sábado, 7 de setembro de 2019

Teoria da Comunicação Humana na Abordagem Sistêmica


Comunicação é transferência de informação e se dá pelo EMISSOR(codificador), CANAL (mensagem) e RECEPTOR (Decodificador).

Teoria da Comunicação Humana é vista como um recurso teórico para compreender o sistema familiar. Portanto, a comunicação é um tema central na Teoria Sistêmica, cujo foco deixa de ser o indivíduo em si, para focar nas relações que se estabelecem entre os organismos no sistema.

Para a TEORIA SISTÊMICA:
  • Relacionar-se é comunicar-se.
  • Foco nas relações e no modo como se comunicam no sistema.
  • Olhar em um dos elementos individuais do sistema, em detrimento do contexto e das relações.
  • Considera o contexto para entender as regras das relações entre os organismos.
  • Observar as interações dentro do sistema evidencia:  se existe redundâncias; identificar se os padrões se repetem; identificar padrões que podem ser reconhecidos na sequência de eventos comunicacionais; ajuda a identificar as regras das relações.
  • Abordagem Sistêmica exige mudança de conceitos e mudança na visão de mundo.
  • Usa-se o verbo ESTAR , nunca o verbo ser.
  • autonomia é concebida num contexto em que a pessoa diz o que é real para si própria no sistema, assumindo a responsabilidade de suas ações, através de acordos consensuais.
Para que CONHECER AS REGRAS DE UM SISTEMA?
  • Para prever comportamentos de nossos parceiros.
  • Ter tranquilidade para saber que, estamos nos comunicando adequadamente naquele sistema.
METACOMUNICAR ou METACOMUNICAÇÃO
  • Exige mudar de posição para observar a comunicação e conversar sobre o que se observa.
  • É a solução dos axiomas da Teoria da Comunicação.
  • Como se espera que ocorra a comunicação.
  • É a forma como você se comunica. É falar sobre a maneira como você fala. Cada um interpreta o conteúdo à partir da sua relação com o outro.
Exemplo: Um menino entra em casa, passa direto ao quarto, como se não tivesse visto o pai e a mãe na sala.  O pai fala: esse menino é mal educado. A mãe fala: deve ter acontecido alguma coisa na escola, para ele chegar assim.. Ambos pai e mãe estão falando sobre a maneira como o filho se comunicou, porém, cada um interpreta a comunicação à partir da relação que tem com o sujeit. 

PRAGMÁTICA DA COMUNICAÇÃO
  • Como a comunicação afeta a própria comunicação.
COMUNICAÇÃO FUNCIONAL E DISFUNCIONAL:
  • FUNCIONAL - quando a comunicação é feita e é compreendida pelo decodificador. Portanto, não há axioma para comunicação funcional. Mensagem emitida, recebida e compreendida.
  • DISFUNCIONAL - quando a comunicação é feita mas não é compreendida pelo decodificador.  Essa comunicação sempre tem axioma, ou seja, uma disfunção da comunicação. mensagem emitida, recebida, mas não compreendida.
Em toda comunicação, pode-se distinguir:
  • O CONTEÚDO, onde deve-se concentrar maior atenção.
  • A RELAÇÃO entre os participantes do sistema. É a relação entre os participantes que define a comunicação ou o que fazer com o conteúdo da comunicação.



Segundo Paul Watslawick, Pai da Teoria da Comunicação,  há quatro alternativas possíveis para quem não quer se comunicar:


  1. Rejeição da comunicação (reconhece o outro mas não concorda e não quer falar a respeito)
  2. Aceitação da comunicação ( reconhece e concorda e não quer falar a respeito)
  3. Desqualificação da convivência ( não atribui importância ao outro)
  4. O sintoma como comunicação.
As dificuldades da comunicação são:
  • ambiguidade  (significados diversos)
  • má-interpretação  (não compreensão)
É preciso que haja na relação dos elementos, pistas metalinguísticas, para haver um entendimento.



OS 5 PRINCÍPIOS OU AXIOMAS DA TEORIA DA COMUNICAÇÃO
  • "Só existe axioma numa comunicação disfuncional"
  • A pontuação de sequências é entre os comunicantes no sistema. Se procura ajuda de terceiros, o axioma já não existe mais. 
  • O axioma é sempre entre as pessoas envolvidas no sistema, sobretudo, quando uma aponta a outra como responsável.

