quarta-feira, 25 de setembro de 2019

ESTEREÓTIPOS, PRECONCEITOS, COGNIÇÃO SOCIAL E DISCRIMINAÇÃO.

ESTEREÓTIPOS

 

  • Os indivíduos vêm de uma maneira geral, o que é congruente com o estereótipo, e não vêm o que é incongruente.
  • Legitima certas ações em prol de outras e contribuem para justificar preconceitos e práticas discriminatórias ao atribuir a determinados grupos o estatuto de inferioridade.
  • A confirmação do esteriótipo, embora arbitrária leva ao processo de categorização, que é um fenômeno natural, já que quando pensamento,s pessoas, sentimentos são categorizados, são prontamente ativados. Categorizar implica em pensar a pessoa como membro de um grupo e não admitir sua individualidade, como uma auto-definição pertencente a uma categoria social. Necessidade de pertencimento a um determinado grupo, marcados por um rótulo tipo: axezeiros, mulher  de pagode,etc.
  • Ideia de que as pessoas de um mesmo grupo são mais homogêneas entre si, isso mostra que os esteriótipos embaçam a percepção e os julgamentos acerca de outras pessoas.

Walter Lippmann (1922/1961):

  • Estereótipos é uma matriz de pensamentos e sentenças com as características da homogeneidade , fixidez e super generalização.
  • Conceituou ESTEREÓTIPOS  como imagens mentais construídas a partir do sistema de valores do indivíduo, com a função de estruturar a complexidade do mundo real.
  • Investigou o poder dos rótulos e seus efeitos na percepção das pessoas.
  • Visão dos estereótipos como algo rígido, exagerado, má e super-simplificado.
  • Caráter fixo dos estereótipos: necessidade do indivíduo proteger a sua definição da realidade, como se fosse um ataque as fundações do seu universo.
  • Considerou os esteriótipos como produtos de um processo normal e inevitável, inerente ao modo como processamos a informação.
Tajfel (1982)

  •  destacou a dimensão social dos estereótipos ao concebê-los como crenças ou conhecimentos amplamente  partilhados por um grupo, gerando um processo de comparação entre nós e eles.
  • Identificou 3 funções nos estereótipos: 
  1. fornecer uma causalidade social para acontecimentos complexos e difíceis de explicar.
  2. É Justificativa, legitimar ações e tratamentos em relação a determinados grupos.
  3. A diferenciação intergrupal positiva, ou seja, necessidade de possuir uma melhor imagem social em relação ao grupo externo.
Myers (2000)
  • Esteriótipos são promovidos em grande parte pelos meios de comunicação de massa, ideologicamente, com o objetivo de diminuir a nossa capacidade de interpretar o mundo.
COGNIÇÃO SOCIAL
  • Operação mental, que esta na base do funcionamento social,envolvendo a capacidade humana de perceber a intenção e a disposição do outro em determinado contexto. Isso inclui habilidades nas áreas da percepção social, atribuição e empatia e reflete a influencia do contesto social.
  • Dá especial atenção às estruturas cognitivas, que são determinantes na produção do conhecimento social.  Nessa perspectiva surge o conceito de esquema.
  • ESQUEMA  é visto como subproduto do processo de categorização. É definido como uma "estrutura abstrata de conhecimento que especifica os fatores determinantes e os atributos de um dado conceito."(Pereira,2002,p110) quando aplicado em grupos sociais, são esquemas de grupo. Facilitam e orientam o processamento da informação sobre coletividades interferindo nos processos de atenção, interpretação e memória, bem como sobre os julgamentos dos membros dos grupos percebidos.
  • PROTÓTIPO é "uma representação de um grupo que se sustenta em um conjunto de associações entre um rótulo verbal intrínseco ao grupo e um conjunto de fatores que se presumem serem acertadamente aplicáveis àquele grupo." (Pereira, 2002, p110_)
  • PSICÓLOGOS SOCIAIS se interessam por esses processos porque as crenças a eles relacionadas podem ter influências negativas sore os indivíduos alvo dos esteriótipo e dos preconceitos. Os profissionais de psicologia se interessam pela estereotipização e os preconceitos  porque estes representam um pilar central de um objetivo maior da Psicologia como ciência: a compreensão do como e do porque as pessoas sentem e reagem a cada uma das outras.
  • A PSICOLOGIA SOCIAL se utiliza de palavras como "esquemas" e "categorizações", categorização um processo de subsunção (inclusão) em uma categoria, presente na formação dos estereótipos e ESQUEMAS são estruturas abstratas do conhecimento que facilitam e orientam o processamento de informação sobre a coletividade, interferindo na atenção, interpretação e memória.
  • O modelo comunitário de saúde se aproxima com a concepção que a psicologia social traz de valorizar as representações, cognições e atitudes dos sujeitos envolvidos na interação social e no processo de saúde.
  • Na perspectiva da Psicologia Social, as populações socialmente vulneráveis, quilombos, negros indígenas, etc, são constantemente atravessadas por exclusões sociais que formam maiorias psicológicas, sustentadas por ideologias de poder e desigualdade históricas e sociais.

