domingo, 22 de setembro de 2019

Escola Intergeracional de Bowen (1990,1991)



Murray Bowen (1913-1990) foi um psiquiatra americano e professor de psiquiatria na Universidade de Georgetown. Bowen estava entre os pioneiros da terapia familiar e um notável fundador da terapia sistêmica. A partir da década de 1950, ele desenvolveu uma teoria de sistemas da família.

Murray Bowen (1990,1991) criou a Teoria Boweniana, que fundamenta a Terapia Sistêmica.

TEORIA BOWENIANA
  • Seu objeto de estudo é a FAMÍLIA NUCLEAR, 
  • Recorre à FAMÍLIA DE ORIGEM como ferramenta para ajudar a reduzir a tensão familiar, ou seja, recorre ao HISTÓRICO GERACIONAL dessa família nuclear.
  • Primeiro, sempre olha o NÚCLEO FAMILIAR, depois recorre à FAMÍLIA DE ORIGEM.
  • Objetivo da Teoria: Identificar a DIFERENCIAÇÃO do indivíduo em relação à família, e é essa CAPACIDADE DE DIFERENCIAÇÃO que vai implicar na saúde mental do individuo.
ENTENDENDO  INDIFERENCIAÇÃO /DIFERENCIAÇÃO  

Massa Indiferenciada do Ego
  • Conceito central da Teoria de Bowen
  • Significa fusão ou aglutinação, quando o sentimento de pertença requer do indivíduo máxima renúncia de sua autonomia.
  • A criança ao nascer está totalmente indiferenciada (dependente) da família, e esta passará a vida construindo tentando se diferenciar (ganhar autonomia) desta, e é essa autonomia que vai fazê-la alcançar seu grau de diferenciação em relação à sua família de origem.
  • DIFERENCIAÇÃO - MAIS AUTONOMIA - INDIVIDUALIDADE
  • INDIFERENCIAÇÃO - MAIS DEPENDÊNCIA - PROXIMIDADE
No CONTEXTO FAMILIAR encontra-se três sentimentos: 
  • de pertença
  • de diferenciação
  • de individuação
Quanto mais acolhido o indivíduo no contexto familiar, maior a liberdade para buscar sua individualidade, subjetividade, singularidade, que implica na busca de sua INDEPENDÊNCIA EMOCIONAL: capacidade de PENSAR, AGIR e SENTIR por si só.

Há  dois TIPOS DE DIFERENCIAÇÃO:

DIFERENCIAÇÃO INTRAPSÍQUICA
  • Capacidade de separa PENSAMENTO de SENTIMENTO.
  • Pessoas pouco diferenciadasdificilmente fazem essa diferença, pois não conseguem pensar com objetividade.
  • Pessoas muito diferenciadasfacilmente distinguem pensamento de sentimento, pois conseguem pensar objetivamente.
DIFERENCIAÇÃO INTERPESSOAL
  • Diz respeito às pessoas com as quais nos relacionamos.
  • Pessoas madurastendem a aumentar o nível de diferenciação interpessoal.
  • Pessoas imaturas, tendem a diminuir o nível de diferenciação interpessoal.

PESSOAS REBELDES/ REATIVIDADE

Bowen chama de REAÇÃO as respostas dadas de forma IMPULSIVA. O ideal é que se consiga RESPONDER SEM REAGIR, conseguindo conter a própria REATIVIDADE diante do outro.
  • Pessoas rebeldes são altamente reativas e o self é pobremente desenvolvido. Tem seus valores e crenças formados em oposição aos pais, e acabam desenvolvendo um PSEUDO-SELF.
PADRÕES REATIVOS, segundo Bowen:
  1. CONDESCENDENTE- evitar sempre conflitos, procura acertar tudo, pseudo Self. No 2º quadrante. 
  2. REBELDE - Sempre do contra, opositor, sempre contraria uma figura de referência. Padrão reativo, rebelde. Não sabe o que quer, mas só sabe que quer contrariar. No 2º quadrante.
  3. ATACANTE - diante de situação de ansiedade, acaba atacando. Alto padrão reativo. Baixa autoestima. Diminui o outro para se sustentar ou ignora o outro me achando melhor que ele. No 1º quadrante.
  4. DESERTOR - Quando acha que não vai dar conta de um briga acaba fugindo, muda de assunto, deserta porque acha que não dá conta. 2º quadrante.
PSEUDO-SELF ocorre quando a pessoa vive em função desagradar para atender às expectativas dos outros, e pode se formar pelo pensamento grupal, influenciável. Ou quando constroem seus valores e crenças em oposição aos pais, não importando se fazem sentido para o indivíduo.