1º Axioma: Todo comportamento é comunicação. A impossibilidade de não-comunicar.
  • É impossível não se comunicar.
  • É impossível não influenciar.
  • É impossível não responder à comunicação.
  • Qualquer comunicação implica um compromisso.
  • O comportamento possui valor de mensagem. Como não existe não se comportar, não existe não se comunicar.
  • Não se comunicar é uma disfunção. 
Mesmo as pessoas que fingem estar com sono, com cansaço, embriaguez, conversa de forma desconexa, estão comunicando algo através desses comportamentos não-verbais. Comunicam que "não quer" ou "não pode" se comunicar no sistema.


2º Axioma: Na comunicação distinguimos os aspectos de conteúdo e relação. 
    • Na comunicação distinguimos os aspectos do CONTEÚDO e da RELAÇÃO.   
              - Conteúdo é O que se fala? 
              - Relação é Como se fala?

    Isso indica a posição que o interlocutor se encontra na comunicação. Ex: "Fecha a porta" é o conteúdo. A forma como se fala indica a sua posição no sistema. Falar essa frase de forma mais agressiva, o coloca na posição de autoridade sobre o outro.    

    • Uma comunicação entre duas pessoas, implica na definição da relação entre ambas.
  • Atenção na ENTONAÇÃO dada à comunicação, pois dependendo da entonação dada na hora em que se fala, traz implícita uma "relação diferente entre as pessoas". Exemplo: pela entonação pode mudar o sentido da forma como se relacionam as partes.
3º Axioma: Toda comunicação se baseia numa pontuação de sequência de interações.

  • O ouvinte também responde ao enunciado do emissor,posicionando-se.
  • Não é a entonação que o coloca em determinada posição. É a sua resposta ao emissor.
  • Na resposta ele pode ou não concordar ou aceitar com o que o emissor fala.
  • O emissor espera que o outro obedeça ao que ele fala, mas ele pode ou não obedecer
  • Padrões de comunicação: um manda e outro obedece ou um manda e o outro quer mandar mais ainda.
4º Axioma: Os seres humanos se comunicam digital e analogicamente

Toda comunicação é digital e analógica. 
  • Digital - a comunicação é verbal.
  • Analógica - a comunicação é não-verbal.
  • Ter as duas formas de comunicação, verbal e não-verbal, é uma comunicação funcional.
  • Ter apenas uma das formas de comunicação, é uma comunicação disfuncional.
5º Axioma: Toda comunicação define interações, que podem ser simétricas ou complementares.

Quando ambas, simétricas e complementares, acontecem na relação, tem-se uma comunicação funcional. Quando somente uma das duas acontece, tem-se uma comunicação disfuncional.

  • SIMÉTRICAS - possui uma interação simétrica tanto pela passividade quanto pela atividade. São baseadas na igualdade de posições. Tendem a ser sofridas, pois caracterizam disputa de posição. Ditado popular: Dois bicudos nãos e beijam.
          Exemplo de passividade: que restaurante iremos? Não sei. Escolha! Escolha você.
          Exemplo de Atividade: Quero ir comer marisco. Só vou se for comer carne.

         Disputam a posição tanto pela passividade quanto pela atividade.

  • COMPLEMENTARES - quando valorizam as diferenças. Relação de mando ou autoridade e obediência ou submissão. Quando se compreende a mensagem e se acostuma com elaBaseada na diferença de posições. Se um é autoritário o outro é passivo, podendo chegar a co-dependência entre ambos. Nesse caso não tem disputas, as pessoas se encaixam nesse padrão de que um manda e outro obedece, o que não quer dizer que sejam relações satisfatórias.
META COMPLEMENTARIEDADE - quando se desenvolve uma situação de complementariedade para resolver apenas aquele conflito. Tende a reduzir o conflito.

PSEUDO SIMETRIA - Quando se desenvolve uma situação de simetria para resolver um conflito específico. Tende a reduzir o conflito.


Referências:
Apostila: Atendimento_sistemico tomo2.indd519
Google Imagens







quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Suplício - Vigiar e Punir - Michel Foucault

CAPÍTULO I - O CORPO DOS CONDENADOS

O SUPLÍCIO DE DAMIENS

O capítulo narra a historia da punição de Damiens, condenado em 02/03/1757,  a pedir perdão publicamente diante da poria principal da Igreja de Paris sobre o qual se cometeu requintes de torturas inexplicáveis para um ser vivo.


...um patíbulo que aí será erguido, atenazado nos mamilos, braços, coxas e barrigas das pernas, sua mão direita segurando a faca com que cometeu o dito parricídio, queimada com fogo de enxofre, e às partes em que será atenazado se aplicarão chumbo derretido, óleo fervente, piche em fogo, cera e enxofre derretidos conjuntamente, e a seguir seu corpo será puxado e desmembrado por quatro cavalos e seus membros e corpo consumidos ao fogo, reduzidos a cinzas, e suas cinzas lançadas ao vento...