Walter Lippmann (1922/1961):
  • Seu livro "Opinião Pública" esboça os primeiros estudos sobre Cognição Social, no qual reflete o modo como as pessoas constroem suas cognições em torno dos acontecimentos, suas influência internas e externas e suas representações da realidade social.
  • Define como o estudo de como as pessoas dão sentido a outras pessoas e a si mesmas, ou seja, como as pessoas individualmente percebem as outras.
Devine, Hamilton e Ostrom(1994)
  • a cognição social se caracteriza pelo estudo de todos os fatores que influenciam a aquisição, representação e recuperação de informações, e como isso influencia nos julgamentos das pessoas.
  • Analisa o processamento da informação social, ou seja, os processos de  aquisição, representação e recuperação de informações
DIFERENÇA ENTRE ESTEREÓTIPO E PRECONCEITO


  • Estereótipos são associações cognitivas relacionadas com a percepção de grupos.
  • Preconceito é conceituado como uma atitude, ou seja, predisposições para reagir negativamente ou positivamente a respeito de certos objetos, instituições, conceitos ou outras pessoas. Segundo Allport (1954) preconceito é um atitude negativa em relação a uma pessoa, baseada na crença de que ela tem as características negativas atribuídas a um grupo. Essa atitude  é composta por 2 componentes: um cognitivo, a generalização categorial,  e um disposicional, a hostilidade, que influenciaria componentes discriminatórios. Preconceito é uma combinação distinta de sentimentos inclinações para agir e convicções. Seus componentes essenciais são: afeto, tendências comportamentais, a cognição (convicções estereotipadas sobre grupos alvo do preconceito.). Uma antipatia direcionada aos grupos externos acompanhada por uma generalização indevida (Pettigrew,1998), e isso se dá por que os padrões valorativos desse grupo externo contradiz os valores do grupo no qual a pessoa esta inserida, caracterizando uma forma de relação intergrupal organizada em torno das relações de poder entre grupos.
  • Relação entre papeis sociais e as atitudes implicam em que a atitude, apesar de ser uma predisposição de cada sujeito, é formada através das interações deste sujeito nos seus diversos papeis sociais.
FORMAS DE PRECONCEITO


Há dois tipos de preconceitos, e ambos se baseiam no papel da percepção das diferenças culturais como deflagradora da discriminação. 
  • o clássico ou flagrante, caracterizado pela expressão de atitudes e comportamentos hostis em relação a um grupo-alvo. este integra duas dimensões: rejeição do grupo alvo e percepção de que este constitui uma ameaça, a rejeição de intimidade com membros do grupo alvo.
  • o novo ou sutil, apresenta-se de forma menos aberta e mais encoberta.
PRECONCEITO RACIAL E DE COR
  • é uma atitude desfavorável culturalmente condicionada em relação aos membros de uma população, aos quais se têm como ESTIGMATIZADOS, seja devido a aparência seja pela ascendência étnica. são formadores das castas.
DISCRIMINAÇÃO

