sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Memória

GRATIDÃO À NOSSA MEMÓRIA!



É responsável pelo tempo.
Define o tempo em que se vive.
Somos em parte, aquilo que lembramos.
Armazém de aprendizagem tanto das coisas boas como das coisas ruins.
Graças a ela atividades cotidianas podem ser lembradas, tais como, simplesmente  vestir-se, cozinhar, andar de bicicleta, etc.
Permite o autoconhecimento.

MEMÓRIA É...

Aprendizagem que persiste através do tempo. Persistência do aprendizado ao longo do tempo por intermédio do armazenamento e da recuperação das informações."

RETENÇÃO DA MEMÓRIA

A aprendizagem possui três  medidas de retenção:

  • RECORDAÇÃO- recupera informações  que foram aprendidas antes, mas que, não estão mais no consciente da pessoa. Teste para a recordação- uma pergunta para preencher lacunas.



  • RECONHECIMENTO- identifica itens aprendidos anteriormente. Teste de reconhecimento: pergunta de múltipla escolha. A memória de reconhecimento é muito rápida e vasta, ou seja, determinadas perguntas, a mente já sabe que sabe a resposta, antes que a resposta se forme em nossa boca.

  • REAPRENDIZAGEM- aprender algo mais rapidamente quando já aprendeu antes, está reaprendendo em outro momento. A velocidade de reaprendizagem também revela a memória. O ensaio adicional (super aprendizagem) baseado na repetição, aumenta a retenção do conteúdo na memória. Logo, na reaprendizagem nós lembramos mais do que podemos recordar.
Para os psicólogos, o sistema de memória humano é descrito a partir da criação de modelos de memória que ajuda a entender como o nosso cérebro forma e recupera memórias.



PROCESSO OCORRIDO NA LEMBRANÇA DE UM EVENTO QUALQUER:


CODIFICAÇÃO - Conduz a informação ao cérebro. Nesse ocorre o processamento da informação dentro do sistema de memória.

ARMAZENAMENTO - Retém a informação  codificadas ao longo do tempo.

RECUPERAÇÃO - Processo de regate da informação que está armazenada na memória.



TIPOS DE PROCESSAMENTO DA MEMÓRIA:

No PROCESSAMENTO PARALELO ocorre o processamento de muitos problemas simultaneamente,o cérebro processa informações em muitas funções. Parte dessas informações são processadas inconscientemente. O processamento simultâneo de informações da memória ocorrem por meio das redes neurais interconectadas. Toda vez que você aprende algo novo as conexões neurais mudam, permitindo a interação com o meio que sofre constantes mutações.

No PROCESSAMENTO EMPENHADO (EFFORTFUL ocorre uma codificação que exige  atenção e esforço consciente.

No PROCESSAMENTO AUTOMÁTICO codificação inconsciente de informações incidentais como espaço, tempo, frequência e de informações bem aprendidas como significado de palavras.



DIFERENTES ESTÁGIOS DA MEMÓRIA (Richard Atkinson e Richard Shiffrin, 1988).


MEMÓRIA SENSORIAL - lembrança imediata e muito fugaz de informações sensoriais no sistema de memória. Onde registramos as informações  a serem lembradas. É ela que alimenta a memória de trabalho ativa, registrando IMAGENS MOMENTÂNEAS OU ECO DOS SONS.


MEMÓRIA DE CURTO PRAZO - Memória que retém pouca coisa em pouco tempo. Ex.: gravar um número para discar na hora. A informação é processada  na MCP, onde será CODIFICADA por REITERAÇÃO.


MEMÓRIA DE LONGO PRAZO - Armazenamento relativamente permanente e limitado  de memória, incluindo HABILIDADES do CONHECIMENTO e EXPERIÊNCIAS. São armazenadas para serem lembradas posteriormente. Ocorre com CONCENTRAÇÃO FOCADA, ATENÇÃO CONCENTRADA.




ESTÁGIOS DA MEMÓRIA acrescentados por Barroulillet; Engle; Alan Baddeley:


MEMÓRIA DE TRABALHO - Trata-se de um entendimento mais recente da memória de curto prazo, cujo foco é o PROCESSAMENTO ATIVO E CONSCINETE onde as informações são recebidas pela audição ou pela percepção visual e espacial e das informações recuperadas da memória de longo prazo.

