segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Evolução do Sistema Nervoso e Psicomotricidade


1.    Introdução
Esse trabalho se propõe a mostrar a evolução do sistema nervoso e psicomotricidade a partir das origens evolucionárias do homem.   



2.    Metodologia
Foi realizada pesquisa teórica em livros e sites relacionados ao tema, com o propósito de mostrar a construção histórico-comportamental do homem em relação à evolução de seu sistema nervoso e desenvolvimento da psicomotricidade.
3.    Evolução do sistema nervoso e psicomotricidade – a história
O sistema nervoso é determinante no processo de aprendizagem, considerando o indivíduo nos seguintes aspectos: fisiológicos, no seu comportamento e com as suas emoções.
Essa evolução do sistema nervoso se dá desde a gestação, e após nascer o bebê, o sistema nervoso que ainda se configura em formação, vai se ampliando ao longo da vida até que esteja totalmente desenvolvido, o que vai permitir a apropriação de uma educação melhor, bem como de uma socialização maior, sobretudo em relação a outros animais.
Quando o sistema nervoso atinge a sua maturidade, ocorre a integração das funções motoras e psíquicas, que se dá pela psicomotricidade. Isso é, à medida que o sistema nervoso vai evoluindo, o homem vai desenvolvendo cada vez mais habilidades motoras e psíquicas.
Harari, em seu livro “Sapiens, uma breve história da humanidade”, conta que Sapiens e Neandertais já eram bem diferentes, não só fisicamente, mas também em seus códigos genéticos, além das capacidades cognitivas e habilidades sociais. Entretanto, o que mantém até então, o homo sapiens como única espécie humana é a sua linguagem única, que para ser desenvolvida, depende do desenvolvimento do sistema nervoso, para também se desenvolver, já que está diretamente relacionada ao pensamento humano.
Considerando os aspectos fisiológicos, o homo sapiens possui uma postura ereta possibilitando a realização de amplos movimentos corporais. E assim, vem dominando a espécie humana desde 70 mil anos atrás, o que é melhor, evidenciado com a Revolução Cognitiva, ocorrida entre 70 e 30 mil anos atrás.
A Revolução Cognitiva, segundo Harari, em seu livro Sapiens, surge a partir das novas formas de pensar e se comunicar que o homo sapiens da época foi desenvolvendo, em decorrência das mutações genéticas ocidentais, que teriam alterado o sistema nervoso do cérebro do Sapiens, favorecendo às mutações da árvore do conhecimento, composta de capacidades cognitivas tais como: aprendizado, memória e comunicação. Surgem a partir dessas habilidades cognitivas, diversas criações nunca antes vistas ou relatadas na história.
Com a Revolução Cognitiva, o sapiens vive numa realidade dual que contempla a realidade objetiva, e que se refere a tudo que se pode ver e pegar, como os rios, árvores, animais. Em contrapartida, contempla a realidade imaginada, que se refere aos deuses cultuados, nações, corporação, etc., que não são palpáveis.
Com a evolução do sistema nervoso e desenvolvimento da linguagem o homo sapiens tem sido capaz de revisar seu comportamento de acordo com suas necessidades, que se apresentam em constantes transformações. 
O sapiens da atualidade, ainda é um ser anima, e suas capacidades físicas, emocionais e cognitivas continuam sendo moldadas pelo DNA, e também, influenciadas por fatores ambientais, e peculiaridades individuais.