  • Envolvem ameaças reais ou simbólicas aos privilégios dos membros, porque esses privilégios contrariam os privilégios do grupo no qual esta inserida a pessoa que discrimina.
  • É um comportamento manifesto, geralmente apresentado por uma pessoa preconceituosa, que se exprime através da adoção de padrões de preferência em relação aos membros do próprio grupo.
  • Pode se dar pela rejeição verbal, através de palavras de insultos, etc. Pode se dar também pela forma de evitação. formas mais graves implicam em verbalizações e julgamento explicito, changando a exclusão.
ETNOCENTRISMO


  • Uma modalidade de discriminação.
  • Uma visão de mundo onde o nosso próprio grupo é tomado como centro de tudo. Todos os acontecimentos sociais e todos os outros grupos são pensados e sentidos através de nossos valores, modelos e definições do que é a existência. Como se fosse o único possível, decorrendo daí uma discriminação com expressa intolerância às diferenças culturais.





domingo, 22 de setembro de 2019

Envelhecimento x Erik Erikson / Henri Wallon

Processo de envelhecimento na transição adulto/idoso.

Implicações dos processos cognitivos na passagem adulto-idoso:

  • Os processos cognitivos envolvem a inteligência e habilidades de processamento, e algumas dessas habilidades, a velocidade de processamento mental e o raciocínio abstrato podem declinar com a idade, pois estes podem refletir uma degeneração neurológica. Entretanto, o declínio dessas funções não é inevitável e pode ser prevenido. O impacto das alterações cognitivas é influenciado pelas habilidades cognitivas anteriores, NSE (Nível Sócio-Econômico) e nível Educacional (PAPALIA,2013), portanto,  as habilidades cognitivas do idoso, vão ser influenciadas pelas habilidades cognitivas, não só de sua fase adulta, mas desde a infância e adolescência. Verifica-se uma diferença, sobretudo, na velocidade de processamento e no desempenho não-verbal na transição do adulto para o idoso.
  • Um estudo sobre Inteligência Adulta foram medidas as 6 principais habilidades mentais: significados verbais, fluência verbal,números (habilidade computacional) , orientação espacial, raciocínio indutivo e velocidade perceptual. A velocidade perceptual declinou mais cedo, as outras funções foram declinando mais lentamente, e em alguns não houve declínio. Alguns possuem perdas rápidas de suas capacidades cognitivas, outros mais lentamente e outro até desenvolvem novas capacidades. Portanto, o treinamento cognitivo pode promover a retenção ou crescimento das habilidades cognitivas na transição adulto-idoso. A deterioração cognitiva pode estar relacionada ao desuso. Aqueles que recorrem a treinamento, prática e ajuda social parecem poder utilizar as reservas mentais, sendo capazes de manter o expandir tais reservas. 
Na terceira idade,  há uma diminuição geral na atividade do sistema nervoso central o que contribui para perdas de eficiência do processamento de informações e alterações nas habilidades cognitivas. Exemplos:
  • A velocidade de processamento, depende da saúde, equilíbrio e jeito de andar, além de desempenhos das atividades no dia a dia.
  • habilidades que tendem a se tornar mais lentas: facilidade de deslocar a atenção de uma tarefa para outra, dificultando por exemplo, dirigir.
  • Resolvem problemas práticos com mais eficácia quando estes têm relevância emocional para eles.
O treinamento e feedback podem ampliar as capacidades cognitivas no processo de envelhecimento e as vitaminas  B12 e D têm efeito facilitador em processos cognitivos, tais como: memória, velocidade de processamento e velocidade sensório-motora.
  • memória de curto prazo e memória de trabalho possuem suas capacidades diminuídas gradualmente com a idade. A memória pode ser melhorada pronunciando as palavras em voz alta ou mover os lábios sem emitir som.
  • memória sensorial, semântica e de procedimento parecem tão eficientes nos adultos como nos idoso-memoria de longo prazo.
  • Fala e memória:  adultos mais velhos têm um desempenho melhor na parte verbal.