MEMÓRIA EXPLÍCITA - quando a pessoa lembra da informação CONSCIENTEMENTE e CONSEGUE DECLARAR.  São codificadas através do PROCESSAMENTO EMPENHADO CONSCIENTE, que ocorre SEM ESFORÇO você consegue ler  frases escritas de trás para frente. No início exige esforço mas a prática o tornará um processamento automático.

Exemplos: 
  • ocitámotua ranrot es edop oçrofse moc otnemassecorp o
  • etneicsnoc odahnepme otnemassecorp iussop aticilpxe airómem a
  • etneicsnocni odahnepme otnemassecorp iussop aticílpmi airómem a
  • etneicsnoc e oticílpmi otnemassecorp iussop ohlabart ed  airómem a


MEMÓRIA IMPLÍCITA - a pessoa retém habilidades aprendidas, associações condicionadas, independente de ter consciência. É uma memória NÃO DECLARATIVA. São codificadas por meio do PROCESSAMENTO AUTOMÁTICO INCONSCIENTE.
Inclui a MEMÓRIA PROCEDURAL para HABILIDADES AUTOMÁTICAS como andar de bicicleta por exemplo. SEM ESFORÇO CONSCIENTE, processamos automaticamente informações sobre:

  • ESPAÇO - codificar o local da página do livro onde se encontra o conteúdo e mais tarde acha-lo.
  • TEMPO - No decorrer do dia, involuntariamente percebe-se a sequencia dos acontecimentos.
  • FREQUÊNCIA - Sem muito esforço, consegue acompanhar quantas vezes aconteceu algo.







Inocência Roubada: Os riscos da adultização infantil no Brasil - Aluna Itinerante

    Relatório como atividade de avaliação para obtenção de nota na disciplina de Socioantropologia, d do 2º semestre, do curso de Psicologia.



Resumo
Esse relatório trata das questões relacionadas à adultização erótica infantil, como motivo de grande preocupação sobre a saúde biopsicossocial da infância, no Brasil. Dentro desse contexto, que tem motivado profundas reflexões sobre as consequências da adultização como influência do comportamento infantil, faz-se necessário entender as causas e motivações que contribuíram para a banalização da erotização precoce nas crianças.
          Palavras-chave
          Criança; Adultização; Infância; Desenvolvimento; Inocência.

Introdução

As causas e motivações da adultização infantil, podem ser observadas nas relações de convivência do homem na sociedade em que vive, sobretudo, nos diferentes meios de acesso às informações, que as crianças da contemporaneidade vem dispondo, em seu cotidiano social.

Daí a necessidade de se conhecer os fatores socioantropológicos que contribuíram para se chegar a esse panorama dramático da adultização infantil no Brasil, bem como, conhecer como a sociedade tem contribuído para amenizar os efeitos da erotização infantil através da saúde pública, com ênfase na prevenção e intervenção da criança erotizada.
Esse relatório tem por finalidade, levantar o panorama da realidade brasileira, no que tange a adultização erótica infantil, elucidando os meios viáveis a proteção da criança, quando esta tem, a sua infância roubada.