4.    História da Psicomotricidade

No início do século XIX surge pela primeira vez o termo psicomotricidade, na tentativa de nomear as zonas do córtex cerebral. Isso se dá a partir de descobertas da neurofisiologia, quando se tenta entender o porquê de haver disfunções graves em algumas pessoas sem que o cérebro tenha sofrido nenhuma lesão física. Dentre essas disjunções, estão os distúrbios de atividades gestual e da atividade prática. E é justamente, a partir da necessidade médica de se encontrar a área do cérebro que explicasse tais fenômenos, é que surge pela primeira vez o termo Psicomotricidade em 1870, e suas primeiras pesquisas têm um enfoque, sobretudo, neurológico.
No Brasil, a psicomotricidade foi fundamentada pela escola francesa, nas primeiras décadas do séc XX, quando as mulheres vão trabalhar e seus filhos passam a ser deixados em creches e escolas.
Em 1909 a neuropsiquiatria Dupre afirma a independência da debilidade motora, deixando importante contributo no âmbito psicomotor. Por outro lado, O tônos aiaxial passa a ser estudado por André Thomas e Saint_anné Dargassie.
Do ponto de vista da Psicologia, somente em 1925, que o médico e psicólogo  Henry Wallon ao atribui o movimento humano como instrumento na construção do psiquismo, permitindo-o relacionar o movimento do afeto à emoção, ao meio ambiente e aos hábitos do indivíduo. Em 1935, o neurologista Edouard Guilmain desenvolve um exame psicomotor capaz de diagnosticar o problema.  Em 1947 o psicquiatra Julian de Ajuriaguerra, redefine a debilidade motora como uma síndrome com suas próprias particularidades, delimitando os transtornos psicomotores que variam entre o neurol[ogico e o psicológico. Porém, foi no Brasil que Antonio Branco organizou a primeira escala de avaliação neuromotora para crianças brasileiras. Dra. Helena antipoff, da escola experimental La Maison de Paris, trouxe para o Brasil sua experiência em deficiência mental, derivada cdo autoconhecimento do sujeito. Em 1972 é que há uma maior divulgação da psicomotricidade no Brasil a partir de um convite de autoridades do Ministério da Educação, em Brasília, à Dra. Dalila de Costallat, para falar de saúde mental.
ISPE, Instituto Superior de Psicomotricidade e Educação, destinado à formação de profissionais em psicomotricidade, se dedica ao ensino de aplicações da psicomotricidade em áreas de saúde e educação
A SBP - Sociedade Brasileira de Psicomotricidade, entidade de caráter científico-cultural sem fins lucrativos, foi fundada em 19 de abril de 1980 com o intuito de lutar pela regulamentação da profissão, unir os profissionais da psicomotricidade e contribuir para o progresso da ciência, promovendo congressos, encontros científicos, cursos, entre outros.
Importante notar que a psicomotricidade está ligada ao processo de aprendizagem do indivíduo, desde os menores gestos até a realização de todas as atividades que permeiam a motricidade do sujeito, com a finalidade de que a mesma possa conhecer e se apropriar de seu próprio corpo, desde a infância até a idade adulta, que serão abordados adiante.

5.    Sistema nervoso: da gestação ao desenvolvimento geral    
A formação do cérebro humano a partir de um pequeno grupo de células é um processo incrível que leva muitos anos para atingir o ápice pleno em termos de habilidades sensoriais, motoras e intelectuais. Embora sua passagem não seja regular, segue uma sequência bastante previsível.
Formação do tubo neural:
A neurulação é fundamental no desenvolvimento do sistema nervoso. Ele ocorre quando a medula espinha primitiva (notocorda) envia um sinal aos tecidos que a recobre para que se torne mais espesso, formando a placa neural. Esta se invagina criando assim o sulco neural. As pregas dentro dele se fundem e fecham para formar o tubo neural. Parte do tecido das pregas é bloqueado para originar a crista neural, futuro sistema nervoso periférico.


Da concepção ao nascimento:
PRIMEIRO MÊS
A fecundação – união entre o óvulo e o espermatozoide – dá origem ao zigoto, que se instala no útero após uma série de divisões celulares. Nesse instante, a placenta também começa a se formar, envolvendo o embrião com o líquido amniótico, que auxilia na alimentação do embrião e o protege caso a mãe sofra uma queda. Ao fim do primeiro mês, ele mede entre 0,4 cm e 0,5 cm.
SEGUNDO MÊS
No segundo mês, o coração bate de forma acelerada, aproximadamente 150 vezes por minuto. É nessa fase que se dá início à formação do sistema nervoso e dos aparelhos digestivo, circulatório e respiratório. Os olhos, os braços, o nariz, as pernas e a boca também começam a se desenvolver. O embrião chega medir cerca de 4 cm.
TERCEIRO MÊS
O período fetal, que começa no terceiro mês de gestação, é perceptível pelo desenvolvimento do esqueleto, dos dedos de mãos, das costelas e pés. Todos os órgãos internos se formam até o fim do mês, quando o feto já está com cerca de 14 cm.
QUARTO MÊS
Nessa fase, o bebê mede cerca de 16 cm e começa a se movimentar, sugar e engolir. Já é também é capaz de perceber alterações de luz e diferenciar gostos doces e amargos.
QUINTO MÊS
A partir do quinto mês, nascem os primeiros fios de cabelo, as sobrancelhas e os cílios. Formam-se as trompas e o útero nas meninas e os órgãos genitais dos meninos podem ser vistos no exame de ultrassom. O bebê tem cerca de 25 cm de comprimento e consegue realizar movimentos como chupar o dedo e franzir a testa.
SEXTO MÊS
O bebê mede cerca de 32 cm e já reconhece sons externos, especialmente a voz e a respiração da mãe. Sobrancelhas e Lábios começam a ficar mais visíveis e as pontas dos dedos apresentam sulcos que se tornarão as impressões digitais.
SÉTIMO MÊS
O bebê mede entre 35 cm e 40 cm. Dentro do útero, dorme, abre os olhos, se movimenta e boceja. Os órgãos internos continuam crescendo e ele ouve e reage a estímulos sonoros, como músicas e conversas.
OITAVO MÊS
Nesse período, o bebê mede entre 40 cm a 45 cm e começa a se preparar para ficar em posição de parto – de cabeça para baixo. Para ajudar a manter a temperatura do bebê depois do nascimento, uma camada de gordura se forma sob a pele. Os pulmões estão quase prontos e os ossos ficam mais resistentes.
NONO MÊS
O bebê mede entre 45 cm e 50 cm, todos os órgãos estão completamente formados e ele já consegue controlar a respiração. O cérebro continua a se desenvolver e as fissuras (sulcos) e saliências (giros) aumento em complexidade no nascimento, o bebê tem tantos neurônios quanto um adulto (100 bilhões), a maioria tendo sido formada até o sexto mês gestacional, embora eles ainda não estejam amadurecidos. Em torno da 40ª semana, ele está preparado para nascer.