EU-SÓLIDO é contrário ao PSEUDO-SELF, onde as crenças e valores são consistentes. O indivíduo resiste a pensamentos grupais e não tenta influenciar nem mudar ninguém.


O GRAU DE INDEPENDÊNCIA EMOCIONAL 

Varia entre duas pessoas, e envolve o HISTÓRICO GERACIONAL, daí a necessidade de analisar os seguintes aspectos:
  1. O grau que os pais alcançaram em relação às suas famílias de origem.
  2. A relação dos pais com os filhos.
Quando emaranhado  nessas relações, a autonomia e a individuação varia de pessoa e fica preso ao campo emocional familiar.

PROCESSO DE PROJEÇÃO FAMILIAR  
  • Caracteriza-se pela transmissão da IMATURIDADE ou BAIXO GRAU DE DIFERENCIAÇÃO dos pais para com os filhos.
  • filho que é objeto de projeção dos pais, fica mais unido a eles, positiva ou negativamente,  apresentando menor grau de diferenciação do self.
  • TRANSMISSÃO MULTIGERACIONAL identifica o problema da pessoa como produto do relacionamento dos pais dela. Daí a necessidade de se analisar o histórico geracional do indivíduo.
Independência emocional bem diferenciada, a emotividade e a subjetividade não são influências fortes entre os pais, e entre eles e os filhos.
  • Baixa emotividade e pressãopermite ao filho, crescer PENSANDO, SENTINDO e AGINDO por SI MESMO.
  • Alta emotividade e pressãonão permite ao filho, crescer PENSANDO, SENTINDO e AGINDO por SI MESMO.
CORTE OU ROMPIMENTO EMOCIONAL 
  • Os membros familiares são "obrigados" a seguir os passos da família de origem, como uma exigência intransponível. 
  • Aquele que sai dessa regra, ou aquele que permanece na casa dos pais, estão da mesma forma ligados emocionalmente a eles.
CERCA DE BORRACHA DE BOWEN
  • Serve para manter os membros da família juntos. Na medida em que o indivíduo vai se diferenciando, não há rompimento com a família, porque o sentimento de pertença àquela família de origem se fortalece, junto com a conquista da autonomia.
ESCALAS DE DIFERENCIAÇÃO DO SELF
  • Instrumento para avaliar o GRAU VARIADO DE INDEPENDÊNCIA EMOCIONAL  do indivíduo, em relação à sua família.
  • A independência emocional do indivíduo dependerá de quanto seus pais são independentes emocionalmente em relação à suas famílias.
O PROCESSO DE DIFERENCIAÇÃO DO SELF mede o nível de diferenciação funcional ou relacional que é influenciável pela ANSIEDADE. Essa ansiedade é apenas usentimento do sistema, e não uma patologia do indivíduo, como se entende a ansiedade. 
  • ANSIEDADE BAIXA - pessoas menos reativas; pessoas mais responsivasmaior diferenciação do self.
  • ANSIEDADE ALTA -  pessoas mais reativas; pessoas menos responsivasmenor diferenciação dos self.
O  nível de DIFERENCIAÇÃO INTRAPSÍQUICA de Bowen, se reporta à sua ESCALA, que vai desde o mais baixo grau de diferenciação até o mais alto grau de diferenciação, considerado por ele impossível de se atingir. Essa escala mostra o quanto se distancia e se aproxima o indivíduo, da diferenciação. 