Perdas e ganhos da terceira idade nas relações sócio-afetivas:

As relações sócio-afetivas se constituem desde as fases anteriores do desenvolvimento humano. Quando o indivíduo consegue manter essas relações com equilíbrio emocional, empatia, respeito, há uma perspectiva que essas relações permaneçam na terceira idade da mesma forma. Da mesma forma, quando o sujeito tem suas relações sócio-afetivas marcadas por conflitos constantes, desafetos, queixas, quando idoso, espera-se também, que essas relações permaneçam da mesma forma.  Há ganhos nas relações afetivas, quando se considera a experiência de vida, sabedoria, capacidade de lidar com os problemas, opinião formada, sensação de missão cumprida, etc. As perdas sócio-afetivas podem ser notadas nas relações de convivência social e familiar, quando o idoso já não é mais tão solicitado, nem tão engajado socialmente e nas relações familiares. A dificuldade de lidar com a possibilidade da morte, deixa-o emocionalmente fragilizado.

Breve resumo do que envolve o seu desenvolvimento adulto-idoso, na Teoria de Erikson.

As 8 idades do homem. Ao longo da vida enfrentamos conflitos psíquicos específicos que ajudam no desenvolvimento de nossa personalidade. Erik Erikson descreveu o desenvolvimento em 8 estágios, e cada estágio dele, traz o nome desses conflitos.

1-    CONFIANÇA X DESCONFIANÇA  (0 ao 1 ano de idade)

bebê terá experiências que o levará a confiar ou não, em sua mãe, e outras pessoas.
É preciso desenvolver tanto a confiança como a desconfiança.

2-    AUTONOMIA X VERGONHA  (2 ao 3 anos)

   O conflito psíquico importante onde a criança desmama por conta da maturação biológica. Aprende a se locomover e a controlar os esfíncteres. Processo gradual e liberação em relação a figura materna que proporciona a criança um sentimento progressivo de independência e autonomia. Quer fazer tudo sozinha e explorar o ambiente ao máximo, podem desenvolver a autonomia.

3-    INICIATIVA X CULPA  (3 aos 6 anos)

     Desenvolve sua identidade como menino ou menina, segundo Erikson. Nesse período a menina ou menino se identificara com seu progenitor do mesmo sexo, copiando aspectos do seu comportamento. A menina exibirá sua feminilidade e o menino sua masculinidade.  O menino tende a antagonizar  com o pai e a menina com a mãe. 

4-    DOMÍNIO X INFERIORIDADE  (7 aos 12 anos)

    Desenvolver habilidade dentro da escola e fora dela. Ler, escrever, calcular, aprender jogo, realizar atividades físicas, colecionar objetos, enfim, toda energia e motivação se referem ao desenvolvimento de competências.    As novas aprendizagens e ação sobre o mundo desenvolve na criança o sentimento de domínio.  Quando elas não são encorajadas a tomar parte nas atividades por outras pessoas, ou é  rejeitada, desenvolve o sentimento de inferioridade.

5-    IDENTIDADE X CONFUSÃO DE PAPÉIS. (12 aos 18 anos)

  Busca entender a si mesmo. Primeira crise de identidade. Na adolescência, ele abandonará algumas dessas características e fortalecerá outras, e  incansavelmente, tentará achar a si mesmo.   Raramente se identificam com os pais, não aceitam  intromissão, rejeitam seus valores. É um esforço de separar sua identidade da de seus pais.  O  adolescente tem uma grande necessidade de pertencer a um grupo social, formado por pessoas de
    sua idade.  Ser parte de tal grupo, ajuda o adolescente a encontrar sua identidade no contexto social. Ao conseguir definir sua identidade desenvolve o sentimento de coerência interna, se sentido uma pessoa integrada e única. Nem sempre o adolescente consegue alcançar essa tarefa, sofrendo a  chamada difusão de identidade quando ele não consegue encontrar a si mesmo.

É a partir do sexto estágio do desenvolvimento que Erikson trata do adulto até o idoso:

6-    INTIMIDADE X ISOLAMENTO  (18 aos 30 anos)

     O jovem-adulto tem interesse em fundir sua identidade com a de outras pessoas. Quer dizer entregar-se em relações de intimidade, as quais será fiel, se entregando a compromissos e sacrifícios. Está pronto para assumir uma relação sexual e afetiva duradoura. Pertencer inteiramente a um grupo religioso a um movimento político. Manter uma amizade profunda e sincera. Ele está pronto para doar-se, para sair de si mesmo sem medo de perder a própria identidade. Caso não tenha atingido essa condição de integridade do eu, terá dificuldade de envolver-se genuína  profundamente com outras pessoas, fugindo da intimidade, convivendo com uma profunda  sensação de isolamento e distanciamento.