Defeitos do Tubo Neural:
A espinha bífida é uma malformação do tubo neural que pode trazer complicações para a vida da criança. “Existem graus do problema, sendo o mais grave deles a mielomeningocele, quando a medula espinhal fica exposta, o que pode atrapalhar a marcha da criança, o funcionamento da bexiga e a força nas pernas”, comenta Adriano Keijiro Maeda, neurocirurgião pediátrico do Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba. Na versão mais agressiva, além da malformação em si, ocorre uma síndrome que provoca alterações ortopédicas e hidrocefalia, o acúmulo de líquidos na cabeça do bebê.
A falha fica visível a partir do ultrassom morfológico que é feito perto da 22ª semana de gestação. Ela pode aparecer em qualquer lugar da coluna, mas é mais frequente na região lombar. Logo, começa uma corrida contra o tempo para proteger o sistema nervoso, que já no útero estará exposto ao risco de lesões.
Felizmente, o problema não é tão comum. “A incidência muda entre os países, mas fica na casa de um para cada cem mil habitantes. No Brasil, dois estudos mais recentes mostraram uma taxa que varia entre 1,8 até 2,228 a cada cem mil”, afirma Salgado.

Os fatores de risco:

É multifatorial, mas há um ponto que tem parcela de culpa maior nessa história. É a carência de ácido fólico. O problema é que o nutriente é fundamental para o desenvolvimento do tubo neural do bebê – e não adianta começar a tomá-lo só depois que a gravidez é descoberta. “Percebemos que muitas mulheres acabam tomando errado o suplemento, quando a fase das malformações já passou”, comenta Maeda. Outros fatores relacionados à espinha bífida são a desnutrição no geral, genética e uso de algumas medicações.

Como é feito o tratamento:

Antigamente era preciso operar o recém-nascido o quanto antes, mas agora é possível intervir ainda no útero nos casos mais graves. “A abordagem intrauterina tem resultados cada vez mais favoráveis no fechamento da espinha e proteção do sistema nervoso”, aponta Humberto Salgado Filho, cirurgião pediátrico do Hospital e Maternidade São Luiz Itaim. Ela pode ser realizada por vídeo ou retirando o bebê da barriga por um breve período e o devolvendo para o término da gestação em seu tempo normal.

Anencefalia:

É também caracterizada como uma malformação do tubo neural. Quando a porção superior do tubo neural não se fecha, o resultado é a anencefalia. No entanto, a causa específica não é conhecida. Alguns acreditam que essa condição possa estar relacionada às toxinas ambientais, mas nenhuma ligação total foi atestada. Além disso, também nesses casos, os baixos níveis de ácido fólico no plasma parecem contribuir para os defeitos do tubo neural. A anencefalia pode ser detectada, através do exame de ultrassonografia, por volta da 8ª semana de gestação.

6.    Desenvolvimento psicomotor do homem: a partir do nascimento

AO NASCER: o bebê tem seus membros muito flexíveis. Ele ainda não sustenta sua cabeça mais que alguns segundos, possui movimentos involuntários e têm reflexos muito primários. Os reflexos primários estão relacionados ao instinto de sobrevivência, como por exemplo, se tocar no queixo, ele vira a cabeça na direção do dedo e abre a boca, e se este for colocado na boca o bebê vai reagir com o reflexo de sucção. Se colocado em posição vertical, o bebê esboça automaticamente passadas, como se já soubesse como andar. E ainda, se tocar na palma da mão de um bebe com um de seus dedos, ele vai apertar o seu dedo com força e manter a mão fechada.

PRIMEIRO MÊS DE VIDA: espera-se que o desenvolvimento de seu sistema psicomotor possa permitir que o bebê siga a pessoa com os olhos, que se aproximou dele de forma suave e bem próxima.

