• As variáveis intervenientes são conceitos usados em teorias para explicar por que as variáveis independentes e dependentes estão relacionadas.
• As teorias científicas bem-sucedidas organizam o conhecimento empírico, orientam a pesquisa oferecendo hipóteses testáveis e sobrevivem a testes rigorosos.
• Os pesquisadores avaliam teorias julgando a sua consistência interna, observando se os resultados postulados ocorrem quando a teoria é testada e observando se a teoria faz previsões precisas com base em explicações parcimoniosas.

As teorias são “ideias” sobre como a natureza funciona. 
Os psicólogos propõem teorias sobre a natureza do comportamento e dos processos mentais, bem como sobre as razões pelas quais as pessoas e animais agem e pensam de um determinado modo.



Referências

 SHAUGHNESSY, J.J.; ZECHMESISTER, E.B.; ZECHMEISTER, J.S. Metodologia de Pesquisa em Psicologia. Métodos de Pesquisa, 9ª edição. Pensa. Porto Alegre, 2012. capítulo 2.

Psicologia Educacional

 Definições

  • O conceito de Psicologia Escolar/Educacional abrange a intersecção entre a Psicologia na Escola e a Psicologia da Educação. Embora haja variações sobre as definições e as reais atribuições entre Psicologia Escolar e Educacional, atribui-se à primeira o status de aplicada (visando a atuação prática) e à segunda, o de acadêmica (visando a pesquisa). Como ambas se complementam e se apóiam esta dicotomia parece ser apenas acadêmica.
  • A Psicologia Escolar tem como referência conhecimentos científicos sobre desenvolvimento emocional, cognitivo e social, utilizando-os para compreender os processos e estilos de aprendizagem e direcionar a equipe educativa na busca de um constante aperfeiçoamento do processo ensino/aprendizagem.

Objetivos 

  •  o objetivo da Psicologia Escolar/Educacional é ser um esteio para o desenvolvimento global do estudante. Através de ações com diretores, professores, orientadores, pais e os próprios alunos, o trabalho se dirige à prevenção.
  • Avaliação, diagnóstico, acompanhamento e orientação psicológica são aplicados dentro de um contexto institucional e não mais exclusivamente voltados ao aluno individualmente. Para casos que requeiram, realizam-se encaminhamentos clínicos.
O Psicólogo Escolar/ Educacional
  •  a ele cabe integrar a teia de relações e fazer parte da equipe multiprofissional, que envolve o processo ensino/aprendizagem levando em conta o desenvolvimento global do estudante e da comunidade educativa.
  • Sua participação na equipe multidisciplinar é fundamental para respaldá-la com conhecimentos e experiências científicas atualizadas na tomada de decisões de base, como a distribuição apropriada de conteúdos programáticos (de acordo com as fases de desenvolvimento humano), seleção de estratégias de manejo de turma, apoio ao professor no trabalho com a heterogeneidade presente na sala de aula, desenvolvimento de técnicas inclusivas para alunos com dificuldades de aprendizagem e/ou comportamentais, programas de desenvolvimento de habilidades sociais e outras questões relevantes no dia-a-dia da sala de aula, nas quais os fatores psicológicos tenham papel preponderante.
  • Desenvolve, apóia e promove a utilização de instrumental adequado para o melhor aproveitamento acadêmico do aluno a fim de que este se torne um cidadão que contribua produtivamente para a sociedade.
  • O Psi escolar desenvolve atividades direcionadas com alunos, professores e funcionários e atua em parceria com a coordenação da escola, familiares e profissionais que acompanham os alunos fora do ambiente escolar 

 Finalidades

 Incentivar os educadores (incluídos os próprios psicólogos) para tomada de posições políticas em relação aos problemas sociais que afligem a todos; 

Estimular a escolha deliberada e conscientemente assumida de uma atuação profissional sustentada por teorias psicológicas, cuja visão contemple o homem em suas múltiplas determinações e relações histórico-sociais; 

Assessorar a escola no desenvolvimento de uma concepção de educação, na compreensão e amplitude de seu papel, em seus limites e possibilidades, utilizando os conhecimentos da Psicologia; 

Desenvolver uma concepção de Psicologia voltada a um compromisso social; 

Propor uma concepção do fracasso escolar não como um processo individual; 

Mediar os processos de reflexão sobre as ações educativas a partir da atuação com os diversos profissionais da educação; 

Propor e apoiar a construção de novas alternativas sociais para auxiliar na administração de possíveis deficiências escolares; 

Compreender e elucidar os processos de desenvolvimento bio-psico-social dos envolvidos com a escola; 

Compreender e elucidar os processos diferenciados de desenvolvimento da aprendizagem (aprender a aprender) de cada aluno e de cada professor; 

Compreender e clarificar a construção da subjetividade (construção do Eu) em cada ambiente educacional; 

Assessorar a escola na busca da humanização do sujeito, através do encontro da cognição com a motricidade, os afetos e as emoções na educação; 

Cultivar o enfoque preventivo: trabalhar as relações interpessoais na escola, visando a reflexão e conscientização de funções, papéis e responsabilidades dos envolvidos; 

Buscar ser o mediador do processo reflexivo e não o solucionador de problemas; 

Conscientizar o indivíduo da importância de sua participação e responsabilidade nos grupos em que está inserido, como a família, a escola, o trabalho e a sociedade.