1.    Desenvolvimento
Para se obter uma maior compreensão da criança em si, é preciso se reportar à Psicologia do Desenvolvimento que abrange o desenvolvimento físico, cognitivo, e social ao longo da vida, com ênfase no modo pelo qual a herança genética ou natureza interage com as experiências ou cultura da criança no meio em que vive, entendendo que “Natureza é tudo que um homem traz consigo para o mundo; cultura é qualquer influência que o afeta após seu nascimento. ” (Francis Galton, English Men os Science, 1874). (MYERS;DEWALL, 2017, pg.146).
Sabe-se que há diferentes fases de desenvolvimento do homem, desde a sua concepção até a idade adulta. Entretanto, tendo como objeto de estudo a criança no processo de adultização erótica no âmbito social, torna-se importante compreender inicialmente, seu desenvolvimento para depois, mostrar como a sua interação com as diferentes culturas podem lhe roubar a infância.
O desenvolvimento se dá em diferentes estágios, tanto no que diz respeito ao amadurecimento biológico como também, psicológico, e esses estágios de desenvolvimento podem se dar de forma estável como é o caso do temperamento das pessoas, como através de mudanças, o que acontece por meio da interação com diferentes culturas, ao longo da vida.
Segundo Piaget, que estudou o desenvolvimento cognitivo das crianças (MYERS; DEWALL, 2017), a mente de uma criança se desenvolve através das atividades mentais ligadas a pensar, conhecer, lembrar e se comunicar, levando-o a concluir que a mente da criança não era igual a mente de um adulto em miniatura, cabendo aqui a reflexão sobre o comportamento adulto que vem roubando a infância da criança, na convivência da atual sociedade. Piaget sustentava que os estágios de desenvolvimento da mente, por exemplo, de uma criança de 8 anos eram diferentes da de 3 anos, uma não pensa nem aprende, da mesma forma que a outra, o que a de 8 anos já compreende, não é possível se compreender aos 3 anos de idade. Portanto, é através dessa interação com o mundo de diferentes culturas que as pessoas vão se ajustando, se adaptando ou ainda, se acomodando a diferentes mudanças de comportamentos.
Na infância, entre os 2 e 7 anos de idade, a criança vivencia o estágio pré-operacional, no qual ocorrem as representações das coisas com palavras e imagens. Tudo que se fala e se vê acabam sendo reproduzidos pela criança, de tal sorte que os pais têm grande responsabilidade na conclusão desse estágio, onde os valores sólidos do exemplo, daquilo que se fala e como se fala, bem como, daquilo que se permite a criança assistir. É nesse contexto, que as diferentes culturas, expostas pelos diversos meios de comunicação, redes sociais, internet em geral, têm ganho papel de destaque na influência do comportamento infantil rumo à erotização com prejuízo da infância. Atualmente, é muito comum se ver crianças nessa faixa etária, assistindo programas inadequados, ouvindo músicas com palavras desapropriadas, e muitas vezes, incompreendidas pela criança. Por outro lado, os pais ignorantes, quanto ao processo de aprendizagem da faixa etária por meio das palavras e imagens, acabam permitindo a interação da criança com a cultura adulta, negligenciando a capacidade de aprendizado da mesma, por se ter pouca idade.
Entre os 7 e 11 anos de idade a criança vivencia o estágio que Piaget chama de operacional concreto, no qual pensa logicamente a respeito de eventos concretos e entende analogias. Ai a criança começa a despertar para a  consciência dos fatos, e a raciocinar com coerência, podendo distinguir o certo do errado, o conveniente do inconveniente, a verdade da mentira, o que certamente, garante a ela a capacidade de compreender conteúdos adultos implícitos em insinuações musicais, programas inadequados a faixa etária, e obviamente, os conteúdos explícitos assistidos ou escutados, que irão corroborar para a adultização precoce da criança, entretanto, ainda não têm uma dimensão lógica, racional sobre o potencial moral maduro que lhe possibilite discernir coerentemente no contexto.  Contudo, a partir dos 12 anos de idade, inicia-se a fase da puberdade, na qual começa a refinar o gosto pelo que lhe agrada, a testar papéis, para posteriormente, formar a sua identidade, fase em que apresentam grande confusão sobre quem realmente são. E nessa fase, as diferentes formas de culturas com as quais interagem na família ou em sociedade, será determinante para leva-la a um comportamento erotizado ou não na infância.
Karl Marx (1818-1883), muito preocupado em compreender a sociedade e a forma como o homem se comportava na sociedade, já afirmava que a Ideologia abrange o conjunto de ideias, pensamentos, doutrinas e visões de mundo numa sociedade, mas observou que essa ideologia era instrumento de dominação, quando impõe crenças falsas ou ilusórias, fazendo com que o indivíduo não perceba sua realidade pessoal, sem tomar consciência de sua realidade social. Portanto, influências culturais que fomentam a erotização infantil no Brasil, como os programas de televisão com conteúdo adulto, as redes sociais com facilidades múltiplas de acessos, as famosas séries disponíveis nos canais fechados, os diferentes gostos musicais que insinuam conteúdos sensuais, quando não eróticos, acompanhados de um ritmo e danças, igualmente sensuais e erotizados, certamente reproduzem o que Marx chamou de alienação, onde o sujeito alienado, nesse contexto, é a própria criança, que por si só, não tem ainda o discernimento para tomar consciência, dessa adultização, culminando para a  intitulada “infância roubada”.
Com essa facilidade de acesso, se torna cada vez mais precoce, o despertar das crianças para conteúdos adultos, sobre os quais ainda não se encontram plenamente preparadas e desenvolvidas, para enfrentar os desafios de uma sexualidade precoce, o que tem trazido graves consequências para essas crianças, tanto no seu desenvolvimento infanto-juvenil quanto na idade adulta.
Observa-se um processo crescente de adultização infantil, como forma de socialização de crianças para atender por exemplo, a um determinado mercado consumidor, como pode ser visto, na confecção de sutiãs com enchimento para crianças; batons produzidos especificamente para crianças, sapatinhos com saltos entre outros acessórios, e vestuário adulto, sensual reproduzido em miniaturas, direcionados a este público. Esse mercado consumidor em crescente e contínuo propósito de intensificar o consumo, culmina para o que Karl Marx, chamou de sociedade do ter, cujos valores estão pautados no consumo e nas trocas comerciais, e não na sociedade do ser, cujos valores estão pautados na dignidade humana.
Importante ressaltar, a responsabilidade dos pais e ou responsáveis que contribuem, mesmo que inconscientemente, para a adultização infantil, sem a preocupação dos efeitos sociais que trarão consequências para a criança. E considerando que a criança é produto do meio em que vive, abrangendo as células da família e sociedade, pode-se considerar que seus responsáveis também se encontram envolvidos no processo de alienação, muitas vezes incapacitados de perceber as consequências negativas que a erotização infantil traz não só para a infância, também, por toda a vida da criança.
Outro aspecto interessante de se observar, é que mesmo considerando a responsabilidade dos pais e ou responsáveis sobre a criança, existem os fatores sociais, cujo acesso cada vez mais amplo, vai influenciando as formas-pensamentos das crianças, repercutindo inevitavelmente em suas atitudes, nas quais buscam reproduzir o que admiram como modelo no adulto, o que se pode ver, através dos supostos ídolos, que influenciam num padrão de comportamento, estereotipado, até mesmo, estigmatizado, que irão culminar para criança adultizada, reproduzindo comportamentos, modo de se vestirem, maneira de falar. Para Marx, essa realidade mostrar que o indivíduo, no caso a criança, não pensa e faz aquilo que ela quer, até porque ainda não tem discernimento para tomar consciência do que faz, mas seria algo que alguém quer que ele pense e faça, e esse alguém se reflete numa sociedade de valores consumistas em detrimento de valores morais, com os quais deveriam seus pais e responsáveis estarem buscando. E, é claro que, como Marx bem afirmou, seus pensamentos e ações acabam se voltando contra a própria criança, no caso, já que se tornam alvo de uma erotização que potencializa as oportunidades de serem violentadas sexualmente.
Skinner (MYERS; DEWALL, 2017), através de sua Teoria da Aprendizagem, tinha como preocupação principal o comportamento humano, sobre o qual observava, que reforços negativos contribuem para que o mal comportamento não volte a ocorrer; em contrapartida, o reforço positivo, deve ser dado ao comportamento positivo, para que este, volte a se repetir.  Muito oportuna, a questão dos estímulos que os pais e a sociedade disponibilizam no cotidiano infantil, para que comportamento adultos, se reproduzam em atitudes infantis inconscientes. Há, portanto, uma clara inversão de valores na sociedade contemporânea, que reforçam positivamente, comportamentos inadequados à faixa-etária infantil, roubando-lhe a sua inocência, e empurrando-lhe para a violência sexual iminente do mundo adulto, que corrobora para a gravidez precoce, aquisição de doenças sexualmente transmissíveis, estupros e consequentes abortos, sem aqui mencionar os profundos danos psicológicos, que irão permear a por toda a vida, dessa criança.