SEGUNDO MÊS DE VIDA: o bebê já consegue sustentar a sua cabeça por alguns instantes, porém sua coluna ainda está mole, podem chupar dedos e esboçar sorrisos mais espontâneos.

TERCEIRO MÊS DE VIDA: já sustenta a cabeça ereta, sem a necessidade de segurar o pescoço. Suas costas já estão mais eretas também. Consegue levantar a cabeça quando de bruços e apoiar-se nos antebraços por instantes. Deitado de barriga para cima, já dobra e estica as perninhas. Começa a descobrir as mãos observando-as e qualquer paninho colocado em suas mãos, consegue agarrá-lo e depois largar.

QUARTO MÊS DE VIDA: o bebê explora o corpo com as mãos, junta as mãos, segura objetos por instantes, dá risadas mais elaboradas, e vira a cabeça quando ouve um barulho.

QUINTO MÊS DE VIDA: o bebê ao deitar de costas faz movimentos de pedalar, senta por pouco tempo quando apoiado em travesseiros, agarra tudo e leva na boca, e sorri quando se vê no espelho.

SEXTO MÊS DE VIDA: quando de barriga para baixo, consegue se virar sozinho, estica os bracinhos e segura os brinquedos. Quando apoia as pernas faz movimentos de flexão como se estivesse pulando.

SÉTIMO MÊS DE VIDA: o bebê, já consegue se sentar, com as costas e a cabeça reta. Deitado de barriga para baixo, consegue se apoiar numa só mão e segurar um brinquedo com a outra.

OITAVO MÊS DE VIDA: o bebê inclina-se para frente, pega o brinquedo e retorna a posição sem desequilibrar. Se utiliza das mãos para manter o equilíbrio. Ainda segura a mamadeira sozinho.

NOVE MESES DE VIDA: ele consegue mudar de direção, consegue ficar de bruços, mas ainda não consegue engatinhar, mas já pode arrastar-se apoiando-se no antebraço. Consegue ficar de pé alguns instantes, segurando-se em algum lugar ou na mão de alguém. Consegue pegar pequenos objetos com o indicador e o polegar, o que se chama de pinça fina. Pega brinquedos e dá ao adulto.

DÉCIMO MÊS DE VIDA: consegue engatinhar rápido, se apoia em algo para ficar em pé, e consegue dar alguns passinhos, porém deverá estar andando em mais três meses.

ONZE MESES DE VIDA: já consegue ficar de pé sem se segurar, andar desde que lhe deem as duas mãos, aponta com dedo, dá tchau e bate palmas.

ENTRE 12 E 15 MESES DE VIDA:  o bebê já anda sozinho, fica de pé sem se apoiar, e ainda consegue subir escada.



REFERÊNCIAS
LIVRO: HARARI, Y.N. Sapiens uma breve história da humanidade, 36ª ed., Ed. L&PM, Porto Alegre, RS, 2018. Parte um: Revolução Cognitiva.
PEPSIC – PERIÓDICOS ELETRÔNICOS EM PSICOLOGIA. Psicomotricidade no contexto da neuroaprendizagem: contribuições à ação psicopedagógico. Rev. Psicopedagogia.vol.32, no.97. São Paulo, 2015. Disponível em:http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-84862015000100009.  Acesso em 21/09/2018.
EFDEPORTES.COM. Psicomotricidade: história, desenvolvimento, conceitos, definições e intervenção profissional. Revista digital, ano 13, nr. 126, Rio de Janeiro, 2008. Disponível em: http://www.efdeportes.com/efd126/psicomotricidade-historia-e-intervencao-profissional.htm. Acesso em 21/09/2018.
PINHEIRO, CHLÓE. Tudo sobre espinha bífida, malformação que pode ser corrigida. Revista Bebê. Publicado em 5 nov 2017. Disponível em: https://bebe.abril.com.br/saude/espinha-bifida-malformacao-pode-ser-corrigida/> Acesso em: 22 de setembro de 2018.
MORAES, Alberto Parahyba Quartim de - O Livro do cérebro. Vol 4. São Paulo. SP, Editora Duetto - 2009. Pag 228
FRANCO S. Norma – Descomplicando as práticas de laboratório de neuroanatomia - 2005
GOVERNO DO BRASIL. Conheça todas as etapas do desenvolvimento do bebê. Disponível em: http://www.brasil.gov.br/noticias/saude/2011/10/conheca-todas-as-etapas-de-desenvolvimento-do-bebe / > Acesso em: 22 de setembro de 2018.

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Psicologia Humanista - Seminário.