QUADRANTES DA ESCALA DE BOWEN

1º QUADRANTE ( Nível de diferenciação de 0 à 25)
  • pessoas sentimentais, extremamente reativas, dificuldade de manter relações duradouras, faz pouco uso da razão, submissas, comportamentos controversos. 
  • Pouco maduras emocionalmente, alta ansiedade, indiferenciadas de seu sistema familiar. Alta emotividade, não pensa, age ou sente por si só; dependentes emocionalmente. Pseudo-self. Indiferenciação do self (proximidade)
2º QUADRANTE (Nível de diferenciação entre 25-50)
  • Self pobremente definido, com alguma mas não expressiva, capacidade para diferenciar-se. Personalidades mutáveis, carentes de opiniões e convicções próprias. Falso eu. Sofre influências externas. Pessoas adaptáveis, sentem necessidade de aceitação, sempre havendo uma necessidade de referência.
  • Imaturas emocionalmente, alta ansiedade ainda e reativa, indiferenciadas de seu sistema familiar, principalmente em relação a uma figura que ele segue como exemplo, embora já apresente alguma capacidade de diferenciação. Alta emotividade, dependência emocional. Pseudo-self. Indiferenciação do self (proximidade).
3º QUADRANTE  (Nível de diferenciação entre 50-75)
  • Possui opinião bem definida. Desenvolvem sintomas físicos, emocionais e sociais severos, porém, momentâneos, já que se recuperam rápido (Resilientes). Enfrenta os problemas com mais calma, pouca ansiedade, equilíbrio, evitando crises. Possui a falsa impressão que sabem distinguir, ordenar as emoções quando pressionados.
  • Quando a pessoa chega nesse quadrante, ela tem alta terapêutica.
  • Maduras emocionalmente, baixa ansiedade, responsiva, diferenciadas de seus sistema familiar,individualidade. Eu-sólido. Independência emocional.
4º QUADRANTE (Nível de diferenciação entre 75-95)
  • Pessoas bem diferenciadas. Segue seus princípios, seguras, capaz de ouvir os outros, avaliar seus pontos de vista, modificar suas crenças. São surpreendidos por respostas emocionais frente às pressões.
  • Bowen acha impossível chegar nesse quadrante. Que nem Jesus teria chegado. Esse quadrante existe como inspiração para se chegar a ele.
O trabalho terapêutico de família, trabalha o indivíduo para alcançar maior capacidade de pensar, sentir e agir por si só, autonomamente, deixando de estar suscetível ao desequilíbrio, frente às situações tensas.
  • Quanto maior a consciência de si, maior autonomia, maior diferenciação.
  • Quanto menor a consciência de si, menor autonomia, menos diferenciação.
Fontes: Autoridade e autonomia em tempos líquidos: A teoria sistêmica na contemporaneidade.Nina Guimarães, 2014. Editora Rachel Kopit. Google Imagens

terça-feira, 17 de setembro de 2019

Políticas de Saúde no Brasil



Castelo de Manguinhos - Fundação Oswaldo Cruz - Rio de Janeiro

AS CAMPANHAS SANITÁRIAS

Primeira República ( 1889-1930)
  • Primeira política de saúde implementada pelo Estado brasileiro.
  • Implementou ações e serviços em ordem nacional.
  • Modelo de Campanhas Sanitárias enfrentamento de epidemias, principalmente na capital brasileira (Rio de Janeiro) e outros centros vitais para o desenvolvimento econômico do país, como Santos e São Paulo.
  • Promoveu-se ações de saneamento básico, vacinação em massa erradicando várias e graves doenças parasitárias e infecciosas.