2.    Apresentação do tema-eixo e problema (questão norteadora);
            Esse relatório tem como tema-eixo a Infância, cujo temaInocência Roubada – Os riscos da adultização erótica em crianças no Brasil”, propõe uma reflexão sobre os impactos da erotização precoce sobre a infância brasileira.
Se, por um lado, a criança não é considerada socialmente um ser completo, por outro, na perspectiva de sua inserção na cultura, ela exerce grande influência no consumo daquilo que lhe é sugerido como opção. Deve-se, no entanto, atentar em sua entrada no mercado de consumo originalmente voltado para o público adulto. Antes dos 12 anos, os indivíduos não estão capacitados para distinguir no conteúdo com discernimento. As crianças acreditam que os conteúdos expostos são para a sua felicidade, por isso, vê-se crianças reproduzindo inocentemente, comportamentos adultos em danças (feet dance, funks, axés, etc.); vê-se crianças reagindo com palavras adultas, em contextos infantis, vê-se crianças reproduzindo atitudes erótica-adultas, sem muitas vezes, entender o seu sentido moral real.
Todo esse panorama de desenvolvimento da infância, dentro de um contexto cultural pautado na inserção da criança no mundo adulto, traz expressivos impactos da erotização precoce, sobre a infância brasileira.
Dentre as muitas consequências da infância roubada, em função da adultização erótica precoce no Brasil, observa-se um elevado índice de gravidez na infância, entre meninas de 10 a 19 anos; crescente número de vítimas de estupros; além das DST (doenças sexualmente transmitidas) que acabam roubando a infância de uma criança, potencialmente saudável, equilibrada e feliz.
Fatores como baixa renda, baixa escolaridade, pouca perspectiva de futuro, falta de informação adequada e pontual, contribuem para o aumento da gravidez na adolescência.
3.    Aprendizado alcançado
Pôde-se compreender, ao longo dos estudos, as influências que uma sociedade pode ter sobre o comportamento das crianças, tanto em aspectos positivos como também, em aspectos negativos, como a exposição à erotização precoce, bem como, a alienação dos pais, contribuem para o incentivo a esse caminho, quando a infância se constitui em um momento da vida sócio histórica e cultural, interagindo na convivência individual e social, para que venha a ser o futuro adulto, reflexo de uma infância erotizada e adultizada.
 Estatísticas brasileiras mostram as consequências dessa adultização precoce em relação a elevado número de meninas e meninos que sofrem violência sexuais, tornando-se vulneráveis na sociedade, ratificando assim,  a importância de se instaurar junto a essas famílias, consideradas de maior risco para a adultização infantil, instituições sociais que possam viabilizar meios de instrução através da educação e da orientação social, que possam desestimular cada vez mais, a introdução da criança no mundo adulto, protegendo assim, a sua integridade física, moral, e psicológica fortalecendo cada vez mais os chamados valores morais e familiares, respeitando portanto, as devidas faixas de desenvolvimento que a criança necessita para se tornar um adulto mais equilibrado e feliz.