1.    SURGIMENTO DA PSCOLOGIA HUMANISTA

             Psicologia Humanista surgiu na década de 50 e ganhou força nos anos 60 e 70, como uma reação às ideias de análise apenas do comportamento, como psicologia mecanicista defendida pelo Behaviorismo e do enfoque no inconsciente e seu determinismo, defendido pela Psicanálise, através da negatividade freudiana.
               Os psicólogos humanistas se unem por um objetivo comum: humanizar a psicologia.  Isto é, fazer da Psicologia o estudo daquilo “que significa estar vivo como ser humano”. Estes, voltaram sua atenção para o modo como as pessoas, supostamente “saudáveis” se esforçam para obter autodeterminação e autorrealização.
               A grande divergência com o Behaviorismo é que o Humanismo não aceita a ideia do ser humano como máquina ou animal, sujeitos aos processos de condicionamento. Já em relação à Psicanálise, a reação foi à ênfase dada no inconsciente, nas questões biológicas e eventos passados, nas neuroses, psicoses e na divisão do seu humano em compartimentos. A perspectiva humanista encara a personalidade com um foco no potencial para o crescimento pessoal saudável.
               De forte influência existencial e fenomenológica, a Psicologia Humanista busca conhecer o ser humano, estudando as pessoas por meio de suas experiências e sentimentos por elas mesmo, relatados, tentando humanizar seu aparelho psíquico, contrariando assim, a visão do homem como um ser condicionado pelo mundo externo. No existencialismo, o ser humano é visto como ponto de partida dos processos de reflexão e na fenomenologia, esse ser humano tem consciência do mundo que o cerca, dos fenômenos e da sua experiência consciente.
              A maior contribuição dessa nova linha psicológica é a da experiência consciente, a crença na integralidade entre a natureza e a conduta do ser humano, no livre arbítrio, espontaneidade e poder criativo do indivíduo.
              A realidade, para a Psicologia Humanista, deve ser exposta à temporalidade, deve ser fluída e não estática, permitindo que ao indivíduo a perspectiva de sua totalidade, desmistificando a ideia de uma realidade pura, confrontando-a com outras realidades. A integração entre o indivíduo e o mundo, permite que ele sinta a realidade presente, libertando-se das exigências do passado e do futuro.
              As raízes da psicologia humanista estão na corrente filosófica do existencialismo europeu, com autores tais como:
              Jean Paul-Sartre: “O homem nasce livre, responsável e sem desculpas”.
              Jean Jacques Rousseau: “O homem é bom por natureza, é a sociedade que o corrompe”.
               Erich Fromm: “Se eu sou o que tenho e perco que tenho, quem sou eu, então?”
               Viktor Frankl: “O homem se realiza na mesma medida em que se compromete com o significado da sua medida”.
                

2. TEÓRICOS HUMANISTAS



Os dois grandes teóricos da Psicologia Humanista foram Abraham Maslow e Carl Rogers, e ambos propuseram uma perspectiva de uma terceira força com ênfase no potencial humano.

2.1. ABRAHAM MASLOW

               Um dos principais teóricos da Psicologia Humanista foi Abraham Maslow (1908-1970), americano, considerado o pai espiritual do movimento humanista, acreditava na tendência individual da pessoa para se tornar auto realizadora, sendo este o nível mais alto da existência humana. Maslow criou uma escala de necessidades a serem satisfeitas e, a cada conquista, nova necessidade se apresentava. Isso faria com que o indivíduo fosse buscando sua autorrealização, pelas sucessivas necessidades satisfeitas, conforme gráfico abaixo:


                  Dentro dessa perspectiva, Maslow mostra que, se nossas necessidades fisiológicas são atendidas, ficamos preocupados com segurança pessoal; se atingimos um senso de segurança, buscamos amar, ser amado e amarmos a nós mesmos; quando amamos, buscamos a autoestima; com autoestima buscamos a autorrealização, que seria o processo de realizar nosso potencial; e, por fim, buscamos a autotranscedência, que significa propósito e comunhão para além do eu.
                  Maslow desenvolveu suas ideias a partir do estudo de pessoas saudáveis e criativas, ao invés de estudas casos clínicos complicados. Para definir a autorrealização estudou pessoas aparentemente com uma vida de sucesso, por terem uma vida rica e produtiva. Observou que essas pessoas tinham características em comum, tais como: aceitavam-se tal como eram; tinham consciência de si; eram francas e espontâneas, afetuosas e solícitas e não se deixavam afetar pela opinião alheia. Seguras por saberem quem eram, seus interesses eram centrados nos problemas, e não em si mesmas. Direcionavam suas energias em determinadas tarefas, tidas como missão de vida. A maioria tinha poucos relacionamentos íntimos ao invés de muitos relacionamentos superficiais. Maslow retrata que muitas foram movidas por grandes experiências pessoais ou espirituais que vão além da consciência comum.
                   Para Maslow essas características eram consideradas qualidades adultas maduras, qualidades de pessoas que aprenderam o suficiente sobre a vida, para serem compassivas, terem superado sentimentos confusos em relação aos seus pais, descobriram sua vocação, por terem coragem de serem impopulares, e não se envergonharam de serem abertamente virtuosas.
               A partir de experiências com estudantes universitários, Maslow concluiu que aqueles propensos a se tornarem adultos autorrealizados eram simpáticos, solícitos, “particularmente afetuosos com os mais idosos, que merecem seu afeto”, e “preocupados com a crueldade, a malvadeza e o espírito de gangue encontrados com tanta frequência entre as pessoas jovens”.
          