Oswaldo Cruz (1872-1917), médico, cientista e sanitarista se destacou nas campanhas, e liderou a reforma sanitária do Brasil a partir de 1899, no combate a febre amarela, à peste bubônica e à varíola. elaborou o Código Sanitário que introduziu:
  •  a desinfecção, inclusive domiciliar.
  • a notificação permanente de doenças infecto-contagiosas.
  • a vacinação obrigatório
  • a polícia sanitária.
AS CAIXAS DE APOSENTADORIA E PENSÕES (CAPs)
  • Surge na década de 20 (ainda Primeira república).
  • Se constitui uma inovação na área de assistência médica.
  • Sistema iniciado em 1923 pela Lei Eloy Chaves (Decreto n.4682 de 24 de janeiro)
  • Previa a criação de uma caixa de aposentadoria em cada uma das empresas de estrada de ferro, voltada para o empregados. 
  • Em 1926, pelo Decreto n 5109 de 20/12, o sistema foi estendido aos portuários e marítimos.
  • Estruturou-se como empresa.
Benefícios das CAPs, enquanto instituição de previdência:
  • concessão de socorros médicos- assistência médica (contribuintes e familiares)
  • medicamento a preços especiais
  • garantia aposentadorias e pensões aos herdeiros e em caso de morte do titular.
Através das Caixas de Aposentadoria e Pensões foi inaugurada a PREVIDÊNCIA SOCIAL NO BRASIL, cujo Modelo de administração civil e privada - relação de empregado e empregador, no qual o Estado não participa do sistema, nem como fonte de recursos nem como executor administrativo, apenas controlava o sistema a distancia (papel regulador). A Política pública do Brasil estava marcada por uma subordinação do direito à assistência médica a um sistema de previdência social., onde somente os trabalhadores que participavam do CAPs poderiam usufruir. Os demais segmentos populares ficaram excluídos desse modelo de assistência.


Os Institutos de Aposentadoria e Pensões

  • Revolução de 1930 - chegada de Getúlio Vargas ao poder.
  • CAPs foi substituído pelo modelo de Instituto de Aposentadoria e Pensões (IAPs)
As mudanças ocorridas com os IAPs:
  • Estado passa a administrar a Previdência Social
  • Incorporou-se outras classes de trabalhadores no sistema previdenciário.
  • Organizou-se por categoria profissional.
  • Cada categoria tinha o seu Instituto de Aposentadoria e Pensões: dos bancários (IAPB), dos comerciários (IAPC) dos industriários ( IAPI),etc.
Serviços prestados pelos IAPs:
  • Aposentadoria e pensões
  • Prestar assistência médica aos segurados e contribuintes.
  • O Estado mantinha o direito a assistência médica restrito a trabalhadores e contribuintes da previdência social.
  • Os trabalhadores precisavam ser sindicalizados e ligados ao sistema previdenciário.
  • Excluía trabalhadores rurais, alguns trabalhadores urbanos, empregadas domésticas, desempregados.
Fim do Estado Novo e redemocratização do Brasil - 1946

  • Com a redemocratização do país, surge o período desenvolvimentista.
  • A natureza do sistema previdenciário não sofreu muitas mudanças.
  • Modelo de IAPs foi reforçado pela construção de grandes hospitais próprio dos Institutos.
  • Assistência Médica continuava a ser restrita aos trabalhadores reconhecidos por lei e ligados ao sistema previdenciário.
  • Cresce as redes públicas estaduais e municipais, voltadas para o atendimento à população excluída, porém, o atendimento era de qualidade inferior.
GOLPE MILITAR DE 1964 - Rompimento do curto período da democracia.
  • Regime Militar dura 20 anos.
  • Houve fusão de todos os IAPs, de onde surge um único órgão previdenciário: INPS - Instituto Nacional de Previdência Social, responsável por benefícios pecuniários (aposentadorias e pensões) e assistência médica dos segurados e dependentes.
  • INPS herda todas as unidades assistenciais ( hospitais e postos) 
  • Promoveram a entrada de novas categorias no sistema previdenciário: empregadas domésticas, autônomos e trabalhadores rurais.
  • Optou-se pela compra de serviços privados ao invés de promover oferta de serviços médicos somente na rede própria de hospitais.(redes privadas atendem pelo SUS). Com isso, o governo financiava a construção de serviços privados, para que pudessem lhe vender serviços.
  • Surge ao lado do INPS, uma rede privada conveniada, para atender, apenas os trabalhadores contribuintes da previdência (Nisso nada mudou).
  • Ministério do trabalho e Previdência Social determinou a intervenção aos institutos e entidades do sistema, colocando um ponto final na participação dos trabalhadores na gestão do sistema previdenciário, que ele próprio fundou.