4.    Conclusão e recomendações
Diante do exposto, percebe-se claramente, o quão prejudicial tem sido para a criança, vivenciar comportamentos adultos, trazendo consequências irreparáveis para toda a vida da mesma, cuja inocência roubada, lhe tira a pureza e o direito que viver cada etapa de seu desenvolvimento pessoal, sem os chamados conflitos de “gente grande”.
Segundo a OMS, estima-se que, só no Brasil, 18 mil crianças são vítimas de espancamento e uma a cada minuto de algum tipo de violência: emocional, física ou sexual, e que cerca de 53 mil crianças mortas todos os anos por homicídio no mundo. Já a UNICEF, afirma que entre 133 milhões e 275 milhões de crianças são vítimas ou testemunhas de violência em casa, o que mostra que os estímulos dados às crianças, tornam-se uma arma letal para as próprias crianças, o que só poderia ser revertido através de cuidados redobrados,  com a educação das crianças, sobretudo, no fortalecimento de valores sólidos, éticos, morais, que possam culminar para um futuro adulto menos sofrido, mais equilibrado e feliz, nas suas relações de convivência e interação social.
 5.    Referências
QUITANEIRO,T;BARBOSA, M.L.O; OLIVEIRA, M.G.M. Um toque de clássicos Marx, Durkheim, Weber. 2ª ed. Revista e ampliada. Editora UFMG. 2003.
MYERS, D.G; DEWALL C.M. Psicologia. 11 ª Edição. Editora Gen Ltc.2017.
Exame. A trágica realizada das crianças no Brasil e no mundo. Disponível em https://exame.abril.com.br/negocios/dino/a-tragica-realidade-da-infancia-no-brasil-e-no-mundo-dino89080130131/ Acesso em 31/10/2018.
NETTO, C.F.S. BREI, V.A. FLORES-PEREIRA, M.T. O fim da infância? as ações de marketing e a “adultização” do consumidor infantil. 2010. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/ram/v11n5/a07v11n5.pdf> acesso em: 05/09/2018 ás 17h30 min.
Crianças como Pequenos Adultos? Um Estudo Sobre a Percepção da Adultização na Comunicação de Marketing de Empresas de Vestuário Infantil. Disponível em: http://www.atena.org.br/revista/ojs-2.2.3-08/index.php/ufrj/article/view/1935/1769. Acesso em 19/10/2018 às 22.20 hs.
                   Gravidez na adolescência. Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/biologia/gravidez-adolescencia.htm. Acesso em 19/10/2018 às 23:15 hs.