2.2. CARL ROGERS

            Outro grande teórico da Psicologia Humanista foi Carl Rogers (1902-1987), americano, que baseou seu trabalho no indivíduo. Ele estava de acordo com muitos dos pensamentos de Maslow. Acreditava que as pessoas são basicamente boas e dotadas de tendências para a autorrealização. A não ser que esta, esteja em um ambiente, que iniba o seu crescimento. Rogers dizia que cada um de nós é como um broto pequenino, pronto para o crescimento e para a realização.

               Rogers acreditava que um clima favorável ao crescimento exigia três condições:
              Autenticidade: as pessoas nutrem o crescimento com autenticidade, sendo francas em seus sentimentos, retirando as máscaras, e sendo transparentes e reveladoras.
             Aceitação: ele chamou de aceitação positiva incondicional, atitude de benevolência, de autovalorização, mesmo reconhecendo em si, defeitos. Funciona como um alívio profundo deixar os disfarces caírem, confessar nossos piores sentimentos e descobrir que ainda somos aceitos, o que nos possibilita viver em uma relação matrimonial, em família unida e amizade íntima, sem a necessidade de se explicar a todo instante. É ser livre para ser espontâneo sem correr o risco de perder a estima pelo outro.
             Empatia: ao compartilhar e espelhar nossos sentimentos e refletir nossos significados. ”Raramente ouvimos com compreensão sincera e verdadeira empatia”, segundo Rogers. Porém, ele considera ouvir, nessa condição especial, uma das forças mais potentes para a mudança.
              Para Rogers, autenticidade, aceitação e empatia são os efetivos meios que possibilitam as pessoas crescerem como vigorosos carvalhos, pois “na medida em que são aceitas e valorizadas, as pessoas tendem a desenvolver uma atitude mais favorável em relação a si mesmas” (Rogers, 1980, p.116)
             Ele trabalhou com um conceito semelhante ao de Maslow, que é a tendência inata de cada pessoa tem de atualizar suas capacidades e potenciais.
             Defendeu, também, a ideia de autoconceito como característica principal da personalidade, bem como, um padrão organizado e consciente das características de cada um, desde a infância que, à medida que novas experiências surgem, esses conceitos podem ser substituídos ou reforçados. Para ele, a capacidade do indivíduo de modificar consciente e racionalmente seus pensamentos e comportamentos, fornece a base para a formação de sua personalidade
           O autoconceito diz respeito à resposta que a pessoa tem de si para a seguinte pergunta: “Quem sou eu? Para Carl Rogers, se o autoconceito for positivo, a pessoa tende a agir e a ver o mundo positivamente. Em contrapartida, se o autoconceito for negativo, a pessoa se sente infeliz e insatisfeita. Para Rogers, o objetivo mais valioso para terapeutas, professores, pais e amigos, é ajudar os outros a se conhecer, a se aceitar, e a ser verdadeiro consigo mesmo.

Para Rogers, os indivíduos bem ajustados psicologicamente têm autoconceitos realistas e a angústia psicológica é advinda da desarmonia entre o autoconceito real (o que se é de fato – self real) e o ideal para si (o que se deseja ser – self ideal). Dentro dessa perspectiva de self real e self ideal, para Rogers, quando ambos são muito parecidos, o outoconceito é positivo.

Ele acreditava que o sujeito deveria dar a direção e o conteúdo do tratamento psicológico, por ter ele suficientes recursos de autoentendimento para mudar seus conceitos. A terapia centrada na pessoa e não em teorias, nasceu dessa ideia.

3.    PRESSUPOSTOS TEÓRICOS

Do ponto de vista da psicologia humanista, pode-se falar de dois grandes pressupostos teóricos que embasam as diversas abordagens: o pressuposto determinista e o pressuposto da autonomia.

3.1.        PRESSUPOSTO DETERMINISTA

No pressuposto determinista, o ser humano é pensado como algum tipo de mecanismo. Tudo que ele faz, assim como tudo que lhe acontece, tem uma causa determinante. A arte do atendimento consiste em descobrir essa causa e intervir no sentido de modificá-la ou substituí-la por outra.