Governo Geisel - 1974
  • Criou-se o Plano de Pronta Ação (PPA) para atender a população não contribuinte da previdência em casos de emergência, através de convênios com hospitais universitários.
  • Houve crescimento do setor privado lucrativo.


1975 surge o SNS - Sistema Nacional de Saúde que  faz as seguintes distinções:
  • Entre ações preventivas, sob a responsabilidade do Ministério da Saúde (MS), criado pela Lei 6.025 de 25/06/1974
  • Ações coletivas (MS) e ações individuais (MPAS)
  •  Ações promocionais (M) e ações assistenciais (MPAS)
  • Ações de caráter público (MS) e ações de caráter privado (MPAS)
1977 surge o Sistema Nacional de Previdência e Assistência Social (Sinpas), subordinado ao MPAS(Ministério da Previdência e Assistência Social) composto por:
  • INPS : concessão de benefícios e pensões.
  • INAMPS (Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social)
  • LBA ( Fundação Legião Brasileira de Assistência) : assistência social.
  • FUNABEN (Fundação Nacional do Bem-Estar do menor)
  • DATAPREV (Empresa de Processamento de Dados da Previdência Social)
  • IAPAS ( Instituto de Administração Financeira da `Previdência e Assistência Social): arrecadação financeira do sistema.
  • CEME ( Central de Medicamentos) : produção e distribuição de medicamentos.
Década de 80 - Modelo implantada pelo Regime Militar entra em crise a partir da crise financeira da Previdência Social (1981), causada pela adoção de políticas fortemente recessivas.
  • Intensificaram os movimentos de crítica ao modelo de saúde vigente.
  • Movimento Sanitário pelos partidos de esquerda, populares emergentes, setor de saúde.
  • Documento intitulado: A Questão democrática na Área de Saúde se constitui uma das bases ideológicas do Movimento Sanitário.
  • 1981-1982 o governo militar buscou formular alternativas para a crise do modelo assistencial causada pela crise financeira da Previdência Privada, destacando-se a co-gestão do Ministério da Saúde, Ministério da Previdência e Assistência Social.
  • AIS e SUS ganham expressões nacionais
  • Foram reforçados com a Implementação do programa social do novo regime:
  1. A universalização do acesso aos serviços
  2. a integridade das ações
  3. unificação dos serviços
  4. participação popular
  5. descentralização e expansão do sistema de saúde
  6. ampliação aos estados e municípios.
20/07/1987 - decreto 94.657 cria os Sistemas Unificados e Descentralizados de Saúde (Suds) com as seguintes diretrizes:
  • Universalização e equidade no acesso aos serviços de saúde.
  • Integralidade dos cuidados assistenciais
  • Regionalização e integração dos serviços de saúde
  • Descentralização das ações de saúde
  • Implementação dos distritos sanitários
  • Desenvolvimento de instituições colegiadas...