7-    GENERATIVIDADE X AUTOABSORÇÃO      ( 30 aos 60 anos)
 
      O adulto interessa-se por criar, cuidar e orientar uma nova geração. É a generatividade.
     Erikson percebe que as pessoas maduras apresentam uma grande necessidade em se  sentirem  responsável por crianças e jovens. Aos se sentirem necessários, sentem-se estimulados. Quando não  ocorre, há um sentimento de estagnação e infecundidade.
     A generatividade pode se realizar pela procriação, mas também, pode se manifestar por atividades  relacionadas ao cuidado e a orientação da infância.

“- Eu penso que nesse estágio, que a ética, a ética madura, se torna possível. Porque agora você aprende a se tornar responsável pelo que está criando. Agora, eu evito o termo “criatividade”. Generatividade significa gerar, produzir algo. Com isso, me refiro a tudo que é gerador. Filhos, produtos, ideias, obas de arte. Com isso uma pessoa pode se realizar, mesmo não tendo sido reconhecida (EX: Picasso) , mesmo não tendo filhos já que generatividade também é ser útil a filhos dos outros, como fazem os professores por exemplo. Ou quando alguém se preocupa em gerar ideias. Não o fazer pode gerar frustrações, isso Freud sempre enfatizou.

8-     INTEGRIDADE DO EGO X DESESPERANÇA   ( 60 anos de idade, em diante)

    O adulto que tiver resolvido de forma satisfatória todos os conflitos dos estágios anteriores e desenvolvido a capacidade da solidariedade humana, terá condições psíquicas para lidar com a crise final ligada a desintegração e a morte. Aqueles que não tenham desenvolvido suficientemente a integração do ego, experimentarão sentimentos de desespero e que não há mais tempo para retornar  experimentar diferentes possibilidades da vida. A integridade do ego leva ao sentimento de união  com a humanidade, a sabedoria e a esperança. A falta de integridade do ego leva a desesperança e ao temor da morte.

Contribuições de Henri Wallon para a transição adulto-idoso:

HENRI WALLON ( 1879-1962) – Francês. Médico, Filósofo e Psicólogo. Se dedicou ao estudo da criança por acreditar que esse é o caminho para se compreender a origem dos processos psicológicos humanos.

AFETIVIDADE E INTELIGÊNCIA – TEORIA PSICOGENÉTICA

Estudou o desenvolvimento infantil a partir das dimensões cognitivas, afetivas e motora. Estudou o desenvolvimento de forma integral, recusando-se a estudar as partes isoladamente. Entretanto, não se estendeu até a idade adulta e idosa. Porém , do ponto de vista de sua Teoria Psicogenética, é do conflito dessas duas condições que emergem o pensamento e a inteligência. Logo conflitos e contradições não são problemas, mas fazem parte do desenvolvimento psíquico normal da criança. As crises muitas vezes são dinamizadoras do processo desenvolvimental, e portanto, benéficas. Nessa perspectiva, os adultos aprendem a lidar com conflitos e contradições, que demandam da vida adulta, fortalecendo as estruturas cognitivas já existentes de fases anteriores.

Para Wallon o desenvolvimento não se dá de forma linear, por isso ele rompe com visões lineares e positivas ao construir um modelo de investigação e interpretação próprio. Pois, percebe que o desenvolvimento humano é marcado por avanços, recuos e contradições; não há uma sucessão de estágios, mas sim, desenvolvimentos que ocorrem de forma simultânea, nas diferentes fases da vida, inclusive na transição adulto-idoso.

Afetividade, motricidade e inteligência.

A inteligência se desenvolve após a afetividade, contrariando outras teorias, sendo assim, no adulto e idoso as relações de afetividade já estão bem definidas. Assim, como afirma Wallon, a inteligência surge de dentro da afetividade e estabelece com ela certa relação de conflito, talvez seja por isso que nos interessamos em aprender as coisas que mais gostamos do que as que não gosta.