As causas determinantes das condutas humanas podem ser internas (além de uma energia interna, compreendem-se as cognições, representações sociais, motivações inconscientes, resíduos da história passada, por exemplo, que dão a essa energia sua direção); ou externas (estímulos do ambiente físico ou social, isoladamente ou em configurações complexas, que acionam e dão direção a uma fonte de movimento) (Baum, 1999).

Dentro deste pressuposto do determinismo psicológico, o atendimento, para que seja eficaz, exige um olhar analítico da situação. Este olhar configura-se como um diagnóstico. A partir dele, uma estratégia de intervenção é montada para dirigir a ação terapêutica para os fins visados: uma troca de causas determinantes.

3.2.        PESSUPOSTO DA AUTONOMIA

O pressuposto humanista da autonomia é diferente. Nele o ser humano não é visto como simples resultado de múltiplas influências, mas como o iniciador de coisas novas.

A pessoa não é vista principalmente como efeito de causas anteriores modificáveis, mas como um ser desafiado pela vida e chamado a responder criativamente (Merleau-Ponty, 1996; Frankl, 1989). Isso quer dizer que se supõe que o ser humano tenha algum poder sobre as determinações que o afetam.

O trabalho psicológico consiste fundamentalmente em oferecer um contexto dialógico no qual a liberação desse poder seja promovida. Aposta-se na autonomia crescente da pessoa e na fecundidade de uma relação humana honesta para promover essa autonomia. A autonomia é entendida como a capacidade que o ser humano tem de orientar sua própria vida de forma positiva para si mesmo e para a coletividade. Nessa perspectiva, o atendimento não se baseia em um diagnóstico, mas na afirmação de uma tendência inata e criativa ao crescimento, e não é concebido como uma intervenção direcionada a efeitos específicos, mas sim como uma relação libertadora dessa tendência na pessoa.

A qualidade dessa relação adquire importância capital, pois é a partir dela que a capacidade de ver claramente e de orientar a própria conduta por parte da pessoa que se relaciona com o psicólogo vai se estabelecendo.

A palavra “diagnóstico” ainda pode ser útil, mas agora com uma compreensão abrangente, que se constrói juntamente com o cliente e a serviço dele, ao longo do atendimento, e que inclui uma visão de seu modo de ser, da natureza da situação e também dos rumos que poderiam dar um sentido positivo à dinâmica da vida.


4. CARACTERÍSTICAS DA PSICOLOGIA HUMANISTA


- Fornece uma ampla perspectiva holística, ou seja, caracteriza-se por ver a pessoa como um todo, numa base global. Cada um dos aspectos possui a mesma relevância. Os pensamentos, o corpo, as emoções e o lado espiritual. Estes aspectos estão inter-relacionados e se confluem mutuamente. Eles são a principal via pela qual o indivíduo encontra a si mesmo.

- A existência humana ocorre em um contexto interpessoal, portanto, é muito importante e necessário o relacionamento com os outros, levando em conta o contexto que é produzido, para o desenvolvimento individual do ser humano.

- As pessoas possuem a capacidade de fazer as suas próprias escolhas, de responsabilizar-se e de proceder para um desenvolvimento e implantação do seu próprio potencial.

- Promove e facilita o desenvolvimento pessoal. O psicólogo serve como uma ferramenta para que a pessoa, através de recursos próprios, possa vir a compreender-se e desenvolver-se.

- As pessoas têm uma tendência inata de autorrealização. O ser humano pode confiar na sabedoria dessa parte do seu interior, já toda a cura está em suas próprias respostas. Isto precisa ser entendido, pois não é necessário controlar o ambiente ou controlar as próprias emoções suprimindo-as.

5. CRÍTICAS ENFRENTADAS PELA PERSPECTIVA HUMANISTA

A perspectiva humanista desencadeou uma série de críticas, nos seguintes aspectos:

Conceitos supostamente vagos e subjetivos, quando Maslow define pessoas autorrealizadas como francas, espontâneas, afetuosas, com autoaceitação e produtivas. Os críticos mostraram que, se o perfil do grupo de pessoas analisadas mudasse, provavelmente se obteriam outras características para a autorrealização.

Se opuseram a ideia de Rogers de que a punica pergunta que importa é “Estou vivendo de um modo que é profundamente gratificante para mim e que realmente me expressa? ” (Citado por Wallach & Wallach). Para os críticos, o individualismo incentivado pela psicologia humanista – confiar e agir de acordo com seus próprios sentimentos, ser verdadeiro consigo mesmo, satisfazer a si mesmo – pode levar à satisfação excessiva dos próprios desejos, ao egoísmo, e à erosão de restrições morais. Para compreender melhor a dimensão do individualismo incentivado, imagine você trabalhando num grupo de pessoas que se recusam a realizar qualquer tarefa que não seja satisfatória, ou que não expresse verdadeiramente a sua identidade.