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

As ideias psicológicas no Brasil nos seculos XVII e XVIII - Marina Massimi

EXPERIÊNCIAS E POSIÇÕES VIVIDAS POR INTELECTUAIS BRASILEIROS ENTRE O SÉCULO XVII E OS INÍCIOS DO SÉCULO XIX.

  • Jovens brasileiros, membros de famílias mais abastecidas, realizaram seus estudos no exterior, tendo como consequência, a impossibilidade de conseguir modalidades de formação do intelectual integradas às condições e peculiaridades da realidade nacional, estimulando assim, o individualismo dos pensadores.
  • Dentro de um contexto totalmente hostil e marcado pela desigualdade social, esses pensadores afirmavam a dignidade cultural de sua posição:
          a) a capacidade intelectual é um dom da natureza humana e não fruto de circunstâncias econômicas, sociais e políticas favoráveis. ( Feliciano Joaquim de Souza Nunes)
          b) as letras parece que têm mais fortuna quando estão separadas do lugar em que nasceram. (Matias Aires Ramos da Silva)
          c) Escrevi das vaidades mais para instrução minha, que para doutrina dos outros.(Matias Aires Ramos da Silva) 


IDEIAS PSICOLÓGICAS  EMERGENTES NESSE CONTEXTO DA INDIVIDUALIDADE, DISPERSÃO E ISOLAMENTO DOS PENSADORES BRASILEIROS.

  • A vida é concebida como um fluxo constante  de partes asa vezes antagônicas, onde a beleza faz pressentir a decadência; a alegria contém em si o gérmen da tristeza; há firmeza na inconstância.
  • ênfase na mobilidade do homem da experiência humana.
  • A metáfora do peregrino (Jesuíta Gusmão) tem como objeto a peregrinação protagonista, num contexto real das terras brasileiras, num percurso de Salvador a Minas Gerais, até chegar em Pernambuco. 
  • A teoria hipocrático-galena dos temperamentos, o homem é considerado um composto de humores a partir dos quatro elementos: água, terra, ar e fogo, no qual o excesso de um desses humores resultaria nas enfermidades.
  • Havia um consciência de uma certa relatividades de valores e fatos humanos.
  • A própria verdade era submetida às mudanças dos afetos e das circunstâncias.
  • O livro "Política Indiana" de Juan de Solorzano Pereira, retrata a questão indígena, fazendo apologias a colonização portuguesa, os quais apontam a raça indígena como uma encarnação de uma condição humana primitiva que deveria ser superada pelo esforço civilizatório. O indígena não era compreendido no contexto de sua própria cultura.
  • Em relação a natureza moral e religiosa afirmavam que as suas ações os distinguiam; que a sabedoria é a primeira e melhor riqueza.
  • Cada um deve estar submetido à imutável ordem hierárquica das coisas, como se providência divina tivesse colocado cada um seu lugar e que ali deveriam permanecer/aceitação
  • Nunes propõe uma visão de mundo marcada pelo pessimismo.
  • havia a refutação da crença na inferioridade mental das mulheres em relação aos homens
  • A vida do indivíduo e da sociedade é submetida à condição de debilidade e de instabilidade.
  • O conhecimento humano é marcado pela experiência do limite, favorecendo a percepção humana, onde predomina a vaidade sobre a própria intelectualidade, como objeto de desejo que produz diversos conflitos entre o eu (o que você acha que é) e o self ( o que de fato você é).
  • A vaidade aponta para a fragilidade e a limitação da própria razão humana, já que está presa à dinâmica das razões. Condição psicológica essencial para o advento do capitalismo.
  • Há uma desconfiança acerca da razão, enfatizando as paixões, trazendo uma aparência, o sentido da incerteza e da instabilidade, características inevitáveis e inerentes à subjetividade humana.
  • A dimensão psicológica interior do homem passa a ser vista como o refúgio precário e passageiro do indivíduo perante o absolutismo do poder e a desordem da sociedade.
  • Francisco Mello Franco propõe uma sorte e Psicologia médica inspirada nas teorias do iluminismo francês.
  • Afirma-se que o estado físico do corpo tem grande influência nas operações da alma.
  • O funcionamento do organismo se dá pelas leis da natureza. 
  • A saúde do corpo psicossomático é definida pelo equilíbrio e regulação, atingindo a harmonia da máquina corporal cujo efeito é o bem estar psicológico.
  • Analogia entre a medicina do corpo e a medicina do espírito.
  • A experiência mostra que muitos pecados do corpo tem sua origem em doenças particulares do corpo.
SÉCULO XIX - NOVA FASE DA CULTURA BRASILEIRA QUE DIZ RESPEITO A CONCEPÇÃO DO HOMEM E DO SEU PSIQUISMO.