Finalmente foi esquartejado [relata a Gazette d’Amsterdam].2 Essa última operação foi muito longa, porque os cavalos utilizados não estavam afeitos à tração; de modo que, em vez de quatro, foi preciso colocar seis; e como isso não bastasse, foi necessário, para desmembrar as coxas do infeliz, cortar-lhe os nervos e retalhar-lhe as juntas... 



O REGULAMENTO DE PRESOS - PARIS

Três décadas mais tarde, eis o regulamento redigido por Léon Faucher para a “Casa dos jovens detentos em Paris”], onde criou-se um regulamento para os presos, que incluía horário de escola, pátios, oficinas de trabalho, refeições, recreio, etc.  Menos de meio século após o suplício.

Época de grandes escândalos, dos castigos, dos projeto de reformas, da nova teoria da lei e do crime, nova justificação moral ou política do direito de punir, abolindo antigas ordenanças, supressão dos costumes, projetos etc. Inicialmente nos EUA , Europa e depois em outros países. 

Dentre tantas modificações do sistema prisional, a principal seria o DESAPARECIMENTO DO SUPLÍCIO. o CORPO deixa de ser alvo principal da repressão penal. 

A festa da punição vai-se extinguindo no fim do século XVIII e começo do século XIX.


  • A supressão do espetáculo punitivo. O cerimonial da pena vai sendo obliterado e passa a ser apenas um novo ato de procedimento ou de administração. 
  •  condenados com coleiras de ferro, em vestes multicores, grilhetas nos pés, trocando com o povo desafios, injúrias, zombarias, pancadas, sinais de rancor ou de cumplicidade. 


  • A execução pública é vista então como uma fornalha em que se acende a violência. Em virtude da exposição da violência, o povo ia se tornando cada vez mais violento também.  A punição pouco a pouco deixou de ser uma cena. E tudo o que pudesse implicar de espetáculo desde então terá um cunho negativo; e como as funções da cerimônia penal deixavam pouco a pouco de ser compreendidas. Os juízes aos assassinos, invertendo no último momento os papéis, fazendo do supliciado um objeto de piedade e de admiração.

    A punição passa ser a parte mais velada do processo penal, provocando várias conseqüências: 
    • deixa o campo da percepção quase diária e entra no da consciência abstrata; 
    • sua eficácia é atribuída à sua fatalidade não à sua intensidade visível; 
    • a certeza de ser punido é que deve desviar o homem do crime e não mais o abominável teatro;
    • a mecânica exemplar da punição muda as engrenagens

    O desaparecimento dos suplícios é pois o espetáculo que se elimina; mas é 
    também o domínio sobre o corpo que se extingue.

    CORPO DEIXA DE SER ELEMENTO CONSTITUTIVO DA PENA

    O corpo encontra se aí em posição de instrumento ou de intermediário; qualquer intervenção sobre ele  pelo enclausuramento, pelo trabalho obrigatório visa privar o indivíduo de sua liberdade considerada ao mesmo tempo como um direito e como um bem. Segundo essa penalidade, o corpo é colocado num sistema de coação e de privação, de obrigações e de interdições. O sofrimento físico, a dor do corpo não são mais os elementos constitutivos da pena. O castigo passou de uma arte das sensações insuportáveis a uma economia dos direitos suspensos

    REFLEXÃO: 
    um médico hoje deve cuidar dos condenados à morte até ao último instante — justapondo-se destarte como chefe do bem-estar, como agente de não-sofrimento, aos funcionários que, por sua vez, estão encarregados de eliminar a vida. Ao se aproximar o momento da execução, aplicam-se aos pacientes injeções de tranquilizantes

    A experiência e a razão demonstram que o modo em uso no passado para decepar a cabeça de um criminoso leva a um suplício mais horrendo que a simples privação da vida, que é a intenção formal da lei, para que a execução seja feita num só instante e de uma só vez;



    Desaparece, destarte, em princípios do século XIX, o grande espetáculo da punição física: o corpo supliciado é escamoteado; exclui-se do castigo a encenação da dor. Penetramos na época da sobriedade punitiva. Entretanto, os mecanismos punitivos tenham adotado novo tipo de funcionamento, o processo assim mesmo está longe de ter chegado ao fim. A redução do suplício é uma tendência com raízes na grande transformação de 1760-1840, mas que não chegou ao termo. E podemos dizer que a prática da tortura se fixou por muito tempo — e ainda continua — no sistema penal francês. A guilhotina, a máquina das mortes rápidas e discretas, marcou, na França, nova ética da morte legal. 