A tradição excludente das políticas de saúde sofria mais um golpe
  • Constituição de 1988
  • Instituíram o Sistema Único de Saúde (SUS) como a Política Nacional de Saúde.
  • Rompe-se com a medicina previdenciária que garantia atendimento à população.
  • Garantir a universalização do direito à saúde a todos os brasileiros.
  • Reorganização do sistema de saúde sob responsabilidade do Estado-descentralização;
  • Prioriza as ações preventivas (saúde pública)
  • Comunidade participativa.
1990 Governo Fernando Collor de Melo:
  • Aprova as leis orgânicas da Saúde de nr. 8.080/90 e 8142/90.
  • Estas complementam a Constituição Federal que regulamenta o funcionamento do SUS.
  • Organizou-se ações e serviços públicos de saúde para ingressar numa rede regionalizada e hierarquizada, constituindo o sistema único.
  • Ministério da Saúde passa a ser autoridade executiva nacional do SUS
  • NOBs (Normas Operacionais Básicas) instituíram limites máximos (tetos) de financiamento, para serviços prestados, aumentando sua autonomia sobre a gestão do SUS.
Processo de Desenvolvimento das Políticas de Saúde do Brasil:
  • Década de 80 - Garantia o direito aos trabalhadores vinculados à Previdência Social o que acaba essa exclusão no final da década de 80, com o surgimento do SUS. Concepção universalizante do direito a saúde.
  • O SUS integrou a saúde pública com a assistência médica.
  • Novo Modelo do SUS: Descentralizado, atendimento integral e participação da comunidade.

FONTES: Saúde Mental - Políticas e Instituições - Módulo 8


domingo, 15 de setembro de 2019

CAPÍTULO VII - Mas o que é sustentado por nossa sociedade é que um único organismo é controlado por vários agentes psíquicos e que seu comportamento é resultante de suas múltiplas tendências.

E é dessa maneira que a grande “descoberta invenção” de Freud é usada e se faz presente: id. ego e superego. Tais conceitos são freqüentemente usados como criaturas que vivem eternamente em conflitos violentos, cujas derrotas e vitórias produzem comportamentos ajustados ou não no indivíduo no qual residem e no qual o mesmo tem que se haver, uma vez que se tratam de forças sobre as quais não se tem controle algum (Skinner. 2003). 

Não seria o id - ''velho Adão da teologia judaico-cristão” - caracterizado por Freud como egoísta, agressivo, preocupado com as privações básicas e que constantemente se encontra em conflito com os interesses de outrem resultante da filogênese responsável por nossos comportamentos de procura de alimento, água. contato sexual e outros reforçadores primários ? 

Nâo seria o superego - a “consciência judaico-cristã” - definido por Freud como o agente punitivo que é. em grande parte, inconsciente e que está geralmente representando os interesses de outras pessoas e que se opõe inevitavelmente ao id - produto das práticas culturais punitivas de uma sociedade que tenta eliminar o comportamento egoísta gerado pelos reforçadores primários

Nào seria boa parte do superego inconsciente simplesmente porque a comunidade verbal não instruí as pessoas observá-lo ou descrevê-lo? E o ego - visto por Freud como o agente que. além de tentar alcançar um acordo entre o id e o superego. também lida com as exigências do ambiente - não seria o produto da ontogênesedo reforço e das contingências punitivas da vida diária organizadas por outras pessoas? 

Portanto, não é muito mais fácil e óbvio observar que o ator de todo esse impasse é o organismo, que se tornou uma pessoa com repertórios diferentes e possivelmente divergentes, como resultado de contingências diversas e talvez conflitantes? (Skinner, 1998: Skinner, 2003). 

Skinner (1998) aponta ainda que. sob diferentes situações, diferentes “personalidades" podem se manifestar, chamando, mais uma vez. a atenção para a recusa de explicações em termos da personalidade como agente causador e a importância da busca pelas verdadeiras causas do comportamento. Assim, em um mesmo organismo podemos encontrar um homem de negócio, agressivo e irritado e um pai. amoroso e calmo. A personalidade de alguém pode ser muito diferente antes e depois do almoço. "O herói pode lutar para esconder o covarde que habita a mesma pele” (Skinner. 1998. p. 312). 