José Bonifácio de Andrada e Silva apresenta um plano de colonização dos índios, através de um processo de aculturação, no qual se dispõe primeiro a conhecer o que são, para depois achar os meios de convertê-los.

Nasce o mecanicismo com a teoria acerca do homem no estado selvagem, sobre os quais se identifica a ausência de necessidades próprias do homem civilizado, que estimulam o trabalho e a atividade.

Bonifácio acreditava que o que diferenciava o selvagem do civilizado era  a ausência daquele tipo de racionalidade característica do espírito científico europeu. Para ele, a sensibilidade do índio era interpretada como puro produto do instinto, já que as paixões não poderiam ser satisfeitas cabalmente sem a reunião de novos braços e vontades as que obrigavam os selvagens a reunir-se  em tais quais aldeias.

A civilização sendo entendida como modelos a ser realizado, é necessário definir a estratégia pra sua concretização, através da criação de métodos e meios que possibilitassem a pronta e sucessiva civilização dos índios. Os meios de civilização propostos por Bonifácio, com clara significação psicológica:

  •  introdução do conceito de propriedade individual, já que a cultura indígena é comunitária.
  • introjeção da inferioridade cultura através de gestos e rituais voltados à induzir nos nativos ideias de poder, sabedoria e riqueza.
  • educação das crianças
  • inculcar nos adultos o princípio incontestável de que se deve permitir o que não se pode mudar.(forma de manipulação)
  • introdução do hábito do trabalho regular, para ganhar seu sustento.
Adapta-los a um novo estilo de vida com novas necessidades, forma de se vestir diferentes, casas mais confortáveis e higiênicas.

Com isso, segundo Dante Morais Leite, ocorre uma manipulação dos traços psicológicos, na construção de teorias e conceitos ao definir características coletivas do povo brasileiro.

Bonifácio retrata o brasileiro como entusiasta do belo, amigos da liberdade e da justiça, ignorantes por falta de instrução, mas cheios de talentos e apaixonados por sexo.

Percorrer a historia das ideias psicológicas ao longo da cultura brasileira evidencia que  muitos dos conceitos utilizados pela Psicologia moderna possuem raízes no passado.  Os laços do passado com a realidade moderna seria o caminho para realizar uma proximidade maior entre o saber e a competência profissional do psicólogo e a realidade brasileira.

Um psicólogo enraizado em sua cultura e sociedade, é um agente de transformação social e não de normalização. 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
História da Psicologia no Brasil: Novos Estudos - Marian Massimi
Cap. III - As ideias Psicológicas no Brasil nos séculos XVII e XVIII.