Campos de atuação do Psicólogo Educacional.

  • escolas
  • Clínicas especializadas
  • Consultorias a órgçais que necessitem de compreensãi sobre os processos de aprendizagem (Sebrae, Sesi,etc)
  • Serviços Públicos de saúde e educação
  • Trabalhos de extensão universitária e projetos de pesquisa em empresas e ONGS.
Abordagens Teóricas
  • Psicodrama: Trabalha com a recuperação da espontaneidade e criatividade inatas, tornando as pessoas mais aptas a transformar condições insatisfatórias de vida e a viver em relações de compreensão mútua.
  • Behaviorismo: Analisa o comportamento
  • Neuropsicologia: Pode auxiliar o psicólogo escolar/educacional na compreensão do funcionamento do sistema nervoso e sua aplicação na educação
  • Sistêmica: leva em conta as relações e interações no ambiente escolar: professor-aluno, aluno-aluno, funcionário-aluno, pai-filho, pais-professores, comunidade-escola; sendo que cada um desses elementos ou partes é um “sub-sistema”
  • Psicanálise: e reconhece a individualidade de cada aluno e que não existe mo - delo único, nem um sistema fixo de representações
  • Gestalt-pedagogia: tem como premissa que  a natureza humana é organizada em partes ou todos, formando um todo significativo
Focos de Intervenção
  • A Escola - aspectos administrativos.
  • Corpo docente ( professores)
  • Corpo discente ( alunos)
  • Comunidade ( Pais e Vizinhos da Escola)
Políticas Públicas e Psicologia Escolar
  • Limitações internas
  • Limitações externas.

Referências:Manual de Psicologia Escolar; Educacional - Coletânea Conexão psi - Série Técnica

Identificando Pensamentos Automáticos

  •  a interpretação de uma situação (em vez da situação em si), freqüentemente expressa em pensamentos automáti cos, influencia as respostas emocional, comportamental e fisiológica subseqüentes.

  • Pessoas com transtornos psicoló gicos, no entanto, com freqüência interpretam erroneamente situações neutras ou até mesmo positivas e, desse modo, seus pensamentos automáticos são tendenciosos.

  • CARACTERÍSTICAS DE PENSAMENTOS AUTOMÁTICOS
    "Pensamentos automáticos são um fluxo de pensamento que coexiste com um
    fluxo de pensamento mais manifesto." (Beck, 1964).
    • Esses pensamentos não são peculiares a pessoas com angústia; eles são uma experiência comum a todos nós. 
    • A maior parte do tempo, nós mal estamos cientes desses pensamentos, embora com apenas um pouquinho de treinamento possamos facilmente trazer esses pensa mentos à consciência.
    • Quando nos tornamos cientes dos nossos pensamentos, podemos automaticamente fazer uma checagem de realidade quando não estamos sofrendo de disfunção psicológica.
    • A terapia cognitiva lhes ensina ferra mentas para avaliar seus pensamentos de uma forma consciente estruturada, especialmente quando eles estão aflitos.
    • Embora os pensamentos automáticos pareçam surgir espontaneamente, eles se tornam bastante previsíveis, uma vez que as crenças subjacentes do paciente sejam identificadas. 
    O terapeuta cognitivo está preocupado em identificar os pensamentos que são disfuncionais, ou seja, os que distorcem a realidade, que são emocionalmente aflitivos e/ou interferem com a habilidade do paciente de atingir suas metas.
    • Pensamentos automáticos disfuncionais são quase sempre negativos, a menos que o paciente seja maníaco ou hipomaníaco, tenha um transtorno de per sonalidade narcisístico ou seja um viciado em drogas.
    • Os pensamentos automáticos são usualmente bastante breves, e o paciente com freqüência está mais ciente da emoção que sente em decorrência do pensamento do que do pensamento em si. 
    • A emoção que o paciente sente é logicamente conectada ao conteúdo do pensamento automático. 
    • Os pensamentos automáticos estão comumente em uma forma “abreviada”, mas podem, com facilidade, ser soletrados quando o terapeuta pergunta pelo sentido do pensamento. 
    • Os pensamentos automáticos podem estar em uma forma verbal, vi sual (imagens) ou em ambas as formas.
    Os pensamentos automáticos coexistem com um fluxo mais manifesto de pensamentos, surgem espontaneamente e não são embasados em reflexão ou deliberação. 
    • As pessoas estão usualmente mais cientes da emoção associada, porém, com um pouco de treinamento, podem tornar-se cientes do seu pensamento. 
    • Os pensamentos relevantes a problemas pessoais estão associados a emoções específicas, dependendo de seu conteúdo e significado. 
    • Elas são freqüentemente breves e fugazes, em forma abreviada e podem ocorrer em uma forma verbal e/ou imaginária. 
    • As pessoas com freqüência aceitam seus pensamentos automáticos como verdadeiros, sem reflexão ou avaliação.
    •  Identificar, avaliar e responder a pensamentos automáticos (de uma for ma mais adaptativa) usualmente produz uma mudança positiva em afeto.
    • Ensinar ao paciente a habilidade de aprender a identificar pensamentos automáticos.
    • É vitale star alerta a indícios verbais e não-verbais do paciente.


    Referências:

     BECK, Judith S. Terapia Cognitiva Teoria e Prática. Artmed. Porto Alegre, 2007. Capítulo 6: Identificando os Pensamentos Automáticos.