Afetividade estamos falando das coisas que nos afetam (ao olhar do outro, objeto, elementos internos como fome e lembranças) trata-se de eventos internos ou externos. É no contexto dessa interação emocional e social que se dá o desenvolvimento cognitivo da criança, e que são fortalecidos nas fases posteriores da vida.

 Wallon destaca a importância das atividades, motoras nesse processo, pois o bebe também expressa suas emotividades por gestos, expressões faciais. O ato motor é uma atividade expressiva que comunica os atos emocionais do bebe e ao mesmo tempo gera estados emocionais nos adultos. Esse aspecto do envelhecimento, a motricidade, pode ser afetada por diversos fatores no processo de envelhecimento.

Defende que o processo de evolução depende tanto da capacidade biológica do sujeito, quanto do ambiente que o afeta de alguma forma. É o meio que vai permitir que essas potencialidades se desenvolvam. Nesse contexto, das capacidades biológicas e do meio em que vive, o adulto e o idoso poderão reduzir ou expandir suas habilidades cognitivas no processo de envelhecimento.

Dentre as principais características dos 6 estágios de desenvolvimento infantil de Wallon, estão que, em cada um dos estágios a criança interage com seu ambiente de formas específicas enquanto busca construir sua própria identidade. Na idade adulta e idoso, onde a identidade do sujeito se encontra bem definida, a fase adulta irá dar o suporte para o estágio seguinte da fase idosa, já que cada estágio representa um tipo de preparação para o estágio seguinte mas revela a descontinuidade.  O desenvolvimento alterna fases de introspecção, voltar-se para si mesmo, e outras, de extroversão, nas quais o individuo se volta para o meio externo, em busca de autonomia.

Conceitos Básicos da Teoria Boweniana -aula de 21/09/2019


Finalidade da Terapia Boweniana:

  • O trabalho terapêutico de família, trabalha o indivíduo para alcançar maior capacidade de pensar, sentir e agir por si só, autonomamente, deixando de estar suscetível ao desequilíbrio, frente às situações tensas.
Conceitos Básicos da Teoria Boweniana:

1. PROXIMIDADE 

Sentimento de pertença como força que coloca o indivíduo para dentro do sistema. Tudo que o indivíduo faz, tende a repetir o que a família faz. Ausência de individualidade, pouca consciência de si, alta ansiedade no sistema, pseudo-self, indiferenciação do self.


2. INDIVIDUALIDADE/INDIVIDUAÇÃO

Força contrária à proximidade, apresenta uma distância da família, da história geracional, colocando o indivíduo para fora do sistema. Presença de individualidade, maior consciência de si, baixa ansiedade nos sistema, eu-sólido, diferenciação do self.

Atenção: Todo processo terapêutico, tem por objetivo, equilibrar essas duas forças: proximidade e individualidade. E é justamente essa busca em tentar equilibrar essas duas forças que Bowen chamou de diferenciação do self.


3. ANSIEDADE
  • É baixa, quando a diferenciação é alta.
  • É alta, quando a diferenciação é baixa.

4. TRIANGULAÇÃO

  • Tem por finalidade reduzir a ansiedade, de forma momentânea, ou seja,  a triangulação se forma por três organismos do sistema para solucionar um conflito momentâneo, reduzindo a ansiedade do sistema, visando resolver o problema. Portanto, a triangulação é funcional.
5. TRIÂNGULO
  • Se forma para solucionar um conflito permanente, e nunca se desfaz no sistema. Portanto, o triângulo é disfuncional. Se forma quando não se consegue resolver um problema no sistema, se torna uma estrutura fixa, e o casal nunca resolve o problema. É quando a triangulação vira um triângulo.


Atenção: 
É através do GENOGRAMA, que torna possível visualizar o sistema familiar.