Na contrapartida, os humanistas argumentaram que o primeiro passo para amar os outros, é na verdade, uma autoaceitação segura e não defensiva. De fato, pessoas que se sentem amadas e aceitas, pelo que são e não apenas pelas suas realizações, têm atitudes menos defensivas (Schimel et al., 2001).

Outra acusação feita a Psicologia humanista é que ela não leva em conta a realidade da nossa capacidade humana para o mal, na qual as pessoas são basicamente boas, tudo será resolvido.  A psicologia humanista , dizem os críticos, incentiva a esperança necessária, mas não o realismo igualmente necessário acerca do mal.



REFERÊNCIAS:

MYERS, D.G.; DEWALL, C.N. Psicologia. Rio de Janeiro: Editora “Gen” Grupo

Editorial Nacional, 2017. Pg. 470, 471 e 472 .

MACHADO, Geraldo Magela. Psicologia Humanista. Disponível em: < https://www.infoescola.com/psicologia/psicologia-humanista/ > Acesso: 6 de outubro de 2018.

MARTINS, M.A. Estudos de Psicologia. vol. 26, núm. 1, enero-marzo, 2009, pp. 93-100. Disponível em http://www.redalyc.org/pdf/3953/395335850010.pdf. Acessado em 15 de outubro de 2018.

BLOG A MENTE É MARAVILHOSA. O que é a Psicologia Humanista? Disponível em < https://amenteemaravilhosa.com.br/psicologia-humanista/ > Acesso em: 13 de outubro de 2018.


quarta-feira, 10 de outubro de 2018

OS ESTRANHOS segundo Zygmunt Bauman - Mal estar na pós modernidade

O SONHO DA PUREZA
OS LOUCOS ERAM “A QUESTÃO SOCIAL”, A “QUESTÃO DA POLUIÇÃO”, PESSOAS QUE NÃO SE AJUDATAVAM, QUE ESTAVAM FORA DO LUGAR, QUE ESTRAGAVAM O QUADRO, QUE OFENDIAM O SENSO DE ESTÉTICA AGRADÁCVEL E MOTALMENTE TRANQUILIZADOR DA HARMONIO.
Os loucos eram jogados ao mar, representavam uma obscura desordem, um caos movediço, que se opõe a estabilidade a falta e luminosa da mente.
A pureza é um ideal, uma visão da condição que ainda precisa ser criada.
A intervenção humana não suja a natureza, mas a torna imunda. A pureza é uma visão das coisas colocadas em lugares diferentes, dos que elas ocupariam, se não fossem levadas a se mudar para outros lugares. A pureza está associada à ordem.
Os loucos acima definidos, são como coisas fora do lugar. Não são as características mas a posição que ela ocupa que a faz parecer suja.
As coisas que não tem lugar definido, sem lugar certo,  ficam fora do lugar.
Humanos são dotados de MEMÓRIA e CAPACIDADE DE APRENDER, daí os benefícios de uma boa organização no mundo.
A sujeira está associada a desordem, e necessariamente não são sujas. A sujeira transgride a ordem e elimina-la é uma tentativa de ordenar o que está fora dos padrões.
Quanto as pessoas, uma certa categoria de pessoas que se torna sujeita e é tratada como tal.

PERMUTABILIDADEDE PONTOS DE VISTA
Capacidade de se colocar no lugar de outra pessoa, empatia.
Só posso compreender os atos de uma outra pessoa se ei imaginar que eu mesma poderia fazer o mesmo, regulada pelos mesmos porquês e para quê.
As atividades de rotina oferecem um guia de segurança. Porém a chegada de um estranho tem o impacto de um terremoto, acaba om a segurança da vida diária. O cuidado com estranhos envolveu cuidados diários de puraza, de renovação de um mundo habitável e organizado, através da colocação em ordem de forma consciente e intencional. O objetivo de limpar, tronou-se o mesmo que mudar a maneira como as coisas costumam ser, criar uma nova ordem, constituindo um novo começo. Essa mudança coincidiu com o advento da era moderna, um novo começo.
Definir a modernidade como a época, ou estilo d vida, é desmantelar a ordem tradicional, herdada e recebida em que o ser significa um novo começo. Quando pertencente a rotina, tendem a ficar monótonas.
 COLOCAR EM ORDEM implica um novo começo, um estado de começo permanente. Se estabelece uma nova ordem, aparecem estranhos aterrorizantes, com novos vizinhos. Os estranhos já não são mais rotina.
Para Bauman, os estranhos são as impurezas representativas daqueles que se encontram fora do padrão ideal social e econômico, como moradores de rua, vagabundos e indolentes, etc.