Existe ainda o fato de que a personalidade pode se restringir a uma ocasião especifica estimulo discriminativo - em que os comportamentos que são eficientes ao conseguir reforço em uma dada situação não os são em outra (Skinner, 1998). Desse modo. a personalidade de um garoto no seio de sua família pode ser muito diferente da personalidade na presença de sua namorada. Padrões variados de respostas podem ocorrer junto dos amigos ou de pessoas desconhecidas, diante de reforçadores ou não, estando na condição de aluno ou de professor, sob o efeito do álcool ou não, estando na universidade ou na igreja, numa roda de amigos ou numa reunião importante de trabalho (Marçal. 2001). Aqui, o que ocorre é que os organismos possuem sistemas de respostas que são adequadas para diferentes conjuntos de circunstâncias, de acordo com a sua história de vida. No entanto, podem ocorrer situações conflitantes nas quais a pessoa se depara com dois desses conjunto, ao mesmo tempo, como por exemplo, quando um rapaz recebe a visita da namorada no trabalho, ou quando se encontra simultaneamente na presença do chefe e do subordinado (Marçai, 2001 ). É hora de começarmos a olhar para fora. 

Há anos as pessoas, incluindo os cientistas, têm se preocupado com a vida mental, mas está mais do que na hora de começarmos a revelar algum interesse por uma análise mais precisa do papel do meio sobre os nossos comportamentos. “À medida que a pertinência da história ambiental se tomou mais clara, questões práticas começaram a ser propostas, não sobre sentimentos e estados mentais, mas acerca do meio ambiente, e as repostas se vêm revelando cada vez mais úteis” (Skinner, 2003, p. 148). 

Vimos que, de um modo geral, a Psicologia e outras áreas do saber concebem comumente a personalidade como o conjunto total das características próprias do indivíduo que, integradas, estabelecem a forma pela qual ele reage costumeiramente ao meio. Não seria justamente o contrário? 

A Análise Comportamental concebe o ser humano a partir das diversas relações existentes entre o indivíduo e o seu ambiente, levando em consideração a história da espécie, a história do indivíduo e a cultura na qual ele se insere. Assim, aquilo que costumeiramente chamamos de personalidade refere-se aos padrões de comportamentos adquiridos e mantidos por contingências. Não admitir essa ideia é. ao meu ver, recusar a própria natureza humana. 

A pergunta que ficou é a seguinte, seremos superficiais, então, somente por não atribuirmos causa aos eventos privados? 

Skinner nos fala que “se excluirmos o significado pejorativo de ‘superficial' como carente de penetração e o sentido honorífico de profundo’ como perspicaz e entranhado, então há uma ponta de verdade na alegarão de que a análise behaviorista é superficial e não atinge as profundezas da mente ou da personalidade” (Skinner, 2003, p. 191). 

Aqueles que dizem ser a ciência do comportamento simplista, limitada e superficial por não lidar com as profundezas da mente ou da personalidade, usualmente revelam-se ultra-simplistas, uma vez que as explicações imemalistas são atraentes justamente porque parecem ser muito mais simples do que os fatos que se dizem explicarem. Assim, os behavioristas (e nós futuros) somos facilmente acusados de superficiais porque é muito difícil acreditar que um principio tão simples possa ter amplas conseqüências em nossas vidas (Skinner, 2003). 

Portanto, os behavioristas não varrem o problema dos eventos mentais e da personalidade, especificamente falando, para debaixo do tapete, abandonando o papel causal da mente sem nada colocar-lhe no lugar. Se isso acontecesse, poderiam sim. ser superficiais no sentido criticável do termo. Skinner (2003) nos fala que ninguém é capaz de dar uma explicação completamente adequada do que é a personalidade, por ser um dos mais complexos assuntos do campo psicológico. No entanto, por mais deficiente que possa ser a explicação dos comportamentalistas. devemos lembrar-nos de que, sob um enfoque comportamental. “as explicações mentalistas nada explicam.” (Skinner. 2003, p. 190).