    O poder sobre o corpo, por outro lado, tampouco deixou de existir totalmente até meados do século XIX. Sem dúvida, a pena não mais se centralizava no suplício como técnica de sofrimento; tomou como objeto a perda de um bem ou de um direito. Porém castigos como trabalhos forçados ou prisão — privação pura e simples da liberdade — nunca funcionaram sem certos complementos punitivos referentes ao corpo: redução alimentar, privação sexual, expiação física, masmorra. 

    Nos últimos tempos as penas foram afrouxadas e passam a ter como objeto a alma e não o corpo.
    Mably formulou o princípio decisivo: Que o castigo, se assim posso exprimir, fira mais a alma do que o corpo. 

    A JUSTIÇA CRIMINAL DE HOJE

    • Da-se um veredicto.
    • A justiça criminal volta-se para requalificação do saber, técnicas, que se formam e se entrelaçam com a prática do poder de punir.
    • Muda a sensibilidade coletiva, um progresso do humanismo.
    • Sistemas punitivos concretos são vistos como fenômenos sociais que não podem ser explicados unicamente pela armadura jurídica da sociedade, nem por questões éticas fundamentais.



    REFERÊNCIAS
    VIGIAR E PUNIR - MICHEL FOUCAULT
    CAP. I


    A constituição do paradigma psiquiátrico.


    Origens históricas e conceituais da psiquiatria e suas práticas institucionais, à partir das experiência de Philippe Pinel no Hospital de Bicêtre, fins do séc. XVIII, na França.


    CONDIÇÕES HISTÓRICAS DO NASCIMENTO DA PSIQUIATRIA

    Revolução francesa
    • Surge um novo estatuto para os indivíduos.
    • Hospital se constitui centro de produção de conhecimento médico.
    • A loucura vira objeto de cuidados médicos - Psiquiatria.
    • Provocou muitas transformações na humanidade.
    • Surge os ideais de Liberdade, Igualdade e Fraternidade.
    • Deu início a um mundo positivo, construído e dominado pelo homem, capaz de ser transformado pela ciência, detentora da verdade, na contrapartida do poder da Igreja, em tempos anteriores.
    Phillipe Pinel, médico enciclopedista, filósofo e naturalista, foi indicado para ser o reformador das características do hospital em Paris, tornando-a uma instituição ativamente médica. Porém, essas ocorrências também aconteceram em outros países da Europa.
    • 1793, torna-se médico chefe do hospital de Bicêtre.
    • Pai da Psiquiatria com a organização do Primeiro Hospital psiquiátrico moderno e o primeiro livro de psiquiatria dos tempos atuais.
    • desacorrentou as alienadas - "O gesto de Pinel", gesto simbólico da fundação da Psiquiatria.
    • Hospital passa a ser um novo espaço para a loucura.
    • O saber produzido no hospital permitia que as doenças fossem agrupadas, a partir da observação destas no dia a dia, em seu curso e evolução.
    • tornou-se lugar de exame e laboratório, permitindo nova classificação das doenças.
    • deixa de ser um local de exclusão e morte, para ser um local onde se obtém a cura.
    • A psiquiatria nasce simultaneamente às transformações do hospital em lugar de produção de saber e nascimento da clinica e anatomia patológica.
    Transformações nas Instituições Psiquiátricas
    • Pinel adota um conjunto de estratégias: 
              Isolamento do mundo exterior
              Constituição da Ordem Asilar
              A relação da autoridade