6. PROCESSO EMOCIONAL DA FAMÍLIA NUCLEAR
  • É do sistema e não do indivíduo em si.
  • Está relacionada à proximidade e individuação.
  • MAIOR PROXIMIDADE, maior ansiedade, as pessoas e grudam mais no sistema, indiferenciação. Exemplo: familiares moram perto, estão sempre juntos. Existe uma fusão de papéis, como se fossem uma família só. Um se mete na vida do outro e criam uma relação de dependência. Só tomam uma decisão se consultar antes, escutar alguém da família de origem. Simbiose, massa de ego indiferenciada e relação de co-dependência.
  • MAIOR INDIVIDUAÇÃO, menor ansiedade, ideia de que já não precisa mais da família de origem, que pode seguir seu caminho, e ter autonomia para fazer diferente.  Dissociação dos papéis, relação de independência em relação aos membros da família. Tem autonomia desenvolvida, eu-sólido, diferenciação do self.
  • ROMPIMENTO EMOCIONAL, ocorre quando os membros da família não conseguem perceber que existe esse elo com a família, mesmo rompendo com o sistema.  Para isso, é preciso REAPROXIMAR os organismos do sistema, para perceberem esse elo que não se desfaz nunca.
Atenção: O processo de construção da diferenciação do self é conseguir integrar as referências que as famílias de origem trazem para o núcleo familiar.


7) PROJEÇÃO FAMILIAR - TRANSMISSÃO MULTIGERACIONAL
  •  Ocorre quando uma geração não dá conta de resolver as tensões do sistema, e acabam projetando nas gerações seguintes essas tensões, podendo transmiti-las de geração em geração, daí a Transmissão Multigeracional.
Exemplo de um Genograma para análise de projeção e transmissão multigeracional.



Jenival, casado com Noca, tiveram um filho chamado Hercúlio.
Jenival possui alto grau de diferenciação, tem autonomia, e um eu-sólido bem desenvolvido.
Noca possui baixo grau de diferenciação, dependente emocionalmente, Pseudo-self, cobra atenção e companhia de Jenival. Como Jenival não atende às suas expectativas, Noca projeta em seu filho Hercúlio, a cobrança de lhe fazer companhia, já que o pai não faz. O filho, atende ao pedido da mãe, se formando aí uma triangulação entre eles. Se o problema fosse resolvido, com o pai passando a dar atenção à mãe, Hercúlio ficaria livre para seguir. Porém, Jenival não está disposto a mudar, e Noca continua a projetar em Hercúlio aquilo que lhe falta. Nesse caso a triangulação se torna um triângulo, já que se torna uma relação permanente entre eles no sistema.
Hercúlio aos 35 anos, casa-se Jonélio, assumindo sua relação homoafetiva. Hercúlio tem baixa diferenciação do self, dependência emocional, alta ansiedade, e Pseudo-self. Acredita que aquela relação que a mãe lhe ensinou é o ideal de relação que poderia construir. Do mesmo jeito que cuidou da mãe, achava que iria encontrar uma pessoa com os mesmos cuidados com ele. Porém, Jonélio tem alto grau de diferenciação do self e não lhe dá os cuidados que ele gostaria, assim como deu a sua mãe. Tentam resolver essa tensão no sistema, adotando uma criança recém-nascida. Entretanto, quando esta criança, chamada Hermínia, completa 10 anos de idade, Hercúlio começa a projetar nela as suas expectativas de cuidados. Porém, hermínia tem alto grau de diferenciação, e diz que não tem obrigação de cuidar do pai, e quem tem que lhe dar atenção é Jonélio, seu marido. Hermínia nega qualquer possibilidade do pai, porém, continua indiferenciada em relação à família.  Mesmo Hercúlio tendo atendido às possibilidades da mãe Noca, ele também continuou indiferenciado em relação à família. Ambos continuam indiferenciados porque na primeira projeção Noca continua com o problema em relação ao marido, nada foi resolvido, e na segunda projeção, Hercúlio também continua com o problema em relação ao marido Jonélio, pois as projeções tendem a não resolver a tensão do sistema. Ao envolver duas gerações (Multigeracional) por meio das projeções, na segunda projeção já ocorre a transmissão. Ambas são famílias disfuncionais, com baixa diferenciação. (História criada em sala por Profa. Patrícia Caldeira)

FAMÍLIA DISFUNCIONAL - BAIXA DEFERENCIAÇÃO