    ISOLAMENTO DO MUNDO EXTERIOR
    • Início do processo de conhecimento no contexto das ciências naturais.
    • Ato de percepção - isolado se observa melhor o objeto que se quer conhecer cientificamente.
    • Importante para a constituição do conhecimento científico.
    • Medida de ordem científica que possibilita um contato exclusivo, específico, com o objeto a ser estudado.
    • Objeto fica livre de interferências externas.
    MÉTODO CIENTÍFICO EXPERIMENTAL DA CLÍNICA E ANATOMOPATOLOGIA
    • Observar
    • Descrever
    • Comparar
    • Classificar
    ORDENAÇÃO HOSPITALAR E A NOSOGRAFIA PSIQUIÁTRICA
    • Médicos procuravam identificar e agrupar as doenças por semelhanças e diferenças.
    • Pinel no grupo de ideólogos, buscavam uma fundamentação científica para o conhecimento dos fenômenos da realidade Defendiam o valor do conhecimento empírico, construído a partir da observação da realidade.
    • Para conhecer era preciso isolar, observar, descrever, comparar e classificar.
    • Arranjo nosográfico da loucura: Classe, Ordem e Espécie.
    • As doenças  diagnosticadas ou identificadas eram agrupadas. Ex: salas apenas com febris, traumatizados, doenças de pele, etc;
    • Método de agrupar os diferentes tipos de alienação mental era chamado afastamento- observação regular e constante dos internos. É daí que surge a organização do hospital em enfermarias (de mansos, de agitados, de melancólicos, de sórdidos) ou pavilhões. Só assim, era possível tornar o hospital local de cura.
    • Pinel percebe que os doentes comuns era diferentes dos loucos. Os doentes comuns tinham o hospital como meio de cura e os loucos eram eles próprios a cura.
    HOSPITAL COM FUNÇÃO DE REMÉDIO
    • Modelo psiquiátrico tem o isolamento como princípio terapêutico, e estratégia de conhecimento. - Conceito de Alienação Mental
    • Internados no Asilo para serem estudados, diferentes tipos de loucura foram chamadas de alienação mental, e viabilizaram a organização da instituição para cumprir seu papel de local de exame e de tratamento.
    • A alienação mental, sendo um distúrbio das paixões, seria possível trata-la reeducando amente alienada, portanto, nem todas as alienações são incuráveis.
    • Alienista - aquele que ajuda a cura da alienação mental, ou seja, aquele que traz o alienado para a realidade, controla os impulsos, afasta as ilusões e devaneios e falsas percepções. desenvolve nele a vontade e os desejos.
    • Tratamento moral foi o nome dado ao conjunto de estratégias voltadas para a reeducação da mente alienada. Iniciava a partir do regime disciplinar do hospital e da instituição do trabalho terapêutico.
    • Tratamento moral não ficava restrito à influência moral do alienista chefe ou ao trabalho, mas também era feito por intermédio de recursos de repressão.
    • Os castigos disciplinares tem a função de reduzir os desvios, devendo ser essencialmente corretivo.
    O TRABALHO TERAPÊUTICO
    • Instrumento terapêutico  como um dos principais elementos do tratamento moral.
    • Conceito de alienação mental - distúrbio moral (das paixões)
    • Estimula a vontade, o controle de suas energias, pensamentos e condutas.
    • Introdução de remédios morais, consistentes na instituição do trabalho, a fim de resgatas pensamentos perdidos, redirecionar consciência para realidade.
    • A disciplina do trabalho restitui um interesse real pelo mundo objetivo, saindo da indolência, apatia e da vida vegetativa.
    • Trabalho como meio de cura.
    • Foucoult via o trabalho como uma tecnologia política, de poder sobre o corpo.
    • Juliano Moreira afirmava que o trabalho organizado era um elemento moralizador, capaz de assegurar a disciplina
    PRIMEIRO HOSPITAL PARA ALIENADOS DO BRASIL, O HOSPITAL DE PEDRO II (DECRETO N.1077, DE 04 DE DEZEMBRO DE 1852:

    Artigo 32  estabelece os meios de depressão como forma de tratamento moral. Os únicos meios de repressão permitidos (castigos) para obrigar os alienados à obediência são:
    • Privação de visitas, passeios e quaisquer outros recreios (isolamento)
    • Redução de alimentos, dentro dos limites ´prescritos pelo médico.
    • Reclusão solitária, com a cama e os alimentos que o clínico prescrever, sem exceder 2 dias, cada vez que for aplicada ( solitária).
    • Colete ou camisa de força.
    • Banhos de emborcação, primeiro na presença do clínico, depois na da pessoa e pelo tempo que ele designar.
    5 justificativas do isolamento, à partir do olhar do hospital enquanto instituição psiquiátrica:
    • garantir a segurança dos loucos e familiares, associando a alienação mental a periculosidade
    • liberá-los das influencias externas
    • Vencer suas resistências pessoais
    • Submetê-los a um regime médico.
    • Impor-lhes novos hábitos intelectuais e morais.

    LOUCURA E CIDADANIA
    • Surge a primeira Assembléia Nacional constituinte e a primeira Declaração Universal dos Direitos do Cidadão.
    • Os dirigentes faziam o Estado e as Leis.
    • Surge o conceito de cidadania.
    • Os loucos considerados incapazes só poderiam tornar-se cidadãos quando sia razão fosse plenamente restabelecida.
    • A instituição asilar psiquiátrica permaneceria com os princípios do isolamento, do tratamento moral e da disciplina.


    REFERÊNCIAS;
    Saúde Mental - Políticas e Instituições - Módulo 4
    Google Imagens